A escola transforma a educação em um castigo. Sociedades sem escolas. Por Ivan Illich.
Parte 2 Ivan Illich argumenta que o sistema escolar é financiado pela ilusão de que a maioria do que a gente aprende é resultado do seu ensino. Ele até admite que o ensino pode contribuir em alguns tipos de aprendizagem sob determinadas circunstâncias. Mas para ele, a maioria das pessoas adquire a maior parte dos seus conhecimentos fora da escola.
E justamente porque a escola se tornou um espaço de confinamento em que as pessoas passam grande parte de suas vidas. A maior parte da aprendizagem ocorre casualmente. Mesmo a maior parte da aprendizagem intencional não é resultado de uma instrução programada.
As crianças na primeira infância, por exemplo, aprendem no seu próprio ambiente familiar uma das habilidades mais complexas e que define o ser humano: a fala. E todo mundo sabe que quanto mais os pais estimulam os filhos com leituras, com diálogos, com música, com jogos, com brincadeiras provocando a imaginação das crianças com um vocabulário mais desafiador mais as crianças se desenvolvem. Eu não estou falando dessa indústria de jogos pedagógicos que direcionam as brincadeiras e pensam pelas crianças.
Eu falo sobre esse jogo espontâneo que as crianças criam naturalmente no seu próprio ato de brincar. País que se empenham na alfabetização de seus filhos lendo com eles, experimentando os prazeres da descoberta, do aprendizado e da leitura através do seu próprio exemplo, acabam inspirando a formação de estudantes naturais. Ou seja, o estudo e a leitura se tornam hábitos independentes do sistema escolar.
Exatamente porque não há essa lógica do horário, da frequência, da nota e da obrigatoriedade. Ou seja, a gente lê não é porque o professor mandou a gente lê porque é bom. A maioria das pessoas que lê muito e com prazer crê que aprendeu isso na escola; quando conscientizadas, facilmente abandonam esta ilusão.
Em geral, as instituições de ensino insistem que as famílias devem ser "parceiras" do processo de aprendizagem. Como se elas fossem um "complemento" do trabalho que é feito pela escola. Mas na interpretação de Ivan Illich os pais, a família e a comunidade são os grandes educadores das crianças.
E isso apesar do empenho dos professores que também são vítimas desse sistema da mesma forma como os alunos. O fato é que, para ele, a escola atrapalha esse processo de aprendizagem porque faz com que os alunos passem a ter raiva dos estudos. Eu sei que é difícil generalizar, mas vocês sabem qual é um dos principais castigos que os professores utilizam com alunos indisciplinados em sala de aula?
Os alunos ficam de castigo na biblioteca. Ou seja, biblioteca é associada a castigo, a tédio, a punição. Isso é um horror!
Isso é o contrário de educação. E no caso de crianças menores, vocês sabem como muitas professoras chamam aquele espaço que o menino fica de castigo? Cantinho da "reflexão".
Ou seja, reflexão é associada a castigo. Eu mesmo já fui testemunha de uma professora que estava repreendendo um aluno mal-educado dizendo pra ele que educação vem do berço. E a questão é que ela tem razão.
Escola não é sinônimo de educação. Isso significa, portanto, o fim de todos os professores e de todos os cursos? Não.
Mais uma vez, o que não se deve confundir são os conceitos de escola e educação. Em geral os professores têm muita consciência do fracasso desse modelo. Insistem porque acreditam que, quem sabe, um dia as coisas podem mudar.
Insistem porque ficam com medo de perder os seus empregos. Mas ele sofrem também. E além disso, Ivan Illich argumenta que: "O aluno fortemente motivado que se defronta com a tarefa de adquirir uma nova e complexa habilidade pode beneficiar-se muito da disciplina".
Mas é preciso deixar clara a distinção: Sociedade sem escolas não significa sociedade sem educação, sem estudantes, e sem ensino. Na verdade é o contrário. Segundo Ivan Illich, é exatamente o sistema escolar a grade curricular e a obrigatoriedade que atrapalham a educação, interrompe o ensino, prejudica os alunos, violenta os professores e inviabiliza a educação.
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