[Música] ae no mês de abril de 1999 o salão de atos da universidade federal do rio grande do sul foi palco do 5º congresso latino-americano de educação bilíngüe para surdos o evento foi organizado pelo núcleo de pesquisa em políticas educacionais para surdos da universidade o congresso contribuiu com o cenário político social favorável para o nascimento de políticas públicas para surdos algumas de suas iniciativas foram fundamentais para a ampliação do acesso à educação para essa comunidade e se conhecendo a ufrgs vamos abordar o contexto histórico que antecedeu o evento e falaram sobre seus principais legados e
desdobramentos o congresso de educação bilíngüe para surdos teve um significado social extremamente importante porque ele trouxe o que significa ser surdo o que significa ser binho ser surdo bem e essa discussão ela estava digamos assim muitas das mesas das discussões das apresentações de trabalhos e discutir muito sobre educação e tá um muitas pessoas no brasil e fora do brasil nesse espaço discutindo educação me e já naquela época uma pauta que hoje é uma pauta prioritária a comunidade surda em relação à educação na realidade congresso de 99 foi um marco na história do brasil e para
as pesquisas no campo da educação de surdos e questões culturais também marcou certamente porque muitas pessoas de todo o brasil vieram pra cá em busca de novos conhecimentos novas pesquisas e novas idéias por isso a marca importante na história dos surdos do rio grande do sul e do brasil também muitas pautas que falamos até hoje não eram abordadas antes do congresso e houve um esforço dentro da urca para a continuidade dessas pesquisas então o trabalho que foi realizado no congresso proporcionou fortalecimento para todas as pesquisas e isso não era visto antes e foi muito bom
foi um trabalho maravilhoso mas também foi desgastante também nos deixou muito preocupados tinha extrapolado o número de inscritos e isso nos deixou apavorados porque o auditório estava com lotação máxima tinha muita gente tanto na platéia alta quanto na parte baixa também e nós ficamos pensando o que fazer nós não esperávamos tudo aquilo que pensávamos que seria um evento simples normal e de repente o auditório ficou abarrotado nós ficamos apreensivos afinal de contas as pessoas pagaram a inscrição e não teriam como se acomodar de forma confortável inclusive algumas pessoas tiveram que sentar nos degraus do salão
é e quem chegou cedo inclusive tinha que colocar os casacos e sacolas para reservar os lugares nisso nós ficamos assim nossa realmente sem ação as foi muito bom foi muito bom mesmo era diversas línguas de sinais acontecendo ao mesmo tempo aquilo tudo era muito novo para todos nós que estávamos ali a gente estava acostumado a interpretar principalmente da língua portuguesa língua de sinais na época pouco a gente fazia libras para pânico disse na época o português porque os fundos também estavam se compreendendo quando sujeitos capazes de falar o que pensam nef colocar não ser fácil
ser comentado por outras pessoas ele começar a ter voz estão numa situação dessa chegar e ver um monte de línguas ao mesmo tempo um monte de língua de sinais ao mesmo tempo e aquele peça um poder amento da língua de sinais aquele espaço naqueles quatro dias de evento né antes do congresso nós não tínhamos tudo essa visibilidade na verdade existiam grandes dificuldades educação de surdos estava vinculada à educação especial esse lugar era horrível porque nos chamavam de deficientes e isso nos deixa indignados com essa indefinição em ti então na universidade se conhecia muito pouco eo
congresso contribuiu para mudar isso de fato mudou muito a década de 90 no aqui no rio grande do sul foi extremamente importante porque foi o auge do movimento surdo que começou a se organizar é por meio da associação de surdos e também a entrada né de dos primeiros surdos da primeira surda digamos assim aqui no programa de pós-graduação em educação e também mobilizou é muito né aqui no ambiente universitário ações e trabalhos voltados não é para pesquisas no campo da educação de surdos e também no campo dos estudos culturais e essa era digamos assim a
falta né principal que era defender o uso da língua de sinais nos diferentes ambientes e consequentemente não é isso também estava vinculado nem a questão da necessidade de formação de intérpretes a necessidade de atuação dos intérpretes nos diferentes contextos e e ambientes né educacionais e sociais a gente tinha em 96 por exemplo a lei de libras que foi oficializado na cidade de porto alegre foi todo um cenário de luta e de participação popular das pessoas surdas instâncias democráticas como o orçamento participativo com a lei de libras então nem precisava ter pessoas que pudessem atuar nesses
espaços que na época a prefeitura de porto alegre abrirá a comunidade participar dessas reuniões do orçamento participativo e definir os a omd que a prefeitura de investir o dinheiro então as pessoas já estavam participando tanto individualmente como institucionalmente com a própria federação surdos que estava se instaurando 96 97 e precisava de pessoas pra atuar como intérprete que naquela época eram professores e/ou amigos que acabavam fazendo esse trabalho voluntariamente um paralelo ao todo esse movimento a feneis organizou e criou o primeiro curso de instrutor onde nós surdos aprenderíamos com outros surdos a como ensinar a língua
de sinais e como disseminar essa língua isso foi 96 né todo esse movimento anterior ao congresso em que também outros cursos foram sendo criados e inclusive um instrutor para que nos capacitar se á a ensinar a língua de sinais e realmente disseminar essa língua em outras regiões para que as pessoas soubessem que era a língua de sinais e outros sonhos foram surgindo também relacionados à formação do intérprete então é foi um trabalho realmente muito bom que envolveu a idéia de muitas pessoas as idéias foram sendo somadas e organizando as idéias isso foi dando continuidade ao
nosso trabalho antes do congresso teve o pré congresso alice elaborou um documento que até hoje é citado no país todo que é a educação do surdo que nós queremos na realidade na organização desse documento nós inserimos pautas como por exemplo educação cultura língua e profissionalização colocamos essas coisas porque nós queríamos mostrar para a sociedade o que era particular nosso e que era relevante para nós nossas diferenças nossa identidade algumas questões ficaram mal apresentadas mas nós conseguimos finalizar o documento não lembro quantas páginas tinha eram diversas pautas mas ali inserimos as principais questões sobre as diferenças
da pessoa surda e que posteriormente foram percebidas no congresso e esse pré congresso isso teve justamente uma importância fundamental que era reunir surdos para que discutissem pautas importantes no que se referia direitos humanos educação de surdos surdos ea saúde o surdo é e questões do trabalho então eles se mobilizaram muito né e se reunirão somente os surdos ouvem só participavam né como interno digital pra definir justamente assim aqueles pontos que eram importantes é de eles levarem adiante enquanto o movimento surdo pontos assim pra que fossem reivindicado em diferentes instâncias né e e isso faltou justamente
muito né esse documento ele foi uma referência para depois a educação de surdos e até hoje a gente vai ler consulta muito esse documento mas ele é desde lá ele teve muita visibilidade teve justamente essa participação maciça dos surdos não é mais de 600 urnas se reuniram aqui na ufrgs para justamente discutir e elaborar este documento no final do congresso uma passeata é importantíssimo que aconteceu daqui do salão de atos até o palácio do governo foi entregue esse documento o governador olívio dutra isso foi em abril de 99 que foi responsável eu acho que o
responsável principal por aqui em dezembro de 99 o estado oficializar sua língua de sinais como uma língua inglesa e foi muito bom muito marcante a passeata foi muito extensa teve uma grande adesão participaram mais de mil pessoas o ancho mais ou menos mil pessoas o movimento igual a esse nunca tinha existido no brasil a comunidade surda nunca tinha feito isso começou aqui em porto alegre então esse movimento de porto alegre começou a se lippi cadu em outras regiões do país aquele momento foi assim o primeiro momento é que os surdos também foram às ruas o
surdo se mobilizaram organizar um evento se fundaram nec no rio grande do sul uma sede da federação nacional de educação e integração dos surdos começaram a atuar e e nas nas universidades né principalmente estudar nos cursos de mestrado e doutorado então aquele período ele foi ele mobilizou mobilizou assim o reconhecimento das pessoas surdas como um sujeito de direito é direito de uso da língua de sinais de participação nos diferentes espaços envolvimento da ong se deu através dos núcleos é que eu não pedi pesquisa de educação de surdos e político enfim coordenado pelo professor carlos scliar
e que foi contar a partir dele dos seus orientando os que conseguiram que o congresso df pra cá e um trabalho bastante a do da dos estudantes da pós-graduação na época eram orientados dos carros escrever e da comunidade surda local junto ao escritório da fenemê acho que esse trabalho em parceria que deu certo o sucesso do congresso tinha outras pessoas de outros lugares por exemplo a gente tinha surdos que vieram da espanha da argentina do uruguai e que vieram intepp com eles também então eles se espalhavam pelas cadeiras do santo auditório e ficavam aglomerados e
alguns internos ficaram nessa parte aqui dentro de entre a platéia baixa até a alta os internos ficaram aqui com seus grupos da espanha da argentina do uruguai ou ficavam à lá embaixo sentado embaixo do palco então essa era diversas línguas de sinais acontecendo ao mesmo tempo aquilo tudo era muito novo para todos nós que estávamos ali é importante destacar uma curiosidade porque tem muitas pessoas que hoje atuam como intérprete e atuam como professores de língua de sinais que estão envolvidos na academia que estavam sentados nas cadeiras aqui do salão de atos na platéia começando a
sua vida foi de formação ou de docência e que se inspiraram muitas pessoas não se fosse uma pedra jogada na água sem falar da onu lançado então acho que tem muitas consequências positivas que a gente está colhendo os frutos hoje aqui na ufrgs nós já tivemos muitas mas muitas conquistas é claro ainda temos muitos desafios pela frente mas muitas conquistas eu acho que esse espaço né principalmente no programa de pós-graduação em educação se a gente for observada hoje nós temos muitos surdos que realizaram seu mestrado e doutorado no programa de pós-graduação em educação e isso
certamente é fruto é dessa serventia que ele foi plantada durante o congresso e desse desenvolvimento desses primeiros surdos que ingressaram na década de 90 que isso desencadeou meio que um processo assim de também incentivo né pra entrada de outros foi dificílimo começar o mestrado porque sofremos com a falta de intérprete lembro que existiam diversas dificuldades e nós discutimos sobre isso outro obstáculo que também passamos é que os ouvintes falavam por nós surdos e nós não conseguimos falar por nós mesmos eu acho que depois de carlos alberto vai explicar melhor isso porque eles queriam falar por
nós não nos deixavam falar porque a sua de preguiçoso eles não gostam de falar mas como eu vou falar corro minha organização uma boa e eles não entendiam isso então expliquei que nós éramos diferentes que tinha libras e que ela deveria ser respeitada mas ele e respondiam e tapete pra quem foi bem difícil mas com o tempo conseguimos realizar algumas produções acadêmicas e propagar essas idéias então com luta esforço nós conseguimos que a sociedade começar a se abrir os olhos para entender os surdos aceitasse as diferenças de nós surdos e aceitasse a libras foi aos
poucos mas conseguimos um marco na nossa jornada nossa caminha dá pra que hoje a gente tenha a profissão reconhecida que nós tenhamos hoje a federação do sinteps que nós construímos que a gente tenha uma tabela de honorários sugeridas pela federação é uma uma seriedade em relação ao trabalho que até aquele momento muita gente trabalhava outro diariamente e pedir salário era meio que é vergonhoso netão tipo a como ela contava fazer isso é negócio do coração da doação não era visto como um trabalho né e hoje tem um vários servidores que são intérpretes de língua de
sinais na tanto aqui como em várias universidades e institutos federais então tiveram como isso esses 20 anos na nossa profissão também ganhou reconhecimento nós tivemos também mudanças na universidade que foi também a entrada de professores docentes nas surdos principalmente para ministrar a disciplina de língua brasileira de sinais nos cursos de graduação temos hoje também muitos surdos atuando no ensino também com bacharelado em letras libras nem agora pedagogia bilíngüe cursos de graduação nessa universidade então houve justamente assim esse campo ele teve muitas conquistas as idéias que foram plantadas em 99 e que culminaram no hoje a
nossa principal pauta com o governo que está se encaminhando para ser implementada a educação bilíngue então hoje o desafio de efetivar a educação bilíngüe no brasil já está caminhando mas ainda faltam algumas coisas na verdade já houve fortalecimento das políticas surdas a comunidade surda através da feneis já encaminhou o documento para o governo e que este aceitou então na verdade a educação bilíngue e está próxima de ser concretizada as coisas que estão acontecendo hoje nós precisamos articular com as idéias propostas no congresso porque ela já falava educação bilíngue e hoje nós estamos encaminhando para isso
se realizar ainda faltam algumas coisas a luta ela não para falar continua eu acho que o desafio hoje é avançar mais em relação à graduação ea entrada de pessoas surdas nos cursos de graduação que ainda é muito tímido é muito real muito pequeno esse número médio de pessoas surdas né e essa garantia precisa ocorrer sim é por meio justamente da manutenção e da ampliação da política de ações afirmativas aqui na ufrgs continuar a pensar a educação de surdos com um problema eu acho um problema de todos nós assim é uma responsabilidade de todos nós não
só na porta da escola da escola mas a preocupação de se pensar em políticas que de fato se comprometam com a educação dos surdos uma maneira integral não só educacional as política enfim cidadã eu fico pensando no futuro e do quanto de trabalho que nós ainda temos porque pelo que observo o importante seria criar um tipo de fiscalização uma fiscalização da educação o que é algo que não existe um surto não tem essa possibilidade e que não seja algo feito só por ouvintes como conselheiros tutelares eles não conhecem as especificidades dos surdos eles não têm
essa competência é preciso que um surdo faça essa fiscalização seja um furto que tem a capacidade de olhar avaliar se a inclusão tá com problemas na educação aprendizagem não está ocorrendo ea partir disso realmente fazer denúncias é necessário temos mais espaços e mais pessoas diferentes ocupando os espaços hoje nós temos uma comunidade que é grande desenvolvida eu encontro nas colegas e eu fico muito satisfeita na realidade nem tudo é pesquisado ainda existe uma infinidade de questões a serem pesquisadas sobre a surdez que as questões relativas à língua educação as questões sociológicas e outras mais que
podem ser estudadas eu sinto que ainda há muitas lacunas ainda falta em tapetes e também a necessidade de abertura de espaço para os surdos pesquisadores em mestrado e doutorado porque ainda são escassos e isso tem resultado em uma perda de espaço das pessoas surdas em relação aos ouvintes é bom que o juventus pesquisem mas é necessário que o surto a língua em espaços como pesquisadores nós precisamos de mais articulação entre as universidades e as escolas de surdos é necessário que haja colaboração para que as pesquisas que são produzidas nas universidades sejam divulgadas por isso que
eu realmente acho que essa aproximação deve acontecer [Música]