novel novelo tá começando o rádio novela apresenta eu sou a Branca Viana em 2021 os pesquisadores estavam escavando perto de um lago no Kênia quando eles descobriram umas marcas no chão eram pegadas fossilizadas dezenas delas só isso já é bem interessante mas o que eles viram quando Eles olharam bem de perto é que essas pegadas não eram iguais umas às outras eram de bichos diferentes gente se dá para dizer assim de espécies diferentes eu tô falando assim porque essas pegadas foram feitas há mais ou menos 1 milhão e meio de anos quando a nossa espécie
de Gente O homo sapiens nem existia ainda algumas das pegadas eram de homo erectus que é um animal ancestral nosso e outras eram de parant tropos boisei se você nunca tinha ouvido falar desse daí estamos no mesmo barco mas esse é um tipo de hominídio ereto que só calhou de não ser um antepassado da gente os sedimentos pareciam indicar que as pegadas foram feitas num espaço de tempo muito curto uma diferença de dias talvez horas o que significa que esses bichos essa proto gente ou essa quase proto gente eles estavam dividindo não só a mesma
Era geológica mas os mesmos dias e o mesmo espaço a mesma orla de Lago os caminhos deles se cruzaram e alguma marca disso ficou no episódio dessa semana a gente tem mais histórias de Caminhos Cruzados de trajetórias que se encontraram pro bem ou pro mal no primeiro ato de hoje um encontro ent duas Artistas em condições bem desiguais daqui a pouco log depois do intervalo a flora Thomson Dev vai contar [Música] essa tem uma velha frase que diz assim que a trução de uma obra é como o verso de uma Tapeçaria verso de Avesso mesmo
a parte de trás Alguém disse isso em algum século remoto querendo ofender eu tenho quase certeza que eu nunca olhei o verso de uma Tapeçaria porque acontece de não ter Tapeçaria aqui em casa e no museu eles não costumam te deixar pegar mas o ponto é a frente da Tapeçaria é aquela imagem bordadinha bonitinha atrás ela tá cheia de nós e de pontos mais grossos a imagem tá ali mas tá diferente além de espelhada né você vê a imagem final mas você também vê todo o trabalho que deu para fazer aquela imagem por isso que
a frase é uma ofensa é como se a tradução fosse uma versão mais tosca um borrão da obra uma versão piorada eu que sou tradutora discordo disso obviamente Mas eu andei pensando em tapeçarias e Bordados nesses dias e Mais especificamente no avesso deles por culpa do dlan meu nome é Dylan blustin é mas no Brasil os meus amigos geralmente me chamam de Dylan eu não ando muito com gringos de forma geral mas quando algum gringo me visita no rio eu sempre convido ele pro mesmo lugar para um restaurante paraense aqui perto de casa e eu
obrigo a pessoa a tomar um suco amazônico de alguma fruta que ela ainda não conhece é sucesso garantido eu conheço o Dylan da faculdade ele tá fazendo doutorado em princeton onde eu fiz a graduação e foi no um desses encontros paraenses com Dylan tomando um suco de cupuaçu e eu um de bakuri que ele me contou o avesso de uma história que eu já conhecia ou pelo menos que eu achava que eu já conhecia bom ela era uma grande artista a Maden do rold era uma grande artista ela a maddalena foi uma mulher negra que
nasceu em Vitória da Conquista na Bahia na segunda década do século XX desde a infância ela produzia obras tirando um suco verde de umas Fas que ela encontrava e usava para pintar a arte sempre fez parte da vida dela seja pintando bordando tecendo enfim mas ela nunca viveu só disso ela produzia pinturas e Bordados enquanto ela trabalhava como cozinheira doméstica de pessoas da alta sociedade brasileira a Madalena trabalhou como empregada doméstica em São Paulo depois no rio e finalmente ela acabou trabalhando para a lota mercedo suares na região de Samambaia em Petrópolis a lota de
Macedo Soares é uma personagem pela qual já me interessei bastante ela foi de tudo um pouco Uma arquiteta e paisagista autodidata que foi uma das principais responsáveis pelo parque do Aterro do Flamengo no rio talvez você já tenha ouvido o episódio em que eu falo disso mas parece que quando a lota bateu o olho nas pinturas da Madalena ela enxergou alguma coisa eh ela relata numa entrevista que ela tinha um álbum de pinturas que a lota Marcedo Soares viu e se interessou muito pelas pinturas dela a lota comprou várias obras da Madalena fez propaganda das
obras dela amigos dela compraram parece que tem algumas delas que chegaram a ter at ter os Estados Unidos numa das cartas que Elizabeth Bishop escreve para os amigos nos Estados Unidos el ela cita as Produções da Madalena como melhores do que as obras de Portinari que tinha em casa uma carta da Elizabeth Bishop essa era a protagonista da história que eu achava que eu conhecia eu nunca conhecia a porque fique claro ela morreu décadas antes de eu nascer mas eu tenho um certo Fascino pela figura dela essa poeta brilhante que acabou passando uma boa parte
da vida no Brasil e tudo porque ela acabou se apaixonando aqui para uma mulher a lota as cartas da B durante os anos dela no Brasil são bonitas muito reveladoras de tudo que ela conseguia Ener aqui e deis que ela não consegi a bop morou vos anos nessaa da lotem Petrópolis região serr doio de Janeiro e nas cessa época bem memorável é a cozinheira ela s chama assim a cozinheira o Dylan leu para mim um trecho de uma carta de julho de [Música] 1952 vou ler aqui na tradução do Paulo Henrique es Brito enquanto Estávamos
viajando a cozinheira começou a pintar o que prova que a arte só floresce no ócio creio eu e revelou-se uma pintora primitiva maravilhosa de modo que daqui a mais algum tempo vamos estar vendendo os quadros e vamos todas ficar ricas Encontramos uma pintura grande que ela fez numa pedra um pássaro aproveitando um li grande como parte do corpo não comentamos muito com medo dela acabar pintando as paredes aqui mais um trecho da carta lot pediu a ela que por favor limpasse a lata de Lio ela é meio selvagem e muito suja embora excelente cozinheira e
10 minutos depois encontramos a lata pintada Então os violentos de vermelho rosa e preto a lota tem uns vasos que o Portinari fez para ela e somos obrigadas a reconhecer que os da cozinheira são muito [Música] melhores aqui outra carta de setembro de 52 as pinturas delas estão ficando cada vez melhores e a rivalidade entre nós é intensa se eu pinto em quadro ela pintou outro maior e melhor que o meu Se Eu Cozinho alguma coisa ela na mesma hora prepara o mesmo prato só que gastando todos os ovos acho que ela ainda não sabe
que eu escrevo poesia mas imagino que vai acabar [Música] descobrindo nas cartas a cozinheira é essa personagem engraçada pitoresca literalmente que a identifica de um jeito meio torto como outra artista sub O Mesmo Teto mas ela dura pouco ela diamente we had choose Art and Pois é em Dezembro de 1952 a bopa escreveu assim a cozinheira era maravilhosa mas a coisa Chegou a um ponto que a gente tinha que escolher entre a arte e a paz e concluímos que a tranquilidade valia mais do que desfrutar uma obra prima todo dia sai essa cozinheira e entra
outra são muitas cozinheiras que aparecem nas cartas algumas TM nome outras não isso nas cartas Claro óbvio que todas tinham um nome e o nome daquela cozinheira artista era Madalena Santos rebold ninguém passa indiferente em relação a um bordado da Madalena assim essa é Amanda eu sou Amanda Tavares eu sou historiadora da arte eu trabalho com curadoria e pesquisa para exposições e publicações de arte a Amanda viu obras da Madalena pela primeira vez numa exposição de 2022 no museu afro Brasil ela se interessou e foi pesquisar mais esbarrei com atuação da lélia Coelho Frota que
é uma museóloga antropóloga e né crítica de arte poeta que tem uma atuação incontornável nesse assunto também fun fact a lélia é mãe do João Emanuel Carneiro autor de várias novelas de sucesso tipo A favorita e Avenida Brasil Desculpa eu não sabia onde mais colocar essa informação Então vai aqui mesmo a lélia publicou um livro em 1978 chamado mito poética de nove artistas brasileiros que perfilavam Lena que a lélia inclusive entrevistou pouco antes dela morrer então eu encontrei a lélia e encontrei uma uma produção da lélia de 1978 nesse ano a lélia é convidada para
ser a pessoa responsável pela representação brasileira na Bienal de Veneza e ela expõe a Madalena então eu vejo esse catálogo e vejo que tem um trabalho da Madalena e me chama muita atenção de ver que aquela pessoa né aquela artista que eu tava vendo ali na exposição sobre a qual a gente não sabia absolutamente nada eu tinha procurado já coisas a respeito dela e não tinha encontrado quase nada que a primeira tudo parecia a primeira exposição de que ela tinha participado era uma exposição internacional da amplitude que tem uma Beal de Veneza pois é depois
que a Madalena saiu da casa da Lotta e da Bishop ela continuou trabalhando como cozinheira em outras casas de Petrópolis até o fim da vida e logo depois de morrer ela teve uma obra exposta pela primeira vez logo na Bienal de Veneza olhando a obra dela dá para entender que ela merecia mesmo tá lá o que primeiro me chamou a atenção eram as cores ela tem uns bordados E isso também nas pinturas que parecem vibrar tem uma uma pulsação vibrante muito grande que é como se ela tivesse usando a a linha como uma pincelada a
Amanda ficou tão intrigada com a arte da Madalena que Ela montou um projeto de pesquisa sobre ela para tentar entender quem Afinal era essa artista uma artista que tá sendo redescoberta agora entre 1978 e 2016 na minha lista aqui vejo seis Exposições mas 2020 para foram 15 Exposições ou seja nos útimos 5 anos está tendo um Boom de interesse na produção dela nos últimos 4 anos o número de publicações e disposições dela tipo quadriplica é eu vejo essa esse interesse renovado muito a partir desse momento né em que os museus e podemos também pensar na
literatura né nas grandes editoras estou querendo repensar a história da arte a história da literatura Antes desse momento desses últimos qu C anos a Madalena Santos Rolt era um nome entre vários outros uma categoria de arte que costuma ser menos valorizada Arte Popular ela pertence a um perfil de artistas sobre os quais pouco se sabe com raríssimas exceções porque não interessavam não se via a importância né não se atribuía a importância àquele processo de criação nas poucas referências que a gente vai encontrar o trabalho dela vai ser dito que isso é uma a Madalena era
como se fosse uma artista espontânea espontânea Ou seja que não pensava muito como se as obras só acontecessem ali é todo o contrário de uma artista como Elizabeth Bishop todo mundo admira os poemas da Bishop porque eles têm uma simplicidade aparente Mas quando você vai ver eles têm um Rigor imenso na escolha de palavras no ritmo já a simplicidade das obras da Madalena era vista como simplicidade eu conversei com muitas pessoas e uma delas foi uma pesquisadora uma colecionadora de textil e chamada Nina sargasso A Nina tem uma coleção de textil imensa e a Nina
me chamou atenção pro seguinte el falou Amanda você já viu O Verso do trabalho da Madalena E aí eu falei não e aí eu pedi para ver né falei vou tentar ver nesse meio período que eu tô fazendo a pesquisa no Masp o museu abre a primeira exposição individual dela que acontece né em 2022 e a primeira vez que a gente vê o maior número possível mapeado de trabalhos da Madalena que aquela época eram cerca de 60 mas hoje a gente já sabe que são 70 assim ou quase 80 trabalhos e aí quando você vira
o trabalho quando você vê o verso o verso tem uma organização Impecável então aquele ponto simples às vezes meio frouxo ou um em cima do outro que tava uma impressão pouco caótica pras pessoas aquilo era intencional ouvindo a Amanda e o Dylan fiquei com a impressão de que a Madalena que surgiu nos últimos anos tá sendo redescoberta não como espontânea mas como Cabeça pensante mesmo o dyan comentou comigo que o que se costumava dizer é que ela retratava As Memórias dela da infância na Bahia isso até um certo ponto É verdade tem algumas obras em
que ela parece misturar tempos em que parece que por um lado você vê uma cena da Bahia e por outro lado você vê as Montanhas da ah de Petrópolis mas tem outras imagens que Definitivamente não são documentais vemos uma fazenda em que aparece de de repente um camelo Pelo que eu sei não existem camelos e nen lugar do Brasil ou seja ela tá imaginando ou imaginando ou fazendo referência à Imperial comissão científica de exploração das províncias do Norte sobre a qual a gente já falou aqui também no apresenta lembra que levou camelos para Ceará no
século XIX no depoimento que ela deu para lélia Coelho Frota a Madalena foi desfiando histórias que ela tinha tecido em torno das obras dela ela vai contando paraa lélia histórias dos quadros dela então ela vai dizendo ahi aqui por exemplo era uma família que tinha herou herança e os irmãos se unem para matar um dos irmãos Para esse irmão ficar sem herança E aí ela começa a contar essas histórias que acontece depois ela conta uma outra história para uma outro quadro então ela vai contando a Madalena diz PR L assim essas são histórias do meu
miolo sabe eu tenho a cabeça cheia de planetas [Música] essa frase acabou dando nome a primeira amostra da Madalena no Masp em 2022 eu gosto muito desse nome porque eu acho que coloca no centro da exposição a capacidade de imaginação dela né e agora em fevereiro de 2025 esse mesmo nome ganhou uma tradução pro inglês o dy trabalhando como assistente curatorial no American fkart Museum em Nova York onde abri uma nova exposi Maden S lembra que a bish tinha falado que as obras da Madalena I acabar parando no 57 stre Manhattan bom Ela errou por
pouco Museu Fica uns oito quarteirões para cima mas até antes disso a Madalena já tinha obras expostas também no Moma Museu de Arte Moderna da cidade lembra que a bop tinha comparado as pinturas dela com as do portin quer dizer agora 70 anos mais tarde você pode fazer essa comparação também vê uma obra da Santos ralt numa sala de Museu e uma Portinari em outra com a diferença Claro de que o Portinari e a Bishop também foram artistas reconhecidos em vida se eu tô falando da Bishop é porque a história dela a história do encontro
entre elas é um bom gancho para entrar na história Madalena para mim é muito importante entender que a história da Madalena não terminou ali e nem começou ali a Madalena pintou E bordou literalmente bem antes e bem depois de aparecer como a cozinheira nas cartas da Bishop nas pesquisas que a manda e o dyan vem fazendo eles conseguiram achar Certidão de Óbito dela e corrigiram a data de falecimento ela morreu em 1976 eles entrevistaram pessoas que conheceram a Madalena em Petrópolis e estão atrás de mais documentos e mais depoimentos a biografia dela tá ficando mais
completa aos poucos e a obra também quando a exposição do MASP abriu em 2022 a gente tinha aí cerca de 60 trabalhos mapeados então né um ano ou do quase do anos depois a gente tem quase 20 trabalhos a mais maiados ainda tem muita peça faltando desse quebra-cabeça e uma delas talvez não a mais importante para os pesquisadores mas que doeu aqui para mim é a voz da Madalena ela deu um depoimento para Lélio Coelho Frota em 1975 pouco antes de morrer aquele do cabeça cheia de planetas mas o que a gente tem dele são
só fragmentos transcritos nem o texto inteiro nem as fitas sabe se lá onde foram parar mas para exposição em Nova York o museu chamou a poeta baiana Luana Reis para ler alguns desses fragmentos para pelo menos trazer algo da voz da madlena para para o espaço eu pintava no quintal em cima de uma mesa era de noite de dia a hora que eu dava vontade tive dois anos de Rio de Janeiro em 47 fui para São Paulo na Bahia sempre cozinhando mas sempre bordando pano a patroa arriscava toalha me dava para trabalhar eu mesma nunca
nada não eu faço é no pensamento mas me convinha sabe o emprego mas desse pensamento eu nunca deixei a lota disse que eu era artista e não foi só ela muitas patroa até de São Paulo me falou muito que eu era uma grande artista que eu não devia andar cozinhando e mandou tirar um diploma para me apresentar como uma grande artista que eu não era cozinheira mas uma grande [Música] artista essa reportagem foi produzida pela Flora Thomson Dev Tem vários tipos de encontros vários jeitos que caminhos podem se cruzar essa variação tá até na gramática
tem aquela história de ao encontro de e de de encontro a você lembra a diferença o encontro da Madalena Santos reimold com a Elizabeth Bishop foi meio de encontro ar mas na segunda história de hoje a gente tem uma pessoa indo ao encontro da outra mesmo com atraso Centenário quem vai contar essa daqui a pouquinho é a Jessica Almeida só um minutinho que a gente já volta [Música] nem sempre a gente sabe o poder que as histórias que a gente ouve vão ter sobre nós quando a Bibi era criança ela ficou meio viciada numa série
de TV chamada Bon onde tinha uma mulher chamada bron que era antropóloga E arqueóloga e essa personagem na série ganhava o apelido de B que é ossos em inglês só de olhar ossos de um cadáver elaia desvendar vários mistos do trabalho dela era investigar mortes violentas e quando eu via ela conversando com os mortos e contando as histórias daquelas pessoas eu queria fazer o que ela fazia a Bibi não queria investigar crimes exatamente eu conhecia a série com sete mais ou menos comos meus 10 11 anos eu conheci a primeira arqueóloga da vida real assim
que foi a professora lilan panchu Ela é Amiga quando a Bibi conheceu a Liliam ela entendeu que o que ela queria era investigar ossos muito mais antigos e esse encontro delas não aconteceu numa dessas feiras de profissões nem nada assim foi num lugar onde mais cedo ou mais tarde todo mundo Criança adulto todo mundo sempre dá uma passada num salão de cabeleireiro e várias vezes a Bibi estava por lá ela era muito curiosa como continua sendo muito perguntadeira e eu também né naquele momento uma jovem estudante de arqueologia de ciênci sociais na verdade mas já
trabalhando com pesquisa em arqueologia gostava de contar né O que que a gente tinha feito como que estavam as pesquisas Essa é a lam meu nome é Liliam panu mas todo mundo me chama de Lili é então eu acho que Lili passou a ser de alguma forma meu nome e a Lili ela tem uma coisa que ela é muito muito didática e muito uma pessoa muito boa com crianças Então ela contar as histórias sempre fez com que eu ficasse ainda mais admirada a Lili hoje é professora do departamento de e Aria da UFMG mas ali
pelo fim dos anos 2000 quando as duas se conheceram eu era jovem tava recém formada e das histórias que ela já tinha vivido até ali teve uma que ela escolheu contar PR Bibi em detales Ah porque foi muito impactante para toda a equipe que tava lá então é a pessoa que me contou de Nimo muito antes de conhe n porque ela participou da escavação uma escavação que aconteceu em 2004 num antigo território indígena que hoje é o sítio arqueológico da Lapa do Caboco em Diamantina Minas Gerais quem conduziu o trabalho foi o arqueólogo Andre Nardes
que também é professor da UFMG e um dos achados dessa escavação foram os ossos de uma criança que estavam colocados dentro de uma casca de árvore mais tarde essa criança ia ganhar o nome de Nimo mas a gente chega lá o que chamou a atenção da Bibi Quando Ela ouviu essa história foi a cor dos Ossos mortalha tanto a casca quanto os ossos inclusive o próprio sedimento que tá nessa entrecasca ela ganha um tom avermelhado por pintura como é o caso dos ossos que os ossos né em geral eles não são dessa cor então eu
lembro dela perguntar pro vermelho Mas por que que é vermelho vocês sabem porque que é vermelho mas tudo tá de vermelho todo mundo tá de vermelho eu lá tipo né não sei Bibi não mas vocês não sabem né Incomodada com essa tipo cientista é esse não sabe nada e ela falava Ah quando você for fazer faculdade você vai poder trabalhar com essa criança acho que isso né V os Olin brilhando da outra pessoa você tem vontade de falar vem também s n e a Bibi que já estava totalmente conquistada pela arqueologia foi é s só
falar tá eu sou Bibi atam mulher indígena do povo borun cren de Minas Gerais primeira indígena Bio arqueóloga do Brasil a Bibi começou a formação dela em arqueologia em 2017 na univ ade Federal de Pelotas ela nunca esqueceu do que a lilan disse para ela que um dia ela ia estudar a história daquela criança indígena só que não dava para ela fazer isso durante a graduação porque esse sepultamento faz parte do acervo da Universidade Federal de Minas Gerais e a Bibi tava no Rio Grande do Sul né ela sabia que esse estudo ia ter que
ficar para depois pro mestrado talvez só que aí no meio do caminho em 2020 Museu de História Natural da UFMG pegou fogo e é lá que fica Arqueológico da Universidade Você lembra do do momento que você recebeu a notícia assim que que você pensou na hora Nossa eu chorei muito o incêndio atingiu a reserva técnica Onde ficam os itens da coleção do museu que não estão em exposição as fotos do prédio depois do fogo ser contidos são bem impressionantes o fogo começou pelo telhado que praticamente desapareceu aí ele se espalhou e atingiu os fósseis humanos
que estavam guardados a Bibi chorou por tudo que podia ter sido perdida Claro mas principalmente por causa daquela criança mas eu não sabia se ela tinha sobrevivido ou não era uma incógnita mesmo no escuro no ano seguinte a Bibi resolveu aplicar pro mestrado na UFMG na esperança de poder pesquisar a criança escrevi o projeto para trabalhar com ela sem saber se ia dar certo foi só as vésperas de enviar o projeto que ela conseguiu a informação aquele sepultamento ficava numa exposição Permanente no museu separada do resto do acero arqueol e a área da exposição não
foi atingida pelo fogo e aí ela tá do mesmo jeito em que o Andre Professor Andre tirou ela da Terra em 2004 então tem 20 anos que ela tá desse jeito sim pode descrever o que a gente tá vendo Então a gente tá vendo uma caixa plástica onde dentro da caixa plástica a gente tem papel bolha né plástico bolha e uma extremidade a gente tem eh palha de árvore e na outra extremidade a gente tem um couro de um animal ainda não identificado os ossos da criança Eles não estão em posição anatômica então estão dispersos
Eles foram colocados dentro de uma casca de árvore uma árvore chamada de pau santo que é uma árvore característica do serrado que é a região de Diamantina aonde Nimo Foi retirada os ossos dela estão pintados de vermelho por cima a gente consegue visualizar as costelas os ossos longos calota craniana áula e é isso eu consigo visualizar algumas falanges mandíbula mas como se trata de o que a gente chama na bio arqueologia de cput momento secundário os ossos estão dispersos ela entrou em decomposição primeiro e depois ela foi colocada dentro dessa casca de árvore somente com
seus ossos que foram cuidados e pigmentados de vermelho para serem colocados na casca de árvore junto com o couro do animal e junto com a palha até a Bibi começar a pesquisa dela tudo que se sabia sobre o sepultamento era que ele datava de um período entre 1300 e 650 anos atrás e que essa criança que morreu tinha entre 3 e 5 anos só isso a criança sepultada não era chamada por um nome e isso era uma coisa que incomodava a Bibi profundamente o jeito como sepultamentos são percebidos pela arqueologia a começar pelo vocabulário é
isso porque as pessoas tratam ou como restos humanos ou como remanescentes humanos remanescentes humanos é um mais tratado mas é um sinônimo para resto né e nossas pessoas não são resto de gente nós somos gente a Bibi tentou me fazer entender o incômodo dela usando como exemplo o caso de uma pesquisa de Mestrado feita há alguns anos no museu de arqueologia e etnologia da USP em São Paulo nada de errado com a pesquisa tá ela queria chamar minha atenção pra diferença de tratamento entre o sepultamento de uma pessoa indígena e o de uma pessoa branca
para esse trabalho ser feito os corpos de Dom Pedro I e de duas mulheres com que ele foi casado a Maria Leopoldina e a Amélia de luchtenberg foram exumados E como que essas pessoas foram tratadas né teve escolta policial teve Padre as pessoas foram devolvidas de novo e os nossos corpos são resto então Aqueles lá eles têm nome eles são tratados com cuidado recebem caixões novos panos novos missa e nós não então no projeto dela a Bibi quis fazer a pesquisa de outro jeito levando em conta o respeito que a ela tem e que todo
mundo deveria ter pelas pessoas indígenas e pela cultura indígena a Bibi Faz Parte do povo borun kren como todos os povos originários das regiões mais próximas da Costa Brasileira os borun kren Foram dizimados ainda nos primeiros séculos da colonização os borun kren que conseguiram sobreviver esse massacre tiveram que esconder ou até negar a própria identidade para continuar sobrevivendo e isso contribuiu não só para invisibilizar a deles mas para alimentar um questionamento sobre a legitimidade do Povo desde os anos 70 povos indígenas de diferentes partes do Brasil T se mobilizado pela reconstituição das próprias comunidades e
pela posse das terras que pertencem a elas esses movimentos têm sido chamados de retomadas ou de ressurgência pros borun kren esse processo começou formalmente nos anos 2000 e só em 2022 Eles voltaram a fazer parte da lista dos povos indígenas de Minas Gerais a Bibi faz parte desse movimento coletivo de retomada e isso inevitavelmente influencia o trabalho dela no caso do mestrado isso se materializou numa coisa que ela chamou de possibil ideia quando eu entrei no mestrado Eu já entrei com essa né pensando nisso de tipo Será que a gente consegue fazer isso a Bibi
queria fazer um procedimento científico inédito eu queria ver como tavam os ossos dela dentro da casca de árvore antes de pôr a mão ela queria estudar aquele sepultamento mas ela não queria violar ele não queria nem podia porque ela ainda não tinha tido a liberação espiritual para abrir a casca de árvore e também não era só uma questão de não alterar a disposição do sepultamento mas é que aquilo não era um objeto qualquer não era um objeto ponto era gente na dissertação a Bibi explica que na filosofia dela o corpo de Nimo não estava morto
ele tava em Vida morte porque gente continua sendo gente em estado de morte então ela pensou quando a gente quer pesquisar os ossos de uma pessoa viva a gente não precisa tirar os ossos dela de dentro do corpo tem um instrumento para isso o tomógrafo era uma ideia só que a possibilidade dela se concretizar parecia muito remota E aí a Bibi decidiu pedir ajuda ela falou comigo me falaram que não tem jeito de fazer a tomografia fia falei não tem jeito Por causa do que gente quem tá impedindo isso aí como é que resolve não
porque é muito difícil falei você me deixa tentar vou tentar se eu não conseguia de ver E aí liguei na cara de pau mesmo né E tem isso eu sou professora também né obviamente isso me dá acesso também não sou tola então liguei e foi logo depois eu liguei pra Bibi eu falei então deu certo Por incrível que pareça foi um processo de um e-mail mandar um e-mail pro o chefe do Hospital das Clínicas meio que o dono do tomógrafo assim explicando a pesquisa dizendo por eu achava aquilo importante as coisas que eu pudesse descobrir
através daquilo e eles acharam tudo muito incrível porque isso nunca tinha sido [Música] feito um mês depois a tomografia inédita foi feita Ah eu tava um pouco ansiosa porque a minha orientadora não ia poder ir a Mariana né ela tava indo pros Estados Unidos então ela não ia poder estar junto mas que é professora da UFMG mas a Bibi estava longe muito longe de estar sozinha naquele dia é as pessoas estavam muito curiosas quando algumas das pessoas estagiárias Descobriram que uma casca de árvore com uma criança dentro ia passar no tomógrafo que foi num sábado
muitas pessoas pediram para trocar o plantão pro sábado que queriam ver isso tinha vários médicos na sala e a equipe da TV UFMG também apareceu lá para filmar o procedimento né TV o FMG essas coisas todo câmera tinha muita gente isso me de deixou um pouco fora assim de mim assim mas é isso eu eu fui com as forças que que me acompanh eu fui com meu COC EUA com pintura tava com meu kandic então fui segurando a espiritualidade quand é um instrumento protetivo dos boren um tipo de chocalho que algumas etnias Ch de marac
naer da Bibi inclusive ela Frisa que o cocar e oand são instrumentos de proteção e não só adereços mas quando a tomografia começar um dos médicos perguntou pra Bibi Qual era o nome da criança porque era um dado que ele precisava preencher ali no computador ele disse que se não tivesse um nome ele ia ter que botar um número eu entrei em desespero eu não sabia o que fazer minha vontade era de pegar ela e sair correndo e se eu permitisse que ela fosse registrada como número eu acho que eu acabava com a pesquisa não
ia dar conta meu corpo não ia dar conta de continuar a fazer isso se fosse daquela forma então a Bibi ficou em silêncio e se deixou ser guiada pela espiritualidade dela o nome veio num sopro Nimo Nimo borum eu perguntei PR Bibi o significado do nome e ela disse que ainda não sabe foi só isso que os ancestrais sopraram para ela Nimo borum é por causa do nome do povo que as doas fazem parte para mim ela carrega os dois extremos da importância do meu mundo indígena que são as crianças e os anciães ela não
era animo antes dela estar nessa casca de árvore né provavelmente ela tinha outro nome ela era né uma criança que que brincava que se atrapalhava que subia nas pedras que tem lá da região onde ela tava que provavelmente fazia o que eu fiz quando eu tive na LPA do caboca deitar naquelas pedras e olhar as pinturas Mas é uma criança pequena que eu imagino sempre muito sorridente e que hoje é uma criança que me ensina muito Esses exames de imagem permitiram que a Bibi pudesse enxergar coisas que ela não teria conseguido identificar Numa pesquisa convencional
a olho nu e isso já rendeu descobertas quando o sepultamento foi tirado da terra os pesquisadores estimaram que a criança tinha entre 3 e 5 anos mas com as imagens do tomógrafo deu para ver dentro da mandíbula pelos Dentes permanentes que já estavam apontados e a disposição de outros em processo de formação a idade foi revisada para de 8 a 10 anos depois da tomografia ainda na pesquisa de Mestrado Nimo passou por uma fotogrametria uma técnica para obter informações em 3D de fotografias basicamente você tira fotos de vários ângulos sentidos alturas diferentes luzes enfim variações
que permitem que o que tá sendo fotografado seja reproduzido digitalmente em três dimensões como é cada milímetro assim centímetro por centímetro tirado a fotografia Às vezes o que eu não tava conseguindo ver só olhando para cima dela pelas fotos aumentando diminuindo Zum vendo tudo aquilo eu consegui visualizar a pesquisa de Mestrado da Bibi foi concluída assim sem ela precisar encostar a mão em Nimo E aí depois que esse trabalho de pesquisa terminou o corpo de Nimo ia voltar a fazer parte do Acervo do museu na reserva técnica uma exposição onde estava antes então a Bibi
falou comigo que pô e aí Nimo vai voltar para exp então a gente tinha levado pra tomografia depois ia fazer a fotogrametria Então ela ficou num lugar mais resguardado mais tranquilo né uma reserva técnica e aí ficou nisso vai voltar pra exposição ou não vai a exposição garantiu a sobrevida dela ao incêndio expor pessoa expor pessoa um negócio que devia ser né um negócio que incomoda né Não costumo ver sei lá quando tem corpos brancos expostos Eles são expostos de outra maneira né bi não gostaria que voltasse faço o erco a ela e aí a
gente conseguiu ah garantir essa intimidade de mortuária para essa pessoa sabe eh Nima agora fica na reserva do Museu da UFMG e quem quiser pesquisar sobre o sepultamento tem agora à disposição centenas de imagens dos exames que a Bibi fez com Equipamentos Médicos a depender da pesquisa nem precisa tirar animo da reserva técnica né então eu acho que a gente tem que Honrar essa oportunidade que pode ter uma inflexão eu não acho que vai resolver o problema todo não acho um pouco tópico Mas que bom que é o tópico o problema todo é a questão
muito resumidamente do que fazer com pessoas como Nimo gente que vai parar em reserva técnica exposição muitas vezes em Exposições que diminuem ou desumanizam pessoas não brancas nos últimos anos Os questionamentos a esse tipo de tratamento T ganhado força com gente perguntando se é ético expor qualquer corpo sem consentimento prévio da pessoa muitos museus TM tirado corpos de Exposições ou tem devolvido corpos A povos nativos não tem uma regra para isso uma fórmula o que tem é diálogo isso vale até numa etapa anterior antes de tirar relíquias e gente do chão n existe um termo
arqueologia de arqueologia colaborativa chegar com um projeto pronto não é colaboração é construir junto e ver isso daqui vai ser bom pro território de vocês e para vocês por como que a gente né consiga trazer as histórias dessas materialidades através da oralidade de vocês que isso tem mais velho que vai olhar coisa e falar eu sei o que que é isso aqui eu lembro que isso aqui que a minha mãe fazia que meu pai fazia que meu tio fazia e às vezes V falar isso aqui não é para mexs vezes o que a gente chama
de Utopia hoje acaba virando consenso procedimento padrão na Ciência Hoje em dia a Bibi tá no doutorado o sonho dela de poder pesquisar animo já se concretizou agora ela tem outro talvez mais utópico ainda olha a minha maior expectativa é que eu termine o doutorado com Nimo dentro da terra porque o lugar dela não é aqui se isso vai acontecer ou não ninguém sabe mas às vezes a sabedoria da Juventude vem desses lugares não sabendo da impossibilidade dos entr aves da burocracia tudo é possibilidade quer dizer possibil [Música] [Música] ideia essa reportagem foi produzida pela
Jéssica Almeida com Vinícius Luiz eles dois fazem o podcast de história pelo avesso a primeira temporada foi sobre Eugenia no Brasil a próxima temporada ressurgência vai ser sobre como era o Brasil antes dos portugueses chegarem aqui e Estreia dia 12 de Março a gente volta já já normalmente nessa hora eu só leio os créditos mas antes de ir embora eu queria contar uma história no final do século XVI Uma mulher teve que implorar a ao estado da Áustria para devolver o corpo do pai dela ela se chamava Josefina e o pai dela se chamava Ângelo
na verdade esse foi o nome que ele acabou adotando porque ele foi escravizado ainda criança levado do império de cané pra França depois pra Itália mas ele passou boa parte do resto da vida na Áustria o Ângelo conseguiu ascender na sociedade austríaca depois de salvar a vida de um príncipe coisa de conto de fadas né mas parece que foi assim tudo indica que ele foi um sujeito excepcional Dizem que ele falava meia dúzia de línguas andava com nobres intelectuais gente assim do tipo Mozart ele era um dos poucos africanos na Viena daquele tempo e era
visto como um modelo do potencial dos negros de se assimilarem à sociedade europeia a civilização como se dizia pois bem o Angelo se casou com uma mulher Nobre teve uma filha e morreu AOS 7 e tantos anos quando ele morreu o diretor do Museu Imperial de História Natural fez um pedido sabe se lá qu pegou corpo doelo eou em exposição vestido do jeito aa que um selvagem africano deveria vestir a lado de animais empalados a f foi PR polícia foi apelar pra igreja ela não Descansou enquanto o pai dela não podia descansar Eu li sobre
ela pela primeira vez num livro da escritora polonesa Olga toj chamado correntes O livro é uma colcha de retalhos conto com crônica com ensaio com de tudo um pouco e no meio dele tem cartas dessa mulher a Josefina solimon pro Imperador cartas imaginadas pela Olga no caso são três cartas na primeira a josefine escreve como se ela acreditasse que tinha tido algum engano terrível obviamente não era pro corpo do pai dela ter sido roubado tratado desse jeito na segunda depois de não receber nenhuma resposta ela apela pra razão esse não era o século das luzes
do Iluminismo eles não diziam que todos os seres humanos eram iguais na terceira carta dois anos depois ela já não tem paciência para isso ela manda o Imperador ir lá no museu vê o que foi feito do pai dela e ela já não pede ela exige que o corpo seja devolvido as cartas terminam assim na vida real a Josefina morreu jovem só 5 anos depois do pai dela em 1801 o corpo do Angelo ficou no museu uma exposição da barbárie da civilização europeia Até que em 1848 num levante em Viena teve um incêndio no museu
Achei um registro dizendo que muita coisa se perdeu livros valiosos coleções de flora e fauna objetos mas para uma pessoa talvez tenha sido um [Música] livramento obrigada por ouvir mais esse episódio do rádio novela apresenta você já sabe que todo episódio tem material bônus no nosso site essa semana na página desse Episódio aqui Caminhos Cruzados tem dados e pinturas da Madalena Santos reinbold e também do retrato que tá surgindo da Nimo borum lá no nosso site você também consegue assinar a nossa newsletter é mais um material Extra que a gente produz toda semana com direito
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a checagem desse Episódio foi feita pela Caroline fará esse episódio teve apoio de montagem e de sonorização da Mariana Leão e a mixagem é da Júlia Matos e da Guimarães nesse Episódio a gente usou música original de Pedro nego e também da Blue dot o desenvolvimento de produto e audiência é feito pela Bia Ribeiro o design das nossas peças é do Gustavo Nascimento a nossa analista administrativa e financeira é a tain Nogueira a nossa estagiária é a Isabel de Santana e quem faz a revisão das transcrições dos episódios pra gente é a flora Vieira obrigada
e até a semana que vem t