[música] Salve salve família, bem-vindos a mais um Flow. Eu sou o Igor. Hoje vou ter a honra de conversar com a mão Coen Coen Rosi. Opa, [risadas] obrigado por vir. É realmente uma honra conversar com a senhora de verdade. Que bom, tem muitos fãs por aqui, né? Muito obrigada, Igor. É um prazer tá aqui. É um universo diferente. Quando eu entro Na sala, que eu vejo tudo que você tem aqui, é um universo muito diferente daquele com quem eu convivo, mas eu reconheço. É interessante, né? Porque no Japão se usa muito, né, os jogos e
o mangá. Então é alguma coisa que é reconhecida, mas sem muita profundidade. Só saber. Ah, isso existe. Que legal. [risadas] É, aqui tem os cavaleiros do zodíaco ali. Tem bastante coisa assim, ó. O Piccolo também é do Dragon Ball e tal. Tem bastante coisa aqui de de Japão mesmo, porque o Japão ele tem uma influência gigantesca na cultura do mundo. Acho que naqui no Brasil assim, tem a o próprio bairro da Liberdade ali que tem toda uma galera. Eu eu de vez em minhas filhas gostam de ir lá porque elas gostam de elas vêm no
YouTube essas coisas essas comidinhas japonesas e tal e aí querem ir lá e querem comprar essas paradas, não sei quê, e aí sempre tem aquela galera fantasiada de personagem Japonês e tal. Então é assim, é é um troço que assim eu eu lembro de assistir Cavaleiro Dio com se anos de idade, então faz parte da minha vida já há muito tempo, assim, a cultura japonesa. E bom, eh, faz tá enfiada. Não tem ninguém aqui que não que não manja de anime. Você não deve manjar muito dessas coisas, né? Não muito, não muito [risadas] não. Mas
o que que você achou de diferente, na verdade, aqui que tem coisa demais? Não, não achei nem que fosse de mais, nem de menos. e apenas que tem uma série de personagens que eu passo de leve por eles, que eu não tenho muita intimidade com eles. É só isso. Ah, entendi. Tá bom. Eh, antes da gente continuar aqui, vou falar do patrocinador rapidinho, que é o Stanley's Hair, que é a maior rede de clínicas de transplante capilar da América Latina. Cara, eles têm um eles fazem um trabalho lá que eu já utilizei Aí duas vezes,
inclusive, eh, uma para resolver meu problema e a outra para dar uma tampada aqui na bundinha de macaco que começou a ficar esquisita. E, cara, é incrível lá porque eles usam a última tecnologia que tem em transplante capilar. Eh, você não precisa mais ir pra Turquia fazer esse tipo de cirurgia, porque isso acontece, na verdade, aqui no Brasil, nas principais capitais e e na nas principais cidades, na verdade, né? Aqui no Brasil tem todas as capitais Nas principais cidades. Eh, dá para fazer o procedimento aqui no Brasil com um preço bem reduzido. Eu costumo falar
que lá eles cobram metade do que me cobraram quando eu fui fazer a minha primeira consulta para pensar na possibilidade de fazer um implante e ainda parcela num monte de vezes. É bem fácil de você resolver seu problema. Eh, se você já tentou outras coisas e e não deu certo, quem sabe aí o o implante seja o caminho para você, foi para mim, Né? Então, se você tiver aí precisando aí de botar um cabelo aí para ficar bonitão de novo assim, sabe? Cabelos esvoaçantes e tal, eu vi, sabe que eu virei para ele e falei:
"Eu quero ficar um dia que nem o o Steven Seagle". Aí ele fez uma uma linha capilar aqui parecida com a do Steven Seagle para quando eu deixar crescer eu que eu já sou gordinho, já tenho a barba, ficar igual Steven Se pronto, só falta meter a porrada nos outros também, né? Mas bom, É, é isso, tá bom? Tá aqui o o Qcode, tem o link aqui na descrição. Eh, vai lá, faz o teu orçamento que com certeza os caras vão resolver. Porque assim, além do do do transplante em si, eles oferecem todo o pós
para você, que é coisa que você só não tem se você fizer na Turquia, né? Porque você vai lá, faz o o o implante, volta pro Brasil, já era o pós-operatório. Então, aqui não, aqui você vai ter todo o acompanhamento, tá bom? Então, como eu disse, link na Descrição QRCode tá na tela e não perca essa oportunidade aí, não. Beleza? Faltou alguma coisa, cara? Tem um emblema hoje também que é uma homenagem que, caraca, ficou legal demais isso aí, ó. Que ótimo, ficou bonito mesmo isso daí. Bom, é, se você quiser resgatar esse emblema, é
muito fácil, só você ter um perfil na plataforma lá totalmente de graça e entrar em nv99.com.br/resgatar e usar o código mongazen, tá bom? E aí Você vai ter eh acesso a esse emblema aí para ele embelezar o teu perfil, para você completar tua coleção também, mas só se você resgatar nas próximas 24 horas. Depois disso ele vai desaparecer e só vai ter acesso quem resgatou, tá bom? É, um salve aí pro Lip Nnero, inclusive o Instagram dele é Lip Nero Cunha, que foi o artista que fez. Ficou bom demais, como sempre, Lip, você é sinistro.
E bom, você pode mandar uma mensagem pra Gente também que eu vou ler aqui no final do programa, é nv99.com.b. br/flow ou no link que tá fixado aqui no chat, tá bom? É isso, cara. Até eu tô tô me sentindo aqui até mais calmo, só pela tua presença, cara. Não sei você transmite uma coisa diferente, meio zen, né? Eh, eu acho que você é a mongja que a gente tá precisando mesmo em 2022, que é uma linguagem fácil, eh, não sei, você atinge as pessoas com uma facilidade tão grande que é Impressionante assim, você sente
essa transformação na vida das pessoas quando você quando você fala, quando você dá as tuas palestras e tal. Elas me dizem isso. Elas vem me dizer: "Nossa, Monja, a senhora mudou minha vida". Teve um que disse assim: "Eu ia me matar, não me matei por sua causa". Outro disse: "Eu ia matar uma pessoa e não matei a pessoa por sua causa". Falei: "Então, tá funcionando quando Você quando eu falo e quando eu faço minhas aulas e palestras e práticas, não tem nenhuma intenção por trás disso, sabe? Eu acho importante fazer que as pessoas despertem. Essa
é a palavra para mim principal, despertar, acordar paraa realidade, ver o que é assim como é, para poder atuar de forma decisiva. Senão nós não vemos o que é. Se eu se eu colocar uma tela em cima da realidade e pintar de uma cor que eu acho mais agradável, eu não vou poder lidar com a Realidade assim como ela é. Então, acho que o Zé em budismo é uma tradição muito pé no chão, muito real. O que que tá acontecendo agora comigo? Onde eu estou? Como que tá minha respiração? batimento cardíaco e eu começo a
trabalhar por aí e é uma coisa que é para todos nós, independe de religião ou não. Eu gostei muito da imagem que você pôs lá e aí eu lembrei que eu esqueci de pó. Eu tenho paninho que põe aqui que chama Raxu, que é o manto de Buda, que é igualzinho Aquele amarelinho que tá ali na imagem, né? E tem os dois brasões também da minha ordem. Eu, o carro chegou um pouco antes de eu est pronta e ele me disse assim: "Seora tiver pronta, pode vir". E eu não pus. Mas que pena. Mas é,
não tem importância, porque a imagem que você tem aí, ela é perfeita. É exatamente aquilo representa um discípulo de Buda. E os brasões que a gente tem são os brasões dos templos que nós representamos. Eu vejo que você tem vários brasões aí que lembra muito das coisas ninjas, né? É, aquilo ali é tudo daquele joguinho que eu tava ali explicando da tatuagem do Dota. É tudo é do Dota. Esse tá bem. É a É do Imortal o nome desse troço aí. Como é que chama? Éide do Imortal. Do imortal. Olha só. Porque tem um personagem
lá que quando você o quando você o mata de certa forma, porque ele Sempre renasce, quando você o mata, ele deixa cair o escudo e o escudo dele te dá a habilidade de renascer uma vez, entendeu? Nossa, que maravilha. [risadas] É uma das coisas mais fortes do jogo, inclusive muda vários jogos e tal. Olha só. Mas, pô, assim, você estava falando sobre esse lance de colocar uma tinta por cima da realidade e tal. Eh, essa muleta a gente usa ela desde sempre, não É? Não é uma coisa que que por mais que eu talvez imagine
que hoje em dia com as redes sociais e tudo mais a gente tenha utilizado mais dessa desse artifício, de parecer mais legal do que a gente realmente é ou de fazer uma uma afirmação de virtude nas redes sociais. Eh, é um é um dilema do ser humano desde sempre, não é? Tem vários aspectos isso, né? De um lado, eu posso negar a realidade, não Tem COVID, não tem nada e tá tudo bem, que é um dos aspectos eu nego que está acontecendo. Eu nego que eu tenho uma dor, que eu tenho um problema, que eu
tenho uma doença e não vou me curar e não vou procurar meios para isto. Ah, e outro lado é o oposto disto, né? Eu afirmo coisas que não estão acontecendo e eu vou criando realidades paralelas e na hora que eu preciso realmente, que meu pé tá no chão, eu vejo, poxa, não era o que eu imaginava. E o que eu faço Agora? Mas nós temos uma capacidade humana de adaptação que é incrível. É incrível. A gente se adapta e a gente se modifica. Tem muita gente que tem medo da inteligência artificial. Eu falei para quê?
A nossa mente tá produzindo inteligência o tempo todo. Ela não para. Ela não será mais lenta do que a máquina. Não será não. Nós estamos criando máquinas que vão nos ajudar a desenvolver a nossa inteligência em outras áreas que inclusive você que faz Muito jogo, não é isso? O jogo é uma habilidade incrível, que é habilidade motora, com a rapidez mental que tem que acontecer. E se a gente colocar isso em prática na vida, nos processos de construção civil, que seja, vai ser de um uma mudança incrível que pode acontecer a rapidez e a facilidade
com que nós vamos poder construir e desconstruir realidades. É muito incrível isso. Eu tenho um pouco de medo da da Inteligência artificial também. E e você tava falando eh sobre o eh a gente negar realidade ou a gente criar uma realidade que não existe. Eh, o ideal é o caminho do meio. O ideal é a gente é é a gente viver de fato com com penachão. Mas é muito difícil, Monja. Eu sei, porque assim, eu tô falando da minha experiência própria, porque eu já eu já em determinados assuntos eu ajo desse jeito, o primeiro jeito.
Em outros em outros determinados assuntos eu ajo do Outro jeito, do último jeito. Mas é é assim, eu sinto também que é muito mais produtivo quando a gente tá quando a gente enxerga a realidade como ela é. Por mais que seja difícil de enxergá-la, às vezes com tanto verniz que a gente põe ou que o mundo põe nessa realidade, fica difícil mesmo enxergar, pelo menos pras pessoas, pros leigos. O que você fala de caminho do meio é o que o Buda dizia, né? Não é O caminho do meio é sem apego e sem aversão, sem
extremos. Mas isso não significa que você fica bitolado e que você anda todo retinho assim. A gente encontra o eixo de equilíbrio, o eixo axial do corpo, por exemplo, né? São 80 e poucos ossos, né? Que acab, eu vi a senhora falando recentemente num vídeo. É uma beleza isso, a cabeça, o pescoço e o tronco, que nos dá o eixo axial. E nós temos um eixo axial emocional interno. E A gente encontrando esse eixo, claro que a gente sai. Ninguém fica rígido num lugar só. As coisas nos puxam e nos empurram e a gente volta
para esse eixo. A diferença é que quando você encontra esse ponto de equilíbrio, é mais fácil voltar para ele. Entendi. É só isso. Não é que você não que você não vai sair vai sair sim, inúmeras vezes. Mas já sabe, a senhora sai. Oxe, o [risadas] pessoal até briga as segundas-feiras à noite. A senhora fica com raiva. Fava. E não consigo imaginar a senhora com raiva, com todo respeito. É. Meu meu aluno veio aqui comigo, ele conhece, ele já viu. [risadas] Ah, entendi. Mas aí como a senhora conhece o seu eixo, isso eu volto Que
aparece esse eixo ele surge com que? Autoconhecimento, meditação. É o quê? Meditação é a palavra. É muito difícil meditar não é nada porque você criou uma ideia do que é meditar. Talvez seja. Joga fora a ideia, respira e tá tá meditando, tá presente no seu cor. a gente vai no Google e coloca como meditar, eles vão falar assim: "Presta atenção na tua respiração e e os Pensamentos que vem você deixa aí". Mas eu eu não consigo. Eles vêm e eu dou uma pirada neles por um tempo. Aí, pô, não deixa aí, mas ele mas ele
volta aí. É uma coisa horrível, cara. Porque é horrível? Você apenas observa. Eu penso, que bonito. Eu penso também. Tem momentos que não penso. O que a gente dá atenção é como se eu viesse nesta sala e só visse os objetos. Mas existe espaços entre eu e você. Existe um espaço entre nós e o teto. Existe um Espaço e eu não dou atenção a ele. No processo meditativo, eu começo a dar atenção não só nos pensamentos, mas nos intervalos entre eles. E eu vou perceber essa realidade de uma forma mais ampla, não limitada. Só pensei,
que legal. Pensei e além de pensar o que existe, tanto que o texto do nosso fundador do século XI no Japão, ele diz começa assim: "Este o pensar, o não pensar, ir além do pensar e não pensar". É aí que a Gente tem que esse é o mais complicado, né? É, não é que a gente pensa que é uma coisa complicada. Por exemplo, eu posso achar que fazer o joguinho é muito complicado, que participar dos jogos que você gosta de fazer seja muito complicado. Talvez seja no começo até eu pegar experiência, mas pode ser uma
coisa muito divertida e muito boa. Tanto que você faz e sente muito prazer em fazer. Aham. E para mim é uma coisa, ah, isso é difícil, não é para mim não, eu não nunca vou conseguir. E quantas pessoas você conhece que disseram isso e que você introduziu os jogos e que elas continuam jogando? que é o que a senhora faz, que é introduzir a meditação e tudo mais. Meditação é difícil, é complicado. A vida é difícil, é complicada. Por que não? Se eu posso conhecer um pouquinho Mais de como funciona a mente humana, eu vou
conhecer através do quê? Da minha. Eu não vou abrir a cabeça de outra pessoa, eu não vou fazer uma psicanálise, mas eu vou tentar entender o que são pensamentos, não pensamentos, o que são emoções, sensações, memórias, sentimentos. A gente é feito de um monte de coisas. Imagine a a quantidade de conexões neurais que estão acontecendo nesse momento na minha e na sua mente, de tudo que tá aqui, do que já fomos, do Que somos e do que seremos. Tá tudo assim, ó. É energia pura, eletricidade e e conecta neurônio, neurônio, neurônico neurônio. Isso é o
que a gente vai chamar de inteligência, que a gente vai conectar coisas que não são da nossa familiaridade e que a gente pode fazer pontes. Por isso que falavam quando falavam: "Puxa, então o cérebro do Einstein era maior que a das outras pessoas?" Não, não era maior. Ele fazia mais conexões neurais De coisas que não pareciam que não tem conexão nenhuma, mas que existem conexões. É divertido. É um jogo. É um jogo. Parece interessante mesmo. Você falou eh sobre a gente faz parte da gente é o que a gente as a imagem que a gente
faz sobre nós mesmos do passado, do presente e do futuro. Mas eh a forma mais inteligente de levar a vida deve ser viver no presente, né? Sempre. Onde mais que poderíamos estar vivendo? Existem pessoas que vem no passado. Não, elas pensam no presente que estão no passado, mas elas estão aqui. Elas estão sempre no presente. Nós estamos sempre no É impossível não estar no presente. Onde é que eu poderia estar? A minha cabeça pode estar pensando lá atrás, mas o meu corpo tá aqui. E onde tá meu corpo, tá minha vida. Ela não tá lá
atrás. E é interessante porque durante o processo meditativo, muitas vezes acontece, fazemos retiros muito Intensos, né, de muitas horas de meditação. Então passamos por várias fases e uma delas que acontece muitas vezes é você fazer uma revisão da sua vida, do que você lembra. Você já percebeu que a gente escolhe memórias? Olha, eu imagino que sim. Eu imagino que que inclusive a gente cria determinadas memórias também e maltera também e fantasia sobre as memórias do passado, né? Então o que que é real? Aquilo que eu imaginei que era real naquela época. Como é que eu
me senti naquela época? Eu posso perceber agora como é que eu me senti naquela época, mas sou eu agora me lembrando de uma experiência na qual eu não estou mais nela. E aí eu posso ressignificar isso. Sei lá, teve alguém que que fez uma atitude abusiva que foi desagradável. Aham. Em vez de eu ficar dizendo: "Ó, detesto pessoas desse jeito porque elas são assim". Não, pera aí. O que aconteceu? Quando foi que essa situação ocorreu? Por que que ocorreu assim? E já foi, ela já passou. Por que que eu vou ficar parada em alguma coisa
que já não é mais? Imagine você jogando e ficando pensando na jogada anterior que você fez. Já tá morto, né? É, já tô morto. Mas é, então parece parece uma uma sessão terapêutica Sem um psicólogo. Isso que você tá falando é é você é o observador de você. Mas a realidade, o que a gente, por exemplo, especialmente o que a gente lembra, a realidade ela é ela vem ela fica gravada na nossa mente como o conjunto das sensações e e dos sentimentos e isso se mistura com o que realmente aconteceu. Então a gente acaba trazendo
o que fica gravado na nossa mente, na verdade acaba sendo algo que a gente ah, De certa forma, sendo negativo ou positivo, fantasia que aconteceu, porque assim, tem algumas memórias na minha cabeça, positivas e negativas, que que eu eu eu tenho certeza que, na verdade, elas olhadas de outra ótica, elas poderiam ser contadas de uma forma diferente, né? Mas parar e analisar isso sozinho parece uma tarefa e tanto, mas a gente não para tanto. A gente não fica tão parado em algum lugar Observando tanto uma coisa só. É, é o jogo. É, você percebe que
isso aconteceu e vamos para adiante. E qual é a próxima jogada? E onde que eu vou mexer agora? E o que que tá acontecendo nesse instante? Isso mexeu com a minha respiração, mexeu, mexeu com o meu batimento cardíaco, mexeu e daí volto pra minha respiração, mas o eixo de equilíbrio e de novo aparece outra coisa. E pode ser o mesmo pensamento, porque há coisas que às vezes nós Precisamos pensar sobre elas e elas vão vir de novo e de novo. OK, eu vou dar um tempo e vou pensar e agora eu vou pensar sobre esse
assunto. Ele está recorrente, ele precisa da minha atenção, eu preciso resolver uma questão que seja matemática e eu tenho que pensar nisso. Eu não posso dizer: "Não vou pensar nada", eu vou pensar. Então, o pensar existe, o pensar também existe. E quando você percebe ambos, é como perceber noite e dia simultaneamente. Quando a gente faz Viagens internacionais, não tem um momento em que o dia e a noite estão juntos. De um lado é noite, do outro lado é dia. É mais ou menos isso. Você começa a ver o quadro de uma maneira mais ampla. Não
é só este lado, mas todos esses lados e são inúmeros ângulos, existem simultaneamente, como nós vivemos numa época onde várias épocas simultaneamente habitam conosco, coabitam, né? Aham. Nós temos pessoas que estão vivendo na idade média agora. Temos e temos pessoas que já estão no futuro e temos nós que estamos entre esta idade muito antiga e este futuro que é para nós, para alguns de nós ainda não chegou e a gente tá vivendo e percebendo tudo isto. Quando eu fui pra Índia, foi alguns anos atrás, um professor de Olga me levou e era tudo muito reconhecível,
sabe? Tudo assim, era tão natural. a cremação, o menino morto na beira do rio Ganja, os cachorros comendo a barriguinha do menino, a vaca sendo lavada, sabe? Um tinha uma br não. Quando você tá lá é natural. É, é como se a gente já tivesse vivido isto, como se você reconhecesse que não é estranho. Se você chegar na Índia com olhar eu de tal lugar que penso assim, hum, que esquisito. Se de repente esse eu desaparece e você se torna um habitante local, então aquilo é natural, porque é natural Para todos. Não causa um estranhamento,
ó. O estranhamento é quando eu me separo da realidade. Por isso que o Zen trabalha muito a noção do não eu. É o não eu. O eu que se identifica, que se mistura, que tá junto, que não tá separado, criticando, julgando, condenando, aceitando, querendo, desejando, mas reconhece. Eu achei muito, muito incrível. Deve ser uma experiência diferentíssima. Foi muito para mim, foi bastante porque nós estávamos num grupo e e eu resolvi ir para Varanziasi, que é onde tem os crematórios e tal, porque eu queria conhecer um dos lugares onde Buda esteve, onde ele teve a sua
experiência mística, que é Bodigaia. E a maior parte do grupo foi pro norte da Índia, que onde vão mais turistas, é mais tranquilo, não é tão impactante. Eu não sabia que era tão impactante, mas fui. De Varaná tem os crematórios e que eu Falei, tinha menininho morto que os cachorrinhos estavam comendo. Mas é tudo tão simples e natural. tinha uma briga de cachorros e um senhor pegou um dos cachorros pela pata de trás, rodopeou ele no ar e jogou longe. Eu falei: "Nossa, imagine, eu amo cachorrinhos, eu trato com maior carinho". E quando eu comecei
a brincar com cachorrinhos, filhotinhos que tinham no chão, eles pararam, olharam, disse: "Ela brinca com cachorro". E aí eu me lembrei uma história muito antiga que é da China, um monge peregrino. Naquela época os monges iam de mosteiro em mosteiro encontrando, procurando uma resposta, um significado para pr pra existência. E ele chega nesse monge que era a pergunta mais velha da humanidade. Pois não é. Então ele chega nesse mosteiro desse monge que era muito famoso e diz para ele: "Se tudo é a natureza Buda, que nós vemos que tudo é A natureza Buda, manifesta na
mesa, no microfone, na água, no copo, em mim, em você, em tudo, é a natureza Buda, a natureza iluminada, desperta, que tá manifesta. Se assim tudo é a natureza manifesta, o cachorro cão tem a natureza Buda. Vamos pensar no cão como chamado o imundo, o demônio, né? aquele que eh come restos humanos, não é não é não é o cãozinho bonitinho que hoje a gente tem em casa, né? Eh, seria o criminoso, o assassino, o Estuprador, tem a natureza Buda. E o monge responde para ele: "Mo que que isso quer dizer?" Pois é. [risadas] E
o cara despertou com mu mu. O cara despertou na hora porque sai da dualidade, o bem e o mal, o certo, errado, o bom ou ruim. Isso é muito interessante, porque, ó, a próxima coisa que eu queria que eu ia que eu ia te perguntar tem a ver exatamente com isso, Porque ah, mas aí você já meio que desconstrói, porque, ó, eh, assim, eh, essa esse autoconhecimento, a meditação, eh, trabalhar, a, para alcançar o nirvana, que seja, eu ia te perguntar se isso necessariamente me transforma numa pessoa boa, não ia nem falar melhor, numa pessoa
boa. Se um cara que ele é que ele é mau, que ele é um assassino e ele começa com com essas práticas, se ele se torna uma pessoa boa, e é assim Que funciona, mas você tá me dizendo justamente contra a dualidade do bem e do mal? Pode ser que sim, pode ser que não. Não, não, não se pode garantir. A meditação não transforma você dessa forma, né? Mas faz você conhecer quem você é e como que você usa essa sua energia vital, né? Então, se você tem uma tendência, vamos dizer, a ser uma pessoa
que prejudica os outros, que abusa dos outros, você vai perceber agora de onde vem isso e porque Eu tenho isso. O que aconteceu comigo? Eu nasci um bebezinho. Quer dizer, eu podia ter nascido um bebezinho com determinadas tendências. E onde é que elas foram estimuladas? Por quem? E porque eu me manifesto assim, isso é bom para mim, é bom pro mundo, eu tô feliz assim, as coisas estão indo bem assim ou não? Então é uma avaliação que nós temos que fazer para nós mesmos. E aí daí eu tomo a minha decisão entre qual caminho eu
vou seguir, Qual caminho? E é o caminho de causas e condições e efeitos, que a lei da causalidade, que se chama lei do karma, né? Aquilo que você produziu vai ter efeito, volta de certa forma, né? Tem uma história de um de um sutra que chama sutra de Vimalaquirte. Vala lá que eles chamam um leigo. Sutra. É um ensinamento de Buda. De onde vem a palavra sutura também, Que são palavras colocadas juntas, amarradas juntas num cordão. Olha que interessante, num fio que faz sentido, né? Tá? E Buda fez várias palestras, ensinamentos e um deles chama
Sutra de Vimalaquirte. Vimalaquirte era um lego. Ele nunca quis se tornar monge e ele ensinava os monges porque monge também fica bitolado, né? Monge pode ficar bitolado as regras, eu tenho que fazer Tudo certinho, tudo direitinho. E ele desconstruía tudo isto, né? E conta nesse sutra que um dia a Buda foi pedir esmolas num vilarejo e chegou nesse vilarejo, tava completamente vazia as ruas como nós ficamos no início da pandemia, né? Sem nenhum carro na rua, sem ninguém. Falou assim: "Nossa, o que tá acontecendo aqui?" E ele foi bater na porta de um amigo, de
uma pessoa que ele conhecia. Esse amigo aí abre a porta, não quer ver ele direito. Quando vê que Ele puxa ele para dentro, venha para cá. Disse assim: "Mas o que que tá acontecendo?" Disse assim: "Não, tem um um assassino terrível aí na rua. Ele já matou 99 pessoas. Ele disse que vai matar 100. E ele pendura um dedo de cada um que ele matou no pescoço. Ele cheira mal que ele cheira de carne podre. E ele ele é um homem enorme e ele tá vindo aí na rua, ele diz que vai, o próximo que
ele encontrar, ele vai matar. Então, estamos todos dentro de casa. E o Bud Disse assim: "Bom, eu vou sair não, o senhor não vai sair. Senhor encontrar vai matar." Não, eu vou sair. Eu vim aqui para mendigar, eu vou mendigar e eu vou sair. E relutante saiu, anda alguns passos na rua e lá vem um vozeirão enorme atrás dele. Pare aí. E ele continua andando. E de novo o homem que é este assassino vem correndo, passa na frente dele, diz: "Eu não mandei você parar". E disse assim: "Faz tanto tempo que eu já parei? Quem
não parou foi Você". Essa frase pega esse gigante assassino sanguinário. Espera aí, cara, o que você tá falando? Ninguém nunca me falou isso antes. Você não tem medo de mim? Dis por que medo? Falei assim: "Pera pera, vamos conversar." E nessa conversa ele vai contar que na infância ele havia sido muito maltratado e que ele odiava os seres humanos pelas pelos abusos que ele recebeu como criança. Ele havia ver se Comprometido que se vingaria de 100 pessoas por abusos que recebeu. E nessa conversa ele começa a chorar e ele vai entender por que ele se
tornou tão sanguinário e o que realmente aconteceu com ele. E a dor daquela criança que foi muito magoada, de repente aflora. E ele vai ser discípulo de Buda. Só que tem uma multidão de pessoas que o odeiam. Tem uma multidão de pessoas que querem matá-lo e acabam pegando ele. Ele é muito ferido e o Pessoal acha que ele tá morto. E Buda diz: "Não, vamos levá-lo conosco". E levam e ele fica noite e dia cuidando desse desse personagem. E o pessoal diz: "Larga, ele já morreu." Ele fala assim: "Não, ele tá vivo". E ele depois
vive de novo, né? E aí ele vai se tornar um homem completamente diferente daquele que ele foi antes. Mas havia uma razão pela qual ele era assim. Tudo tem uma razão. Claro, nós temos distúrbios mentais. A gente tem a psicopatia, né? Pessoas que não têm sentimento nenhum, mas é uma doença. A pessoa não é responsável, ela é doente. Ela não tem sentimento de empatia com nada, nem com ninguém. Então é natural que haja dessa forma. é da natureza daquele ser agir desse jeito. E da natureza daqueles que não que são contra os assassinatos e os
crimes, é tentar impedir que ele tenha acesso a armas e assassinatos. Mas não é odiar e nem querer exterminar. Aliás, você que trabalha com extermínio, Né? Seus joguinhos não são de extermínio. [risadas] Que susto. Não exterminar é uma das palavras que a gente fala. O primeiro preceito de Buda diz assim: "Não matar". E não matar, a gente fala: "Não mate Buda, não mate a sabedoria, não mate o despertar da sua mente no mundo. Não é você não mata um bichinho. Claro, se você puder, não vai matar bichinho nenhum, não tem porquê, né? Tem uma Razão
pelas quais eles estão por aí, né? Até perne longo, inseto. Mas pra gente se alimentar aí tá tranquilo. Ah, nós vivemos de outras formas de vida. Eu não consigo viver de energia solar, eu não faço. Então eu tenho que comer outras formas de vida. E para paraa minha tradição e pro meu professor da minha, porque tem várias linhagens budistas e pensam muito diferentes umas das outras, né? Da minha ordem do meu Professor, que foi de onde eu de onde eu venho, né? Da minha tradição, nós podemos comer de tudo. Não não existe uma forma de
vida que seja superior ou inferior à outra. Ah, dizer assim: "Não, eu só como, eu não como animais. Bom, animal, talvez ele tenha, o que nós comemos é energia solar. E a energia solar ou vem das plantas, dos vegetais, das frutas, etc., ou dos animais que comeram plantas vegetais e frutas. E eles estão, a gente pode dizer que é de, É uma energia de segunda, né? Não é de primeira, né? É de segunda. Mas funciona. Tanto que a energia da carne você come menos e você tem energia por mais tempo do que se você comer
apenas vegetais. Não é dizer que é melhor ou pior, é apenas diferente. E quando a gente fala da fome no mundo, quem é que escolhe o que come? Qual é a elite do mundo que escolhe o que comer? Nós somos elite. Nós Escolhemos o que comer. Verdade. Nós escolhemos água para beber que tá transparente quando a maioria da população do mundo não tem essa condição. E a gente não lembra disso. Pois é, lidar com isso é é um um dilema moral, né? É verdade. Eh, cara, quando você diz assim que a gente precisa eh largar
a dualidade bem e mal e tudo mais, eh, por onde começa, Monja? Porque assim, eh, tudo que eu consigo pensar é entre bem e mal. É, é o quê? Existe uma verdade absoluta no universo e, e, e dela as coisas derivam. Como é que é? Nós percebemos que existe a luz e a sombra. Mas é que nem a sua mesa. Você me contou antes da gente começar que trouxeram uns robôs enormes aqui que eles riscaram a sua mesa. Sim. Aí um amigo seu disse assim: "Não, você pode lixar a mesa". E você disse: "Será, será
que eu quero restaurar e tirar as marcas que eles deixaram ou será que eu deixo as marcas que eles fizeram?" Porque é uma memória. Sim, é, é essa a diferença. Eu quero pretender que eles não estiveram aqui e que não fizeram nada na minha mesa e não marcaram. Eu posso fazer isso, mas você vai saber que eles estiveram aqui, que Você restaurou a mesa. É o bem ou o mal? Restaurar a mesa é o bem. Deixar como ela está é o bem. É o mal ela, eles terem riscado a sua mesa é mal. É mal
ou é ou é não é ou não é mal? É o que é. E a gente chegar nisso que a gente em japonês fala niosê. As coisas são o que são e como são, mas como são movimento e transformação. E nós atuamos nessa realidade escolhendo caminhos para onde queremos seguir. Eu escolhi o caminho de Buda, o caminho do despertar. Dizer que eu tô desperto o tempo todo, não. Eu adormeço, falo bobagem, como você falou, fico brava, fico pistola. Que eles falam hoje, eu fico pistola. [risadas] a pistola quando fala do Neymar que eu sei. Ah,
o Neymar eu gosto muito dele. Continuo gostando muito, muito. É um maravilhoso jogador. Eu também. Eu também. Essa semana quem veio me visitar foi o Abel Ferreira. É mesmo? É. Ele disse que Ah, é verdade. Alguém me falou aqui. É verdade. Ele disse que ouviu falar de mim quando ele tava morando em Praga e ele já era treinador de futebol lá. E a psicóloga da equipe dizia para ele ouvir os meus vídeos para ele ter menos ansiedade. Olha que bonito, ele trouxe a mulher e as duas filhas para me visitar. Não Filmamos nada, foi uma
coisa, uma conversa entre nós. Mas que ser incrível, né? Como é que ele faz um time de futebol chegar onde chegou? Quer dizer, ele disse assim: "É ser humano, Monja. Eu trabalho com ser humano, eu reconheço o ser humano e eu não desisto de ninguém. Se um jogador quer dizer desistir, é ele que desiste, porque eu não desisto. Houve comentários, né? Tal jogador só queria fazer a aquele gol de bicicleta, Né? Ah, porque é absurdo. Ele disse assim, por que absurdo? Ele não desistiu. Até que ele fez. Eu acho importante que a gente não desista
na vida. Se você quer alguma coisa, não desiste, porque você erra e corrige. Erra, corrige até que você acerta. Porque a frase é boa, né? errando o que se aprende, não corrigindo o erro que se aprende. Essa frase é do professor Cortela, que eu adoro. A gente corrige o erro. É que nem no Jogo, né? Você vê que eu tô errando para cá, vou continuar errando porque eu vou aprender. Não aprendo, não aprendo nada. É bom. Eh, você, você falou do Cortela, você tem um livro com Clov de Barros, não é? Que é a mongja
e o professor, não é isso? professor. Isso. E é interessante porque é assim, eu não o li ainda, eh, mas eu mas eu tava vendo Lá a algumas resenhas e as sinopses e tal, e parece que ele foi ele foi feito, ele é ele deriva de uma conversa que vocês tiveram, né? Então, dessa conversa aqui eu vou tirar a mão de um idiota. [risadas] Mas, ó, e você tem um livro que é Zem para Distraídos. Aham. Né? que é basicamente para falar com a galera de 2022, né? A vida que a gente tá levando agora,
Eh, redes sociais e todas as distrações que a gente tem agora. E é porque à medida que que as redes sociais vão se enfiando cada vez mais na nossa vida, a gente só se torna mais ansioso, mais até depressivo e e a gente não consegue se desconectar delas. Passa, é jogo, é brincadeira. a gente ganha o brinquedo novo, brinca, brinca, brinca com ele, depois a gente enjoa e a gente vai aprender a usar esse brinquedo de forma mais adequada. Então você concorda comigo que a gente não sabe usar ele direito? Não, não sabe. Claro que
não. A gente não sabe. A gente pode usar de formas tão maravilhosas, né? E a gente tá usando de forma meio infantil, meio bobinha, mas é tudo bem, começa por aí. Temos que aprender a usar esse material para depois poder usar de forma melhor para nós, para toda a humanidade, né? Você veja as pesquisas das vacinas, por exemplo, né? Imaginou isso em rede, Todos os cientistas juntos compartilhando suas pesquisas. Nossa, em dois dois timos de segundo tava pronto, mas cada um querendo proteger o seu, eu defendendo o meu pedaço, é isso que não dá certo.
Então a gente tem que quebrar essas barreiras. E eu acho que a tecnologia vai nos ajudar a isto. Ela é mais democrática, né? Ela todos participam, todos podem participar. E se no começo a gente participa falando bobagem, a gente cansa da bobagem Também. a gente cansa da daquilo que não tá que não tá beneficiando mesmo, né? É porque assim, o jeito que a gente usa assim as redes sociais, especificamente o Twitter, a senhora usa o Twitter? Não, eu não uso Twitter. Faz bem, faz bem. Faço, né? Eu nunca gostei dele. Ali, ali. Tem tem assim,
ele começou, quando eu entrei, eh, já faz bastante tempo, eu tô, essa é a minha segunda conta. A primeira vez que eu entrei, se Eu não me engano, foi 2009 e tal. Eh, e eu criei porque eu tava estudando e eu queria seguir uns perfis eh, de que tinham a ver com que eu tava estudando e tal, na época porque eu tava estudando para fazer uma prova de inglês sinistra para caramba. Eh, é, depois veio uma época que que era era uma rede social engraçada, tinha muitos memes, piadinha, não sei o quê. E hoje em
dia a gente só encontra ódio ali. Então, por isso que na moda, Não é muito bom. Tá lá. Por que que tá na moda? Ódio? tá na moda, porque você é diferente. Todo mundo quer ser bonzinho, politicamente correto. Eu não, eu não sou politicamente correto. Eu tenho preconceitos, tenho discriminações, odeio. Hum. Porque aí eu vou chamar atenção sobre mim, porque o politicamente correto tá defasado, né? Ninguém mais se interessa. É um chato, né? E de repente, se eu sou oposto Disso, as pessoas vão me ver. O que que nós queremos? Visibilidade. Para quê? Para que,
monge? Porque me sinto invisível. Numa multidão eu não sou ninguém, não sou nada. E de repente na rede social também não sou ninguém. Mas se eu falar uma coisa bem absurda, eles vão me reconhecer. Eu existo. Essa falta de sensação de existência, isso é que por isso que a gente fala qual é o sentido da existência. Eu Preciso ser visto, preciso ser reconhecido, preciso que olhem para mim, que gostem ou não gostem de mim, tanto faz, mas que me vejam, porque senão eu não existo. Mas ah, tá, eu entendo e até concordo. É, é uma
análise interessante e mas eu fico pensando porque, ó, o meu trabalho ele para quando ele quando ele tem sucesso, ele automaticamente me torna famoso nas redes sociais. E e eu costumo dizer que não é que eu não gosto do Contato com as pessoas, na verdade eh elas que me dão força, muitas vezes, sabe? encontrá-las e tirar uma foto e uma palavra e gravar um vídeo e tal, um abraço. Eh, eh, tá ali a materialização do meu sucesso. Mas, por outro lado, eh, muitas vezes eu só queria ser um invisível. É, é engraçado isso, né? Porque
a gente acha que o que a gente quer, no fim das contas, não é exatamente o que a gente queria. Eu descobri isso porque, assim, Eu venho de uma origem e bem humilde e assim, eu achava que o objetivo da minha vida era conseguir grana. Hum. Aí teve uma fase que eu consegui grana, mas foi a pior fase da minha vida. Hum. Foi uma fase que eu tava profundamente deprimido, sabe? Porque perdeu o propósito na minha vida, sabe? E é interessante ver como o que a gente acha que a gente quer pode não ser o
que a gente quer de Verdade, né? O eu ideal é uma coisa assim, né? na hora que eu alcanço o meu objetivo, ele não tem mais sentido. Por isso que a gente tá sempre procurando, procurando. E essa é a diversão da vida. É por isso que eu eu peguei para mim o seguinte, agora eu vou setar uns objetivos bem absurdos, bem longe, porque eu quero curtir o Caminho até lá. É isso aí, né? [risadas] Isso é uma coisa que a minha superiora dizia: "Aprecie cada passo do caminho. Não tenha pressa de chegar. Pode ter urgência,
né, que é diferente, mas não é pressa. Aprecie o que tá acontecendo agora, onde você está, de que maneira está. Em vez onde eu vou chegar, não, eu chego lá. E se não chegar também não tem Importância. Não tem importância porque eu curti o caminho. É, né? Uma vez me chegaram, me chamaram pro Rio de Janeiro, o YouTube tinha aberto um espaço lá no YouTube, isso. E tinham vários jovens aqui da América do Sul, do México, etc. era para eu conversar com eles e alguns deles Tomavam muitos remédios para não dormir e perdiam seguidor e
vou morrer porque perdi um seguidor muita aflição, muita ansiedade. E um deles disse para mim: "Eu tenho 8 milhões de seguidores. Naquela época era bastante isso. É bastante isso, pelo amor de Deus. Ainda ainda é bastante, né? Diz: "Eu tenho 8 milhões de seguidores, todo mundo quer ser como eu sou e tem um vazio tão grande aqui dentro. Monge, o que que eu faço?" É, o que que a gente faz, Mong? que as pessoas queiram ser quem elas são. Essa é a diferença, fazer que as pessoas sejam quem são e apreciar quem são, gostar de
si do jeito que é e que é um movimento e transformação, não é fixo. Gostar de si mesmo e desenvolver as suas potencialidades. Não vou copiar você. Eu posso vir aqui fal: "Puxa, você tem tanto sucesso com Flow, eu vou fazer um programa igualzinho agora". Nossa, eu quero uma mesa igual dele, né? Não vai Dar certo. Eu não sou você. Não, mas eu não sou você. Eu posso fazer alguma coisa parecida, semelhante, mas nunca será a mesma coisa. Mas se eu vou fazer aquilo que para mim eu sinto e que realmente é meu e vem
de dentro, ele vai dar certo. Esse programa que a gente começou de fazer IABAD e e gravações começou quando o meu bisneto nasceu. Ele nasceu em casa. E o marido da minha neta, que não era marido Na época, estavam juntos e o bebê nasceu, ele começou a descer para ouvir minhas palestras. Ela fazia uma palestra para 20, 30, 50 pessoas. Quando tinha 80 era um monte assim, né? E ele falou assim: "Posso pôr no YouTube?" Eu falei: "Ponha e começou a bombar." Falei: "Nossa, o que foi? Se nós não tivemos intenção, ninguém pensou: "Nós vamos
ficar ricos, nós vamos conseguir seguidores." Não, começou a bombar. a gente fala: "Nossa, quantas pessoas Precisam, estão à procura desse sentido existencial e de viver bem, viver tranquilo. Não sou um ser perfeito, que legal! Não sou perfeito, mas posso me aperfeiçoar, posso pôr cabelos na minha cabeça que está perdendo pelos". Não é verdade que você fez? Se eu quero ter cabelos na minha cabeça e eles estão caindo, eu vou procurar uma empresa que você falou uma Stanley Stanley Ha viu só? Dói, Ó. É chato porque doer não dói não. A gente toma uma anestesia que
é meio incômoda, a primeirazinha que é meio aqui na testa e tal. E depois dorme a maior parte do processo, mas demora muito. Eu no meu caso, né, que eu tava eu tava calvão, sabe? [risadas] Eh, mas não dói não. É tranquilo. O pós a gente precisa tomar um pouquinho de cuidado e tal, mas tomar banho, água dói. É, tem que os primeiros dias não pode Lavar e tal. Ainda bem porque ficou imagina ficar cheio de feridinha, né? É, fica cheio de feridinha. Isso aí. Isso aí. E sabe que eh eh sobre esse esse cara
que você falou aí dos 8 milhões de inscritos e tal, eh talvez seja um, eu não conheço nenhum, tá bom? Talvez eu conheça um ou dois eh pessoas que trabalham com internet que sejam saudáveis mentalmente. Eu não me considero um cara saudável mentalmente. Eh, a gente tá sempre muito aflito, a Gente tá sempre muito desesperado e atrás do que da do próximo passo e tal. Eh, a gente a gente meio que às vezes se perde num em algo que não somos nós mesmos. Eu passei por isso. Lembra que eu te falei que que quando eu
alcancei assim, eu achava que eu precisava ter grana e tal. Eh, ali eu acho que o que me torn o que me deixava mais depressivo, o que me deixava depressivo de uma forma geral era o fato de eu não poder, eu não era, Apesar de eu ser uma fração de eu mesmo, não era eu mesmo o tempo inteiro, sabe? E e sabe que esse programa aqui me me salvou dessa desse sentimento, porque assim, aqui eu posso ter uma conversa com a senhora assim, eh, mais eu mesmo que eu consigo, sabe? E e ser eu mesmo
foi o que o que me salvou. Pois então, isso é, isso é interessante porque a gente vê muita gente que trabalha nesse meio que eles precisam parecer felizes o Tempo inteiro, que eles precisam criar um personagem de si mesmos às vezes para para passar um certo sentimento e tal, porque é isso que que a não teve ninguém ainda que se aposentou dessa carreira. Aham. Para poder dizer como é que é, sabe? Como é a aposentadoria, né? Pois é. Como é como é que é o caminho até lá? A gente tá todo mundo procurando Esse caminho,
sabe? Construindo. Que bonito. Todo mundo construindo isso, na verdade. Mas você veja que coisa bonita que aconteceu com você. Comigo foi incrível encontrar o seu eu verdadeiro. Isso é o caminho do Zem. Eu não se assim que fala sator, despertar, mesameiro, quemchoto. São várias palavras que significa isso, ver a sua própria natureza. E às vezes a Gente tem que passar por grande dor, sofrimento, angústia, senão não chega lá. Ela não cai do céu não. A gente tem que ir atrás. e vou atrás pensando, eu quero isto, né? Quero dinheiro. Se eu tiver muito dinheiro, vou
ser muito feliz. Aí você tem o dinheiro, fala: "Pera, não era isso. O que é então? Aonde está isso? O dinheiro ajuda, mas ele ele pode ser um obstáculo também. Havia um homem que Ele achava que o dinheiro dele era o grande problema, né? Então ele queria ser monge e tal. Eu falou: "O que que você vai fazer com a sua fortuna?" Se assim, eu vou jogar no mar, mas no mar tem tanta gente pobre precisando que você não investe não, eu não vou dar um problema para eles. [risadas] E jogou tudo fora. Pessoa falou:
"Cara, isso não foi muito inteligente, né? Você podia ter construído tantas coisas e jogou fora porque era um problema, né? É bom. Para mim, assim, eu nem diria que eu encontrei o meu eu verdadeiro, mas eu sinto que eu fiquei mais próximo dele, sabe? assim, poder poder eh receber a senhora aqui, por exemplo, com camisa do Flamengo e um chinelo, para mim é uma conquista. Esse é um pedacinho assim, ó. Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer, [risadas] que vai jogar daqui a pouco, inclusive nós vamos ganhar, se Deus quiser, aí do Corinthians e tal. É
isso aí. Mas, pô, eh eh [risadas] ele é corintian já não gostou. O Corinthians jogou muito tempo lá no Pacaembu, sabe? Então eu acabei dizendo que eu era meio corintiana, porque aquela aquela povo maravilhoso que ia lá, né? Aos poucos foram tirando as barraquinhas, foi acabando a festa, foram pra zona leste. É, e foram embora. E o estádio do Pacaembu ficou vazio. Vazio do tempo, o O onde onde você fica é para lá, não é? No Paquimbo é quase em frente à praça do estádio. É. Então, desde criancinha lá, muito acostumada com os jogos. Antigamente
eles vendiam laranja, lembra que você não deve ter visto eles, descascavam laranja numa maquininha que saia uma capinha bem fininha dela. Ela ficava toda redondinha assim, a casca da laranja saira uma maquininha, sabe que cortava fininha aquela que depois Cortava no meio e chupava e vendia minduim. Era só o que vendia na praça do estádio. Entendi. Aminduin e laranja. O tempo foi passando. O que que assim o que que aconteceu na tua vida para para você ir procurar lá em Los Angeles uma cultura completamente diferente da que você foi criada? Hum. Tem uma história bem
comprida daí, Né? Eu posso dizer que por volta dos 11 anos eu comecei a questionar tudo. Minha mãe, meu pai, minha família, igreja fazos. É, com 11 anos começou. Minha mãe era precoce. Hã, precoce. Porque com 11 anos é, pelo menos hoje em dia, as pessoas não estão muito prando. Minha mãe era poetisa e declamava. Aham. E ela declamava muitas poesias existenciais. Então, desde pequenininho eu comecei a ouvir coisas. Por exemplo, quando tinha 6 anos de idade, eu decorei duas poesias que eu me lembro agora. Uma delas chamava o Moleque Bacural, que contava a história
de um menino negro que era que não, os branquinhos não brincavam com ele, ele era muito pobre e ele morre tuberculoso. Então, com 6 anos você decora. É, pois é, mas com se anos você decora isso, você já começa a Pensar que tem diferenças sociais e que tem discriminação e preconceito. Aham. E começa a trabalhar isso. E minha mãe trabalhava isso na gente, né? Uma vez eu tive um namoradinho, as minhas amigas dis: "Ah, mas ele é judeu". Eu falei: "O que é isso?" Falei: "Mãe, que história é essa de ser judeu?" E ela me
deu o diário de Anne Frank para ler. Então, eram coisas assim, né? O outro chamava o o crime de hoje. Era um Glorinho de olho azul que vendia jornal nas esquinas. Ele não sabia ler, mas ele gritava: "O crime de hoje, o crime de hoje, o criminoso era o pai dele". E ele não sabia porque ele não sabia ler. Então, eram coisas assim que marcam muito a gente nas questões. Quem sou eu? Por que que tem crianças que não sabem ler? Por que que tem crianças que são excluídas, que não tm direito a comprar um
docinho, né? Você começa a pensar nisto. Com 11 anos. Eu lembro que eu Tive uma conversa com a minha mãe, eu fiquei muito brava com ela e eu gostava muito dela. Eu disse assim: "Mãe, como é que a gente odeia a pessoa que a gente mais ama, hein, mãe? Que história é essa? Por que que eu tô com raiva de você?" E aí a gente teve uma conversa meio longa. Eu comecei a ler, eu lia muito, desde os 9 anos comecei a ler tudo que tinha em casa e comecei a procurar. E nessas procuras e
nessas leituras, as inquietações continuaram Acesas, né? E tu não conseguia identificá-las ou conseguia? Não. O que é isto? O que que nós estamos fazendo aqui? E tinha toda uma questão que minha mãe sempre dizia, minha mãe se separou do meu pai e ela foi excluída socialmente porque naquela época divórcio, né, de kit, né, não tinha divórcio, né? Então o grupo social que ela pertencia, ele continuou no grupo com a sua nova esposa e ela ficou de lado, inclusive com as primas, com tudo. E ela diz assim: "Esse mundo é muito ingrato para as mulheres. Aos
homens tudo é permitido e as mulheres nada. Se tiver qualquer namorado, qualquer coisa, é uma prostituta, não presta, né? Então a gente viveu, ia para um colégio de freira, ela quer nos expor do colégio de freira e não podia contar que eram separados os pais, porque só aceitavam crianças internas se os pais fossem separados. A gente viveu uma época de discriminações e preconceitos que Acontecia na minha casa, que estava à minha volta. E eu comecei a questionar também minha mãe. Tu conseguia perceber tudo isso? A percebia? Você a gente percebe, a questão é que a
gente não dá muita valor o que a criança tá vendo e percebendo. E a criança percebe com mais clareza que adultos. Você nem precisa dizer nem apontar. É um suspiro que você faz. Ah, que a criança perceb: "Pai gostou? Pai não gostou". E aquilo fica impregado. Por que que ele gostou, não gostou? Eu lembro que tinha umas matilhas de cães na rua lá no estádio. Eu trazia tudo para dentro de casa, abria a geladeira e dava tudo a carne que tinha. Minha mãe chegava, não podia entrar com aqueles mon de cachorro na rua latindo para
ela. Ficava brava, mas não tinha jeito. E eram coisas assim que a gente vai vivenciando e questionando. Por exemplo, tinha uma senhora que ela disse que ela tinha oito crianças que ela cuidava. Ela Vinha fazer faxina de vez em quando e ela disse: "Não, eu tinha cinco filhos, mas quem tem cinco pega mais três, né?" Falei: "Nossa, que bonito". E minha mãe só tinha nós duas, eu e minha irmã. Então você começa a comparar o que que tá acontecendo. Essa senhora também na hora dela ir embora, eu abri a geladeira e falar: "Olha, isso aqui
é para suas crianças, já que a senhora tem tanta criança, né?" E e a gente vai percebendo que tem dor, Tem sofrimento, tem desigualdade e eram pessoas que ficavam às vezes mais tempo comigo do que minha mãe, que trabalhava, saía cedo, né? Mas você pensava no que que você ia fazer da sua vida no futuro? Não, eu casei muito cedo, casei com 14 anos, tive uma filhinha com 17 e aí meu pai começou a me atormentar. Vai fazer o quê? Ficar só cuidando de criança embrutece. Você vai estudar ou trabalhar? Falei: "Vou trabalhar." Ele Falou
assim: "Nem o quê? Não fez nada, não estudou nada? Como é que você vai trabalhar?" Eu falei: Ele disse assim: "Eu não te ajudo, não vou arranjar emprego para você". Eu falei: "Tá bom, então vou estudar". Aí fiz naquela época chamava madureza, supletivo, né? acho que chama hoje em dia do ginásio e que era muito interessante porque eram 4 anos e um ano só. E o que que acontece? Tudo tá conectado. Quando você tá muito na idade vazia Escolar normal, você estuda aquele ano, você tá preocupado com os amigos, com os relacionamentos, mas lá não.
De repente tudo isso estava fora e eu queria estudar e era divertido estudar. Então fiz os 4 anos e um. Foi muito bom porque deu uma linha de conexão em matemática, história, tudo tava tudo conectado, né? Aham. tava quebradinho, né? Como fica de um ano para outro. Depois disso, eu fiz um outro para pro colegial também, que chamava colegial, né? E aí, onde é que Eu vou estudar? O que que eu vou fazer? Eu queria estudar filosofia. Meu pai, que horror, minha filha vai ser filósofa, não ganha nada, vai ser professora, isso não é profissão.
Falei: "Bom, então vou teologia pior ainda, minha filha. Teologia pior ainda, que eram as coisas que me interessavam." Aí eu tinha um menino que estudava comigo, ele falou assim: "Ah, vamos fazer direito". Eu falei: "Tá bom". vão fazer direito. Entrei no Maquen e achei um Horror Maquense e as meninas estavam todas procurando namorar. Eu eu era, eu já tava divorciada, tinha uma filha e meu pai dizia que eu não podia contar para ninguém que eu tinha uma filha, porque os meninos todos iam queria se aproveitar de mim, era palavra, né? Aham. Então eu eu vivia
uma vida secreta. Eu não podia ter amigas, porque se as amigas fossem paraa minha casa e as meninas estavam noutra fase da vida e eu Já tinha uma filha, então achei aquilo muito chato. E eu falei: "Bom, vou mudar, vou pra PUC. A PUC tinha aulas à noite e tinha aulas de ah, como é que eu vou chamar isso, né? Não era bem ciências da religião, não era como se fosse um catecismo, né? E eu achei aquilo porque eu já tava afastada da Igreja Católica, já dizia, não tenho nada a ver com isso, inclusive pela
minha família, que a carne que vinha pra mesa onde nós comíamos era diferente da Carne da senhora que cozinhava. E eu falava: "Mãe, isso não é Jesus". A sobremesa às vezes não chegava na cozinha da senhora que fez a comida. E a senhora que fez a comida era minha amiga. Ela me levantava de manhã cedo, me vestia, dava café da manhã, meu pin no ônibus pra escola. Ela era minha parceira e ela não podia comer a mesma coisa que eu. Falei: "Mãe, isso não é ensinamento de Jesus. Eu não vou mais a missa. Aliás, eu
não entendo o que que é Aquela missa e eu não vou mais". E ela disse: "Minha filha, você tem direito à escolha. Você pode querer voltar, entendeu o que é essa tradição, mas a escolha é sua." Então, já tinha uma questão toda social ali que me cercava o tempo todo e que eu percebia e que me incomodava. Era como dois mundos, né? e eles não se entrelaçavam muito. E ao mesmo tempo tinha as histórias do meu avô que veio de uma família muito antiga, onde eles eram, Sei lá, ganhavam terras na luta, né? Matavam índios
e tudo, tanto que o meu té travou foi morto pelos índios e tal. E ele contava muito que quando era criança, quando ele nasceu, dera um menininho escravo para cuidar dele, que foi seu parceiro por muitos e muitos anos. E ele gostava de à noite sentar nas rodas de canto. Eles faziam uma fogueira e ficavam cantando, né, os povos escravizados. O galo cantou, é para amanhecer. O galo Cantou, é para amanhecer. E meu avô nunca esqueceu. E ele criou uma relação de grande intimidade com as pessoas escravizadas. Diferente de pensar, são meus irmãos brancos aqui,
somos nós e eles que cuidam de mim. disse que anos e anos mais tarde, um dia ele encontrou com esse menino que já era um homem adulto, ele tava a cavalo e o outro tava a pé e ele foi seguindo meu avô a muitos quilômetros. Meu avô parou, desceu, disse assim: "Escute, filho, não me Siga, eu vou para um caminho longe, você tá a pé." E ele diz assim: "Senhorzinho, senhorzinho, você é meu menino". E ele, esse esse afeto que se cria de amor, de cuidar um do outro, eles passaram isso para mim. Entendi. Então
eu falo, gente, como é que a gente mexe nesse passado que era escravagista? Você não sendo escravagista hoje, você trabalhando paraa inclusão, trabalhando pelas cotas, sim, trabalhando para Perceber que somos todos irmãos no mesmo planeta. Podemos ter corzinha diferente, olhinho puxadinho para baixo, para cima, mas é uma espécie só espécie humana. Então isso foi muito colocado dentro de mim e fui trabalhar no jornal da tarde com 19 anos de idade, tudo repórter da geral. Então era tudo como crimes e passeatas e de novo vem a questão social. Por que que algumas pessoas têm tanto e
jogam tanto fora e outros não tm o que comer, estão pegando Lixo? Isso aqui não tá certo. Será que tem um outro caminho? E numa das matérias que eu fiz era sociedades alternativas na Califórnia e uma delas eram zen budistas. Eles não usavam agrotóxicos, eles reciclavam tudo, viviam praticamente de trocas, meditavam. Falei: "O que que é isto, né? Que povo é esse?" Os beatles meditavam. E eu gostava dos beatles pela capacidade de comunicação de massa. Afinal, eu era jornalista, eu tava na na Comunicação. Como é que esses meninos são capazes de criar alguma coisa que
fala pro coração de todo mundo? Não é dele só, não é só para aquela geração. Tanto que até hoje são clássicos, né? Eles não perdem o seu valor. Sim. Assim, pessoalmente, eu não sou muito fã do som dos Beitros, mas eu entendo toda a importância que eles tiveram paraa música, inclusive, né, para tudo isso. Isso que você tá falando assim de do que te levou para esse Caminho me lembra muito com uma de uma conversa que eu tive com o Eduardo Marinho, não sei se a senhora conhece, é que ele é um ele é conhecido
como pensador das ruas. Eh, ele também não via eh não via sentido na na maneira que as coisas aconteciam à volta dele e abandonou uma vida de certo ah não é nem luxo, mas assim, uma vida tranquila, que ele tinha um caminho já determinado e tudo mais para e saiu de casa e foi pra rua e e vive simples e tal e vi leva uma Vida que que é mais e que ele com as palavras dele, ele é uma vida conectada com com ele mesmo. É isso aí, sabe? É isso aí. E é muito interessante
ouvir esse cara falar também porque ele fala eh das coisas simples da vida, que a senhora também fala nos seus vídeos e tal, seus livros que são, tem um filme bonito que me passaram recentemente que se chama A a felicidade Nas coisas simples. É um filme do butão. É um filme tão bonito, sabe? É lindo, lindo, lindo, lindo. É um menino que ele é um professor no botão e ele só pensa ir pro Canadá. Ele quer pro estrangeiro, porque, claro, o estrangeiro é mais bonito. Ele quer, ele toca violão, ele quer tocar num bar, ele
fica achando lindo que ele vai tocar no Canadá, num bar, que aquela é a vida dele. E o governo pede para ele ir para um vilarejo muito, muito, muito lá no meio Do mato, do interior do botão. E ele tem uma transformação incrível. Ele chega lá de celular reclamando de tudo, mas que essa tradição, que besteira. E ele sai de lá um outro homem porque ele vai encontrar felicidade nas coisas simples da vida. E o que que são as coisas simples da vida? nascer do sol, o pôr do sol, o boi mugindo, o galo cantando,
a pessoa que sentia afeto por ele, que não encostava nele. Tem uma menina que eles têm tinham uma atração um pelo outro, eles não se tocam, eles põem a mão na mesma grade. É tão, tão suave, tão delicado, tão bonito, né? E ele acaba conseguindo indo pro Canadá. E quando ele tá no Canadá, que ele tá tocando no bar, ele descobre que não é aquilo. Todo mundo bebendo, falando enquanto ele toca. Ninguém tá ouvindo a música dele. E ele no meio da partilha, da partitura dele, ele pega um panfletinho daquela Cidade onde ele teve. E
assim termina o filme. É muito lindo. Entendi. Bom a beleza de apreciar o momento, as coisas que estão à nossa volta, com delicadeza, com sutileza, com carinho, com afeto. Um afeto que não precisa agarrar, apertar, né? Porque a gente parece que quando gosta quer pegar, apertar. Não, não precisa, tá aí, é seu. Não precisa disso. Bom, o ser humano não precisa aprender Isso daí, então, he? Porque a gente tá meio longe. Reaprender é alguma coisa que nós sabemos e que a gente foi se distanciando. Quando a gente fala dos povos originários, que agora estamos chamando
os povos indígenas, não tem povo originário, né? Povo originário é da África, gente, pelo que a gente entende, a antropologia nasceu na África e se espalhou pelo planeta. Os povos indígenas na América do Norte, América Do Sul vieram lá por cima, quando tava tudo grudadinho, né? Eles vieram da da Ásia para cá. Então, os olhinhos puxadinhos que a gente identifica tão parecido com os japoneses, os nossos indígenas, eles não são originários daqui, eles não nasceram aqui. Nós somos migrantes. Todos nós estamos migrando o tempo todo, ir e emigrando, indo e vindo. Quando a gente fala
que agora tem uma grande onda migratória, né, sempre teve. Agora é mais visível. Os nossos Meios de comunicação tornam mais palpáveis. Todos nós vemos o que tá acontecendo o tempo todo, né? guerras. Tá tendo guerra no mundo todo. A gente fala da Ucrânia e dói, né? Porque eles são parecidos conosco. Classe média brasileira de São Paulo. Tu usa roupinha parecida, sapatinho parecido, a malinha parecido que a gente dá pras nossas crianças, né? O casaquinho de inverno que a gente conhece, né? Então você se identifica mais. Mas na África tá tendo Guerras terríveis e muitas vezes
nós não nos identificamos com esse povo que é mais pobre, que usa uma roupa diferente, mas também estão se matando lá. Horror na. É interessante, né, esse fenômeno que a gente presta atenção no que a gente tá a fim de prestar. é com que a gente se identifica mais com identifica que é parecido comigo. É, mas a gente tem que sair desse lugar e Perceber que todos são parecidos conosco. E a gente precisa, nesse caso, Monja, na tua opinião, de uma transformação ou que a gente precisa mesmo, eh, se é que isso existe, eh, se
encontrar com nos encontrarmos com nós mesmos. É o quê? É uma porque assim, eh, vi, eu vi, eu vi você falando, eu vi você falando que você não quer, você não quer com, com as coisas que você fala, Com as suas parestas e tal, não quer pegar uma pessoa e transformar ela, ela em outra pessoa, não. Então, o que a gente tá procurando pode ser também uma transformação, né? É, tudo tá se transformando o tempo todo. Nós não somos mais a criancinha que nós fomos. Existe em nós ainda, mas é diferente. A minha mão não
é a mesma. E a minha maneira de pensar e ver a realidade também ficou alterada pelas Experiências todas que eu venho passando, né? E ela continua se modificando, ela não para de modificar. Então, a vida é transformação e movimento sempre. E que eu é este que eu tô dizendo? Qual é esse eu que eu preciso entrar em contato? A gente fala o quê? essência do ser, mas ela também tá em movimento. Não há nada fixo, nem nada permanente. Uma frase que eu adoro de um dos sutras, nos ensinamentos de Buda, que é isso: nada tem
uma Autoidentidade substancial, independente e separada. Tudo tá nessa massa de transformação e movimento e não para, não cessa. E nós somos isso. E nós estamos nos transformando. Agora a gente escolhe de novo, tem a tal história. Eu posso escolher, eu posso escolher se eu vou atacar por este lado ou por aquele lado no seu jogo, né? E conforme a escolha que eu tenho, vão ser as outras escolhas que eu vou fazer subsequentemente. É Como um jogo de xadrez. Por isso que havia, acho que era a Suplica era prefeita, que ela diz assim: "Vamos ensinar xadrez
nas escolas porque as pessoas têm que pensar um pouco adiante do agora." Porque às vezes a gente só quer a resposta imediata: "Eu quero já". Mas esse já, esse seu movimento já desta peça vai acarretar outros movimentos que possam não levar você para onde você quer. Então desenvolver a capacidade nossa desde pequeninos a perceber que Aquilo que você fala, que você faz e que você pensa é tá no tabuleiro e você mexeu uma peça. E será que você percebeu que ao mexer essa peça, outras peças vão ser mexidas e que você pode perder? E não
é só ganhar. Você pode perder, mas pode perder bonito, porque a sua perda pode trazer benefício a muita gente. É que nem futebol, né? O time não ganha o tempo todo. Ele ganha, mas ele tem que aprender a perder Também, né? Importante o Dunga era o Dunga que o Dunga uma vez eu tive numa palestra que ele estava e ele disse essa frase mágica disse assim: "A vitória é uma espada, ninguém se senta sobre ela. Quando a gente acha ganhei e consegui", vai começar a perder. Então não, não ganhei ainda. Tem sempre ainda ganhar. E
o processo do autoconhecimento, da meditação, do zenho, etc. dizer, eu já sei, agora eu sou uma mestra, não sou Nada, eu sou falha, faço um monte de besteira, de bobagem, mas eu vou percebendo. Então é, é esse essa falha aqui eu não vou fazer mais. É que nem no começo, né? Eu começava a digitar no computador, esquecia de salvar e perdia tudo. Era um horror aquilo. Aí começa tudo outra vez. E eu aprendi uma coisa também nisso, né? a paciência e a perseverança. Se eu não gravei e se eu perdi, é porque talvez se eu
escrever pela segunda vez vai ser Melhor. E aí eu não brigava comigo, senão eu ficava uma fera comigo, né? Brigar consigo mesmo, inclusive é uma prática comum muito, né? Mas será que ela é? Eu acho que ela é de certa forma importante, não é? Ela nos ajuda e pode nos perturbar se ficar muito egóico, sabe? Eu eu errei. Eu mereço apanhar. Eu mereço sofrer. Isso é ego puro. Ego puro. Perceb. Nossa, eu falhei. Onde é que foi? Onde Foi que eu falei? E eu vou dar uma analisada nessa história, né? Por que que eu deixei
ele pôr o boneco aqui em cima, o o robô aqui em cima? Eu não prestei atenção, né? Eu deixei ele pô o robô, ele riscou. Nossa, agora já foi. Mas o que eu vou fazer? Se alguém vier com o robô de novo, vou dizer: "E pera um pouco, essa mesa é frágil. Ela parece muito forte, mas ela pode ficar arriscada. Não, pessoalmente eu vou falar que pode Botar ou ponha porque vai deixar uma memória bonita. Ou se eu não quero que tenha, eu vou tomar uma providência para isso. Percebe? Essa é a diferença, não é?
Mas não é, mas não é eh existe, existe, precisa ter um equilíbrio aí nesse, eh, o eixo axial de eu me culpar ou de eu não me culpar ou de eu ser permissivo demais comigo mesmo. Sou corresponsável pelo que Acontece comigo. Eu tava no Japão, eu me orgulhava muito de sentar em lotes completa. Levei anos para conseguir sentar em lotos completos. É o pé direito na coxa esquerda e o esquerdo na coxa direita. Parece difícil isso daí. É bem difícil. Dói muito. Complicado. Para mim era complicado. Naquela época eu fazia balé. Eu fazia 3 horas
de balé por dia. Então tinha uma consciência de músculo. Era bem magrinha, sabe? Era Outra pessoa. Não é essa aqui não. E eu consegui até que finalmente consegui. Fiquei no céu. Cheguei no Japão, o período nos Estados Unidos era 35 minutos, lá era 45. E o joelho direito começou a desencaixar. Então, na hora que eu encaixava ele para cá, ele fazia cleque. E para levantar, ele tinha que fazer um outro cleque. E um dia eu não ouvi o cleque. Achei, vai ver que fez e que eu não ouvi e na hora que eu pus o
pé no Chão, eu cortei a cartilagem do joelho. O osso cortou a cartilagem, aquele do meu que foi uma maravilha. E eu saí mancando de lá e tudo não pode gritar na sala de meditação, tudo em silêncio. E comecei a fazer vários tratamentos e a minha superior diz assim: "Você sabe que você é responsável por isso, né?" Falei: "Eu? Claro, você não tava se exibindo, exagerando. É isso aí. Agora, o que você vai fazer todas as noites? Você vira pro seu travesseiro e se arrependa. E arrependimento tem um poema que diz assim: "Todo karma prejudicial,
alguma vez cometido por mim, desde tempos imemoriáveis, devido a minha ganância, raiva e ignorância sem limites, nascido do meu corpo, da minha boca e da minha mente, agora de tudo eu me arrependo." Então, todas as noites eu virava pro meu travesseirinho e dizia: "Sou responsável pelo machucado no meu joelho". Porque fiquei metida, fiquei exibida, né? e não Percebi, não ouvi que tava tinha desengatado. E são coisas assim que fazem a gente se machucar no mundo, né? É, mas assim, nesse caso você tá falando de uma coisa assim bem bem física mesmo, né? Sim. Mas ela
tem a ver com o psíquico e com o emocional? Não tá separado. Você separa sua psiquia do seu corpo? Eu tendo a separar, para ser sincero. N tá juntinha. É, por mais que essa não seja verdade universal, dá impressão que está separado. Então, a gente diz que essa é a ideia que a gente nos tenta transcender, né? Porque a impressão que a gente tem que então eu aqui, você aí, nós somos separados. O que eu sinto não é o que você sente e não é mesmo. Nós somos diferentes, mas tem alguma coisa em comum entre
nós. Não só que estamos respirando o mesmo oxigênio desta sala, bebendo água Semelhante à nossa, mas que somos humanos. Não somos iguais. Isso é outra coisa importante, porque tem aquela frase: "Todos são iguais perante a lei." Que medo. Não somos iguais. E não somos mesmo nem na prática, né? Nem na prática. Então tem que ser tratado de maneira adequada. Cada um do seu jeito. O que O que é certo? A maneira. Você tem quantos filhos? Dois. Tenho duas meninas. Então duas meninas. Então você pode tratar as duas do mesmo jeito. Não dá certo. É um
crime, né? Você tá ofendendo uma delas se tratar igual à outra. Não são iguais. E é isso que a gente faz, achar que somos iguais e temos todos ser tratados do mesmo jeito. Não. Tratamos de maneira adequada as circunstâncias, cada circunstância que encontramos. E não tem um manual, Tem o manual pros jogos, para esses joguinhos que você faz, como é que ele chama mesmo? Doca. Dota. Dota. É bom. Esse daí especificamente ele ele não faz um bom trabalho para iniciar os novos jogadores, não. Que legal. Tá vendo? Não é bom isso? Tem que ir atrás,
mais ou menos. Tem que ir atrás. Tem que ir atrás. Então o Zen é um pouco isso. Ele não tem um manual certinho. Se ele fizer assim vai dar tudo certo na sua vida, não vai dar não. Você vai começar a perceber em você o lado bom e o lado não tão bom. Você vai perceber suas falhas. Você vai até identificar de onde elas vêm. Agora você é capaz de corrigi-las ou ficar com raiva, xingar, reclamar e a culpa é sua? A gente joga pro outro, né? E um pouco é do outro. Claro, nós estamos
interligados a tudo. Nós somos o reflexo Da realidade do mundo que estamos vivendo agora. Não estamos separados de nada nem de ninguém. Então, somos influenciados uma porção de coisas, inclusive pela violência, pela matança, pelo extermínio, né? Nós estamos vivendo isso. Ontem tinha uma jovem, ela é uma que aparece muito na CNN, nas televisões americanas, lá no na Ucrânia. Hã, o marido dela foi salvar o país, defender o país. E ela tem três filhos. Ela tem o cabelo bem Curtinho, ela é uma moça muito bonita. E ela dizendo assim: "Eu sempre fui contra qualquer tipo de
violência, mas a guerra me mudou e eu tô pronta para matar. Eu agora sou uma pessoa diferente. Sabe do que que meus filhos brincam de guerra? Porque qual a realidade que nós vivemos? A guerra. Meu marido vem de tempos em tempos e fica comigo aqui em 2 horas, 5 horas no máximo e vai embora. Ele foi embora de novo agora e agora eu Não sei para onde ele foi, mas eu não saio da Ucrânia. Eu tô aqui com meus três filhos. Ela tem uma menininha linda que ela carrega no colo, né? E essa é a
minha maneira de defender o país. Mas eu sei agora que se for preciso usar a violência, eu vou usar violência sim para defender o meu país, a minha filha, meu minha casa, eu vou usar. E como é que você enxerga isso? É o que somos nós. Essa é a realidade que a gente estava falando no começo, né? Realidade. Eu tenho um discípulo meu que ele é um comissário de bordo da United Airlines e a United é que levava os soldados todos para as guerras, né? E ele dizia assim: "Eles voltam muito diferentes, né? Diz que
um deles, ele punha a tela dele de repouso do do computador, era uma arma apontada para ele, porque foi o treinamento que ele teve. Todos são inimigos. Se você não matar Primeiro, você morre. Então você sai no mundo para matar. E muitos que não foram treinados assim, desde jovens, eles vão sentir uma dor muito grande e aí entra a droga. E aí voltam todos necessitando a droga e necessitando a adrenalina do assassinato, do crime, da morte. E aí não tem mais. E aí o que acontece no país quando eles voltam, eles vão começar a tirar
em qualquer lugar, fazer Coisas bem absurdas, né? Porque ficaram feridos pela guerra, não voltam inteiros. E ela fala essa frase que o Leonardo Bof também mantém, sempre repete, né? Não há vencedores numa guerra. Todos perdem. Porque aqueles que foram pra guerra e que fizeram o que estupram as mulheres, né, as criancinhas, é uma coisa medonha que fazem, né? Porque a gente fica louco. É só isso. Se você tá no meio de um lugar que tá todo mundo Matando todo mundo, você tá armado também, você vai matar primeiro. Você não vai ficar esperando que venha me
matar ou que ven matar minha filha. Não, pera aí, eu vou atacar. E é mais ou menos. Será que isso não, isso isso não é não aflora no ser humano? pior do ser humano. Então, talvez ele já seja um grande E aí ele chega lá nesses lugares, ele deixa esse lado, ele não controla mais Esse esse lado dele e se torna um monstro. Exatamente. A nossa fúria, nós somos monstros. O livro que eu fiz, acho que foi com o carnal, né? Nem anjos, nem demônios. Não, esse foi com o Cortela. Nem anjos, nem demônios. A
nossa escolha entre virtudes e vícios tá tudo em nós, tudo, tudo, tudo, tudo. Nós podemos ser os seres mais perversos, mais horríveis que possa imaginar e Podemos ser anjos de candúria. Depende do que é provocado e do que é estimulado. E o que eu digo, se se o nosso país entrar em guerra, por exemplo, nós vamos todos nos tornar soldados, vamos todos à guerra ou vamos cuidar de de enfermagem, de hospitais, de criança, enfim, a gente vai estar envolvido numa situação que não tem saída. Não tem dizer, eu não faço parte disso, eu sou parte
disso. E aonde que eu vou trabalhar para minimizar dor e Sofrimento? Mas a dor e sofrimento já me tomou conta, né? É o que acontece, por exemplo, depressão que você falou, não é uma coisa assim que você não tem muito controle. Eu não vou ter depressão, não vou, não vou ter de repente você tá lá o pronto. Sofrer é opcional, você escreveu sobre isso, né? É, o sofrimento é opcional. A dor existe. A dor existe. Se alguém vem belisca, a gente dói. Agora se eu ficar Falando me beliscaram, eu não queria que me beliscassem. Porque
que me beliscaram? Aí já é outra coisa. Eu digo que a vida nos dá flechadas e você não pega e põe uma flecha em cima da flecha que já entrou no seu corpo. Você tem que tirar a flecha e limpar a ferida. Isso é o que Buda recomendava, né? Quando perguntavam para ele se Deus existe e Deus não existe. Cadê? Se tudo é causa e condição, qual é a causa primeira? Ele muitas vezes silenciava e às vezes ele Dava essa explicação. Se você revou uma flechada, você não vai ficar perguntando de onde veio a flecha,
qual a origem, né? Quem fez a flecha, você vai tirar a flecha, ver se tem veneno ou não, e vai curar a ferida. Dim, o que nós queremos fazer é isto, como é que eu curo as feridas do mundo, as minhas e de quem tiver à minha volta? Então eu reconheço que a dor existe, que a insatisfação existe. É a primeira nobre verdade. Insatisfação existe, mas existem causas. Nascimento, velice, doença, morte são causas para nossas insatisfações. Agora, existe um estado que você já falou antes, nirvana, que é paz e tranquilidade. E como é que acessa
isso? É uma prática que ele vai dizer: "Tem oito aspectos. Aí já aparece o Timão, hein?" Ax. [risadas] Falei de ser inimigo, hein? Tem oitud oito aspectos que tem a ver com vida correta, memória correta, ponto De vista correto, né? Ação correta no mundo, a fala correta. Correto. Correto não dá uma ideia de dualidade, certo? Errado. A o que é adequado à circunstâncias? Será que o ponto de vista que eu estou vendo o mundo agora é adequado ou não? Correto nesse sentido, eu estou vendo com clareza ou não? Tanto que o sutra da sabedoria, um
um sutra da sabedoria diz assim: quando canon, canon é o ser da compaixão suprema, né? Observa o vazio Dos cinco agregados. O nosso corpo e tudo que passa dentro de nós, na nossa mente, estão chamados cinco agregados: corpo físico, sensações, percepções, conexões neurais e consciências. São vários níveis de consciência. Conexões neurais é de é de esse é o quê? Isso daí é um é um esse cara que falou isso aí, ele é o Buda lá na Índia 2600. Pois então, tava falando de conexões neurais, Falava disso. Olha, ele não usava essa palavra, mas tava dizendo
isso. Entendi. Entendi. E são chamados cinco agregados que compõem uma vida, uma vida humana. Eles são vazios de alguma coisa fixa ou permanente. Então, quando você percebe isso, que nada é fixo ou permanente, você se liberta de toda a dor e sofrimento, porque a dor não é fixa nem Permanente. A sua depressão não foi fixa nem permanente. Ela, você passou por ela, ela passou por você. Se de novo, de novo alguma coisa nesse sentido começar a acontecer, você já reconhece: "Opa, tô indo para aquele lugar, será que eu quero ir ou não?" Mas é difícil
porque de vez em quando ela bate a porta e e isso é uma coisa que a minha esposa fala, porque ela também já sofreu, sofre de certa forma eh com isso. E a gente de fato tem uma Escolha entre perseguir o coelho ou deixar ele embora. Deixar ele embora é muito difícil. Não tem ninguém bateu na porta. Se não tô em casa. Cadê eu? Não tem eu aqui, porque o que sofre é o eu. O que Freud vai chamar de ego, né? A ideia de uma identidade separada, independente. Não, não tô aqui. Eu não existo.
Eu não sou cadeador. Ela vem e vai. Eu preciso estudar o zem budismo, hein? Eu gosto muito. [risadas] Você tava falando antes também, se não gostasse, né? Não tava aqui, né? Eh, você tá falando sobre eh as escolhas que a gente faz na vida e tal. Eh, e eu não pude deixar de pensar na importância da religião nesse processo que a a gente pode escolher ser usando a dualidade aí, que já a gente já conversou sobre isso, mas eu posso escolher eh ser uma pessoa do bem, posso Escolher ser uma pessoa do mal, posso dar
voz ao meu monstro ou não. E e as religiões elas elas servem pra gente eh se manter de um lado mais do bem, você não acha? Elas podem servir também, pode servir para guerras, para, mas quando mal utilizadas, mas imagina, imagina a ideia central da coisa. O ser humano deturpa tudo. Podemos deturpar tudo. Alguns seres humanos não sou nem eu, nem você, tá? Tá bom. [risadas] Mas alguns muito Influentes deturpam, deturpam as coisas. Então, a gente tem o a gente tem de fato esse problema da das religiões eh acabarem te levando para um caminho errado,
mas a ideia central dela geralmente é uma ideia de um caminho bom, de paz, de harmonia, deia tudo mais. Exatamente. Então, há uma importância pra sociedade moderna da das religiões, uma influência que ela ela é majoritariamente positiva, Eu acho. Elas é a assim e a a fundação, a base das sociedades, elas elas têm muita influência das religiões. Tem tem sim. Agora, uma coisa interessante que o da Lailama fala, ele fala da ética pro novo milênio, que não precisa ser exatamente uma religião. Tem pessoas ateias que são extremamente éticas e que fazem a escolha de um
caminho ético para viver, né? Então temos que tomar um pouco de Cuidado, porque não a gente vai dizer só as pessoas que são religiosas são boas e como você mesmo disse, tem pessoas que são religiosas, mas não são tão boas assim. usam a religião de uma maneira não correta. Agora, o fato dessa é interessante, a palavra religião, ela vem de religaria, né, que é reconectar, mas ela também vem de relegere, ler de novo a história, rever a sua vida, rever o seu comportamento e A história da humanidade, né? O que que estamos fazendo? Eu acho
que a gente tá melhorando, sabe? É mesmo? Ah, nossa, ninguém tá sendo queimado na fogueira hoje, né? Alguns lugares, em poucos lugares, mas não é uma coisa pública. Então, a gente tem movimentos muito interessantes de de crescimento, de amadurecimento como espécie. E eu acredito, sabe no quê? No DNA humano. A nossa sobrevivência depende de uma mudança de paradigma, de Maneira de ver a realidade, de lidar com a realidade. Depende de nós. E se nós não mudarmos nós como espécie, ó, e não vai ter espaçonave para todo mundo. [risadas] Os bilardários vão sair de espaçonave, procurar
outro lugar, mas a grande maioria não vai poder sair. Então, como se a gente sabe que não vai poder estar saindo aqui, é melhor mudar a maneira de lidar conosco entre nós humanos, e com a natureza E com a vida da terra, que é a nossa vida, o ecossistema. Nós somos o ecossistema, não é que nós estamos, nós somos. E se a gente não cuidar, como é que vai ser? A filosofia fala isso, eh, uma monge budista fala isso também. E os cientistas falam isso e as pessoas só não dão ouvido, né? Ainda não começar
a sufocar vai dar [risadas] ter que chegar. Buda falava que tem Quatro tipos de cavalo. Ser humano, né? Tem um que ver a sombra do chicote começa a galopar. A gente viu aí o covid e tal e começamos a viver de uma forma mais digna, vamos dizer assim, né? Mais reflexível, que eu posso fazer pelo bem de todos, não tô sozinho, né? O que pega um pega o outro, tal. O outro tem que levar uma chicotada na na no lombo, né? Assim, na pele, né? Sei lá. O o o Biden tá com com a COVID
pela segunda vez seguida, né? Quer dizer, Pessoas conhecidas, mas que não são próximas, podem ter recaídas e pode levar situações desastrosas, né? O terceiro tem que cortar a pele, tem que ser uma pessoa muito querida nossa, uma pessoa amada, querida, mãe, filho, primo, amigo, querido do peito que tá doente ou que tem sofreu um acidente, enfim, seja lá o que for, eu percebo que tudo é transitório, não é nada fixo nem permanente. E o último é quando chega em nós, o quarto cavalo, você tem um Diagnóstico terminal, sei lá, você tem uma semana de vida.
Qual que é o cavalo ideal, Monja? A sombra do chicote. Você acha? Não precisa nem levar a chicotada. percebe o que é como é e vai atuar de forma decisiva pro bem que não é só seu, mas é de todos nós. É no caso do que percebe o que é o que é que despertou esse cara é beleza, é legal, mas e o Cara que fica alardeado por qualquer coisa? Porque assim, será que o cavalo consegue identificar que a sombra é do chicote? Muito boa essa. [risadas] Tinha uma história assim de um monge que ele
não conseguia dormir uma noite inteira porque ele achou que tinha uma cobra no quarto e quando ele acordou meio a luz do sol era um galho de árvore. Então tem isso também. A gente vê coisas onde não estão, vê a gente vê O pior do pior acontecendo e quando também não é tão pior assim, né? Você pode ainda lidar com isso. Então por isso que eu digo de despertar isso, ter clareza. Põe uma luz em cima disso e vê realmente o que que é que tá acontecendo. E o que você faz com isso? Se é
uma cobra, você sabe pegar uma cobra, você sabe pegar ela pela boquinha e tirar o veneno? E eu vou sair voado. Você não sabe sai voado, não é mesmo? Não vai dormir com a cobra no quarto, né? É isso aí. O outro dormiu a noite inteira assustado. A cobra, cobra, cobra. Dormiu não, ele ficou assim. É, ficou acordado a noite inteira sofrendo porque tinha uma cobra no quarto que era um galho. E a mesma coisa. Por isso que é sempre volta para esse lugar. Tem que despertar, acordar e ver o que é. Para quando você
ver o que é, você pode atuar sobre isto. E não é Só ver contemplativo, né? Eu sou tão contemplativa, lá estão matando a criancinha, eu tô observando porque eu só observo. Não, você interfere, você não vai deixar, você tem que fazer alguma coisa, né? E às vezes nós estamos ficando muito passivos nesse sentido, né? Muitas pessoas assistem crimes sendo cometidos e não fazem nada. Imagine que entrasse agora às vezes não não necessariamente crimes, mas coisas que você sabe que não tão certas, Não. Imagine que entrasse agora um assaltante aqui na sala com revólver, é um
sozinho. Nós somos 1 2 3 4 5 6 7 pessoas e nós vamos deixar ser assaltadas e vão ficar tremendo de medo no chão. Ou a gente vai dar só uma piscada um pro outro e vamos pular junto em cima dele todos ao mesmo tempo. Não dá para ele matar todo mundo não. Ele pode dar um tiro, alguém pode sair ferido, alguém pode morrer, mas não Todos. Vou mandar criando primeiro. [risadas] Aquele, aquele atira lá. Mas não é verdade, a gente perdeu essa habilidade de trabalhar juntos por um bem coletivo. Eu posso minimizar esse sofrimento.
Os meninos que entram nas escolas lá dando tiro e facada em todo mundo. Que isso, gente? Teve uma menina que foi brigar com deles, né? Num num desses casos aqui no interior de São Paulo. Que bom, né? É que bom que alguém tava acordado. Pelo menos tentei. Eu vou tentar alguma coisa. Eu não vou pacificamente ficar observando assassinatos, mortes. Eu tô olhando porque eu só contemplo. Não, eu atuo no mundo. Muitos deles chamaram a polícia, então tiveram atitudes, né? Mesmo lá nos Estados Unidos, a reclamação que fizeram foi esse, né? Que a polícia tava do
lado de fora e não entrou na sala de aula. Por que que não Entrou? Por que que demorou tanto entrar que deu pro menino matar tanta gente? Por que que não entrou antes? Então há uma crítica essa espera, né? Se tem uma ação, você tem que agir na ação. Por isso que eu acho importante o jogo que você faz, porque tem ação, você tem que agir na ação. E você já se preparou para isso, porque você fez tantas vezes o jogo que você já sabe mais ou menos para onde vai. Isso é a experiência da
vida. É a experiência que a gente fala, os Idosos t, alguns tm, outros não tm. Não, não é só a idade que dá experiência, é a prática. é tá vivo no momento que a coisa tá acontecendo e fazendo escolhas, algumas das quais vamos nos arrepender muito, porque fiz a escolha errada e morri. Mas o Helmet estava lá, né? [risadas] E eu renasci. É, é. Eh, você tá tava falando um pouquinho antes aí que você tá de certa forma otimista, Que a gente tá vivendo um um momento melhor e tal. Eh, eu não diria otimista, eu
acho que tem uma coisa chamado realista. Existe otimismo e pessimismo. Não tem jeito, não tem jeito, vai ficar tudo bom, vai ficar tudo bonito. Não. A realidade, quando você olha pro ciclo da história da humanidade, nós temos remédios que não tínhamos antigamente. Temos doenças também, mas temos remédios que não tínhamos. Nós vivemos muito mais anos do Que vivíamos no passado. Antigamente, um homem de 50 anos era velho e morria logo depois. Eram raros os que viviam mais de 80 anos, né? Então, a gente ainda tem um progresso, vamos dizer, de um crescimento de aprendizado como
humanidade. Existe menos fome e menos guerras, nem menos do que havia no passado. Tá tendo uma ameaça agora de uma guerra nuclear, né? Essa ameaça tá aí, mas a gente, eu espero que não aconteça, mas se Acontecer, vamos todos juntos e vamos de mãos dadas, né? Porque não vai ter fazer nada, né? A gente só vai morrer e acabou, não consigo fazer nada. Então, o que eu posso fazer é dizer: "E em nenhuma guerra tem vencedor, gente. Cuidado com que você tá guerreando internamente, com você mesmo, na sua casa, com seus parentes e amigos. Se
você tá muito agressivo, muito bravo, é porque você não tá feliz. Quem tá cheio de amor não tá bravo nem agressivo. Pode Ter momentos de raiva e de braveza, mas não é o tempo todo. Se o tempo todo tá assim, precisa de ajuda. É a gente poder pedir ajuda, porque a maioria de nós não pede ajuda. É, é uns tabu pedir essa ajuda, né? É. É. Pois é. Vai dizer que eu tô doente, tô louco. Não tô louco, não. Tá não. Não é, não é que tá louco. Preciso de apoio. Só isso. E a gente
precisa de apoio. Às vezes é alguém para conversar, né? Para, para. Só para ouvir, não precisa dar solução. Quando vem nos dar solução, é uma chatice, né? Ah, você faça isso que vai, mas que faça isso coisa nenhuma. Você não sabe quem sou eu, o que tá acontecendo na minha vida. Mas eu posso te ouvir e te reconhecer. E talvez eu possa te dizer o que que eu fiz quando eu passei pela mesma coisa. O que que o que que funcionou para mim? Foi isso, né? Para mim funcionou isso. Para você não sei, mas que
tal experimentar? É, é que assim o eh vir e mexe eu me pego pensando e os meus amigos sabem que eu eu falo assim: "Putz, a humanidade podia acabar é o Harry Potter tá ali. [risadas] Harry Potter. É, às vezes eu eu me pego pensando e os meus amigos, inclusive aquele lá que você tá zoando de Harry Potter é o meu irmão. É seu irmão? É. É, e eu falo: "Putz, cara, tudo de saco cheio da humanidade, cara. podia que um meteoro aqui e acabar com isso tudo. Já falei isso diversas vezes e tal, todo
mundo já ouviu isso aqui, mas recentemente eu vi um quadrinho interessante que era era um cara conversando com o microondas e o microondas, curiosamente era muito mais sábio que o cara o cara tava reclamando da mesma coisa que eu tô Te falando que eu reclamo às vezes. E o microondas e o microondas responde: "Pô, mas você já já olhou pro céu? E que que você vê quando você olha pro céu aí, pô, as estrelas. Aí, pô, então a vida é que nem o céu. Você não fica prestando atenção nos espaços vazios que tem entre as
estrelas. Você olha para as estrelas. E aí e o cara, é verdade, dá pra gente olhar pra vida e e a gente meio que escolhe para onde é que a gente tá focando, né? E é meio maluco Isso que o micro-ondas deu um esporro no cara. É [risadas] muito bom. É isso aí. Porque, pô, assim, eh eh sobre eh ser realista com a realidade, com com o que tá acontecendo, com o momento, eu posso olhar para pras coisas que estão acontecendo no momento e focar no que não é adequado. Sim, né? Isso é mais comum
do que eu gostaria nas pessoas em geral. Você concorda? ver A luz e a sombra, é reconhecer o que tá acontecendo e ver que existem mudanças possíveis, que existe um grupo muito grande de pessoas que tá trabalhando para que seja melhor paraas gerações futuras. A gente não vai ter respostas e efeitos imediatos, né? Tá na hora da gente terminar. Eu já olhei seu relógio é mais de 910. Tá, [risadas] tá cansada. Não, eu acho que a gente Trabalha e vive para isso, né? Acho que a proposta de poder acessar mais pessoas, não é dizer: "Eu
sou legal, vem tirar foto comigo". A pessoa vem tirar foto porque é um carinho, é um mimo, né? Ela tá dizendo: "Eu gosto de você". Aham. "Eu não tô te jogando tomate nem ovo em cima, né? Eu quero tirar uma foto com você. Eu aprecio o que você faz". Então você começa a falar: "Puxa, o que eu tô fazendo tá sendo bom porque as pessoas Estão tão gostando e e será que tá dando certo? Será que tá tendo alguma modificação na sua maneira de ver a realidade e de estar no mundo? Em vez de estar
só julgando, condenando e dizendo: "É o outro, é o outro, é o outro". E e olhar um pouco para si, dizer: "O que que eu tô fazendo? Como é que eu posso ser um elemento de transformação da realidade? Quais são você as minhas escolhas, as minhas palavras, meus gestos, as minhas atitudes, né? Você fala bastante sobre isso, né? É. E você que tem duas meninas e que idade elas tem? Duas meninas, uma tem nove, outra tem sete. Que lindeza! que que que elas são a minha âncora com essa realidade que a gente tá falando, sabe?
Elas são o que me mantém seguindo em frente muitas vezes. É isso aí. Isso é interessante, né? Porque quando a Gente tem filho, a vida inteira muda. Muda tudo, né? A tua mudou também. Mudou porque não tem como. Ela muda. Muda. Você tem a responsa, né? E não é mais do que a responsa. É um sentimento que você nem sabia que existia. É verdade. É esquisito, porque eh quando a minha primeira filha nasceu, eu tava sentindo uma uma coisa que eu sabia que eu devia Chamar de amor, mas eu não eu nunca tinha sentido antes.
É isso aí. É muito. E eu falo isso pr as pessoas, elas ficam sem entender um pouco porque é, não tem muita explicação mesmo. Você precisa ser pai para ver como é, precisa ser pai, para ser mãe para se o quê, porque é um é um tipo de um relacionamento diferente, né? É, mas você sabe que nem todos são assim. e Que tem muitas pessoas que têm raiva dos filhos e tratam mal, né? Porque não foram capazes de ser amados, porque amor é uma coisa que você recebe também de alguém. Isso tem a ver com
karma, causas e condições do passado que vão se manifestar no presente e que você pode mudar no presente, mesmo que você tenha, sei lá, sofrido muito, sua avó tenha sido maltratada, etc. Ela pode ter mudado isso para em relação à filha Dela, que foi ser sua mãe e que criou você com afeto e com carinho. E aí quando você vê o bebezinho nascer, pronto, derrete, né? Putz, diz que tem uma descarga de ositocina, né? Eu não sei o que que é. chamcina, que é mas mexe mexe que é enzima do amor. E sabe que quando
eu comecei a a teve uma outra fase na minha vida que eu Também tava eh ah é como é que como é que o o a tua doutrina usaré em budismo, como é que vocês enxergam o uso de substâncias, maconha, por assim dizer, por exemplo? Bom, não existe. O Zi budismo fez um tratado sobre usa ou não usa maconha. O que existe no budismo é todo muito descentralizado e você tem que tomar decisões de acordo com aquilo que você, com a realidade que você tá vivendo. De que forma é usada a Maconha? Quando, por quem
e de onde ela veio. Eu digo que no Brasil, como ela ainda é criminosa, ela às vezes vem manchada de sangue, porque ela não foi criada num lugar apropriado, com afeto, com carinho e passou por muitas armas, muito crime. Então você tá mantendo um crime organizado, funcionando. Será que isso é bom ou mau? Aí você tem que pensar, hoje em dia tá se falando muito nas aos remédios que estão surgindo a partir da da planta, né? Diz assim, como É que eu tenho um amigo meu que ele diz assim: "Como é que a gente tem
discrimina uma planta? A gente tem raiva de uma planta diz que a planta não presta. Faz parte da natureza, faz parte da vida". Como usá-la de forma adequada é uma coisa, como usar de forma inadequada é outra. É tudo. Pode ser uma garrafa de saquê, pode ser água, pode ser açúcar, pode ser sal. de que maneira tá sendo usada, quem Está usando e por e para quê? Ela tá fazendo bem ou mal. E vai depender porque cada um de nós é de um jeito e a gente não pode dizer todos podem usar e e ninguém
pode usar também é falso. Então, de que maneira é utilizada, com que propósito? De que forma? Se a gente pensar nos povos originários, é usada na grande roda, né? Mesmo tabaco, é usado na roda onde todos comungamos, somos um só. Caimbo da paz, Não é isso? Nos tornamos um só. É, agora pode ter o carinha que ele quer usar para fazer sexo, que ele quer usar para saltar, porque ele fica cool, né? Ele fica de boa, né? Ele pode fazer qualquer coisa e ninguém vai pegar ele porque ele fica invisível e começa a trabalhar com
poderes extraordinários. E aí é a armadilha da da maconha, né? Entendi. Começou a achar que você tá melhor que os outros, perdeu, caiu. É a armadilha Do caminho. Então, não é que pode ou não pode usar. Por exemplo, na em Amsterdam, na Holanda, todo mundo usa livremente, né? Eu tinha uma prima que foi morar lá, el dis: "Nossa, tia, você nem sabe, todo mundo fuma tudo que é lugar." [risadas] Mas é cada país e cada lugar, né? Será que nós vamos ter maturidade de saber usar de forma adequada? Alguns têm, outros não. Sim, sim. É,
é a questão cultural, assim, os o povo lá, ele vive de uma Forma muito diferente da gente há muito tempo. Então, eles sabem lidar com coisas que a gente não sabe lidar ainda, com certeza. Inclusive, eu acho que se a gente for falar no âmbito legal da coisa, eu acho que eh apesar de eu ser favorável à liberação da maconha, eu nem fumo, mas eu sou favorável à liberação da maconha, eh eu acho que ainda tem outras coisas mais fundamentais pra gente debater. Por mais que eu achea que que o que eu acho Que precisa
de um debate esse assunto, eh, existem coisas mais fundamentais pra gente se debruçar. Diminuiria muito a o crime organizado e tudo, né? Na hora que fosse liberado, eu acredito que diminuiria bastante. E tem o canabinol que chama, né? É o CBD. É. Então, ele tem vários usos e nem chapa. É, pois é. É bom porque é diferente, né? É, A questão é fumar ou não fumar, né? Aí você vai falar de pulmão, você vai falar de outras coisas também, né? Tem muitos aspectos envolvidos e cada um de nós é de um jeito. E e a
e a doutrina ela não ela não fala sobre eh autoagressão, como fumar, como beber excessivamente, tudo mais, sem tudo que é excesso, né? Por isso que fala o caminho do meio, é sem os excessos, né? De não, não, não e sim, sim, não. Qual é o caminho de adequado Para as circunstâncias, né? Agora, uma coisa que diz assim que você nunca pode perder a consciência, que a coisa mais preciosa que você tem é a consciência e os vários níveis de consciência, né? Nós temos consciência visual, auditiva, de olfato, de paladar, de pele e temos a
consciência da consciência e temos uma consciência que é um leve e trás. Tudo que nós captamos aqui pelos órgãos dos sentidos tem uma consciênciazinha que ela vai levar tudo Para um para uma grande nuvem, uma grande cláuda, uma grande memória, essa memória ancestral de milhões de anos, né, de uma geração ou de muitos. E de lá ela vai abrir um arquivozinho e vai trazer uma resposta para nós e nós vamos nos manifestar do mundo a partir dessa resposta. Essa que leva aí trás, ela tem a impressão que esse depósito, que esse armazém, que essa cláusula,
essa nuvem é fixa e permanente. Ela não é. O tempo todo tá entrando e saindo informação e Ela tá sendo modificada também. Então, é muito interessante pensar que a coisa mais preciosa que nós temos é a consciência, a capacidade de percepção da realidade, de fazer essas conexões e de pegar respostas adequadas à circunstâncias. E qualquer coisa que venha a perturbar essa capacidade de percepção não é considerada saudável. Entendi. Entendi. Então, se, por exemplo, a pessoa que diz Assim, ah, que era, não era crime, agora é, né? Tava alcoolizado e atropelei, matei alguém. Ah, mas foi
o álcool. Não, não, não. Você não podia estar isento da sua capacidade de percepção. Ela foi alterada. Pode dirigir, com certeza. Não pode. Então você não pode dirigir se tiver alterado. É coisas desse gênero, né, que a gente fala, trabalha com isso. Bom, não vou encher muito o saco da Senhora mais não. Eh, Diana, tem pergunta para nós aí. Pergunta sim. Quer que eu leia? São duas. Eu eu posso ler aqui. Lê aí para mim então, por favor. Então, o primeiro aqui quem mandou foi o Barramut. Hã? Ele mandou parafraseando Antônio Abuanra com suas provocações
filosóficas. Uma pergunta muito simples, Monjacon, o que é a vida? [risadas] ele quer que tu fica aqui mais 10 anos falando, né, pô? É isso aí. Pô, a resposta é simples. Não é muito simples, né? Não existe uma resposta para isso. A vida é isso. Somos nós aqui conversando, bebendo água nesse pequeno trecho da existência do universo. Não é isso? [risadas] É é a coexistência de tudo que existe, a Interdependência, né? Aposto que era essa a resposta que ele já esperava. É, [risadas] o Super Shocks mandou: "Monja, sou um grande fã, teo há muito tempo
e seus ensinamentos me ajudam muito. Infelizmente, nunca consegui te ver presencialmente, mas isso é questão de tempo. Eu gostaria de saber como lidar com a solidão. Ela é algo viciante e, ao mesmo tempo, angustiante. Eh, um grande abraço. Que gostoso. Solidão é gostoso, gente. O meu nome C, o C de Coem quer dizer sozinho, único. E e é uma coisa boa a gente perceber, né, que às vezes ficar com a gente mesmo é gostoso. É mesmo. Eu gosto da minha companhia, mas não quando é imposto a você, né? Não, mas a gente nunca tá sozinho,
porque mesmo sozinho você tá em conexão com tudo. Você tá ouvindo passarinho, tem barata na sua casa, não sei se tem Rato, o que que tem, mas tem outras formas de vida à sua volta. Perceba que a ideia de estar sozinha é uma delusão da mente. Digo, não é ilusão, delusão. Eu acredito numa coisa, o mágico tira o o coelhinho da cartola. Eu não vi como ele fez isso, mas eu sei que é mágica, que não é real. Se eu acreditar que isso é real, eu tô com uma delusão. E a delusão da solidão, eu
sozinho no mundo, é uma delusão. Porque olha, a multidão que habita o planeta, filho, que isso? Dá uma respirada, vai na janela e vê que tá cheio de gente por aí. Agora nós temos essa sensação de que o que eu sinto, o que eu sou, é diferente dos outros. Se você olhar em profundidade, você vai se identificar com muita gente. Você não está sozinho nunca. Bom, já muito obrigado pela conversa. Foi uma honra conversar com você, de verdade. Eh, você tem algum, você usa redes sociais e tal, você tem um site que você quer falar
alguma coisa? Tenho, eu tenho site
[email protected], não, zendobrasil.org.br. BR. Eu tô recuperando um site meu que ficou muito tempo nas mãos de uma pessoa do Rio de Janeiro e só agora eu consegui ver com quem tava, quem administrava, tá voltando que é monjaco.br. Tenho também abrindo um novo YouTube que é Monja Coin oficial que vai começar a ser aberto. Eu fiquei muito tempo embaixo da Mova, a Mova Filmes, muito Querida, me ajudou muito, muito, muito. Mas nós estamos no momento agora de cada um vai pro seu lado. A MA tem outras propostas e eu continuo
na minha proposta. Então a gente tá fazendo uma divisão aí de parceria. E aí eu você tem o IAD, né? É o IAD. Muito bom. Só que agora eu quero produzir outro material, novos materiais. Tenho muitas ideias que não sejam bem e a desses. É legal. Mas tudo que tem a ver com Internet, tudo, tudo tem a ver online. É uma mja pop. Não é importante. Comunicação tem que Eu também acho. Eu acho importantíssimo. Que nem eu te falei logo no começo, se a monge que a gente precisa em 2022. Todos os meios de comunicação
tem que ser usados para que todos se beneficiem, que todos despertem. Como é que como é que faz para para fazer parte do teu EAD? É, pelo teu Site. Ah, bom. Eu acho que tem Instagram. É, tem Instagram, tem site. Não deve ser muito difícil de achar. Monja Coen no Google. Ach, Monja Coen acha isso. Pode entra lá. Bom, muito obrigado, de verdade. Foi legal demais. E ó, vocês que assistiram aí, ó, segue a Monja, procura saber sobre o EAD dela, tá tudo aqui na descrição. E a gente se vê amanhã, tá Bom? Um beijo
para todo mundo e até a próxima.