[Música] salve salve quebrada Nós somos o coletivo Ciranda da Paz uma organização Comunitária feita da comunidade pela comunidade do Jardim Nossa Senhora da Paz que todos conhecem como favela dabrataque lutamos para que nossos direitos sejam garantidos como o acesso à arte e a cultura a lazer saúde educação e assistência social fomos contemplados pelo promic que é o programa Municipal de incentivo à cultura para realizar Nossa terceira temporada do podcast Vozes da comunidade onde entrevistamos escutamos e fazemos ecoar as história não contadas de moradores de diversas periferias para série deste mês iremos escutar as histórias do
São Jorge bairro localizado na Zona Norte de Londrina eu sou o Léo paloco arquiteto e congesttor do coletivo Ciranda da paz e ao meu lado está a minha colega Gabriela meneguelli também com a gestora do coletivo e psicóloga e no final da década de 90 especificamente 23 6 anos atrás Um grupo de aproximadamente 30 famílias iniciaram uma nova ocupação na Zona Norte de Londrina após serem removidas do assentamento no fundo de Vale do Jardim José Giordano Onde viviam e a desta ocupação que nasceu o Jardim São Jorge o bairro hoje com quase três décadas de
história consolidada através de muita luta apesar de reivindicar muitas melhorias acumula uma série de conquistas como asfalto rede de esgoto abastecimento de água e luz e uma escola própria mas que viu o passado se repetir com início de outra ocupação em sua vizinhança no começo dos anos 2000 surge Vizinho ao São Jorge o assentamento Nossa Senhora Aparecida e como é mais conhecido Aparecidinha que chegou a ter suas famílias realocadas pela Cohab companhia de habitação em 2012 mas que foi retomado no início de 2014 atingindo em poucos meses 120 mil metros quadrados o dobro da área
ocupada anteriormente onde atualmente vivem segundo o último censo mais de 600 famílias e aqui no São Jorge que nós estamos hoje para receber os nossos convidados e na primeira entrevista dessa série nós temos ela que é moradora aqui do assentamento desde o dia 28 de fevereiro de 2016 tem 32 anos é mãe de dois filhos e ajudou a afundar o coletivo amigas do São Jorge projeto que integra até hoje estamos falando de Grace crismara seja bem-vinda inda eu queria fazer uma pergunta para você que é sobre a sua história que você Contasse para gente que
você Contasse para o nosso público aí onde que você nasceu Onde você cresceu como foi sua infância e como que você chegou até o São Jorge [Música] estudei terminei meu ensino médio né prestei três vestibulares mas não passei né E tá comecei a trabalhar aí formei minha família né trabalhávamos e tudo e vim parar aqui no Aparecidinha minha mãe já morava minha tia já moravam né e me chamavam para vir ver inglês e vem se vai sair do aluguel pagar a luz eu falei não eu não posso como que eu vou levar minha filha né
para esse lugar né não tem asfalto a água luz não não tem como não vou não vou Gleice vem gente não sabe o futuro de amanhã né O dia de amanhã eu falei não eu não vou não vou não vou aí um belo dia né aconteceu uma coisa na minha família né perdemos emprego eu meu marido falei e agora que a gente vai fazer né e viemos para Comunidade Nossa foi um choque né porque eu acostumada a sair até meus amigos que são diferentes é outra outra linguagem outra cultura né outros outro outras conversas né
E você chega aqui na comunidade encontra as pessoas né completamente diferente né nossa e você falou para a gente que você é aqui de Londrina mesmo aonde que você cresceu eu cresci no Jardim Bandeirantes aí com 11 anos eu mudei do Bandeirantes vim para o Jardim imagawa aqui na zona norte e do jardim imagawa que eu morei até morei lá 13 anos aí eu vim para o assentamento entendi você veio para cá Em qual ano eu vim em 2017 né 2016 2017 e assim falando sobre histórias né como é que foi quando você chegou aqui
né Como que foi a sua adaptação ai foi chocante é muito diferente eu chorava um dia sim um dia não quando eu não chorava era meu esposo na época que chorava Gleice vamos embora o que que a gente tá fazendo aqui eu vou falar ai meu Deus aí eu acalmava ele no outro dia pelo amor de Deus vamos embora eu não quero ficar aqui isso aqui não é vida para gente né aí eu vim para cá e meu irmão trabalhava né então aí eu fiquei na casa dele né aí o meu irmão pegou e teve
que começou a passar todos os dias né a ficar aqui na casa dele aí a gente teve que arrumar outro espaço e para a gente comprar casa a gente não tinha dinheiro né a gente não né apesar de a gente ganhar bem né a gente ganhava muito bem eu e ele ganhava muito bem mas a gente não se planejou economicamente economicamente né A gente só gastava não pensava no futuro achava que o dinheiro não queria acabar né e acabou isso antes de vir para cá isso antes de vir para cá né quando você chegou aqui
você já tava numa situação já tava numa situação assim né que não era favorável né não tinha a gente não tinha o que comer dentro de casa né aí meu irmão vinha trazer as coisas minha mãe fazia almoço fazia Janta na casa dela né até a gente conseguir ser gay né eu começar a trabalhar o meu marido também começar a trabalhar meu esposo começar a trabalhar e como que foi né você falou um pouquinho sobre como o que você sentiu né você e o seu esposo sentiram ela chegar aqui e como que foi assim a
recepção do bairro você falou que você chorava um dia sim dia não que vocês não queriam ficar aqui mas o bairro foi as pessoas te receberam bem Como que foi isso é nossa assim sim nossa eles nos receberam muito bem sabe mas a gente via muita pobreza muita necessidade sabe apesar da gente também tá passando por aquilo mas a gente não imaginava que aquilo ali né era de verdade que tava tão perto de da gente né E a gente não tinha conhecimento mas eles nos acolheu assim de querer Nossa era eu achava muito estranho e
gratificante entristecer meu coração mas alegrava também tipo tem uma bala eles queria dividir até a própria bala era coisa simples eles queriam dividir tudo isso então a gente pode dizer que você teve essa esse choque né tipo essa reação por conta da do estilo de vida que você tinha para o que você veio para cá mas não por conta das pessoas mas por cultura não é mudança é então e falando daí sobre isso né Tipo o bairro era algo que você não tava habituada que tinha uma situação completamente diferente só que isso a gente tá
falando de 2017 né já tem aí um bom tempinho você acha que de 2017 para cá alguma coisa mudou no bairro ou você acredita Quais foram as mudanças se é que mudou alguma coisa ou se continua ainda muito próximo do que é hoje ah não quando eu vim para cá em 2017 né eu não tinha um aparato tipo assim se eu tivesse precisando de alguma coisa né além de contar com a minha família que era a minha mãe o meu irmão né que também mamãe trabalhava também mas não né Não supria também as nossas todas
as necessidades né mas hoje não hoje se chegar uma pessoa aqui na comunidade uma família na comunidade e a gente ficar sabendo né ou a própria comunidade chega até a gente né E falar Gleice então a família assim assim assado tá precisando disso disso né a gente já sabe onde a gente vai a gente tem o projeto né a gente vai para o projeto tia Adriana antes era abrindo né tia Adriana Ó tem uma família assim assada tá precisando disso disso né a gente vai fazer uma vamos lá conversar fazer um vídeo né conversar com
eles então no começo você não teve suporte não tinha isso não não crescendo ainda né aqui morou temporariamente na casa do seu irmão até que você encontrou né um lugar para você morar com seu marido como que foi isso para que lugar foi esse que vocês foram E como que foi de lá até hoje assim não foi assim a gente estava na casa da minha mãe tinha um rapaz nossa que eu nunca vou esquecer nem dele e nem da mãe dele né E chegou lá oferecendo a casinha que ele morava para outra família a minha
mãe escutou né e falou Gleice o Fulano tá vendendo a casinha dele né Eu falei mãe mas como que eu vou comprar eu tinha só uma motinha né Eu tinha uma vizinha eu falei mas como que eu vou comprar né até eu vender a moto e comprar Nossa vai vai demorar né e eu tava precisando mesmo aí minha mãe chamou ele a gente conversou falei assim eu tenho uma bisa assim ele falou não Gleice eu pego só a sua Biz né e só que o dinheiro não complementava né ainda faltava aí ele falou assim ó
Gleice eu vou te Eu Vou parcelar para você por mês dava r$ 200 você vai pagar r$ 200 sem no pagamento e r$ 100 no vale só que o dinheiro você não vai dar para mim eu falei vou dar para quem vamos lá que eu vou mostrar para você para quem que você vai dar o dinheiro e levou Eu e meu esposo até a casa da mãe dele foi você tá vendo essa velhinha aqui eu falei tô Então quando vocês trazer o dinheiro vocês entregam só na mão dela nem se eu for lá e eu
pedi falar Gleice o dinheiro não sei o quê vocês não entrega vai ser na mão dela aí foi isso que aconteceu aí compramos dei minha moto e vão pagando r$ 200 por mês dois anos 2017 no mesmo ano eu cheguei em Fevereiro eu comprei minha consegui comprar a minha casinha em junho em junho E você mora lá até hoje não não moro mais na minha casinha eu era dois cômodos era o quarto o banheiro e a cozinha a gente mexeu né fizemos uma casa boa colocamos piso rebocando fizemos área no fundo área na frente né
E como nós pegamos um terreno com a Cohab a Cohab ela ela nos vendeu esse terreno mas a gente ainda não começou não começou a pagar esse terreno mas já começou uma construir então para construção dessa casa né que a gente vai ter que sair do Aparecidinha né então foi onde a gente investiu o dinheiro né e eu comprei outra casinha que ficava com você também né eu trabalhava no aí já tava dando a comunidade né minha tia tinha um bar minha tia chamou eu para trabalhar nesse bar né então a minha filha ficava comigo
também no bar né ficava na parte dos Fundos então assim vendo a história do assentamento ele começou mais ou menos uns 20 anos atrás né e ele até chegou a ser removido em 2012 mas aí em 2014 ele foi retomado e aí como que é para você morar em uma ocupação né Acho que você falou que você quer sair do aparecidinho Mas como que é para eu não quero sair na verdade né eu vou ter que sair Ah você vai ter que sair eu vou ter que sair porque assim a Cohab passou falando que a
gente que a gente teria que sair então aquilo casou causou um choque na gente né então eles ia estar fornecendo o terreno pra gente que as parcela ia ser bem baratinha não sei o que não sei o quê então eu fui uma das selecionadas para pegar o terreno lá embaixo do Jequitibá É só descer aqui lá embaixo só que depois de dois seis sete meses né a Cohab veio e disse que que não é uma coisa não é uma certeza né que vai né que eles vão parece que legalizar o Aparecidinha entendeu ou seja mudou
o discurso né E aí agora eles vão legalizar o aparelho agora ele tá para ser legalizado tá em comunicação lá com o dono do Aparecidinha né e a Cohab E como que foi como que é a comunidade recebeu isso sabe me parece que eles meio que não tiveram uma conversa com você assim simplesmente falaram e vocês tinham que aceitar então muitas famílias não não optaram porque não tem condições de estar construindo né De começar uma casa do zero não Gleice eu não vou porque eu não tenho condições isso é eu meus filhos eu só ganho
bolsa família né eu falei é complicado eu já optei porque eu fiquei com medo né Uma hora eles abaixassem ali tirasse todo mundo não vocês vão ter que sair viesse com a polícia não vocês vão ter que sair porque a gente sabe que aqui é uma área é como é que fala uma área que vocês vão é que tem o dono né É um lugar privado a gente sabe disso né então a gente eu mesma eu fiquei com medo dele chegar e tirar gente a gente ia para onde e quando foi que eles vieram com
essa esse primeiro discurso de que vocês precisavam sair e ofereceram os terrenos e que você foi uma mudança tem todos os anos porque ele sempre estão passando aqui fazendo vistoria fazendo a numeração das casas né mas foi 2023 vai ser em 2023 22 2021 né que daí foi aonde que a gente começou a ver que tava mexendo lá embaixo né no Jequitibá que ia ser lá e ia ser as pessoas ia ser mesmo contemplado né foi aí então só que aí no caso se você se mudasse para lá vocês iam ter que pagar pelo terreno
né e é isso daí tá uma é uma conversa também que a gente também não sabe porque no dia que foi entregue os terrenos para gente que a gente né foi lá fazer o sorteio eles falou que seria uma diária de 120 a r$ 150 e nós estamos cobrando na época a gente não achou não tão caro né é eu peguei e falei assim porque a gente não achou tão caro porque a gente tava tão assim alvoroçado para pegar aquilo dali né mas depois a gente parou né que daí a gente começou tem o grupo
também lá de baixo começamos a conversar mas por que que a gente vai ter que pagar de 120 a 150 só no terreno sendo que lá no Vista Bela Eles pagam 40 50 60 e poucos reais e eles ganharam a casa e a gente foi como tipo é pera aí gente a gente tá caminhando para um lado errado a gente tem que fazer uma cobrança também vamos atrás dos nossos direitos né Legal [Música] né enfim como é o assentamento morar mas até por todos os lugares por onde a gente passa né que a gente já
tem feito séries em outras periferias as pessoas que moram aqui sempre tem uma visão que a visão realista né de como é o bairro porque elas vivenciam e ao mesmo tempo a gente tem a visão de quem é de fora né como as outras pessoas vêm como que é para você como que você sente que as pessoas de Londrina assim de outros lugares a maioria que nunca pisaram aqui vem o bairro ou tratam os moradores daqui as outras pessoas veem a que eu Aparecidinha como um lugar muito perigoso muito perigoso a gente aqui é muito
discriminado né eu quando eu vim morar aqui eu tinha vários amigos Nossa aquela galera né Tava tudo pensando na minha casa quando eu vim morar no Aparecidinha eu não tive mais amigos não tive eu perdi todos os meus amigos que iam na minha casa ah mas vem aqui na minha casa não Gleice aí é perigoso né aí é muito perigoso é violento é não sei o quê eu falei gente aqui não é vocês escutam muitas histórias Mas a partir do momento que você conhecia a comunidade vocês vão ver que não tem nada a ver né
não tem nada a ver uma coisa com a outra só que à vista como um bairro perigoso né é visto como um bairro perigoso e quando e você tipo quando você não morava aqui né você tinha também um teto assim receio de vir para cá né aí depois você conhecer eu tinha um receio não por ser perigoso não né mas eu tinha receio de trazer a minha filha e e ela tipo assim como que eu vou dizer terra né Como que eu ia Como que eu ia trabalhar né e tem que lavar roupa tipo são
coisas assim bem pequenas mas que fazem muita diferença porque ah emagrecer lavar roupa é energia Como que eu ia lavar e a energia aqui na época a energia não era boa que nem é hoje hoje em dia né Tem muitas casas que não a energia ainda não é boa tem casa que sai energia Comunitária mas desde o começo até agora já melhorou muito entendeu o preço também abaixou bastante Antes quando eu vi morar morar aqui para você puxar porque era só uma pessoa que podia mexer com a energia não podia outra pessoa mexer essa pessoa
cobrava 1.600 para puxar um ponto de energia hoje não hoje você já consegue pagar 300 250 numa energia boa aqui no assentamento era mais por causa disso não pelo mais pelo o lugar tipo Terra sabe e de lá para cá muita coisa mudou assim né e você começou a trabalhar como babá também né É me conta um pouco mais sobre isso e com que você já trabalhou também é antes antes de eu trabalhar Antes de eu vir morar na comunidade eu trabalhava em uma lavanderia que se chama é Lavanderia mas não é que lavam peças
de roupa né ela faz estonagem faz desbotagem né eu trabalhava nisso aí eu pedi as contas e comecei a trabalhar numa padaria aí também pedi as contas da padaria que a gente veio morar aqui aí agora eu vim morar aqui aí uma mãe pediu para mim cuidar de um filho dela falei você tem como você cuidar do João né só que ele é assim o João ele é ele é ele é agitado tem que ficar de olho nele porque ele foge que ele ele tem um problema né uma certa deficiência não o problema certa deficiência
que nem ela sabe nem os médicos não sabe eu falei ah eu cuido Sim eu também tava precisando né aí comecei com o João aí eu fiquei muito doente né Aí eu Dispensei o João falei eu não posso ficar com o João porque eu não tô passando bem né Eu não tenho aonde ficar com o João eu cuido do João na casa da minha mãe né 2017 logo quando eu vi quando você já chegou eu já cheguei é eu já cheguei já fui me virar né na comunidade aí tá e minha tia chamou para trabalhar
no bar dela né Aí eu fui trabalhar um barzinho pequenininho ali né E foi comecei a trabalhar trabalhei trabalhei lá dois anos e pouco e fiquei grávida aí tudo continuei lá no mesmo grávida ganhei neném aí como que eu ia trabalhar né com o nenenzinho pequeno no bar não tinha como aí na época não tem como como a gente vai fazer não tem como aí ele mandou embora né aí as minhas amigas que todo mundo já me conhecia por eu estar trabalhando no bar né ai Gleice Você não sabe de alguém para cuidar do meu
filho eu falei assim ai eu já cuidei mas já faz tanto tempo que eu cuidei né Aí eu comecei a cuidar voltei comecei a cuidar das crianças de novo hoje eu tenho 13 crianças com um bebezinho é e as mães ainda quer que eu pego eu falei gente não tem como é muita onde eu moro agora é muito pequenininho né então a gente não tem o conforto que nem tinha antes né então não tem mais como pegar criança não Nossa deve ser uma correria 13 crianças é assim quando a gente foi quando eu fui te
entrevistar tava cheio de criança lá né bonitinha você falou que é mais tranquila assim né as crianças na parte da manhã é mais tranquilas também né Quantos anos elas têm de quatro aí eu tenho um bebezinho bebezinho que eu cuido que ele tem três meses Vai fazer três meses meu Deus coisa mais gostosa do mundo e tem daí as crianças que tem de um ano e meio e as de 2 anos elas vão para creche então eu levanto de manhã aí tem os pais que trazem para minha casa né Aí eu levo elas para creche
para escola né e depois eu busco elas aí é o dia inteiro é 73 eu saio de casa 7:40 eu chego 11:15 eu saí de casa chego 11:35 meio-dia eu saio de novo chego meio-dia e cinco 1:20 eu saio chego 1:35 4:30 eu saio de novo chego 15 para cinco cinco e 20 eu saio Esses são os horários para levar eles para as escolas né 5:20 eu saio 5:35 eu volto 6:15 eu saio de novo para pegar as crianças na vista dela que tem a minha filha que o Naldo leva e tem e eu busco
a minha filha né eu fiquei sem só de te ouvir explicar essa rotina de ir e voltar o almoço o banho que tem que dar nas crianças tem que arrumar o cabelinho das meninas mas você parece falar com bastante entusiasmo você sempre gostou de criança Você gosta de ficar com as crianças parece que gosta não parece é alegria nossa a minha casa quando ele está é aquela não é uma bagunça né mas assim a casa é cheia né E quando eles não estão agora tem um bebezinho além de ter meu filho também que preenche a
casa eu tenho minha filha também mas agora ela tá com 12 anos então ela já tá pré-adolescente né então agora ela já tá mais excluída da gente né já tá né quer ficar começando a se descobrir assim uma coisa mais perspectiva é e o menininho meu filho vai fazer quatro anos e tem um bebezinho hoje mesmo a casa tá cheia mas porque tem o bebê né mas quando elas são lá a casa cheia é alegria e eles fazem perguntas assim que são muito inteligentes né aqui para além do seu trabalho com as crianças né que
é o que você faz né para ter um remuneração para sobreviver né mesmo que é o seu trabalho você tem um trabalho né que é ser uma das integrantes uma das voluntárias do coletivo amigas do São Jorge eu queria que você Contasse para a gente contrasse para o pessoal é o que é esse coletivo como ele surgiu bom ele surgiu bem assim 2018 finalzinho de 2017 ele surgiu com a nossa amiga abrindo eu chamo ela de Brenda né Porque assim fica comunidade conhece ela mas é o nome dela é Valquíria e surgiu porque tinha uma
menina que ia lá onde eu trabalhava nesse bar e ela não tinha o que comer não tinha que comer Teve um dia tanto que o filho dela não tinha que dá ela deu água com açúcar para criança e eu cheguei em quem eu cheguei na Brenda né foi Brenda ainda nesse dia ainda ela pediu ajuda para mim né para mim levar o filho dela no médico ele tava passando mal que foi onde ela falou para mim que ele tinha bebido água com açúcar que você não chegou em mim não falou para mim né a gente
dava um jeito eu ia a gente pedia fazia uma vaquinha r$ 2 de cada um a gente né todo mundo ajudando aí a Brenda falou assim ai eu não acredito nisso eu falei Brenda tô falando para você ela nossa aí ela falou assim eu vou conversar com a tia Fátima conversar com a tia Fátima fica Fátima Já faz um trabalho fazia faz ainda uma trabalho com os moradores de rua fazia marmita assim né aí a tia Fátima veio mais por causa dessa família mesmo né dessa menina com esse com essa criança só que não era
só ela né tinha várias pessoas aí foi a tia Fátima trazia a sopa E aí todo mundo se se servia levava o potinho e levava e foi foi tomando uma dimensão uma dimensão muito grande né Aí achei era só sopa só que tinha as crianças aí chegava o dia das crianças tia Fátima falou assim viu que que vocês vão querer né já chegando no Dia das Crianças vocês quer que a Tia faz de comida para vocês ai tia faz uma macarronada macarronada é uma coisa simples tá vendo É de sopa que era de macarrão com
legumes né com arroz foi para uma macarronada aí foi a Brenda naquela correria aí a Brenda falava assim o Gleice eu preciso eu ganhei madeira eu ganhei madeira e eu preciso de homem para ir lá me ajudar porque como que eu vou sozinha eu falei assim ai Brenda Espera aí que o bar tá cheio de menino aqui eu vou falar para os meninos ir lá então aprenda falou que é para vocês lá ajudar ela aí foi eles iam lógico se eles não fossem Nossa Brenda era porreta uma pessoa assim muito presente né ai ela é
até hoje ela não tá mais com a gente mas a gente de lembrar se a gente já lembra ela que ela era muito forte nas palavras e tudo ela era gritado mas era o jeito dela gritar eu não sei porque mas eu fico falando Unidas que é um grupo de mulheres também que se reuniu para fazer o que tem que fazer para ajudar o bairro e é chamar Unidas pela comunidade e daí eu fico falando Unidas do São Jorge mas é amiga é a mesma coisa assim são mulheres que se organizam para ajudar a comunidade
né mas então amigas do São Jorge você falou que nasceu em 2018 não ele não foi o amigas do São Jorge ele não nasceu em 2018 foi a parceria com a Brenda Sementinha que ela tava vendo ela tinha vários contatos e elas e ela pedia Brenda ó Fulano não tem leite Brenda ai Gleice eu vou lá a Brenda não tem fralda Brenda tem uma família que não tem aonde morar tanto que aqui na avenida não tinha todas essas casas não tinha sim gente para falar que tem umas casas aqui bem aqui na avenida não tinha
ela Gleice onde que a gente vai colocar tudo esse povo eu falei Brenda tenta lá no fundo o fundo tem um espaço Mas lá no fundo não pode porque daí já é outro dono e o dono lá não permite então a gente também não quer conflito né Aí eu falei para Brenda Brenda vai lá conversa com a comunidade né vê se não tem como a gente fazer aqui na avenida né jogar essas casas porque muitas famílias tá precisando não tem a gente tem gente que tá precisando de lugar para morar não tem aonde ficar e
a gente tem esse espaço é um espaço pequeno é mas já vai ajudar aí A Brenda foi falou com a comunidade e construíram mais casinha aqui entendeu E aí como que aí depois surgiu amigas do São Jorge que são é mulheres que são voluntárias né isso depois de um tempo a tia Fátima vinha fazer a trazer a comida para as crianças né ficou um ano mais ou menos assim né aí a Brenda pegou e falou para tia Adriana né tia Adriana vamos eu queria mas a tia Adriana para contar né Vamos fazer uma parceria né
chamou a tia Adriana Vamos pegar vamos fazer vamos formar um projeto Porque até então era tudo a Brenda Brenda não sei o quê não sei o quê mas não tinha o nome de um projeto né a gente fazia toda aquela correria mas não tinha um nome aí ela chamou a tia Adriana a tia Adriana aceitou Graças a Deus né a tia Adriana aceitou E foi aonde que surgiu o projeto amigas do São Jorge da Adriana já procura aí depois que surgiu assim você mora ali no Aparecidinha né você vê alguma diferença da de lá para
os moradores do bairro São Jorge aqui de Como que foi o coletivo lá Como que foi a atuação do coletivo lá atuam nos dois territórios tanto em São Jorge quanto na Aparecidinha Novo Horizonte em qualquer lugar que a gente a gente tem como ajudar pode ser zona sul né se a gente tiver ali a gente ficar sabendo né que entrar em contato com a gente a gente ficar sabendo a gente tiver como doar a gente vai faz a doação se não puder levar a pessoa vem e busca e leva [Música] as ações de vocês pelo
que a gente já conversou Parece que elas elas envolvem tudo né tipo vocês encaram qualquer coisa que precisa e vão atrás e resolvem e fazem mas a gente percebeu que muitas das atividades acabam sendo voltadas ou para atividades com as mulheres do bairro ou com as crianças Sim é isso mesmo né Essas atividades tanto com as crianças quanto com as mulheres a gente trabalha a gente trabalha com todos né com mas é mais voltada para as crianças e para as mulheres né as mulheres porque não ruim a gente vive num lugar que tem muito preconceito
muito preconceito um lugar muito machista né ah mas não é assim é sim quando a gente é mulher eu tenho uma pessoa muito próxima a mim que ele não entende o que é machismo ele não entende né Eu falo você não sabe o que é porque você é homem você não vive aquilo né então onde a gente mora tem muito isso e as crianças né A gente trabalha com as crianças então tem o projeto lá da igrejinha né que a gente não trabalha só fazendo a doação de alimento fazendo ação de roupa fazendo né doação
às vezes no sabonete escova de dente né do kit higiene né A gente trabalha também com o coração delas né tem o cultinho para as crianças que é todo sábado pastor Haroldo começa duas horas da tarde então lá o pastor trabalha faz é ler a Bíblia para eles é um culto mesmo para as crianças voltar do para as crianças com a linguagem das crianças lá ele também faz o café da tarde das crianças né é muito é gostoso Eu acho que a gente tem inclusive né Você tem um projeto que começou recentemente que é o
de reforço o que acontece até no espaço em que a gente tá agora né Isso faz o que faz duas três semanas né vai te Adriana ganhou esse espaço aqui para ela cuidar né vou dar esse espaço aqui para a senhora para senhora cuidar e ver o que a senhora pode fazer o que a senhora quiser fazer nesse espaço a senhora pode fazer aí a tia Adriana falou e agora né que que a gente vai fazer aí foi tia Adriana foi estudando estudando estudando estudando Vamos trabalhar com as crianças né para leitura desenvolver mais a
leitura o aprendizado dela na escola é uma necessidade muito grande a escola aqui a escola eu não sei como que é um ensino hoje em dia 2023 né ou se é um lugar aonde a gente mora né porque os professores falam que é o lugar onde a gente mora Porque Como chove as crianças não têm acesso à escola a gente prefere não mandar as crianças para escola porque é Barro né esse dia que não chove já é difícil porque a criança chega lá toda suja de terra né imagina quando chove que é barro e como
que você vai sair lá da quarta quinta rua vai chegar aqui a criança tá toda suja eu mesmo eu cuido de criança eu já falava para as mães falei assim ó tem dia quando meu esposo não tiver em casa não tenho como levar as crianças para escola Porque como que eu vou mandar as crianças suja porque as crianças do São Jorge não vão suja vão toda limpinha tomada banho só que do assentamento não não chega suja na escola então não vale asfalto então taco o chinelo taco o tênis todo cheio de barro Então as outras
crianças também tem o preconceito se a criança tiver suja elas não quer brincar aqui no assentamento não tem Nossa a gente tem bastante criança aqui como você que trabalha com criança né Para Além do seu trabalho cuidando você está sempre em contato com as crianças por causa do amigas né como que é a infância das crianças aqui no assentamento elas brincam elas se conhecem elas são porque tem muita criança aquele enorme é eu falo que a minha filha não teve infância né porque a minha filha foi trancada aí dentro de casa né só no caso
o máximo que até o portão não como o filho fique na rua meu filho também não fica na rua mas é que como tem os projetos que fazem as festas para as crianças né então tem mais contato com as outras crianças contato brinca mais se diverte mais é que você falou das mulheres né E você é uma mulher né Eu acho que é legal saber um pouco mais Como que você se organizam né são mulheres que são mães né você tá falando um pouco das crianças de como que é levar para a escola que você
cuida de crianças Então você tem um contato com as mães dessas crianças e também com as mulheres do bairro as mulheres da Comunidade em relação ao projeto cada uma tem sua função Eu acho que eu sou a mais tranquila assim de todas né mas cada uma tem a sua função né tem a tia Adriana com a nossa Líder que delega as funções e tem as mulheres que gostam de cozinhar então elas vão fazer a comida eu falei para elas eu não vou fazer comida não eu não faço comida tia mais que a senhora precisar para
mim tá aqui na comunidade né Porque já era quando a Brenda e a tia Adriana formaram amigas do São Jorge né Então elas foram chamando tia tem como você vir para você vir fazer comida tem não sei o quê não sei o quê e eu como morava na comunidade ou era sempre mais Gleice ó preciso de 15 famílias para uma ação assim assim assado eu tinha corri atrás fora né que a Brenda Me pegava aqui do São Jorge tinha né porque quando a Brenda a Brenda tava viva então era tipo eu ali no meu do
meu lado e tinha as outras do outro lado entendeu as outras voluntária então tipo dava praticamente que tinha graça então a Grazi pegava da rua dela e da rua de trás eu pegava da minha e da outra e da parte de baixo quem a gente conhecia que a gente sabia que estava precisando então era assim então cada uma tem sua função para nossa última pergunta você falou bastante sobre o bairro falou bastante sobre a sua história falou bastante sobre as ações do amigas do São Jorge eu queria que você finalizasse pra gente falando um pouquinho
sobre O que que você pensa para daqui para frente né O que que você gostaria de desenvolver pelo projeto que que você sonha em que conseguir desenvolver pelo projeto e não só pelo projeto mas também quais são os seus sonhos assim os seus planos pessoais para o futuro tanto aqui pro bairro bom para o projeto eu quero que o projeto cresça mais para a gente conseguir ajudar todas as pessoas que chegam para a gente né a comunidade onde eu moro eu quero que né que se desenvolva mais ainda né mas que consiga chegar água né
água encanada certinha né que consiga ter saneamento básico né que tenha o asfalto né que tem uma energia boa para comunidade porque a comunidade Aonde eu moro eu acho ela perfeita apesar da simplicidade que ela tem né eu aprendi amar ali né Eu amo Aonde eu tô eu penso muito né Quando eu descer lá para o Jequitibá eu falar e Senhor meu Deus será que eu vou descer lá para baixo vai ser que nem quando eu morava no Jardim magava né nossa é só trabalho casa mas você não trabalha eu não trabalho mas eu trabalho
com aquilo que eu gosto né Ah eu também vou trabalhar com aquilo que eu gosto mas acho que é o lugar eu vou sentir falta do lugar apesar de ser simples você é muito simples né ter Terra Ai mas é muita coisa eu vou sentir falta e para mim ai eu quero que Deus me dê muito mas muita saúde ele já me dá né mas que ele me dê mais saúde ainda Para mim continuar ajudando as meninas né No que elas fazem também porque cada uma a gente chama cada uma de uma forma né e
eu amo todas elas eu gosto todas elas Eu não posso falar mal de nenhuma delas Olha lá e eu gosto de todos e ela sabe que se elas precisar de mim para qualquer eu de qualquer coisa eu vou lá qualquer coisa eu às vezes eu falo assim eu sou muito boba esses dias eu recebi um telefonema de uma pessoa falando assim que que tinha muitas pessoas em volta de mim que se aproveitava de mim né então eu falei assim ah mas se aproveita até no ponto que eu deixo né porque daí eu vejo que você
aproveitando mesmo né querendo tirar vantagem de algumas coisas mas se for para me ajudar eu vou ajudar a gente vai eu saio disso é 9 e pouco e daí você precisa de tantas pessoas amanhã de manhã e eu vou atrás eu falo meu esposo William tô indo ali ele já sabe o que que é assim é para o projeto ele nem vai atrás ele nem liga deixa eu só peço isso que a comunidade cresça que Deus me dê muita saúde porque se eu tiver saúde e Deus tiver do meu lado eu consigo fazer tudo né
e é isso eu respondi eu respondi Ele responde muito obrigada por várias mulheres algumas delas estão presentes aqui hoje aqui por trás das câmeras mas para a gente encerrar eu queria pedir para que elas viessem aqui rapidinho as meninas as meninas aqui do lado da Grace para a gente encerrar fazer um agradecimento para vocês já que a gente tem né as amigas do São Jorge vamos vamos mostrar as amigas estão chegando né a gente agradece imensamente a presença de todas elas pelo trabalho incrível que elas desenvolvem e a gente convida a todos a assistirem a
entrevista ainda que a gente vai ter com a Fátima e com o Adriana e com a presença aí das nossas queridas amigas do São Jorge é isso obrigada se vocês [Música]