Sejam muito bem vindos! Esta é a terceira unidade da disciplina "Metododologia de Ensino de Língua Portuguesa". Apartir desta unidade vamos tratar do ensino de Língua Portuguesa como segunda língua.
Lenildo: Qual o tema do vídeo de hoje? Alessandra: Vamos falar hoje de ensino de Língua Portuguesa como segunda língua. Você sabia que no Brasil, o direito dos alunos surdos a uma educação que contemple as duas línguas - a Brasileira de Sinais e a Portuguesa - é garantido desde 2005?
Lenildo: Que ótimo, Não sabia. Quero saber mais. Alessandra: Podemos estudar mais tendo este texto como base.
Na unidade anterior, vimos questões relacionadas à constituição da profissionalidade docente e a disciplina de Língua Portuguesa, bem como os documentos oficiais que embasam o ensino de Língua Portuguesa nas escolas, especificamente na Educação Básica e no ciclo de atuação do pedagogo. Também discutimos o importante papel da escola e do professor na formação de leitores e como se dá o ensino da escrita e da gramática. O ensino baseado em gêneros textuais, seguindo os pressupostos dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, é o grande diferencial nos dias de hoje.
Agora, vamos fazer um percurso histórico das metodologias e visão de língua e linguagem na história do ensino de Língua Portuguesa para surdos. Leremos e discutiremos o texto "O ensino de português como segunda língua para surdos: princípios teóricos e metodológicos", da pesquisadora Maria Cristina da Cunha Pereira. Esse texto faz um percurso sobre o ensino de Língua Portuguesa que tem sido ministrado para alunos surdos, proibindo, muitas vezes, o uso da LIBRAS e que se fundamenta na visão de língua como código, gerando efeitos negativos na metodologia de ensino de leitura e de escrita.
Essas abordagens estão intimamente relacionadas com as concepções de língua e linguagem que haviam na época e influenciaram todo o ensino de línguas, não só o ensino de surdos, mas o ensino de línguas de maneira geral. Vocês já leram um pouco a respeito? Hoje, a corrente mais defendida é o bilinguísmo, em que a língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é respeitada, sendo a língua materna do sujeito surdo, e a Língua Portuguesa é aprendida como segunda língua na modalidade escrita.
Mas, antes do bilinguismo, outras abordagens influenciaram o ensino de surdos. Vamos ver detalhadamente cada uma delas? O oralismo foi uma abordagem tão forte que, ainda, sentimos seus resquícios em muitos contextos escolares.
Basicamente, o oralismo é a integração do indivíduo surdo na comunidade ouvinte, visando oferecer condições do surdo desenvolver a língua oral oficial do país em que vive. O ensino é restrito à língua oral, que deve ser a única forma de comunicação dos surdos. Acreditava-se que para que a criança surda se comunicar bem, era preciso que ela conseguisse oralizar.
A língua oral é vista como a única forma desejável de comunicação do surdo, rejeitando qualquer forma de gestualização, bem como a LIBRAS. Acreditava-se que a criança que não recebesse a estimulação precoce e começasse a se comunicar por meio de sinais, sofreria um enorme prejuízo no aprendizado da oralização. Dessa forma, a maioria dos defensores dessa abordagem não reconhecia a língua de sinais como sendo uma língua e acreditava fielmente que somente por meio do oralismo a criança surda atingiria o êxito na comunicação e na educação.
Passaremos agora para a próxima abordagem em que a visão sobre a LIBRAS começa a mudar um pouquinho. . .
A Comunicação Total se preocupa com os processos de comunicação entre os seres humanos, ouvintes ou surdos. Preocupa-se, também, com a aprendizagem, acreditando que os aspectos cognitivos, sociais e emocionais não devam ser esquecidos. Na década de 1960, estudos indicaram que, em ambientes em que há a presença da Comunicação Total, crianças surdas demonstram mais habilidades para se comunicar e, consequentemente, mais êxito na escola.
O principal objetivo dessa abordagem é a interação do sujeito com o outro e a forma pela qual essa comunicação acontecerá não é importante, pois tudo é válido, contanto que haja um entendimento entre as partes. Dessa forma, a Comunicação Total traz para a comunidade surda uma bagagem social com os sinais, somando o oral com a escrita. Podemos resumir que o objetivo principal dessa abordagem é proporcionar uma comunicação acessível ao surdo, de forma mais livre, tornando-se aceitável o uso do Português Sinalizado, o que acarretou em uma grande limitação, por ser uma adaptação das estruturas do português, rejeitando a estrutura da LIBRAS.
Passaremos, agora, para a última abordagem: o bilinguismo. O bilinguismo é uma proposta que torna acessível ao surdo duas línguas no contexto escolar em que está inserido, devendo dominar, primeiramente, a língua de sinais, sendo uma língua que ele aprenderá com naturalidade e facilidade, adquirida de forma espontânea e, posteriormente, a língua oficial que circula em seu país, a Língua Portuguesa. O bilinguismo propõe que o surdo se comunique fluentemente na língua de sinais e na língua oficial escrita, defendendo um maior contato entre os surdos, promovendo o processo de identificação com a comunidade, o que é um fator definitivo para o desenvolvimento da sua identidade.
Agora, vamos ler o texto desta unidade. Depois, vamos discutir algumas questões no fórum? Até lá!