Nesse vídeo vamos falar sobre uma região da França que embora faça fronteira com o Brasil, parecemos pouco conhecer. Olá, meu nome é Ederson, seja muito bem-vindo ao canal Aprendiz Explorador e hoje vamos juntos conhecer a Guiana Francesa. Ao contrário do que possa parecer, esse lugar não é considerado um país e sim um território ultramarino francês aliás, esse é o maior e mais antigo território ultramarino da França.
Localizada no norte da América do Sul a Guiana Francesa é banhada pelo oceano Atlântico ao norte e faz fronteira com o Suriname ao oeste e com o Brasil ao leste e sul, através do estado do Amapá. Com uma área de 83. 534 km², a Guiana Francesa possui a menor extensão territorial da América do Sul, sendo que ela é um pouco menor do que o estado brasileiro de Santa Catarina.
Ela está localizada a cerca de 7 mil km de distância do território francês, no continente europeu e consiste na segunda maior região da França Embora esteja situada na América do Sul, faz parte da União Europeia, sendo inclusive como a maior região da União Europeia fora do continente europeu. A Guiana Francesa possui um revelo plano, com poucas elevações em seu território, onde predomina uma floresta tropical extremamente densa que cobre aproximadamente 90% da sua superfície. Localizada próxima da linha do Equador, a Guiana Francesa possui um clima tropical quente e úmido, com temperaturas altas o ano todo e períodos de muitas chuvas, sendo que a temperatura média anual é de 27°C .
Uma característica marcante da sua geografia é a presença de inúmeros rios em seu território, sendo que o termo “Guiana” provém da língua indígena aruaque e significa “terra de muitas águas”. Aliás, antes de continuarmos falando da Guiana Francesa, vamos trazer uma breve contextualização da região das Guianas, que para muitos ainda é a parte mais desconhecida do continente sul americano. As Guianas são consideradas como uma subdivisão da América do Sul e são basicamente compostas pela Guiana, que anteriormente era chamada de Guiana Inglesa e obteve a sua independência do Reino Unido em 1966 pelo Suriname, que no passado era chamado de Guiana Holandesa e obteve a sua independência da Holanda em 1975 e pela Guiana Francesa, que atualmente é a única região continental da América que ainda permanece sobre o controle de um país europeu.
Vale citar que ainda existem algumas ilhas nas Américas que são possessões do Reino Unido, da Holanda e da França porém após a independência de Belize em 1981, a Guiana Francesa tornou-se o último território continental americano que ainda pertence a uma potência europeia. Além disso a definição das Guianas pode incluir alguns territórios adjacentes de países vizinhos como a região de Guayana que atualmente pertente a Venezuela e que no passado já foi chamada de Guiana Espanhola e do estado brasileiro do Amapá que já foi conhecido como a Guiana Portuguesa. A região das Guianas possui características geográficas semelhantes, com inúmeros rios, um clima tropical e uma floresta de difícil acesso porém apresentam características de colonização diferentes dos demais países sul americanos, especialmente por não terem sido colonizadas por Portugal e Espanha.
Ao longo do tempo esses territórios acabaram mantendo relações mais próximas com os seus colonizadores europeus e com países da região do Caribe o que pode ajudar a explicar o fato de hoje termos menos interação com essa região. O local que atualmente corresponde ao território da Guiana Francesa foi habitado no passado por diferentes povos indígenas, com destaque para os aruaques. Acredita-se que os primeiros europeus tenham chegado no ano de 1499, em uma expedição comanda pelo espanhol Vicente Pinzón.
No ano de 1503 foi registrado o primeiro assentamento francês nesse local, porém as primeiras tentativas de colonização foram frustradas em razão da resistência dos indígenas e das doenças tropicais que causaram a morte de inúmeros colonizadores. Essa região foi inicialmente utilizada para o cultivo da cana-de-açúcar pelos franceses, que trouxeram inúmeros escravos africanos para trabalhar nas lavouras. O regime da escravidão foi abolido de forma definitiva em 1848 e com isso muitos negros que foram libertados acabaram criando comunidades nesse território.
Com o fim da escravidão, os franceses promoveram a vinda de vários asiáticos para essa região, buscando aumentar o seu povoamento e promover o seu desenvolvimento econômico. No início século XIX, houveram algumas disputas territoriais entre Portugal e França pela definição das fronteiras e posse dos territórios dessa região, que acabaram sendo resolvidas com a assinatura do Tratado de Paris em 1814. Mais tarde houveram também algumas disputas de territórios entre o Brasil e a França, que foram solucionadas de forma definitiva no ano de 1900, por meio de uma mediação internacional que foi arbitrada pelo governo da Suíça.
No início do século XIX, a França passou a utilizar a região da Guiana Francesa como uma colônia penal, estabelecendo vários presídios, para onde o governo francês enviava bandidos e adversários políticos. Estima-se que entre 1852 e 1939, o local recebeu mais de 70 mil prisioneiros, sendo que mais de 90% deles acabou morrendo enquanto cumpria a sua pena. Entre as diversas prisões da Guiana Francesa a que ficou mais conhecida foi a chamada Ilha do Diabo Ela foi retratada no livro Papillon, escrito em 1969 por Henri Charriére.
Ele foi um dos poucos presos que conseguiu fugir dessa prisão. e essa história foi transformada em um filme no ano de 1973 que fez muito sucesso, recebendo uma nova versão em 2017. Se você tiver interesse em saber mais sobre a Ilha do Diabo, te deixo uma recomendação para conferir um vídeo bem interessante que o Diogo Kryllos fez sobre esse lugar.
Nesse vídeo que está postado lá no canal dele, ele mostra algumas imagens e conta um pouco mais sobre a história desse lugar. Vou deixar o link disponível aqui abaixo. Apesar da França ter iniciado o processo de colonização a muito tempo, a Guiana Francesa só foi oficializada como um território francês no ano de 1946 e desde então passou a ser regida pela mesma legislação da França.
Como parte integrante da França o seu chefe de governo é o primeiro-ministro francês e o seu chefe de estado é o presidente da França sendo que ele nomeia um representante local para administrar a Guiana Francesa, que também tem o direito de eleger 2 senadores para o senado francês. Com uma população atual de aproximadamente 295 mil habitantes, a Guiana Francesa tem uma baixa densidade populacional, que é de aproximadamente 3,4 habitantes por km². A título de comparação, a densidade populacional do Brasil é de aproximadamente 24 habitantes por km².
Quem nasce na Guiana Francesa é denominado como um franco-guianense e recebe a cidadania francesa. A sua população é muito diversificada etnicamente, sendo que a maioria dos seus habitantes vivem nos centros urbanos próximos do litoral. Apesar do seu idioma oficial ser o francês, a língua mais falada no seu território é o crioulo da Guiana Francesa e a religião predominante é o catolicismo, que é praticado por mais da metade da sua população.
A sua capital é a cidade de Caiena, que possui cerca de 60 mil habitantes. Caiena é uma cidade pouco conhecida em relação às demais capitais sul-americanas, mas possui vários atrativos turísticos que incluem belas praias e construções em estilo crioulo, que guardam memórias do seu passado colonial. A cidade também abriga um dos eventos mais importantes da Guiana Francesa: o carnaval de Caiena, que é considerado como um dos mais longos do mundo.
Caiena também é muitas vezes lembrada pela pimenta caiena, que tem esse nome por ter sido descoberta justamente nessa região, sendo posteriormente exportada para diversos países. A moeda da Guiana Francesa é o euro e a sua economia está intimamente ligada à da França, através de subsídios e importações sendo que o território é altamente dependente da importação de alimentos e energia. As suas principais relações comerciais ocorrem quase que exclusivamente com a França, para onde exporta principalmente madeiras, pescados e minérios, com destaque para a exploração de ouro e bauxita.
Outra importante fonte de renda para a economia da Guiana Francesa provém do Centro Espacial do Kourou, que é o principal centro espacial europeu. Kourou é uma cidade de 20 mil habitantes onde foi construído um centro espacial que hospeda a base de lançamento de foguetes e satélites de três grandes agências: a Agência Espacial Francesa, a Agência Espacial Europeia e a Ariane Space, que é uma sociedade da qual participam 10 países europeus. Construído no final da década de 1960, o Centro Espacial de Kourou recebe um valor de aluguel anual, gerando receitas para a Guiana Francesa.
Ele foi construído nessa região por estar localizado próximo da linha do Equador, o que otimiza o lançamento dos foguetes além do fato de estar situado em uma área rodeada por locais não povoados, que incluem o oceano atlântico e uma extensa selva, o que permite lançar os foguetes em diferentes direções. Também vale citar que os turistas podem fazer um tour supervisionado e conhecer as principais instalações desse centro espacial. Próximo de Kourou está localizado o arquipélago das Ilhas da Salvação, que é composto pela ilha Real, pela ilha de São José e pela famosa Ilha do Diabo que é um local de difícil acesso e que no passado, como já comentamos, abrigou uma das mais famosas e temidas prisões do mundo.
Apesar de ser um território francês, quando comparada com a França metropolitana, a Guiana Francesa não apresenta a mesma qualidade de vida, possuindo problemas de infraestrutura, um custo de vida mais elevado e altas taxas de criminalidade. Um dos grandes problemas que a Guiana Francesa enfrenta atualmente é a questão de imigração ilegal, especialmente de garimpeiros clandestinos em busca de ouro. A fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa possui 730 quilômetros de extensão, sendo que a maior parte dela é delimitada pelo rio Oiapoque onde existe a Ponte Binacional Franco-Brasileira que possui 378 metros de comprimento e faz a ligação rodoviária entre os municípios de Oiapoque no estado do Amapá e de São Jorge na Guiana Francesa.
A construção dessa ponte foi concluída em 2012, porém a sua inauguração só ocorreu em 2017. Uma curiosidade interessante é que essa ponte faz uma ligação entre o Brasil e a França, ligando também a União Europeia ao Mercosul. Desse modo é possível ir do Brasil até a Guiana Francesa por via terrestre, cruzando essa ponte.
Porém é preciso citar que o estado do Amapá não possui ligação rodoviária com o restante do Brasil. Também existem voos semanais entre a cidade de Caiena e Belém no Pará. Para os brasileiros que pretendem entrar na Guiana Francesa é necessário apresentar além do passaporte, um visto que permite a entrada em seu território.
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