[Música] Olá, pessoal! Tudo bem? Vamos dar continuidade à parte dois da nossa unidade.
Hoje, nós vamos falar sobre os desafios da educação. A educação passa por muitos desafios, e eu quero trazer para vocês quatro desses desafios. O primeiro, que eu acho que é o desafio mais importante, é a falta de recursos; é aquele que está relacionado ao investimento destinado às escolas.
Acho que esse é o maior desafio que temos hoje, pois ainda existem escolas em situações muito precárias, além do acesso à escola e da acessibilidade. Eu acho que outro desafio para a educação é que o acesso à educação básica ainda não é garantido em 100% para as crianças e adolescentes. Muitas crianças e muitos adolescentes de comunidades quilombolas e das regiões rurais do nosso país, em locais afastados e de difícil acesso, são os que mais sofrem com a falta de acesso à escola.
E as que têm acesso, muitas vezes, enfrentam muitos desafios para chegar até a escola, o que impacta diretamente no seu desenvolvimento. No dia a dia, às vezes, elas acordam muito cedo, enfrentam trajetos perigosos e difíceis, e quando a criança chega à escola, isso com certeza impacta seu aprendizado e nas atividades desenvolvidas em sala. A formação dos professores, que eu acho que é o segundo desafio mais agravante, é o que mais nos preocupa.
Cada vez temos menos profissionais se formando na área da educação e menos ainda são aqueles que conseguem, diante das dificuldades da nossa profissão, continuar seus estudos, especializando-se para atender melhor as demandas do nosso país. O quarto desafio que eu trago para vocês é o desafio das novas tecnologias. Um dos grandes desafios para a educação do século XXI é a adaptação às novas formas de tecnologia.
Temos um contexto em que os docentes são impactados por entender essas mudanças necessárias, pois o ensino tradicional não é mais adequado para esses jovens e crianças. Esse crescente avanço na tecnologia, principalmente a tecnologia de telecomunicação, juntamente com a população de smartphones, apresenta números altíssimos por metro quadrado da nossa população, e tem bombardeado os nossos jovens e crianças com grandes informações, muitas vezes com histórico duvidoso. Reportagens trazem conteúdos que não são relevantes para sua formação e carecem de fontes confiáveis.
Muitas vezes, esses conteúdos são divulgados nas redes sociais e aplicativos de mensagem. Eu trago também para vocês quais são as demandas sociais e quais são os desafios da formação docente no Brasil. A formação de professores é crucial para enfrentar os desafios sociais.
É isso mesmo: quanto mais preparados os professores estiverem diante de tantos contextos desafiadores do século XXI, mais conseguirão enfrentar os desafios sociais. O Brasil é um dos países que investe menos em professores do que outros países. Conforme a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o Brasil está entre os países que menos investem em educação, conforme apontado no relatório da OCDE.
Segundo levantamento, entre 2015 e 2021, o investimento em educação, da básica ao superior no Brasil, caiu em média 2% a cada ano, enquanto em outros países da OCDE o investimento aumentou 2,1% a cada ano no mesmo período. Entre os 40 países da organização, o Brasil está em 10º lugar entre os que menos investem na educação. Quanto o governo gasta por aluno?
A média anual é equivalente a R$ 2,500, ou melhor, R$ 20,5, como consta no relatório da OCDE. Eu trago também alguns retratos dos problemas que ainda existem na educação brasileira. Hoje, no Brasil, 7% dos estudantes com idade entre 7 e 14 anos se encontram na escola.
No entanto, o restante, que são 33%, correspondendo a aproximadamente 1,5 milhão de pessoas em idade escolar, está fora da sala de aula. Para cada 100 alunos que entram na primeira série, somente 47 terminam o 9º ano, e apenas 14 concluem o ensino médio sem interrupção. Apenas 1% chega à universidade.
É um número muito baixo. Além disso, 61% dos alunos dos quintos anos não conseguem interpretar um texto simples, 60% dos alunos dos nonos anos não interpretam textos dissertativos, e 65% dos alunos dos quintos anos não dominam o cálculo. E 60% desses alunos dos nonos anos não sabem realizar cálculos de porcentagem.
Digo para vocês que temos uma experiência vivenciada onde essa degradação da educação impacta significativamente no desenvolvimento desses alunos. Trabalhamos com cursos técnicos e sentimos a dificuldade com a qual esses alunos chegam para a profissionalização. Eles enfrentam desafios, como a dificuldade de leitura e interpretação, um número preocupante.
Temos, então, uma complexidade nas demandas sociais atuais, na diversidade, na inclusão, como falamos anteriormente, na tecnologia da educação e nas desigualdades sociais que impactam a aprendizagem. O professor é o agente de transformação. Como mencionei sobre a tecnologia, ela foi muito impactada pela COVID-19, onde as escolas tiveram que se adaptar a essa nova forma de educação.
Isso traz um grande impacto, pois o acesso à internet nas escolas do ensino fundamental varia por regiões. Mostra-se que no Norte há menos acesso à internet enquanto o Sul tem o maior acesso. De acordo com dados do Censo 2020, 40% das escolas rurais possuem ao menos um computador com acesso à internet, e 9% das escolas rurais têm acesso à rede por meio de outros dispositivos.
Isso, para trazer e amenizar, foi criada uma estratégia nacional das Escolas Conectadas. É um esforço que o governo federal, em colaboração com sistemas de ensino, visa direcionar e garantir a conectividade para fins pedagógicos em todas as escolas públicas da Educação Básica do país. É um apoio à aquisição e melhoria dos dispositivos e equipamentos presentes nas escolas.
Para atingir esses objetivos, a estratégia nacional vai desde garantir que os educadores tenham acesso às diferentes formas de tecnologia, com uma formação que lhes permita desenvolver o uso consciente, autônomo e socialmente referenciado, até garantir que, tanto os processos de gestão dos sistemas de ensino e das escolas quanto as práticas pedagógicas desenvolvidas no processo de ensino e aprendizagem, possam ampliar sua qualidade e sua potência por meio do uso mais consciente, contextualizado e de tecnologias digitais. Para nós finalizarmos a nossa aula, eu quero trazer para vocês que, à medida que a sociedade evolui, é essencial que os educadores estejam preparados para os novos desafios. A formação continuada cria oportunidades flexíveis, promovendo a colaboração global e o compartilhamento de conhecimento.
Meu muito obrigada! Vamos nos ver na próxima aula. Bons estudos!