Se nós vamos falar do culto e da devoção à Virgem Maria, nós precisaríamos, porém, ter bem claro quais são os princípios básicos que regem geologicamente este culto e eu gostaria de colocar neste vídeo e no próximo os dois princípios fundamentais: o primeiro princípio é o princípio cristocêntrico e o outro é o fato de nós nos voltarmos para as virtudes da Virgem Maria. Vamos, então, em partes. A gente tem aqui o Tratado da Verdadeira Devoção, é um livro, nem todas as afirmações que estão aqui estão no mesmo nível e São Luís não é um autor sistemático no sentido de que ele apresenta as coisas num manual de escolástica.
No meio do emaranhado de coisas que ele diz que, claro, não são confusas, ele está aqui realmente fazendo um tratado de espiritualidade, mas no meio de tantas coisas existem princípios teológicos fundamentais que são as colunas mestras que colocam todo o edifício de pé. E o princípio fundamental que coloca Jesus Cristo no centro está dito de forma bastante clara e explícita no número 61 do Tratado, ele diz assim: "Jesus Cristo, Nosso Salvador, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem deve ser o fim último de todas as nossas devoções, de outro modo, elas seriam falsas e enganosas. Jesus Cristo é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim de todas as coisas.
", mais claro do que isso impossível, Jesus Cristo ´realmente este eixo fundamental e se nós nos aproximamos da Virgem Maria e se temos devoção a Ela é exatamente porque Ela nos leva a Jesus Cristo. Vejam, aqui ele diz de outra forma também bastante clara, no número 94 que "a honra que se presta a Maria não tem outro fim que honrar mais perfeitamente a Jesus Cristo". Então, nós queremos honrar mais Jesus, amar mais Jesus, como eu faço, quais são os meios, então, "Amo Jesus, Jesus é tudo para mim, Ele é a razão de ser da minha vida, como eu faço?
Já que eu olho para dentro do meu coração e o negócio não se move, não basta eu decretar, não basta eu chegar e dizer assim: "Ah, eu quero entregar minha vida a Jesus", esse negócio não vai pra frente no tapa, se nós queremos um fim eu preciso de meios, não adianta eu querer chegar na lua, mas não ter um foguete, não adianta eu querer amar Jesus e amar Jesus de todo meu coração, de toda a minha alma, com toda a minha força, com todo o meu entendimento, com todo o meu ser e ver que eu sou um campo de batalhar, ou seja, eu amo, mas sou tão apegado as coisas desse mundo, eu quero, mas eu não quero, eu vou, mas eu não vou. Esse campo de batalhas que está dentro de mim é a dificuldade principal, como vou me entregar a Jesus Cristo? São Luís diz que a forma que nós temos de fazer isso é a devoção à Virgem Maria, isso, repito, no número 94, "é honrar mais perfeitamente a Jesus Cristo, o que só se vai a Ela como ao caminho para atingir o termo que é Jesus Cristo", e por que São Luís apresenta Maria como um caminho, quando, na verdade, o Evangelho nos diz que Jesus é o caminho, a verdade e a vida, Maria não é um caminho, quer dizer, eu preciso de um caminho?
Que loucura é essa? Vejam, não é loucura, a primeira frase do Tratado que explica a razão de ser do Tratado como um todo nos diz com clareza: "Trata-se de uma escolha da liberdade de Deus", Deus escolheu isso, "foi por intermédio da Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo e é também por meio Dela que Ele deve reinar no mundo. Se eu quero que Jesus reine no mundo e no meu coração, eu devo escolher os meios que Ele escolher, que Deus escolher, então, veja, claro, o caminho é Jesus nós já vimos na aula passada que Ele é a ponte, mas esta ponte, esta escadaria entre o céu e a terra passa por uma porta e a porta é a Virgem Maria, por isso Deus não muda de ideia, Deus não fica baratinado feito uma biruta procurando o norte a todo momento, não, Deus decide, Ele poderia ter decidido de outra forma, Ele poderia ter escolhido outra maneira do Salvador vir ao mundo, Ele não quis outra maneira senão a Virgem Maria, por isso deu a Ela uma função fundamental na geração do Cristo.
Deus escolheu que o Cristo neste mundo seria gerado pela Virgem Maria, agora, isso São Luís diz com toda clareza, seria uma monstruosidade que uma mulher gerasse a cabeça e não gerasse os membros, ora, a salvação o que é? É nós sermos tão unidos a Jesus que nós sejamos membros do Seu Corpo, já o somos pelo batismo, mas não somos plenamente porque somos um reino dividido, somos esse campo de batalhas que eu estou falando para vocês e exatamente porque somos tão divididos, para que estejamos em perfeita comunhão com Jesus algo precisa ser gerado dentro de nós, é a nossa configuração a Jesus e quem vai gerar? É a graça de Deus que vai nos gerar, mas no útero de quem, no ventre de quem, no coração de quem nós seremos gerados?
É a Virgem Maria. E exatamente porque Deus decretou que Cristo seria gerado por Maria, Ele decretou também que os outros membros do Seu Corpo seriam gerados por Maria e é isso que Jesus fez aos pés da Cruz, não foi um gesto só "simbólico", foi algo constitutivo, Ele disse: "Mulher, eis aí o teu filho", as palavras de Jesus não explicam somente, elas constituem, elas fazem, quando Ele diz para um pedaço de pão: "Isto é o Meu Corpo", aquilo acontece, quando Ele diz para uma mulher, a mulher prevista, a mulher profetizada: "Eis aí o Teu Filho", aquilo acontece, ali algo místico, divino, sobrenatural está acontecendo, Maria recebe a missão que irá durar até o fim dos tempos de gerar o restante dos membros do Corpo do Seu Filho. Por isso, esse princípio fundamental da devoção à Virgem Maria: Jesus Cristo é o fim último de toda a devoção à Virgem Maria, por quê?
Porque Ela é o instrumento de Deus, um instrumento que Deus, na sua liberdade, poderia ter sido diferente, na sua liberdade, escolheu para gerar o Filho e, portanto, escolheu também para gerar os membros que somos nós. Deus abençoe você.