Bem-vindos a mais um episódio do nosso curso de Harmonia. Nessa aula, nós vamos entender o que é um acorde dominante primário de uma tonalidade ou de um campo harmônico, se preferir. Então, sem mais delongas, bora lá.
A principal ideia em uma sequência de acordes dentro da música tonal, ou seja, que tem uma tonalidade, é que a gente toque um acorde com função dominante, que é o assunto dessa aula, para que o seu ouvido queira ouvir novamente o centro tonal, que é um outro acorde, que é o acorde um do campo harmônico. Ou seja, a gente escuta um acorde com função dominante e ele causa uma certa irritação no nosso ouvido e isso faz a gente querer ouvir novamente o acorde um, o acorde de tônica, o relaxamento, a resolução. Então a gente tensiona e depois relaxa.
Então, basicamente essa é a primeira ideia da música Tonal. E o acorde responsável por causar essa sensação de irritabilidade no ouvinte é justamente o acorde do quinto grau do campo harmônico maior. Existem vários tipos de acordes dominantes no que se refere a sua relação com um determinado campo harmônico, com uma determinada tonalidade.
Nessa aula, nós falaremos sobre o primeiro tipo, que é o dominante primário de uma tonalidade. É o acorde do quinto grau de um campo harmônico maior, por exemplo. E esse acorde é sempre um acorde maior com sétima menor.
Na tonalidade de dó maior, ou seja, no campo harmônico de dó maior, sol maior com a sétima menor é o acorde dominante primário. Quando ele é tocado, logo no seu ouvido nasce a vontade de querer ouvir novamente dó maior com sétima maior, o acorde do primeiro grau. Ou seja, esse acorde do quinto grau, o sol set, ele prepara seu ouvido para querer ouvir dó maior novamente.
Em outras palavras, solete prepara dó maior. É o dominante de dó maior. Esse acorde ele é chamado de dominante primário, pois ele pertence ao campo harmônico da tonalidade em questão, que é dó maior.
Então ele faz parte dos acordes do campo harmônico. Como exemplo, vamos ouvir uma progressão 451 na tonalidade de dó maior, onde nós temos o acorde de fa maior com sétima maior, acorde do quarto grau, o sol maior com sétima menor, que é o nosso acorde dominante, e o dó maior com sétima maior, que é o nosso acorde um do campo harmônico. Perceba que quando chegar a hora de onde a gente toca sol maior com sétima menor, você vai querer ouvir novamente o dó maior com sétima maior.
Vamos ouvir na tonalidade de ré maior, por exemplo, o dominante, o acorde do quinto grau desse campo harmônico é lá maior com a sétima menor. Vamos ouvir a mesma progressão 451 agora no tom de ré maior. Perceba que quando você ouvir o lá maior com sétima menor, que é o dominante desse ré, você vai querer ouvir agora o acorde de ré maior com sétima maior.
Vamos ouvir logo. O dominante serve para preparar o primeiro grau novamente. E eu posso usar a natureza do acorde dominante para também modular para outro tom, por exemplo, para trocar de tom.
Por exemplo, caso eu queira modular para tonalidade de Fá maior, basta que em algum momento dessa progressão 4 5 1, que a gente já tá usando como exemplo, eu toque o dominante do acorde de Fá maior com sétima maior. E o acorde dominante do fá maior com sétima maior é o acorde do quinto grau do campo harmônico de Fá maior, respectivamente o acorde de dó maior com sétima menor. Então ficaria assim: eu estou em dó maior, quero ir para fa maior.
Vamos ver como que fica. Se você analisar essa progressão, ela é muito interessante, porque dó maior com sétima maior é um acorde com função de tônica, ou seja, ele é o primeiro grau na tonalidade de dó maior. Porém, se eu alterar uma pequena notinha nesse acorde, que é a sétima, por exemplo, transformando esse acorde em dó maior com sétima menor, a função desse acorde vai se alterar para função dominante.
Final, sua sonoridade se alterou. dó maior com a sétima menor, ele está no quinto grau do campo harmônico de fa maior. Logo, a simples mudança de uma sétima maior para uma sétima menor dentro de um acorde mudou a característica sonora do acorde de dó, de tal forma que mudou sua função harmônica, o seu papel auditivo dentro da progressão.
Sua utilidade harmônica, afinal dó maior com sétima menor é dominante e ele é responsável por causar tensão para resolver em fá maior com sétima maior. Já o dó maior com sétima maior causa relaxamento e tem função tônica na tonalidade de dó maior. E o motivo disso é que o acorde de dó sete, dó maior com sétima menor possui um trítono dentro dele.
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Pegando a escala de dó maior como exemplo que tá aí na tela, a nota fá está a meio tom à frente de mi. Já a nota si está meio tom para trás da nota dó. Isso gera uma certa gravidade entre fá e mi e si e dó.
Se eu toco a escala de dó maior até a nota si e paro, perceba que automaticamente seu ouvido pede para você ouvir a nota dó. Mas se eu não tocar a nota dó, causa um certo desconforto. Então essa nota si, ela tende a a estar sempre sendo atraída para resolver em dó.
Você toca a escala de dó maior inteira até a nota si. Perceba aí, ó. Isso faz você querer ouvir a nota dó.
Logo, a nota si quer resolver em dó, meio tom acima. O mesmo acontece com o fá, que quer resolver na nota mi, só que agora meio tom abaixo. E o que isso tem a ver com trítono e acordes dominantes?
Trítono quer dizer três tons. Pegando dó maior como exemplo. As únicas notas da escala, as quais tm três tons de distância entre elas são as notas fa, respectivamente a nota do quarto grau e do sétimo grau.
Logo, na tonalidade de dó maior, essas notas fa e si são o trítono. E em qualquer escala maior, a quarta justa e a sétima maior sempre serão o trítono daquela escala ou daquela tonalidade. Logo, entre fa e si, entre o quarto grau e o sétimo grau, tem uma quarta aumentada de distância.
Se você se lembra de episódios passados onde a gente comentou sobre consonância e dissonância entre notas, você se lembrará que quando há o intervalo de quarta aumentada entre duas notas, essas duas notas são dissonantes entre si, pois geram uma fração muito complexa. Ouça aí o som das notas faz si tocadas juntas e perceba como isso causa um certo desconforto auditivo. Essa característica sonora dissonante do trítono, faz ele ser o pai do sominante, que faz seu ouvido querer ouvir resolução no acorde do primeiro grau, que é um acorde de tônica, que relaxa, que resolve a harmonia.
Vamos ouvir agora que você já entendeu o que é o trítono, você deve se perguntar o que trítono tem a ver com acordes dominantes. A resposta é simples. A gente já sabe que um acorde dominante primário é o acorde do quinto grau de um campo harmônico.
Logo, em dó maior, o acorde dominante primário é o sol. Analisando as notas desse acorde de sol sete, você terá as notas sol, si, ré, respectivamente fundamental, terça maior, quinta justa e sétima menor. Perceba que a terça maior e a sétima menor desse acorde são, respectivamente as notas do trítono da escala de dó maior.
Na escala de dó maior, essas notas do trítono, elas são respectivamente a quarta justa e a sétima maior da escala. São as notas fa. Logo, o acorde de Sol S, por possuir o trítono da tonalidade de dó maior, é considerado o acorde dominante dessa tonalidade e prepara o seu ouvido para ouvir o primeiro grau dó maior com sétima maior.
Nas outras tonalidades maiores, a lógica é a mesma. Toque uma progressão 451 em dó maior e depois toque o dominante do tom de fa maior, que seria dó maior com sétima menor, para modular o tom para fa maior. A conclusão é que um acorde dominante é um portal para uma tonalidade específica.
Se eu estiver, por exemplo, na tonalidade de dó maior e eu tocar o dominante em algum momento da tonalidade de ré maior, nesse momento, seu ouvido foi preparado para mudar de estrada e seguir para a estrada do ré maior. E na guitarra é muito fácil achar os dominantes de uma tonalidade, apenas visualizando alguns padrões no braço. Quando baixo de um acorde dominante está na corda cinco, por exemplo, o acorde um que ele prepara está, por exemplo, na corda seis.
Ouvi aí. Já quando o baixo do acorde dominante está na corda seis, o acorde um que ele prepara está na corda cinco. Dessa forma aí, ó.
Vamos ouvir. Então, essa foi a nossa aula. Eu espero que você tenha entendido os conceitos comentados nesse episódio e no mais, espero ter te ajudado e bora pra próxima.