Meu nome é Samuel Clabim, tenho 83 anos. Durante 53 anos fui rabino. Não apenas um homem que usava o título, mas um guardião vivo da tradição judaica, um homem que tinha raízes nas ruas de Igienópolis, em São Paulo.
bairro que meu pai ajudou a construir quando chegou aqui em 1948, fugindo das cinzas da Europa, minha voz significava algo. Quando eu falava em Rocha Chaná, quando eu recitava as orações na noite de Yonquipur, as pessoas escutavam como se Deus estivesse falando através de mim. Eu era um sobrevivente de terceira geração.
Meu pai tinha perdido quase toda a sua família em Auschevz. Apenas ele e minha mãe conseguiram escapar fugindo pela Polônia, pela Áustria, pela Itália, até que finalmente chegaram a São Paulo, a uma terra que não tinha neve, que tinha calor, que tinha uma certa inocência que a Europa tinha perdido para sempre. Eu cresci sabendo que meu dever era manter vivo o que tinha sido salvo.
Meu dever era garantir que a tradição não morresse, que a memória não fosse apagada, que Deus fosse honrado do jeito que meus antepassados tinham honrado. E durante 53 anos, eu acreditei que estava fazendo exatamente isso. E depois, há 2 anos, meu mentor morreu depois de 40 anos mantendo um segredo que o destruía por dentro.
E ele deixou para mim um livro, um novo testamento escondido dentro de uma capa falsa de Taud. E uma nota: "Eu não tive coragem de falar, mas você deve. Ninguém na comunidade sabe disso.
Minha família não sabe. E Genópolis está cheia de judeus que conhecem meu nome, que respeitam meu nome, que nunca imaginaria que por dois anos eu tenho estado vivendo com a verdade que me foi deixada. Se você está me vendo agora, é porque acredito que você merece conhecer a verdade.
você permanecer comigo enquanto eu conto essa história, se você não apartar o olhar da dor e da raiva e da perda que estou prestes a revelar, então talvez você compreenda por estou pedindo que você comente, que você testemunhe isso, que você se inscreva para que outros saibam que mesmo Aos 83 anos, mesmo depois de uma vida inteira de certeza, um homem pode ser despedaçado e reconstruído pela graça de um Deus que passei 53 anos fugindo. Nasci em 1943 emópolis. Meu pai Abraham Clabim tinha vindo da Polônia em 1948.
Tinha um número tatuado no antebraço. Minha mãe Hann Rosen tinha passado 3 anos em Treblinca. Quando ela segurou meu rosto pela primeira vez, ela chorou.
Eu era prova de que os nazistas não tinham ganho. Crescer nessa casa era viver no limiar entre dois mundos. De um lado havia um mundo que meu pai e minha mãe tinham deixado, um mundo destruído.
Do outro lado havia São Paulo, um mundo novo. Meu pai aceitava o novo mundo porque precisava, mas ele nunca o ame. No fundo, ele ainda estava em Varsóvia.
Minha infância em higienópolis era uma vida de segurança, cercada pela loucura. Mas dentro do mundo judaico havia shalom, havia paz, havia a sensação de que Deus estava ali abençoando a mesa, celebrando que tínhamos sobrevivido. A sinagoga era o centro, não era uma sinagoga grande e ostentosa.
Era modesta. Era um lugar onde os homens, que tinham perdido tudo podiam vir e rezar no idioma que seus pais tinham rezado, onde as mulheres que tinham visto seus filhos morrerem podiam acender velas pelos mortos, onde as crianças nascidas nessa nova terra podiam aprender hebraico como seus avós tinham aprendido. Para mim, a sinagoga era mais real que a rua, mais importante que a escola pública, mais importante que qualquer coisa nesse mundo.
Meu pai decidiu que eu seria rabino, não porque ele tivesse perguntado a mim, simplesmente porque era óbvio. era inteligente, eu era piedoso, eu tinha o tipo de alma que podia se dedicar à Torá. Aos 7 anos, eu estava aprendendo hebraico com um professor que tinha sido rabino antes da guerra.
Aos 10 anos, eu estava estudando Talmud. Aos 13 fiz meu barmitzva e todos na comunidade diziam que eu era o futuro, que eu era a razão pela qual a tradição não morreria, que eu era a prova de que Hitler não tinha ganhado, porque Hitler tinha matado 6 milhões de judeus. Mas aqui estava eu, um garoto judeu em São Paulo, aprendendo os mesmos textos que meus antepassados tinham aprendido, rezando as mesmas palavras que meus avós tinham rezado.
Eu era uma vitória. Fui para achivá em Israel aos 17 anos. Passei três anos em Jerusalém como um estudante do Talmud.
Era como estar vivo de um jeito que nunca tinha estado antes. Havia apenas a tradição clara e imutável. Desde Moisés até mim.
Voltei a São Paulo transformado. Fui para o seminário rabínico. A idade de 28 anos fui ordenado.
A 35 me tornei rabino principal em Ienópolis. Uma vida de certeza absoluta, uma vida onde eu estava do lado certo. Casei com Raquel Serfate.
Tivemos três filhos. Rafael, Miriam e David, especialmente Rafael. Era inteligente, piedoso, obediente.
Ele conhecia a Torá antes de conhecer português. Quando tinha 17 anos, ia estudar em uma esivá em Jerusalém. E meu coração se encheu de alegria.
Meu filho ia ser maior que eu. Ia levar a tradição a um patamar que eu nunca poderia ter atingido. Minha filha Miriam era diferente.
Ela era brilhante também, mas de um jeito diferente. Ela era vivaz, ela tinha curiosidade sobre o mundo. Ela gostava de ler romances, gostava de conversar, gostava de fazer perguntas e havia uma liberdade nela, uma certa rebeldia que eu reconhecia, mas que me assustava.
Eu sabia que meu dever como pai era canalizar essa energia na direção certa, na direção da tradição, para que ela não se perdesse nas tentações do mundo secular. Passei 40 anos aqui em Genópolis como rabino. Dirigi barmitfas, casamentos funerais.
Homens morriam aqui que tinham sobrevivido ao holocausto e eu os preparava para encontrar a Deus. Eu testemunhava a morte deles como se fosse a morte de meu próprio pai. Porque meu pai tinha morrido quando eu tinha 35 anos.
tinha chegado aqui com uma ferida tão profunda, tão aberta, que mesmo após 20 anos em Brasil, ele não tinha conseguido cicatrizá-la. Ele tinha conseguido dar a mim um presente. Porém, ele tinha conseguido me dizer dias antes de morrer, Samuel, você precisa continuar.
Você precisa manter a tradição viva, porque se você não miser, Hitler terá ganhado. E nós não vamos deixar que Hitler ganhe. Aquelas palavras tinham definido minha vida.
Eu tinha vivido para honrar aquele pedido. Eu tinha mantido as regras rigorosamente. Eu tinha ensinado a meus filhos a manter as regras.
Eu tinha explicado a eles que quando você guarda Shabat, quando você come apenas comida cocher, quando você segue a lei, você está conectado com 5000 anos de história. Você está conectado com pessoas que foram queimadas, que foram assassinadas, que foram gaseadas, mas que recusaram abandonar sua fé. Você é seu link vivo, você é sua vitória.
E então, em 1985, quando eu tinha 42 anos, o meu mentor chegou em minha sinagoga. Seu nome era Moché Blum. Ele tinha 82 anos.
Ele era um dos últimos dos grandes rabinos. um sábio, um homem que tinha perdido sua esposa, seus filhos, seus pais, seus irmãos, todos para a Inquisição. Ele tinha chegado em Auschwitz quando tinha 25 anos.
Ele tinha passado 3 anos lá. E de alguma forma, de uma forma que ninguém consegue explicar, ele tinha sobrevivido. Ele tinha caminhado 6000 km através de um continente destruído até chegar a São Paulo.
E aqui ele tinha reconstruído sua vida. Ele tinha ensinado, ele tinha se casado novamente, ele tinha criado uma comunidade. Quando o conheci, fiquei sob seu feitiço.
Ele tinha sabedoria ganha através de sofrimento. Por 15 anos fui seu aluno. Nós estudávamos Talmud, rezávamos juntos.
Ele se tornou mais do que um mentor. Ele se tornou a voz de meu pai dentro de mim, a encarnação da tradição. Ele nunca se casou após perder a sua família.
Passou 40 anos sozinho. Escolheu viver apenas pela tradição. Escolheu ser um guardião como meu pai, como eu.
No último ano de sua vida, quando tinha 97 anos, começou a se deteriorar. Uma noite, em 1995, pediu que eu o ajudasse a se sentar. Tinha algo a me dizer, tinha algo a me dar.
Ele tirou uma pequena caixa debaixo de seu colchão. Ela estava envolvida em tecido. Ele colocou a caixa em minhas mãos, com as mãos tremendo, e disse: "Samuel, isso mudará sua vida.
Eu deveria ter falado disso há 40 anos. Eu deveria ter tido coragem. Mas tive medo.
Agora você precisa ter a coragem que eu não tive. Abri a caixa. Dentro havia um novo testamento, velho, gasto.
Havia marcas em todo o livro, passagens sublinadas, notas em hebraico, marcando cada profecia do Messias conectada a Yeshua. Ele tinha escrito coisas como Isaíai 53 é sobre uma pessoa e Daniel 9:26 fala do Messias. Yesua cumpriu isso e havia uma nota longa.
Quando vi morrer dois dias depois, ainda não tinha coragem de ler aquela nota completamente. Naquela nota, Rabino Blom escreveu coisas que me perseguiram durante os próximos 20 anos. Ele escreveu que tinha lido o Novo Testamento completamente durante 40 anos, que tinha estudado cada profecia messiânica, que tinha rastreado a linhagem de Davi em Mateus, que tinha lido Isaías 53 centenas de vezes e que havia chegado a uma conclusão irrefutável.
Yesua de Nazaré era o Messias de Israel. Ele era a promessa cumprida. Ele era a razão pela qual a história judaica tinham significado.
Mas Rabino Bloom também escreveu que não tinha falado disso, que tinha guardado o segredo, que tinha vivido como um cripto judeu espiritual. fingindo acreditar em uma coisa enquanto acreditava em outra. Ele escreveu: "Samuel, eu sofri em Auschwitz porque meu povo foi odiado.
Sofri porque Deus permitiu que 6 milhões de nós morressem sem que o Messias viesse para salvá-los. ou pelo menos é isso que eu acreditei. Mas durante esses 40 anos, lendo os Evangelhos, lendo as epístolas de Paulo, comecei a entender algo.
O Messias já veio. Ele veio e sofreu conosco. Ele morreu por nós.
A razão pela qual Deus não enviou um Messias para salvar 6 milhões de judeus é porque o Messias já tinha vindo e já tinha feito o trabalho de salvação. A carta continuava: "Eu não tive coragem de falar isso. Meus filhos foram mortos no holocausto.
Como poderia eu dizer que acredito em Yeshua quando meus filhos foram mortos por aqueles que acreditavam nele? Como poderia explicar que o cristão que matou meu filho e meu filho poderia ter sido salvo? A lógica me escapou e assim escolhi o silêncio.
Mas Samuel, o silêncio foi mais doloroso que qualquer outra coisa. O silêncio me deixou dividido. O silêncio me deixou sozinho.
E agora, antes de morrer, estou passando esse peso para você. Porque você é jovem, porque você tem força, porque você pode fazer o que eu não conseguir fazer. Li essa carta e senti algo quebrar dentro de mim.
Durante os 20 anos seguintes, fiz o que rabino Brun não conseguiu fazer. Guardei o segredo. Tentei viver como um rabino normal.
Dirigi os serviços, ensinei os alunos, casei as pessoas, enterrei os mortos. Mas o Novo Testamento estava em minha casa, escondido em um talmude falso. E eu lia passagens dele enquanto ninguém estava vendo.
E cada vez que lia, sentia que estava conhecendo a Deus. de forma mais verdadeira do que nunca tinha conhecido. Nesse tempo, Rafael cresceu e se tornou exatamente o que eu esperava que fosse.
Estudou em uma Yesivá em Jerusalém. tornou-se ultraortodoxo. Casou com uma mulher ultraortodoxa, teve filhos, virou um rabino em uma comunidade Hared e eu estava tão orgulhoso dele que isso me mantinha longe da verdade, porque Rafael era a continuação da tradição.
Rafael era a prova de que eu tinha feito a coisa certa. Rafael era minha vitória sobre o holocausto, minha afirmação de que a tradição judaica não apenas tinha sobrevivido, mas tinha florescido. Então, em 2006, quando Rafael tinha 36 anos, ele descobriu que eu tinha uma cópia do Novo Testamento.
Não sei como descobriu. Alguém deve ter contado. Ou talvez ele tenha encontrado a cópia escondida.
Mas de repente ele veio até mim com os olhos cheios de fogo e pediu explicações. Naquele momento, podia ter negado, podia ter dito que era uma cópia que eu estava guardando para refutá-la. Podia ter inventado uma história, mas não fiz isso.
Naquele momento, algo dentro de mim disse que era hora de falar a verdade. E assim falei. Disse a Rafael que acreditava que Yeshua era o Messias, que acreditava que o Novo Testamento era verdade, que acreditava que tinha desperdiçado 20 anos.
fingindo ser algo que não era. A reação de Rafael foi violenta. Ele disse que eu tinha traído os meus antepassados, que tinha desgraçado o nome de meu pai, que tinha transformado a memória do holocausto em uma piada que os verdadeiros judeus nunca acreditariam em Jesus, que eu era um apicoros, um herege, alguém que tinha caído completamente.
e disse mais. disse que não podia permitir que seus filhos, meus netos, Rivka e Xira tivessem qualquer contato comigo, porque eu era uma má influência, porque eu era um instrumento do mal, porque eu era um traidor. Naquele dia, Rafael cortou todos os laços comigo.
Ele não respondeu a ligações, não respondeu a mensagens, não veio aos funerais de membros da família, simplesmente desapareceu, levou meus netos comigo, que tinha então 11 anos, Rivka, que tinha oito. Mas não me arrependo, porque agora vivo na verdade. Agora conheço a Deus como ele realmente é.
Agora conheço Yeshua. E nem toda dor, nem toda perda, nem todos os arrependimentos podem comparar com a paz de conhecê-lo. Mesmo que seja tarde demais, mesmo que seja vindo no final da vida, mesmo que tenha custado tudo, se você está me vendo agora, se chegou até aqui no final dessa história, então please, não cometa meus erros.
Não espere 53 anos, não sacrifique seu filho por uma lei morta. Não se recuse a ouvir a verdade, porque tem medo de perder sua posição. A verdade é mais importante que a posição.
O amor é mais importante que a lei. Yesua é mais importante que qualquer coisa que você tenha construído. Se existe alguém vendo isso que conhece meu filho Rafael, por favor, diga a ele que seu pai o ama, que seu pai crê no Messias que Deus enviou e que seu pai, mesmo que nunca o veja novamente nessa vida, o verá na próxima.
M.