Prezados amigos e amigas, boa tarde para todos nós. Que o Senhor nos abençoe na sua paz, que sigamos todos nesse clima, nessa vibração que aqui já foram estabelecidos ao longo de todo esse evento, para que assim, bem amparados e sintonizados com a espiritualidade superior, nós possamos também nos fazer mais receptivos às ideias e as inspirações que nos serão trazidas. Para mim é uma alegria poder estar aqui pela primeira vez em Luís Antônio, participando de uma atividade doutrinária, embora proximidade de São Carlos, somente agora a gente teve essa grata alegria e esperamos contribuir para o evento, para cada um dos que aqui estão, com reflexões que sejam úteis para a jornada.
Obrigado. >> Então, feito o ajuste aqui da parte técnica, vamos ao nosso tema, um tema que julgamos muito pertinente, tanto o tema central como o subtema que nos foi proposto. Ambos, na verdade, nos convidam a refletir sobre os desafios do homem de bem no mundo e especialmente no mundo dos dias de hoje, no contexto da modernidade, com todas as mudanças de cenário que a modernidade trouxe aos que aqui estamos encarnados.
Então nós vamos fazer essa reflexão, claro, à luz da doutrina espírita, recorrendo aos tantos recursos que o Espiritismo nos proporciona e também resgatando a mensagem do Cristo, que é sempre a maior de todas as luzes para cada um de nós. E iniciamos logo refletindo sobre a questão do homem de bem. Quando nós vamos, por exemplo, ao livro dos espíritos, a questão de número 918, também ao Evangelho Segundo Espiritismo, lá no capítulo de número 17, que são os textos em que Kardec vai nos descrever o que seria para ele, para a espiritualidade, essa referência do homem de bem.
Nós logo até nos assustamos com a dimensão do que está proposto ali. Quando vamos lendo cada um dos itens que Kardec elenca, como sendo um item que caracteriza o homem de bem, nós logo vemos o quanto temos a caminhar. São muitas as frentes de trabalho, são muitas as características, as virtudes, as luzes que nos cabe desenvolver e incorporar para que verdadeiramente nos apresentemos ao mundo como homens, mulheres de bem.
Então, o primeiro desafio que surge de pronto para cada um de nós que estudamos o espiritismo é o desafio de compreender a dimensão do que é esse processo ou essa proposta do homem de bem e, claro, a sua implementação no transcurso do tempo, dos dias, das semanas, dos meses, dos anos mesmo, das existências, porque tal é a magnitude do que está ali que reconhecemos uma existência, não é? suficiente para chegarmos à culminância daquilo que é a nossa destinação, daquilo que é todo o potencial que está em nós aqui latente e que nos cabe agora desenvolver, transformando em potência realizadora. Então, o primeiro desafio é esse, ver que o homem de bem, aquele paradigma, o arquétipo que nos é apresentado, ele está no horizonte como referencial.
dele em toda a sua grandeza e profundidade, estamos ainda distantes, mas pelo menos já o temos como referência, porque senão essa fala não encontraria, digamos assim, um público alvo. Quantos poderemos de fato no mundo nos denominar homens de bem, mulheres de bem? Mas pelo menos já temos isso como referência, já tomamos essa senda, já nos propomos a ser discípulos de Jesus.
Então, nesse sentido, essa mensagem de fato nos alcança. O convite chega e fala a todos nós. Agora, é preciso considerar também a mudança de contexto que os tempos modernos nos trouxeram.
Algo que de certo modo foi previsto por Jesus, não só por ele, por aqueles que foram seus colaboradores diretos naqueles tempos inouvidáveis quando do Advento do Evangelho. Jesus ele estabelece um programa. Como o Espiritismo nos ajuda a entender, a proposta do Evangelho para cada um de nós, de modo algum se reduz a uma existência apenas.
Estamos a tratar ali de séculos, claro, num processo que deve encontrar de nossa parte cada vez mais dedicação, cada vez mais senso de aproveitamento do tempo, cada vez mais consciência de responsabilidade ante o conhecimento recebido, mas também não seremos ingênuos de acreditar que aquilo se desenvolverá numa existência apenas. Então, já quando esteve entre nós, Jesus, ele estabelece um programa, porque sabia que no transcurso dos séculos, cada um de nós, enquanto espíritos, haveríamos de despertar mais e mais, de compreender cada vez mais profundamente tudo que ele nos trouxe, muitas das vezes na forma de parábolas ou de sínteses luminosas de grandes verdades e morredouras. Ali temos bilhões de anos de evolução sintetizados em frases sintéticas que são verdadeiros mananciais de luz, se soubermos nos debruçar adequadamente sobre elas.
Cada uma das frases de Jesus é uma semente com infinito potencial. Uma vez acolhida pelo espírito, lançada no solo do coração e devidamente regada e cultivada, ela há de produzir muito no transcurso dos erros. Então, por isso, no Evangelho, nós vemos um programa que se estende para muito além apenas daquele contexto em que Jesus e os seus primeiros continuadores estavam.
faltava ou faltou ao longo dos séculos para muitos de nós no entendimento do real programa do evangelho, um elemento chave para que pudéssemos realmente acessar toda a sua magnitude, que é o elemento da reencarnação. Por considerarmos que todo aquele programa deveria estar ou ser aplicado numa existência apenas, é que muitos de nós então concebemos outras vias de salvação. Imagina, é impossível aplicar isso numa vida apenas.
Porque desconhecemos essa realidade das idas e vindas do espírito, da sua jornada e mortalidade aa em que ele vai então gradualmente incorporando tudo aquilo que o mestre nos legou. Hoje, com espiritismo, isso se nos faz mais claro. E aí podemos voltar para o evangelho e acessar determinadas falas de Jesus, como também falas do apóstolo Paulo, e entendê-las mais a fundo, fazendo a conexão com o que lá ou do que lá está dito com o que nós vivemos agora, também amparados pelos espíritos que nos dizem: "Os tempos são chegados".
Mas que tempos são esses? tempos, diz-nos o Espiritismo, que marca o fechamento de um ciclo, um ciclo coletivo da humanidade. Estamos agora chamados, somos agora chamados como nunca a verdadeiramente aproveitar aquilo que nos foi ofertado.
Se não quisermos ver o progresso passar por nós e mantermos à margem desse que é o imperativo da vida, avançar sempre. Como diria Santo Agostinho, Evangelho Segundo Espiritismo, não avançar é recuar. E agora como nunca somos chamados a entender isso.
Mas quando Jesus fala então desse processo e desses tempos que seriam chegados, ele traz algumas das características desses momentos mais turbulentos, desses momentos culminantes que a humanidade hora vive de fechamento de um ciclo para abertura de um novo tempo, de uma nova era, era do espírito. E é em torno dessas falas de Jesus, também de Paulo, que nós vamos nos debruçar, tentando fazer aqui uma leitura mais adequada dos alertas que ele que eles nos trouxeram, o Cristo, Paulo, entre outros, acerca dos desafios que marcariam esses tempos. O espiritismo nos convida a voltar à fala do Cristo sempre viva, sempre atual e agora mais atual do que nunca, para com as lentes que o espiritismo nos traz entender melhor como o que agora nós vivemos de desafios já estava lá previsto.
E claro, não só os desafios em si, mas também a maneira de superá-los, de passar por isso sem perdermos o foco, sem nos desviarmos por sendas e caminhos de ilusão, enseguecidos pelas brumas da veidade, pelas escamas do orgulho, pela insensatez do egoísmo. É isso o que nós vamos fazer. E para tanto, nós vamos a um dos mais conhecidos discursos do Evangelho, aquele que ficou conhecido como sendo o sermão profético.
Mateus capítulo 24 é um sermão extenso de Jesus, mas muito profundo, especialmente quando podemos lê-lo com o auxílio do Espiritismo. E por que sermão profético? Porque Jesus ele profetiza no sentido de ele fala a respeito desses tempos futuros, trazendo-nos em linhas gerais quais seriam as características desses momentos para que os reconhecêssemos.
Porque essa é a pergunta que lhe é feita pelos discípulos, pelos que ali estavam: "Senhor, quando se darão essas coisas? Quando será o sinal da sua volta ou do fim do mundo? " Com a doutrina espírita não falamos de fim do mundo material, falamos sim do fim de um paradigma, do paradigma preponderante até agora, em que a matéria se sobrepõe ao espírito.
Estamos a adentrar, já vemos o alvorecer do novo paradigma em que o espírito resplandece sobre a matéria, em que cada ser no mundo aqui encarnado reconhecerá sua origem, sua destinação, suas imensas faculdades latentes e começará ou seguirá nesse processo então de desenvolvê-las. Alguns já estão mais conscientes disso, outros começam agora a despertar para essa realidade. Não é impressionante pensarmos que ainda hoje, passados 2000 anos da vinda de Jesus ao orb, existem milhões de criaturas que caminham em vida fora ignorando absolutamente a realidade espiritual, que são espíritos, que a vida não se fmulo.
Existem muitos corações ainda caminharem no mundo em tais condições, mas os dias dessa condição ou dessa perspectiva estão contados, porque tudo vai convergindo para a realidade do futuro. E como nos diz Emanuel, o futuro pertence ao espírito. Mesmo a ciência material do mundo já vai tangenciando cada vez mais as realidades do espírito, a ciência do espírito, que é o espiritismo.
Essa ciência do infinito já nos abre horizontes imensos, vastíssimos, há mais de 150, 160 anos. E tudo isso vai convergindo para a preparação desse novo templo. Então, no sermão profético, Jesus ele descreve esse momento culminante em que a humanidade, já tendo recebido a primeira revelação, a segunda revelação e conforme prometido o outro consolador que veio por meio do Espiritismo, porque o primeiro veio em Cristo, Jesus fala: "Um outro consolador vos enviarei.
" O primeiro já estava conosco desde 2000 anos. O primeiro consolador, o maior consolador já estava conosco. Mas por acresto de misericórdia veio mais um.
E tendo recebido tanto, é justo que chegasse mais cedo ou mais tarde o momento da colheita, o momento da aferição. Não é assim nas parábolas, chamadas parábolas escatológicas no evangelho, aquelas que tratam do fim dos tempos, escatos aqui é esse sentido de finalidade, de fim. dos tempos.
Por exemplo, a parábola do trigo do joio, deixa crescer junto até o momento da seif. É uma das parábolas escatológicas. Há o adubo, há o cultivo, há a liberdade de sementeira.
Deixa crescer trigo e joio, deixa plantar trigo e joio. Mas chega o momento da seita. Chega para o indivíduo como chega para a coletividade humana.
E é isso que agora vivemos. É isso que Jesus vai descrevendo nesse sermão profético. E ele inaugura a sua fala dizendo assim, desenhando para nós, né, alguns desses maiores desafios que nós vemos agora perfeitamente caracterizados nos nossos tempos.
Ele começa dizendo assim: "Acautelai-vos para que ninguém vos engane. Acautelai-vos para que ninguém vos engane. Porque surgirão muitos falsos profetas, muitos que dirão estar vindo em meu nome e enganarão a muitos".
Acrescenta o mestre nessa descrição do sermão profético que seria um tempo em que muitos se escandalizariam, em que muitos se odiariam uns aos outros, trair-se iam uns aos outros. Quando a gente olha numa visão panorâmica para o mundo moderno, que alcançou píncaros de inteligência, de grandeza do intelecto, desenvolvimento da ciência e da cultura, nós, ao mesmo tempo, do lado dessa luz ou desse brilho do intelecto, vemos ainda as sombras do interesse pessoal, da corrupção, das guerras, dos fanatismos ideológicos, políticos. que separam famílias, que afastam até mesmo amigos, que distanciam as pessoas, que introjetam ódio nas relações.
Por causa de uma ideia que se abraça em oposição uma outra ideia, as pessoas deixam de se falar, deixam de se conversar, deixam de se gostar. Pessoas que muitas vezes tinham um vínculo sólido de anos. Essas características, alguém poderá dizer: "Ah, sempre existiram de fato, mas parece que agora estão ainda mais acentuadas".
Talvez até pelo que a tecnologia nos trouxe. Tudo agora é a todo tempo. O mundo está, digamos assim, integrado.
Os problemas de um lugar não são mais problemas só daquele lugar, porque eles têm ecos, eles ressoam em outros lugares ou recebem também influências de outros lugares. A internet, ela como que diminuiu distâncias no tempo e no espaço e fez tudo virar uma coisa só. E esses problemas eles também repercutem em outras partes.
Então parece que essas características elas se acentuam. E por isso segue Jesus dizendo: "E surgirão muitos falsos profetas que enganarão a muitos e por multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. por multiplicar a iniquidade, pelos problemas do mundo que agora, digamos assim, transbordam, são também mais vistos que há que se considerar isso.
Os problemas são mais vistos, tanto porque temos mais conectividade, como também porque temos nesses 2000 anos de jornada, ainda que muitas vezes reticentes, hesitantes, temos já algo mais de consciência. E aquilo que não víamos antes, agora pelo menos já vemos. Muitos dizem assim: "Mas o mal só aumenta".
Será que o mal só aumenta ou a nossa percepção dele é que se torna maior? O que antes considerávamos normal, agora já não é mais tão normal assim, porque a nossa consciência está minimamente mais esclarecida. E aí temos a sensação de que o mal aumenta.
Por abundar essa iniquidade, o coração de muitos acaba por esfriar, desanimar. Jesus segue, é um sermão extenso, ele traz ali muitas orientações simbólicas sobre o que fazer nessa época. E lá mais à frente, no versículo 23 e 24 desse sermão, ele diz assim: "E então, se alguém vos disser: "Eis que o Cristo está ali ou ali ou aqui não lhe dê crédito, porque surgirão falsos Cristos e falsos profetas e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até mesmo os escolhidos.
se possível fora, enganariam até mesmo os escolhidos. Recordamos-nos também algumas orientações do apóstolo Paulo, especialmente nas suas epístolas a Timóteo, primeira epístola a Timóteo, no capítulo 4, versículos 1 e 2, quando Paulo fala: "Olha, saibo que nos últimos tempos, ele fala destes tempos, muitos apostatarão a fé, isto é, se afastarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, a doutrinas estranhas pela hipocrisia daqueles que falam mentiras, tendo cauterizada a sua consciência. Veja que Paulo trabalha algo similar daquilo que Jesus havia trabalhado no sermão profético, o cuidado com aquilo que se afasta da verdade.
O fato de que muitos, deixando se levar por certas ilusões, por certas doutrinas, não propriamente harmonizadas com a verdade divina, acabariam sendo embalados por isso, afastando-se da verdadeira fé, da verdadeira compreensão das leis da vida. Na sua segunda epístola a Timóteo, última carta que ele escreve também no capítulo 4, ele acrescentaria: "Porque chegarão tempos, chegarão dias, mais uma vez falando desses últimos dias, em que muitos não suportarão a sã doutrina, e tendo coceira no ouvido, amontoarão para si doutores, conforme as próprias concupscências, e os seus ouvidos se afastarão da verdade. " Então, veja, são descrições que esses iniciadores da nossa fé nos deixaram e que pedem de nós uma maturidade de reflexão para as compreendermos.
Ora, orientações do próprio mestre, orientações de Paulo, aquele que talvez foi um dos que melhor compreendeu a grandiosidade do programa do evangelho. Mas orientações que às vezes nos parecem assim difíceis de entender, estranhas, palavras diferentes com as quais não estamos acostumados, mas eis o convite do espiritismo. Há um estudo lúcido, racional, buscando também inspiração do mais alto para que penetremos nesses que são verdadeiros alertas do Cristo, de Paulo e de outros para os que agora vivemos esses tempos que são chegados, tempos de transição.
E buscando então desdobrar essa fala de Jesus e conectar, claro, à realidade que todos nós vemos nesse mundo moderno, nos dias atuais. Nós pensamos aqui em alguns pilares, ou melhor, em alguns eixos principais de desafios que faciamos nesses tempos modernos. os desafios para aqueles que já estão numa busca de melhoria, que já vislumbram o homem de bem como referência para suas vidas, que já querem ser discípulos de Jesus.
Quem ainda não está nessa busca, muitas das vezes estará ao sabor do vento, estará sem norte, sem referência. Mas nós aqui trabalhamos com a consciência de que temos no Cristo um modelo e um guia no seu evangelho, o tratado maior que nos deve iluminar os passos, que deve ser para nós o ponto de comparação, o crio de análise em relação a tudo aquilo que vemos no mundo, a tudo aquilo que o mundo nos propõe. Então, pensamos em alguns eixos principais de desafios para esses que anseiam por ser homens e mulheres de bem.
considerando o contexto em que vivemos. E o primeiro deles diz respeito a isso que aparece com tanta frequência, né, na fala de Jesus, nas falas de Paulo, essa questão da mentira. É imprescindível, amigo, amigos, que como nunca nós saibamos nos manter lúcidos, saibamos nos manter amparados, ancorados no bom senso que com Kardec aprendemos, que com o Evangelho também aprendemos.
Porque uma das coisas que mais tem sido um desafio, não só para o nosso movimento espírita, para a casa espírita, mas para nossa nação, para o mundo como um todo, tem sido justamente esse distanciar, esse distanciamento, melhor dizendo, da lucidez, da verdade, em decorrência de determinadas paixões que nos cegam. Por exemplo, as paixões políticas, o culto a uma personalidade humana, transitória que daqui a pouco está para mim acima do Cristo. E eu passo a medir a minha vida, a minha ação na casa espírita, junto as pessoas ao meu redor com base mais nessa referência do que em Jesus.
E aí, em nome disso, dessa doutrina, dessa pessoa, doutrinas e pessoas que passarão, mas o Cristo não passará, eu me afasto, eu rompo relações, eu odeio, eu sou agressivo, mesmo já conhecendo a mensagem do Cristo. Essa é uma realidade que nós não podemos ignorar, mesmo dentro do nosso movimento. Quem ocupa o cerne da nossa busca?
Quem é o nosso maior referencial? Porque se eu me afasto de alguém pelas ideias que ele tem, se eu agrido verbalmente alguém simplesmente porque ele está num espectro diferente de pensamento, de visão que eu, certamente o Cristo não ocupa a maior posição de referência para mim no que diz respeito à verdade e ao amor. Não há problema nenhum em divergir, não há problema nenhum em debater ideias.
Tudo isso faz parte do progresso da sociedade na qual estamos inseridos. Agora, a gente precisa analisar com muito carinho até onde as paixões estão nos levando, o comprometimento que elas estão causando em lares, em instituições, na nação como um todo, no mundo como um todo. Porque alçamos as primeiras posições de importância determinadas doutrinas, determinadas pessoas que são erguidas ao ponto de ao ponto de culto idolátrico praticamente.
E o Cristo então relegado a segundo plano. E com essa referência agora deturpada, a gente acaba incorrendo em desvios, é em compreensões quanto ao que é central. Então, o primeiro ponto que devemos colocar aqui em relação a esses desafios, não deixemos de ter no Cristo a referência maior para nós na sua mensagem, esclarecida, desenvolvida com o bom senso tão lúcido de Allan Kardec.
Porque se nos deixarmos conduzir pelas paixões, como disse Jesus, muito facilmente seremos enganados. daremos tudo aquilo, aquela causa, aquela ideologia, aquela ideia, para logo ver o quão efêmera é, o quão reduzida ela é em relação à grandiosidade da verdade que o Cristo expressa. O Cristo para nós como maior referencial.
Segundo ponto, é preciso termos muito cuidado com os deslumbramentos do nosso tempo. Numa era de conectividade, numa era em que a exposição foi tão ampliada, muito facilmente somos colhidos pela vaidade, pelas distrações que esse mundo moderno nos propõe. E aí caímos ou na comodidade, aí caímos num personalismo que nos faz mais uma vez perder a referência do Cristo, nos colocando numa posição que em verdade ainda não é a nossa, numa supervalorização de nós mesmos.
Nós estamos numa era de exposição como nunca antes vista. E isso naturalmente ativa em nós determinadas tentações, determinados arrastamentos. Não nos deixemos tomar pela ideia de que a aparência vale mais do que a realidade.
Para quantos hoje no mundo mais vale aparentar que se é algo do que efetivamente analisar se aquilo é verdadeiro em si mesmo? Não importa que eu esteja buscando a sabedoria, importa é que os outros mechem sábio. Não importa se eu estou realmente lutando para construir virtude.
O que importa é que os outros saibam ou mechem virtuosos. E aí colocamos a aparência acima da essência, porque as redes sociais, a exposição dos nossos tempos modernos favorece isso. E construímos toda uma obra, toda uma realização cujo verniz é até belo, mas o miolo, a essência não é verdadeiro.
Esse é um cuidado que nos cabe ter também nos nossos tempos, um desafio para todos nós, como é também um desafio lidar com os convites à acomodação, à estagnação. Nunca tivemos tantas formas de prazer, de satisfação imediata, de conforto. E é muito fácil fazer da nossa busca na doutrina espírita ou religiosa de qualquer denominação que for.
simplesmente um exercício assim mais formal, convencional, meramente intelectual, sem busca legítima de transformação. Acomodamos-nos com o bem-estar, com o conforto, cumprimos ali o formalismo da experiência religiosa, da espiritualidade de cunho mais exterior, acreditando que isso bastará para cedo ou tarde nos vermos às voltas com as mesmas frustrações, com os mesmos conflitos, porque não é um movimento verdadeiro de busca. Dizia-nos Emanuel: "Não busque bem-estar sem antes estar bem.
O mundo nos inunda com muitos arrastamentos, com muitos convites, com muitas propostas que nos dizem: "Se tiveres isso, estarás feliz, estarás bem. Compre isso, faça aquilo, tenha esse ou aquele conforto, essa ou aquela satisfação de ordem mais sensorial, mais imediata. E com isso vamos nos anestesiando e deixando sempre para depois aquilo que nos pede mais sacrifício, mais renúncia, mais luta, mais determinação, mais disciplina.
Então, outro cuidado é o da acomodação. A tecnologia favoreceu tanto as trocas, mas às vezes também ela pode nos induzir a uma certa acomodação. Outro desafio dos nossos tempos.
Então, o desafio da vaidade, do lidar com a exposição, o desafio da acomodação das tantas distrações que o mundo moderno nos propõe, o desafio das doutrinas e das paixões que às vezes nos toldam a visão e nos afastam da referência que é Cristo, da referência maior que é Jesus. O desafio do deslumbramento às vezes de pessoas, de doutrinas, de espíritos desencarnados que são eloquentes, mas cujo teor da fala não reflete propriamente a verdade, encanta, fascina, mas desvia. Daí a importância de conhecer muito bem os critérios que em Kardec, que no no Cristo nos são dados, para que não nos deixemos também embalar por cantos de sereia.
Porque Kardec dizia a respeito do espiritismo ou dos tipos de espíritas, um dos tipos mais delicados e comprometedores para a própria doutrina, como ele define lá no livro dos médiuns, os espíritas deslumbrados, aqueles que acolhem tudo como sendo espiritismo. Veio do mundo espiritual, é verdadeiro. Veio do mundo espiritual sem o cuidado do bom senso, da análise.
Isso aqui reflete Cristo. Isso aqui está de acordo com os fundamentos que a gente aprende com Kardec, com as obras seguras que vieram depois. Cuidado com o deslubramento, né?
E a gente vai, a gente vai passando isso adiante, sem critério, sem crios, sem análise. E aí nós nos tornamos também falsos profetas por tabela, seja de encarnados, seja de desencarnados. Então aqui, claro, nós não temos a pretensão de listar todos os desafios, gente, porque são muitos.
Mas são alguns deles acentuados pelos tempos que vivemos. E um outro talvez que é como que um subproduto desses anteriores, que alguém olha então para esse cenário e fala assim: "Meu Deus, quão desafiador é! Não vai dar certo, não tem jeito.
E aí a gente cai num dos desafios maiores, que é o que Jesus fala lá no no Evangelho. E por abundar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. Sabe qual o desafio?
O desafio do desânimo. Você olha e vê: "Puxa vida, quanta corrupção ainda. Puxa a vida, quanto desvio ainda.
Puxa vida, quanto problema ainda. Não só fora, viu? Dentro de nós.
Você olha para você, olha lá o que tem a trabalhar ainda e fala: "Meu Deus, quanto mais luz você joga para dentro, mais você vê o tamanho do problema. E você pode ser induzido a desanimar". Mas aí Jesus nos alertou: "Cuidado para que o desânimo não te vence".
Porque é um dos desafios deste tempo. E aí nós adentramos, digamos, no cerne do que é mais importante para aqueles que realmente se propõem a seguir Jesus nestes tempos. É entender que tudo isso nós poderemos superar se estivermos ali serenos, equilibrados, caminhando par e passo com Jesus, com Kardecisas da nossa jornada.
estudando, orando, aprendendo, mas acima de tudo buscando alcançar o cerne da proposta do evangelho. Porque o que está sendo feito agora no mundo, meus amigos, em verdade é uma seleção, é uma análise do teor corações, da firmeza dos caracteres. E aqui me recordo da fala do próprio Espírito de verdade, quando ele nos diz lá no capítulo 20 do Evangelho segundo Espiritismo, os trabalhadores da última hora, os obreiros do Senhor, Deus procede agora um senso dos seus servidores e já marcou com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente, a fim de que não usurpem o salário dos servidores fiéis.
Porque é aqueles que não recuarem diante dos seus postos, é aqueles que não recuarem diante desse cenário de imensos desafios, que ele confiará os postos mais difíceis na grande obra de regeneração. Então, esses desafios todos que nós vemos no mundo de ordem moral sobretudo e que muitas vezes podem incitar o espírito a cair no desânimo, em verdade eles surgem para quê? ou com que finalidade avaliar em quais corações há realmente devotamento, quais os corações resilientes, quais os que estão dispostos a ir além da mera obrigação, quais os que estão dispostos, inclusive a padecer para construir um tempo novo.
Porque todos os que nos antecederam assim o fizeram. não mediram esforços e se dispuseram aos sacrifícios maiores para que a causa da verdade, para que a luz do evangelho ou do espiritismo pudessem chegar até nós. E aí fica então a pergunta: quantos estamos dispostos até mesmo a sofrer algo para que o bem se engrandeça?
a ir além do que é a mera obrigação, a ultrapassar o simples dever, que já é por si desafiador. Mas o Cristo nos pede mais. Por isso nos recordamos da fala de Emmanuel no livro Ave Cristo, na verdade não dele, de um benfeitor que ele registra no livro Ave Cristo, logo no capítulo 1, quando ele assim nos diz: "O mestre crucificado é divino desafio.
" O mestre crucificado é divino desafio, porque temos todos esses desafios aí que tentamos aqui pincelar brevemente, mas acima de tudo o maior desafio para o discípulo do mestre agora é o quanto ele está disposto a perseverar apesar de tudo isso, o quanto ele está disposto a, como Cristo, realmente tomar a sua cruz e ir à frente, porque o evangelho, diria-nos o espírito, né, e Lúcio, é a religião da segunda milha. A boa nova é a mensagem, é a religião da segunda milha. A primeira milha alguns já percorrem.
Quantos estão dispostos a percorrer a segunda? Amar só os que nos amam é de todos, de Jesus. Que fazeris de especial?
Agora, quem está disposto a amar aqueles que não nos amam? Quem está disposto a amar até mesmo aqueles que nos odeiam, que francamente desejam-nos o mal? É com esse tipo de trabalhador que Jesus, que o alto espera contar nestes tempos, já que estamos a falar do homem de bem, daqueles que ousam, daqueles que firmam para consigo o propósito de caminhar a segunda milha com Jesus, de ofertar a outra face, de ir além simplesmente da reciprocidade, né?
Do olho por olho, dente por dente. Se me faz o bem, eu devolvo o bem. se me faz mal também.
Não, isso ficou para trás. Ouvistes o que foi dito. Eu, porém, vos digo, é fazer diferente.
Por isso, mestre, é para nós o divino desafio. Porque os tempos agora nos pedem aqueles que diante da dificuldade não recuem, diante do cenário extremamente desafiador, insistam em perseverar. Diante do ódio que às vezes se alastra.
Sejam aqueles que saibam expressar o amor que a serena diante das oposições e dos antagonismos que muitas vezes marcam a sociedade, até mesmo no âmbito do lar ou da casa espírita, é preciso que existam aqueles que se propõem a serem a figura do pacificador. E o pacificador, eu até falava com a Flavinha ontem isso, o pacificador, ele se coloca numa posição em que muitas das vezes ele não será compreendido nem por um, nem por outro lado. Então ele apanha em dobro.
Ele é duplamente incompreendido. Mas é desses que Jesus precisa, porque é isso o que ele nos demonstrou. É isso que ele, é isso que Paulo, é isso que Kardec, é isso que tantos outros verdadeiramente comprometidos com o evangelho nos ensinaram.
Esse, portanto, o maior desafio para nós nestes tempos. Os que quiserem realmente edificar a condição de homens de bem em si, precisarão, serão testados em sua fidelidade a toda prova, em sua resiliência, em sua perseverança. Porque depois da frase por abundar a iniquidade, o amor de muitos esfriaria, Jesus já nos traz logo o antídoto.
Mas aqueles que perseverarem até o fim serão salvos. É isso que o tempo nos pede, a disposição de perseverar até o fim, independentemente de como seja o cenário, por mais sombrio ele pareça, o cenário em meu lar, o cenário em minha casa espírita, o cenário em meu trabalho, o cenário em minha cidade, o cenário em nossa nação, perseverar confiando na esperança, confiando no amor, confiando e aplicando o bem como únicos caminhos verdadeiramente libertadores para um de nós. O divino desafio.
O mestre crucificado representa para nós o convite ao sacrifício, a oferta, a imolação para que o bem resplandeça. Assim se pede do discípulo que anseia por refletir a grandeza do mestre. Isso nos faz lembrar uma bonita mensagem da nossa querida Meimei, intitulada justamente O celeste desafio, no livro Cartas do Coração, capítulo 67.
em que ela assim nos diz: "É fácil aplaudir o bem e exaltá-lo nos minutos felizes da vida. Da mesma forma, quem não saberá partilhar a aventura do amigo e embriagar-se de júbulo com os corações que são amados? " "Ou seja, amar os que nos amam é de todos, até os publicanos o fazem", disse o mestre.
Mas eis a pergunta fundamental: "Que fazeis de especial? " Este o celeste desafio. Por isso ela continua: "Mas transformar o adversário em irmão, convertendo a treve em luz e o ódio em amor constitui o serviço sacrificial que somente os espíritos valorosos e heróicos conseguem realizar.
O que se precisa agora, portanto, heroísmo, valor, resiliência, firmeza de caráter a toda prova. Não aqueles cujo devotamento é mais aparente do que real, como o senso que está lá sendo feito pelo Senhor, como registrado pelo Espírito de verdade, mas aqueles cujo devotamento é real. E a esses o que eles receberão de prêmio, entre aspas, descanso, repouso.
Não, diz Jesus, o espírito de verdade, a este serão confiados os postos mais difíceis, porque esse o prêmio do discípulo de Jesus, sendo fiel no patamar em que está, recebe a bênção de poder subir a um novo, mais elevado patamar de luta, de testemunho, de exemplificação. É por isso que a exemplificação do Cristo é celestial desafio à nossa alma, como ele nos ensinou, renunciando, imolando, se perdoando, amando sempre. Eis o celestial desafio à nossa alma.
Podendo resplandecer, apagou-se ao olhar dos homens. Com infinitos recursos de mandar, preferiu obedecer. Dispondo de imensas legiões de trabalhadores, consagrou-se ele mesmo ao serviço comum.
Rei divino fez-se escravo, lavando os pés dos próprios discípulos. Justo juiz, quando acusado indevidamente, ao invés de reclamar e justificar-se, escolheu silêncio por norma de ação. Senhor da vida eterna, julgou o mais acertado imolar-se na cruz, submetendo-se às sombras da morte, que disputar com os homens que ele se propunha ajudar e salvar.
Eis, portanto, o evangelho real aplicado aos nossos tempos com todos os desafios que ele nos traz. Compreendemos que sim, o evangelho é fonte de infinitas consolações, mas entendemos com o espírito mariano no livro a Terra que no livro Falando a Terra que nas palavras de Jesus, no sermão da montanha há mais desafio do que propriamente reconforto. Que Jesus nos inspire, ilumina a todos, que saibamos aceitar o desafio na certeza de que as bênçãos serão muitas se soubermos ser fiéis.
Quem perseverar até o fim, esse será salvo e ajudará a salvar. Muita luz a todos.