Olá! Sejam todos bem-vindos e bem-vindas neste nosso encontro hoje com o Edson. Cearense, seja bem-vindo, Edson! É um prazer a sua presença. O prazer é todo meu, muito obrigado! Eu que digo, viu? Então, para vocês saberem, eu conheci o Edson em 1993, é isso, né, Edson? Mais ou menos, né? Isso, 1993, quando eu coordenava as ações do grupo de teatro CS lá na faculdade de Filosofia e no Colégio João Aguirre, que depois se transformou na Unizo, né? E certo dia, o querido Márcio Esquitini, que fazia parte do grupo CAT e que era meu aluno
no curso de Letras da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, ele era também policial militar na época e tinha contato com a Guarda Mirim. E aí, ele me disse que um guarda mirim que ele conhecia estava interessado em participar do grupo de teatro CAT. Ele queria saber se ele poderia participar, né? Porque o grupo era da faculdade e do colégio, né, da fundação do Maguir. Então, ele perguntou, né, se porventura ele poderia receber alguma pessoa de fora. Eu falei que tudo bem, né, ainda mais sabendo que... né? Ele falou que era uma pessoa muito boa,
muito interessada, educada, inteligente, e fez mil elogios. Então, eu falei: "Tá bom, eu vou conversar com a direção", né, da faculdade e do colégio. Na ocasião, era a professora Sônia Chebi, diretora da faculdade, que foi quem motivou a montagem desse grupo, e a professora Dona Tita, que era a diretora do colégio. E, na hora, as duas falaram: "Não, não tem problema, que bacana, né, alguém da Guarda Mirim junto!" Logo tudo se acertou, né? E lógico que, logo, logo, o Edson chegou. Foi muito bem recebido por todos os integrantes do grupo e logo ele estava ajudando
em tudo que era necessário, e também integrando o elenco, participando das peças. Ele participou da peça "Eu Encontro no Bar" e "Crônicas no Teatro I", né, enquanto eu estava na direção. E logo em seguida, eu fui para o Centro de Comunicação assumir a diretoria, então eu tive que deixar o grupo, e o Roberto Ju assumiu o grupo maravilhosamente bem até hoje. E aí, o Edson participou com o Roberto Gil de "Crônicas no Teatro II", "Viagem Feliz", "Tempestade Ímpeto", e depois ele continuou o percurso dele em vários contextos, mas isso tudo quem vai contar é o
Edson, né? Na verdade, então é o seguinte: o Edson nasceu em Sorocaba, tá, em 1978. Atualmente, ele mora na cidade de Botucatu, aqui no interior de São Paulo, onde ele leciona inglês em uma instituição privada e também leciona para alunos particulares, principalmente pela educação à distância. A partir da pandemia, ele começou aqui em Sorocaba mesmo e foi embora para lá. E continua e trabalha muito bem com isso até hoje, tem um número muito bom de alunos; portanto, por aí vocês percebem a qualidade do trabalho dele, né? Ele é graduado em Educação Física e, depois, também
em Letras em Inglês. Ele é pós-graduado em Psicopedagogia Clínica e Institucional e Psicanálise Clínica. Ele também estudou Artes Cênicas no Conservatório Musical de Tatuí, né? E durante sua formação toda, ele participou das seguintes peças teatrais: em 1993, "Encontro no Bar", grupo CS, direção Roberto Samuel; em 1993, "Crônicas no Teatro", grupo CAT, direção do Roberto Samuel; em 1994, "Crônicas no Teatro II", grupo CAT, direção do Roberto Gil Camargo; em 1995, "Viagem Feliz", com o grupo CS, direção do Roberto Gil; em 1996, "Tempestade Ímpeto", no grupo CS, direção do Roberto Gil; mas antes, em 1995, ele também
participou em "O Avarento", né, de Molière, com a direção do Ari Marçal. Nesse caso, ele participou principalmente na direção, né, como contra-regrador, mas ele estava envolvido nesse contexto teatral. Depois, em 1997, ele participou de... ele, na verdade, escreveu um texto, "O Médico e o Louco", de sua autoria e direção. Em 1998, "A Farsa", autoria e direção dele. E depois, "O Pequeno Príncipe", que foi, em 2002, já no conservatório lá de Tatuí, direção do Carlos Ribeiro. E, também, em 2003, ele participou de "O Livro de São Cipriano" lá, com a mesma direção no conservatório. E agora,
na verdade, quem vai contar isso tudo... eu vou ficar aqui quietinho com vocês... vai ser o próprio Edson. Então, Edson, comece a contar sua história para nós, né? Desde o começo, sua formação. Nasceu em Sorocaba e estudou onde? Então, boa tarde a todos! É um prazer estar aqui, né? Estou muito feliz de estar conversando com esse grande amigo, que é o Roberto. E, desde já, quero agradecer por tudo, porque você foi o responsável por toda essa minha trajetória até os dias de hoje. Porque se isso não tivesse acontecido desde lá, eu acho que a minha
vida seria muito diferente. Então, muito obrigado! Então, eu sou nascido em Sorocaba, em 1978; vou fazer 46 anos já semana que vem. Estudei na Escola Antônio Miguel Pereira Júnior, no bairro Central Park, em Sorocaba. Certo? E, daí, continuando... e depois... então, eu estudei a minha vida toda lá, né? Desde 1985 até 1997, quando eu terminei o ensino médio. Então, naquela época, você começava assim e continuava todo o período, né? Não era separado como o fundamental I, fundamental II e ensino médio que hoje. Cada escola pega um segmento; naquela época era tudo junto. Eu comecei e
terminei na mesma escola, onde tinha todas as séries. E, depois, eu tentei fazer faculdade, né? Não consegui, porque, diferente de hoje, os cursos eram muito caros, né? Eu fui fazer, por exemplo... Tava na Guarda Mirim nessa época em que eu estudava no Antônio Miguel. E aí, eu começo um belo dia, estou na Guarda Mirim e o Márcio Esquitini, né, que era o policial militar, ele passava para verificar, né, porque eu colocava uma notificação nos carros falando que a pessoa tinha 10 minutos para colocar na zona azul; caso contrário, estaria sujeita a uma penalidade pela polícia.
E o Márcio trabalhava sempre no meu setor, né? Aí, um dia, eu conversava com ele e falei: "Ah, você faz faculdade?" Ele respondeu: "Ah, eu faço. Eu estudo na Uniso, tal, na Fundação do Aguirre e tal." E eu participei de um grupo de teatro. Eu falei: "Que legal!" Aí ele disse: "E como que funciona?" Ele começou a contar e eu fiquei muito, muito fascinado com aquilo, né? E aí ele falou assim: "Ah, eu vou conversar com o diretor e, se ele autorizar, eu falo para você e você vai." Foi autorizado, e eu fui. Então, foi
aqui em 93. Então, se eu sou de 78, eu tinha uns 15 anos quando fui e fui muito bem recebido, né, pelo Roberto. E aí eu conheci eles, estavam numa montagem, né? Nós estávamos numa montagem "Encontro no Bar", e eu lembro que estava a Sandra, o Benedito e o Márcio, né, que era o barman. A produção foi uma delícia e eu fiquei muito envolvido, né, com aquilo que eu fazia, a parte de iluminação, e trabalhava também como contrarregras. Eu lembro de uma apresentação que nós fizemos no asilo dos velhinhos, né? Foi muito bom, foi muito
legal. Então, foi muito emocionante porque os atores eram todos jovens, né? E, de repente, fazendo o papel de uma pessoa idosa, e de um amor, né? Um amor antigo. E você tinha o Márcio que tocava, né, violão; foi muito gostoso aquilo lá e foi muito bonito, foi muito tocante, né? E aquilo, eu falo que participar do grupo, né, do Cartas e assim dessa montagem mudou muito a minha maneira de enxergar, né? Não que eu não tivesse respeito, muito pelo contrário: sempre tive muito carinho, muito respeito, muita paciência com pessoas idosas. Mas você tá visitando, né,
esse universo, quando se tem 15 anos, para mim, pelo menos, foi uma coisa muito tocante, sim, é porque é uma peça, né, que retrata um encontro no bar de dois velhinhos: uma velhinha e um velhinho, né? Um velhinho que começa uma relação. E, de repente, nós levamos a peça exatamente para a Vila dos Velhinhos e foi realmente um momento maravilhoso, né? Muito... foi, foi sim, foi certo. E aí, depois, né, dessa apresentação, né, quando nós terminamos as apresentações, eh, no ano de 93, ah, a convite do Roberto Samuel, fui convidado a trabalhar na minha primeira
peça mesmo, né, onde eu estaria atuando como ator, né? E aí foi uma delícia também porque conheci as pessoas: a Éna, o Celso, Donizete, né? Tinha o Ivan, a Adriana, a Cris, né? E aí lá eram textos, né, eram textos mais leves, muito gostosos, né, de fazer. As apresentações, a maquiagem, né, eram todo mundo com rosto branco, batom vermelho, né, sobrancelha bem definida, bem desenhada. E a gente trabalhava muito com essa questão das expressões, né? Eu curti demais! Depois fomos pro "Crônicas" no Teatro Dois, né? Também igualmente fantástico, novos atores foram incorporados, né, no grupo.
E depois o Roberto nos deixou e o Roberto Gil assumiu. E aí nós fizemos uma releitura, né, do "Crônicas" no teatro também, e os males do fundo, que foi muito gostoso também, seguindo depois "Viagem Feliz". E é engraçado que em "Viagem Feliz" eu fazia um filho que tinha um problema mental, né, na peça. E isso, né, eu acho que, inconscientemente, me trouxe... depois eu vou falar um pouquinho da peça "Farsa", né, e o "Médico Louco", porque eu fiz mais dois personagens que tinham algumas questões psicológicas, aí, né, digamos assim. Depois de "Viagem Feliz", eu participei
da produção do "Avarento" do Ar Marçal, em 95, onde foi apresentado... eu lembro que "O Avarento" participou de um festival de teatro, né? Eu lembro que nós estávamos concorrendo como melhor figurino, melhor peça, melhor direção, melhor atriz, melhor ator, no festival, acho que foi em Salto, me falha a memória. E essa peça entrou em turnê, então nós viajamos para várias cidades, né, fazendo as apresentações, sempre lotando as apresentações. E eu lembro que ficou uma temporada curta, né, mas foi apresentado no Teatro Municipal de Sorocaba, figurino fantástico, a direção do Ari também, igualmente fantástica. Gostei muito
de participar da, da, mesmo sendo na produção, não como ator, né? Depois eu estava intercalando entre o grupo do Ari com o Catarses. E a minha última apresentação foi "Tempestade em Ímpeto", em 1996, né, com a direção do Roberto Gil. Então, já não eram textos, né, não eram crônicas, e sim um texto, digamos assim, corrido. Eu participei, gostei demais. E aí eu saí, né, eu acabei me desligando, né, porque eu também estava terminando o ensino médio e eu queria, eh, queria, né, experimentar o que seria uma direção, né? O que seria trabalhar como produtor. E
aí eu me arrisquei num texto da minha autoria chamado "Médico Louco". Em 1997, eu escrevi esse texto e chamei um amigo meu que gosta muito de contar piadas. Ele tentou entrar... Na pra nossa, né, do SBT, mas não conseguiu. E aí deu muito certo esse nosso casamento, porque ele era muito bom, né, nessa questão da performance da piada. Sabe aquela, o que a gente chama hoje de stand-up comedy? Isso a gente já fazia em 97, né? E ali eu fiz a direção, eu fiz a parte de produção também e trabalhava como ator. Ali eu comecei
a ganhar meu primeiro cachê, né, como ator, porque nós vendíamos a peça para as escolas de Sorocaba e nós nos apresentávamos dentro das escolas, né? Então, apresentamos na escola Antônio Miguel, no Wilson Ramos, no José Reginato, no Fernando Prestes, e tem outras que eu não me lembro agora, mas nós nos apresentamos em algumas escolas, né? E aí, conforme eu... acho que parou a gravação, aí alguma coisa da internet. A reunião está sendo gravada. Pronto, você está me ouvindo? Voltou? Estou ouvindo. Então, daí você falou que em várias escolas, e daí isso em várias escolas. Então,
nós nos apresentávamos em várias escolas e aí nós cobrávamos R$ 1, R$ 2 e nós lutávamos, né? Nós lutávamos, e eu, como estava vindo já das apresentações da Uniso, do Ari... E aí eu falei assim: "Nossa, então quer dizer que eu sou um sucesso, né? Porque nós estamos nos apresentando e as sessões estão sempre cheias". E aquilo foi, né, inflamando meu ego. Falei: "Nossa, que bom, né? Eu adoro isso!" E aí eu comecei a cobrar, né? Falei: "Ah, então já que as pessoas querem me assistir, eu vou cobrar R$ 2". E aí eu comecei a
cobrar e eu nunca mais parei. Aí foi, graças a Deus, o Médico Louco, foi um sucesso. Paramos depois com as apresentações e eu escrevi um outro texto chamado A Farça. Nessa farça, eu convidei duas amigas para trabalhar comigo, e então era o mesmo personagem de um médico, que era louco, porém eu trouxe o personagem, né, Hunner, para a farça e, ao invés de ter um médico, eu tinha uma enfermeira e tinha a outra personagem, que era uma madame, que sabia que eu era um paciente do hospital psiquiátrico. Eu tinha uma herança, então ela se interessava
por mim porque queria, na verdade, pegar a minha herança. Então a peça se passava nesse contexto. E aí eu lembro que um dia nós fomos fazer o laboratório, né? Então, eu morava em Sorocaba, para quem conhece Sorocaba, o bairro Central Parque fica muito próximo da Raposo Tavares, e eu lembro que o meu figurino era um camisolão branco, né, até a altura mais ou menos do meu joelho, e todo aberto nas costas com unos laços, né? E a minha amiga de enfermeira. Quando nós fomos sair para fazer o laboratório, minha mãe falou assim: "Toma cuidado, porque
olha, veja bem, isso daí vai dar ruim". Eu falei: "Ai, mãe, imagina, né? É tranquilo, a gente só vai ali fazer um laboratório, a gente já volta". E para quem está nos ouvindo e não sabe, o laboratório, para quem não tem conhecimento, é um ensaio no processo de criação do personagem. Então, é um exercício que se faz para melhorar as características do personagem, ou da personagem, para que o desenvolvimento da ação saia melhor, né? Então, melhor, mais natural possível. E eu lembro que minha mãe falou assim: "Vocês vão sair assim?" Falei: "Não, a gente vai
colocar numa mochila, né?" E nós colocamos osig nos dobradinhos lá e saímos assim com roupa normal. Fomos. Quando nós chegamos a um determinado ponto da Raposo Tavares, naquela época a Raposo não era duplicada, nós nos trocamos, né? E eu, já com camisolão, e no ponto onde meus pais moram, onde nós chegamos na Raposo, eu acho que uns 2 km à frente, sentido Araçoiaba da Serra, tinha o Hospital Psiquiátrico Veracruz. E aí, eu, caracterizado já de paciente do hospital, meio maquiado, saí correndo pelo acostamento da Raposo Tavares. E a minha amiga, a Fernanda, atriz, gritava comigo,
pedindo para que eu parasse e voltasse pro hospital. Ela falava: "Hunner, volte aqui! Você precisa voltar comigo pro hospital! Não fuja de mim!" E ela gritava, e as pessoas que estavam indo sentido Araçoiaba da Serra pararam num posto policial e provavelmente comentaram que havia um paciente do hospital que havia escapado e que estava causando confusão na Raposo Tavares. E aí aquela coisa, alguns carros paravam e perguntavam para ela, falando: "Você quer ajuda?" Ela falou: "Não, não, ele é dócil, ele só está sem a medicação dele, mas ele é super obediente". E ela corria, e ela
me segurava, eu dava um safanão nela. E aí, beleza. Quando nós terminamos o laboratório, eu falei: "Ah, vamos caracterizados, né? Vamos voltar assim mesmo, ao invés de nos trocarmos, vamos voltar assim". E tinha uma estrada de terra, na época, que ligava até o bairro e nós estávamos voltando, né, tranquilo. Eu falei: "Nossa, que legal, né? Você está, ah, você super se soltou, tal, não sei o que", e a gente conversando sobre a peça. De repente, eu, como era estrada de terra, senti uma vibração, né, no chão. Eu peguei, olhei pra trás e, na hora que
eu dei uma olhada, virei pra ela e falei assim: "Fernanda, a polícia!" Ela falou: "Ai, Edinho, para de me assustar!" Eu falei: "Dá uma olhada!" Na hora que ela olhou, ela gelou e falou assim: "Ai, Edson, e agora?" Eu falei: "Não, fica quieto, anda normal, né? Eu acho que eles vão passar." Por pela gente, né? E de repente, o policial tocou a sirene, né? Fez aquele barulho. Nós velamos, então, nós ficamos assim, paralisados. E aí ele falou no rádio, né? "Eh, por favor, parem!" Aí nós paramos. Um policial saiu já com a arma em punho,
e o outro com rádio, pedindo pra gente colocar as mãos para cima, né? E aí era quando eu levantei as mãos, né? Aí eu falei aquela frase original, né? "Eu não sou louco!" Aí eu falei: "Não, não, eu não sou louco, eu não sou louco." O policial veio até a gente com a arma e, né, normal, porque ele não sabia o que estava acontecendo. E aí eu expliquei, falei: "Não, nós somos atores, né? Nós estamos fazendo um laboratório, nós vamos apresentar peça em várias escolas e etc." Só que ele não acreditou, né? Ele falou assim:
"Ah, tá, eh, qual que... me entregue? Cadê o seu... a sua identidade?" Como eu estava com camisolão, eu não tinha identidade, né? Falei: "Não, eu não tenho." Aí... "Ah, as pessoas param no posto policial e falam que um paciente escapou logo à frente, tem no Hospital Psiquiátrico." Eu estou com camisolão de paciente, eu não tenho identidade! O que aconteceu? Me colocaram no camburão. Fui preso. Minha amiga e eu tínhamos que entrar no camburão. Nunca tinha andado e não nos algemaram, né? Mas nós entramos, sentamos lá e eu falei: "Ó, moço, eh, policial, eu moro aqui
perto, né? Vá na minha casa, eu pego o RG, você pode confirmar essa história com a minha mãe." E quando nós estávamos entrando no Central Parque, era um sábado, né, de manhã, por volta de umas 10 horas, mas assim, todo mundo, né, olhando pra minha cara. E quando eu desci a rua da minha casa, meus vizinhos estavam lavando o carro e todo mundo olhando, imaginando por que o Edinho foi preso, etc. Então foi aquela bagunça, aquela confusão. Eu toquei a campainha e falei pra minha mãe: "Oi, mãe." A minha mãe já saiu com risinho no
rosto, porque ela sabia que ia dar confusão, né? Aí eu falei: "Ah, mãe, eh, o policial quer fazer umas perguntas." "Bom dia, senhora, a senhora conhece esse rapaz?" E a minha mãe olhando pra minha cara. Eu acho que a minha mãe queria falar que não me conhecia só para ver no que ia dar, aí falou: "Ah, conheço sim, ele é meu filho." "A senhora sabia que ele estava na Raposo Tavares? Vários carros relatando que havia um paciente que havia escapado do Hospital Psiquiátrico, e acharam que era o seu filho. Ele quase causou um acidente." E
tal, não sei o quê. Eu falei: "Não sabia, não." Minha mãe falou assim: "Eu sabia, mas eu não sabia que tinha acontecido isso, né?" Ele falou que ia sair para fazer laboratório. Enfim, peguei o RG, provei lá que eu era filho da minha mãe e do meu pai. Não fui preso. Minha amiga ficou por lá também. E aí foi isso, o laboratório. Eu nunca fiz um laboratório tão intenso como aquele lá. Ajudou no processo de criação do papel. Ajudou, ajudou. Ajudou, porque depois nós começamos a fazer várias apresentações e sempre assim, com muito público, né,
para nos assistir. Sempre tinha muitas pessoas assistindo, e eu gostei muito. Aí teve uma vez que nós fomos na cidade de Alumínio, uma cidade próxima a Sorocaba, e nós fizemos uma divulgação, tipo, numa terça-feira e na quinta-feira ia ser a nossa apresentação. Eu vim assim, de um sucesso, né? Assim, muito público, muita audiência. Nós fizemos a divulgação em três escolas para mais ou menos, né, aproximadamente 3.000 alunos. Então eu pensei comigo: "Eu falei, nossa, encher 400 lugares aqui, né, 3.000 pessoas já já viram, né? Vai tá moleza!" Aí o que aconteceu? Na mesma semana, eu
não sabia que nós não tínhamos celular, a gente não tinha esse acesso como nós temos hoje. O pessoal, alguns atores da novela "Malhação", foram fazer divulgação também em Alumínio, porque eles iam se apresentar em São Roque no dia da nossa apresentação. Eu acho que tinha umas 14 pessoas, vizinhas bem perto. São Roque é uma cidade vizinha, muito próxima, então, exatamente. E aí as pessoas falavam: "Eu vou assistir o Edson." "Quem é esse na fila do pão? Nunca ouvi falar, mas eu vou assistir o ator da Malhação lá que eu vejo na Globo." E aí foram,
eh, eu acho que tinha umas 14 pessoas assistindo um teatro com 400 lugares. Eu fiquei tão estressado, não, mas eu fiquei... eu fiquei estressado, chateado, quase chorei. E eu tinha que apresentar. Eu atrasei a peça, acho que uns 15 minutos. E quando, né, a cortina abriu e tal, não sei o quê, fui me apresentar. E eu me deparei, tinha assim duas pessoas na última fileira, tinha mais cinco pessoas na frente, mais duas pessoas do lado direito, mais duas do lado esquerdo, e todas espalhadas, né, no teatro. E era uma peça interativa, então, conforme eu ia
atuando, eu interagia com o público. E eu interagia com o público e o público não interagia comigo. Então as pessoas ficavam com o braço cruzado e não riam, sabe? Era uma comédia e as pessoas não riam. E aí eu comecei a ficar tão desconcertado com aquela situação que em determinado momento eu estava falando com a plateia e eu ficava de costas pra plateia olhando pra atriz que estava no fundo. Eu falei para ela que 15 minutos da peça já já vai passar tal página do texto. A peça durava uns 50 minutos, acho que nós apresentamos
ela em 30, e eu tinha que fazer o acerto com o dono do... Teatro, né? Com o diretor do teatro, eu acho que ele ficou com tanta pena de mim que ele nem cobrou. Ele falou: "Tá tudo certo, vai!" Eu tinha... eu acho que nós tínhamos faturado naquela noite a projeção. Nós estamos falando aqui em 98. Era para eu ter faturado mais ou menos uns R$ 1.000, o que seria hoje uns R$ 5.000, mais ou menos. Eu tinha faturado, eu acho que, R$ 90, R$ 90, 100. O teatro custava 300. Aí, o diretor nem quis
cobrar, e eu fiquei tão mal com isso, mas eu fiquei muito mal. Ah, aí passou esse fracasso, fomos cair na cidade de Tatuí. Tatuí, não, Tietê. E na peça, nessa peça farça, eu pegava uma maquininha de cabelo e eu colocava meu cabelo. Meu cabelo tá isso aqui hoje, então eu colocava... o contrarregra, o Vitor, um amigo meu, ele tinha que colocar o maior pente dentro daquelas maquiadoras que cortam cabelo. Ele falava assim: "Coloque o pente, sei lá, número 10, que eu acho que é o maior, né? Para fingir que eu tô cortando o cabelo, né?
E eles vão ver que estão caindo um pouco." Pinho e tal, beleza? E o teatro tava lotado. Tietê! E no escuro, eu não sei o que que aconteceu, né? Eu passei a mão na maquininha e catei a maquininha. Geralmente, eu começava pela frente, né? Da cabeça. Eu não sei o que que aconteceu, eu não verifiquei que o pente tava fora, né? Eu passei máquina zero! Então, conforme eu passei aqui, eu senti aquela coisa no couro da cabeça, ficar aquilo, aquela raspou inteiro aqui. Eu lembro que a peça era uma comédia, eu lembro que as pessoas
ficaram paradas e eu falei assim: "Gente, esse momento é o momento que eles têm que rir", mas eles não sabiam se era efeito especial, porque que eu tava careca naquela cena. E eu coloquei a mão assim com a maquininha e eu dava risada e olhei pra coxia. A coxia é os bastidores, assim, né? Fora do palco. O menino segurando o pente falou assim: "Edinho, tá sem pente!" E aí, eu olhava pra ele, não entendia. Ora, quando eu bati o olho, aí eu peguei e vi que tava careca aqui, careca aqui, careca aqui. Meu cabelo também
tava todo destruído. Aí, quando nós terminamos a peça, eu fui pra coxia e eu fiquei muito bravo porque eu tive que raspar a cabeça na máquina zero e eu não queria ficar careca. Aí, eles davam risada porque eu ficava irritado e eu comecei a chorar. Falei: "Eu tô sem cabelo! Como que eu vou chegar?" Porque até então eu já trabalhava, né? Eu falei: "Como que eu vou chegar careca no meu serviço?" Aí, eu sentei lá, o Vitor chegou e falou: "Edinho, não tem jeito. Agora você vai ter que ficar careca, mas daqui uns 5 meses
cresce, né?" Eu falei: "Belo consolo que você tá me dando!" É porque tem o problema da cena também, né? Como você vai fazer aquela cena? É porque... e você trabalhava no que nessa época, em 90? Aqui, eu trabalhava numa empresa, eu trabalhava numa empresa de cartão telefônico, mas eu trabalhava na... na produção. Então, quando eu cheguei careca, perguntaram: "O que que aconteceu?" Eu falei: "Não, aconteceu um probleminha lá e tal." Aí, perguntaram: "Você tá com piolho?" Eu falei: "Não, não tô com piolho, né? É que é uma peça, lá aconteceu um problema técnico." Você... Essa
sua experiência até aí, você não conseguiu aplicar muito com os seus alunos dentro da aula, né, que você dá porque você acabou assumindo muito mais na educação à distância, né? Mas mesmo assim você não consegue aplicar uma coisa com os seus alunos presenciais. Então, em 90... Ó, daí o que que acontece nesse período? Nesse período, eu parei. Depois, eu fui para artes cênicas. Eu fiz artes cênicas em Tatuí, eu fiz o conservatório, né? Fizemos O Pequeno Príncipe em 2002. Em 2003, eu fiz o Livro de São Cipriano quando eu me formei. A última peça, né?
2003, o Livro de São Cipriano, eu fiz com um ator que hoje tá na Globo, o João Baldasserini. Era uma cena que eu tinha que... de captá-lo, né? Foi uma das melhores peças, assim, que eu fiz, né? Eu acho que eu fazia um líder religioso. Isso no conservatório. Então, que ele estava no conservatório e ele era meu amigo de turma, né? Ele era... eu lembro, não, ele era de Indaiatuba. Ah, repete o nome, tuba: é João Baldasserini. Ah, ele fez vários filmes, ele fez Linha de Passe, foi no Festival de Cannes. Então, um excelente ator,
né? Não sei se ele vai ver aqui, espero que sim. Então, um beijo pro João, um amigo meu, muito querido, muito bom. E aí, quando eu terminei os estudos no conservatório, eu tinha que decidir se eu ia pra São Paulo ou pro Rio de Janeiro, né? E aí eu fiquei com medo, né? Eu fiquei com medo porque já fazia muitos anos que eu tava engajado e, nessa época, eu já estava com 25 anos. Então, eu tive que... e engraçado, sabe, Roberto? Porque um dia eu fui assistir uns amigos meus de uma turma anterior, eles estavam
já em São Paulo, só que eles estavam fazendo uma peça, eu acho que na República, numa praça lá no Vale do Anhangabaú, e era uma peça ao ar livre e tal. E eu lembro que eu tava assistindo, né? Eles iam andando com a peça e o público ia seguindo e em determinado momento, um rapaz parou ao meu... Lado, e eu falei. Ele perguntou: "Ah, você conhece alguém?" Falei: "Ah, conheço o Fulano, Ciclano e Beltrano." Ele falou: "Ah, eu também conheço o Fulano e Ciclano." Eu falei: "Ah, que legal!" E eu perguntei: "Falei, você faz o
quê?" Eu falei: "Eu sou ator." Ele falou: "Ah, que legal! Você tá em qual peça?" E aí ele falou assim para mim: "Eu não tô em nenhuma produção, né? Tô fazendo alguns testes, né, para ver se eu entro em alguma produção." Eu não sei o que foi aquilo, mas me deu um estalo e eu perguntei: "Faz tempo, né, que você faz?" Ele falou assim: "25 anos já. É 25 anos que eu trabalho como ator." Eu: "Nossa, 25 anos é a minha idade, né?" E aí eu perguntei: "Nossa, você começou muito jovem, né? Você tem quantos
anos?" Ele falou assim: "Eu tenho 45, que é a minha idade atual." E não sei o que foi aquilo, mas me deu um estalo que eu fiquei pensando: "Falei, nossa, ele tem 45 e ele tá lutando para ser um ator, para conseguir entrar numa produção. Se ele não conseguir..." Aí eu perguntei onde ele morava. Ele dividia despesa com um amigo num apartamento. Naquele momento, eu disse a mim mesmo: "Eu não quero isso para mim, né?" E nada contra quem segue. Eu acho que tem que seguir o caminho mesmo, mas eu, como venho de uma família,
né? Meu pai é eletricista, encanador, a minha mãe é funcionária pública, né, da biblioteca, hoje aposentada, né, da Biblioteca Municipal de Sorocaba. E aí eu fiquei com medo, né? Aquilo foi um gatilho para mim, que eu falei assim: "Não, eu preciso ter algo mais concreto para depois. Pois se eu quiser, você investe na área porque é uma área, eh, complicada, né, em termos financeiros. Porque se você não tá numa produção, você não tá recebendo, né, um cachê como ator, como produtor, como diretor. E tem um tempo, né? Então, por exemplo, a peça fica em cartaz
6 meses, 9 meses, um ano, acabou, acabou, né?" E isso para mim era muito complicado. Eu sempre trabalhei, atuei e trabalhei, né, eh, simultaneamente. Nunca consegui viver só disso, né? Eh, então daí eu saio e vou trabalhar. Por exemplo, vou trabalhar em escritório, né? Vou, eh, entro no banco, né, na Caixa Econômica Federal, em 2004, e lá eu fico 2004, eh, não, 2005, 6 e 7, né? Então eu trabalho no banco, largo a minha atuação, direção, né e produção, não trabalho mais. Eu abandono tudo em 2005, em 2003, né? Em 2005 entro no banco e
começo uma outra jornada. Daí, e nessa jornada foi quando eu faço, eu faço, eu estudo educação física, né? E o que que me levou? Na verdade, eu queria gastronomia, né? Bem antes de ter esses programas de culinária de chef, eu sempre quis, né, trabalhar com isso. Aí eu me mudo para Florianópolis com uma amiga minha, quebramos em um mês, voltamos a Sorocaba, e aí eu consigo uma bolsa de estudos. Só que eu queria gastronomia. Eu falei assim: "Não, na Uniso tem, que é o único lugar que tinha." E aí a coordenadora do programa falou assim:
"Edson, você pode, você tem bolsa, mas a sua bolsa de estudos é para cursos de no mínimo 3 anos, não pode ser curso tecnológico. Então, se você quiser fazer medicina, você pode fazer, a bolsa cobre, mas de 2 anos." Eu falei: "Gente, mas são 2 anos, vocês vão ficar um ano sem gastar comigo." E não teve jeito. Aí eu fui para a educação física, que eu já vinha de vôlei, né, e sempre gostei muito de esporte. E aí eu fiz, né, eu fiz no Irapuru, né, que hoje eu acho que Anhanguera comprou a faculdade, em
Anhanguera. E aí eu fiz os 3 anos lá. Lá, eh, no meu primeiro ano, a minha querida professora Angela Harumi de português, eh, eu tive um ano de português lá como disciplina. Ela falou assim para mim: "Edson, eh, pro pessoal, né, para todos os alunos, vocês têm que fazer uma apresentação. Pode ser musical, poesia, recitar um corte, né, de uma peça de teatro." Tal, eu falei: "Que legal, vou fazer então o livro de São Ciano, vou fazer o líder religioso." Tal, aí nesse dia eu fui, eh, eu fui caracterizado. Eu tinha ido numa casa que
vende artigos religiosos e eu tinha comprado aquela, eu acho que era uma bomba ninja, né? É aquela que você, né, joga no chão e sai aquela fumaça. E era uma surpresa, né, pros meus colegas, ninguém sabia o que ia ser. E aí eu tô do lado de fora, eu falo a minha cena. Então o professor começa assim: "Eu tô do lado de fora", e eu entro, e aí eu começo, né? São três minutinhos de fala. Tá bom, tá bom. Uns recitando poesia, uns tocando violão, e o meu ia ser a peça, o recorte. Eis que
eu entro lá e eu falo, né, o texto: "Arrependei-vos, arrependei-vos, porque o fim está próximo. Entregai a sua alma para Jesus, para que no dia do juízo final Jesus o salve, irmão! Aleluia!" Aí os alunos, né, meus colegas, falavam: "Aleluia!" Esse era o combinado. Só que em determinado momento, eu enfiava a mão dentro do bolso e eu pegava essa bomba ninja e eu falava assim: "Você duvida da misericórdia divina, no chão, filhote de Satanás!" E eu jogava essa bomba e deu um estrondo dentro da classe e saiu aquela fumaça. O tiozinho que era da segurança
correu, entrou dentro da sala: "Calma, moço, calma! Não faça nada que você se arrependa, por favor, calma! Não machuque ninguém aqui dentro." Eu parei a cena: "Falei, não, mas eu não vou machucar ninguém, isso daqui é uma peça!" Aí ele... Olhou assim a classe inteira dando risada, o tiozinho ficou constrangido, pediu desculpa para o professor. Aí eu falei: "Gente, não dá para continuar agora, né?" Aí ficou conhecido como o tiozinho J, que entrou para interromper a cena do líder religioso. Então, a minha experiência, anos depois, o que mais? Ah, eu terminei o ano, de novo,
2007, né? A minha faculdade, eu saí da Caixa Econômica, que eu era terceirizado, e eu tinha disputado uma bolsa pelo Rotary e eu consigo uma bolsa de estudos, e eu vou morar na Austrália por quatro meses, quase cinco meses, né? Quatro meses e meio. Lá eu fui estudar na Bond University, lá estudei geral e business, né? Business English. E, quando eu retorno, eu vou trabalhar dentro de uma indústria, né, porque eu tenho, né, por causa do inglês, por conta do inglês, e pela experiência em banco. Quando essa indústria, né, essa empresa, demite 350 funcionários, eu
estou no pacote. E aí eu vou lecionar educação física e teatro dentro do Colégio Primeiro Mundo em Sorocaba, na zona norte. Então lá eu trabalhava como professor de Educação Física, como professor de teatro e como psicopedagogo, né, do colégio. Eu fico um ano dentro desse colégio e monto uma apresentação de fim de ano, né, com os alunos. Em julho desse ano, né, que é 2010, o que acontece? A FISC, né, escola de idiomas em Sorocaba, me convida para substituir uma professora, né, nas férias de julho, e eu vou. E eu me apaixonei daí por inglês.
E termino o ano letivo de 2010, né? No Colégio Primeiro Mundo, em 2011, eu vou trabalhar na FISC. E aí eu já começo, né, a me engajar nessa área de idiomas, né, e nunca mais saí. Aí eu até hoje, né, até o presente momento, venho, né, nessa trajetória. Fiz Letras, depois, pelo Estácio de Sá, fiz, no período da pandemia, a psicanálise também. E o que mais? Eu fiz mais dois intercâmbios. Levei meus alunos para estudar comigo na Irlanda em 2015, 2016 e 2014 e 2015, né? Eu vou para a Irlanda, faço mais dois intercâmbios e
levei meus alunos para estudarem também. Quanto tempo eles ficavam lá estudando? Nós ficamos um mês, né? Então eu alugava um apartamento, né, e nós ficávamos lá juntos. Uma turma foi para a França, outra turma ficou na Irlanda estudando, né? E foi uma delícia, foi uma experiência fantástica, tanto para mim quanto para eles, com certeza. Certo, muito bom, muito bom. Quanta coisa! É tanta coisa e porque você para para pensar, né, nas últimas três décadas, né? Desde quando eu comecei aqui em 93, né? Faz o quê? 31, ah, 32 anos quase, né? Uhum, eu tenho história
aí para contar, né? Bem, então, e você, parado pensando em tudo isso, como que você vê qual a importância dessa sua entrada e participação nas atividades teatrais? Nesse contexto do todo, né, qual a importância do teatro, né, dessas atividades teatrais para você enquanto professor e enquanto pessoa? Então, você sabe que esses dias estava pensando, né, nessa questão, porque eu era, eu sempre fui uma criança introvertida. Eu nunca tive esse problema assim, ah, não. Mas eu era mais introspectivo quando eu tinha que falar na frente de mais pessoas, né? Quando eu estava aqui assim, com amigos,
era super de boa, os pais dos meus amigos, nunca tive problema, né, de conversar com eles, enfim. Mas nessa questão, por exemplo, de me apresentar, né, para mais pessoas, falar mais em público, assim, eu já ficava mais receoso, né? Não sei se é por falta de insegurança, talvez. Mas eu lembro que quando eu comecei a fazer teatro, eu lembro que tudo começou a ficar mais claro, né? Eu comecei a ver o mundo de outra forma, porque eu vi que as oportunidades, quando você se comunica de forma correta, isso só te agrega. E eu lembro que
quando eu comecei no grupo, né, da Uniso, em 93, eu, na Guarda Mirim, era muito quieto, né? Então conversava e tal, mas depois dessa passagem, né, isso só foi me ajudando, né, profissionalmente nas minhas entrevistas, né, tanto para dentro de um grupo de teatro quanto fora dele, em outro tipo de trabalho. Então, isso sempre me deu muita segurança, né? Eu acho que me deu essa desenvoltura, né? Eu fiquei muito desenvolto, né, depois que eu comecei a fazer teatro, né? Isso. E eu vejo que isso reflete até hoje, né? Porque eu faço, né, aí 46. Então,
quando eu paro para ver, né, na escola onde eu trabalho, na escola na qual eu vou substituir de vez em quando com os alunos particulares, você acaba sendo meio que psicólogo de aluno, né? Porque cada um vem com problema. E essa questão do ouvir, né? O teatro tem muito essa questão, né, do ouvir. Quando o diretor fala, você ouve aquilo, compreende, absorve, trabalha aquilo dentro de você para você colocar, né? Então, eu não consigo me imaginar como seria se eu não tivesse passado. Eu não sei como seria o Edson hoje, 46 anos, se eu não
tivesse feito tudo isso daqui, né? Se você não tivesse me aceitado, eu talvez, como guarda-mirins, o Márcio, né, falasse para mim, "infelizmente a direção não permite". Faz tá bom. Eu não sei como seria, né? Talvez eu seria um cara mais introspectivo, né, menos desenvolto. Então, eu sou muito grato, sou muito grato por essa conversa. Era um dia bem quente lá com o Márcio, e ele assim se prontificou, né? A levar a minha história, perguntar, né, se eu poderia participar, né. E aí ele fez, e tudo aconteceu, né? Foi acontecendo tudo muito, eh, lento, né? E,
e pós-Austrália, não, pós-Austrália a coisa galopou. Eu falo que não engatinhou, galopou, né? E para mim foi muito interessante que tivesse engatinhado, sabia? Porque se tivesse sido atropelado, eu acho que eu não conseguiria, né? Eh, e eu vou confessar, né? E eu também, eh, trabalhar... eu tinha, eu nunca fui uma pessoa que teve o ego inflamado, né? Nunca tive isso. Às vezes as pessoas falam: "Porque ele é professor de inglês, porque ele já viajou, porque ele isso". Daí eu sei que isso faz parte da minha história; isso não faz com que eu seja melhor ou
pior do que ninguém, né? Eu tenho muito essa consciência. Mas na época em que eu atuava, eu não tinha, né? Eu não tinha essa consciência, então, eh, eu queria que as pessoas fossem me assistir porque eu achava que eu era muito bom naquilo que eu fazia. Então, eh, para mim... e, e olha que coisa interessante: para mim era assim, eu queria que as pessoas me aplaudissem, né? A história para mim era segundo plano, né? E aqui entra esse ego, né? Que se você não trabalhar, é muito perigoso, né? E eu tinha esse ego. Eu nunca
fui uma pessoa arrogante, mas eu queria assim: "Não, eu acho que eu tô bem", né? Eh, e as pessoas me aplaudiam porque eu tava legal e tal. E isso assim ficava, né, igual um pavão. Mas quando eu vi que eu não ia receber o próximo Oscar, aí eu falei assim: "Eu acho que eu não sou tão bom, não", eh, mas essa questão, né? O teatro me ajudou demais com isso, sabe? O teatro me mostrava assim: "Ó, menos, viu? Menos, menos, você não é tudo isso", né? E é claro que tem performance que eu vejo e
que eu falo assim: "Nossa, aqui eu tô ruim, eu tava ruim". Tem performance que eu falo: "Não, aqui eu tô mediano". E tinha performance que eu falava assim: "Falei, nossa, aqui eu tô legal, aqui eu tô bom, aqui eu gostei, aqui realmente eu gostei da minha performance. Aqui eu consegui entregar", né? Então, mas eu tinha essa questão do ego, né? Eh, é claro que se hoje eu voltasse, é diferente, porque eu sou um homem de 46 anos. Toda a minha trajetória, eh, as coisas que eu vivi, as coisas que eu já passei na vida, coisas
muito boas, coisas muito ruins. Então, hoje você coloca tudo numa balança, né? E, e aí você faz essa análise com muito cuidado, né? E eu fiz muito, né? Essa análise tipo: "Não, eu hoje eu tenho que ir lá para mostrar um trabalho; o aplauso vai ser sempre consequência, né? Foi um trabalho que foi feito". Então, hoje eu não tô mais, sabe? Hoje não seria assim por causa de aplausos. Hoje seria assim: "Professor, eh, Professor Edson, gostei muito do seu trabalho, sabe? Assim, o que você falou em cena, isso me tocou, isso fez com que eu
visse, sei lá, revisitasse alguns problemas que eu tenho internos com a minha família, com meu filho, com minha tia, com meu tio, enfim", né? Porque, eh, hoje eu tenho essa consciência, né? Um texto você vai para contar uma história, e alguma pessoa da plateia se identifica muito, muito com aquilo, né? E aquilo você muda, né? Então, hoje, eh, queria ter tido essa... queria ter tido essa cabeça lá atrás, né? Mas o melhor para mim era aquele aplauso, e fechava a cortina, abri, aplaudia. Hoje não, né? Hoje não, não, né? Hoje eu não tenho... é, é
muito engraçado, hoje eu não tenho essa vaidade, né? Nem como professor. Porque como professor, ai, porque eu adoro sua aula, porque isso... mas no momento que você fala pro aluno assim: "Ei, pode descer da mesa, não fica em cima da mesa, não", pronto. Você já não é mais o maravilhoso querido, né? Aí você é o carrasco, é o chato, tá? Pra ser igual meu pai, que não sei o quê. Então eu não tenho, né? Quando as pessoas falam: "Ah, eu gosto muito da sua aula, eh, vou te indicar para outras pessoas", eu fico assim, falo
muito obrigado, né? Que bom que você tá aprendendo. Porque na sua mensalidade, eu quero que você aprenda. Você aprendeu a conversar, a falar? Eu sei que isso é consequência, por isso que eu tenho, graças a Deus, muitos alunos hoje, né? Eh, então o teatro me ajudou demais, demais, demais. Não consigo me ver, a minha história é teatro. Então, mas... e, mas, eh, essa entrada no grupo Cats já foi mérito seu. Porque era a sua maneira de ser que fez com que o Márcio chegasse e te pedisse, né? Um espaço para você, e você foi aceito
e continuou, porque realmente era o mérito da sua maneira de ser, do seu comportamento, né? Então é isso. Parabéns, né, nesse sentido. Então, para nós terminarmos, agora você fala alguma coisa que você acha que ainda não falou, que você queira falar nessa conversa. Olha, eu só quero... então, eu, eu acho que eu só quero agradecer, agradecer a Deus. Ai, agora, agora, agora é o momento assim que, agora é o momento assim que você não pode fazer eu chorar, mas é um momento que, né, que eu só tenho que agradecer, né? A Deus, primeiramente, por tudo,
pelos pais maravilhosos que eu tenho, meus irmãos, meu marido, né? Renato, um excelente profissional na área dele, meus cunhados, meus sobrinhos, meus amigos, né? Eh, agradecer por tudo, né? Por toda essa trajetória. Hoje. Eu tava aqui em casa, né, lavando a louça, e eu tava pensando, né: "E a vida passa tão...", né? Antes de, né, conceder essa entrevista aqui, eu fiquei pensando: "Nossa, às vezes a gente se preocupa com cada bobagem na vida, né, e a gente dá uma importância tão grande". E aí eu fico pensando, né, nas pessoas que já passaram pela minha vida
e que hoje não estão mais, né? Sim, que faleceram. Então, né, nosso querido amigo que te levou pro grupo, né? É, então eu só tenho que agradecê-lo por tudo que ele fez, né? Por mim, por tudo que você fez por mim. E, eh, assim, tenho pais maravilhosos, tenho amigos maravilhosos, tem gente que não gosta da gente, né? Paciência, né? Eu acho que isso é normal, né? Eh, eu já tô meio acostumado a ser a Bette Davis, né? Então, a malvada, eu sei que eu não sou, mas às vezes eu levo a fama por causa disso,
né? Eh, então, eh, eu quando paro pra pensar: Deus não poderia ter me dado uma oportunidade melhor. Tem horas que a gente, eh, não entende o porquê que a gente tá passando, né, por certos perrengues na vida. Às vezes a gente se frustra, fica chateado, né, mas isso é todo um processo, né? E esse processo, né, chegou pra mim, né? Daqui a pouco eu já sou quase um senhor de meio século; daqui a 4 anos eu tô já com 50 anos, e parece que foi ontem que eu tinha 14, que eu te conheci. Então a
vida foi muito, foi muito... eu sou muito grato, sabe? Deus não podia ter me dado uma vida melhor, uma família melhor e amigos melhores do que vocês. Então, muito obrigado por tudo! Nós que agradecemos a você, Edson, por tudo que você foi e tem sido para todos nós, tá bem? Deus abençoe você. Muito obrigado, né, de ter possibilitado ouvi-lo falando. Demos bastante risada, inclusive, né? Coisas boas. Tem a parte triste, mas é toda uma experiência de vida que vale a pena, vida e trocar essas experiências com outras pessoas também, né? Então, muito obrigado. Você viu?
Muito! Eu que agradeço. Um beijo para todos os atores que eu não vou lembrar os nomes, né? Adriana, Celso, Edna, Donizete... Ah, o Ivan, eh, ai, quem quiser, o Renato. Não consigo ver aqui... aqui é lá do encontro no bar. Ah, sério? Encontro no bar? Eu tô aí, eu sou do canto! É, você tá na beiradinha aqui, ó, nessa mesma. Tá melhorzinha, tá vendo? Ó, você aí. Ah, tá! Eu tava de boné, eu sempre usava boné. Aqui de novo! Ah, depois mande para mim R$10, R$10 cada foto. Pago R$20 para mandar para você, tranquilo. Ó,
você com o Renato lá. Ah, meu pai foi morar nos Estados Unidos, a mãe dele mora pertinho de casa. Ai, gente, que bacana! Manda para mim essas fotos! Gente, que delícia! Que delícia mesmo, né? Olha que coisa linda! Vou mandar para você. Manda, manda sim! Aqui cortou, né? Tá lá atrás, você, mas tá cortada. E aqui, quando vocês estavam ensaiando, né? Eu dava aqueles ensaios. Lembra que era respiração, né? Os exercícios de aquecimento, né? Yoga, respiração, alongamento. Aí eu tirei essa foto, mas esta aqui eu gosto muito dela. Ah, essa eu gosto muito, dessa foto
que serviu depois para fazer as camisetas. Para fazer as camisetas! Exatamente! Aqui, logicamente, é do "Crônicas no Teatro 1" e depois, quando foi feita a peça do "Crônicas no Teatro 2", que daí já foi com o Gil, mas foi impressa isso daí na camiseta. Essa foto impressa na camiseta. Aí, isso aqui era surpresa para você. Eu não quis contar antes. Ah, aí, ó, tudo do ensaio. Na verdade, que vocês já estavam na apresentação ou foi no dia já da apresentação mesmo do "Crônicas no Teatro 1"? Mas foi no dia da apresentação. Vocês estavam totalmente maquiados.
Tudo! Essa foto aqui que virou a foto da camiseta. Da camiseta! É verdade! Eu tô aqui no cantinho, grupo de teatro. Aí foi feita manga curta e manga comprida. Então é isso! Muito obrigado, viu, queridão? Deus abençoe você! Agradeço, viu? Ah, obrigado a todos os participantes, né, dessas peças aí! Alguns estão aqui já conosco, né? Que nós entrevistamos. Um dos últimos entrevistados foi o João Donisete, tá? O Benedito Donisete, que hoje é diretor do colégio do Centro Escolástica aqui de Sorocaba! Ah, que bacana! Sim, sim, maravilhosa! Legal isso! Depois eu mando para você, tá? Conversa
com eles, manda! Manda sim! E alguns, né, que a gente vai colocando... A Tânia foi também... Bom, tem vários, né? Depois a gente manda para mim que eu assisto, sim! Tá bom? Muito obrigado e muito obrigado a vocês que nos acompanham aqui no "Narrativas Compartilhadas". Obrigado a você, né, eh, que está conosco nessa caminhada aqui, trocando ideias e aprendendo com todas essas pessoas que nos contam um pouco de sua história. Obrigado! Obrigado, Ed! Obrigado a todos vocês que estão conosco. Deus abençoe vocês todos. Amém! Amém! Vocês também! Tchau, tchau!