Olá gente vamos falar então sobre o texto pense na lagosta do escritor americano David Foster Wallace eu vou ser bem sincero já com vocês e vou dizer o seguinte ó eu não conhecia o David Wallace e quando eu li o nome dele eu pensei assim cara eu conheço esse nome de algum lugar aí eu fiquei fiquei joguei no Google e apareceu para quem é assim como eu fã do The Office David Wallace é o nome do chefe do Michael Scot no seriado aí eu até pesquisei fui atrás para ver se de repente os os redatores
né da série são fãs do do escritor David Foster Wallace e não achei sobre nada disso mas eu não duvido porque embora um tanto quanto desconhecido no Brasil o David Foster Wallace agora claro eu vou falar do escritor obviamente né Ele é um escritor bastante impactante na literatura americana então além óbvio né de alguns ensaios e dessa coluna que ele escreveu ali que a a UFPR trouxe pra gente Esse ano ele tem alguns livros publicados e inclusive um dos seus livros que em português ganhou o nome de infinita graça é considerado um dos maiores romances
americanos do século XX então é algo assim bem interessante novamente Eu não conhecia ele fui pesquisar sobre ele vi que ele é formado em Literatura e filosofia e com uma especialização em lógica modal e em matemática passando por Harvard Inclusive a formação dele mesmo é na Universidade do Arizona mas depois passou por Harvard Enfim então ele é um um Pensador multicomplex multidisciplinar e e o pouco que eu li até agora eu gostei bastante das coisas dele e inclusive já comprei Né Mandei vir lá o esse principal o romance dele o infinita graça quem sabe até
nosso encontro ao vivo eu já tenha dado uma lida e a gente pode falar um pouco mais sobre isso mas esse texto que que a federal nos troue ele é um artigo jornalístico né embora ele não seja uma reportagem ele é um pouco mais longo mas também não chega a ser Vamos colocar assim um artigo acadêmico e esse texto do do Wallace ele se encaixa naquela ideia a upr ela meio que tem um padrão no seus textos de filosofia né então o David Wallace ele é como texto aleatório embora obviamente não é aleatório mas quando
eu digo aleatório porque Qual que é o padrão né geralmente na UFPR nós temos um texto de filosofia clássica esse ano é o leviatan nós temos de pensadores brasileiros Então tá lá a marielena choui tá o Ailton krenak também nós temos alguma discussão bastante contemporânea relacionada às estruturas políticas e econômicas aí nesse caso nós temos de volta né a Nancy frazer já teve no ano passado embora que contexto diferente então colocaram a a senhora Fraser de volta e aí o o David Wallace esse ano ele entra que na substituição daquele que no ano passado foi
o texto do Tierry de duve e para alívio e felicidade geral da Nação esse texto do David Wallace ele é muito mais tranquilo de entender embora as discussões sejam mais profundas né não tô falando aqui que o texto seja Raso ou qualquer coisa disso não não não tem bastante subtexto subcamadas pra gente puxar daí mas ele é muito mais tranquilo do que o o mal diante a arte diante do Mal radical né então ele é um texto bem e um texto bem bacana de ler né ele é rápido ele é gostoso de ler bem informativo
e acho que tem algumas coisas bem legais pra gente extrair daí então assim gente a a temática geral né Desse texto do David Wallace se enquadra naquilo que nós chamaríamos aqui no Brasil de bioética ou até mesmo de ética animal a ética animal é um dos braços né de discussão desse grande e eh recorte filosófico que é a ideia da bioética e tem muito a ver tá muito ligado aqui não só aqui né no mundo como um todo H toda a discussão sobre vegetarianismo veganismo consumo consciente né e assim por diante e o d e
Wallace ele Traz umas questões bem interessantes E aí conforme eu for discutindo um pouco do texto eu vou seguir mais ou menos na linha do texto eh eu vou puxando algumas dessas camadas que o David Wallace coloca pra gente Esse artigo dele foi escrito por uma revista Gourmet Vamos colocar assim lá dos Estados Unidos muito famosa inclusive que mandou ele mandou no sentido profissional né que mandou ele lá analisar e conhecer o famoso Festival da Lagosta do Main né que ocorre anualmente nos Estados Unidos é um grande festival gastron e que é especificamente sobre lagostas
no caso né ah mas claro que isso dá para estender a toda a ideia de consumo animal e e esse é um tema né embora assim seja a lagosta que é uma coisa que não é tão comum pra gente aqui mas acredito que Independente de onde você esteja no Brasil eu tenho eu sei que eu tenho gente do Brasil todo aí me assistindo festivais gastronômicos que que envolvam a a questão animal não são eh assim não é algo raro né Acho que acredito que todo mundo conheça pelo menos ouvi falar né aqui onde eu moro
em Joinville é uma região litorânea aqui de Santa Catarina né e aqui a gente tem muito muito desses festivais Festival da Tainha Festival da Ostra ah Festival do Caranguejo caranguejada E aí o pessoal mais de interior também tem aí questões relacionadas a festival com porco com boi com ovelha com Carneiro aqui mesmo também perto de Joinville subindo a serra para São Bento do Sul tem a festa do Carneiro Enfim então esse tipo de de de festa assim não é nenhum não é raro pra gente ir algo do nosso cotidiano né embora em outros lugares também
tenha Festival da Batata Festa da Cebola né Tem tem de tudo que é tipo mas enfim Então não é algo estranho a gente claro que nós temos que entender que lá tem toda uma particularidade também e eh da própria cultura americana mas nesse ponto não se difere tanto da gente então não é nada tão estranho eh esse texto esse artigo né ele foi escrito ali a partir do festival de 2003 então vejam nem é algo tão recente assim já é um artigo aí que vai ter seus 20 anos mais ou menos mas as discussões dele
ainda são extremamente atuais mais então quando ele começa a descrever lá o o festival do do Main ele fala que é um festival né grandioso que são consumidas não sei Quantas toneladas de lagosta que tem um Panelão gigante né onde eles fervem as lagostas lá aquela coisa toda e A grande questão do da do cozimento da Lagosta do preparo da Lagosta Envolve o quê é que você tem que ferver o animal vivo isso não é muito diferente tá gente da prática tô trazendo um pouco mais pra nossa realidade aqui eu talvez nem todos vocês já
tenham comido ou conheçam Isso é uma questão às vezes muito Regional mas não é muito diferente de preparar caranguejo também né aqui no no litoral quando vai se preparar o caranguejo muita gente faz o caranguejo vivo é uma prática que novamente né não é tão desconexa assim da nossa realidade e nem tão afastada ele inicia o texto fazendo até um um breve histórico né sobre essa ideia do consumo da da Lagosta ele fala que que principalmente ali século 19 né até uma certa altura ali a lagosta até era um alimento de pobre né vamos dizer
assim era um alimento das baixas classes porque naquela região ali dos Estados Unidos tinha muita muita muita lagosta eh dele até Fala um negócio que eu achei interessante que tinha uma determinada lei lá no século XIX que estabelecia que as lagostas só poderiam ser servidas para prisioneiros Vejam só né Imaginem e a a concepção que nós temos hoje do consumo da Lagosta né mas só poderia ser servido para prisioneiros no máximo uma vez por semana e porque era meio que comparada a ratos né ou mesmo a lagosta também era muitas vezes utilizada ela era moída
e usada como adubo devido à abundância né do animal ali na na costa dos Estados Unidos aquela coisa toda mas que depois passa por um processo também de refinamento né eu também não preciso dizer isso para vocês todos vocês sabem que a a lagosta ela é tida hoje como uma iguaria cara né é algo Chique né comer lagosta Nossa você vai lá e come uma lagosta assim parece que você tá assim no outro mundo Eu mesmo vou ser bem sério para vocês eu comi lagosta duas vezes na vida e era e foi algo assim nossa
né tipo tem todo uma cerimônia toda uma discussão em torno disso claro que a oferta de lagostas aqui no sul também é um tanto quanto diferente casa da da temperatura da água né não é algo tão próximo aqui pra gente mas lá nos Estados Unidos também tem um pouco dessa ideia assim de que a lagosta é algo relativamente caro né ou ou pelo menos assim ã com um valor social percebam aqui esse termo é importante né com um valor social um tanto quanto mais elevado mas ele fala assim ó Nem sempre foi assim né durante
muito tempo a lagosta era vista até mesmo como um ratão do mar e aí por um processo de gentrificação de hamburgues do processo ela foi ganhando um ar um tanto quanto mais refinado Vamos colocar dessa forma daí num num determinado ponto ali ainda da introdução do texto quando ele tá falando apresentando o festival ele traz uma um um trecho que é bem interessante que ele fala assim né olha no Festival da Lagosta do Main tô lendo aqui né só para para passar para vocês bem certinho no Festival da Lagosta do Mine a democratização da Lagosta
vem acompanhada por toda a inconveniência maciça e concessão estética da verdadeira Democracia é é legal porque o o David Wallace no seus inscritos Ele sempre foi muito reconhecido pela seu pelo seu papel irônico e aqui ele tá fazendo uma grande ironia na verdade né então ele fala assim olha a lagosta ela se torna uma iguaria muito cara né tá ali próxima do Caviar inclusive ele fala assim né atualmente hoje em dia só que deu o Festival da Lagosta do Mine ela meio que que democratiza ela populariza né a lagosta é tanta lagosta tá tão barata
a lagosta que qualquer um pode comer né e ele fala assim ó só que daí vem a inconveniência maciça e a concessão estética da verdadeira democracia e a partir daí o que que a gente vai perceber ele começa a fazer umas críticas a ao Festival não são as críticas Morais ainda ele tá fazendo a crítica mesmo de organização de estrutura que quando ele foi falando e e vocês acreditam que leram o texto né eu mesmo enxerguei diversas festas e e outros festivais nossos aqui né que nós observamos dá para entender perfeitamente o que ele diz
olha é cheio de gente aí tá lá o pessoal comendo babando não tem lugar para sentar se você quiser sentar tem que pagar mais por uma cadeira aí vem o prato de plástico aí vem aquele talher tudo então ele fala assim olha né É É um prato tão refinado mas é servido de uma forma extremamente vulgarizada ou até vamos usar a ironia dele aqui né de uma forma democratizada só que ao mesmo tempo é uma bagunça né ele fala assim que que esse festival tem que ter uma certa paciência então ele faz uma crítica nesse
sentido Ah tem muita gente é muito bagunçado daí as pessoas se espremem nas mesas aí o pessoal falando se fosse aqui no Brasil já ia ter as jbls explodindo né então é algo que nós obser nós conseguimos entender quando ele faz essa crítica né dessa popularização aqui tá eu até separei o trecho na aqui al ele faz ó né então tem a praça de alimentação principal para a qual existe uma fila constante digna da Disneylândia que consiste em meio km quado de balcões de de cafeteria protegidos por um toldo fileiras de longas mesas onde amigos
e desconhecidos sentam-se coladinhos quebrando mastigando babando É um lugar quente onde o teto descaído aprisiona o vapor e os odores ou seja imagina aquele cheiro né querendo ou não de de peixe né Por tudo assim e sendo que esses últimos né os odores ele tá falando são fortes e apenas parte deles são dos alimentos né ou seja ele tá falando que fede né porque é tudo muito fechado muito cheio de coisa né É um lugar barulhento e onde boa parte do barulho é em relação às pessoas mastigando e comendo ou seja né É É um
pequeno inferno vamos dizer assim não usa essa palavra isso é meu mas vai mais ou menos por aí a ideia e ele acaba classificando então a a a feira como um como ele diz assim uma feira interiorana de nível médio né então como como essas até que eu falei aqui também nós temos diversas feiras interioranas e isso aqui novamente gente não tô falando de feira interiorana com uma de uma forma pejorativa não é uma crítica nem nada disso né são feiras que movimentam a economia dessas cidades geram emprego tem toda uma questão cultural ali implícita
também e assim por diante né dele uma das primeiras críticas uma das primeiras reflexões que ele traz efetivamente é um pouco sobre essa ideia do turismo também né e e de como que esses festivais gastronômicos eles massificam algumas coisas né então ele fala assim olha né Tem lugar que o turismo vamos pegar aqui mesmo e eh o nosso exemplo de Brasil Talvez para entender um pouco o que ele falou né a gente pensa às vezes em turismo litorâneo a gente pensa assim em em lugares um pouco mais eh simples um pouco mais populares ao mesmo
tempo existem Turis lugares de turismo né onde você tem uma alta Elite Então vou pegar aqui um exemplo do litoral catarinense mas mas que também é é bastante compreensível para pessoas de outros lugares quando você fala assim por exemplo Balneário Camburiu né ou você fala injur internacional ou mesmo você fala Nordeste né Costão do Santinho sei lá Angra dos Reis né enfim tá eu também não não sou muito fã Zão de praia assim mas pegando algumas coisas assim mas por outro lado existem e lugares mais simples lugares médios né E E ele fala sobre um
pouco essa questão do Turismo né porque afinal de contas o o que que é o turismo Claro o turismo é um grande comércio é um grande mercado gera muitas de visas né gera muito lucro daí ele fala assim só que o que que é o turista né o o turista na verdade pro ponto de vista da população local ele é um é um paradoxo na verdade porque ele é um incômodo né É é muito comum a gente ver com pessoas que moram nas praias ou em outros lugares Claro tô Pensando principalmente em praias aqui porque
é um dos principais destinos turísticos principalmente no verão do Brasil né mas então o muitas pessoas que moram em praias eu tenho amigos que moram aqui na nas praias eles reclamam né eles falam assim pô é Temporada é um saco né É um saco por quê Porque enche e as pessoas sujam e as pessoas andam e as pessoas fazem uma bagunça ã mas ao mesmo tempo é aquilo que muitas vezes gera renda né Para muitos desses moradores e o próprio turista né porque quando você vai conhecer um lugar principalmente hoje com todo esse processo de
gentrificação de discussão Urbana você vai para um lugar mas você não necessariamente realmente conhece aquele lugar né Você conhece o quê Você conhece uma versão comercializada uma versão estilizada daquele lugar daí você depois ainda fala ó eu fui para tal lugar tal lugar mas você não viveu como alguém daquele lugar né até porque é uma experiência muito difícil porque realmente para você se sentir parte de um lugar para você compreender a fundo que é ser de um determinado lugar tem que passar anos tem que se inserir nas dinâmicas sociais assim por diante então ele já
começa ali né criticando um pouco dessa ideia do Turismo embora Claro não seja essa a a a grande discussão do texto dele mas ele começa mais ou menos por ali com essa ideia tanto que da ele tem uma tem mais uma frase ali que eu achei muito interessante ele fala assim olha na condição de turista você se torna economicamente significativo mas existencialmente detestável né porque Ou seja você gera riquezas você gera é lucro para aquela região mas você enche o saco de quem mora lá né Essa é a verdade do turista né E claro que
eu tô falando eu também viajo às vezes né gente enfim e a gente sabe que é assim que funciona mas também ninguém vai deixar de fazer isso porque alguém tá criticando aí quando chega efetivamente na discussão que nós precisamos do texto né ele começa a falar então sobre a questão das lagostas e sobre toda a ideia do preparo né porque como eu falei para vocês a lagosta ela tem que ser cozida viva assim como o caranguejo também né Já falei sobre isso mas vou fazer o que agora eu vou parar o a aula aqui nessa
parte para gravar um segundo vídeo para não ficar tão extensa não nem ficar tão cansativo tá bom Então assiste lá a parte dois e eu já volto aqui com vocês