Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos e irmãs, a cura do homem que estava ali, paralítico, junto à piscina probática, a piscina das ovelhas, nos recorda que estamos no tempo da quaresma, nos preparando para o mistério da páscoa, onde nós celebraremos os batismos.
Nós sabemos que a quaresma, de alguma forma, é uma preparação para o batismo. De fato, em muitos lugares do mundo pessoas já estão na reta final, se preparando para serem batizados na Vigília Pascal, a grande vigília pascal em que nós todos renascemos e aqui nós temos essa realidade de um homem que é trazido a uma vida nova por Cristo. O que nos deixa um pouco boquiabertos no relato deste evangelho é o fato de que, ao contrário dos outros sinais que Jesus realiza, onde Ele antes pede a fé, aqui Ele nem sequer pede a iniciativa da pessoa, ou seja, Ele pergunta, você quer ser curado?
O homem coloca as objeções dizendo que não consegue ser curado porque ali existe uma ritualística para a cura e os anjos, etc, isso e aquilo, que agitam as águas, Jesus, então, assim, do nada, chega e diz: "Levanta, pega o teu leito e anda", interessante isso, "levanta e anda", aqui, Jesus parece eleger aquele homem de uma forma e entrar na vida de forma inesperada, sem que ele nem sequer soubesse quem é Jesus. Isso se mostra no diálogo depois dele com os judeus que querem saber quem é que te disse que você pode agora, no dia de sábado, fazer essa obra, ele não sabia quem tinha curado ele. Pois bem, se nós olharmos na vida da Igreja de dois mil anos, nós iremos ver que Deus não age sempre da mesma maneira, muitas vezes Deus escolhe pessoas, pessoas eleitas, pessoas que não mereciam a conversão e, no entanto, de forma extemporânea, Deus resolve convertê-las, como um São Paulo, como um São Francisco que nada indicava que iriam se converter e no entanto se converteram e Deus os escolheu para realizar uma obra.
Nós vemos então aqui que, muitas vezes, nós perdemos um pouco a noção dessa majestade divina e como Deus opera na história, como Deus quer realmente escolher instrumentos para agir. No mais das vezes o caminho é outro. O caminho é que a pessoa ouve a palavra, começa a crer, porque tem fé, Deus opera alguma coisa e então as coisas dali começam a se desencadear, mas Deus não está vinculado por este processo.
Ele pode reverter o processo simplesmente por sua grande liberdade, onipotência e majestade e nós não devemos invejar essas pessoas. Devemos sim dizer: "Puxa vida, como existem pessoas eleitas de Deus que são escolhidas como um dom para nós". Pois bem, a cura deste homem paralítico é para nós uma forma forma de nós todos revisarmos a nossa vida e enxergar que no fundo, no fundo, a iniciativa foi sempre de Deus.
Talvez não de uma forma tão clara, tão explícita, assim tão gritante como nesse evangelho, mas se você for meditar a sua vida você verá que você é católico, batizado, crê, mas que no fundo, no fundo, foi Deus quem tomou a iniciativa. Eu sempre me admirei e sempre refleti por que eu? Me perguntei isso quando tantas pessoas parecem melhores, mais dotadas, mais talentosas do que eu, por que eu, logo eu Deus escolheu para dar a fé, para dar o sacerdócio, para dar o chamado à santidade como eu e você somos chamados.
Não é mérito nosso, Deus tem suas iniciativas, Deus tem os seus eleitos. Desçamos à água do batismo, é Ele quem age, nos purifica, transforma e faz de nós pessoas que realmente sabem carregar o leito, ou seja, agir e reagir num amor que já não é mais tíbio, mas ardente de quem agora conhece Jesus. Deus abençoe você.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.