Esse vídeo é um oferecimento da seteadores do Brasil, um pedaço de terra para ele cultivar. Declaram vaga à presidência da República. Sim, as eleições diretas já. E nós temos o coração em esperança. Liberdade, liberdade. Abre asas sobre nós. Traidor da Constituição é traidor da Pátria. Brasilian brother pedimentos. Filhotes da ditadura. Que Deus ajude o presidente da República até um outro dia. Fernando Afonso Color de Melo. Como explicar a ascensão meteórica de um homem que entrou para a política com o objetivo de meramente defender os interesses políticos provincianos de sua família no distante e pouco conhecido
estado do Alagoas. E uma década depois Conquista o mais alto cargo da sexta República Brasileira justamente na primeira eleição direta em quase 30 anos, desbancando toda uma oposição construída por décadas durante a ditadura militar, que antes, mesmo na queda do regime em 1985, já estava dando as cartas na política nacional. Absolutamente ninguém poderia imaginar que o herdeiro político de Getúlio Vargas, o Caldílio Leonel Brizola do PDT, que o líder do movimento sindical Brasileiro Luís Inácio Lula da Silva do PT, que o senador Mário Covas, ex-presidente do MDB e fundador do mais novo player da política
nacional, o PSDB, e que o pai da Constituição de 88, Ulíisses Guimarães, seriam derrotados por um absoluto desconhecido nas eleições presidenciais de 989, a oposição que se uniu para escorraçar os militares do Planalto e escreveram praticamente sozinhos a constituição dos seus sonhos. Um documento que lhes Garantiria o monopólio da ilha de Veracruz, pelas décadas que viriam, tomar um vareio de um playboy viciado em carros esportivos e karatê. Color é um tatu na árvore da história política tupiniquin, a maior anomalia de um país que é viciado em se jogar do penhasco. Ele iniciou sua carreira política
em 1979 depois de uma longa articulação política executada por seu papai, o ex-senador Arn de Melo, color nomeado prefeito de Maceó. Atente-se ao nomeado. Afinal de contas, a eleição para prefeito nas capitais havia sido extinta em 1966. cumpriu seu catastrófico mandato, endividando a cidade para além da compreensão, até ser pressionado pela família e renunciar em 1982 para ser lançado candidato a deputado federal pelo Partido Democrático Social, que surgiu em 80 após a extinção do Arena, o partido do regime militar, que com o passar das décadas evoluiu até se tornar O PP partido progressista. Color vence
de maneira cachapante, sendo o deputado mais votado de Alagoas com 55.000 votos. E no Congresso Nacional, seus highlights foram o seu apoio anêmico às Geratas já, o voto em seu padrinho de casamento Paulo Maluf nas eleições indiretas à presidência em 85 e 11 projetos em 4 anos. Todos desenvolvidos único e exclusivamente para beneficiar economicamente a sua família. Mas nenhum deles foi aprovado. E é isso. Fernandinho foi um absoluto e completo ninguém no cenário político nacional. Ele não discursava, não debatia, não demonstrava nenhum interesse em nada que estava acontecendo no plenário da Câmara. Ele era invisível.
A única razão pela qual ele estava em Brasília era para defender os interesses econômicos de sua família, que controlavam e ainda controlam a organização Arnond de Melo, um dos maiores conglomerados de mídia do Norte Nordeste, dona da TV Gazeta, Afiliada da Rede Globo em Alagoas. Só que tudo isso mudou em 86, ano em que ele resolve se lançar a voos mais altos e arriscados. Convencido novamente por sua família, ele desiste de uma fácil reeleição ao cargo de deputado federal para se lançar candidato ao governo de seu estado e conquista o cargo de forma avaçaladora, com
52% dos votos válidos, movendo o polo de poder na Capitania de Alagoas, das mãos dos barões da cana para as mãos da mídia. Até essa altura Do campeonato, Color não possuía sequer um projeto pessoal. Ele simplesmente seguiu o roteiro formulado por sua família, sendo literalmente a segunda opção, pois o seu irmão mais velho, Leopoldo Color de Melo desprezava Alagoas, seu pai e o resto da família. Mas houve um clique. Aquele playboy que só se importava com carros, viagens, charutos, karatê, prostitutas e balada passa a receber muita atenção da mídia sudestina após assumir o trono alagoano.
Oportunidades estavam surgindo e por conta disso ele começa a desenvolver o seu próprio sabor de populismo, se apresentando ao povo como uma alternativa que estava estafado do discurso vazio da elite política e de sustentar as duras penas o falido estado brasileiro. Poor consegue vislumbrar uma oportunidade única que estava ali. O incapaz governo Sarnei atolado em uma hiperinflação insolúvel e escândalos de corrupção à torto e direita, torna-se Radioativo. Nenhum presidenciável queria sua imagem atrelada ao atual presidente, ou seja, era cada um por si. Com a extinção do bipartidarismo em 79, partidos políticos surgiam com mais frequência
que demissão de ministro no governo Dilma. O jogo democrático havia se fragmentado de tal modo que 23 candidatos estiveram na corrida presidencial de 89 em algum momento. Enquanto Lula e Brizola disputavam os votos da esquerda limpinha, da não tão Limpinha e do proletariado, Covas e Ulisses buscavam encantar o povo que não era nem de esquerda, nem de direita, pois olhavam para a frente. Jamaluf e Guilherme Afif buscavam o voto do reaça médio que era nostálgico do milagre econômico da década de 70. E o que dava para concluir dessa bagunça era que ninguém iria conseguir uma
maioria clara. Direitas, esquerdas e centrões estavam se esfaqueando pelo poder da forma mais sujo possível para ganhar Destaque. E no meio desse caus havia o jovem e belo Fernando Color. Trajando belos ternos e com o domínio ímparo do idioma e da mídia, Color se utilizou da comunicação de massa como ninguém. Durante todos os seus anos no governo de Alagoas, ele atacou abertamente o presidente José Sarnei. Primeiro porque era muito fácil criticar o seu desastroso governo. E segundo porque Sarnei havia apoiado os oligarcas canavieiros na eleição estadual. A mídia Sudestina deu toda a atenção que color
queria e aos poucos o público começava a ver nele uma alternativa. Até que em 23 de março de 1988 a revista Veja revela ao Brasil o seu futuro presidente com o título Color de Melo, o caçador de maraj. Ali havia um jovem que compreendeu e explorou todos os medos e anseios da população brasileira da época. Com uma oratória irretocável e de fácil assimilação, o caçador de Marajás se apresentou como um Verdadeiro salvador da pátria, um ser acima de partidos e instituições cujo único compromisso era com o povo, com os pés descalços e os descamisados. Alguém
queria enfrentar as elites e caçar os corruptos, custe o que custar. Mas a elite política não via color dessa forma. no seu partido, o PMDB estava de saco cheio dos frequentes ataques ao presidente Sarnei, que em dado momento foi chamado de o maior batedor de carteiras da história E que obviamente não iria lançar esse desconhecido no cenário nacional como candidato a presidente, mesmo que em um primeiro momento color almejasse somente a vice-presidência, vendo que o maior partido brasileiro não iria apoiá-lo nessa contenda e os demais também não iriam abrir as suas portas, Fernando decide então
fundar o seu próprio partido, o PRN, partido da reconstrução nacional, uma instituição sem bases, ideias, nada, exceto por Fernando Color E seus belos discursos, uma sigla criada única e exclusivamente para referendar burocraticamente sua candidatura à presidência da República. A elite política, econômica e a mídia acreditaram piamente que isso não iria dar em nada. E isso era o lógico a se pensar. Mas nunca, nunca se esqueça que a lógica não tem lugar no Brasil. Color, em todos os seus discursos durante a campanha se mostrava firme, agressivo, não media palavras para atacar os seus Adversários e o
presidente Sarney. E com o passar do tempo, o público começa a enxergar color verdadeiro opositor do político mais impopular do país. Uma aura messiânica foi propositalmente construída no ano de 1989. em comícios, nas ruas, na TV, em todos os lugares. Uma imagem de predestinado foi incutida na mente do público. Color seria como Moisés, salvando a sua gente do estado corrupto, ineficiente, responsável por todas as mazelas que acometiam a Sociedade e os levaria a um novo Brasil moderno, rico e, acima de tudo, sem inflação. E tudo isso era apenas um personagem. Fernando é um homem de
poucos amigos, extremamente comedido em seus sentimentos. Ele enxerga todos como meros servos plenamente substituíveis quando não mais possuem serventia. E ele é absolutamente frio no cálculo político. Ele acertou em cheio todos os gatilhos do brasileiro que buscavam desesperadamente alguém que Salvasse o país do caos perpétuo que acometia a nação desde 1960. Esse povo depositou toda a sua fé nas mãos deste homem, que agora, em 1989, já possuia um projeto político para se firmar no poder pelas décadas que viriam. E o inesperado aconteceu. disparou nas pesquisas, deixando Brisola, Covas e Lula para trás, fechando o primeiro
turno no primeiro lugar, trazendo pra sua campanha todos aqueles que o desprezaram no passado, Mas que agora estavam morrendo de medo de uma vitória do Lula e do PT, já que Brizola era a carta fora do baralho e o impossível aconteceu em 17 de dezembro de 1989, exatamente 10 anos, 9 meses e 2 dias após entrar na vida pública com 53% dos votos. Fernando Afonso Color de Melo torna-se presidente do Brasil. Cansado da perpétua incerteza e crise econômica, do constante aumento de preços que destruíram o valor de nossa Moeda e de seu poder de compra,
não vê mais perspectivas de futuro neste país que está nas mãos dos corruptos marajás de Brasília. não aguenta mais lutar contra o inevitável colapso da nação. Quem sabe a solução seja sair do Brasil. Cometi, você pode ainda este ano aproveitar as 100 oportunidades que surgiram nas novas repúblicas, que se libertaram das garras do comunismo. Mas se o clima meno do leste europeu não é do seu agrado, os ventos da liberdade Sopram forte no Caribe. A distância da família é uma questão que te aflige. O Paraguai e o Uruguai estão aqui do lado, prontinhos para receber
os seus negócios de braços abertos. Fique perto da família, mas bem longe da burocracia Tupiniquin. O seu futuro é você quem decide e a Seti está aqui para te ajudar. Quer se tornar um nômade digital? Busca uma segunda cidadania ou quer saber se há uma aí que você pode obter? A Chece todos os caminhos pelo Emaranhado burocrático internacional. E falando em burocracia, não aguenta mais este hospício contábil e jurídico que vivemos, que toda hora surge um fiscal do governo pedindo um cruzeiro a mais para executar o seu serviço. A CTI sabe exatamente como livrar os
seus negócios desse país, levando-os a uma nação que realmente valoriza a sua presença. Mas se o seu objetivo não for esse, sem problema abrir uma offshore, otimizar os seus impostos ou ambos? Nunca demais. Acesse o link na descrição e conheça em detalhes os serviços da SETI e agende sua chamada introdutória para sua consultoria personalizada e confidencial de internacionalização, que será totalmente adaptada às suas necessidades e objetivos particulares. Sete, fuja do Brasil sem medo de ser feliz, porque a sua vida te pertence. [Música] [Aplausos] No dia 18 dezembro de 1989, Os partidos que haviam apoiado o
Lula se declararam como oposição ao governo Color. E todo o apoio conquistado no segundo turno com aquela direita catatônica do período era meramente uma convergência de interesses que não significavam governabilidade. O isolamento eleitoral torna-se isolamento político antes mesmo de assumir o cargo de presidente da República. Neste momento, Color tinha duas granadas sem pinos em cada uma de suas mãos. A Primeira conquistar governabilidade atraindo os partidos de direita e da esquerda limpinha, como o PSDB, para compor a base do seu governo. E a segunda era cumprir as infinitas promessas de campanha e um cenário econômico apocalíptico.
Se você acha que a inflação acumulada de quase 27% dos últimos 4 anos está sendo um pesadelo, só no ano de 89 o acumulado foi de 1782,9%. O cruzado não servia nem como peso de Porta. O dólar era efetivamente a moeda em curso. Todos os planos de estabilização do governo Sarnei haviam fracassado. O Brasil não apresentava crescimento expressivo desde o fim do milagre econômico da década de 70, que ironicamente causou a década perdida de 1980, congelamento de preços e hiperinflação. A população brasileira era composta por uma massa de 30% de pobres. 67% das residências do
país não tinham saneamento básico. 28% da População não desfrutava de uma tecnologia chamada energia elétrica em suas casas. 44% das pessoas com mais de 20 anos era analfabeta. Tínhamos 32 milhões de famintos. Lembrando que a população brasileira nessa época era de 148 milhões. Absolutamente todos os serviços públicos haviam colapsado ou estavam prestes a A dívida externa era de 115 bilhões de dólares, enquanto PIB era de 345 bi. Nós fomos isolados da comunidade internacional graças a uma Série de fatores como o projeto da bomba nuclear dos Milico, a inexistência de direitos civis e venda arma pro
Iraque do Saddão Hussein. Para ajudar nessa desintegração do mundo civilizado, em 1987, Sarney havia dado mais um calote, o que dificultava um pouquinho o processo de negociar a nossa dívida com os credores externos. O estado brasileiro era mais inchado que a sua mãe. A União Soviética olhava pra gente e nos chamava de camarada. Nós tínhamos Estatais de tudo, de telecomunicação a distribuição de filmes até navegação fluvial. Em 89 haviam aproximadamente 800.000 funcionários públicos federais na folha de pagamento de Brasília, aproximadamente, pois o estado brasileiro não fazia ideia de quantas pessoas realmente estavam parasitando a máquina.
É sério, eles não sabiam. Fora o arcaboço burocrático desenvolvido único e exclusivamente para Proteger os interesses das oligarquias que remontam as capitanias hereditárias de qualquer tipo de concorrência interna ou externa, o que também pode ser chamado de modelo cepalino de substituição de importações. O que eles vão argumentar que é uma mentira. Modelo nunca foi aplicado aqui, pois ninguém quer assumiu o filho que deu errado. Resumo da ópera: O Brasil. É o Brasil. Esse era o país que color havia assumido. E essa é apenas a ponta do Iceberg. O presidente eleito havia prometido durante a campanha
algo muito singelo, que iria mudar tudo isso aí. E o seus trabalhos têm início em dezembro com a formação do seu ministério. Color é cria do fenômeno neoliberal da década de 80. O discurso de um chefe de estado pela primeira vez na história desse país, não era 100% intervencionista, era só 80%. E para provar que ele era algo verdadeiramente novo e moderno, antes de decidir os nomes para assumir os seus Ministérios, ele executa uma reforma na composição ministerial. Ele queria um ministério técnico, inxuto, muito diferente das administrações anteriores, que pouco se importavam com o destino
dos impostos pagos pelos servos. Durante toda a campanha, Color defendeu uma profunda reforma administrativa que buscava desmontar a velha estrutura estatal, racionalizando os recursos disponíveis, eliminando cargos e custos supérfos, assim otimizando o Funcionamento da máquina pública para melhor atender a população que clamava os céus por justiça social. E para surpresa de todo mundo, ele fez isso. Color definiu que existiriam somente sete secretarias e reorganizou seus ministérios em apenas 12. Justiça, relações exteriores, educação, saúde, agricultura e reforma agrária, trabalho e previdência social, infraestrutura, ação social, exército marinha, aeronáutica. E para fechar com chave de Ouro, o
único ministério que realmente é importante é formado o super ministério da economia, fazenda e planejamento, que seria comandado por Zélia Cardoso de Melo, a primeira e única mulher a assumir a fazenda na história do Brasil. Ela esteve ao lado de Colar por toda a campanha presidencial, servindo como a sua principal assessora econômica. Ela era uma das poucas economistas de renome no Brasil, que não era 100% de esquerda. Lembre-se, a União Soviética ainda Existia por conta disso. Apesar da queda do muro de Berlim, o socialismo ainda não era só uma piada no debate econômico. Foi uma
decisão muito simples entregar a ela o ministério, especialmente pelo fato do seu nome ter sido indicado por Paulo César Farias, amigo pessoal e tesoureiro de campanha de Fernando Color. Logo ao fim das eleições, Zélia começa a trabalhar com carta branca e um novo plano econômico em absoluto sigilo, que todos na época Supunham que o objetivo principal seria estancar a hiperinflação, dar um gás no crescimento econômico, privatizar estatais, abrir o mercado brasileiro ao mundo, assim enterrando os delírios varguistas que mantinham o Brasil na lama desde os anos 30. Sem sombra de dúvidas, um plano super fácil
e simples de ser executado. Neste clima de austeridade, Color opta por não fazer do Palácio do Alvorada a sua residência oficial. Em uma tentativa de criar um Certo distanciamento de seu governo das fracassadas e corruptas gestões anteriores, ele escolheu seguir morando na mansão de sua família em Brasília, localizada no Lago Norte. A casa da dinda, tornou-se residência oficial do presidente da República, o GSI da época. tentou convencer Color de que aquela mansão não oferecia condições básicas de segurança. E para contornar essa situação, o presidente ordena que seja realizada uma profunda reforma na mansão Para adequar
ao seu novo status. Os muros foram aumentados, cinco guaritas, alojamentos para os soldados e um eliporto foram construídos. Essa obra custou a bagatela de 1 milhão de dólares, que foi paga com o dinheiro que havia sobrado da campanha de 89. Assim não sendo um ônus ao Tesouro Nacional, demonstrando publicamente o comprometimento com austeridade fiscal que o presidente havia firmado com o povo brasileiro, mas a transição ainda Estava longe de chegar ao fim. Para os demais ministérios e secretarias, Color indica o senador Bernardo Cabral para a justiça. Ele havia sido relator da Constituição de 88, era
tido como especialista em direito constitucional por isso. Para a pasta do trabalho e previdência social, escolhido foi Antônio Rogério Magre. o presidente da Confederação Geral dos Trabalhadores, que era a principal organização sindical concorrente a CUT, que nessa época, Antes disso e até hoje, é praticamente a SA do PT. Em uma tentativa de trazer o PSDB para o governo, Color aborda o senador Fernando Henrique Cardoso e o deputado José Serra e os convida para fazerem parte do Ministério de Relações Exteriores, um dos ministérios mais importantes do governo. Afinal, o presidente queria reinserir o Brasil neste novo
mundo unipolar que estava nascendo, mas ele fracassa e os tucanos batem as suas asas para longe. Na Véspera da posse, Color cumpre mais uma de suas promessas de campanha, extinguindo o Serviço Nacional de Informações, o SNI, o órgão de espionagem criado pela ditadura em junho de 64, que respondia exclusivamente ao presidente da República. Isso gera um gigantesco mal-estar entre o executivos militares, que fizeram de tudo para convencer Color. contrário. No lugar do SNI, o presidente criou a Secretaria de Assuntos Estratégicos, o SAI, e indicou O seu amigo Pedro Paulo Leonir Ramos, que não fazia a
menor ideia de como conduzir uma agência de espionagem, mas ele foi colocado ali porque era parça. Com o passar dos anos, esse órgão viria se tornar a Abim. Entre os outros ilustres membros do seu governo, na secretaria do meio ambiente, Color convida o ecologista de renome internacional, José Lutemberger. E diferente de uns por aí, o presidente consegue falar com o Zico e o convence a Chefear a Secretaria de Esportes. Enfim, chega o dia da posse, 15 de março de 1990. Após longos 30 anos, o primeiro presidente eleito pelo povo iria finalmente assumir o cargo mais
importante da República Brasileira. Em clima de comício eleitoral, color toma posse, recepcionado por centenas de milhares em Brasília às 9 horas da manhã, a bordo do Rolls-Royce presidencial segue até o Congresso Nacional para fazer o seu discurso e por longuíssimos 55 minutos, o maior discurso de posse da história da República Brasileira. Color aborda os mais diversos pontos do compromisso em exterminar a hiperinflação, de como era necessário redefinir o papel do estado de produtor para promotor do bem-estar social, defendendo a privatização e o livre mercado. Color não se esqueceu de atacar as elites. Afinal, ele era
o caçador de maraj, prometendo que iria Extinguir os privilégios desta casta que pousava de defensora do nacionalismo, mas que, na verdade, só defendiam mesmo seus interesses particulares. O presidente dedicou quatro parágrafos da questão ambiental, salientando o papel do Brasil neste drama internacional que viria se intensificar nos próximos anos e destaca a conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente que seria realizada no Rio de Janeiro em 1992. Color também pontuou a crise do Socialismo no Oeste Europeu, de qual seria a posição do Brasil na nova conjuntura geopolítica mundial do pós-guerra fria. Até mesmo dissertou sobre
como a paz estava ao alcance de nossas mãos. No total, ele dedicou 40% do seu discurso de posse à política externa. Algo para lá de esquisito, tendo em vista que o Brasil sempre teve e continua tendo pouquíssima relevância nas grandes questões internacionais. Por fim, Color é aplaudido por Representantes dos mais diversos setores da sociedade civil, incluindo vários chefes de estado ali presentes, como Fidel Castro, que viria se tornar amigo pessoal de color nos anos que se seguiram. Mas, curiosamente não haviam muitos representantes da classe artística e intelectual na sua posse. Pouco depois, as primeiras ações
do novo governo são divulgadas. Cinco medidas provisórias e quatro decretos que colocaram à venda 10.700. 760 móveis Funcionais, milhares de carros e dezenas de aviões demonstrando a vontade do novo presidente em extirpar os privilégios da elite do funcionalismo público. O efeito dessas medidas foi tão devastador que nos dias que se seguiram funcionários de alto escalão passaram a se deslocar por Brasília de Kombi e os ministérios entraram em parafuso, pois não tinham efetivo suficiente para cumprir as suas funções. Em algumas canetadas, 4.000 cargos de confiança foram extintos, 10.000 funcionários públicos foram demitidos e a previdência social
foi obrigada a vender aproximadamente 14.000 imóveis entre prédios, terrenos, casas e apartamentos, aproximadamente 14.000, pois a autarquia não fazia ideia de quantos imóveis possuía. Porém, a posse ainda não acabou. Depois de dar início à sangria, color saiu do Congresso e atravessou a praça dos Três Poderes em direção ao Palácio do Planalto e lá recebe a faixa presidencial de José Sarnei e se dirige ao parlatório para discursar ao público que aguardava ansiosamente por este momento desde a madrugada. voltar o melhor do meu restaurante e a maior das minhas preocupações para a imensa maioria de brasileiros a
quem eu devo essa conquista democrática, aos fiscalizados, aos me descalços, a aqueles que querem justiça social no país para poder viver. Juro a vocês, diante do altar das minhas convicções que ao lado do povo brasileiro, da sociedade civil organizada, nós haveremos sim, minha gente, de reconstruir o nosso país para recuperarmos a confiança no seu verdadeiro destino. [Música] e me comprometo mais uma vez a dar o melhor de mim, a dar a minha saúde e a minha própria vida, se necessário for, Para cumprir rigorosamente com o nosso programa de governo. Que Deus ajude o presidente da
República, que Deus ajude os seus ministros, que Deus ajude o nosso povo para que nós encontremos definitivamente a trilha do crescimento econômico e da justiça social. Obrigado, minha gente. outro dia. [Música] E Brasília permaneceu em festa até à noite. E a única coisa que todo Brasileiro tinha em mente naquela quinta-feira, 15 de março de 1990, era o que vem depois. Um pouco antes, naquela mesma semana, na terça-feira, 13 de março, Color pede ao presidente José Sarnei para instituir um feriado bancário de 3 dias. Esse era um passo imprescindível para execução do plano que a ministra
Zell e sua equipe econômica estavam trabalhando em sigilo desde dezembro de 89. A expectativa do público era gigantesca para conhecer as Medidas econômicas que o novo governo iria tomar. E não demorou muito para que o povo brasileiro descobrisse quais eram esses planos. E com toda certeza, aquele 16 de março de 1990 é um dia que milhões jamais se esquecerão. Tudo começa com a reunião de color e seus ministros, onde é anunciado publicamente em rede nacional as 17 medidas provisórias que compunham o plano Brasil novo, mas que entrou para história com o nome Plano Color. Não
temos alternativas. O Brasil não aceita mais derrotas. Agora é vencer ou vencer. Que Deus nos ajude. Muito obrigado. A moeda, pela terceira vez em 4 anos, seria alterada. Sai o cruzado novo entre o Cruzeiro. Mais um congelamento de preços e salários que durariam 45 dias. E como não podia faltar, ocorre um grotesco tarifaço. O preço dos combustíveis sobe 57,8%, valor dos serviços postais dispara 83,5. Energia telefone, etanol e açúcar sobem 32% em uma singela canetada. O acumulado naquele ano, que tinha apenas 2 meses e meio, já era de 599% de aumento no telefone, 516% nos
serviços postais, 597% na energia elétrica. Absurdos 527 nos combustíveis. A inflação era de 169,72% em apenas 75 dias. A corrida aos mercados foi imediata em um açogue no Rio de Janeiro. Mais de 20.000 pessoas tentaram comprar carne durante uma Promoção que obviamente foi interrompida, mas até aqui nada de diferente daquilo que foi executado nos três planos fracassados do governo Sarney. Mas não se esqueça, esse é o plano Brasil novo. E novidades o jovem presidente tinha oferecer. A MP1 extirpou da face da Terra 24 cabides de emprego da máquina pública entre autarquias, fundações, empresas públicas e
sociedades de economia mista que desapareceram em o piscar de olhos, Gerando uma legião de adversários políticos já no segundo dia de governo. Oligarcas, empresários, funcionários públicos, artistas e intelectuais rasgaram suas vestes em praça pública devido a uma leve diminuição da mamata, que neste momento se limitou a 81.000 cabides de emprego. Porém, o plano era chutar 360.000 fonsas da máquina pública nos primeiros meses da gestão. Color e a sua equipe foram mais longe, proibindo a acumulação De cargos públicos, estabeleceram rígido controle de gastos, cortaram subsídios e incentivos fiscais de vários setores privilegiados que se fartaram do
estado por décadas. E para fechar com chave de ouro, houve outro aumento do IPI e a criação do IOF. Que que você esperava, hein, meu querido? que isso ia ter notícia boa. Estado brasileiro, não existem notícias boas. Na MP158 foi estabelecido regime de câmbio flutuante. Dezenas de tarifas de importação foram Reduzidas com objetivo de facilitar o acesso do brasileiro a produtos importados. eram outros tempos e essa ação teve o objetivo de auxiliar no combate à hiperinflação. A elite Tupin King se partiu de dar risada, vendo que seus produtos medíocres e de péssima qualidade, protegidas pelo
Estado brasileiro por décadas com uma pesada regulação e taxação de importados, agora foi exposta à concorrência Internacional. Assim que a coletiva é concluída, o presidente da República vai pessoalmente entregar as medidas provisórias ao legislativo, atravessando a praça dos três poderes a pé até chegar ao Congresso Nacional, onde é recepcionado pelo presidente do Senado, Nelson Carneiro, e o primeiro fiasco de seu governo acontece. O documento entregue era, na verdade, um rascunho das 17 medidas que nem haviam passado por uma revisão gramatical. Horas mais Tarde, a versão definitiva seria entregue. Só que dessa vez não foi o
presidente que serviu de Office Boy. Mas essa não era toda cerimônia do início efetivo do seu governo. Color havia escrito mais um discurso e esse seria proferido na tribuna da Câmara, algo que nunca havia acontecido na história republicana do Brasil. Todo esse plano já estava acertado com o senador Nelson Carneiro. Porém, os deputados perceberam o absurdo que isso era. O chefe do poder Executivo iria discursar sem a partes no primeiro dia efetivo do seu mandato na sede do outro poder. Simbolicamente significava que o legislativo se tornaria um mero cartório para ratificar os mandos e desmandos
do presidente. Houve uma grande pressão por parte dos deputados e esse discurso foi impedido causando um desnecessário mal-estar entre os poderes cedo demais. Mas o dia ainda estava longe de acabar. O público ainda não tinha entendido exatamente o Que era o plano color. Tinha ficado óbvio para todo mundo que a promessa da liberalização da economia e o enxugamento da máquina pública realizada durante toda a campanha estava sendo posta em prática. Esse ponto por si só tornava esse plano para lá de ousado. Color havia garantido durante toda a transição que o seu plano deixaria a direita
indignada e a esquerda perplexa. Promessa que foi de fato cumprida. Entretanto, as minúcias do projeto não Tinham ficado muito claras. Dúvidas que seriam sanadas na tarde daquele dia e logo após isso, Pandemônio. [Música] O plano Color, que estava sendo desenvolvido desde dezembro de 89, foi concluído na madrugada do dia 15 para o dia 16, com boa parte dos economistas da equipe dividindo suas atenções entre a festa da posse e os últimos retoques no projeto, especificamente naquilo que se tornou o ponto crucial do plano. Na Visão de Zélia Cardoso e sua equipe, era necessária uma medida
drástica para o controle da inflação galopante que estava destruindo o país, um mecanismo que da noite para o dia eliminasse o problema. Atualmente, e desde sempre, a principal ferramenta para o controle da inflação é o aumento da taxa de juros. O que naquele contexto não estava funcionando. A selique acumulada entre 1eo de janeiro de 1990 e o lançamento do plano color de 293,3%. Me perdoem o anacronismo, mas como medida de comparação, o acumulado em 2023, neste mesmo período foi de 2,67%. Você pode ter questionado em algum momento sobre como nós havíamos chegado no fundo do
poço em um estágio onde nem mesmo a elevação absurda da taxa de juros controlava a inflação, fazendo com que o governo brasileiro trocasse de moeda em uma frequência maior que falência de banco americano. Isso sem contar no congelamento de preços que só Piorava a situação, causando desabastecimento e a formação de um mercado paralelo. E a resposta para tudo isso é bem simples. Depois de 50 anos de um total descontrole dos gastos públicos em obras faraônicas, o sonho da industrialização que nunca engatou uma nova capital que não tinha nenhuma razão para ser construída, além de roubar
do povo a possibilidade de fazer pressão em seus representantes, o exaurido governo brasileiro foi forçado a sair em busca De empréstimos internacionais para seguir financiando seus projetos inúteis ou mal estruturados. A dívida externa e interna explodiram, mas em um mundo onde a reconstrução do pós-guerra já terminar e países em desenvolvimento representavam uma oportunidade de lucros muito maiores do que investimentos em nações desenvolvidas. As duas repúblicas brasileiras do período poderiam contrair dívida, juros flutuantes sem medo de ser feliz? Até que o choque do petróleo de 73 aconteceu. As taxas de juros internacionais subiram, por consequência, a
dívida aumentou. Os custos de exportação foram pro teto, a balança comercial brasileira virou do avesso e os miligos para tentar contornar esse problema desvalorizaram a moeda em 30%. Mais capital estrangeiro entrou no país, porém sem o aumento da produtividade, o equilíbrio de oferta e demanda do dinheiro foi quebrada e a inflação, que Era de apenas 55% ao ano em 73, bateu 110% em 1983. E as coisas só pioraram desse ponto em diante. No mesmo ano de 83, houve uma nova desvalorização cambial e a inflação dobra de 99,7% para 211%. A alternativa que o governo encontrou
para cumprir as suas obrigações foi a emissão de títulos públicos com juros e liquidez altíssima. E o ciclo de endividamento se estabeleceu. Na década De 80, a maior parte da dívida interna passou a ser financiada no overnight e isso assassinou o setor privado, que simplesmente não conseguia competir com a lucratividade em aportar nos títulos públicos. A produção despencou por conta disso. A oferta de produtos caiu, aumentando o desemprego e agravando todos os problemas citados anteriormente. Com os sucessivos fracassos do governo federal em controlar a inflação através dos planos Econômicos, que sempre envolviam congelamento de preços,
a situação ficou ainda pior. O mercado passa a aumentar os preços dos produtos se baseando na expectativa da inflação e na possibilidade de um novo congelamento. A inflação inercial tomou conta em definitivo do Brasil. E como se a rolagem da dívida federal não fosse suficiente, os estados, através de seus bancos estaduais também emitiam títulos de dívida, ajudos mais altos e com ainda Mais liquidez que os títulos federais. E não só isso, os estados tinham autonomia de buscar empréstimos internacionais, o que aumentava a pressão inflacionária na moeda e na dívida externa brasileira. Com a soma de
todos esses fatores e muitos outros, temos os ingredientes para criar uma hiperinflação que é impossível de ser controlada. E essa era a bomba que Zélia Cardoso recebeu para desarmar. Custe o que custar. Foi decidido pela equipe econômica que era Necessária a retirada imediata de moeda do sistema financeiro. Em um primeiro momento, ficou acertado que apenas operações de overnight seriam afetadas, que é uma aplicação de baixíssimo rendimento, mas de altíssima liquidez, que nas décadas de 80 e 90 se tornou uma das principais ferramentas para manter o valor do seu dinheiro intacto durante a constante desvalorização da
moeda, pois o overnight tem uma taxa de atualização diária de sua taxa de juros que Acompanhava a inflação. Essa era uma ferramenta acessível quase que exclusivamente aos ricos. Portanto, congelar esse dinheiro não geraria uma reação negativa para 90% da população brasileira. Entretanto, faltando algumas semanas para a posse do novo presidente, a equipe econômica de Zélia começa a debater se o congelamento apenas de aplicações no overnight seriam suficientes para execução do plano color que não tinha brechas pro fracasso. O Brasileiro não aguentava mais os planos mirabolantes propostos pelo governo federal para encerrar a hiperinflação. Esse precisava
ser um tiro certeiro. Assim, a possibilidade de expandir esse congelamento entra na pauta. De imediato, os investimentos em CDBs e fundos de renda fixa seriam congelados nos mesmos termos do overnight e algum tempo depois, o dinheiro guardado em contas correntes também sofreriam do mesmo destino. E assim o plano color Entra em sua reta final de desenvolvimento. E até aqui terrível por causa da inclusão das contas correntes, mas não geraria uma grande comoção social, pois a maior parte da população em 1990 não possuía conta corrente, visto que eles simplesmente não tinham acesso aos serviços bancários. Mas
como você já deve saber, as coisas não pararam por aqui. Faltando literalmente dias paraa posse de Fernando Color, entra na rodinha a possibilidade de Congelar as cadernetas de poupança. A equipe econômica racha por conta disso. Essa era uma questão para lá de polêmica. Durante todo o período eleitoral, rumores circularam sobre um possível congelamento perpetrado por qualquer um que vencesse a eleição. Color foi um dos candidatos que publicamente garantiu ao povo que o seu governo não iria congelar a poupança e tentou jogar essa batata quente no colo dos demais candidatos. Nunca antes na História do Brasil
houve esse tipo de intervenção nas cadernetas de poupança que para a vasta maioria da população era e até hoje continua sendo o único contato que essas pessoas têm com o sistema financeiro nacional. Desde a sua criação em 1861, a poupança é sagrada ou era depois de muita discussão com o fisco do dinheiro depositado nas cadernetas é incluído no plano, assim restando uma última questão a ser tratada. Qual seria o valor a ser Congelado? A intenção da equipe era de retirar da economia a maior quantidade possível de dinheiro, prejudicando o menor número de pessoas no processo.
Assim, pedem ao Banco Central que descubra qual seria o corte perfeito. E o número que o presidente da autarquia Ibrainheris chegou era de 50.000 cruzados novos, que em valores atualizados pela impressão seria de R$ 15.582,68. O confisco desse valor teoricamente Preservariam intocadas 90% das cadernetas de poupança no país. Mas o valor de corte ainda não era a questão fechada até algumas horas antes do anúncio do plano. Zélia tinha a palavra final e em sua mesa, os valores de 2050 e 70.000 cruzados novos foram aventados. A reunião de fechamento do plano acontecia no andar superior ao
local que estava sendo realizada a festa da posse na madrugada do dia 15 para o dia 16 de março. Zé anota em papel os três valores E desce pra festa. Ao retornar, bate o martelo nos 50.000 E o plano color é finalizado. Em um único pacote, teríamos o enxugamento da antiquada máquina pública, abertura do mercado, corte de privilégios e a esperança do fim da hiperinflação através do congelamento por 18 meses de todas as aplicações em overnight, fundos de renda fixa, CDBs, depósitos em contas correntes e cadernetas de poupança que superassem o valor de 50.000 cruzados
Novos. E como compensação pelo inconveniente, todos os brasileiros afetados com essa política iriam receber uma rentabilidade de 6% ao ano mais a taxa de inflação. A realidade foi um pouco mais cruel. Algumas horas após a apresentação do plano pelo presidente da República e convocada uma coletiva de imprensa do Ministério da Economia, onde Zélia Cardoso iria explicar em detalhes o plano e o confisco. Quem tinha ontem no depósito à vista de 50.000 Cruzados, pode ir ao banco segunda-feira e sacar, se quiser, 50.000 cruzeiros, né? Ou quem tinha isso no overnight. O que excede isso, a parte
excedente a esses 50.000, fica depositada no banco junto ao Banco Central, sob a titularidade da pessoa física ou pessoa jurídica em forma de cruzados novos e será convertida em cruzeiros. após 18 meses, eh, eh, após 18 meses ao par, não há nenhum confisco, não há nenhum Calote e simplesmente nós estamos eh dando à sociedade, aos aplicadores eh correção monetária, mais 6% sobre aplicações deles por 18 meses, a partir de qual mensalmente serão liberados os saldos acumulados Neste período, aproximadamente 80% da moeda brasileira saiu de circulação imediatamente. Da noite para o dia, milhões de brasileiros tiveram
seus investimentos e recursos Para o custeio de suas vidas congelados por 18 meses. A oposição declarou que faria de tudo para enterrar o plano color. A CUT afirmou que haveria desemprego, porém essas foram vozes minoritárias. Os economistas, políticos e a mídia apoiaram um projeto com muito entusiasmo para a surpresa do governo federal. No domingo, 18 de março, a Folha de São Paulo divulgou uma pesquisa do Datafolha em que 60% dos entrevistados acreditaram na queda da Inflação. 58% consideravam plano bom para o Brasil. Apesar disso, boa parte das pessoas não concordavam com o bloqueio das contas
correntes e cadernetas de poupança, mas ainda era o fim de semana. E ao raiar da segunda-feira, o caos toma conta do país. O comércio estava paralisado pelo novo congelamento de preços e porque não tinha mais dinheiro em circulação. A corrida aos bancos arrastou mais de 10% da população brasileira para as agências De todo o país, na esperança de secarem suas contas antes do confisco, que já tinha acontecido. E todos aqueles que tentaram sacar o limite de 50.000 e cruzeiros não conseguiram, uma vez que os bancos não tinham esse dinheiro em caixa para os 10 milhões
de desesperados que foram buscá-lo. E todas as tragédias familiares que você ouviu ao longo da sua vida aconteceram nos dias seguintes ao início do plano color. Do outro lado da luta de classes, o empresariado Nacional estava em polvorosa ao ver que 80% dos seus ativos haviam sido confiscados. Ameaças de desemprego em massa vieram de todos os cantos. Os primeiros atingidos foram os trabalhadores sem registro formal. A indústria automobilística deu férias coletivas para 1/3 de seus funcionários. Março fechou com queda de 5,8% na produção industrial. As empresas foram obrigadas a recorrer ao escambo para pagar os
seus funcionários. Na Bolsa, o drama era o mesmo. A BVRJ registrou zero negociações naquela segunda-feira. Nos primeiros três dias do plano Color, a Bovespa havia derretido mais de 55%. E para jogar ainda mais lenha nessa fogueira, rumores de um possível vazamento de informações a respeito do plano era divulgado pela imprensa. Um correntista do Banco de Crédito Nacional, dias antes do congelamento, tentou sacar mais de 300 milhões de Cruzados novos. O governador de Alagoas sacou 1,7 milhão, enquanto o empresário no Rio de Janeiro precisou de um carro forte para levar para casa os mais de 650
milhões de cruzados novos que havia sacado. E por mera coincidência, alguns dias depois da divulgação dessas notícias, a sede da Folha de São Paulo foi invadida por agentes da Polícia Federal que estavam investigando irregularidades na cobrança de anúncios Publicitários. Em 24 de março é publicado um editorial chamado A escalada fascista, onde o messianismo de Fernando Color é duramente criticado. A Folha afirma que a democracia brasileira não tolera aspirantes a Chelsea as conversões juvenis de Mussolini. Apesar de todo o caos gerado por esse plano para lá de radical, o sentimento ainda era de esperança pelo fim
da inflação. Mas toda essa esperança poderia desaparecer em alguns dias se o caminhão De MPs que o governo color havia despejado no Congresso Nacional fossem rejeitadas pelas casas, que nessa altura do campeonato não tinham nenhum tipo de lealdade ao novo presidente. Depois de mais de 15 dias de negociação e articulação com o novo regime, que se recusou a abrir mão de qualquer ponto essencial do plano color, as primeiras MPs começam a ser aprovadas no Congresso a partir do dia 3 de abril. A venda de mansões, a demissão de funcionários Públicos que fizessem corpo mole no
recolhimento de impostos e extinguiu o cheque ao portador que era amplamente utilizado na lavagem de dinheiro. Mas a primeira grande vitória do governo color no Congresso aconteceu no dia 5 de abril. dessa vez por meio do STF, derrubando a liminar impetrada pelo PDT contra a MP173, que blindava uma série de outras MPs de serem barradas por meio de liminares. A derrubada dessa liminar do PDT foi Claramente política, conforme o ministro Moreira Alves declarou pouco após o julgamento de que o interesse público do plano é notório. Ninguém nega que o país atravessa mais grave crise econômica.
Deixando bem claro que o STF julgaria a favor do executivo, sim, durante esses tempos de Brasil, esse caos sempre foi o normal, mas no dia 11 de abril que a medida mais polêmica seria votada, a MP168, que estabeleceria o Cruzeiro como moeda Corrente e que também executaria o bloqueio de contas correntes e cadernetas de poupança. Única justificativa oficial que o governo deu para a realização desta política foi a seguinte: "A reforma monetária tem o objetivo de recuperar o controle do Estado sobre a moeda nacional. A existência da correção monetária torna menos dolorosa a convivência com
a inflação, cria ilusão de neutralidade do processo Inflacionário e, por isso, enfraquece o desejo da sociedade de combater as causas reais da desvalorização da moeda. No Brasil, a adaptação do corpo social à prática de indexação chegou a absurdo econômico da criação da moeda indexada, que concentra atributos de liquidez e da atualização do seu valor em relação à moeda de curso legal. Nesse regime em que convivem as duas moedas, a política monetária do Estado torna-se inoperante, prisioneira da polarização das Preferências dos agentes na moeda indexada. As tentativas de controle da liquidez na moeda fraca em acelerada
desvalorização determinam a emissão de direitos na moeda protegida através do manejo das taxas de juros. Paradoxalmente, os esforços de contenção de liquidez culminam em sua expansão. Essa MP foi uma gigantesca vitória do governo. Não houveram alterações no texto, muito menos negociações com a oposição. E, por mais contraproducente Que possa parecer, todas as lideranças estavam de acordo com o plano. O papel do Congresso foi meramente aprovar as medidas do executivo, como o senador José Richaria definir. O Congresso está promovendo pequenas mudanças no pacote, mas não quer dar ao governo nenhum argumento de que lhe tirou os
instrumentos para acabar com a inflação. E esse foi precisamente o temor de boa parte os deputados e senadores, de serem vistos pela população como os Responsáveis pelo fracasso do governo no combate à inflação. Isso fez com que eles ignorassem alterações do projeto defendidas por algumas lideranças, como a do PMDB. Uma emenda havia sido protocolada pelo deputado Osmundo Rebolsas e ela aumentaria em 12 vezes o valor total de saque das contas correntes, fundos e cadernetas de poupança. Mas essa proposta foi rechaçada por 249 votos contra a 206 a favor, fazendo com que Ulisses Guimarães Protocolasse um
pedido de expulsão dos 42 parlamentares do PMDB que votaram junto com o governo, contrariando a orientação da liderança partidária. E um sinal de alerta toca no Congresso. Apesar dos resultados econômicos no mês de março com comércio, setor automotivo e construção civil em queda, a popularidade do presidente se mantinha alta, com 63% da população classificando o governo como ótimo ou bom e 71% apoiando o plano color. Isso botava Muita pressão no Congresso, tanta ao ponto de suprimir as diferenças partidárias em favor dos desejos do executivo. Como resposta, um bloco suprapartidário que é da direita até a
centroesquerda é formado pelos parlamentares do PFL, PL, PSDB e PMDB, que sob a liderança do senador Fernando Henrique Cardoso buscavam defender a independência do legislativo, temendo que Color estabelecesse uma espécie de bonapartismo tropical. E era justamente Isso que o presidente dava entendência os discursos, declarando após aprovação da MP168 que o Congresso cumpriu seu dever, colocando as duas casas em uma posição de mero homologador das ordens do executivo. Durante o governo Sarnei, o leilão de cargos para aprovação de políticas públicas, que tinha um impacto muito menor que o plano color era a ordem da casa. Enquanto
isso, o novo presidente conseguiu passar o seu Projeto para lá de polêmico, sem dar absolutamente nada em troca. Isso mostrava a força do governo, mas ao mesmo tempo tirava das mãos dos parlamentares qualquer responsabilidade sobre o sucesso ou fracasso do plano color que agora era todo do poder executivo. Todas essas ações faziam com que o povo acreditasse que color havia restaurado a autoridade do presidente da República. Tão dilapidada durante o governo Sarney, na imprensa circulavam Notícias sobre a cobrança que o presidente fazia a seus ministros por mais eficiência. Ele não distinguiu positores de apoiadores, tratando
a todos igualmente, como um bom estadista deveria fazer. A sua preocupação com a otimização do seu tempo era tanta que color optou por substituir o carro oficial pelo helicóptero para o deslocamento entre a casa da dinda e o Palácio do Planalto. Segundo ele, em 5 anos de governo, ele gastaria Aproximadamente 10000 horas dentro do carro, o que significava um desperdício de 50 dias inteiros. Enquanto isso, fazendo esse percurso de helicóptero, apenas quatro dias seriam perdidos, permitindo que o presidente trabalhasse mais. E após a conclusão de sua estafante jornada de trabalho, todos os dias participava da
missa na capela do palácio, sempre vestido de forma impecável. Mas a sua campanha de marketing pessoal não acabava por aqui. O presidente criou uma nova tradição em Brasília. Em todas as sextas-feiras, a descida rampa do Palácio do Planalto havia se tornado um evento político concorridíssimo. Dezenas de populares se reuniam aos arredores da rampa, aguardando a passagem do presidente e seus acompanhantes, que iam de políticos até personalidades da sociedade civil. Os fins de semana eram um show à parte. O presidente frequentemente era visto praticando algum esporte como futebol e Vôlei. Ele voou em um CA F5,
navegou em submarinos, pilotou jet skis, hovercrafts e motocicletas. E tudo isso foi realizado com ampla cobertura da mídia, que o auxiliou na tarefa de passar ao povo a imagem de um presidente jovem e corajoso. Nos domingos, na batizada pelo porta-voz da presidência de demonstrações públicas de vigor físico, color fazia sua corrida matinal partindo da casa da dinda, sempre utilizando uma camisa, com alguma frase Que passaria uma mensagem política, como o tempo é o senhor da razão. Não só de demonstrações de um presente de atleta vive o presidente Color, nos meses que se seguiram passa a
ser visto deixando Planalto sempre com um livro em mão, com a capa cuidadosamente posicionada para facilitar o registro fotográfico pela imprensa. Mas enquanto o presidente vivia sua vidinha de subcelebridade, a economia brasileira entrava em parafuso. O governo federal havia suspendido o Pagamento da dívida externa em julho de 89, fato que permitiu a acumulação de 8 bilhões de dólares nas reservas. Porém, este pagamento não poderia ficar suspenso indefinidamente. Algo precisava ser feito com urgência a respeito disso. No início de maio, a ministra Zé inicia o processo de descongelamento parcial dos preços que havia sido executado em
16 de março e também autoriza a importação de mais de 2.000 produtos, iniciando de fato o processo de abertura Comercial do país. A primeira privatização foi anunciada a US Minas e ela fazia parte de um lote estimado de 70 estatais que totalizavam aproximadamente 50 bilhões de dólares. Atente-se ao estimado porque o governo não fazia ideia de quantas estatais seriam privatizadas, assim como o governo não fazia ideia de como iria cumprir a promessa de demitir 360.000 1000 funcionários públicos, pois as demissões voluntárias não estavam Funcionando, assim como a manutenção da inflação baixa, que em abril já
viam sinais claros de que ela estava voltando a subir, assim como o desemprego e o apoio da população ao plano color despenca 17 pontos em apenas um mês. Apesar dos resultados econômicos não serem nada animadores e uma crise sendo gestada naquele momento, a relação entre o executivo e os demais poderes muito rapidamente ficaram cada vez piores. Fernando Color ainda estava testando Seus poderes, até onde ele poderia ir sem se preocupar com os interesses particulares do legislativo. E a primeira pedra em seu caminho apareceu em maio. A MP185 suspendiu o aumento salarial executado por tribunais regionais
do trabalho por 150 dias. Afinal, havia o risco de reajuste acima das metas estabelecidas pelo plano color e isso dificultava o processo de combate inflação. Pois bem, essa MP é despachada para o Congresso e por 152 votos a 130 Foi rejeitada. E então color aceita sua primeira derrota no parlamento e no mesmo dia redita MP185 com o número 190 e despacha pro Congresso votar novamente na expectativa de que os parlamentares votem corretamente desta vez. Como você já deve imaginar, essa ação não foi muito bem vista pelos deputados que consideraram uma afronta ao legislativo, além de
ser inconstitucional. O STF entra em cena. Afinal, essa postura do presidente teoricamente colocaria em Risco o sistema democ o sistema democrático brasileiro e derruba MP190 por sete votos a zero, encerrando a política de boa vizinhança que o judiciário tentou estabelecer com poder executivo. Mas as palhaçadas do presidente e sua equipe não pararam por aqui. Em 14 de abril, o Banco Central instituiu um imposto sobre operações financeiras, ação que não é da sua competência legal, revogando a resolução no dia seguinte, dois dias depois, um Decreto que diminuiu os salários dos funcionários públicos federais e emitido somente
para ser revogado pouco tempo depois. E no dia 16 de maio, uma portaria do Ministério da Economia permite a livre negociação de salários entre patrões empregados. E você já deve imaginar qual foi o destino dessa portaria. O governo estava carente de qualquer tipo de supervisão jurídica. Várias de suas ações eram literalmente inconstitucionais e que apenas causaram Mais atrito com os demais poderes, elite do funcionalismo público e oligarquias. e o responsável por dar embasamento legal ao governo, o ministro Bernardo Cabral, além de ser completamente incompetente, apesar de ter sido relator da Constituição de 88, o que
explica bastante coisa a respeito desse documento. simplesmente desapareceu de Brasília sem dar satisfações em um momento em que o governo estava profundamente fragilizado e foi Encontrado em Nova York acompanhando a ministra Zélia Cardoso, que estava na cidade para negociar com os credores externos o pagamento da dívida brasileira. Essa informação rapidamente divulgada pela mídia jogou ainda mais pressão nas costas do presidente que era constantemente questionado a respeito da demissão de seus ministros. Questões que respondia prontamente, garantido que permaneceriam em seus cargos até o fim de seu governo, que também estava Começando a ser posto em cheque.
Na semana anterior do dia 21 de maio, o candidato ao governo do estado do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, disse entrevista que cogitava a possibilidade de protocolar um pedido de impeachment contra Fernando Color, que posteriormente respondeu ao candidato dizendo que estou e estarei governando até o último dia para vocês. E ao raiar do centésimo dia do seu governo, o balanço da sua gestão era o seguinte: 14 Esportes diferentes foram praticados pelo presidente. Ele viajou 50.000 km para uma dezena de países diferentes e trajou nove uniformes distintos. E neste mesmo período, houve a redução do salário
mínimo real de $94 em março para 69 em maio. 41% da população consideravam plano color ruim e somente 36 consideravam seu governo bom. Apesar dos dados divulgados pelo estado, tanto a inflação quanto o desemprego estavam aumentando e a reessão estava chegando. A reforma administrativa estava indo de mal a pior dos 360.000 funcionários públicos que seriam chutados da máquina. Até metade de junho, somente 7.415 1415 foram cortados e desse total apenas 1381 foram de fato demitidos. Outros 35.667 que haviam sido afastados com suspensão do pagamento de seus salários após uma liminar do PT e PDT votada
pelo STF, passaram a receber os seus salários novamente, mesmo sem trabalhar. O ministro da saúde se posicionou contra a Demissão dos funcionários de seu ministério, enquanto no Ministério da Educação a demissão de 42.000 1000 servidores foi cancelada. No geral, os ministros fizeram de tudo para manter tocado o seu quadro de funcionários, forçando o governo a executar um arroxo salarial para tentar alcançar o objetivo de economizar 1.7 bilhão de dólares com folha de pagamentos. Mas se os problemas do governo estivessem apenas no âmbito público, tudo seria mais fácil. A outra Pedra no sapato do presidente era
o setor privado. O governo estava tentando chegar a um acordo com empresariado e sindicatos com o objetivo de estabelecer uma nova política salarial, estabelecer uma contenção dos preços e fomentar a ampliação do emprego. A CUT queria o fim das demissões dos servidores em troca do fim das greves, enquanto o empresariado não queria se comprometer sobre encerrar a remarcação dos preços. Sem acordo, o governo civil encurralado e color assina MP193 que iria restringir os aumentos salariais em apenas dois por ano e estava proibido o repasse deste aumento de custo no preço dos produtos. Caso contrário o
estabelecimento seria fechado. E governo liberal, hein? A oposição apontou que a CMP era inconstitucional. Os sindicatos diziam que essa política causaria um arrocho salarial e o empresariado criticou pesadamente a proibição dos repasses. Afinal, depois de quase uma década de Hiperinflação, os empresários se habituaram a indexar os preços à inflação passada e acrescentar a expectativa da inflação futura, que calhava em acelerar ainda mais o processo inflacionário. E toda vez que o governo fraquejava na sua batalha contra inflação, essa perspectiva era maior e o processo inflacionário se intensificava. Bola de Neve. Uma bola de neve de inflação.
E para colocar mais sal nessa ferida, no mesmo dia que MP193 foi Editada, o governo divulgou a sua nova política industrial e de comércio exterior, onde o processo de substituição de importações é finalmente enterrado e o projeto de abertura comercial do país é revelado ao público. Tarifas seriam reduzidas assim como a obrigatoriedade da utilização de maquinário industrial nacional. Burocracias que só existiam para manter as oligarquias protegidas da concorrência foram extintas e para Conter uma eventual explosão de importações, o câmbio flutuante serviria como contenção. Esse projeto havia sido estruturado para durar até 1994 para dar tempo
suficiente à indústria nacional se adaptar à concorrência internacional buscando aumento da produtividade, melhora na qualidade, melhora na qualidade dos seus produtos. Mas notícias boas não duram muito tempo. No final de junho de 1990, o primeiro escândalo de corrupção explode no Planalto. Com a aglutinação de três ministérios, minas, energias, transportes e comunicações sobre o guarda-chuva do Ministério da Infraestrutura, todos os problemas particulares de cada uma dessas instituições também foram acumuladas. E o problema estava no Ministério dos Transportes, que historicamente cumpre os interesses das grandes empreiteiras brasileiras. O secretário dos transportes, Marcelo Ribeiro, que Anteriormente havia sido
diretor da Tratex, uma das maiores empreteiras da época, foi uma escolha pessoal de Fernando Color para assumir este posto após ter seu nome indicado por Paulo César Farias. Você pode se perguntar qual o problema? O governo havia anunciado o programa SOS Rodovias, que tinha intenção de reformar 60% das estradas federais do país, mais de 15.000 km de rodovias. Um projeto que custaria mais de meio bilhão de dólares. Só que não haveria licitação. O governo iria distribuir os lotes para quem ele quisesse. Sem prestação de contas. A imprensa rapidamente pescou a armação, expondo o secretário dos
transportes, fazendo a ligação do seu passado aos interesses particulares das empreiteiras. O decreto foi cancelado apenas um dia depois do seu anúncio. O ministro da infraestrutura, o Ziris Silva, pediu a cabeça de Marcelo Ribeiro ao presidente da República, que optou Por esperar a poeira baixar e um mês depois o demitiu. Mas enquanto a mídia caçava mais casos de corrupção vindo de dentro do governo, a primeira greve explode. O movimento sindical paralisa a CSN. Três dias depois a greve acaba em mais de 1500 operários são demitidos. Porém, isso não assustou o movimento sindical. As razões para
eventuais paralisações eram muitas e só pioravam. O poder de compra dos salários estava despencando de forma assustadora. Os Reajustes realizados não eram suficientes para cobrir as perdas e a incapacidade do governo em resolver essa questão escalou para a greve geral dos portuários que negociaram com o governo por longos 11 dias o reajuste de seus salários e estabilidade nos empregos de 90 dias. Só por curiosidade, apenas o porto de Maceió não parou nesta greve geral. Mas por ironia do destino, no mesmo dia que a greve dos portuários termina, o PT articula uma greve geral No ABC
paulista após rumores de que a Ford iria demitir 100 funcionários, demandando do governo reajuste de 166% em seus salários, mesmo pedido realizado pelos petroleiros que deflagraram a paralização geral em todo o país após o anúncio de demissões pela Petrobras. Enquanto isso, funcionários do BNDS da Caixa Econômica Federal também cruzaram os braços em retaliação à ameaça do executivo em demitir 360.000 funcionários públicos. Em junho de 1990, Mais de 370 greves aconteceram por todo o país. Resposta ao crescimento da inflação e da taxa de desemprego que parecia não ter fim. Só na Grande São Paulo o desemprego
tinha chegado nos 12%. O mês de julho ocorre uma escalada nas greves. A CSN é paralisada novamente. Os trabalhadores tomam as fábricas, desligam os altos fornos e permanecem assim por um mês inteiro. Enquanto isso, no ABC Paulista, os trabalhadores da Ford interrompem as Atividades mais uma vez devido ao descumprimento do acordo firmado durante a greve de junho. Aproveitando dessa situação toda, o Partido dos Trabalhadores criou um governo paralelo ao melhor estilo dos gabinetes de oposição que existem no parlamento inglês. Lula apresentou 16 supostos ministros para servir de contraponto e fiscalização aos ministros de Fernando Color.
E para dar mais estofa ao RPG de política paga com dinheiro público. A Reunião desse governo paralelo estava marcada para o final do mês de julho. E essa era uma espetacular peça de publicidade. Como um autêntico engenheiro de obra pronta, o PT iria apontar os muitos fracassos do governo, mostrando ao público como seria o seu governo, que nunca foi. O caos havia tomado conta da nação. A inflação gestada por sucessivos governos incompetentes exigia medidas radicais para estancar esse problema. E em Paralelo, as reformas liberalizantes de Fernando Color batiam de frente com décadas de intervencionismo, uma
relação simbiótica entre o Estado brasileiro e as oligarquias construídas desde Getúlio Vargas, que mantinham a concorrência externa bem longe daqui, protegendo os interesses escusos e esqueminhas de enriquecimento de uma elite econômica à custas da miséria da população. Esse capitalismo de estado tupiniquim meio cepalino, meio varguista, estava Finalmente sendo confrontado. O problema era que tanto o presidente da República quanto a sua equipe não estavam à altura do desafio. Eles almejavam a substituição desta elite que remonta o século XIX. Eles queriam criar as condições para o desenvolvimento de um novo modelo para a acumulação do capital, rachando
com essa relação abjeta que já durava seis décadas entre o empresariado nacional e o Estado brasileiro. Porém, eles não faziam a Menor ideia do que estavam fazendo. A questão da dívida externa brasileira era o segundo maior pesadelo das equipes econômicas dos últimos governos. Desde o calote de 87, a nossa relação com os credores externos estava estremecida, fazendo com que fosse surpreendentemente muito difícil contrair novos empréstimos, afinal tínhamos uma dívida de 115 bilhões e um péssimo histórico de pagamentos. Em julho de 1990, uma missão do FMI vem até o Brasil para dar Prosseguimento à negociação. A
expectativa era de chegar a um acordo a respeito da dívida que o governo tinha com o fundo e conseguir um empréstimo de 1.4 bilhão de dólares. Porém, chegar ao entendimento com FMI resolveria apenas 1/3 da dívida externa brasileira. Mais de 63% da dívida era com bancos privados internacionais e eles são bem menos lenientes com a incompetência latrino-americana. Nessa altura de 1990 já estava atrasado um acumulado entre Juros e parcelas mais de 7 bilhões de dólares. Zélia Cardoso tentava acalmar o CityBank, prometendo que haveria um crescimento econômico sem emissão de títulos públicos para não gerar mais
inflação, que um projeto de livre comércio bilateral com a Argentina estava sendo desenhado e que o Brasil poderia fazer um pagamento simbólico dentro das capacidades do país e que o pagamento das dívidas estava atrelado à projeção de superavites de 0,5% do PIB. Lindo, lindo. O problema é que mais vezes do que eles gostam de admitir, as belas projeções matemáticas dos ortodoxos são de fato belas projeções matemáticas, porém a realidade tende a não seguir o plano. Faltando muito pouco para completar o primeiro semestre de governo, os resultados econômicos eram uma lástima. E pra coroa, o agro
estava mal das pernas. A produção de grãos despencou de 71,4 milhões de toneladas em 89 para 61,890. E era estimado que a safra de 91 seria de apenas 50 milhões de toneladas. O carro chefe da economia brasileira estava com o motor quase fundindo. A política agrícola do governo era patética e o plano color não estava ajudando nenhum pouco este setor. O Ministério da Agricultura entrou em cena regulando os estoques mínimos e tabelando preços, enquanto o Ministério da Economia agora controlava a compra e venda dos estoques, medidas que não eram Lá muito liberais. A inflação voltou
a atingir dois dígitos mensais e a expectativa de voltar para um dígito era inexistente. Sindicatos empresários se uniram jogando pela janela a luta de classes para criticar o governo e o Nísono. A única coisa que o governo conseguiu propor foi um congelamento de preços para evitar uma nova indexação em moeda estrangeira. Mas tanto a CUT quanto a Federação das Indústrias rechaçaram essa ideia. E para tornar Tudo ainda mais divertido, o governo não tinha conseguido formar uma base sólida no Congresso, nem ter transformado o PRN em um partido de verdade. O executivo se escandalizou ao descobrir
que não era nem de longe a prioridade número 72 dos parlamentares que estavam 100% focados no combate à inflação, sacanagem. Estavam focados nas eleições gerais de 90, que iria acontecer em 3 de outubro. O cenário era ridículo. O presidente da República não fez absolutamente nada Nessas eleições. Os protagonistas na disputa pelos cargos no legislativo executivos estaduais eram PMDB e o PFL. E Fernando Color não deu apoio a ninguém, nem ninguém buscou apoio, exceto Paulo Maluva em São Paulo. O presidente se isolou por vontade própria. O seu governo ainda tinha uma parcela de 34% da população
que considerava sua gestão ótima ou boa, enquanto 43 avaliavam como regular. Esses não eram números ruins. Ainda Restava ao governo muito capital político para negociar com os partidos, empresários e sindicatos. Mas a cada dia que passava ficava mais claro que tinha a intenção de governar sozinho. Parecia que ele não se importava com o jogo democrático. Sua vitória de 1989 foi extremamente atípica. Ele foi eleito sozinho. Ele conseguiu aprovar todas as medidas polêmicas de seu plano sem nenhuma negociação com o Congresso. Mas esses eram eventos excepcionais que só Aconteceram graças à caótica conjuntura político econômico de
cada momento em particular. Esta não era a norma. Color não era o déspota esclarecido do século XX, cujas suas vantagens deveriam ser cumpridas pelos demais sem qualquer objeção. Ele era só um presidente de uma república que tinha menos de 2 anos e já estava falida. As eleições de 1990 representaram a oportunidade de consolidar o seu poder. Afinal, a Câmara dos Deputados, 1/3 do Senado, governos Estaduais e assembleias legislativas estavam em jogo. Color poderia inflamar o povo como havia feito menos de um ano atrás. Só que dessa vez ele tinha máquina pública em suas mãos. Este
era o ticket para dar o início a um projeto de poder que durariam décadas ou mais. Porém, Fernando Color jogou essa chance no lixo e esse pode ter sido o seu maior erro. 75 MPs, 343 decretos, quatro viagens ao exterior, 17 Descidas pela rampa do Planalto e quatro coletivas de imprensa. Esse foi o balanço dos primeiros seis meses do governo color. As expectativas estavam bem longe de terem sido cumpridas, mas ainda restavam 4 anos e meio de mandato para atingir os objetivos traçados naquele fatídico 16 de março. O projeto da bomba nuclear brasileira foi encerrada
muito ao contragosto dos militares. Mais uma rodada de desregulamentações ocorreram com fim das Cotas de produção, importação e consumo de carvão e do trigo. Agora o brasileiro tinha autonomia para comer pão sem interferência estatal. Eh, mas o fato que marcou o início do segundo semestre do governo foi um momento digno de ser exposto nos casos de família e que causou um grande mal-estar dentro do governo. Na noite do dia 19 de setembro, durante a festa de aniversário da ministra Zélia Cardoso, no Clube das Nações, com a presença de Vários ministros, secretários, amigos da ministra e
jornalistas, Zélia e Bernardo Cabral supostamente dançaram de rostos colados o bolero beramimuto. No final da noite. rumores de que os principais ministros de Fernando Color tinham caso, já circulavam desde o início do governo. Bernardo Cabral era casado e vivia no apartamento funcional com a esposa, mas também ocupava outro apartamento funcional, só que esse era vizinho aoia Cardoso. Por semanas a fio, a mídia carniceira se empanturrou dessa história, gerando um desgaste desnecessário para um governo que já estava fragilizado. bota fragilizado nisso. Na semana seguinte, Zélia vai para os Estados Unidos para discutir com o secretário de
Estado norte-americano, que na ocasião também representava os interesses dos governos da Europa e do Japão. Todos eles exigiam o pagamento dos juros atrasados da dívida externa. O FMI também pressionava o Brasil para dar início aos pagamentos, nem que fossem dos juros atrasados. Nessa altura de 1990, o acumulado dos juros da dívida, somente com os bancos comerciais era de 18 bilhões de dólares. Ao mesmo tempo, Fernando Color também atuava para tirar o Brasil da lama durante a abertura da Assembleia Geral da ONU. Com o fim do programa nuclear brasileiro, o presidente exigia a retirada das sanções
econômicas impostas pelos americanos Sobre a compra de supercputadores pelo Brasil, que eram de extrema importância para o desenvolvimento tecnológico do país, que buscava se firmar nesse novo panorama geopolítico do Pós-Gerra Fria. Um projeto que era de fato muito ambicioso, especialmente para um país que não conseguia nem mesmo ter o controle da sua moeda. Com a guerra do Quit, o preço do barril do petróleo saltou de 25 para 38, afetando diretamente a inflação. E a Petrobras se Viu um beco sem saída, tendo que pagar 8 bilhões de dólares para suprir a demanda de petróleo nacional e
sem ter como pagar os seus fornecedores, muito menos a quem pedir empréstimos. Mas as coisas iriam ficar ainda piores. A eleição de 3 de outubro acontece. A primeira sob a Constituição de 88 e o presidente da República foi um mero espectador. O PRN não conquistou nenhum estado. A sua presença subiu de 5,7% para 7% na Câmara dos Deputados, onde houve renovação, Recorde de 63%. O PMDB dete a maior bancada seguido por PFL, PDT e PSDB. O grande vencedor dessas eleições foi o governador de São Paulo, Oreste Squercia, que neste momento havia se tornado a principal
liderança do PMDB no país e almejava a concorrer na eleição de 1994 ao cargo de presidente. Ele usou e abusou da máquina pública para aparelhar o estado de São Paulo, garantindo a vitória de seu sucessor. Ele foi o maior puxador de votos do PMDB Por todo o país, sendo apresentado em comícios como futuro presidente da República. Enquanto isso, o atual presidente assistia a tudo isso sem fazer absolutamente nada. Apenas aumentou ainda mais o seu autoinfringido isolamento político. Era a clara a preferência de Fernando Color pelo contato direto com o público do que com o trabalho
do dia a dia na política. E esta escolha iria cobrar um preço muito alto, tão alto quanto a dívida externa Brasileira. Em 10 de outubro, Zéia Cardoso se reúne com embaixadores do Japão, Estados Unidos, Alemanha, França, Inglaterra, Italia e Canadá, que eram os principais, mas longe de serem os únicos países que o Brasil estava devendo, para apresentar uma nova proposta de renegociação da dívida brasileira, onde ela seria convertida em títulos de curto, médio e longo prazos, com juros progressivos para alongar o perfil de pagamentos, dando um novo fôlego a Morimba, economia tupiniquim. E os 8
bilhões de juros acumulados atrasados desde 1990 não seriam pagos. Os credores receberam essa proposta com muito desprezo. Sendo assim, o ministério oferece uma nova proposta, seria pago 1.75 bilhão. Os credores pediram que pelo menos 1/3 dos juros fossem pagos em 90. O governo recusou. Resposta que os credores gostaram tanto que o fluxo de novos empréstimos foi interrompido. Em 12 de outubro, em outra reunião, em Outro país, entre o governo brasileiro e os banqueiros gringos, nenhum acordo foi firmado. Outra vez os representantes brasileiros fizeram a seguinte proposta: o Brasil iria pagar o valor que quisesse, dando
prioridade de pagamento aos credores que oferecessem um maior desconto em um leilão. Essa proposta ridícula foi recusada e logo em seguida a dívida brasileira em posse desses banqueiros foi vendida no mercado secundário por até 80% de desconto. E no Dia seguinte o governo color tem a sua primeira baixa. O ministro da justiça, Bernardo Cabral, é convidado pelo próprio presidente a se retirar. E não é para menos. O governo cometeu incontáveis escorregadas no tomate jurídico sob a sua gestão. E para coroar a incompetência, Bernardo jogou ainda mais problemas no colo do executivo ao manter um relacionamento
extraconjugal com a ministra da economia, justamente o momento em que o país passava por uma Crise econômica. assume o posto mais que experiente senador Jarbas Passarinho, que fora anteriormente ministro de três governos militares. Ele tinha tarefa ingrata de melhorar o relacionamento do executivo com os demais poderes e essa era justamente a sua especialidade. Apesar do seu passado com os militares, ele tinha um excelente tráfico no Congresso Nacional, mesmo sendo membro de um partido do central de pouca expressividade. Entretanto, ele chegou Tarde demais para tentar mudar a postura do presidente a respeito das eleições de 1990.
Seis dias depois dessa ótima notícia, o governo Color ganha de presente a sua primeira grande crise e o Brasil iria conhecer o nome que entraria para a história. O presidente da Petrobras, Luiz Octávio da Mota Veiga, pede as contas, mas dessa vez não foi uma baixa especulada pela imprensa por semanas. desafio. Ela veio repentidamente pegando todo mundo de Surpresa. Veiga deixa o cargo alegando estar sendo pressionado por Paulo César Farias a fornecer um empréstimo sem juros com carência de 10 anos no singelo valor de 40 milhões de dólares a VASP, empresa que era comandada por
seu amigo Wagner Canhedo. Entre os meses de setembro e outubro, PC Farias teria ligado a Veiga 17 vezes sem obter nenhuma resposta positiva. Nesse interim, ele foi até a sede da estatal, acompanhado de Canho, para discutir o Empréstimo. O que tornou essa história um verdadeiro escândalo foi a participação do palácio do Planalto. O secretário da presidência da República, Marcos Coimbra, entrou em contato com Mota Veiga, questionando o presidente da Petrobras a respeito do andamento do empréstimo, demonstrando enfaticamente o seu desapontamento com a teimosia de Veigem não liberar esse crédito a VASP, que estava no meio
do processo de privatização que seria concluído dali Uma semana. Color para tentar abafar essa crise, eu nomei o secretário geral do Ministério da Economia, Eduardo Teixeira, como novo presidente da Petrobras, que imediatamente criou uma comissão para avaliar a negociação que ocorreu entre a Petrobras, distribuidora SBR e o grupo Canhedo. E apenas quatro dias depois, o relatório estava em sua mesa. E de fato, os juros e o período da amortização eram ridículos, porém não havia nenhum crime ali. A VASP era a Sétima maior cliente da Petrobras e é uma prática comum no mercado. a uma distribuidora
conceder empréstimos a seus clientes. A própria VASP havia conseguido fechar um acordo de 15 milhões com a Shell 15 dias antes da conclusão do seu processo de privatização. Em termos completamente diferentes daqueles oferecidos a Petrobras por Canhedo e Farias. Mas um acordo foi fechado. Segundo o relatório da Estatal, o culpado da história foi Luís Octavio Mota Veiga, que não negociou os termos do empréstimo, tentando buscar condições satisfatórias a ambos os lados e optou por deixar o cargo convocar uma coletiva de imprensa, onde deixou subentendido que secretários do presidente Canhedo e Farias tinham alguma espécie de
esquema de enriquecimento ilícito, sem apresentar nenhuma prova. Mesmo com tudo esclarecido, esta era a segunda vez em apenas 4 meses que o nome PC Farias era Exposto na mídia, em algum caso suspeito. Era tudo muito esquisito, porque alguém tão próximo ao presidente, no ponto de tomar café da manhã toda segunda-feira na casa da dinda, do nada estava sendo ligado a negócios tão questionáveis que envolviam o palácio do Planalto. Bom, vida que segue, né? as coisas iriam ficar piores na rabeira desse escândalo da Petrobras, vários empresários vão até imprensa delatar as múltiplas tentativas de extorção Realizadas
por PC Farias desde a posse de Fernando Color. E tudo isso é exposto na matéria do Estadão de 21 de outubro de 1990. Essa situação fez com que a bancada do PSDB na Câmara cogitasse a possibilidade de instaurar uma CPI para investigar a relação de PC Farias com o governo. Mas isso não foi pra frente e o escândalo esfriou. Em uma tentativa de jogar a PADCical definitiva nesse assunto, em 29 de outubro ocorreu a sétima reunião ministerial, que mais uma Vez não passava de 3 horas de mera publicidade governamental, com objetivo de sinalizar virtudes. Quem
se colocar em desacordo com o nosso ideal terá de deixar o governo. Quem desto do conjunto será substituído. Essas mudanças são parte normal da vida pública. São também instrumento essencial na manutenção da unidade da equipe e na ação ética do governo. Assim, não permitirei, em hipótese alguma, que se coloque em risco o grande Projeto de reconstrução em que estamos todos empenhados. Não admito que isso aconteça para favorecer ou proteger pessoas ou grupos em particular. Meu governo não deve favores a quem quer que seja. Deve apenas ao país o resgate dos compromissos assumidos, tanto no que
diz respeito à execução do nosso programa, como no que se refere ao exemplo de lisura, abnegação e patriotismo, que temos a obrigação de dar ao Brasil e ao mundo. Os burocratas de Brasília não Caíram nesse papinho mole, mas a mídia e o povo aprovaram esse posicionamento do presidente, que nesta reunião tentou mais uma vez trazer o PSDB para o governo, ao sinalizar a sua clara preferência ao modelo parlamentarista, pauta defendida pelo PSDB desde a sua criação e que também era genuinamente defendida por Color, que antes mesmo de assumir o cargo já deixava claro a sua
intenção de ser o último presidente do período presidencialista brasileiro. Esses dias de panos quentes do fim de outubro, o discurso pela moralidade na política e o debate a respeito da clara superioridade do modelo parlamentarista de governo seriam o normal, teriam amplo espaço e destaque na mídia de um país de verdade. Mas aqui na selva saíram de cena muito rapidamente. Em 3 de novembro de 1990, a política provinciana de uma capitania pouco conhecida se torna manchete de todos os jornais. E não seria a última vez. Durante todo o período eleitoral de 1990, Fernando Color manteve uma
postura de um legítimo Orleans e Bragança de outrora. Optou por não se envolver diretamente na mesquinharia, que é a disputa política da ilha de Veracruz. Seria uma gigantesca lástima que o seu trabalho como um relis presidente fosse exatamente chafurdar na lama da política. Sua polidez imperial se estendeu às duas casas do poder legislativo federal e aos 26 Estados que compõem a União. E adivinha qual foi o único lugar que ele utilizou a máquina pública para fazer cumprir a sua vontade? Poderia ser São Paulo, o estado mais importante da federação ou quem sabe o Rio de
Janeiro ou Brasília, devido ao gigantesco poder que a elite do funcionalismo público que trabalham ali detém, ou até mesmo Minas Gerais ou Bahia, que são gigantescos currais eleitorais graças à sua gigantesca população. Mas não, a atenção do Presidente da República foi toda dedicada ao estado de Alagoas. É, em 3 de novembro, o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas anulou 70.000 votos de seis zonas eleitorais graças à suspeita de fraude e determinou que o segundo turno da disputa para o governo do estado seria adiantada e que novas eleições nesta zona seriam realizadas em janeiro de 91. O
então candidato de Fernando Color, o deputado Renan Calheiros, que era o líder do governo na Câmara, foi traído pelo presidente graças a pressão de sua esposa Rosane e PCIAS, que defendiam a candidatura de Geraldo Bulhões. Renan acusou Rosane de torrar os recursos da Legião Brasileira de Assistência na campanha dehões, distribuindo 320.000 cestas básicas por todo o estado, enquanto o PC Farias gastou mais de 30 milhões de dólares nessa brincadeira. Tudo isso com o aval do presidente da República. As principais vitórias do presidente Color no Congresso Nacional tem o protagonista certo, o fiel escudeiro Renan Calheiros,
fiel até ontem, porque o deputado pôs um ponto final na comunhão que tinha com o Brasil Novo. Hoje cedo, o Renan Calheiros explicou que a gota d'água para o rompimento foi o fato do presidente Color ter nomeado outro juiz para o TRE de Alagoas. Isso às vésperas do julgamento da eleição suplementar no estado. Eu deixo o governo porque o presidente Da República, lamentavelmente, silenciou diante da maior fraude de toda a história política brasileira, que foi a fraude acontecida na eleição de Alagoas. Renan Calheiros aponta como responsável pelas fraudes o amigo do presidente color, Paulo César
Farias. Em dezembro, esta preferência deixara de ser um rumor a partir do momento que Rosani vai até o estado fazer campanha aberta. Bulhões, inclusive dando uma entrevista em horário nobre para a TV Gazeta, que era comandada por Pedro Color de Melo, o irmão mais novo do presidente. Esta disputa paroquial patética incendiou o país, que estava fundado em uma recessão econômica, assistindo a tôn plano coloro absoluto. A inflação de outubro fora de 14,2%, o acumulado desde abril era de grotescos 97. O governo, por sua vez, tentava tirar o seu da reta, botando a culpa na guerra
do Golfo, que sim causou um aumento no preço do petróleo, mas nem de Longe era a principal responsável pela recessão. Essa desculpa esfarrapada só gerou um mal-estar desnecessário com a coalizão que estava esfregando a cara de Saddam Hussein no asfalto. Em novembro, a inflação chegou a 17,5% e com isso foi anunciado mais um tarifaço. 29% de aumento nos combustíveis, 23% na energia elétrica, 27 na passagem de ônibus e 20% no preço do pão. E toda essa sequência de desastres recentes que havia começado Com a renúncia de Mota Vega foi atenuada com a incompetência do presidente
em ser um presidente e buscar formar uma base sólida no Congresso. Isso fez com que seus poucos aliados passassem a cobrar e pressionar o executivo por cargos em troca de votos favoráveis, como fez o PFL. E esse leilão de cargos era algo que Fernando Color desprezava. Ele já tinha aceitado que o plano fracassou. O povo já tinha aceitado essa dura realidade. 41% consideravam os Resultados do projeto ruim e 68% acreditavam que a inflação iria subir. O presidente então passou a exigir resultados imediatos à sua equipe econômica, que nessa altura estava rachada entre os monetaristas que
bancavam a manutenção da política econômica e os kenesianos que quem liga? O presidente não se importava mais com nada. A única coisa que lhe almejava era a queda da inflação a qualquer custo. Afinal, essa foi a sua principal Proposta de campanha. Em mais uma tentativa de reverter esse cenário desastroso do Congresso Rebelde, economia e frangalhos e credores internacionais profundamente insatisfeitos, Color recorre novamente ao contato direto com o povo. Em 21 de novembro, o presidente faz um pronunciamento de 11 minutos, praticamente suplicando apoio ao povo brasileiro, dizendo que não se corrigem 30 anos de processo inflacionário
com Alguns meses de governo. mesmo com ele e sua equipe trabalhando de segunda a segunda muitas vezes 14 horas por dia nesta questão. O presidente atacou os empresários impatrióticos que seguiam aumentando os preços e de que precisava da ajuda do povo para vencer essa luta muito comovente em uma tentativa de comprar o apoio popular é firmado um acordo com empresários e sindicatos, o governo prometeu um abono de 12% sobre os salários de janeiro de 91, que tinha Um teto de até 10 salários mínimos e excluários públicos e aposentados. Enquanto isso, o Congresso batia na tecla
de um gatilho bimestral para corrigir a perda dos trabalhadores, proposta que foi debatida e aprovada, mas seria vetada pelo governo. Essa situação toda só foi mais um exemplo de várias que aconteceram nos primeiros 9 meses de governo do executivo tomando para si toda a responsabilidade, escanteando o Congresso e, por Consequência, levando toda a culpa pelo fracasso da medida Y, feita a toque de caixa para resolver um problema específico, mas que no fim causaram outros 30. Na última reunião ministerial do ano, em 21 de dezembro, o presidente tenta passar uma imagem de otimismo. A casa estava
arrumada e que depois de 9 meses de experiência, o país pode dar início aos preparativos para começar a prosperar. Mas a casa não estava arrumada. O país estava de fato dando os Primeiros passos para cometer um harakiri. O ano fecha com recessão de 4,3% e não dava para culpar fatores externos. Afinal, o crescimento do PIB mundial foi de 2,9, mesmo com o aumento generalizado do barril do petróleo e do bloco soviético colapsando. Mesmo assim, quase 3% de crescimento. A inflação acumulada foi de 1476,7%, a segunda maior da história do Brasil. A dívida externa aumentou 10%,
chegando a 123 bilhões de dólares. O desemprego Bateu 4,3%. Esses números são péssimos. O governo Color teve toda a complacência do mundo por parte do Congresso Nacional para aprovar suas medidas econômicas e mesmo assim as coisas pioraram. Em São Paulo, a região mais importante do país, o comércio teve uma queda média de 10% no último trimestre. O consumo de aço despencou 33%, a única coisa que se ouvia falar era desemprego, queda no consumo da produção. O ponto mais latente foi o fracasso no combate à Inflação. Sim, a híperinflação havia de fato terminado, mas 17,75% em
novembro não era um número para se orgulhar. O governo buscava o culpado desse desastre. O presidente do Banco Central acusava a Constituição de 88, pois ela era inflacionária, inchada e impedia a realização de qualquer reforma mais profunda. Color concordava com essa perspectiva, tanto que pediu alteração de vários artigos do documento que acabara de completar do anos de vigência E já era um estorvo. Apesar disso, o presidente se mantinha firme na posição de depositar todos os fracassos do seu plano na invasão do Kuwait. Entretanto, o real causador da inflação foi o confisco, ou melhor, a liberação
desse dinheiro ou, como chamado na época, as torneiras. Conforme apontou o economista Cloves de Faro, no final de 1990. Entre todas essas torneiras, a mais importante foi a permissão para o pagamento dos impostos estaduais e municipais com Cruzados bloqueados, conjugada com a transformação automática dessas receitas para os cruzeiros. As consequências foram primeiro propiciar a utilização de formas nem sempre legais de descongelar os ativos do setor privado, mediante pagamento antecipado e com descontos negociáveis e tributos e muitas, muitas vezes fiquícios. Segundo, estimular a irresponsabilidade fiscal dos estados e municípios que se prepararam para a eleição de
1990 com uma situação de Caixa extremamente folgada. O plano Color tinha deixado as maiores empresas do país sem capital de giro. Todas as reservas legais acima de 50.000 cruzados foram bloqueadas. Para os setores que dependem diretamente do governo, como as empreenteiras e outros grandes fornecedores, o quadro era duas vezes mais dramático, já que a nova equipe de economia tinha contingenciado todos os pagamentos que estavam revisando as dívidas. E é aqui que entra em jogo mais uma vez PC Farias. Porém, essa é uma história para ser contada em outra hora. O ponto é, o governo color
estava executando políticas que só teriam resultados no longo prazo. Isso se apresentasse em algum, porém a paciência da população estava chegando no fim, assim como o mandato de Zélia Cardoso. O fracassado plano color desenvolvido sob sua gestão e os rumores estavam circulando no Planalto sobre quem seria o seu Sucessor. Um cenário de incerteza estava sendo construído. Somente os rumores de novos congelamentos já faziam o brasileiro médio chorar em posição fetal. Não haviam sinais de recuperação em um futuro próximo. Estava bem claro que 1991 seria tão difícil quanto 1990 foi. Depois de apenas 8 meses e
meio de governo, todo o clima de esperança já havia se esvaído. [Música] 91 começa com o executivo atacando a Constituição Federal. Havia uma revisão marcada para ser realizada em 1993, mas o governo queria resolver essa questão em 91. Alegando que 93, por ser um ano pré-eleitoral, vários mecanismos populistas seriam mantidos no documento, que era inflacionista e atrapalhava o trabalho do presidente. Trabalho este que ninguém sabia exatamente o que era. Uma vez que o plano color fracassou, a questão era: Quais seriam os próximos passos do governo? acionamento. Quase Sustentando a narrativa que tratava a Guerra do
Golfo como a principal responsável pelas mazelas da nação. É anunciado o programa emergencial de contingenciamento e racionalização do uso de combustíveis que se traduz em economizar petróleo e uma das suas medidas foi a redução do tamanho do botijão de gás de 13 para 10 kg e limitar a compra do gás a um botijão por pessoa. Porém, isso não seria monitorado. Bastava que esse indivíduo Comprasse gás em lugares diferentes. O resultado dessa política foi o pânico nas massas, que com medo do racionamento começaram a comprar todo o botijão que vissem pela frente, causando desabastecimento. Esta política
deixou bem claro para todo mundo que ainda tinha alguma dúvida que o governo não fazia ideia do que estava fazendo. Outro óbvio indicador disso era o fato de que os estados estavam se dissolvendo bem debaixo do nariz da União, que não fazia absolutamente nada. Os estados estavam falidos e nessa época todos esses estados falidos possuíam bancos estaduais que pasmem também estavam falidos. E nesse mar de insolvência havia um gigantesco iceberg que se chamava Banespa, o terceiro maior banco brasileiro que estava rolando dívida do estado de São Paulo com uma taxa de juros de 30%. E
uma das principais funções de o Banco Central é manter a estabilidade do sistema Financeiro de seu país. E quando o terceiro maior banco desse sistema está à beira do colapso, é o seu dever intervir. E foi exatamente isso que aconteceu. Em setembro de 1990, a base monetária brasileira era de 1 trilhão de cruzeiros. 1 trilhão. Bom, com Bassem emitindo títulos para salvar todos esses bancos estaduais falidos, em especial Banespa. A base monetária do Brasil em janeiro de 1991 era de 4,13 Trilhões. Como medida de comparação anacrônica, a base monetária brasileira em janeiro de 2023 é
de R$ 413 bilhões deais. Uma moeda que vai completar 30 anos em 2024. O Cruzeiro não tinha nenhum ano. É, 29% da população considerava administração color ruim ou péssima, enquanto 22% achavam boa. Esta foi a primeira vez que isso aconteceu, enquanto 71% se viam prejudicados pelo plano color e 83% achavam que o desemprego iria aumentar. O cenário era péssimo e o governo estava perdido. Em 17 de janeiro, anunciado racionamento de combustível devido ao temor de uma possível escalada da Guerra do Golfo. Neste mesmo dia, o preço do barril do petróleo negociado em Nova York cai.
O governo estava se preparando para lançar o plano Color 2. Porém, por incrível que pareça, o governo não tinha certeza se teria a maioria no Congresso que iria tomar posse em fevereiro. E por Conta disso, o presidente convida alguns governadores eleitos que tinham um discurso oposicionista e possuem um controle de suas bancadas estaduais, como Leonel Brizola e Fleuri Filho, para tentar estabelecer algumas pontes para futuras negociações. Em 31 de janeiro é anunciado um novo plano e duas medidas provisórias são despachadas para o Congresso Nacional. Foi definido que primeiro de fevereiro aconteceria um feriado bancário para
as instituições se Adaptarem às novas medidas que eram muito similares iguais ao primeiro plano. Zel até mesmo reforçou que não existia essa história de plano color 1 e 2, era o mesmo plano e que essas medidas estavam sendo planejadas há meses e seriam implementadas depois do carnaval. Mas como a alta indiscriminada e abusiva dos preços foi tão grande que tivemos que antecipar. Pois bem, um novo congelamento de 150 produtos aconteceu Para o delírio da nação, que não esperava por isso de forma alguma, assim como um aumento de 59,5% da energia elétrica, 46% do álcool e
gasolina, 56,6% do telefone e 50% do gás de cozinha para deixar a vida do brasileiro ainda mais fácil e confortável. A inflação neste momento era de 20,21%. Tranquilão. Os salários foram convertidos de acordo com a média real dos últimos 12 meses e o governo, para Evitar eventuais processos trabalhistas, zerou as perdas até 1eo de março de 91. O imposto de renda sobre o ganho de capital foi fixado em 35%. O overnight foi extinto. Em seu lugar foi criado o fundo de aplicação financeira que foi extensivamente utilizado pelo governo para rolar a dívida federal e dos
estados. Afinal, os fundos eram obrigados a comprar 43% dos recursos captados. As dívidas contraídas antes do plano foram deflacionadas. A taxa Referencial de juros foi criada. Contratos com menos de um ano não poderiam ter cláusula de correção monetária. A poupança a partir de agora renderia 0,5% acima da taxa de juros. E para fechar com chave de ouro, o governo a partir de agora poderia quebrar o sigilo bancário sem autorização judicial. A desculpa era para combater a sua negação fiscal. Ainda bem que superamos este momento do Brasil em que leis estapafúdias eram criadas se Aproveitando de
momentos de crise. No geral, a população reagiu a este plano de forma apática. E não é para menos. Desde 1973 já eram 10 planos econômicos que seguiam praticamente a mesma fórmula de congelamento, reajuste, sempre para cima dos preços para logo em seguida o processo inflacionário retornar com ainda mais intensidade. 52% da população consideravam que o plano color 2 iria prejudicá-los, 42% não gostavam no congelamento e 65% afirmavam que a Inflação iria subir. A resposta ao plano color 2 não foi muito melhor no Congresso Nacional que diferente da última vez foi recebido com duras críticas da
base governista. Trata-se do quinto plano e terá o mesmo destino dos outros. A inflação deverá cair em março e abril, mas voltará depois, mais impetuosa numa economia mais desorganizada. O plano é mais uma ressurreição do dirigismo do que um hino à liberdade. É uma grave recaída no Intervencionismo. Um dos maiores pecados de juventude foi ter sido ministro do planejamento. Hoje acredito que os planos são exercícios encomendados por desinteressados a grupos despreparados para fins desnecessários. Vendo o clima horroroso, Color vai a TV mais uma vez buscar o apoio da população. Estou aqui para convocar a todos
vocês, todos os que têm responsabilidade com o futuro de nossa pátria, para essa mobilização cívica, fiscalizando os Preços, denunciando os abusos, economizando energia, comprando apenas o essencial. Não me deixem só. Eu preciso de vocês. Juntos, com a ajuda de Deus, que nunca nos faltou, vamos reconstruir este país. Comidos com este apelo desesperado de um presidente que sabia que já tinha esgotado todos os instrumentos de política econômica para tirar o Brasil do buraco, os credores estrangeiros despejam os papéis da dívida externa no Mercado secundário, fazendo seu preço de zabá. Em São Paulo, a prefeita Luía Erundina
do PT, que nessa altura do campeonato já tinha falido a cidade por três gerações, aumenta em 17% o preço da passagem de Ônius da maior metrópole do país, sendo que a passagem é um importantíssimo fator no cálculo da inflação. E desde março de 1990 já tinha subido 1566%. E o desemprego estava crescendo. Só em janeiro, a indústria paulista demitiu um Acumulado de 70.000 1 trabalhadores no parlamento. O cenário era ainda mais desolador. Esta nova composição não morria de amores pelo presidente da República. Na verdade, eles queriam a cabeça do chefe do executivo. O PMDB foi
o grande vencedor de 90, porém a liderança de Ulisses Guimarães estava muito enfraquecida, o que abriu as portas para o Oreste Squia. O maior partido do país estava aos poucos se tornando uma mera ferramenta política Nas mãos de um ex-governador. E por conta disso, o PMDB indica para a presidência do Senado Mauro Benevides, tirando de ser o maior aliado de color na casa. Mas o problema mesmo foi na Câmara dos Deputados com a posse de Ibsen Pinheiro. Desta vez havia grande resistência por parte dos congressistas em aprovar o novo plano. Zélia Cardoso e Brainis tentaram
chegar a um acordo com o legislativo, dizendo que o congelamento teria um fim ainda em Março. O presidente Color tenta novamente trazer o PSDB pro governo, mas havia uma gigantesca resistência do partido em assumir parte no desastre que estava acontecendo. sem apoio. A MP294 é rechaçada no plenário. O imposto sobre os mutuários do sistema financeiro também não foi aprovado. E a obrigatoriedade das empresas de previdência privada terem que adquirir os certificados de privatização também foi negado. Três derrotas e apenas uma Sessão. Estava desenhada como seria a relação do executivo com o novo legislativo. Apesar da
aprovação do plano color que era considerada por todo mundo um projeto ruim. Talvez seja exatamente por causa disso que foi aprovado. [Música] E um período de relativa paz se faz após isso. O governo conseguiu por apenas cinco votos barrar uma PEC que limitaria a edição de medidas provisórias a apenas Uma, sendo esta a principal ferramenta do governo Color. Esta manobra política significou a literal continuidade do seu governo. Houve o lançamento do programa de competitividade industrial, que tinha objetivo de fomentar a modernização da indústria, facilitando o acesso à importação de matériapra, máquinas e equipamentos. Além disso,
descongelou os preços de cimento e aço. Quanto a política externa, o governo conseguiu pagar 350 milhões de dólares dos juros Da dívida externa, o que foi um alento aos credores internacionais. Afinal, o pagamento estava suspenso desde 89 e se tratando dos ministérios, Zic pede demissão após concluir o seu projeto de reestruturação do futebol brasileiro, assim como Ipojuca Pontes para o deleite da classe artística. Mas a saída mais relevante foi de Oziri Silva, ministro da infraestrutura que sofria por dois lados, do gigantismo do seu ministério, que era na verdade três, tornando a sua Administração particularmente muito
difícil e por pressões de grupos suspeitos. Mas o principal objetivo do governo no ano de 91 era antecipar a revisão da Constituição de 88. Para isso, color coloca Jarbas Passarinho e Antônio Candir para rodar o país em busca de suporte, divulgando as propostas do governo federal para esta reforma. Foi redigido um livro de 140 páginas intitulado Brasil, um projeto de reconstrução nacional e que era de fato Uma profunda reforma de Estado que passava pela administração da máquina pública, o programa de desregulamentação e desestatização e definir exatamente qual era o papel do Estado neste novo Brasil.
Impõe-se ao estado duas grandes tarefas: o apoio à transformação da estrutura produtiva e a correção dos desequilíbrios sociais e regionais. A retomada do crescimento sustentado se dará a partir da transformação da Estrutura produtiva que contemplem o aumento sistemático da produtividade, melhoria permanente da qualidade de produtos e serviços e fornecimento à capacidade de inovação. Caberá o Estado criar as condições macroeconômicas e prover em trabalho conjugado com a iniciativa privada, a infraestrutura econômica, tecnológica e educacional necessárias à reestruturação competitivas das empresas. Para reverter a situação de grave desequilíbrio social E regional, é necessário, além de mecanismos alternativos
de financiamento à infraestrutura social, estabelecer por meio da coordenação das diversas esferas do governo, políticas sociais, regionais e de caráter compensatório. Assim, o Estado estará recuperando sua dimensão de promotor do bem-estar social. A realização dessas tarefas requer uma mudança significativa na natureza do Estado e nas suas formas de atuação. O que se propõe a um estado menor, mais Ágil e bem informado, com alta capacidade de articulação e flexibilidade para ajustar as suas políticas. A tarefa de modernização da economia terá na iniciativa privada o seu principal motor. Ao estado cabe, porém, um importante papel de articulador
dos agentes privados, com vistas a mobilizar esse conjunto de forças em direção aos objetivos de progresso e justiça social. Emocionante, eu diria. O Congresso Recebeu esse projeto com o mesmo ânimo de um aluno nas aulas de reciclagem do Detran. O PMDB e o PSDB aceitaram iniciar os debates. A oposição de imediato foi buscar onde estava a pegadinha nesta pilha de papel. Mas a realidade que todos sabiam, mas aparentemente o governo não, é que um projeto desta magnitude que tinha com ambição modificar toda a estrutura econômica, política e social do Brasil, só poderia ser cogitada por
um governo Que tivesse primeiro uma base sólida no Congresso Nacional. E isso era tudo que o governo color não tinha. Era um governo isolado, em crise e que até agora não havia apresentado nenhum resultado econômico que validasse a sua capacidade de desenvolver reformas de estado tão inovadoras quanto apresentado no projeto de reconstrução nacional. Nome pomposo rapidamente deixado de lado pelo apelido projetão. Ele almejava modificar, ou melhor, jogar no lixo toda A base do estado brasileiro que vinha sendo construído desde 1930. Este era um projeto muito ambicioso que batia de frente com décadas de um pensamento
retrógrado, porém hegemônico, que iria bater de volta para se salvar. Fernando Coller e sua equipe rapidamente percebem que esse projeto era muito além da capacidade de articulação do seu fragilizado governo. Para que houvesse a menor possibilidade dele ser aprovado, houve um gigantesco enxulamento, Deixando de fora emendas constitucionais e pontos polêmicos, resumindo tudo em apenas 11 pontos para serem negociados no Congresso. a equipe econômica que estava fortalecida após uma bem-sucedida negociação com os credores internacionais algumas semanas antes, onde dos 8 bilhões de dólares atrasados 1 bilhão seria pago imediatamente, o outro bilhão no final do ano
e os seis restantes parcelados em 10 anos. Apesar dos banqueiros gregos não terem gostado Da proposta, eles aceitaram. Essa equipe, depois de ter enxugado o projetão, batia na tecla de estabelecer um novo controle de preços. Afinal, os empresários mostraram no ano passado que não souberam se comportar bem com a liberdade total. O controle de preços vai acabar quando for preciso, já que a nossa meta é a economia de mercado. E o governo assume uma postura belicosa frente ao empresariado nacional para defender a queda da inflação que havia Despencado de 20% em fevereiro para 7,48 em
março, deixando bem claro as empresas que subissem os salários de que seus pedidos de reajustes de preço seriam cuidadosamente analisados. Essa posição somada a 1 milhão de desempregados somente na Grande São Paulo gerou greves por todo o ABC paulista interior do estado. Os trabalhadores demandaram reajuste salarial de 216%, que obviamente estava muito longe dos 89,75 Proposto pelas empresas. No fim do mês de abril, as três centrais sindicais do país convocaram uma greve geral marcada para o dia 22 de maio contra a política econômica do governo, que, como esperado, respondeu o Partido Praguerra, que também estava
sendo travada contra o STF, que liberou os cruzados novos bloqueados antes do prazo legal e contra o FMI, que recebeu a ministra Zélia com desdém e desprezou a proposta feita pelo Brasil para renegociar a dívida externa. O fundo exigiu que o governo brasileiro estabelecesse uma meta de inflação e Zélia Cardoso deixou bem claro que fixar uma meta de inflação é fácil, difícil é cumpri-la. Afinal, o governo havia chegado no limite. Não ram ferramentas viáveis para executar política fiscal e monetária. 51% da população considerava o governo color ruim ou péssimo. 67% se sentiram prejudicados pelo plano
color 2. A situação escalou para um nível de Ridículo nunca antes visto. A juizca de Brasília determinou a prisão do presidente do Bassen, alegando prevaricação por ele ter supostamente descumprido uma decisão judicial que liquidava uma corretora de valores insignificante. O presidente do Banco Central foi obrigado a se esconder no prédio da instituição por 6 horas para não ser preso pela Polícia Federal. Brasil, essa palhaçada só foi resolvida após a obtenção de abas corpos. Se fora Do governo as coisas estavam péssimas, dentro era a mesma coisa. Zélia bateu de frente com o secretário de desenvolvimento regional,
Egberto Batista, que havia priorizado os interesses comerciais do seu irmão na zona franca de Manaus. escanteando a política econômica do governo. Ele assinou uma portaria que concedia à sua secretaria a atribuição de emitir guias de importação para todas as empresas vinculadas à superintendência da zona Franca de Manaus. E esta foi a gota d'água para a ministra que pediu para sair e toda sua equipe foi junto. A batalha econômica foi perdida. A sua imagem estava para lá de desgastada com os empresários, sindicatos e com os credores internacionais. A sua queda foi comemorada por todas essas facções
e pela classe política. É, ao brigar com os credores internacionais, com os empresários, com os sindicatos, ao mesmo tempo que a Inflação ainda está descontrolada, Zélia colocou o Color numa arapuca. Imediatamente após o anúncio da queda de Zélia e posse de Marcílio Marques, o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, que tinha muito tráfego no meio financeiro de Nova York, os papéis da dívida pública brasileira tiveram uma alta. Zélia Cardoso, assim como o resto da população brasileira, não guarda boas memórias de sua passagem no governo. E mais de 20 anos depois, ela ainda sente O peso
de todos aqueles meses em Brasília, que ela teve um protagonismo nunca antes visto na história política do Brasil. Um ministro que rivalizava com o presidente da República a atenção da mídia, talvez seja pela condição crítica que se encontrava a economia brasileira e ela era o ponto de referência. Mas em sua visão não era só isso. Cada vez eu me pergunto se a obsessão da imprensa comigo ou o escarcel que Fizeram por pequenas coisas, como tirar duas semanas de férias no Natal e Reveillon, onde nada funciona do Brasil, as reações negativas ao plano e o fato
até hoje de que o confisco é ligado exclusivamente a mim não derivam do fato de eu ser mulher. É impressionante que em um grupo de, digamos, 10 economistas, uma mulher e nove homens com um presidente que endossou, assinou e aprovou o plano, quando se fala em confisco, se fala de Zélia. Não se fala Do presidente da República, nem do presidente do Banco Central, nem do secretário de política econômica. Apesar da reação positiva da sociedade civil, esta situação não era nem de longe algo que Fernando Color queria. Décadas depois, o ex-presidente ainda aguarda a mágoa da
queda de sua ministra da economia. foi um choque. O voluntarismo foi embora. Tinha absoluta confiança nela e ela levou toda a equipe. Me pagou desta forma todo o Apoio que eu dei. O governo começou a terminar ali naquele momento. [Música] Rei morto, rei posto, novo ministro, nova política econômica. O clima era de euforia. Apesar de Marcílio Marques não ter sido a primeira opção do presidente, nomes como Eduardo Teixeira, Mário Henrique Simons principalmente José Serra, passaram pela mesa de color, mas nenhuma dessas opções vingou e o cargo caiu no colo do embaixador. Liberal de Carteirinha diplomata
por profissão, ele descartou imediatamente qualquer tipo de choque, assim como o plano coloro. O tom beligerante de Zélia Cardoso, que era reproduzido pelo resto do governo, foi substituído pelo diálogo franco e calmo com os mais diversos grupos de interesse. A situação econômica do Brasil era para lá de crítica e os rumores de uma possível dolarização da economia, assim como correra na Argentina, tomaram de assalto os jornais E rapidamente o ministro declara que essa é uma ideia absurda. O dia 22 de maio chegou e com ela a tentativa da deflagração de mais uma greve geral. E
foi um fracasso absoluto. Nem mesmo os metalúrgicos de São Bernardo do Campo aderi na greve. Mas o presidente da CUT declarou que mais de 19 milhões de trabalhadores aderiram à greve geral. Essa foi uma pequena vitória para o governo color que carecia de qualquer tipo de vitória, mas não iria demorar Muito para que tudo voltasse ao normal. Em 26 de maio, divulgado os dados sobre o PIB e o Brasil havia se tornado a 11ª maior economia do planeta depois de ter sido ultrapassado pela Espanha. A recessão dos últimos 12 meses foi de 6,87%. O desemprego
havia atingido mais de 1 milhão de pessoas somente na grande São Paulo. O consumo de carne, feijão e arroz despencaram, assim como o salário real. Os saques aos supermercados se Tornaram comuns. O povo estava faminto, porém o governo não iria mais executar políticas imediatistas. Uma recuperação acelerada não seria bom para o projeto de estabilização neste momento. Será uma retomada gradual do fundo para a boca do poço. E parte desse processo de sair do buraco era privatizar em Minas, que foi uma obsessão do governo Color desde a sua posse. Em primeiro lugar, porque o Estado não
tem mais como aportar Recursos, dar recursos à minas para que ela continue sendo uma empresa competitiva. Se o estado não tem como destinar mais recursos para a US Minas, ela perde a sua eficiência. perdendo a sua eficiência, perde a sua competitividade. Perdendo a sua competitividade, ela perde mercado. Perdendo mercado, perde faturamento. Perdendo faturamento, ela entra no prejuízo. Entrando no prejuízo, ela fale. Ela falindo, leva todo mundo Ao desemprego. Foi finalmente definido um cronograma para o processo de privatização. Ele levaria 14 meses, seria executado em quatro etapas e o resultado final seriam 1,8 bilhão de dólares
na conta do governo federal. Porém, além dos habituais opositores a qualquer privatização, desta vez existiam vozes contrárias no próprio poder executivo, no caso a do vice-presidente. Itamar Franco, em várias ocasiões, declarou que A privatização da US Minas prejudicaria muito a economia de Minas Gerais, que era o seu curral eleitoral. Apesar desta pequena vitória, o governo ainda estava paralisado. O vácuo deixado pela saída de Zélia Cardoso e sua equipe ainda persistia. Marcílio não tinha trânsito no Congresso Nacional, ninguém sabia quem ele era. E as suas medidas gradualistas e ortodoxas frouxas não empolgaram ninguém. Ele estava tentando
acabar com a hiperinflação sem gerar Traumas, mas o que ele estava conseguindo era fazer absolutamente nada. E a cada dia que passava, este governo parecia mais com o governo Sarney. Muito tempo perdido em questões menores, pouca ação, até mesmo o voluntarismo tão apregoado nos primeiros meses da gestão foi abandonado. Aos poucos, o governo estava aceitando o status qu e se enfraquecendo por conta disso. A tão propagandeada meta de demitir 360.000 funcionários públicos Foi reduzida pela metade. O governo sabia que era impossível chutar esse bando de parasita. O máximo que dava para fazer era afastar e
seguir pagando os salários. Color voltou a paparicar os congressistas em busca do apoio que desprezou no ano anterior. Estava claro que o seu governo estava indo direto para uma crise institucional e em um momento de desespero, até mesmo foi tentada uma aproximação com a oposição, como com o PDT e o governador Leonel Brzola. A sua base no Congresso estava cada vez mais rebelde. Qualquer medida editada pelo executivo era respondida com infindáveis pedidos de cargos no governo. Até mesmo, os militares deram a sua opinião e o manifesto publicado em 2 de julho criticando a derrubada da
MP que iria reajustar os seus salários. O marasmo tomou conta do Planalto, os indicadores econômicos não davam sinal de melhora e o presidente vivia de pequenas e patéticas ações de marketing Pessoal e entrevistas coletivas, coisa que ele não fazia nos seus primeiros meses de governo. No tocante à dívida externa, a política de capacidade de pagamento que a ex-ministra Zélia Duras Penas sustentou foi jogada no lixo pela subserviência aos mandos do FMI. O país precisava de um empréstimo de 2 bilhões e o FMI exigiu que o Brasil cumprisse os compromissos propostos. Duas semanas depois, um pagamento
de 875 milhões de dólares sobre os juros foi efetuado. Mas Até essa postura frouxa teve as suas chacoalhadas. Quando o representante do FMI no Brasil declarou que qualquer acordo de longo prazo necessitaria de uma reforma constitucional, foi prontamente respondido pelo próprio presidente da República. CONTO. Espero que o FMI tenha sensibilidade para retirar do país esse serviçal que fez essas declarações. E isso acabou inflamando a população que foi até a porta do Palácio do Planalto Com cartazes antiimperialistas. O FMI encerrou a questão tirando funcionário do país. Porém, esta tentativa patética de invocar um nacionalismo terceiro mundista
não impressionou todo mundo. Não, já vi esse filme Termina mal. O Jelino Kubichek conseguiu transformar a bancar rota campeão numa vitória nacionalista, mas o truque durou pouco. Seio bem, porque o embaixador Moreira Sales teve de ir a Washington e eu à Europa logo no Início do governo Jan Quados para renegociar a dívida externa. O Brasil não tinha dinheiro para pagar nem o pão, nem a gasolina de cada dia. Nacionalismo não enche barriga e nem cria empregos. A inflação voltou a subir, a taxa de juros chegou a 392% e as estatais seguiam dando prejuízos homéricos que
somaram 5 bilhões de dólares, que representava 1,4% do PIB, e nada das privatizações das grandes estatais saírem do papel, assim Como o andamento da revisão constitucional, cuja necessidade de sua realização era um consenso, porém ninguém fez muito para adiantá-la. O presidente da Câmara dos Deputados até mesmo declarou que a Constituição de 88 era paternalista e detalhista. Para revisão constitucional, devemos levar um lápis e uma borracha, talvez até duas borrachas e um lápis. Era um documento patético, assim como o modelo de governo Escolhido. O parlamentarismo era uma das poucas pautas que uniam o Congresso Nacional e
o presidente da República. E o principal defensor deste modelo era justamente o PSDB, que tinha em seu programa partidário a defesa do parlamentarismo. Como quem não quer nada, tentou utilizar esse fato como uma forma de atrair o partido para o seu governo, dizendo que concordava com a mudança do regime, porém deveria ser implementado ao final do seu mandato e Obviamente não deu certo. E outra coisa que não deu certo foi o confisco, cujo prazo de devolução estava chegando. Mas o governo bizarramente antecipou o prazo para 15 de agosto. para alegria dos correntistas que perderam um
total de 30% do valor do seu dinheiro nesses meses, mas para o desespero das autoridades monetárias que temiam o aumento da inflação, afinal eram 6% do PIB que seria liberado quase que imediatamente. E dada a remuneração de 10%, enquanto a inflação de julho foi de 13,2, estava claro o sinal e incentivo ao consumo desenfreado. E para deixar o povo ainda mais contente, o novo plano de estabilização estava sendo desenvolvido. Era o color 3 e a ameaça do congelamento de preços estava de volta. Assim como o crescimento da inflação que atingira 15,2% causando atrito no Planalto,
Marcílio foi acusado de ser um mero gestor de inflação, um burocrata sem Criatividade alguma. O presidente desesperado, vendo a economia entrando em parafuso, sem conseguir apresentar nenhum resultado positivo, resolve novamente apelar pro marketing pessoal barato para tirar atenção do público de qualquer questão relevante. E por dias, o presidente do país que você mora deu entrevistas a vários jornais e fez questão de mostrar sempre que fosse possível a sua mão direita sem a aliança do casamento. A única coisa que se Debatia na época era o relacionamento de Rosane e Fernando Color. E toda essa novela ridícula
teve um fim e uma reconciliação pública do casal. Enquanto essa palhaçada acontecia, o governo sofreu um leve desmonte. O incompetente ministro da educação cai e foi substituído no cargo por José Goldenberg. Porém, quearelli não ficaria de fora da teta do governo. Ele foi nomeado para o ministério extraordinário do Mercosul, que literalmente interferia No trabalho do Itamarati, que nesta altura estava acertando os últimos detalhes para a formalização do bloco. A realidade é que o governo estava perdido, os ministros não sabiam o que estavam fazendo. Era mais do que necessário uma reforma completa dos ministérios para fazer
as coisas acontecerem. Que coisa você me pergunta? qualquer coisa, mas Color não fez isso. Em 22 de agosto, o projetão foi de comes e Bebes e o programa de saneamento Financeiro e ajuste fiscal, o Emendão, foi apresentado. E logo na introdução do documento, Marcílio deixa bem claro que caso a inflação ultrapasse os 20%, um novo choque iria acontecer. Mas essa posição, surpreendentemente firme do ministro, não durou muito. No dia seguinte, ele disse que não haveria choque algum e que ele estava doidão. A base governista no Congresso começou a defender a tese de que a única
solução para a crise seria a aprovação dessas Medidas. 44 emendas constitucionais de uma só vez. Quindto, fim da aposentadoria por tempo de serviço. A extinção do ensino público gratuito universitário e o fim do sigilo bancário. Medidas que quase não são impopulares e que, na melhor das hipóteses, seria votada no primeiro semestre de 92, que era ano de eleição municipal. O governo tentou empurrar junto com Emendão a rolagem da dívida dos estados, que era de 57 milhões de dólares, que obviamente foi rejeitada. O presidente vai mais uma vez pedir arrego paraa população em rede nacional e
por longos 7 minutos ele pede paciência ao povo e que o emendão era a salvação que estávamos procurando. Só que nem ele acreditava nisso. Mas o seu papel de presidente era de ser o animador de plateia geral da nação. E este papel ele cumpriu. Hoje eu vejo alguns já um pouco cansados. Poxa, um ano e meio e os resultados ainda não aconteceram. É claro, minha gente, porque milagre não se faz. Não se pode obter resultados de um dia pro outro. Agora, nós temos é que perseverar, temos que ter confiança, temos que continuar avançando, mesmo que
alguns instantes nos sintamos desestimulados. Ah, um belo discurso, mas 44 emendas, esse era um projeto fadado ao fracasso. Estava na cara que essa foi a forma que o executivo encontrou de fazer a revisão constitucional antes da hora. O governo não tinha força nenhuma no Congresso Nacional e nem mesmo o contato direto com o povo estava surgindo efeito graças à estagflação. O isolamento do executivo foi tão grande que José Sarnei tomou para si o papel de coordenador nacional para tirar o país do buraco. Isso mesmo, José Sarnei, um dos principais, alguns diriam o maior responsável pelo
Brasil Estar naquela situação, virou a voz da razão no parlamento. Para jogar mais lenha na fogueira, a produção de grãos foi a menor em 5 anos. E o ministro Marcílio declarou em Nova York para os credores internacionais que se as reformas do emendão não fossem aprovadas, o Brasil iria direto pro quarto mundo, se alinhando com os países da África. E ele disse isso literalmente dias antes da viagem oficial do presidente color no continente africano. Bem-vindos a setembro, mês em que o governo completaria 18 meses. E com isso o presidente resolve de uma vez por todas
romper com um auto isolamento político. recebe no Palácio no Planalto Tarso Geressat e o senador Fernando Henrique Cardoso e depois vai até o encontro das lideranças do PDT, PFL, PMDB, dando a impressão de que agora o presidente iria manter uma relação de diálogo, buscando finalmente uma aliança com o parlamento. Muito pouco, muito tarde, durante a sua viagem na África, o presidente resolve dar uma resposta aos críticos da chamada República de Alagoas, que foi o título da Veja de junho de 91, acusando-os de preconceito com o Nordeste, sendo que a República de Alagoas fazia referência ao
grupo mais próximo do presidente que incluía PC Farias. Mesmo com tantos rumores circulando pelo planalto, o governo estava relativamente blindado das acusações de corrupção, inclusive de Ataques da própria oposição, como o FHC, líder do PSDB no Senado, deixaria bem claro. Ouço muitos rumores de que os setores do governo são corruptos, mas ainda não vi ninguém ao Ministério Público com uma prova concreta. Também não vejo a existência de um sistema organizado de corrupção dentro do governo federal, como tem acontecido nos governos estaduais. Mas a verdade é que o rumor de tal magnitude junto com a Administração
federal que se o governo não demonstrar o contrário, a versão de que ele é corrupto vai virar uma marca e ficar para sempre. Mas sendo corrupto ou não, tanto faz, o governo tinha se tornado extremamente impopular. 41% da população considerava gestão ruim ou péssima. 57% não tinham nenhuma esperança de que a crise seria superada. E caso houvesse uma hipotética eleição presidencial ali em setembro de 91, Lula venceria com 43% contra 28 de Colar. Neste cenário nada favorável, o governo seguia negociando o emendão. O presidente se reuniu com Oreste Square e Antônio Carlos Magalhães deu várias
entrevistas onde desenhou um cenário apocalíptico caso as reformas não fossem aprovadas e que o presidente não iria recuar frente às tentativas de sabotagem de seu governo e do lugar mais inesperado ele recebe apoio. O governador Leonel Brizola afirmou que as oligarquias estavam trabalhando para Acabar com a legitimidade do mandato do presidente, articulando a implantação do parlamentarismo ou de um governo de união nacional e apontou para Ulisses Guimarães, Orestes Quer e Antônio Carlos Magalhães como possíveis conspiradores. Em 17 de setembro, Color assinou o dispositivo do artigo 89 da Constituição, convocando pela primeira vez na história o
Conselho da República. Tamamar Franco e Jarbas passariam representar o governo. Já do parlamento Estavam presentes os presidentes das duas casas, os líderes da maioria e minoria do Senado e da Câmara dos Deputados e para completar mais seis membros indicados pelo executivo. Essa reunião pomposa tinha como objetivo discutir o emendão, que estava se mostrando extremamente difícil de se negociar. O governo apresentou um quadro econômico catastrófico. O déficit operacional de 91 seria de 2,4% do PIB. Em 92, 2,6% não haveriam recursos nem Mesmo para pagar os salários do funcionalismo público. O presidente do Senado apontou que as
26 emendas já estavam em tramitação, enquanto Ibsen Pinheiro argumenta que o regimento da Câmara era um obstáculo para aprovação rápida do emendão. Era imprescindível um acordo entre as lideranças partidárias para acelerar o processo e o governo cede. reduziu de 44 para 22 emendas, que ainda era um número muito alto, porém focava em medidas fiscais, como o fim da Estabilidade do funcionalismo público para facilitar o desinchaço da máquina, a elevação da idade mínima de aposentadoria, 60 anos para homens, 55 anos para mulheres e a tão aguardada proibição da emissão de títulos da dívida pública por estados
e municípios, o principal causador da hiperinflação. 17 artigos da Constituição seriam modificados, porém a oposição não acreditava que essas medidas trariam o resultado. Nem mesmo a base governista Tinha muita convicção nisso. Afinal, até agora o governo não provou que tinha capacidade de tirar o país da crise. As reuniões ministeriais do presidente serviam apenas para inflar o ego de Fernando Color, que vomitava bravas populistas, atacando os banqueiros, empresários e sindicatos. Mas a dura realidade é que o governo, além de não saber como resolver os problemas, não mais conseguia definir quais eles eram para começo de conversa.
Em 24 de Setembro, o leilão da Uzi Minas foi suspenso depois que manifestantes invadiram o prédio da bolsa do Rio de Janeiro batendo e jogando ovos nos investidores e funcionários, enquanto liminares eram protocoladas para barrar o negócio. Mais de 60.000 1000 petroleiros estavam paralisados há quase 15 dias, colocando a maior companhia do país de joelhos. A taxa de juros era de 155% ao ano. O Cruzeiro foi desvalorizado em mais de 14% em relação Ao dólar e uma simples canetada. A crise cambial era iminente e os rumores da queda de toda a equipe econômica de um
novo choque, como foi feito nos planos Color 1 e do dominaram debate público brasileiro. A última boia salvaavidas desse governo foi desprezada pelo Congresso Nacional. O emendão foi rejeitado por decisão unânime dos líderes partidários, que consideravam um absurdo executivo tratar a Constituição como um mero programa de governo, um Papel descartável que poderia ser modificado a qualquer hora. O emendão foi considerado um projeto morto e sepultado. O governo color estava em frangalhos. Depois de longos e desastrosos 18 meses recheados de soberba, incompetência e infindáveis escândalos de corrupção vindos de todos os cantos do Planalto, a opção
nuclear passou a ser considerada. A possibilidade da abertura do primeiro processo de impeachment da história do Brasil havia se tornado uma realidade. [Música] Errei. começar de novo.