Estamos de volta para falar sobre a morte do cachorro Orelha, que mobilizou o país essa semana. Orelha era um cão comunitário, daqueles que não tem um dono só. Ele era cuidado pela vizinhança da praia brava em Florianópolis.
>> No início de janeiro, Orelha foi encontrado agonizando e não resistiu aos ferimentos. [música] A investigação aponta que ele foi vítima de agressão e a polícia apura o envolvimento de adolescentes. [música] O caso causou comoção e revolta e também uma onda de boatos [música] nas redes sociais.
>> O Fantástico teve acesso a depoimentos e imagens que ajudam a entender a cronologia desse caso. O que já se sabe, [música] o que ainda falta esclarecer. A reportagem é de Anp, Mário [música] Gomes e Marcela Mode.
O mar era o quintal de casa e na vizinhança não faltava dengo. >> Que eu sou, eu sou da praia, mas eu gosto de uma maçã que eu gosto >> o nome dele? Orelha.
>> Orelha. Orelha. Um morador boa praça e muito conhecido na praia brava, um bairro do norte de Florianópolis.
Ele ia com todo mundo, tirar, ele tirava foto com todo mundo. Ele era bem popular, nem sabia que ele era tão popular na na [música] praia. >> Não tinha um tutor, tinha vários.
Um bairro inteiro. Era um cão comunitário. >> Toda a comunidade realmente cuidava dele no dia a dia.
>> Orelha tinha aparecido no bairro. havia pelo menos 10 anos, andava para lá e para cá com moradores e turistas e participava para valer da rotina de quem vive aqui. >> Na pescaria lá estava ele >> e também gostava de uma festa.
>> Quando havia uma cerimônia, um conglomerado de pessoas, apareci orelha para ver o que que tá acontecendo, né? Ele era um ser vigilante aqui na praia, né? Foi assim até o dia 4 de janeiro.
Este foi o último registro do Orelha Passeando pelo bairro. >> Foi nessa rua? >> Foi nessa rua.
Na segunda-feira eu vim resgatar ele para levar o veterinário. Quando eu cheguei, ele tava numa situação agonizando já. Tava aqui >> embaixo.
É embaixo aqui de um carro. Eu puxei ele pelas patinhas. >> Derlin foi o veterinário [música] que fez o atendimento de emergência.
lesões na cabeça, no olho, principalmente no lado esquerdo e desidratado, sem quase nenhum movimento, não tinha reflexo. Foi tentado dar os primeiros primeiros procedimentos, a o a soroterapia e tentar levantar ele, mas como ele estava muito grave, ele veio a óbito logo em seguida. >> Foi uma agressão.
>> Uma agressão. >> Você descarta um acidente? Descarto o acidente.
>> Uma moradora [música] registrou um boletim de ocorrência para relatar o caso no dia 6. A morte do Orelha provocou uma comoção no bairro. Na velocidade das redes sociais, o fato virou assunto na cidade, no estado [música] e até fora do país.
E nas mesmas redes ganhou muitas versões. >> Inventaram um monte de coisa de eutanásia, [música] de beisebol, de prego, não tem nada disso. >> Quase uma semana depois da morte do Orelha, os moradores começam a falar sobre uma possível testemunha importante.
Um porteiro que trabalha num dos condomínios do bairro. inicialmente que ele tinha um vídeo da agressão, que ele tinha filmado um vídeo. >> Depoimentos coletados pela polícia mostram que desde o começo do verão, adolescentes que passam temporada por aqui tiveram uma série de desentendimentos com o porteiro por conta de bagunça, xingamentos, depredação e restrição de horário de entrada e saída do prédio.
Durante uma das discussões, o porteiro fotografou dois rapazes e enviou junto com um áudio num grupo de mensagens. Ele falava sobre rapazes que vinham provocando problemas aqui na comunidade. Na mesma noite que eles arranjaram confusão comigo, eles parecada nos cachorros e depois foi lá e mexer na barraca ainda.
É seis folgados. São seis folgados que tem aí. >> O Fantástico teve acesso a dados da investigação.
O porteiro prestou dois depoimentos. Ele falou dos atritos com os adolescentes. >> Eu fui bastante xingado, né?
Eu tenho vídeos deles danificando as lixeiras na frente do condomínio, isso 2 3 horas da manhã e eles chegavam de porteiro de eh assalariado lá, não sei o quê, e velho e barbudo. E eu gravei bem esses guri >> por causa dessas coisas. >> Sobre a foto enviada por ele, explica que depois ela foi apagada e que mandou mensagem para comentar sobre uma barraca de praia que tinha sido danificada.
Quebrado garrafa, arrombaram, subido, tem vindo eles de cima da barraca. >> Ele também foi questionado sobre o que sabia sobre a morte do orelha. Agora lá sobre a situação do cachorro, eu não posso acusar que foi eles.
E eu digo pra senhora, se eu tivesse visto aí batendo no cachorro, eu diria que era eles. >> A verdade, tudo que ele já disse em relação ao fato, ele já comunicou. Ele não tem como falar um fato que ele não presenciou.
Ao saber das discussões e que dois dos rapazes que tinham sido fotografados, os pais desses dois adolescentes e o tio de um deles foram até a portaria. Um dos encontros foi registrado pelas câmeras de segurança >> e nesse momento eh uma dessas pessoas estava com volume na região da cintura, que deu a entender ali tanto pra vítima, que seria a pessoa coagida, quanto para duas testemunhas que estavam presentes no momento da discussão, que poderia ser uma arma de fogo. Nós se apresentamos pro mandado de busca e apreensão no endereço desse suspeito e não foi localizada essa arma.
>> A conversa durou cerca de 20 minutos. Depois do episódio, o porteiro registrou o boletim de ocorrência por ameaça e as famílias dos rapazes registraram bo ao saber que a foto dos adolescentes circulava na internet depois da mensagem do porteiro no grupo de conversas. Justiça!
>> Já tinham se passado 10 dias da morte do cãozinho orelha. A essa altura, nomes, imagens e endereços de adolescentes foram postados nas redes como os autores das agressões. E a polícia investigava um possível caso de violência contra um outro cão da comunidade, o caramelo.
Imagens de câmeras de segurança mostram o cachorro com rapazes na praia. Em depoimento à polícia, essa testemunha afirma ter visto um deles com o caramelo no mar. >> Chegou altur da praia, onde já nossas câmeras já não alcançam.
É só uma palavra minha que não tem imagem. Ele pegou e focou o cão pra água. Só que o cachorro ele ficou assustado, conseguiu fugir dele, voltou para trás.
>> Esse caso do cão caramelo, as pessoas, os adolescentes investigados não têm relação com o caso do cão orelha, são outros adolescentes. >> A polícia cumpriu mandados de busca e apreensão nas casas de quatro adolescentes apontados como suspeitos e em endereços ligados aos responsáveis pelos rapazes. A polícia dividiu a investigação em cinco casos.
Quatro envolvem adolescentes. O que apura a morte do orelha, o de agressões ao cachorro caramelo, o de depredação e furto a um kiosque na praia e o de ameaça e injúria em que o porteiro é a vítima. Tem ainda um último caso, esse envolvendo adultos.
O de coação à testemunha. >> O inquérito contra os adultos foi concluído em uma semana. Três pessoas foram indiciadas, dois pais e o tio de um dos adolescentes.
Eles negam a coação. Na última quinta-feira, dois dos quatro adolescentes, apontados como suspeitos da morte do Orelha, voltaram dos Estados Unidos. De acordo com as famílias e com a polícia, eles estavam numa viagem pré-programada com a turma da escola.
Ainda no aeroporto, os investigadores apreenderam os telefones celulares, concluindo os mandados de busca e apreensão. >> Os celulares estão apreendidos. Eles estão em posse da polícia científica que tá realizando a extração de todas as informações dos quatro aparelhos para ver se é encontrado mais algum elemento de informação.
>> Muita gente cobrou sobre as identidades dos suspeitos que não foram divulgadas pela polícia. Como se trata de menores de 18 anos, o Estatuto da Criança do Adolescente proíbe a divulgação de imagens ou informações de jovens que estejam ou possam estar envolvidos em atos infracionais. Até agora a polícia descarta a possibilidade da agressão ao cão orelha estar ligada aos chamados desafios de internet, >> seja no Discord, seja em grupos de Telegram, seja na dark web ou na deep web.
Então a gente faz um eh monitoramento dessas condutas. [música] Não identificamos nada durante todos esses monitoramentos que estamos realizando desde o dia 16. eh envolvimento de grupos de estímulo à prática de agressões.
>> Na busca por informações sobre os agressores do cão orelha, a polícia já ouviu mais de 20 testemunhas e analisa cerca de 1000 horas de imagens registradas por câmeras de segurança na Praia Brava. >> Nessas quase 1000 horas de imagens, tem alguma cena, tem alguma imagem do cão, do Orelha com adolescentes? Até onde eu sei deles com orelha não.
Até porque se tivesse também facilitaria pra gente. >> Há [música] registro a imagem registrada da agressão contra o cachorro? >> Não, a imagem do momento exato da agressão.
Não >> há testemunhas >> do momento da agressão? Não. >> Alguém viu >> o momento exato da agressão?
Nós não temos. Nós temos um feixo de indígenas convergentes que levaram aí essa suspeita de envolvimento de adolescentes. E esse é o nosso desafio investigativo, nós juntarmos ali as peças do quebra-cabeça pra gente conseguir esclarecer o que aconteceu.
>> Nós conversamos com o pai de um dos adolescentes investigados pela polícia. A educação que eu e minha esposa damos para ele não foi de passar a mão na cabeça dele. Se ele fez alguma coisa e ficar provado, ele tem que responder.
Mas tem que ser provado, porque até agora só foram acusações, acusações, acusações e não tem nada. Não apresentaram absolutamente nada. A gente quer justiça tanto quanto as outras pessoas.
Nós esperamos que os depoimentos sejam colhidos o quanto antes, que a verdade venha à tona e a partir daí todos os adolescentes que não t culpa alguma, no caso, sejam publicamente inocentados e se eventualmente algum deles tiver alguma parcela de contribuição com qualquer mausto eh delito de quiosque ou de caminhar nas ruas, etc. , que eles sejam sim responsabilizados, mas na medida da sua culpabilidade, por óbvio. >> O inquérito de coação ao porteiro já está com o Ministério Público, que também vai analisar o restante das investigações quando forem concluídas.
o Ministério Público eh [música] tem como eh missão eh fazer justiça, promover justiça. E justiça significa eh dentro daquilo que a lei estabelece [música] como eh como caminho, amealhar todas as provas possíveis [música] e chegar à verdade real. >> Ontem a Polícia Civil atualizou informações sobre os quatro adolescentes investigados.
Já se descarta a participação de um deles, né, desses citados por, no caso do cão orelha, na praia brava, o local onde o cãozinho ficava é agora um ponto de homenagem. >> E o Orelha vai fazer falta? >> Nossa, como faz?
>> Antes ele era [música] um símbolo nosso, né, da praia brava, um mascote muito amado por todos. E hoje eu acho que ele virou um símbolo no Brasil nessa luta contra [música] a agressão e maus tratos contra os animais. É muita gente que está à espera [música] de respostas.