[Música] Olá Sou professora Raquel killes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul estou trabalhando com vocês a disciplina estudo de libras Nesta aula de hoje nós vamos trabalhar as culturas identidades e comunidades surdas então nosso objetivo é compreender Quais são as nuances as concepções as percepções de diferentes autores sobre estes três termos culturas identidades e comunidades surdas estamos na unidade 2 do módulo 1 que está denominado a pessoa surda e suas especificidades linguísticas e culturais eu começo trazendo a concepção de Cultura me baseio aqui em alguns autores o Jesser e Perez Gomes que nos
colocam que a cultura ultrapassa a ideia de regras ou padrões de comportamento então muitas pessoas quando a gente fala em cultura pensam que são as formas de se comportar na sociedade as formas de viver em sociedade as regras sociais e esses autores vão nos dizer não cultura é mais do que isso é uma especificidade humana que na verdade nos constitui da forma que somos e também nos transforma em várias dimensões da vida então quando a gente fala em cultura estamos falando de vários conhecimentos também envolve obviamente os padrões de comportamento mas ultrapassa isso porque a
cultura ela se transforma ela não é algo sólido que não se modifica inflexível Então nós vamos refletindo nós vamos vivendo coisas que nos fazem mudar de ideia nós vamos nos posicionando de diferentes formas dentro de um grupo social é claro que as nossas relações as nossas interações influenciam na nossa própria constituição inclusive identidade mas a cultura ela envolve todas essas especificidades dos grupos humanos e por isso ela se diferenciam por isso que nós vamos ter diferentes formas de compreender a vida e de viver a vida a depender do momento histórico do espaço geográfico da situação
econômica então há vários fatores que influenciam na Constituição cultural dos grupos humanos esses autores também falam que a cultura é a busca por significados nós sempre buscamos significar dar sentido As Nossas ações as nossas pensamentos as nossas reflexões e portanto a cultura reflete e determina a ação social e também ela vai ser permeada de significado simbólicos e nesse sentido requer interpretação reflexão processo contínuo e agora então nós vamos pensar discussão da cultura na Perspectiva da pessoa surda e aqui nós vamos ter diferentes posicionamentos teóricos ou seja os autores pensam esta discussão de diferentes formas não
há um consenso na literatura sobre inclusive o melhor termo será que deve ser cultura surda ou no plural culturas surdas e autores que discutem as expressões e marcas culturais e não utilizam nem cultura no singular e nem culturas no plural Então nós vamos conhecer essas diferentes posições sobre o assunto Cultura Surda foi um termo utilizado a partir da década de 1980 e remete Ao jeito particular Ao jeito singular vamos dizer assim do surdo ser e compreender a realidade Então os autores que defendem este termo inclusive usando no singular cultura surda e aqui eu trago para
vocês um desses autores na verdade é uma mulher Karen Strobel ela é uma surda uma pesquisadora uma referência inclusive no nosso país e a estrobel vai defender que Cultura Surda é o modo particular do sujeito surdo entender e modificar o mundo ajustando com as suas percepções visuais Então por que que esta autora e outros né que defendem essa tecnologia no singular o fazem dessa forma porque eles vão partir do principal marcador cultural das pessoas surdas que seria a língua de sinais e como a língua de sinais constitui o surdo como um sujeito visual esses autores
vão dizer que então existe uma cultura que é especificamente do surdo é singular só quem é surdo eu utiliza a língua de sinais é que desenvolveria uma cultura surda nós vamos ter outros autores que vão defender o termo no plural e aqui eu trago para vocês como um exemplo Play e lunar já são pesquisadoras ouvintes bastante sérias referências também no campo da Educação de surdos e elas vão dizer que as culturas por isso elas usam no plural ela se deslocam se fragilizam se hibridizam se misturam no contato com o outro e este outro indivíduo essa
outra pessoa da interação ela pode ser tanto surda quanto ao 20 então é para estas autoras o surdo se constitui com o surdo a partir das interações sociais que ele faz Independente de ser ou não com outro surdos então mesmo surdos ao se relacionar com ouvintes eles vão desta relação trazer marcas culturais que vão constituí-los também e elas Então vão dizer que não existe uma pureza cultural ou uma única forma de ser surdo ou seja dentro do próprio grupo de surdos nós vamos ter diferentes jeitos de lidar com a surdez Então essas autoras trazem outros
elementos para constituição das culturas surdas elas usam no plural Exatamente porque não dá para pensar o surdo como um sujeito que vai ser sempre igual da mesma forma apenas pelo fato absurdo ou de utilizar uma língua gestual e visual então elas vão dizer bom um surdo negro por exemplo vai ser diferente de um surdo indígena um surdo que vive na zona rural vai ser diferente de um surdo que vive na zona urbana então todas essas questões sociais de o gráficas vão mudar esta forma de ser e de se constituir do próprio surdo É claro que
as autoras defendem também a língua de sinais como um marcador cultural mas não o único e nesse sentido elas usam então o termo no plural a diferentes culturas surdas e não uma única forma de pensar a pessoa surda e nós vamos ter também autores e aqui eu trago abastos que vão defender uma outra tecnologia exatamente para fugir dessa ideia de que existe uma cultura ou culturas no plural surdas então autores que vão trazer outro termo experiências ou marcas culturais definidas como experiências significativas vividas pelos surdos que se vinculam ao seu repertório cultural então esses autores
já fogem dessa discussão do termo cultura no singular ou culturas no plural para exatamente se posicionar contra um essencialismo que permeia a discussão da Cultura Surda como algo exclusivo do SUS Então nós vamos ter pelo menos esses três posicionamentos acerca deste assunto Tá vou retomar aqui com vocês o termo no singular Cultura Surda o termo no plural culturas surdas e o termo experiências marcas culturais e nós temos autores como Santana que questionam o uso dessas terminologias que acreditam então que não existe uma cultura surda ou mesmo culturas no plural ou mesmo marcas culturais especificamente surdas
tá então nas palavras de Santana que eu trago uma citação literal a discussão da literatura em torno da Cultura Surda pressupõe diferença entre surdos e ouvintes e postula uma ideia de realidade homogênea entretanto essa diferença faz parte de um processo de cisão social que não é recente a cisão aqui é esta separação né entre surdos e ouvintes um processo que em vez de aproximar Os surdos dos ouvintes distanciamos já que enfatiza o que tem de diferente e não o que tem em comum então essa autora diz discutir Cultura Surda significa separar os grupos Então ela
acredita que se tem que pensar no termo cultura sem adjetivar para surdo ou para ouvinte a ideia então de que não existe uma cultura assim tão específica tão homogênea tão singular tão única Exatamente porque há diversos outros fatores que vão impactar na Constituição cultural do sujeitos Então nós vamos ter também autores que se posicionam Contra esse tipo de terminologia identidade nós vamos perceber inicialmente falando do conceito de uma forma mais Ampla que a identidade ela só pode ser constituída na relação de contraste com o outro Ou seja eu vou me identificando eu vou me percebendo
eu vou me denominando pensando sobre quem eu sou a partir das Diferenças que eu percebo nas relações que eu estabeleço com outras pessoas então por exemplo a gente diz bom eu gosto da cor azul e o outro diz eu não gosto de azul Eu Gosto de amarelo Então a gente vai percebendo que nós não somos iguais que nós temos gostos distintos que nós temos preferências Que Nós pensamos ora de forma convergente hora de forma divergente Então essas nossas relações sociais essas nossas interações é que vão constituindo a nós mesmos nós temos uma identidade que é
pessoal e nas interações Nós também vamos construindo identidades sociais identidades dentro de grupos ou seja quando a gente participa de um determinado grupo defende uma determinada ideia em comum então a gente vai construindo algumas identidades também coletivas mas a identidade ela não se constitui de forma isolada ela sempre precisa do outro para se colocar para se constituir então a identidade ela se desenvolve no âmbito social por meio da interação e não é algo inerente a pessoa ou seja nós Não nascemos com uma identidade já forjada formada ela vai sendo construída no decorrer da nossa vida
e nesse sentido ela também sofre modificações quando vamos para a discussão no campo da surdez nós temos o termo identidades surdas Então vão ter autores que definem esse termo como um jeito particular de ser do surdo aqui eu trago diz eu e por ali e também jesuele que são autoras que vão colocar essa discussão das identidades surdas como uma construção positiva do surdo sobre si mesmo então quando o surdo Ele aceita sua condição o fato de ser surdo principalmente se ele conviver com outro surdos e tiver precocemente o contato com a língua de sinais e
se desenvolver a partir da língua de sinais ele vai criando uma imagem positiva de si é isso que estas autoras Estão dizendo que é uma identidade surda Portanto vamos pensar um surdo que usa um aparelho auditivo que é oralizado este surdo para o grupo de surdos não teria essa identidade surda ele teria uma identidade mais próxima de um ouvinte apesar de também não ser ouvinte então autores que defendem a tecnologia identidades surdas E tem alguns que também usam o termo no singular né identidade surda vão dizer que esta identidade ela só pode ser construída com
a convivência do surdo com outro surdos e com a língua de sinais o surdo autêntico vamos dizer assim seria então esse surdo que tem essa identidade denominada surda e que aceita a sua condição aceita sua língua tem orgulho de ser surdo e nós temos muitos surdos hoje com esta posição de defesa da língua de sinais com este orgulho da sua condição Porque de fato não se sentem deficientes diferentes como uma pessoa que tem uma falha uma falta um déficit então o orgulho surdo se coloca nesse sentido as autoras aqui dizer o evaporar e jesué também
colocam que a identidade surda se relaciona com a cultura surda entendida como um processo de recreação de um espaço cultural visual Então os conceitos identidade sua e cultura surda eles se complementam eles se relacionam Porque a partir da identidade positiva de si a partir do momento em que o surdo tem uma identidade surda ele faz parte então de uma cultura também surda e essa Cultura Surda seria esta recriação do mundo do espaço na Perspectiva visual aqui eu trago uma citação literal de dizer o evaporale em que as autoras colocam para que o surdo possa reconhecer
sua identidade É importante que ele Estabeleça o contato com a comunidade surda que é um conceito que nós vamos trabalhar daqui a pouco e se identifique com a cultura os costumes a língua e principalmente a diferença de sua condição por intermédio das relações sociais o sujeito tem possibilidade de acepção e representação de si próprio do mundo e é capaz de definir suas características e seu comportamento diante dessas vivências sociais então aqui as autoras né defendendo o termo identidade surda Vão colocar que é primordial para Constituição do ser surdo que ele esteja imerso na comunidade surda
ou seja convivendo com outros surdos Compares Porque a partir disso que ele vai construindo esta imagem positiva a respeito de si mesmo voltamos então agora em Santana que da mesma forma em que esta altura discute sobre cultura surda ela também fala de identidade surda e coloca que não existe uma identidade única e exclusivamente surda porque porque para Santana a identidade é construída por papéis sociais diferentes e pela língua que constitui parte da subjetividade então para esta autora composição da identidade pelo surdo não está necessariamente relacionada a língua de sinais mas sim a presença de uma
língua que inclusive pode ser a língua oral ou seja não há relação direta entre uma língua específica e uma identidade específica então Santana vai nos dizer que a identidade de uma pessoa de um sujeito ela se constitui a partir de vários fatores a língua é um deles obviamente que a língua é importante nessa constituição porque nós precisamos da língua para fazer as nossas trocas interações sociais mas ela disse que não há uma relação direta entre uma língua específica e uma identidade específica então língua de sinais identidade surda autora diz que essa relação direta não existe
portanto Ela diz que não dá para pensar este termo identidade surda porque a identidade envolve Como eu disse diversos fatores Então se o surdo tem contato com ouvintes utiliza a língua oral é não se identifica com a língua de sinais não é por isso que ele deixa de ser surdo o termo nesse sentido e a gente percebe uma diferença teórica aqui uma diferença de discussão bastante grande em relação as autoras anteriores que eu apresentei que defendiam o termo identidade surda aqui nas palavras literais de Santana a identidade não pode ser vista como inerente as pessoas
mas como resultado de práticas discursivas e sociais em circunstâncias sócio-históricas particulares o modo como A surdez é Concebida socialmente também influencia na concepção da identidade o sujeito não pode ser visto dentro de um vácuo social ele afeta os discursos e as práticas produzidos e é por eles afetado então a gente percebe que nós não temos uma confluência de ideias sobre este assunto nós temos na verdade divergências a partir de diferentes posicionamentos teóricos os autores e todos os que eu trouxe aqui para vocês são da área da surdez são estudiosos inclusive da educação dos surdos eles
dizem de formas diferentes eles pensam de formas diferentes este assunto eu acho importante pontuar isso porque quando a gente entra numa discussão mais complexa mais exigente Teoricamente nós precisamos conhecer as diferentes formas de aproximação dos temas né dos assuntos então culturas identidades e comunidades que é o próximo assunto que nós vamos trabalhar nós vamos ter diferentes posicionamentos e é importante que vocês estudem e também passem a se posicionar sobre esses assuntos como você pensa a identidade a cultura para você existe uma identidade surda existe uma cultura surda ou não então por isso é importante a
gente conhecer as diferentes teorias a respeito deste assunto E vamos para a discussão da comunidade O que é comunidade primeiro Vamos pensar o termo uma perspectiva mais Ampla traços comuns que unem os indivíduos grupo que partilha de lutas e anseios comuns e se reúne em prol de objetivos coletivos então nós podemos pensar diversas possibilidades no nosso país por exemplo de comunidades é a reunião de pessoas para defesa discussão reflexão de um assunto de um tema em comum isto forma uma comunidade isso forma um grupo E aí nós temos alguns autores que vão trazer a discussão
novamente para o campo da surdez defendendo o termo comunidades surdas este termo então é definido como a reunião de surdos e ouvintes fluentes em língua de sinais como por exemplo intérprete só milhares amigos a questão para se pensar a comunidade surda é a língua de sinais é a questão central então associações de surdos são espaços em que a comunidade surda se reúne igrejas praças é a reunião dos surdos e as cidades elas possuem esses pontos de encontros também de ouvintes desde que esses ouvintes sejam fluentes em língua de sinais então nós trazemos aqui uma situação
literal de dizer o evaporado em que as autoras colocam que a comunidade surda pode ser representada por associações igrejas escolas clubes ou seja qualquer lugar onde um grupo de surdo se reúne e divulga sua cultura troca ideias e experiências e usa a língua de sinais então novamente eu enfatizo que a questão da língua de sinais é fundamental para a reflexão sobre este conceito das Comunidades surdas então é a reunião dos surdos percebam que aqui nós temos novamente a relação com o termo cultura então o lugar onde o surdo se reúnem e divulgam a sua cultura
eles trocam ideias as suas experiências a partir mediados né pela língua de sinais então nesses espaços a língua de sinais é Central espontânea e efetiva é a língua utilizada pelos surdos nessas reuniões Os surdos Vão todos se comunicar em língua de sinais os ouvintes que participam também vão utilizar a língua de sinais então é um espaço que eles se sentem livres em que ele se sentem reconhecidos em que eles se sentem potentes de organização de força Isso é o que a gente entende então como comunidades surdas então eu trago aqui para vocês um resumo de
como esses conceitos se relacionam então nós temos centralmente o surdo que utiliza a língua de sinais então um surdo que usa uma língua gestual visual esta língua a Constituição do surdo o seu desenvolvimento a sua forma de entender a realidade de se compreender de compreender o outro é fundamental para que a gente possa pensar nos outros termos então a língua de sinais é Central A partir da língua de sinais os surdos Então se constituem com uma identidade particular de forma que a surdez é vista de maneira positiva porque o surdo nesse caso não se compreende
como uma pessoa que tem uma deficiência e sim como uma pessoa que tem uma diferença linguística essa identidade mas autêntica surda produz no encontro com outros surdos as culturas surdas eu trago o termo no plural porque eu particularmente gosto mais da terminologia no plural então é esses surdos que se identificam como pessoas autenticamente surdas que gostam de ser surdos que utilizam a lua de sinais Eles produzem culturas também surdas E isso acontece no campo ou no espaço da comunidade surda então é desta forma que esses conceitos que esses termos se relacionam então para nossa reflexão
eu coloco aqui para vocês um pouco né de todo esse embate teórico talvez vocês possam ter ficado confusos e agora existe cultura surda ou não existe identidade surdo não existe comunidade surda ou não enfim quando vocês forem ler estudar qualquer coisa no campo da Educação de surdos no campo da linguística vocês vão visualizar esses termos eles estão presentes os próprios surdos Eu acho que isso é uma coisa muito importante de dizer como ouvintes a gente pode estudar criar nossa própria teoria mas é muito importante nós pensarmos como surdo se identifica com esses termos ele como
ele pensa como ele conceber e a grande maioria dos surdos que usa língua de sinais defende sim que existe uma cultura e uma identidade surda penso que os surdos precisam ser ouvidos eles como sujeitos da sua própria história como nativos da língua de sinais mas também a gente precisa estudar se aprofundar e se posicionar cada um de nós em relação a esses conceitos então eu trago aqui para vocês Uma Breve discussão para que a gente pense as relações ou de que forma esses três conceitos né Podem ser complementares podem se relacionar a língua de sinais
por ser uma língua constitui a pessoa surda de uma forma diferenciada Isso é fato o surdo Ele vai ter sim características particulares singulares como qualquer pessoa cada um de nós tem a sua forma de pensar de se constituir Nós não somos iguais nós somos diferentes e é claro que a língua de sinais Vai sim constituir a pessoa surda de uma forma diferenciada quando eu falo aqui diferenciada eu estou dizendo entre o próprio surdo eu não acredito que os surdos são iguais entre si simplesmente Porque partilham da mesma língua mas também uma diferença entre surdos e
ouvintes isso vai existir porque os ouvintes usam uma língua oral auditiva tem acesso as informações e a realidade de uma outra forma então é claro Na minha opinião a língua de sinais ela é assim Central para nós pensarmos a pessoa surda não apenas como uma forma de se comunicar como um meio de se expressar língua é muito mais do que isso é a língua que possibilita o desenvolvimento da pessoa e no caso do surdo é a língua de sinais que vai possibilitar um desenvolvimento efetivamente profundo das Fera simbólica o acesso a memória a generalização abstração
tem várias funções superiores psíquicas humanas que a gente só acessa a partir de uma língua o surdo faz isso a partir da língua de sinais Esse é um fato para mim e para nossa disciplina e reputado nesse sentido o surdo produz uma interpretação da realidade ele tem uma forma de pensar de se colocar e de conviver que também acabam sendo singulares acabam sendo únicas isto não significa que o surdo não terá trocas culturais com os ouvintes eu particularmente não acredito nisso quando a gente tem um surdo no Brasil dentro do nosso território vivendo na cidades
nas zonas Urbanas em qualquer lugar que ele tiver ele vai ter contato com ouvintes nós não temos Como o colocar os surdos enquanto uma comunidade fechada que só vai conviver com outros surdos Então essa troca com os ouvintes produz sim marcas culturais também nesses indivíduos Então para mim a cultura ela vai se constituir inclusive se a gente for pensar na própria tecnologia Cultura Surda ela vai se constituir a partir de todas as relações que o surdo estabelecer entre eles entre surdos e também com os ouvintes isto não quer dizer também que o surdo ouvinte não
possam ter relações harmoniosas respeitosas e valoradas positivamente nós ouvintes os ouvintes precisamos entender que o surdo tem o direito de ser quem ele é de usar a língua aqui para ele faz sentido a língua que o ajuda significar a realidade e a entender a si mesmo e o mundo e nós precisamos também nos movimentarmos para esses indivíduos com esta vontade né de aprender esta língua de respeitar de valorizar essa língua Por que que os surdos tem que aprender a língua oral e nós não aprendemos a língua de sinais só porque eles são grupo menor porque
é uma minoria linguística é a língua utilizada dentro do nosso país e mesmo com a regulamentação da língua brasileira de sinais com a lei 10.436 de 2002 isso não significa ainda que a Libras é uma língua oficial no Brasil porque se ela fosse oficial se ela fosse por exemplo a segunda língua do país Todos nós sabemos libras ela estaria no currículo das escolas como uma disciplina obrigatória Então nós não podemos dizer que a Libras é uma língua oficial da mesma forma que nós não dizemos que as várias línguas indígenas que nós temos no nosso país
são oficiais o Brasil ainda é um país monolíngue a nossa língua oficial é a língua portuguesa mas a lei 10.436 ela reconhece a língua de sinais como a língua das Comunidades surdas brasileiras e o que eu fico sempre pensando é é a nossa língua também esses sujeitos Os surdos fazem parte do nosso país vivem no nosso território nós nos encontramos em diversos lugares como que nós brasileiros não conseguimos nos comunicar com os surdos brasileiros Então esta questão das relações entre surdos e ouvintes elas não precisam mais ser de oposição historicamente elas foram e muitos momentos
os ouvintes tentaram normalizar Os surdos tentaram aproximar Os surdos do padrão que se constituiu socialmente do que era normal e do que era normal Nós não precisamos mas fazer isso hoje é preciso aceitar as diferenças nesse caso dos surdos as diferenças linguísticas que o sujeitos possuem Então não é preciso criar esses dois grupos surdos e ouvintes que não dialogam que não convivem que não se respeitam Então eu acho que nós precisamos avançar Nessas questões e ao conviver com surdos com ouvintes o surdo vai trocando marcas trocando experiências e constituindo também aspectos culturais então a questão
central é que precisamos compreender que para um surdo que não tem referência nenhuma do som a língua oral não é confortável espontânea e significativa e o sujeito qualquer sujeito precisa de uma língua efetivamente instituída para se desenvolver já coloquei isso para vocês não é apenas a língua que o constituirá mas com certeza a língua e no caso do surdos a língua de sinais é um traço cultural e identitário importante nesse processo então Em resumo eu penso que nós não podemos defender apenas a Constituição do surdo enquanto sujeito cultural a constituição identitária apenas pelo viés da
língua de sinais mas nós não podemos negar que a língua de sinais é um traço cultural e identitário e é um traço cultural identitário importante para a pessoa surda para que ela tenha a condição de se posicionar a condição de participar ativamente da sociedade de se relacionar a condição a partir da língua de se desenvolver como qualquer ser humano então nós precisamos compreender principalmente Aqui o lugar da língua de sinais no desenvolvimento da pessoa surda para Além do fato da comunicação da expressão a importância da língua de sinais para o desenvolvimento da pessoa surda e
o quanto essa língua é um diferencial na sua forma de compreender a realidade as interações a si mesmo e tudo isso é o que vai compondo uma identidade uma cultura muito particular muito singular cada um de nós temos os nossos traços identitários e culturais espero que vocês reflitam sobre isso se posicionem e possam aprofundar aí os estudos e os conhecimentos de vocês sobre esses assuntos tão importantes mas bastante complexos aqui eu trago as referências que foram utilizadas Nesta aula e nos encontramos em um próximo momento até mais [Música] [Aplausos] [Música]