Sejam todos bem-vindos e bem-vindas neste espaço de narrativas de pessoas ligadas não só ao teatro e à arte-educação, mas a todas as profissões possíveis. Hoje, eu tenho o prazer de conversar com a Cláudia Cristina Uliana. A Cláudia estudou na Escola Municipal Dr Getúlio Vargas no período de 1984 a 1989, quando concluiu o curso de Magistério.
Posteriormente, ela cursou a Faculdade de Direito de Sorocaba e é procuradora municipal há 31 anos, atuando junto à Secretaria Jurídica da Prefeitura Municipal. Quando aluna do Getúlio Vargas, a Cláudia já mostrava muita alegria, companheirismo, seriedade em tudo que fazia, espírito de liderança, e víamos que era uma festa a chegada dela, pois era realmente muito querida entre os colegas e as colegas de turma. Com esse mesmo espírito de afetividade, ela participou do festival de teatro do Getúlio Vargas na peça "O Mágico de Oz" durante o 5º festival, em 1986.
A Cláudia tem muitas coisas para nos contar, mas isso agora é com ela. Seja muito bem-vinda, Cláudia! Cláudia, eu gostaria que você começasse contando a respeito de onde você nasceu e como foram os primeiros anos escolares.
— Seja bem-vinda! Muito obrigada, Professor! Obrigada pela oportunidade de poder estar aqui falando sobre a minha trajetória e sobre a felicidade de ter estudado no Getúlio Vargas, que foi uma escola que certamente teve uma importância gigante para minha formação, e sobre o festival de teatro, que certamente foi um momento único e ímpar na minha vida, do qual me lembro sempre com muito carinho.
Eu iniciei os meus estudos ainda no EMEI número 7 em Santa Rosália e, posteriormente, estudei numa escola estadual chamada Baltazar Fernandes, onde estive até a sexta série do Ensino Fundamental. Depois, em 1984, na sétima série, eu fui para o Getúlio, onde fiquei até concluir o magistério, como o senhor falou. Então, ali no Getúlio, eu posso dizer que fiz muitos amigos, tanto no fundamental como posteriormente no magistério, e o festival de teatro, como parte de tudo isso, foi um momento de suma importância para mim.
— Certo. E você, quando entrou na primeira à quarta série, por exemplo, você teve alguma atividade teatral na escola naquele período? — Não, eu não tive atividade teatral, assim propriamente dita.
Tinha ali as coisas do dia a dia, mas não o teatro em si. Mas eu, desde muito pequena, fazia balé, então sempre tive um grande apreço pela arte. Nesse período inicial da minha vida, foi o balé, onde eu era aluna da Dores, na Academia Jador Dan.
Eu assisti você quando se apresentou sem eu saber; você estava no meio da turminha lá. Eu estive durante 10 anos da minha infância no balé, e infelizmente, né, a vida vai mudando e acabei deixando ali quando eu tinha uns 14 anos. Mas foi um momento marcante na minha vida, com certeza, muito bom!
— E depois, como foi a sua chegada no Getúlio Vargas? Você chegou lá na sétima série? — Sim, eu cheguei na sétima série, mas já fiz amigos que trago até hoje comigo.
Tenho amigos que seguiram comigo até a faculdade, e ainda hoje eu tenho contatos. Pude vivenciar uma experiência ali, o início de uma experiência um pouco mais voltada para essa área artística. O senhor foi meu professor na sétima série, me lembro perfeitamente disso.
Eu já tinha um gosto pela literatura, pela arte, pela dança, pelo teatro, e aquele foi um momento que me despertou. O senhor era, naquele momento, quem dava aula de língua portuguesa e literatura. Eu me recordo muito de alguns trabalhos que nós fazíamos e da forma como as manifestações artísticas sempre estavam auxiliando o aprendizado não só da língua portuguesa, mas de muitas outras coisas.
Acho que foi ali que me despertou para o gosto por essa veia mais ligada ao movimento artístico. — Sei. E na oitava série, você teve aula com quem?
— Na oitava série, tive aula com a professora Terezinha de Jesus. Ela gostava também de dar poemas e era uma pessoa de extrema sensibilidade. Guardamos momentos muito marcantes, algumas falas dela que ainda hoje estão no meu coração, porque ela era uma pessoa de muita sensibilidade com relação à arte, à vida em si.
[Música] — Então, você estava no colegial, né, no ensino médio. Foi fazer o curso de Magistério? — Sim, eu fui fazer magistério.
Já era uma intenção que eu tinha de fazer o magistério. Fui nos Júlios, e por coincidência, tinha o curso de Magistério à noite. Fui estudar à noite e aí eu segui.
Quando eu estava no primeiro ano do magistério, em 1986, veio a oportunidade do festival de teatro. — Entendi. Mas só que você fez um percurso diferente, né?
Depois você não deu aula, ou deu? — Não, não dei aula. Eu, quando ingressei no magistério, vou ser muito honesta, não sei se eu ingressei realmente porque queria ser professora ou se porque queria fugir da Matemática.
Nunca foram muito a minha praia. Acabei indo para o magistério e confesso que o curso em si, do magistério, as disciplinas todas me agradavam muito. Eu gostava muito do magistério.
Acho que no segundo ano eu percebi que lecionar não era uma opção para mim. Eu não tinha, talvez, esse perfil para ser professora. Ok, embora eu gostasse do curso, eu vi que profissionalmente eu poderia não me adequar.
E foi aí que me surgiu a ideia de, como eu gostava dessa área de humanas, né, tinha uma vocação maior para isso, me surgiu a ideia de fazer Direito. E aí eu comecei a me preparar para entrar na faculdade de Direito já quando eu estava no terceiro magistério. Eu já fui fazer um cursinho paralelo para me preparar para entrar na faculdade de Direito e fiz aí o quarto magistério junto com o primeiro ano da faculdade.
Sei, ah, é o quarto magistério junto, já então, pela manhã e à noite, e aí então eu estudava na faculdade de Direito de manhã, à noite eu fazia o magistério e ainda tive, se não me engano, 150 horas de estágio para cumprir naquele ano pelo magistério. Mas ao final, deu tudo certo, felizmente. E demorou para você começar a trabalhar na área ou não?
Não, não. Quando eu estava no terceiro ano da faculdade, eu tive a oportunidade de entrar como estagiária na prefeitura, na secretaria jurídica mesmo. E aí, na metade do terceiro ano, eu ingressei como estagiária na prefeitura.
E, por felicidade, que também era uma coisa assim que, dentro da carreira jurídica, eu nunca tinha pensado, né, em ser procuradora, mas eu, quando eu comecei a trabalhar como estagiária, eu gostei, eu me adaptei. E, por felicidade, assim que eu terminei a faculdade, em 1993, né, quando eu encerrei o curso, nós imediatamente, no ano seguinte, tivemos o concurso, e eu acabei ingressando inicialmente como advogada contratada em um processo seletivo que foi para a contratação temporária, e logo no ano seguinte eu ingressei no cargo efetivo mesmo como procuradora e estou lá até hoje. E conta para nós agora como foi essa sua entrada dentro dessas atividades teatrais.
Quem foi que convidou você? Como que foi que aconteceu essa sua entrada nessa atividade? Olha, foi uma coisa até curiosa.
Eu sempre fui uma pessoa expansiva, sempre tive facilidade ali para fazer amigos e, ali no primeiro magistério, eu tinha amizade com algumas pessoas e era colega de outras. E, numa determinada aula, lá um dia, eu acredito que numa aula de educação artística, era a professora Eliana que era a professora dessa disciplina, algumas colegas começaram a conversar sobre essa questão do festival de teatro. Eu sabia da existência do festival na escola, mas desconhecia os detalhes, e elas começaram a conversar com a professora sobre isso, já com um material do "Mágico de Oz", né, falando sobre a possibilidade de, pelo fato de a gente ser do magistério, de fazer uma peça infantil.
E eu, naquele momento ali, me infiltrei na conversa e, quando começaram a falar dos personagens, eu já lancei logo uma risada de bruxa. E aí eu acho que, a partir daquele momento, eu incorporei o personagem. Porque aí as meninas falaram: "Nossa, então você vai ser a bruxa!
" Então você vai ser a bruxa! E eram pessoas assim que nem eram de um contato muito próximo, mas que, por força do teatro, acabaram virando amigas. E aí a gente foi conversar para fazer o teatro e começamos a conversar sobre a peça, sobre tudo que envolvia aquele movimento, sobre figurino, sobre cenário.
E foi de onde efetivamente surgiu essa oportunidade na minha vida, que acabou ficando para sempre. Eu posso dizer, viu? Porque foi um momento, como eu falei, um momento ímpar, muito, muito especial.
Quando aconteciam os ensaios, nós nos reunimos algumas vezes na casa de uma ou de outra, mas os ensaios aconteciam lá mesmo no teatro do Getúlio. Eu lembro que nós íamos, na época, eu não me recordo se obrigatoriamente ou não, tinha que ter um professor responsável, né? E a professora Dagmar Marins, que era professora de história, ela se ofereceu para acompanhar a gente, porque isso demandava abertura das dependências do teatro do Getúlio para a gente fazer os ensaios, e na própria escola a gente usava algumas outras salas também.
E aí ela nos acompanhou nessa empreitada. E nós fazíamos os ensaios lá. Eu lembro que, assim, sábados de dia, sábados à noite, às vezes aos domingos, porque nós éramos jovens sem outros compromissos maiores, e acabávamos nos reunindo lá e nos divertíamos muito, além de ensaiar.
E, na própria escola, a diretora Sônia liberava sempre com a presença de uma professora, né, da Dagmar, que, nesse caso, se responsabilizou. E assim foi que nós participamos do festival de teatro com muita alegria, né? Porque eu acho que até nós mesmos acabamos nos surpreendendo com o que a gente tinha capacidade de fazer naquele momento, sabe?
Porque começou como uma coisa muito informal e tomou uma proporção maior do que. . .
A gente imaginou que pudesse tomar foi muito, muito curioso isso, em que sentido? Por exemplo, você percebeu? Acho que assim é de revelação mesmo, desse lado mais artístico de cada uma, sabe?
Eu acho que nós éramos um grupo de meninas, porque na minha classe de Magistério eram só mulheres, e ali cada uma acabou optando por um personagem. No final, parece que nós incorporamos aqueles de um jeito que acabou chamando muita atenção, porque éramos pessoas que acho que nenhuma de nós ali nunca tinha feito um trabalho desse tipo, né? Uma encenação, uma coisa mais assim, e acabamos nos revelando, sabe?
Acho que a atuação foi muito boa por parte de todas nós ali, chamou muita atenção do público na é que assistiu, e acabou nos surpreendendo, né? Esse momento assim, exatamente, que mostrou que a falta de experiência naquela Seara não fez com que o trabalho da gente ficasse ruim. A gente conseguiu fazer um bom trabalho mesmo com a pouca experiência que tinha.
Entendi, muito bom! E você lembra, você fez o papel de. .
. ? Eu fiz a bruxa.
A bruxa, mas também tinha outra que era bruxa boa, né? Eu fiz as duas. Não, não.
Ou melhor, desculpa, eu fiz a Bruxa Má. É que tinham duas bruxas más: era bruxa do Leste e bruxa do Oeste. É que uma delas tinha uma participação bem rápida, que era a bruxa do que só dava uma voada de vassoura assim e já morria.
E depois tinha a bruxa do. . .
que essa tinha mais falas e tudo. Essa que você ficou. E tinha a bruxa boa, que era a bruxa do Sul, acho que era, que foi naquela época representada pela Vanesca, que.
. . Vanesca Pereira, isso.
Quem mais lembra da Dorot? Quem fez a Dorot? Lembro de todos, porque eu costumo dizer que esse momento me trouxe amigos pra vida inteira, né?
Então, eu falo que o festival de teatro me fez fazer parte de um grupo de pessoas com quem eu felizmente tenho a oportunidade de ainda hoje me relacionar. Nós temos um grupo de amigos que se formou a partir desse festival de teatro, desta do Mágico de Oz. Éramos só as meninas, aí fizemos o grupo.
No ano seguinte, teve uma outra atividade que também foi muito interessante, que foi a gincana do Getúlio. Então, pra gente fazer um grupo maior, acabamos com outros colegas que já eram lá do mesmo. Outros alunos.
Formamos um grupo maior e ainda hoje nós temos um grupo. A gente tem todos os anos, nós nos encontramos. Aliás, não só uma vez por ano, mas muito, temos um grupo de WhatsApp e, através disso, a gente acaba tendo contato com todo mundo.
Então eu me lembro de todo mundo que participou, né? Na época foi a Daniela Lpress, que foi a Dorot, que é muito minha amiga, até minha comadre, por sinal. É a Lam Pereira, que foi o espantalho.
Tem a Patrícia Lopes, que ficou um pouco mais distante, a gente não tem muito contato com ela. Não caminhou muito junto com a gente, mas a gente ainda tem algum contato. Certo?
Tem a Solange Rodri, que fez a. . .
também, que numa outra oportunidade também foi o leão. A Patrícia, o homem de lata, né? A Vanesca, que é a irmã da L, que fez a bruxa boa.
Tem a Alessandra. Alessandra foi a tia Ema, Alessandra, que também. .
. Alessandra Ananias é nossa amiga até hoje. Ela foi soldada também.
E aí tem, acho que época a Lan fez mais um papel, a Lilian foi o Tio Henrique. Também, Henrique. E o mágico, o mágico foi a Jovana.
Giovana Bet dos Santos, certo? É, mas a Jovana também. .
. boa, hein? É, eu tenho uma memória boa.
É como eu falei, é uma coisa que marcou muito, então a gente acaba se lembrando com facilidade. Sim, sim. E agora, quando você pensa.
. . desenvolveu momento e hoje como você pensa assim?
Qual a importância desse tipo de atividade que você viu naquele momento e o que isso ajudou você, dentro não só da sua carreira profissional, mas como pessoal, como que você encara isso hoje, olhando dois anos para mim? Com relação a esse momento, primeiro, como eu acabei de falar, é o relacionamento com as pessoas, né? Que a gente acabou fazendo esse grupo forte que se iniciou nesse momento e que até hoje sobrevive, esses amigos preciosos que a gente traz com a gente e que certamente vão ficar para toda a vida.
E naquele momento também, não só a convivência com essas pessoas, mas com os demais também, né? Porque o festival envolveu outras peças e outros alunos de outras turmas que, por consequência, embora houvesse ali uma certa concorrência muito saudável, na época isso não impediu que nós também acabássemos fazendo amigos nos outros grupos de teatro, né? Eu lembro que nós ficamos para a final, naquele momento, nós ficamos para a final do festival de teatro e a outra peça foi o vestido de noiva.
Algumas pessoas de outras peças que não ficaram para a final acabaram vindo auxiliar o trabalho da gente para a final do festival. Então, eu acho que isso é uma coisa que não tem preço, né? Essa parte de colaboração.
Então, isso eu acho que é uma coisa que marcou muito e que certamente a gente traz pra vida pessoal e profissional, né? É um momento. .
. nós estávamos ali na casa dos 15 anos, num momento de amadurecimento, e isso com certeza teve uma colaboração muito grande, né? Eh, eu acho que tem uma outra coisa que importou muito e que fez uma diferença muito grande, que é o fato de a gente conseguir se virar com aquilo que tinha.
Eu acho que as gerações mais jovens, digo isso porque tenho filhos, e a gente vê que, hoje, as coisas fluem de um jeito diferente. As pessoas têm muito mais acesso a tudo aquilo que precisam e, naquele momento, a gente não tinha tudo. Então, nós tínhamos que lutar com as armas das quais dispúnhamos.
Falei certo? Sim, com certeza! Então, a gente conseguia correr atrás das coisas de um jeito muito diferente, né?
Era muita coisa improvisada. Era preciso de um vestido pra bruxa? Ah, eu tenho lá um vestido preto.
Ah, eu tenho uma capa. Eu lembro que, na época, eu mesmo fiz o chapéu que usei de bruxa, né? Fui lá, comprei um papelão, um papel cartão preto, e eu mesmo fiz.
E aí, as colegas corriam atrás de materiais, junto ao comércio local, pra gente poder fazer o que precisava em termos de cenário. Então, tudo, cada um foi trazendo aquilo que dispunha naquele momento e que poderia ser útil para aquela peça de teatro. De forma assim que não é que a gente não precisava recorrer a grandes recursos financeiros, mas acabamos conseguindo atingir o objetivo.
Então, eu acho que essa adaptação, né? Isso a gente traz pra vida de uma forma sensacional, porque não é só adaptação com essa questão material, mas adaptação também de respeitar os outros, de conseguir, de alguma forma, ver as pessoas como elas são. Porque, esse momento do teatro, a gente acabava tendo que ceder aqui, um pouquinho mais ali, porque um não concordava: "Eu quero assim!
" "Ah, mas assim não vai ficar bom! " Então, eu acho que isso é uma coisa importantíssima que a gente trouxe pra vida. Com certeza!
Com certeza é certeza! Isso preparou muito a gente pro trabalho, né? Para viver outras relações pessoais de uma forma um pouco mais maleável também.
Isso eu acho que também vai ficar para sempre para todos nós. Com certeza, Cláudia! Agora, antes de encerrar, você fala alguma coisa que gostaria de dizer e ainda não falou?
Alguma coisa que sinta que gostaria ainda de contar para nós? Olha, professor, eu acho assim que eu tenho um grande apreço pela arte e pela cultura de um modo geral. E, como nós conversávamos aqui antes de iniciar esse bate-papo um pouco mais formal, eu acho que o uso da arte como ferramenta pro ensino pode ser uma coisa que, se muitas pessoas tiverem a boa vontade que o senhor sempre teve, e que os outros professores envolvidos naquele processo do Getúlio também tiveram, de envolver a arte e a cultura no processo de aprendizagem, com certeza vai tornar tudo muito mais leve, fácil e proveitoso, tanto por quem está aprendendo quanto por parte de quem está ensinando também, porque existe sempre uma troca e a gente sabe disso, né?
Sim, certeza! Então, que venham muitos mestres aí, com essa boa vontade de incluir, nos seus projetos de ensino, essas expressões artísticas das mais variadas formas, seja pela música, seja pelo teatro, seja pela dança, mas que consigam envolver isso de forma positiva no processo de aprendizagem. Parece que você tem umas fotos aí para mostrar, né, Cláudia?
Quiser só dar uma mostrada em alguma coisa? Eu tenho aqui algumas, né? Vou mostrar aqui.
Ah, acaba atrapalhando um pouco, né? Mas essas quatro de baixo aí são lá do festival. Mas eu sei que você tem algumas.
Eu tenho algumas. Tem essa da bruxa, tem essa minha sozinha, tem essa. .
. Olha, essa aqui é ela de bruxa. Tem essa toda turminha aqui, são os quatro personagens principais, os mais marcantes.
Tem essa daqui também que aparece todo mundo. E vocês se apresentaram em mais lugares, né, segundo você contou? Sim, nós nos apresentamos na época do festival.
Um dos jurados era o diretor do Teatro Municipal Teotônio Vilela, o Osório Temora, e ele nos convidou para apresentar o Mágico Dió lá no teatro. Aí, no ano seguinte, em 87, ele abriu um espaço na agenda do teatro e nós apresentamos por quatro dias, com as mesmas pessoas, os mesmos artistas. E eu lembro que nós tivemos dois dias que foram pros alunos da Rede Municipal de Ensino e outros dois dias com bilheteria, inclusive na época era com bilheteria paga.
E nós apresentamos com um sucesso muito grande de público, para nossa surpresa. — Vocês tinham isso em 87? Tínhamos 16 anos.
E o que você sentiu em relação àquele momento no Teatro Municipal, com a idade? Olha, é sensacional! É sensacional porque eu já até conhecia o teatro, já tinha me apresentado enquanto fazia balé, já tinha me apresentado algumas vezes ali, mas muitos colegas, muitos dos colegas que eram personagens da peça nunca tinham nem entrado no teatro.
E foi um momento muito bacana para todo mundo, né? Era também, eu acho que foi assim no mês de julho, se não me engano, nós estávamos em férias e a nossa atividade era a escola só. Então, a gente passava longos dias no teatro, ensaiando, montando os cenários.
. . E tudo foi muito bacana, foi muito marcante.
A gente teve uma temporada de muito sucesso e eu, particularmente, me surpreendi muito porque aquele era o público, enquanto. . .
No festival de teatro do Getúlio, era um público mais adulto, né? Embora a peça fosse uma peça infantil, era um público mais adulto: eram alunos, eram pais, eram pessoas ali no teatro municipal. Era o público infantil mesmo, e eu fazia a vilã da história, que era a bruxa, e usava essa fantasia preta e pintava o rosto de verde.
Então, era uma figura assim, meio chocante, mas, ainda assim, as crianças. . .
Eu lembro que, nós saíamos depois que a peça terminava; nós saíamos ali no saguão para interagir com o público, e tinha um número muito significativo de crianças que queriam tirar foto com a bruxa. Então, eu fiquei realmente surpresa com isso, né? Foram momentos que nos marcaram profundamente.
Com certeza! E você fala da família. Como a família via tudo isso, essas atividades com vocês?
Ah, minha mãe sempre foi uma amante da arte; ela gostava muito de teatro, sempre me levou quando eu era criança, assisti a muitas peças de teatro. Então, ela achava fantástico, né? Ela ficou encantada quando a gente resolveu fazer a peça.
Se ela pudesse colaborar com alguma coisa, ela sempre colaborava; sempre fazia questão de receber as colegas lá em casa, quando precisava de alguma coisa. Meu pai também. Meu pai já era um pouco mais neutro com relação a isso, mas também apreciou, foi lá prestigiou e tudo.
Meu irmão foi lá no teatro, tirou as fotos. . .
Então, e minha família não viu? Acho que ali, os pais de todas as meninas acabaram de alguma forma apoiando esse momento também. Muito bem, muito bem, Cláudia.
Eu agradeço muito a sua participação! Pode falar mesmo, eu venho aqui. Então, muito obrigado, viu, pela sua parte.
Eu que tenho que agradecer por essa oportunidade, realmente é uma gratidão muito grande essa retomada de vocês nesses depoimentos, viu? Ah, muito obrigado! Você sempre foi essa gentileza, mesmo nós tendo ficado pouco tempo juntos, mas você é inesquecível.
Essa turma é inesquecível! Já estivemos, até, em alguns encontros, né? Reencontros que foram muito bons.
Muito obrigado! Eu que agradeço. O senhor sabe que o senhor também é um professor inesquecível; a gente sempre vai guardar as boas memórias, e suas aulas foram, com certeza, muito importantes para a formação da gente.
E, enfim, estar aqui é um presente, né? Poder participar desse projeto é um presente, eu digo mesmo, viu? E, na verdade, nós aprendemos juntos, né?
Com certeza, com certeza, é uma troca constante. Exatamente! E a vocês que nos acompanham, mais esses depoimentos maravilhosos aqui, né?
Muito obrigado pela presença e até o próximo encontro, com certeza! Obrigado, obrigado, obrigada!