[Música] dentro da proposta de parceria entre a TV USP e o comitê organizador do simpósio florestas e bem-estar humano e na esteira da cop 27 que acontece no Egito nós temos o prazer de conversar com diversos especialistas que tem vindo aqui é Esalq nesse período de 8 a 10 de novembro para participar do simpósio e compartilhar suas experiências um desses especialistas comigo agora Douglas William Cirino Douglas obrigado por aceitar nosso convite Obrigado pelo convite o Douglas ele é bacharel em ciências biológicas bacharel em Ciência e Tecnologia mestre em Ecologia pela Universidade de São Paulo doutorando
em Ecologia também pela USP é esse Douglas pesquisador em Ecologia de paisagens urbanas serviços ecossistemicos o Douglas participou do simpósio florestas e bem-estar humano falando sobre arranjos espaciais do verde em uma megacidade e seu efeito na saúde humana Douglas fala um pouco para gente sobre a tua pesquisa sobre essa pesquisa bom essa pesquisa ela foi a minha pesquisa na verdade de mestrado e continua agora no doutorado como como parte do componente doutorado e a ideia foi investigar como que a distribuição do verde na cidade de São Paulo tava afetando a saúde de uma porção de
pessoas e daí a ideia Central foi pegar uma métrica que era utilizada para ambientes agrícolas dentro da ecologia de paisagem que diz respeito a segregação ou a mistura do verde com as áreas de uso humano e tentar relacionar essa essa métricas de paisagem com a ocorrência de doenças na cidade de São Paulo então eu amostrei dentro da cidade de São Paulo dentre os 96 distritos ou bairros da cidade é tanto a cobertura vegetal da cidade quanto índices de internação por saúde cardiovascular e respiratória e daí então eu relacionei essa cobertura vegetal com essas internações ou
adoecimento dessa população é e também implantei essa essas quatro métricas que eu criei é de lancha é justamente é o compartilhamento do verde com os humano ou a separação do verde e dos humanos e tentei investigar quais fatores né dentro dessa dessa paisagem dessa desse contínuo de lente perring diminuíam mais as internações o número de pessoas internadas em cada um dos distritos e quais foram as suas conclusões os resultados eles são bastante interessantes porque diferente do que a gente tem de pensar na maior parte das vezes é a quantidade de verde ela importa ela é
muito importante o quanto de ver de você tem próximo da casa das pessoas é só que mais importante do que a quantidade de verde é como esse Verde está distribuído na cidade então encontrei que para para as internações cardiovasculares eu diminuo o meu índice de internação a medida que eu espalho Verde pela cidade então ao invés de ter grandes parques ou parques com verde muito denso na cidade aparentemente quando você tem pequenas praças arborização urbana o verde espalhado entre Jardins e pequenos espaços urbanos tendem a diminuir o número de internações por causa das cardiovasculares e
isso provavelmente está ligado a reaproximar as pessoas do verde né porque quando a gente tá num ambiente Urbano a gente tende a ter muito menos contato com a natureza e a natureza digo é qualquer elemento natural necessariamente um parque necessariamente uma área verde grande mas o simples em contato com uma árvore olhar pela sua janela Ver uma flor uma planta Florindo um pássaro cantando e daí a medida que você espalha o verde na cidade por mais que ele não seja um grande verde seja uma árvore que outra árvore ali você tem oportunidade de entrar em
contato mais vezes com esse verde e isso provavelmente acaba gerando benefícios tanto físicos quanto mentais nas pessoas porque a gente sabe que através da teoria da biofilia né Nós temos uma atração natural pela pela natureza e isso pode ajudar assim provavelmente a diminuir em siscardíaco de frequência cardíaca e por consequência diminui o número de internações e para doença respiratória foi muito interessante porque eu tava tentando comparar essa separação do verde esse compartilhamento do verde né a mistura e a separação e a minha resposta foi foi bem clara ao dizer que o meio do caminho é
o melhor então seria uma paisagem mais balanceada onde você tem a manutenção de ma florestais de parques densos no meio da cidade mas você também tem o verde entre as casas na arborização Viária em pequenas rotatórias e coisas assim e por que isso porque provavelmente para doença respiratória em ambientes que você tem um maciço Florestal muito próximo provavelmente ele tá oferecendo um serviço com sistêmico de controle da qualidade do ar e isso melhora qualidade da Saúde respiratória das pessoas e por consequência também elas procuram menos o sistema de saúde para se internar por algum problema
respiratório então foram essas duas as duas principais dois principais achados da pesquisa assim para esses dois tipos de doença e você chegou teve oportunidade chegou a comparar isso tomando como base os dados Que você obteve em São Paulo com índices de outras megacidades não tive a oportunidade de comparar com outras megacidades mas tem vários estudos que mostram já em diversas cidades do mundo que existe essa associação entre o verde e as internações só para citar um exemplo por exemplo é em Madri eles encontraram que num raio de 300 a 500 metros a partir da casa
da pessoa então qualquer direção de 300 a 500 metros a quantidade de verde que tem nesse nesse raio ela diminui a chance de hipertensão e de colesterol e isso é muito mais forte em mulheres do que homens até hoje a gente não sabe o porquê disso na Lituânia por exemplo tem um outro estudo que mostra que a proximidade de áreas verdes então o quão longe você tá do parque mais próximo da sua casa é influencia a sua saúde Só que mais importante do que o quão próximo você tá é se você de fato usa esse
parque então eles entrevistaram as pessoas e as pessoas que é iam para o parque regularmente tinha uma saúde de melhor qualidade do que outras outras pessoas e um estudo ele é o primeiro a olhar porque esses estudos eles costumam olhar para a distância para a cobertura vegetal e a minha proposta foi olhar para distribuição é tentar entender como esse verde tá porque a gente sabe que o verde ele tem um efeito só que é qualquer verde é e o efeito é para o mesmo tipo de doença então eu encontrei isso muito claro né porque quando
eu olho para doença cardiovascular eu tenho uma resposta que é o verde espalhado é muito bom só que a hora que eu olho para doença respiratória eu tenho a resposta de que o verde concentrada é bom também então na hora de se planejar né Fazer o planejamento Urbano planejar uma cidade você tem que pensar em mais de uma de uma possibilidade e isso é bastante interessante porque quando a gente busca paisagens multifuncionais para múltiplos serviços com sistêmicos você tem que pensar em atender todos esses serviços a medida do possível né agora interessante a colocação porque
ela também vamos assim ela descentraliza a responsabilidade porque via de regra a gente pensa em criação e manutenção de grandes parques grandes áreas como uma responsabilidade do poder público mas quando eu falo em descentralizar e Além da questão de criar e manter parques mas talvez ter uma árvore na frente de casa ou deixar de cimentar aquele meu quintal e eu tô de certa forma dizendo que o cidadão comum ele também é corresponsável por essa qualidade sem dúvida eu acho que que mostrar esse efeito através da saúde é uma grande estratégia para conservação de biodiversidade como
todo tanto que ela manutenção dos benefícios que a natureza traz né mas também porque ao falar para a pessoa que você diminui seu risco de infartar porque você mora no lugar mais verde se essa informação chega nas pessoas né se a gente é dissemina a ciência é tantos tomadores de decisão talvez pense em duas vezes antes ou cortar uma árvore ou planejar um barco que não tem árvore ou então se estimule o plantio por parte do poder público mas também estimula as pessoas a terem esse contato esse cuidado com a natureza porque o que você
prefere ter uma árvore na sua casa que você vai apreciar todos os dias e você pode não tá percebendo que ela tá fazendo benefícios para você trazendo benefícios para você mas ela tá ou aumentar o seu risco de infarto Então você começa a contrabalancear as coisas e começa a colocar as pessoas em soluções que são mais imediatas né porque quando a gente fala de Meio Ambiente a gente fala não mas as próximas gerações vão precisar de tal coisa as nossas gerações já estão precisando Então quando você traz para perto eu acho que facilita muito o
diálogo e a conversa com a população em geral com poder público Ou seja é extrema importância da disseminação do conhecimento da comunicação Clara objetiva assertiva com a população você tava falando aí eu tava lembrando Claro que não é mora em Piracicaba acaba anterior do estado não a gente nem compara com a cidade de São Paulo né a Metrópole mas a minha rua é um caso muito templemático porque eu tava lembrando aqui que a única casa que tem uma árvore na frente é a minha E por que outras já tiveram mas a história era aquela suja
aí faz o que derruba alguns derrubar e botar uma lixeira de Ferro outros derrubaram e simplesmente concretaram tudo quer dizer é extremamente importante que esse trabalho de conscientização envolva todo mundo sim sem dúvida essa questão do suja calçada etc é uma coisa cultural muito forte né no interior é muito contraditório isso na verdade porque em São Paulo a gente acaba tendo mais contato com o verde muitas vezes do que algumas cidades do interior porque as cidades anterior tentam se aproximar talvez do desenvolvimento essa coisa de querer seguir essa idade grande então você tira o verde
fica mais precisa da cidade grande mete asfalto em tudo isso exatamente então é importante tentar manter essa questão cultural da proximidade e São Paulo tem uma popularidade que é muito interessante que a gente está cercado por verde de todos os lados já tem a tentar ir em cima a serra do mar embaixo parques grandes etc o que a gente não encontra muitas necessidades anteriores você sai da cidade não tem um parque não tem um verde é agricultura é uma plantação recanovial é exatamente então é aprender a valorizar também o verde que tá em volta mas
principalmente o verde dentro da cidade né e em São Paulo tem muito isso né as regiões mais ricas precisa também ela mostra isso né que seja mesmo mais ricas são justamente as regiões que tem mais verde e as regiões mais pobres são áridas não tem espaço por causa do desenvolvimento desenfreado ocupação irregular enfim as pessoas no vermelho não pensam no verde né o professor Pádua do Instituto de Pesquisa ecológica que diz isso então as pessoas mais pobres na periferia da cidade elas estão menos preocupadas Elas têm outras urgências na vida delas né E talvez porque
elas não saibam os benefícios as informações não chegam né então tem tem que planejar de forma mais mais global e tentar incluir as pessoas nesse planejamento de forma mais efetiva agora tu comentou que no doutorado tu continua da está dando sequência na pesquisa que começou no mestrado é isso e em que etapa está como é que está essa questão aí eu tô ainda no começo da coleta de dados mas a ideia do doutorado agora a gente mapear ou serviço ecossistemico em si então é tentar entender Qual a relação da pessoa com o verde Então a
gente vai fazer isso através de entrevistas estruturadas e questionários para tentar entender o nível de restauração mental de calma que as pessoas sentem Ao estar no parque no ambiente Verde e que tipo de atividades elas procuram fazer atividades recreativas elas procuram Fazer nessas partes então A ideia é olhar para os parques e para as ruas verdes tentar entender Qual a relação das pessoas com essas áreas e depois de entender essa relação é ver se as pessoas que estão adoecendo mais naquela região é porque faltam serviços sistêmicos naquela região então eu tô nessa fase agora de
coletar a opinião e a percepção das pessoas com parcerias enfim colegas a respeito da dos parques e das áreas verdes agora é uma temática Douglas que acaba envolvendo pela complexidade diversas áreas do saber e quando a gente fala de poder público provavelmente acaba envolvendo também diversos atores né quer dizer não se delimita simplesmente o pessoal da secretaria de Defesa do meio ambiente mas necessariamente para um trabalho mais amplo mais mais produtivo acaba envolvendo ou necessariamente deveria envolver pessoal da área da saúde de planejamento urbano de obras e assim por diante como é que tu vê
essa questão na cidade de São Paulo olha na cidade de São Paulo ultimamente a gente tem tido um bom diálogo o meu laboratório no laboratório de trabalho do professor Jean Paul mester tá agora um projeto que chama biota síntese e esse projeto ele é justamente a resposta científica para a políticas públicas então a gente está associado com a Secretaria de Saúde a Secretaria de Meio Ambiente é Secretaria de infraestrutura enfim justamente para eles trazerem as perguntas que são mais urgentes a eles e a gente tentar responder essas perguntas de alguma forma mas é realmente muito
difícil de se planejar tudo porque envolve todas as esferas né porque é muito fácil a gente falar não tem as árvores na rua é super importante etc daí você vai para uma zona periférica da cidade de São Paulo não tem nem calçada como você vai ter uma árvore na calçada tem muitas vezes nem a delimitação do terreno era uma ocupação irregular que regularizou depois Enfim então tem é um trabalho muito muito complexo assim é mais importante é buscar pelos padrões né é tentar entender as coisas que funcionam as coisas que não funcionam e daí é
trabalho de formiguinha a longo prazo implementar todas essas essas decisões essas esses achados etc e na tua leitura enquanto pesquisador Qual é a importância de eventos dessa natureza como do simpósio para tratar dessas problemáticas para buscar alternativas de forma conjunta eu acho que é essencial principalmente da forma como esse simpósio se deu Então é eu tô muito mais para academia né para pesquisa enquanto enquanto cientista mas existem outras visões que não a minha cientista que tem viés porque somos humanos têm crenças tem tudo isso existem outras visões então tem o tomador de decisão poder público
Vereador ou secretário tem as ONGs né que é o terceiro setor tem a população em geral tem as pessoas que se interessam pelo tema mas não trabalham com o tema e não se importa a gente viu muito isso nesses nesses dias de que as pessoas elas são muito diversificadas na participação dos impostos Então tinha tanto a gente da ciência no ambiente aqui acadêmico dentro de uma universidade a gente também recebeu secretários diretores de instituições públicas de repartições públicas recebemos Vereador recebemos então conversar com essas pessoas enquanto estando na ciência e ouvir o que elas têm
a dizer eu acho que ajuda muito inclusive para moldar a forma como eu caminho com a minha pesquisa com as minhas práticas do dia a dia para encerrar Douglas quem quiser conhecer mais a fundo teu trabalho de pesquisa tanto aquilo que tu desenvolveu no mestrado como aquilo que tem desenvolvido no doutorado as atividades né do laboratório no qual está envolvido como é que deve proceder pode entrar em contato comigo através do meu e-mail que é Douglas ponto
[email protected] me encontrar nas redes sociais Douglas ponto Cirino ou Doug ponto Cirino tô sempre por lá em breve
vai sair no vai sair na rede né o site do biota síntese que é esse projeto do professor Jean Paul Medica que eu que eu comentei é ideia a gente vai estar lá no site também todas as iniciativas breve quando tem ideia não mais ou menos Ah eu acho que dentro de um mês ele tá no ar já o site até procurar por biota síntese você vai encontrar você vai encontrar já outras matérias que antes do site Douglas mais uma vez obrigado por aceitar o nosso convite Eu que agradeço eu conversei com o cientista pesquisador
Douglas William Cirino que foi um dos palestrantes que participou aqui do simpósio florestas e bem-estar humano agradeço aproveito para agradecer a professora Teresa magro e toda sua equipe da comissão organizadora pelo apoio pela parceria com a TV USP para possibilitar que essa série de entrevistas se tornasse realidade Agradeço também é você que nos acompanhou Lembrando que suas dúvidas críticas sugestões e comentários são sempre muito bem-vindos a sua opinião é muito importante para nós Então escreva através dos perfis da TV USP nas redes sociais nós nos encontramos no próximo programa mais uma vez obrigado pela companhia
e até lá [Música]