o mundo muda todos os dias mas se tem uma coisa que tem mudado com uma velocidade cada vez mais rápida é o mercado de trabalho as possibilidades de carreira são cada vez mais diversas e hoje em dia até raro que uma pessoa vai ter exatamente o mesmo trabalho durante toda uma vida e é aí que entra o conceito da geração Slash um grupo de pessoas que tem várias profissões faz diversos corres atuando em várias frentes e explorando as suas múltiplas habilidades Mas e aí como é que a universidade prepara esse perfil de profissionais esses multitalentos
eles são incentivados como se desenvolvem esses multitalentos esse é de fato um tipo de profissional que é cada vez mais desejado e comum no mercado a gente vai falar sobre tudo isso e muito mais nesse episódio do podcast Educação do amanhã que vem na Parceria de Unisinos na Unisinos você é o protagonista da sua própria trajetória concursos de graduação conectados com o mercado de trabalho atual Você tem uma infraestrutura completa e tecnológica para os seus estudos conheço o campus de Porto Alegre e ven estudar em uma universidade que te aproxima do mundo Unisinos a nossa
sala de aula é o mundo e aqui comigo neste podcast estão Leandro Carvalho na operação de audio e vídeo Rafaela k nevit na produção e eu Larissa Guerra com roteiro e apresentação e recebendo hoje por aqui os professores Christian gonzatti que é coordenador da graduação em comunicação digital e Paula Vison que é professora da Escola de indústria criativa sejam bem-vindos tudo bem obrigada muito obrigada Quero começar perguntando como que vocês construíram as carreiras de vocês vocês se consideram profissionais multitalentos então Eh eu acredito que sim porque na verdade eh a minha formação de Base é
moda depois eu fiz o meu mestrado em design com foco em design estratégico meu doutorado é em comunicação social e eu fiz um pós dooc que eu acabei inventando uma nova modalidade de pdoc que é o pdoc eh sanduíche né que só tem doutorado mas eu acabei fazendo uma parte dele fora na universidade de Bolonha e ele começou aqui junto com o pessoal da PUC em comunicação social mas eu terminei praticamente lá com o pessoal do Design né então também misturei as competências eh e as habilidades eh então pela minha formação eu já acho que
isso né fica relativamente Claro assim e pela atuação que eu tenho também não só enfim na academia né mas no mercado de fato eh a minha história como professor ela começou por causa do mestrado que eu fui fazer na Unisinos justamente em design eu não era professora isso enfim comecei o mestrar em 2008 comecei a trabalhar na Unisinos em 2009 né Eh eu era uma pessoa hard de mercado do desenvolvimento de produto para várias empresas e por causa de uma inquietação minha que eu via no mercado eh assim várias perguntas sem respostas eu acabei indo
pra academia e aí acabei então começando a minha carreira acadêmica tô aí há 15 anos mas continuo trabalhando no com o mercado em várias frentes né eu me dedico mais especialmente a pesquisa hoje né é pesquisa de campo pesquisa de mercado pesquisa de macrotendências cenários de futuros e quando a gente fala sobre isso a gente tá falando sobre múltiplas competências porque o que que é um pesquisador Uhum é né assim qual é que é a formação de um pesquisador a gente tem que saber um pouco de Antropologia a gente tem que saber um pouco de
sociologia a gente tem que saber um pouco de marketing a gente tem que saber um pouco de Psicologia a gente tem que obviamente saber também das práticas do Design e juntar tudo isso para poder trabalhar os pontos que vão surgindo então Acho que sim perfeito eu acho que toda pessoa né que tá na área docente acaba tendo um pouco na área docente no contexto Universitário tendo um pouco dessa vivência Slash assim porque a gente ao mesmo tempo que atua no mercado atua com a docência atua com a pesquisa né então tem essas múltiplas frentes me
identifiquei bastante com teu relato assim e e eu ã quando li sobre esse conceito né e Comecei a ler sobre Slash me identifiquei muito porque é Pratic eu sou praticamente aquela piada do Todo Mundo Odeia o Cris né que meu marido Fala meu marido tem dois empregos que a a mãe do Cris fala ele pode falar que tem três né na verdade porque o que acontece por força né Maior durante o mestrado eu precisei trabalhar também porque o que acontece a gente tem duas modalidades de bolsa no mestrado quando a gente tá falando de uma
instituição privada né a bolsa de taxa e a bolsa integral na bolsa de taxa tu não paga a tua mensalidade mas H tu pode se dedicar tu tu tem ali como fazer o mestrado sem pagar mensalmente né porque o governo paga pra instituição através de uma bolsa da Caps ou do CNPQ e tu pode se dedicar ao mercado para ter uma renda e eu tanto no mestrado quanto no doutorado tive essa bolsa por mais que eu fosse uma pessoa assim bem hard da de querer pesquisar e Apenas me voltar paraa pesquisa o o a as
condições me levaram né ter que buscar o mercado E aí eu comecei a atuar com mídia de performance mídias digitais marketing digital Isso acabou sendo muito importante para minha trajetória e um diferencial lá na frente porque além do background daí acadêmico né eu tinha também toda essa vivência mercadológica e a outra coisa que me atravessa que durante o doutorado eu começo a produzir conteúdo pra internet né porque como eu pesquiso questões de gênero e sexualidade a gente vivia aquele momento assim de ebulição da desinformação em torno de gênero idade né com toda a questão do
kit gay da mamadeira de eu vi a necessidade de informar as pessoas sobre isso e falar o que realmente é pesquisar gênero e sexualidade na área da comunicação E eu comecei a produzir conteúdos né falando um pouquinho dos artigos científicos da minha pesquisa e começou a dar certo aí eu me tornei tiktoker também E aí para além de tudo isso eu sou produtor de conteúdo né então articulou esses três mundos da docência né do do trabalho e da produção de conteúdo só que na docência tá em curso aí mais uns dois mundos também como a
Paula sinalizou né Pois é e vocês já tinham tido contato com esse conceito de geração Slash como é que isso chegou para vocês eh já tem se apresentado em sala de aula essa necessidade de se pensar nesse profissional com múltiplas habilidades multitalentos posso pode começar tá então eu vou trazer aqui um outro conceito sobre o qual assim eu me debrucei bastante em função do meu doutorado né que é o de pessoa plural Uhum que que é a pessoa plural a pessoa plural segundo um sociólogo que chama Michel mafezoli é uma espécie de uma nova entidade
social né a gente tem eh ao longo da nossa história várias entidades representaram que somos nós vamos dizer assim né então o sujeito o indivíduo eh e hoje a gente não deveria mais se ver como indivíduo porque o indivíduos só né somente significa alguém que é indivisível né praticamente e nas nossas vivências sobretudo as vivências permeadas pelo sentido e a necessidade da comunidade acho que isso fala muito sobre a nossa atualidade né todos querem fazer parte de alguma comunidade e todos querem ser coletivizadas né pelos afetos e vivências dos outros acho que isso né essa
essa esse nosso estado atual de ser e estar ele seria melhor representado por essa nova entidade chamada pessoa plural então é a pessoa que se entende não mais só um indivíduo mas alguém que está nesse todo comunitário que é também a comunidade de alguma maneira e que por conta disso também acaba desenvolvendo várias identificações E aí entra a perspectiva dos múltiplos papéis do explorar múltiplos talentos e tudo mais e que também acaba indo na contramão de toda uma crença que foi construída ao longo de alguns séculos eh e com as quais a gente lida diariamente
a questão da carreira né de você ter que passar a vida toda atuando no mesmo lugar fazendo as mesmas coisas então a pessoa plural eh não entende a carreira como algo balizador das suas vivências a a questão do explorar os seus as suas capacidades ou buscar outras capacidades e habilidades que talvez você nem saiba e aí a gente vai ter isso acontecendo não só na geração z mas também nas pessoas com mais de 60 anos acontecendo neste momento a olha só que interessante é eu acho que tá todo mundo olhando muito pros jovens porque os
jovens são mais né enfim desejosos e querem mais as coisas e tem mais efervescência e são aquelas pessoas que acabam interagindo mais com os meios digitais mas o pessoal não tá olhando para as pessoas que têm mais de 55 60 anos e tá vindo uma revolução aí a partir dessa faixa etária bem importante porque justamente essas pessoas se aposentaram estão jovens né a geração assim é uma geração que começou a cultivar o sentido de saúde e de se cuidar com mais tempo né e por conta disso então busca também explorar outras habilidades ou começar a
o empreendedorismo cresceu muito nessa faixa etária então tem uma série de elementos que Começam a surgir e a mostrar pra gente que essa esse novo estado de ser e estar ele é de fato uma realidade né Eu Fiz alguns assim eu eu ao longo do meu doutorado lidei muito com isso porque eu eh estudei hubs coletivos ecossistemas criativos e nesses espaços a pessoa plural é uma realidade nesses ambientes você você ser múltiplo é uma realidade né eu creio que isso agora chega no mainstream então enfim eu já tava esperando isso acontecer na real e acho
que nós enquanto docentes eh a gente já em sala de aula já faz isso né Cristian a gente já vem trabalhando com isso com certeza sim inclusive eu acho super interessante esse apontamento né das pessoas na faixa 55 mais porque tem muita gente Dessa faixa voltando inclusive PR graduação exato por necessidade e tem muita gente nessa faixa que tá indo atrás do seu desejo né daquilo que sempre quis fazer então a minha sogra por exemplo que tem mais 60 anos é uma pessoa que já demonstrou interesse em cursar psicologia que é um curso que ela
sempre quis fazer quando eu tava como professor de audiovisual no instituto federal a gente tinha também pessoas acima dos 50 anos ES dos 50 anos espero na conig também ter né Daqui um um tempo algumas pessoas vindo buscar essas discussões porque é algo que tá muito presente ã na cultura na ambiência contemporânea E aí um outro conceito que acho que dialoga muito para acho que a Ciência Sociais tem muito disso né uma pessoa fala e daí tem um outro conceito que dialoga bastante com o disl que é o de identidade cultural na pós-modernidade né do
Stuart Hall que ele vai falar de como hoje a gente tem múltiplas identidades né então eu tenho o Christian por exemplo que é o fã de Cultura pop que tá lá nas comunidades debatendo essas questões tem a identidade do mercado de trabalho que muitas vezes vai se articular com mais de uma profissão e eu acho que uma coisa que a gente também tem que colocar em perspectiva ã que agora foi além assim do que eu queria abordar é olhar para a precarização também nesse contexto né porque acaba atravessando Sim era justamente isso também que eu
ia perguntar assim até que ponto é uma perfumaria isso uma glamorização de um fato de que as carreiras estão mais precarizadas por ex a gente precisa ter essa perspectiva crítica dessa precarização dessa uberização do trabalho que vai tornar às vezes os vínculos cada vez mais líquidos né as pessoas não vão ter uma estabilidade uhum e olhar para isso Diferente de quando a gente olha para uma pessoa que tá fazendo esse movimento né Slash de ter duas ou três profissões e consegue até conquistar uma estabilidade consegue alcançar os seus os objetivos então é é Preciso olhar
com com esse olhar crítico para não glamorizar assim ah a possibilidade da pessoa tá Às vezes atuando em três empregos não ter vínculo empregatício nenhum né e passando por uma série de dificuldades financeiras Então acho que é importante trazer essa perspectiva crítica é algo quando eu fui mapear assim o que estão pesquisando né em relação a esse conceito de Slash é algo que vem sendo apontado assim cuidar com essa glamorização né Ah sim exato até porque Claro Isso faz parte da da própria a gente poderia falar né Eh da própria ressignificação Talvez seja uma palavra
mais tranquila pra gente falar né do sistema capital mesmo né Uhum E acho que até quando você fala da sua experiência enquanto produtor de conteúdo isso é uma coisa importante da gente levar em consideração eh a gente tem vários capitais né que circulam na sociedade o capital monetário é um deles obviamente que a gente lida com esse Capital o tempo todo mas a gente tem o capital intelectual a gente tem o capital eh social a gente tem o capital ambiental o Brasil tem muito capital ambiental inclusive né Eh e hoje eh a gente tem dois
capitais que são muito importantes Justamente que é o capital social que é esse Capital que pessoas que produzem conteúdos e se transformam em influenciadores t né em excesso vamos dizer assim né e por conta disso então acabam nutrindo eh relações para aqueles que acreditam que não t né que vivem na escassez desse capital a gente poderia dizer né e o capital intelectual a gente vive totalmente na assim na cultura do conhecimento a gente tá imerso na cultura do Conhecimento hoje um vídeo do tiktok que ensina a gente a fazer um prato a fazer sei lá
eh qualquer ferramenta pra gente pregar alguma coisa na parede está dentro dessa cultura do conhecimento né E aí o que acaba acontecendo é que com esses capitais todos circulando eh se estabelece também uma crise né Afinal de contas onde é que tá a escassez onde é que tá a sobra né que são os mecanismos vamos dizer assim de regulação dos capitais né E aí com isso vem toda essa questão da precarização porque daí o que que acaba acontecendo isso acaba impactando diretamente eh nas maneiras como vão se estabelecer as relações de trabalho as relações profissionais
Então hoje por exemplo chistian faz conteúdo daqui a pouco ele vai ser monetizado por esse conteúdo que ele faz não sei se você é já é tá chique ele já é monetizado então ele já é monetizado pelo conteúdo que ele faz você tem alguma coisa assinada registrada é que é mais por pu e o que acontece né daí publ cada pu é um contrato por exemplo hum umato não dá falar mar não pode mas faz uma p é um contrato E aí é o outro contrato é mensal que do tiktok conforme o teu número de
visualizações tu ganha um valor ali por dólar mas eu acho também que aí a gente tem uma vertente que é uma coisa é um profissional se transformar em um influenciador outra é o profissional que tem a necessidade de ter que criar conteúdo para divulgar o seu trabalho né que é uma necessidade muito latente hoje assim na no fim das contas hoje em dia precisa entender um pouquinho de comunicação de marketing de etc né Eu brinco assim com as minhas irmãs eu ten uma irmã que é servidora pública né E aí eu sempre falo para ela
nossa ela tu tem um emprego que não precisa de rede social assim então ela praticamente não usa não não divulga trabalho não faz nada ela usa de fato para postar foto do filho assim inclusive né Tem muito dermatologista dentista que se torna influenciador no seu nicho né em decorrência dessa de produzir conteúdo pro digital que tá muito relacionado né a buscar leads e conversões e clientes e isso tudo gera um impacto na ambiência contemporânea que a gente precisa olhar com criticidade porque a gente vai ter também nesse caldo muita gente desinformando muita gente falando besteira
né E aí eu acho que entra um papel crucial no futuro da da Universidade que é preparar criticamente sabe as pessoas para utilizar essas plataformas essas mídias por exemplo um dos uma pesquisa que eu vi que mostra que 75% dos jovens hoje almejam ser influenciador digital assim 75% mas e aí quando tu vai olhar né as perguntas entre as intenções tá ali o desejo de influenciar com as suas opiniões mas assim para influenciar com a sua opinião tu precisa ter um um uma base epistemológica né crítica que vá te ajudar a pensar criticamente que vá
influenciar as pessoas né a desenvolver um pensamento crítico Porque hoje a desinformação é um problema que também atravessa essa área da produção de conteúdo a gente vê muitas pessoas às vezes que não são profissionais vendendo determinados serviços né tudo isso vai respaldar numa questão da ética né daquilo que atravessa as profissões mas também através a ética do ambiente digital Mas tu vê Nisso tu vê nessa vontade dos jovens desculpa nessa vontade dos jovens de serem influenciadores Justamente a Valência desse capital social né o quanto se busca hoje obviamente que ele vai converter depois em capital
eh monetário mas demora muito mais tempo para isso acontecer diferente de você ter um trabalho em que você vai ter ali um contrato que de cara você já vai saber enfim minimamente quanto você vai ganhar quantas horas ou o que que você vai ter que dedicar do seu tempo para que aquilo aconteça né então quando a gente fala sobre eh eh as questões ligadas à influência marketing de influ e a questão também de ser influenciador e tudo mais tudo isso tá muito ligado essa dimensão do capital social né de exercer um poder simbólico e e
olha é tudo é tudo no mundo abstrato é tudo dos signos exato É tudo no mundo abstrato e dos signos exatamente né E aí que que acaba acontecendo acaba acontecendo isso que a gente claro vai começar a exercer influência mas até você até essa influência começar a ser monetizada de fato demora tempo claro lógico né só que a exposição o que que ela dá pra gente ela dá pra gente essa dimensão de poder simbólico né de você entender que de alguma maneira você tá interagindo com as pessoas mesmo que muito distantemente e a tua opinião
tem relevância para aquelas pessoas uhum tá mas pra gente tentar voltar um pouquinho para esse para essa ideia dos multitalentos ah todo mundo pode ser multitalentos como é que se percorre esse caminho assim como é que se desenvolve esse tipo de coisa eu acho que tem uma questão muito relacionada ao papel assim da da busca pelo conhecimento tá que é a autonomia Inclusive eu vejo assim né o papel do docente tá muito relacionado a levar o aluno de um estado de heteronomia né para um Estado de autonomia assim que é esse saber buscar o conhecimento
com criticidade né porque hoje como a Paula muito bem apontou né a gente tem uma série de tutoriais de conteúdos disponíveis a gente tem muita informação a gente vive um colapso informacional então é saber assim navegar por essas informações de maneira crítica para desenvolver esses múltiplos talentos né porque não necessariamente a pessoa né que vai ser por exemplo Engenheiro e DJ vai conseguir né fazer toda uma formação acadêmica em ambas as áreas né então assim provavelmente se formou na engenharia e o teu conhecimento relacionado à música Esse outro universo vem dessa autonomia né E aí
hoje cada vez mais na na universidade a gente tem preparado alunos e alunas para desenvolver essa autonomia para saber Navegar criticamente nesse mar de informações né Inclusive a gente estimula sempre desenvolvimento de atividades práticas né que que são as atividades práticas são atividades que os alunos e as alunas não vão desenvolver com a nossa orientação uhum eles vão desenvolver em casa eles vão desenvolver de maneira autodidata né E aí a gente vai fazer um olhar crítico em relação à aquilo para saber dar uma orientação né uma perspectiva crítica em relação a essa autonomia que acho
que atravessa muito esse universo dos múltiplos talentos né eu vejo inclusive pela minha sogra que é uma pessoa assim que ela trabalha com kute né que que é o kute tu aquele desenho que tem na na na costura né da peça eu não sei falar muito bem do petwork em cima do patwork tem o k ela faz k é lindo o trabalho dela premiadíssima e ao mesmo tempo que ela faz kil ela estuda várias questões através de áudio Ela escuta audiolivros ela escuta podcast então assim ela tem quase uma formação em sociologia hoje eu até
brinco assim nossa tu sabe mais sobre as teóricas feministas do que eu hoje porque ela passa o dia né se formando criticamente nesses espaços e e é obviamente né entrou ali um diálogo entre nós dois para saber construir esse esse percurso crítico né que eu acho que é o que é mais importante hoje saber separar o que é besteira né O que é desinformação e o que realmente tem credibilidade né Total não e te ouvindo falar assim eh por mais que a gente também né estimule as atividades práticas eh cada vez mais eu eu acredito
que é importante a gente ter eh ao invés de aula conversa sabe conversar né porque é sempre uma troca que você estabelece os alunos sabem muito né e a partir do que eles sabem a gente também acaba identificando Quais são os elementos que a gente pode aprofundar né então acho que o papel do do professor ele é muito também de uma curadoria de conhecimentos uhum eh para que a gente ofereça isso aos alunos para eles poderem Navegar nesses diferentes conteúdos vamos dizer assim e a partir disso explorar as possibilidades né mas eu acredito cada vez
mais nessa dimensão de de conversa claro que a gente vai apresentar coisas vai né começar vamos dizer assim né tocando em alguns tópicos Mas eu acredito muito nisso e falando sobre a tua pergunta eh eu realmente acho que sim que os seres humanos são por natureza múltiplos né E que a gente pode explorar essa multiplicidade que essa ideia de que a gente tinha que né escolher uma determinada graduação e daí seguir naquela carreira né E se você não seguisse naquela carreira você não teria sucesso não tendo sucesso você seria infeliz tudo ia dar errado graças
a todos os orixás do Olimpo Como diz um amigo querido Zé o Zé é um professor maravilhoso da escola né Zé um beijo para ti eh graças a todos os orixás do Olimpo né a gente eh mudou essa perspectiva vem mudando essa perspectiva Claro tem toda a questão da precarização mas entram também as dimensões de busca por propósito busca por felicidade busca por realização pessoal eh todas as questões também ligadas a psicanálise a psiquiatria a saúde mental todos esses aspectos eles têm contado cada vez mais e por conta de isso as pessoas se sentem mais
livres para buscarem se satisfazer de diferentes formas no vamos dizer assim nesse universo do trabalho né E claro a gente tem sobretudo No que diz respeito à Geração Z é uma geração que tem mais permissão né claro isso quando a gente olha para determinados extratos sociais quando a gente for olhar para outros extratos como periferias né ali as pessoas são plurais Porque elas precisam Simão socialmente e economicamente né então quando a gente olha para um outro para outras estratificações sociais a gente entende que então os jovens eh buscam essa pluralidade porque eles são incentivados pela
sua família né os pais hoje dizem não vai lá faz 6 meses do curso se você não gostar você troca e se você não gostar do outro tudo bem você pode trocar a gente pode ver de repente um intercâmbio para você tem essas possibilidades né Eh quando eu entrei na universidade há muito tempo atrás né Eh Não Era exatamente assim eu venho de uma família onde eh assim a autonomia foi muito estimulada desde sempre Então eu tinha liberdade para escolher o que eu queria né tanto que eu fui estudar moda e gente assim eu tenho
49 anos is foi há quase 30 anos atrás tá foi quando eu tinha 29 anos 29 não desculpa 20 anos né então Há 29 anos atrás eh trabalhar com moda no Brasil não era uma coisa bem vista mas eu fui estimulada me deixaram a fazer e tal né então Eh eu pude escolher Mas eu sabia que eu tinha que fazer aquilo ali até o final sabe tinha isso em mim hoje muito provavelmente eu olharia para as coisas de uma maneira diferente sim ainda ainda 2010 eu acho que era visto com maus olhos assim meu marido
fez moda na fale e as pessoas apontavam não mas por que que tu não faz um curso que dá dinheiro né um curso que dá retorno financeiro que imagina em 90 é eu fiquei pensando agora e como isso atravessa né também essa esse ruído que a gente tem no entendimento né do que realmente são as possibilidades de quem vai cursar moda de quem vai cursar comunicação de quem vai fazer cursos que não são mais clássicos da Universidade né como as engenharias o direito a medicina que muitas vezes são estimulados mas hoje a gente já tem
uma maior abertura assim em relação às áreas mais criativas né porque se entende que a gente vive num contexto em que essa criatividade ela é muito necessária né para todas as áreas como muito bem a gente falou antes hoje até Engenheiro médica né dentista precisa tá lidando com esse universo da comunicação e do marketing né Uhum Então a gente pode afirmar que sim é uma realidade e que sim é um caminho pro futuro das profissões do mercado especialmente da indústria criativa sim eu acho que eu diria que é um caminho é um é um futuro
possível né pensando aqui em cenários de futuros é um futuro possível desejável para muitos eh talvez inesperado para algumas pessoas porque existem também os futuros inesperados tem aquelas pessoas pessas que talvez não queiram isso né Uhum E vão ter que lidar até porque a gente tem que levar em consideração um outro dado da atualidade que é uma outra dimensão da diversidade que são as pesso as pessoas neurodiversas uhum as pessoas neurodiversas tanto a gente vai ter as pessoas que têm de fato múltiplas habilidades assim e e querem explorar essas múltiplas habilidades e enfim né as
pessoas que são eh muito boas em várias frentes assim com a gente vai ter outras neurodiversidad que daqui a pouco diz respeito a pessoas que não tê essa mesma perspectiva ou não conseguem por conta do seu estado de neurodiverso não conseguem estabelecer assim né ser fazer várias coisas tem que ser muito focados em uma única coisa né específica aí a gente vai ter os casos de autismo nos diferentes espect né no espectro assim gente a gente tem diferentes graus de autismo a gente vai ter enfim eh daqui a pouco outras neurodiversidad que também não dialogam
com com essa condição a gente poderia dizer né e é importante a gente olhar para isso e Acho que cada vez mais a gente tá tendo que lidar com isso em sala de aula também né E aí Claro olhando para isso então para esses fatores E aí eu digo é um futuro que é possível desejado para muitos talvez inesperado para pessoas que não tenham as ferramentas para lidar com isso e daí vem o papel também da Universidade como trabalhar né eh essas pessoas para que elas eh talvez ten uma flexibilidade maior ou trabalhar o mundo
pro mundo também entender essas uhum diferentes diferenças vamos dizer assim e por outro lado eu diria que para muitos Isso já é um presente não é nem futuro né então eu conheço a maioria das pessoas que hoje está em ecossistemas criativos ou inov ou de inovação são pessoas plurais ou geração Slash mesmo que não tenham 20 anos que tenh 40 50 60 anos são assim né Então essas pessoas para elas já é o presente e a gente tá falando aqui sobre isso para elas é um alívio na verdade porque durante muito tempo elas também não
sabiam quem elas eram sim né eu já fiz algumas falas assim sobre pessoa plural enquanto uma condição e né e uma macrotendência social e tal em vários lugares que depois as pessoas vieram conversar comigo e disseram Ai que bom te ouvir agora eu sei quem eu sou eu encontrei o meu lugar no mundo sabe porque dá uma sensação às vezes assim de Nossa eu vou fracassar em tudo porque eu tô fazendo muita coisa sabe então você pensa assim nossa eu tô fazendo tô trabalhando nessa área E aí eu tenho esse outro trabalho nessa Outra área
E aí eu também tô dando aula não eu vou ser um fracasso em todas as áreas Porque eu deveria focar em só em uma mas não quando tu se encontra nessa perspectiva ver que tem outras pessoas que também lidam né com o universo do trabalho com o universo do do aperfeiçoamento acadêmico de um dessa maneira tu se sente acolhido e mais tranquilo entende não é uma possibilidade é uma tendência não vou fracassar em todas as áreas não e eu acho que é uma potência às vezes também desse profissional né E aí agora vem a parte
que eu vou dar o meu depoimento eu não ia comentar a respeito mas assim eu sou formada em jornalismo Mas eu também me formei em gastronomia e eu tive restaurante e eu tenho podcast então eu e eu por muito tempo me vi como essa pessoa inadequada pro mercado que não enxergava a possibilidade de colocar suas múltiplas habilidades em jogo né então acho que hoje em dia é muito mais aceito assim quando você chega para uma entrevista de emprego e diz não mas eu sou jornalista mas eu também sou cozinheira e eu já trabalhei em rádio
e eu tenho podcast eu faço sabe então eu acho que já há uma abertura maior assim no mercado para esse tipo de profissional né sim faz muito sentido Inclusive a gente podesse se autod descrever assim poro que eu achei genial o nome né Slash da Barrinha e vai né porque eu conheci Slash de de gênero de fanfic né porque eu sou como eu sou também muito né imerso na cultura nerd gosto muito da cultura de fãs a gente tem um gênero de fanfic que é Slash Fanfic né Slash Fanfic são personagens do mesmo gênero e
aí você para com uma barra o nome dos chips é eu conhecia por isso eu fiquei super curioso E aí quando não já tinha lidado com esse fenômeno Mas a partir de um outro conceito inclusive achei legal chamar de fenômeno Slash Eu vi algum alguns apontamentos nesse sentido em vez de geração porque é algo que atravessa múltiplas gerações né exato É como ma fesol coloca a pessoa plural Ela não é uma condição inerente a uma determinada geração ela é justamente um fenômeno e como fenômeno uma entidade social né que define algumas relações eh que nós
vivemos no nosso cotidiano né Então isso que eu acho que é bem é claro Slash é mais bacana de repal né eu vou sempre puxar a brasa para um assado mais decolonial assim eu acho que né a pessoa plural é mais legal porque tamb eu faz tudo é o tá nos corres é a pessoa que tá nos corres assim mas eh eu eu eu acho que também uma questão bem importante da gente levar em consideração aqui é o fato dessa abertura pras possibilidades cansa cansa sabe porque assim né enquanto pessoa pro desculpa plural e o
Christian também acredito que deve sentir isso eh a gente h performar né porque são várias performances né a gente performar em várias frentes é na sala de aula é no meu caso com vários clientes assim né empresas de diferentes tamanhos também porque eu tenho vários projetos né então assim vários clientes é com parceiros desenvolvendo projetos em diferentes frentes e tal eh é cansativo porque parece que o dia não dá conta de tudo que a gente tem que fazer e a gente tá sempre em débito né em débito comigo em débito com a família em débito
com o marido em débito né Sempre tem alguma coisa que tá em débito com a academia com alguma coisa então acho que eh esse é o lado que eu diria que é negativo né como que a gente eh trabalha esse sentimento que é um sentimento de estar sempre em débito né Mas por outro lado sendo essa uma condição e do atual momento que a gente vive negar isso é também a gente negar uma coisa que tá acontecendo sabe assim tipo está acontecendo e se eu for negar isso é tipo a pessoa que fica negando que
estar em redes sociais é uma coisa que é importante hoje s s né perfeito Então acho que é M nesse sentido também né Uhum é o teu apontamento vai muito de encontro a um sintoma que a gente tem também da contemporaneidade que é a ansiedade né problemas relacionados à saúde mental ex e eu acho que tá muito articulado também a esse universo que a gente vive do mercado de trabalho que exige também cada vez mais da gente né porque Óbvio é é lindo poder fazer o que eu gosto tudo aquilo que eu quero estar em
múltiplas frentes mas gera esse esgotamento simum eu acho que nesse sentido cabe a gente saber se valer criticamente das tecnologias né como por exemplo a inteligência artificial nem olhando para ela com uma perspectiva bem crítica e entendendo os limites né do que a gente pode se valer eticamente dela para saber né ã fazer com que ela nos ajude que ela seja nossa aliada em relação a a dar conta desse desse cenário de tanto trabalho tão intenso né E aí Eu acho que cabe também a gente pensar que um é um papel que é universidade tem
muito hoje que é preparar pontualmente em relação aos aspectos técnicos né que envolvem isso que é assim Ah tu saber o que abrir uma microempresa né tu saber que tu tem que pagar ali o teu boletinho todo mês saber como abrir uma uma média empresa toda essa questão relacionada a impostos se preparar com uma previdência privada com uma previdência também do NSS essas questões pontuais que lá na frente vão importar muito né paraa nossa estabilidade porque a gente pode não ter mais a carreira ar como os nossos avós né como os nossos pais e mães
também mas a gente quer ter uma estabilidade no futuro né a gente quer exato todo mundo quer se aposentar no futuro gente mas eu preciso encaminhar pro final desse Episódio porque a conversa a gente vai rendendo vai rendendo a a produção já vai me olhando assim pelo amor de Deus Larissa tá estourando o bom é que é ditado não mas aqui a gente vai vai no freest eu quero que vocês deixem dicas um tema de casa de alguma leitura algum filme qualquer coisa Às vezes alguma coisa para abrir a cabeça mesmo de quem tá assistindo
a gente tem uma série que eu gosto muito e ela fala assim numa de uma perspectiva mais distópica mas eu acho que a distopia ela é importante porque ela mobiliza um pensamento de Utopia né porque a gente quer dar uma resposta em relação à distopia para não chegar naquele futuro distópico que é a série ears and ear ador E aí ela fala um pouco assim do futuro do Trabalho sabe Pensando na precarização e acho que vale olhar para ela criticamente pensar saídas em relação à aquilo que ela aborda né então eu indico essa série ears
and ear que eu acho que dialoga com o tema aqui que a gente trou verdade não e o problema é que tu começa a ver tem várias coisas ali que batem assim tu fica meio assustado né é essa série inclusive quando eu tô trabalhando com os meus alunos assim quero dar um exemplo por exemplo de como é que a gente imaginar futuros né de uma maneira assim tipo incorporada no nosso cotidiano sabe sem ser aquele exercício assim idealizado de uma Utopia eu sempre digo pro pessoal gente vamos assistir ears and ear porque ela é uma
série que faz Exatamente isso os futuros estão ali incorporados na nas vivências daquela família sejam os futuros mais pautados na tecnologia sejam os futuros mais pautados nas questões sociais econômicas eles estão todos ali e de maneiras muito cruéis inclusive né muitas vezes assim Apesar dela ter um final mais bacana porque ela também se eu não me engano é dos mesmos produtores de black mirror né Então apesar dela não ser assim tão distópica quanto Black mirror ela apresenta pra gente as coisas de uma forma bastante crua de Fato né inclusive essas questões de migração Eh que
que estão sendo cada vez mais eh complexas da gente Lar né é super assina embaixo da tua indicação demais acho incrível essa série vou dar então uma outra dica de um filme né que eu acho que é um filme que mostra muito essa essa dimensão também da pluralidade ou talvez até das das possibilidades que a gente poderia ter que é o tudo em todo lugar ao mesmo tempo é meu filme preferido a gente vai ter que conversar mais depois é porque ele é um filme que apresenta todas essas né possibilidades dessa não só dessa pessoa
personagem principal que inclusive é uma mulher com mais de 60 anos né acho que isso também é legal assim é uma né uma uma uma uma pessoa também enfim de eh ascendência asiática então tem todos esses essas questões assim também que são colocadas ali dentro daquela cultura americana né que é uma cultura que Bane muito velhos né faz uma Divisão muito grande entre jovens e velhos tipos de comportamentos muito diferentes e ela é então uma série que traz todas as possibilidades que essa pessoa poderia ter sido mas sobretudo que essa pessoa poderia ter sido junto
com a sua família que eu acho que é uma coisa muito legal então no final das contas é um filme sobre eh o desejo de ser plural mas ao mesmo tempo também de estar conectado com esta pensando na estabilidade né Essa instituição social que nos dá estabilidade que é a família independente da maneira que ela seja tanto que num determinado momento do filme As duas são né mãe e filha são uma são duas pedras né e ainda assim elas são uma família então não importa o tipo de família né Mas alguma estabilidade a gente precisa
né nesses tempos tão complexos eh e também vou deixar aqui a dica do próprio livro do Michel mafezoli né que chama o tempo retorna eh que fala a respeito né da pessoa plural e de tantas outras coisas e ele fala de o tempo retorna porque na leitura dele e eu super concordo com isso a gente eh a gente precisa encarar o tempo como algo não só circular mas espiral né então e é por isso também que a gente vem e vai assim de certas eh certos conceitos a gente revisita né olha a moda tem muito
isso né volta moda que era moda 20 anos atrás é porque o tempo ele vai funcionando dessa maneira ele não é circular por is simplesmente ele é espiral Então a gente vai lidando com ele né com as mesmas coisas a partir de outros pontos de vista nãoé por nada que pove é uma da das coisas que mais se usa hoje são os diferentes pontos de vista né eh e aí ele vai falar a respeito disso desconstruindo essa ideia né do tempo linear como uma seta né que leva a gente sempre para cima para o progresso
né E que é muito mais ligado Inclusive a outras maneiras de enxergar o tempo os indígenas enxergam o tempo dessa forma os nórdicos né os os os as sagas nórdicas são assim os Person eles não vivem uma coisa assim ai né é início meio e fim não a vivência deles é cíclica muito diferente da maneira como a gente se habituou a partir do paradigma da modernidade a achar que o tempo e as coisas deveriam ser então aí eu vou estudar aí eu vou fazer uma faculdade aí eu vou né tudo não não é assim né
As coisas elas são diferentes a gente vem e vai volta dois passos vai cinco para frente volta dá três para lado vai quatro cinco pro outro lado e na vida a gente vai fazendo assim é e eu acho que só complementar tudo em tudo isso que tu apontou eu acho que tem uma dimensão que a gente precisa valorizar que é a do fracasso sabe porque eu acho que na na sociedade que a gente vive às vezes há potência no fracassar sabe porque FR fracassar muitas vezes é um apontamento de que a gente não tá concordando
com todas as coisas que estão aí dadas que são muito problemáticas e não necessariamente a gente precisa entrar num Universo para trabalhar né com alguma coisa que a gente se identifica para não ser um fracasso a potência no ser fracasso eu sou fracassada em várias coisas que eu adoro fazer e isso me mobiliza muito permiti também ser ruim em muitas coisas eu acho que para um multitalento ser bom em muitas ele também precisa ser ruim em muitas coisas né perit Total gente que conversa maravilhosa muito obrigada chistian Paula obrigada também pela presença de vocês acho
que essa esse papo vai ecoar em muita gente também assim esperamos amigo agora não não já somos tá sentou aqui virou amigo é isso gente até o próximo Educação do amanhã a gente volta daqui duas semanas tchau