Caros alunos, a partir de agora faremos uma reflexão acerca das bases teóricas e epistemológicas da psicopedagogia. Prezado acadêmico, antes de iniciarmos o conteúdo do tópico, precisamos esclarecer alguns significados, começando pelo termo "epistemologia". De acordo com alguns autores, a palavra epistemologia é sinônimo de gnoseologia, e ambas dizem respeito à origem e natureza do conhecimento.
O principal enfoque deste tópico são as teorias que fundamentarsm a psicopedagogia, portanto, veremos algumas das influências da pedagogia e da psicologia que, como já vimos na unidade anterior, ofereceram os primeiros alicerces para a psicopedagogia, em termos de origens teóricas. Objetos de estudo da psicopedagogia. O principal objeto de estudo da psicopedagogia é a aprendizagem humana, no que se refere tanto a padrões considerados normais quanto à patologia.
Significa dizer que a psicopedagogia procura investigar todos os fatores etiológicos do não aprender, ou seja, as causas dos entraves nesse processo, e também tem por intuito identificar os obstáculos do processo de aprendizagem. Assim, as dificuldades de aprendizagem e o fracasso escolar chamam muita atenção dos psicopedagogos A psicopedagogia tem uma visão que abrange e que leva em consideração a realidade interna do sujeito, bem como a realidade externa formada pelas influências dos familiares, do ambiente escolar, das amizades, da mídia, e de outras esferas da sociedade em relação ao ato de aprender. De acordo com Bossa, o olhar dos psicopedagogos não se restringe à pessoa que aprende, mas se estende, também, para os educadores e outros atores desses processos.
Aprender abarca aspectos sociais, afetivos, cognitivos, emocionais e não basta que o psicopedagogo identifique esses aspectos de maneira dissociada. Para tanto, é realmente imprescindível que a psicopedagogia se junte a outras áreas do saber, afinal, obter entendimento acerca da aprendizagem e oferecer mudanças consideráveis nesse processo envolve muito esforço e atividades extremas e complexas. É certo que o psicopedagogo precisa estudar bastante.
Afinal, ele almeja compreender o processamento da aprendizagem e do ensinar e, além disso, precisa integrar diferentes posicionamentos sobre a aprendizagem, além de realizar uma proposta interventiva após sistematizar as informações. A epistemologia verifica e descreve o processo de construção do conhecimento pelo ser humano, na interação com outros e com fatores do ambiente. Como já vimos, a pedagogia tem um papel importante para a psicopedagogia.
A pedagogia contribui com a psicopedagogia porque levanta circunstâncias de transformação e de reprodução que se processam na sociedade, além de apresentar reflexões ampliadas sobre a aprendizagem – que é o objeto de estudo da psicopedagogia. Ela contribui, ainda, por intermédio das várias abordagens do processo ensino-aprendizagem, apresentando-o, principalmente, sob a perspectiva de quem ensina. Para Paín, a psicopedagogia é erigida a partir de diversas estruturas teóricas, tais como: o materialismo histórico, a teoria piagetiana, a teoria psicanalítica etc.
Vamos citar as estruturas teóricas: Psicanálise. Materialismo histórico. Teoria piagetiana.
Psicanálise: já sabemos que Freud foi o primeiro formulador da psicanálise. Além do que já aprendemos sobre essa teoria, é válido acrescentar que a ideologia e operatividade do inconsciente têm servido de subsídio para a psicopedagogia. Materialismo histórico: um dos epistemólogos da psicologia chama-se Vygotsky.
Ele estudou a história da psicologia e identificou que a ciência psicológica estava atravessando uma fase de crise e fragmentação em 1920. Assim, Vygotsky propôs o materialismo dialético como uma filosofia científica que poderia propiciar a integração metodológica e uma concepção de mundo mais condizente à psicologia. Até os dias atuais, a psicologia tem apresentado pluralidade metodológica.
Teoria piagetiana: Piaget analisou e descreveu o processo de construção do conhecimento pelo sujeito em interação com outrem. A teoria de Piaget também é chamada de epistemologia genética, ou teoria construtivista, ou concepção piagetiana. Se a sua curiosidade por essa temática está muito aguçada nesse momento, recomendamos que, antes de realizar a leitura do tópico subsequente, você faça a leitura da leitura complementar dessa unidade.
Ela dissemina reflexões de Barbosa sobre as produções científicas difundidas na "Revista da Psicopedagogia" durante seis anos consecutivos, além dos temas abordados em três congressos brasileiros da ABPp, e de outros textos vinculados à ABPp, como os boletins informativos. Prezado acadêmico, não deixe de fazer a leitura complementar que está no final do Tópico 2. Contudo, vale a pena ler para entrar em contato com teorias que ainda não foram citadas aqui, e com pontos de vista diferentes sobre as teorias que balizam a psicopedagogia.
Caro acadêmico, o Código de Ética do Psicopedagogo, você encontra na íntegra em nosso livro. Bons estudos e até a próxima!