Qual seria, dentro de uma visão ampla o próximo passo para sair da roda de sansária e ter uma autonomia de escolha, realmente de de saber? >> São quatro passos bem distintos. >> Agradeço a pergunta.
Muita alegria que eu divido com vocês esse espaço para refletirmos juntos sobre algo que é tão patente, né, que somos nós. >> O eu de cada um de nós é o que de mais real a gente tem, já que a gente existe, tá vivo. Então, o nosso eu é exatamente a expressão dessa vida, desse viver, mas ao mesmo tempo isso não implica necessariamente que nós saibamos quem somos, o que somos, o que estamos fazendo.
E os grandes mestres do passado deixaram muitas janelas e portas abertas para que o ser humano pudesse observar pelas janelas e ou alguns poderiam passar pelas portas movimentando-se mais do que observando, >> no sentido de quê? de se autodescobrir. O autodescobrimento se dá observando a vida que a gente pode fazer por uma janelazinha da gente, que é o nosso olhar, a nossa interação com a vida.
Mas a vida requer movimento e a gente pensa e tem absoluta certeza que o eu da gente é quem se movimenta. A gente vai, pega um metrô, um ônibus, anda de carro, de avião, caminha. Então o eu da gente está sempre se movimentando.
E a questão é o eu de cada um de nós é o quê? Esse é talvez ou deveria ser do primeiro problema a ser enfrentado pela tentativa do ser humano de compreender a vida e de criar a sua visão de realidade. Mas milênios depois, a racionalidade humana não conseguiu chegar a lugar algum confiável.
na definição do que representa o eu de cada um de nós. Por quê? Porque em tese, a forma mais fácil da gente resolver esse problema é achar que o eu da gente é esse corpo.
Quando a gente se confunde com o corpo, nós não sabemos, mas seria algo tão esquisito quanto o locutor de um rádio pelo fato dele estar lá num estúdio falando e a voz dele sai pelo rádio. Quem escuta o rádio acha que dentro do rádio tem um locutor. Não, não vai achar isso.
sabe que o locutor está lá fora e o rádio está apenas transmitindo. Mas estranho mesmo é se o locutor perder a noção de quem ele é e se achar como sendo a voz que sai no rádio. Por mais trágico que esse exemplo possa parecer ou mesmo ridículo ou inadequado, mas é exatamente isso que nós pensamos que somos.
>> Por quê? Porque dentro do nosso corpo também não existe um eu. Só que a gente tem certeza que existe, a gente pensa que existe.
Do mesmo modo que o eu do locutor não está dentro do rádio, os seres humanos que conseguem compreender que também o eu do ser humano não está dentro desse corpo, nem dentro dessa cabeça, essa é a questão fundamental daqueles que conseguem se elevar além da média do rebanho humano. que sempre vai se confundir com o próprio corpo. Aí os dramas começam.
Quando esse corpo morre, o eu de quem pensa ser o corpo toma um susto louco. >> Hum. ao perceber que mesmo o corpo morrendo, o eu dele continua existindo e que, por mais que os desenhos digam, mostrem eus flutuantes em desdobramento sobre corpos adormecidos, isso é belo em imagens de filmes ou de narrativas, mas a coisa não funciona nesse naipe, desse jeito.
Quando esse corpo morre, o eu de quem se acredita ser somente o corpo, esse eu sofre. Ele não sabe lidar com a vida espiritual porque ele se achava o corpo e até que ele entenda quem ele é, coisa que ele deveria ter entendido enquanto corpo humano tinha vida, para poder facilitar não só o ato de viver através do corpo humano, como no caso da morte deste corpo humano, o ato do eu humano administrar a boa morte do seu corpo. corpo e entendo uma boa morte, a arte de morrer bem.
O eu humano, entre aspas, se vê existindo espiritualmente, sem nenhum drama, sem nenhum trauma. E assim é para aqueles que em vida do corpo já conseguem perceber que o eu deles não é esse corpo, não está dentro da cabeça. E o que é o eu humano?
A própria ciência com os seus as suas hesitações termina nos ajudando a perceber no ponto que ela para o resto que a ciência ainda precisa entender, mas que nós humanos podemos compreender coisas que às vezes um cientista não consegue. Por que que eu estou dizendo isso? Porque a neurociência já consegue colocar eletrodos no cérebro de alguém.
No visor do computador aparece lá o retrato do cérebro da pessoa e essa pessoa que está se vindo de cobaia para o experimento. O neurocientista pede para ela falar uma palavra. Antes dela falar, no visor aparece que o cérebro da pessoa se assente e depois ela fala.
E de tanto cientista fazer esse tipo de experiência, ele percebe que antes da pessoa falar, o cérebro dela se acendeu, o que o leva a pensar que a pessoa somente falou porque o cérebro mandou ela falar aquilo. E isso está correto, realmente, 0. 5 5 segundos antes de sair qualquer palavra da boca de um ser humano ou um pensamento ou um sentimento ou uma atitude.
O cérebro de cada um ser humano é que determina o que o ser humano vai falar. A ciência tá certa até esse ponto. Mas aqui a ciência para quando você pergunta ao cientista: "Mas por cérebro acende?
O que é que faz o cérebro acender? Aí o cientista diz: "Não, o ser humano não tem livre arbítrio, porque tudo que ele faz, ele faz obedecendo ao cérebro que manda ele fazer isso ou aquilo, mas o cérebro se acende, o cérebro manda ele fazer isso ou aquilo, movido pelo acaso. " É isso que os cientistas dizem.
>> Que cientistas? os físicos, vamos assim dizer clássicos, mas os físicos quantos que dizem não. Ligado a esse cérebro tem um uma consciência.
E aí nós chegamos no mundo espiritual em que essa consciência do espírito que está encarnado nesse corpo, ou seja, ligado, essa consciência pulsa, o cérebro se acende, aí o eu humano fala. Então, diante desse quadro, a pergunta é: cadê o eu de cada um de nós? Porque Rogério não é o espírito que está animando esse corpo, porque esse espírito já existia há muito tempo.
Rogério não é esse corpo, porque na hora que esse corpo morre, o eu de Rogério continua existindo ininterruptamente. >> Uhum. E a questão é quem é o eu de cada um de nós?
Aonde é que ele está? O que ele é? Essa foi, é, e ainda será a grande questão que o ser humano precisa ainda descoordinar.
E só na busca do autoconhecimento, na promoção do autoconhecimento, o ser humano um dia haverá de perceber que ele é um programa quântico que funciona no âmbito da união de uma consciência e de um espírito que vibra através de um processador cerebral. E um epifenômeno surge a partir desse cérebro. Por quê?
Porque o cérebro acha que é dentro dele que o eu humano funciona, porque dentro do crânio estão o quê? Os neurônios. E os neurônios pulsam aí, causam no nosso lobo frontal a sensação de que o eu da gente está aqui dentro.
Então, pra gente poder perceber as manobras que o eu humano pode ter na gestão de um DNA meio adoentado, acorrentado, né, ela passa necessariamente pela percepção de que o eu humano não deve se confundir nem com o espírito que o anima, nem com esse corpo no qual ele se hospeda e do qual ele é um epifenômeno. Ou seja, um fenômeno produzido pelas circunstâncias do ambiente. Entender essa questão é a primeira grande etapa, é o primeiro grande passo para qualquer ser humano que quer deixar de ser criança no sentido de ter uma mente infantilizada por crenças, por fé, mais destituída de qualquer reflexão, né?
O próprio Kardec dizia, antes de crer, vírgula, é necessário compreender. E o ser humano que pretende evoluir espiritualmente, ele precisa compreender quem ele é. Tudo que nós falamos até aqui serve apenas como uma reflexão inicial >> para que cada um, de acordo com as suas preferências ou suas possibilidades, ninguém tem que concordar com nada, cada um é livre para pensar o que quiser, mas o importante aqui não é que isso seja ou não seja verdade.
O importante aqui é que a gente perceba que esse tema é o passo número um para quem quiser progredir espiritualmente. >> Sim. E assim, é um tema assim bem que dá para explorar bastante questionamentos, né?
Eu tenho isso é uma pergunta minha pessoal. Qual seria dentro de uma visão ampla o próximo passo dentro de sair dessa dessa matrix, sair dessa roda de sanara? dentro da sua visão assim para sair da roda de saná e ter uma autonomia de escolha realmente de >> São quatro passos bem distintos.
O primeiro é o autoconhecimento, não a outra forma. Ninguém consegue evoluir sem se autoconhecer. Em se autoconhecendo ou na busca do autoconhecimento, inevitavelmente surge o segundo passo a que você se referiu na sua pergunta.
E esse segundo passo é o despertar da natureza espiritual da nossa alma que irá prevalecer sobre a natureza animal desse corpo. Após o despertar espiritual associado a um nível de autoconhecimento, inevitavelmente surge o terceiro passo, que é o ser humano que chega nesse ponto. Ele, a exemplo de um sábio que evita o contágio repetido com o rebanho para não se contaminar com a mentalidade preguiçosa, de zona de conforto primitiva que move o rebanho.
Esse sábio ou essa esse ser humano, ele termina criando o seu próprio caminho e não caminha junto com o rebanho. Então, o terceiro passo é criar o próprio caminho e encaminhando pelo seu próprio caminho, já tendo despertado espiritualmente, sabendo minimamente conhecer a si mesmo, um pouco que seja, o quarto passo surge inevitavelmente. Ele se autoorrealiza.
Sidarta Gautama falou isso de outra maneira. Essa autorrealização ele chama de nirvana, que é um estado de consciência absolutamente esclarecido, iluminado e emancipado em relação ao primitivismo da condição humana. Mas para se chegar nesse estado de Nirvana, o ser humano teria que traçar o seu caminho do meio, que é um caminho sem extremos, em que você caminha plenamente alinhado com seus valores, suas metas, seus objetivos.
Isso porque você já despertou espiritualmente e você sabe que você não é só um ser humano animal, você é um ser humano, entre aspas, espiritual. E isso representa muito. Então, respondendo à sua pergunta, depois da busca do conhecimento sobre si mesmo, o despertar espiritual naturalmente surge.
Quando surge, a pessoa se sente inclinada a caminhar por uma estrada diferente do que a massa humana faz. Em fazendo isso bem, se autorrealizam. São esses os passos.
Entendi. É porque nós estamos assim num momento de quebrar, acho que muitas pessoas que estão nesse universo do autoconhecimento tá quebrando muita crença religiosa e e antigamente mesmo a pessoa já saindo de um vínculo com com o espiritismo, que é a religião que mais aberta no nível de de consciência, que acredita em vida após a morte, que acredita em reencarnação, também tivemos pessoas aqui, ícones, que trouxe o tema ascensão de uma maneira ainda muito presa, né, voltado para uma religião. Eu tenho afinidade com alguns arquétipos, mas hoje eu busco uma, acredito que eu estou numa linha de raciocínio correto, eu gostaria que você só pontuasse.
>> É isso aí. Acho que vocês estão 100% correto assim tudo que colocaram, né? E nós realmente, aqueles que buscam dar passos mais largos, né, basicamente estamos no jogo, como vocês bem disseram, mas o eu mais profundo da gente observa o jogo também.
E isso é raro na humanidade, porque a humanidade joga a peleja da vida, mas não tem como observar a si mesma. poucos seres humanos conseguem fazer isso. E só então complementando o que vocês falaram, que concordo plenamente, é exatamente isso que foi dito.
Eh, isso serve para pessoas como a gente que ousam, né? Aí, como Tati falou, a questão da criatividade, né? ousam ser criativos, dionisíacos, mas o rebanho ao qual eu me referi, esse rebanho, ele não é algo distante da gente, não é algo que a gente não faça, é eventualmente parte dele, porque como você bem disse, nós também somos obrigados a jogar.
Estamos no jogo e temos que jogar de vez em quando. E o rebanho não são pessoas estranhas, são pessoas que a gente ama, pessoas que nós amamos profundamente. Mas qual a questão?
O momento dessas pessoas não é igual a esse nosso momento aqui em que nós valorizamos, priorizamos como sendo essencial pra gente uma descontinuidade em relação ao que sempre as religiões obrigaram os seres humanos a atender os protocolos que você muito bem colocou. Nós já nos livramos um pouco ou muito desses protocolos. Mas o que é que é triste constatar que pessoas maravilhosas ainda precisam desses protocolos, né?
>> Sim. E nós temos que manter o coração aberto, porque, como eu disse, não são pessoas lá do outro lado da terra, é uma mãe da gente, é um pai da gente, é um filho da gente, é o cônjuge, é o vizinho, é o chefe, é o amigo, é o subordinado. E cada ser humano tem o seu time, tem o seu momento, tem, entre aspas, a chave e as senhas para destravar a si mesmo, mas a zona de conforto, o receio e, acima de tudo, a o desconhecimento em relação às questões espirituais, né?
Isso tudo nos leva a ficarmos cativos dos protocolos religiosos, como vocês bem frisaram. Minha mãe, por exemplo, foi alguém que eu, uma das grandes vitórias que eu e ela tivemos nessa vida, é algo que eu sempre desejo a todo mundo, que é além de filho e mãe, nós nos tornamos grandes amigos, né? Que eh é o grande laço que une dois seres humanos é a clicidade amorosa independente de relação consanguínea, né?
E minha mãe era católica e lia os livros que eu escrevia e dizia: "Meu filho, eu não consigo". Mãe, esqueça [risadas] essas besteiras que eu tô escrevendo, que eu tô falando. Seja a católica mais bela que você puder ser, porque cada um de nós tem a sua receita de vida.
E não importa se a gente é religioso, se a gente é ateu em sendo religioso, se é dessa daquela religião. O que importa é o como a gente caminha ao longo da vida. O que importa é a nobreza do nosso caráter, a sensibilidade do nosso coração.
Se a gente amealhar amor em nós mesmos e distribuirmos um pouco disso ao nosso redor, a caminhada humana tá feita, o resto é frescura e detalhe, né? Então assim, só complementando o que vocês falaram, de fato, livrar-se, libertar-se dos padrões dos protocolos impostos pelos caminhos da religiosidade humana é fundamental para quem quer dar passos verticais no sentido de uma evolução espiritual mais, vamos dizer, mais edificante, mais rica. Contudo, há aqueles que estão ainda estacionados um determinado degrau dessa escada, né, e que ainda não estão preparados para serem criativos ousados para eles não querem nem correr o risco de dar um subir um degrau para ver o que lá no degrau de baixo não se consegue observar.
Quando a gente sobe um degrau, o horizonte da gente se expande. Então, ficar no degrau para não ser obrigado a perceber além do seu próprio horizonte definido pelos protocolos religiosos, religiosos, quando isso faz bem a uma pessoa, a gente só tem que torcer para que essa pessoa, mesmo aí presa a essa situação, caminhe pela vida da forma mais decente, digna que ela puder, vem fazendo isso. É ótimo.
Mas de fato nós somos um pouquinho audaciosos. Estamos falando aqui em subir a escada da evolução vertical aqui. Jesus, Sidarta Galutama e outros tantos nos convidaram.
Isso aqui requer realmente um pouco de arte, esforço e um certo nível de risco, mas é assim mesmo.