[Música] em que um a violência no brasil é imensa são 60 mil assassinatos por ano sem falar nas violências danos fatais e mais sutis a literatura brasileira consegue mostrar isso a concorrência é desleal a concorrência de leão é eu acho que a ficção por mais inventiva que ela seja ela tem muita dificuldade de se aproximar da realidade e se o autor escreve com a mão um pouco mais pesada geralmente recebe uma crítica de estar sendo exagerado que queria chocar é eu acho que eu não escrevo com uma mão pesada eu acho que a ponderar muito
na hora de escrever e ainda recebo essa crítica de avisar que vai chocar e tal e não é isso eu acho que a literatura brasileira o conjunto dos brasileiros está tentando retratar essa violência ou acho que não acho que não alguns autores há tanto que existe uma uma uma necessidade muitas vezes dizer que eu tenho uma literatura que se parece muito com a absolvição seca porque não tem uma outra referência maior né é eu acho que é bem diferente apesar de gostar muito do que ele escreve é bastante diferente na na concepção do desdobramento até
na construção do personagem mas aqui não tem muito autor interessado que trata tanto violência eu não percebo isso na ficção brasileira não é é assim uma literatura que eu não sei que ainda se faz mas que o que teve aqui um momento de maior impacto que foi uma literatura que tratava mais da periferia é de uma violência dentro das comunidades uma de uma violência de periferia com tráfico e tudo mais e aí sim isso era isso foi um uma vertente mas essa você falar da violência de um modo mais geral eu acho que não é
uma coisa que passa muito pelo pelo interesse do escritor brasileiro é porque pensa mudez achei feio falar de violência ao pessoal que não tem contato com a violência o motivo dos escritores brasileiros não para falar da violência eu acho que a violência é um lugar que é muito difícil de gerir o tema pra você escrever o tema é quando a gente se propõe a escrever um tema você pesquisa você se coloca no lugar né daquele daquela ambientação daquelas personagens você vai até aqui lugar de uma certa forma né mentalmente emocionalmente e são lugares muito ruins
desse está o retorno dos livros eu tive problemas depois é emocionalmente eu sinto um desgaste extremamente profundo que são lugares muito tenebrosa não passo muito tempo por dia 11 uma história tão pesada que depois me faz muito mal então eu acredito que o processo de escrita também eu vejo que o processo de escrita da maioria dos autores tem muitas vezes uma questão de uma percepção de da própria vida da própria realidade de construir histórias que estão mais dentro do seu território do seu entorno mas a sua vida foi marcada pela violência alguma forma o interesse
estético é um interesse estético não tenho assim uma marca de violência um parente preso é um uma morte violenta na família é mais desde pequeno teve interesse pela violência já tinha muito interesse para os filmes de terror crescesse um filme de terror toda a produção ruim da década de 80 que foi a minha infância eu assisti tudo né e o que eu não pude assistir naquele momento depois eu fui assistir como tinha vídeo cassete e na locadora todos os dias o educador é alugar um filme de terror e se acha que pode falar de brutalidade
e violência e sutil mesmo tempo acho que sim eu acho que é possível falar de de qualquer assunto sendo sutil e pode se falar de um assunto até às vezes dedicado e tenho na mão bastante apesar de isso depende muito desse filtro pessoal né de se olhar pessoal do autor também que faz esse filtro antes de chegar no papel você acha que testosterona e neurônios células para o outro testosterona e neurônios se anulam olha eu não tenho testosterona é que eu sou mulher então eu vi que gostou mas no livro tem muita testosterona mas eu
acho que eu por exemplo eu não escrevo na tpm já é um dado porque eu ficou neto as mulheres ficam um pouco alteradas ou os hormônios de sauternes eu tenho medo que esse momento que os hormônios estão um pouco sacudidas altera minha percepção né meu julgamento do que estou escrevendo mas eu acho que não tem necessariamente a ver um nível alto de testosterona para se escrever histórias violentas eu acho que eu tenho mais é uma admiração por aquele ambiente acho que eu sou tomada pela atmosfera do que eu escrevo nessa tomada para os personagens são
muito envolvida com esse que esse mar de homens que são basicamente homens não têm mulheres nas histórias então some tomada por eles e eu vou caminhando eles vão eu vou atrás eu fico perto ficou ouvindo essa sensação que eu tenho como te escrevendo que os foi o filtro que eles vão falando você acha que a violência é inimiga ou irmã da densidade psicológica de um personagem a violência eu acho que é muito mais casual acho que o personagem ele não é necessariamente violento ele é um sujeito que tem uma determinada personalidade tem características que se
dê colocado diante de uma situação ele vai reagir ea como ele reage é que pode provocar uma faísca que pode provocar um incêndio então você se o sujeito ele é violentos a tampa eu acho que ele é provocado ele não se segura ou ele já estourou o limite dele né eu vejo muito mais assim criar acertou situações para que essa violência se manifeste é o que eu faço nos livros a o pessoal não só no seu 12 em geral é mais difícil você justificar o comportamento de um personagem violento só vai dar mais trabalho e
mais trabalho tem que se justificar muito mais que você se você fosse um personagem que tem boas ações pelo ok nem se ele é mau você tem que justificar o anti herói é de um modo geral você mostra que o cara não é perfeito ele tem vários defeitos muitas vezes ele tem um grande defeito mas ele tem uma qualidade que ele supera gênero uma única qualidade que supera tudo isso que aí que mais ou menos trabalhar com tireóide né você pega por exemplo o dexter né o seriado famoso é que veio de um dever ter
a turma também foi inspirado num livro é bem essa lógica ele era muito bom uma coisa o que justificava né o que ele podia fazer que ele também segue um serial killer de má que matava se ao que ele tem uma história extremamente trágica viu ainda bebezinho viu a mãe ser assassinada é de uma forma muito cruel e tal então você vai tendo que justificar muitos traumas né que a linha para demonstrar e justificar porque crescem e ainda assim ele é um cara muito gente boa muito bacana muito solar vivendo naquela cidade de praia e
de sol enfim e limo eles o mata será que ele então não era um assassino de gente que merecia morrer né então ainda tem esse isso a esse ponto a favor dele então são muitos elementos que você tem que ir é alinhar para justificar que o personagem pode ser mal e que esse leitor ótico a empatia com esse sujeito que a mão do bom gasto tenho explicando e mergulhando na personalidade explicando os traumas de infância o que quer para poder chegar e falar o cara no presta mas você pode ter empatia por esse sujeito que
é cheio de efeito é um cara cruel é um assassino e qual o livro é violento e janeiro mais violento i a acolhe a filme violento vejo bastante assim mas e o livro mais de todos o edifício vai ter que pensar um pouco sobre a bíblia eu acho que a bíblia assim talvez seja um livro mais violento porque eu negócio assim que quando matava marcava né vamos matar 100 mil hoje e abriu um buraco e mata 100 mil eu acho que sim a bíblia bastante violento é um livro que porque a bíblia não dava trégua
né em enfiadas a outra é o filho daquele raven pior que ele é mais cruel mais sanguinário eu acho que sim eu acho que no processo contínuo de violência acho que a bíblia é muito violento nem favorito na bíblia gênesis que deus que constrói tudo faz um bonito e se arrepende estar a favor não quero mais saber desse negócio e mandágua destrói tudo aí vão começar de novo e vai começa de novo né e então fui ao local outro e depois acaba toda humanidade sim meu irmão matar logo no começo né concluiu constrói todo levantamos
a tudo bonito e começa e mata um remata o primeiro assassinato e começa aquela coisa toda então acho que sim acho que no processo contínuo é de violência contínua eu acho que a bíblia é realmente acho que é o mais violento porque ela ela junta né um poder de violência muito grande não só nos assassinatos que tem quem tem que assinar sua bíblia que se você o seu hoje que vai votar num livro a itaqui não chocar queremos o kaká está na bíblia né coisas terríveis assim é que eu me lembro é assim que eu
não gosto muito de lembrar mas o texto muito pesado também tenham passagens bíblicas que é é uma coisa vocês nem qual em voz alta porque pesado então textos muito pesados também muito violento com uma carga de violência muito grande então eu acho que sim mas que a bíblia é o livro mais aterrorizante mais violento que eu já li violência mais afeito a você mesmo aqui na literatura eu acho que é mais aceita no cinema é mais é apesar que no cinema você tem a imagem é que pode ser uma coisa muito mais chocante impactante mas
ela é mais feita no cinema nem do que na literatura eu acho que o cinema tem um público que absorve melhor a história de mais violentas e talvez um pacto na literatura ela repita mais neco 60 para ler uma cena que você vai gerindo aos poucos e vai visualizando o quilo é muito mais aterrorizante né consertar quietinho lendo em uma história de terror e que a qualquer barulho você pega um susto ele estava num filme já tem tanta interferência do duster sonoplastia do filme da música do susto que não pode tranquilo você está lendo um
livro qualquer coisa tão pouco assim você ou aula nem se daquelas estado então acho que tem um a relação com livro é muito diferente da relação com com a tela a gente estava tranqüilo até lá a gente se distrai está ali a gente vê aqui a mensagem de celular o livro não você mergulha mais né uma é uma experiência muito mais profunda muito mais aterrorizante e que te marca muito mais [Música] dalton trevisan nasceu em curitiba em 1935 quem não gosta de seus livros disse que seus personagens são banais comuns medíocre essa linguagem vulgar escassez
do vocabulário e uso de clichês e seus temas e situações são repetidos obsessivamente quase como se escrevesse sempre a mesma coisa e seus mais de 40 livros e praticamente não fez romances mas quase que apenas contos e geral ponto bem curto sua linguagem extremamente concisa e que ele apela constantemente para situações eróticas que sabe pornográficos seus inimigos diriam isso seus fãs concordariam mas também pediu que justamente essas características a obsessão de temas a fidelidade aos com a extrema concisão dos personagens lugares são o que fazem de dalton trevisan um grande escritor os noticiários da tv
do rádio jornais impressos mostra um dia a dia a violência dão exemplos de como as pessoas têm se fechado em seus próprios valores e recusado a diferença é a diversidade nenhum peixe ou um de ir das autoras marie-france é bear e janice na dor nos faça aproximar um pouquinho mais dessa dura realidade este livro narra a história de uma menina solvi e fui eu faz a partir do seu próprio ponto de vista e conta como a vida dela muda numa situação em que uma guerra é iniciada ela é tirada de sua casa perde sua família
e toda sua vida mudada sem que nenhuma explicação ou justificativa seja dada a ela ela acompanha a apreensão dos seus pais mas a faz do seu próprio ponto de vista o livro recorre a uma narrativa paralela como uma metáfora o livro preferido de zhou fi e os cuidados que ela tem com um aquário de seu peixe o universo em contraposição ao seu próprio universo que ninguém está cuidando e na verdade o estão destruindo os bens mais preciosos desenvolve seu livro e o seu peixe é parte de sua vida vivida com uma amiga mei amiga querida
que inexplicávelmente não tenha o mesmo destino que ela e que para surpresa de zoff ela descobre que o pai de e mail um dos soldados que expulsa sua família e faz mudar sua vida para sempre há um espaço proposital deixado entre o relato das ações brutais e violentas ea tentativa de mei interpretá los e é nesse espaço que o leitor pode estabelecer relações e interpretar os fatos de acordo com suas próprias experiências e o que conhece sobre essa situação e dessa forma se aproximar cada vez mais de uma realidade dura como essa violência talvez um
outro o tema tabu se pensarmos em livros para as crianças como se as crianças não fossem violentas as crianças quando pequenas têm s e se essa atitude é de forma muito natural e na verdade elas vão entendendo no convívio e na compreensão das relações de que algumas emoções precisam ser controladas o problema quando a violência entra nos livros é um medo talvez de alguns adultos de que essa violência seja novamente despertada nas crianças como se bastasse ler para se fazer alguma coisa ou seguir algo e em isso na verdade porque se isso fosse verdade também
outro lado seria muito simples bastava a gente mostrar coisas positivas e aí bastaria lê las para que a gente pudesse seguir [Música] eu escrevi aqui basicamente nossa mesa nesse computador de seu computador de trabalho tem um outro de lazer e também escrevo sofá e se inscreve na cama mas aqui é o lugar mais oficial acho que as histórias começam a nascer daqui e depois carregando aquela casa mas é basicamente aqui como escrevo vestida geralmente de óculos que não tenho agora é manter uma mania por exemplo não posso me inscrever suada sul jean tem uma coisa
assim sabem que tomar banho também limpa assim taça perfume tem um negócio estranho escrever tenho me sentido muito limpa escrever coisas muito sujas e mais eu gosto excelência nos música geralmente é mais difícil do barulho e durante o dia na parte da manhã e na parte da tarde depende do livro cada livro dita o que ele quer tenho com estoque sair mais pela manhã os tons mais à tarde mas nunca noite já escrevi muito à noite mas hoje em dia no eu escrevo porque eu escrevo virou um hábito virou algo natural de escrever e passou
a fazer parte da minha vida assim eu sentir quando eu estava escrevendo foi uma opção de virar escritora então assim por que escrever não sei muito bem mas é uma coisa natural pra mim flui eu me sinto à vontade quando uma história ver uma história para mim eu sento escrevo e daqui a pouco eu quero revisitar aquela aquele lugar o personagem então eu tenho acho que eu escrevo mas talvez a resposta seria eu escrevo porque eu gosto de estar nesse espaço de ficção que eu criei eu acho que seria isso [Música] oi gente eu sou
mandado ele comentando o tema de hoje eu tenho uma indicação que ao meu ver se encaixa perfeitamente quando a gente pensa é literatura e violência não tem como não comentar sobre o livro feliz ano novo de rubem fonseca que apesar desse título festivo não tem nada diferente nessas histórias a gente se depara aqui com muita brutalidade dos pontos desse livro o autor aborda principalmente a violência urbana como narrativa seca chuta direta e com gorton tanto ácido ele consegue chocar o leitor com essas histórias mas é impossível comentar todos os quinze contos aqui nesses minutos mas
o que a gente percebe de comum entre eles é esse retrato honesto que o autor faz da pobreza da violência de pessoas que vivem à margem da sociedade a gente percebe é que justamente os desafios da vida em sociedade ele critica várias questões sociais nesses contos e ele nos coloca em contato com uma realidade que muitas vezes nós não queremos ver porque é cruel como o próprio rubem fonseca afirma em um dos contos os escritores são perigosas sim eles são perigosos e necessárias eu diria porque eles nos atingem com aquela dose de realidade de muitas
vezes a gente quer escapar a gente quer ignorar mas não deveria porque a gente faz parte de tudo isso as contas desse livro são incríveis eles vão tirar da sua zona de conforto e de fazer pensar é um livro que tem voz é um livro que grita sabe é um livro que precisa ser lido então por favor 6 feliz ano novo da história você ea gente se vê por aí ou no próximo vídeo o coritiba viaja a curitiba cdu chega as carrocinhas com as placas de lenço colorido na cabeça da linha ovos na realidade não
faz uma adaptação literária eu faço uma transposição cinematográfica porque os contos do alto são mais do que um roteiro entendi então eu não na minha na realidade eu não faço essa adaptação fácil uma transposição eu tiro o da literatura dele passa por cinema né eu num mundo diálogo entendeu num às vezes a gente suprime alguma coisinha e tal porque na é no cinema no vídeo a gente precisa suprir alguma coisa que não cabe assim mas eu procuro sempre manter o texto dele na íntegra é que é também por isso que eu faço é sobre o
trabalho dele né se eu fosse ficar cortando eu faria meu texto então né no bolso com as outras abri o jornal [Música] voltando às folhas surpreende o rosto debruçado sobre as agulhas eu sou documentarista na realidade então meu trabalho é só documentar e como eu tenho a facilidade de de trabalhar com os textos do dalton aí ele me segue os trabalhos que é difícil eles e deu trabalho para alguém aí eu comum eu tenho essa facilidade e acaba fazendo flexão né mas em busca de curitiba perdida que é um conto ficcional dele eu fiz uma
transposição para o documentário a gente fez um trabalho 35 no rio de janeiro rubinho lotério que é um diretor de fotografia da boca do lixo que são paulo ele fez uma fotografia é que trabalha há 11 anos 70 então foi bacana assim um com um equipamento que ele levou daqui que é dele uma câmera dele então achei que sim mas sabe quem assistir o filme parece que foi gravado nos anos 70 curitiba da gloriosa bandinha do tiro branco que desfila os domingos na rua 15 na realidade a literatura do dalton não é uma coisa fácil
assim para ler para leigos né porque ele é rico na veia alto faz a narração do dia a dia das pessoas ele conta o que acontece na vida na vida do dia a dia no emmy retrata isso nos contos dele entende a literatura dele é muito visual viajo curitiba dos conquistadores de coco e bengalinha na esquina da escola normal sugiro que é o maior pitão e nada não ganha [Música] a minha dica de livro é a distância de resgate da escritora argentina é samanta schweblin essa que é a versão edição argentina e ele foi ele
saiu no brasil e é uma história que se passa no campo e trata bastante desse terror biológico das plantações de contaminados por agrotóxicos o que acaba interferindo na vida das pessoas as crianças adoecem e morrem os animais também mas tudo isso dentro de uma é at.mosphere fera de um certo horror que tem um elemento ali sobrenatural que a gente não entende muito bem e o impacto dessa história é muito eletrizante algo muito aterrorizante com uma carga violenta assim é muito muito instigante que eu acho que vale a pena conhecer o livro a obra que realmente
tira o leitor do lugar comum [Música] [Aplausos] [Música] [Música] [Música] a proposta [Música]