[Música] [Aplausos] Olá sejam bem-vindas e bem-vindos à 15ª jornada da Educação Infantil o tema desse ano o mundo das infâncias letramento e as formas de viver agora com a Roda com a nossa convidada Professora Maria Clara Camões que tem como tema os aurs propostas e currículos é com você [Música] Paula Obrigada L Simone sejam todos e todas muito bem-vindas 15ª Jada pedagógica da educação inf pra gente comear essa conversa pra gente comear Esse diog vocês vão ficar agora aí com um pouquinho do texto de Taí Romero da pedagogia da subjetividade no meio do planejamento tinha
uma jaca Taís hoje tem feira na minha rua e ele quer levar uma jaca pode ser disse a mãe do menino que tem 3 anos uma jaca nada poderia ser mais inédito para o grupo três do que uma jaca em uma quarta-feira de um cotidiano fluído vivido e aberto e de uma escola fluida viva e aberta para mim a estára do s mais visível do que significa humanizar a rotina o planejamento a escola a jaca como contexto como pretexto e como composição de uma urdidura que é escola o menino levar a jaca não é o
acontecimento mais extraordinário a boniteza maior é que ele sabe que ele pertence a um grupo que ele tem um lugar e que neste lugar ele tem espaço para compartilhar suas experiências vividas além dos Muros da Escola Aliás o currículo de todas as escolas do mundo deveria considerar como essencial o que os meninos e as meninas trazem na bagagem se assim fosse os planejamentos alienados que ainda existem por aí seriam transformados em itinerários planejados por adultos mais conscientes de que toda criança desbravadora de acontecimentos inéditos somente duas crianças tinham experimentado jaca antes uma criança disse que
a jaca tem gosto de banana e a outra disse que a mãe ia ficar feliz porque ele teve coragem de experimentar e a professora Jose que viveu com as crianças a alegria do inesperado toda a minha admiração e Respeito continuando e fazendo essa roda girar eu vou pedir que os participantes que aqui estão com a gente possam se apresentar vamos lá Olá meu nome é Tatiana Siqueira eu atuo atualmente na gerência de Recursos Humanos da primeira Coordenadoria Regional de Educação e estou como professora da sala de recursos na escola municipal Josué montelo Olá eu sou
Patrícia Sodré Sou professora de educação infantil e atuo como professor articuladora na creche municipal vovó Lucila Olá eu sou o Alace Benjamim professor da Educação Infantil dessa rede E no momento eu atuo como assistente na gerência de educação infantil Olá eu sou Iago viveiros professor de Educação Infantil atualmente assistente na gerência de intersetorialidade da Coordenadoria de educação infantil primeira infância e a convidada de hoje eu vou precisar antes de dizer o nome dizer Da onde ela vem quem ela é né então Ela é professora de educação infantil e das licenciaturas Integradas do Colégio Pedro I
Doutora em educação pela uerg mestre pela Unirio e especialista em educação infantil pela PUC Rio é coordenadora do núcleo de Pesquisas experiências e infâncias unpi vinculados também ao Colégio Pedro I e pesquisadora do GR pesque currículo formação e educação em Direitos Humanos da uerg seja muito bem-vinda Professora Maria Clara Camões é um prazer ter você aqui com a gente nessa roda de conversa da nossa jornada É um prazer imenso ter você aqui com a gente Olá todos e todas O prazer é todo meu retornar a essa rede da qual eu já fui filha né durante
11 anos Estive por aqui e tô sempre por perto né porque esse diálogo com a rede é sempre muito importante então é um prazer tá aqui né compondo essa roda e fazendo essa roda girar Ai que incrível bom a gente vai começar hoje né a gente já vai trazer para essa roda eh o texto que a gente assistiu Logo no início que é o texto da thí Romero E aí nesse texto ela conta uma história de um menino que um certo dia deu na cabeça dele ele traz ele pede pra mãe para que ele possa
levar uma jaca pra escola e aí nesse relato da thí ela fala sobre o acolhimento que a escola teve em relação a essa ação desse menino e ela diz que essa escola nesse momento do acolhimento ela foi fluida viva e aberta e aí agora eu vou te perguntar Vou falar igual o meu o meu coordenador fala né eu vou te provocar eh a espaços nas nossas escolas para o imprevisível como é que a escola hoje pode se constituir como um espaço de acontecimento e de inventividade Então acho que você começa com essa provocação que é
o que tem algum tempo me provocado né Queria só voltar que quando você faz a minha apresentação tem um monte de títulos aí mas eu sou na verdade professora de educação infantil né quando a gente tá com as crianças é esse movimento que elas provocam na gente o tempo inteiro eu queria pedir licença para começar com uma leitura bem pequena de uma professora que discute currículo e ela fala assim quando crianças no portão da escola sabíamos que um passo nos colocaria no desconhecido enquanto o nosso corpo vibrava de medo e excitação alguém sabia o que
a escola devia e ia nos oferecer restou um certo cansaço quando nosso medo e ansiedade de cruzar o portão foram diminuindo ao longo dos anos fomos criando a Estranha sensação de que a gente sabia o que tava do outro lado de que a gente tinha algum controle contaminados pela certeza de que a escola ser via para um dia a gente sair dela e eu acho que essa fala me provoca muito né esse é um texto da professora Elizabeth Macedo que ela chama sobre que ela fala sobre o portão da escola como esse lugar de quando
a gente ainda não acessou de quando a gente ainda não conhece causa o que a gente tá sentindo aqui agora porque tá falando para um monte de gente né esse coração acelerado o medo do que vai acontecer do inusitado e quando a escola Deixa de ser isso ela passa a ser só um lugar lugar para onde a gente sabe que vai acabar e vai deixar de estar né então chegar com a jaca chegar com o violão chegar com as histórias é sempre uma possibilidade de criar e de fazer da escola o espaço da inventividade do
imprevisível né E aí eu queria assim eh um pouco trazer para essa conversa um filósofo com o qual eu tenho dialogado um pouco mas não é no sentido de trazer o que ele nem chama de conceito né ele trabalha com ideias não é no sentido de pegar as ideias do filósofo e aplicar na escola e colocar na prática Mas como que elas podem nos provocar a pensar essa escola da inventividade da imprevisibilidade né então esse esse esse filósofo chama-se jaqu derd e ele fala sobre três conceitos com os quais eu tenho dialogado e tem me
ajudado a pensar a escola que é o conceito de imprevisibilidade né que é o que que o que que essa escola espera da Gente o que que a gente espera dessas crianças como é que a gente constrói essa escola e aí Eh então pensar nessa escola como aquilo que não tá dado de primeira mão né mas como essa relação que a gente constrói E aí nessa direção eu tenho me permitido pensar no currículo também como isso que não tá dado como aquilo que acontece nessa relação que a gente estabelece entre a gente né porque eu
eu eu quando a gente fala eu acho que a jornada Traz essa pegada né de entender as crianças como protagonistas a gente não tá se tirando de cena nós professores também somos protagonistas dessa construção curricular e É nesse diálogo que a gente vai se encontrando né Então essa a ideia da imprevisibilidade do acontecimento uma outra ideia que eu gosto muito de dialogar é a ideia da herança porque o derd ele vai dizer que a herança é aquilo que chega pra gente sem a gente nem poder calcular e saber da onde vem mas de alguma forma
a gente precisa lidar com ela mas como é que a gente faz então com essa herança de uma escola por exemplo que entendia que as crianças precisavam ser Preparadas para o ensino fundamental a gente coloca ela pra frente ou a gente reconstrói ou a gente dialoga de uma outra forma com aquilo que nos chega né Então esse é um outro sentido que eu acho importante pensar e o outro que o derd trabalha é a ideia de hospitalidade e aí sobre esse eu tenho me debruçado muito para pensar como é que você como é que a
gente recebe essa criança que chega com a jaca como é que a gente recebe essa criança que chega com a sua história e que a gente precisa ouvir né é precisa ser essa escola da escuta eh Essa professora que que conta essa história do do portão ela fala que o currículo ela compara o currículo a um monstro e não é porque o currículo é feio é porque a gente nunca sabe como o monstro vai se pintar a gente nunca sabe como ele vai chegar então a escola precisa ser o lugar da surpresa o Ruben Alves
ele vai dizer que a gente precisa ser professor de espanto né então assim o que é ser professor de espanto né como é que a gente recebe todas essas novidades que chegam à escola como é que a gente dialoga com elas e aí eu tenho me permitido usar um termo que é crianças curricula porque eu acho que durante muito tempo a gente centrou esse diálogo na figura do docente se a gente entendia pera aí tem um problema na escola a gente tem problema de aprendizagem a gente primeiro né Vamos antecipar a gente precisa levar pra
educação infantil o nosso problema porque se tá chegando no primeiro ano com défice é porque alguém tá errando na educação infantil E aí olha o peso que vai recaindo sobre a infância e sobre a educação infantil quando a gente acha que é por isso então pera aí vamos pensar nesse professor curricula e aí a gente centra isso na figura do professor e pensando nessa construção curricular mas quando a gente focaliza né eh a gente deixa de pensar que as crianças também são parte dessa construção e como elas vão fazer parte dessa construção né Eh Eu
sempre gosto de contar de uma experiência minha na rede eu era recém-chegada na escola e eu tinha 17 anos quando eu entrei pro município do Rio e o meu primeiro susto foi ver 35 crianças numa turma né e eu falava assim meu deus o que que eu faço com isso agora né como é que eu eu o parto da onde para fazer o quê E aí você né ainda com uma outra concepção de escola pensando que eu acho que é isso né a gente que é professor a gente vai se construindo eu perguntei pro eu
eu queria estudar com as crianças o que que tinha dentro do corpo da gente e aí eu fui munida de tudo que eu tinha em relação ao corpo levei tudo que eu tinha tava guardada numa bolsa assim do lado sentei com as crianças em roda porque embora eu ainda concebesse esse currículo pronto dado e acabado eu me per ouvir as crianças e aí a primeira pergunta que eu fiz foi crianças eu trouxe uma surpresa mas primeiro eu queria ouvir de vocês o que que a gente tem dentro do nosso corpo aí um pequenininho levantou o
dedo para mim e falou assim vida esperança e medo Aí eu disse assim que que eu faço com isso que eu trouxe né E essa é a escola da imprevisibilidade né foi naquele momento assim que eu comecei a entender que era preciso construir verdades saberes absolutos e dialogar com essa escola que se faz no cotidiano essa escola do encontro essa escola que entende que essas crianças são construtoras de currículo e que vão fazer isso junto com a gente né E aí na Minha tese eu faço esse exercício que é de olhar pra escola pensando nesse
processo de construir currículo a partir do que as crianças trazem a partir do que as crianças enunciam né então acho que assim eu poderia compartilhar um monte de histórias aqui sobre esse movimento que é de eh ouvir essas crianças colocar esse currículo em disputa porque eu acho que isso é importante né a gente tem quando eu tô dizendo colocar o currículo em disputa e eu acho importante Trazer isso aqui eu fui lá estudar o currículo carioca né Eu fui lá estudar eh os referenciais né que a gente sabe que embasam o nosso currículo e eu
e o que eu tô dizendo aqui quando eu falo de currículo da imprevisibilidade não significa pegar o ccul carioca rgar e jogar no lixo não é pegar as diretrizes curriculares amassar e dizer isso não serve agora que diálogo É possível estabelecer com esses documentos que não apaguem essa criança que não deixem de fazer com que esse professor pense sobre o fazer pedagógico porque a gente precisa de uma diretriz mas a gente também precisa se desconstruir quando essa diretriz naquele momento tá levando a gente para um outro lugar né então assim Quais são os caminhos né
eu lembro que eu voltando de umas férias com as crianças tinha sido o momento de lançamento de um filme as crianças estavam muito interessadas naquele filme queriam falar sobre o filme eu tinha uma proposta eu tinha o meu planejamento Porque isso é uma outra questão importante eu não tô aqui defendendo o currículo do acontecimento que joga fora um planejamento docente perfeito porque é do imprevisto e não do improviso né é muito importante a gente a gente ter e identificar essas diferenças né a gente tá do imprevisto mas ela não é do improviso exatamente a Eu
acho que isso é muito importante a gente pensar Então eu tinha o meu planejamento mas as crianças queriam falar sobre o filme que tinham assistido E aí eu abre espaço para ouvir as crianças falarem desse filme e E aí era um filme que na verdade estava sendo reeditado E aí eu falei assim vocês sabiam que quando eu era do tamanho de vocês eu assistia esse filme aí eles começaram a ficar curiosos né E aí eu falei assim ah mas na minha época não tinha Inter não tinha celular e aí as crianças assim arregalaram fal como
não né como era possível o mundo assim teve um menino que perguntou assim Maria Clara você fazia como no trem porque ele ia de trem pra escola para passar o tempo você levava uma televisão né se não tinha celular não tinha internet e aí muito engraçado que eles estavam curiosos em querer saber sobre o filme e mudaram totalmente o sentido quando eu comecei a falar e a provocar sobre essa coisa do tempo e aí uma das Crianças falou assim eu acho que a gente podia estudar sobre o presente o passado e o futuro aí eu
fiquei assustada eu falei meu Deus eles têm 5 anos como é que eu vou falar sobre presente passado e futuro porque né é tão complexo falar sobre o tempo e aí eu fiquei tentando explicar conceitualmente pras crianças onde se localizava o presente o passado e o futuro e as Crianças assim eu não tô entendendo né aí um menino disse assim Maria Clara posso tentar explicar Aí eu falei Pode Aí ele disse assim gente presta atenção desse jeitinho mesmo o passado é essa vida aqui só que um pouquinho para cá ó e aí fez todo sentido
pras crianças né então acho que é esse espaço que eu a gente não pode perder de vista que as crianças Elas têm muito para ensinar pra gente e aí eu fico sempre pensando assim né o quanto que a gente eu na minha formação fui constituída Como aquela professora que não podia dizer que não sabe e esse assunto eu não domino Ah isso eu não sei eu tinha sempre que ter uma boa resposta para compartilhar hoje eu falo com muita tranquilidade para as crianças eu não sei sobre isso eu acho que a gente pode pesquisar junto
eu acho que a gente pode descobrir junto eu acho que tem um caminho pra gente descobrir porque aí as crianças quiseram também entender por exemplo sobre esse presente passado e futuro e a gente foi pesquisar junto né No final das contas a gente construiu gente uma máquina do tempo que todo mundo cabia dentro que tinha foto deles envelhecidos porque a gente fez no aplicativo como eles estariam no futuro toda uma construção em que ali todas as linguagens estavam envolvidas num currículo que a gente faz com estudando currículo carioca eu vi lá são vários objetivos em
que todos os campos de experiência estão em diálogo porque a gente não consegue deixar o corpo do lado para falar da linguagem porque a gente não vai separar en caixinha esses conhecimentos eles estão ali o tempo todo em diálogo Então nesse projeto por exemplo a professora de música com cantou com eles as músicas do tempo da infância a professora de educação física foi trabalhar com as brincadeiras que os avós e os bisavós trabalhavam a professora então a gente professora de informática foi muito interessante levou levou pras crianças dis sket computador antigo quando Eles olharam o
disquete eles falaram assim isso é um pend drive grande né fazendo referência aos conhecimentos então a gente foi de um projeto que uma criança diz eu quero estudar o presente passado e futuro e a gente foi integrando ali todas as linguagens possíveis né então o currículo para mim é isso é um currículo de vida é um currículo que acontece junto é um cur que permite desvios é um currículo que escuta o outro porque que também não tá escrito nesse currículo que não é permitido os desvios né É engraçado porque a gente a gente pega e
a gente se pega muito enquanto Professor tendo esse currículo como um isso aqui que vai nortear o meu trabalho que vai fazer o meu planejamento eu vou me basear né em cima dessas dessas dessas colocações dessas diferentes dimensões mas não tá escrito no currículo que a gente não pode né Pass esse currículo ele precisa passar por essa criança né quando você você trouxe uma outra questão aí eh a gente nas a gente tem um programa eh na na cip que é conversas com a cip e a gente nessas conversas com a cip a gente já
teve participação de várias pessoas né de várias pessoas importantes que falam sobre educação infantil que conversam sobre infância e aí eu vou trazer para você uma colocação porque quando você fala né que é importante a gente ouvir essas essas histórias né dessas crianças é trazer o que elas têm né Elas têm elas são né Elas não não vão se tornar elas já são eh que é da ta Melo e ela coloca ela fala da seguinte coisa a primeira história que precisa ser contada na escola é a história das Crianças só se constrói outras histórias dentro
dessas unidades escolares né dentro dessa educação que a gente fala da Educação Infantil depois que a gente ouve as histórias e aí me remeteu uma experiência que eu também tive enquanto eh pa num num espaço de Desenvolvimento Infantil E aí a gente enquanto pa vai visitando as salas vai entrando nas salas para conversar com os com os professores né E aí eu entrei no meio de uma atividade aí eu fiquei parada na porta aguardando e ela tava falando gente então cheia de fruta na mesa e falou assim gente Então olha a gente hoje vai falar
sobre a feira vocês conhecem a feira aí ele sim aí ela super feliz Tava tudo no planejamento dela tava tudo ótimo era isso mesmo que ela queria era essa a resposta que ela queria Então Gente o que que vende na feira tinha muitas frutas em cima da mesa só que as crianças não falaram das frutas as crianças falaram das feiras que acontecem nos territórios E aí eles falaram nas feiras vem de meia na feira vende pilha na feira vende sapato vende roupa tem dis e ela entrou em Pânico porque não era a resposta que ela
tava aguardando né então é pensar nesse currículo que não é uma resposta dada a gente não não vai trabalhar as diferentes dimensões ou pensar as diferentes dimensões que compõe esse currículo e de forma dada né eu vou eu vou fazer isso porque eu quero que no final ele me responda isso né Eu acho que é disso que a gente tá falando dessa imprevisibilidade que essas crianças já trazem já são né é como que eles deslocam a gente desse lugar né Desse suposto saber e e esse diálogo que você traz né o quanto é importante a
gente pensar nesse diálogo com o território quanto que isso é fundamento hoje das nossas experiências porque é isso assim eh essa criança quando chega ela chega com uma história né ela chega com tudo que a a vida com a vida que ela tem com as histórias que ela tem então essa história não pode ser desconsiderada dentro da escola né E aí assim como que a gente também coloca essas histórias em diálogo em conversa e eu lembro de uma criança na época era eu era orientadora pedagógica e o sonho dele era ter um bolo de aniversário
ele nunca tinha tido um bolo de aniversário e aí a professora vai e conversa com essa criança e sai à rua com ela pede autorização à mãe vai no mercado compra os ingredientes do bolo faz esse bolo com a criança na escola e aí manda esse bolo para casa porque ele na verdade o sonho dele era fazer dois bolos um para comer na escola e compartilhar e o outro para levar para casa né E aí a professora faz esse movimento com ele de fazer o bolo de E aí ele faz o bolo leva para casa
faz o bolo para compartilhar com os amigos na escola e isso chega em casa né para uma mãe que nunca tinha dialogado com a escola por meio da agenda Porque ela tinha dificuldade na escrita e ela diz assim muito obrigada Ele chegou muito feliz aqui ali a história daquela criança muda muda porque ele começa a entender que a escola é um lugar para ele dele que ele pode levar a história dele que ele pode compartilhar os desejos as vontades porque muitas vezes também a gente pensa num projeto só num projeto coletivo e às vezes você
precisa pensar num projeto individual porque aquela criança tem uma necessidade que é diferente que é específica e eu vou ter que encontrar um caminho de dialogar com ela então assim eu acho que essa possibilidade da gente pensar na singularidade dos sujeitos é muito importante porque é entender que embora a gente precise se se constituir um coletivo esse coletivo é formado por sujeitos singulares né e despertar esse esse interesse pelo grupo é alguma coisa que a gente constrói também eh eu falei que eu tenho muitas histórias Vou compartilhar mais uma uma aluna minha fugiu do refeitório
E aí ficou no parquinho aí eu fui atrás dela e falei olha só agora a gente tá almoçando e você tá sozinha aí você precisa se juntar ao seu grupo aí ela virou-se para mim e disse assim mas Maria Clara eu não tô mudando a rotina de ninguém eu tô mudando a minha E aí Aquilo me provocou no sentido de pensar assim por que que aquela criança tem condições de dizer aquilo para mim porque a gente foi criando coletivamente uma estrutura né de de se pensar escola de se pensar currículo que dá para ela essa
autonomia mas ao mesmo tempo ela faz parte de um coletivo Então quais são as negociações que a gente faz para dizer para essa criança eu tô te entendendo eu tô te escutando eu tô valorizando o que você tá dizendo mas você também precisa me escutar e aí É nesse sentido sabe que eu acho que a gente precisa entender que a gente também é protagonista desse currículo porque tem hora que a gente vai precisar dizer não gente e e assim pra gente também não cair em discursos muito polarizados de que não mas agora eu gente quando
eu entrei na rede eu como eu falei eu tinha 17 anos eu estava com uma turma de terceiro ano e aí quando eu cheguei o discurso que circulava na escola era assim não pode mais usar caneta vermelha porque agora o conceito de que a criança constrói o conhecimento Então as coisas chegam e a gente recebe a gente não dialoga com aquilo que chega e eu tava chegando na escola sem entender aquilo e aí você vai Parando para refletir mas não pode por quê então a gente precisa também se sentir provocado o tempo inteiro né e
o currículo tem que fazer isso com a gente eh muitas vezes a gente tá num mento lá de produção com as crianças e chega alguma coisa que não é o que a gente tinha pensado a gente sabe que isso acontece né ah agora o projeto da rede é esse ou o projeto da Coordenadoria é esse E aí eu sempre ficava assim então vamos lá a gente tem duas coisas aqui a gente tem aquilo que tá acontecendo que a gente tá dialogando e a gente tem aquilo que nos chega como é que a gente dialoga com
aquilo que chega sem quebrar essa relação que a gente tá estabelecendo aqui porque existem caminhos possíveis né então por isso que eu acho importante a gente pensar não é jogar fora os parâmetros não é jogar fora aquilo que a gente constrói enquanto documentação pedagógica é pensar por exemplo na importância do projeto político pedagógico para essa construção curricular porque se eu tenho um projeto que fundamenta o meu fazer pedagógico eu sei quais são as possibilidades de desvios né porque assim é isso eu não vou inventar a roda mas eu eu sei que eu tenho brechas e
espaço para construir essa história também em diálogo com essas normatizações que a gente entende que fazem parte do currículo também perfeito Bom agora eu vou abrir aqui pros nossos os nossos participantes que a gente tá aqui falando falando falando a gente não deu nem oportunidade ainda PR os participantes poderem falar pode falar É Então né a gente pensando essa criança né enquanto curricula né esse Território que é um território potente a escola enquanto esse espaço que tem impresso rastros e marcas de todos que ali habitam né Eh eu fico o tempo todo pensando também dialogando
né com os espaços pelos quais eu passei Mangueira Maré Caju morro do pinto como que a gente consegue eleger né Desse território aquilo que cabe a aquilo que pode entrar nos muros da escola né pensando eh nas comemorações nas festividades como que a gente elege aquilo que é importante para aquelas infâncias presentes e passadas pensando na questão do anterior do hereditário né Eh que vai fazer parte desse currículo como que a gente consegue fazer essas escolhas no coletivo Então acho que você traz uma questão bastante provocativa né porque eh a gente já foi muito o
nosso currículo já foi muito pautado nas datas comemorativas e a gente sabe que isso é uma coisa que ainda existe em grande parte né E aí quando a gente fala desse currículo pautado em datas comemorativas a gente tá falando de uma construção que não é Nossa a gente tá falando de uma construção né que vem de algum lugar que vem de repente de uma história de uma tradição mas que muitas vezes não faz sentido para aquela para aquela realidade para aquele coletivo né E e aí assim a gente precisa tomar muito cuidado porque muitas vezes
a gente habita determinados espaços com esse conceito bastante enrijecido de que não a gente desconstruiu isso a gente não trabalha com datas comemorativas E aí essa comunidade chega pra gente e diz assim mas essa festividade aqui faz tanto sentido pra gente como é que a gente não vai fazer isso né então obviamente eu já passei por muitas experiências como essa E aí eu acho que o melhor caminho é esse que a gente tá propondo aqui é o do Diálogo porque você precisa entender Qual é a importância disso para essa comunidade como um todo para essas
crianças para esses docentes que chegam nessa escola para esses docentes não para esses responsáveis e para esses docentes que acanham essa escola até porque a gente fala por exemplo do projeto político pedagógico muitas vezes essa marca tá lá no PPP não nós não trabalhamos com datas comemorativas mas quando a gente escreve um ppp ele é para sempre né De quanto em quanto tempo a gente precisa rever eu diria gente que se a gente tivesse tempo a gente temha que fazer isso tempo inteiro porque hoje a gente tem uma realidade amanhã chegam outras crianças outras famílias
essa realidade ela muda o tempo inteiro é óbvio que a gente não vai fazer isso documentalmente não tem como a gente tá o tempo todo recriando esse documento Mas tem como a gente dialogar com esse documento na prática isso também é currículo isso também é rediscutir currículo né então assim que eu acho que a gente precisa pensar é que essas certezas que de repente a gente carrega precisam ser dialogadas esse é um caminho importante mais alguém olha sim uma fala interessante né que você trouxe essa questão do dos documentos né que respaldam nosso trabalho e
aí acrescentando né esses documentos eles nos constituem enquanto profissional né de educação infantil sobretudo e quanto importante a gente ter sempre bem amarradinho pertinho da gente para poder eh respaldar a nossa trabalho né na educação infantil E aí conversando com as datas comemorativas que às vezes né a gente ainda vê uma dificuldade de avançar nesse sentido né e eh passa também pela questão de entender esse território né esse Território que também educa né essas crianças que trazem né Eh muitos conhecimento do do território que habita e que vai ser diferente né Eh de outros espaços
né do complexo Alemão vai ser diferente da maré vai ser diferente da escola lá em Copacabana em Santa Cruz e aí ter o olhar sensível para essa criança né para perceber Qual é o território que ela pertence Há quanto tempo ela faz parte desse território ou de qual território ela veio que ela traz muitos conhecimentos também eu acho que e esse ponto ele é crucial pra gente D vida a esse currículo né que a gente tanto fala que a gente tanto estuda trazer mesmo né esse olhar sensível para essa criança que faz parte desse Território
que é um sujeito e que dá vida para esse currículo que a gente né que eu amei esse conceito de criança curricula né e eu acho que a vida ela é dada esse currículo a partir desse olhar sensível para essa criança desse território eu acho que você faz uma provocação que é por exemplo se a gente pensar hoje O que que a gente tem como uma das normatizações que a gente tem é a base Nacional comum curricular né E aí fazendo essa provocação que a gente tá se fazendo aqui de que a gente não tá
jogando esse currículo instituído fora mas que a gente tá dialogando com eles Eu sempre faço essa pergunta porque ela me provoca eu acho que ela precisa nos provocar o que que é comum o que que é nacional quando a gente fala de um país da extensão territorial do nosso então Eh se existe ali uma intenção de e trazer pra roda algo que nos torne comum precisa existir na leitura que eu faço uma força maior que é aquela que marca as nossas diferenças então o diálogo com a base ele tem que ser negociado o diálogo com
os currículos tem que ser porque senão é só implementação e currículo não é implementação currículo é diálogo Então essa provocação a gente precisa se fazer o tempo inteiro se eu penso por exemplo nas escolas que eu já trabalhei e que eram localizadas em territórios próximos eu vou falar de realidades completamente distintas então assim como eu posso querer que o meu aluno lá da né na minha época Na oitava creer que tinha uma realidade específica traga as mesmas referências viva as mesmas experiências que os alunos de vocês que estão em outros lugares em outras redes com
outras relações Então isso é muito importante da gente problematizar né que a gente vai ter sim esses documentos que de alguma forma constrangem as nossas práticas no sentido de que trazem uma referência mas eles não podem ser camisa de força a gente tem que criar um diálogo com esse esses documentos e entender como que as crianças se posicionam nesse diálogo o quanto que é importante também a gente entender né que o que que tá em disputa aí o que que tá em diálogo quando a gente tá pensando nessas comemorações né é o desejo só das
famílias é o desejo só das crianças como é que a escola né se posiciona diante dessas demandas que chegam E aí essas demandas é o imprevisível são né Se a gente for pensar sim é essa imprevisibilidade do currículo Então se a gente entende por exemplo que datas que são tidas como datas comerciais não deveriam estar nesse currículo que a gente constrói dentro da escola mas de alguma maneira existe uma demanda da comunidade escolar para que isso se faça presente como que vai se fazer presente de que forma né como é que a gente dialoga então
com isso para que a gente traga pro currículo aquilo que tá no território faz s pra comunidade mas não é uma resposta a um apelo comercial exclusivamente então é importante a gente sempre problematizar porque senão a gente vai pra curvatura da vara ou a gente retoma para aquele discurso de que a escola se faz com datas comemorativas Eu já ouvi muito isso assim né ah mas a Gente Tá negando pras crianças um conhecimento que todo mundo tá vivendo se você sair ali vai est todo mundo vestido com o coelho com Mas como que a gente
significa isso né Quais são os sentidos que a gente constrói em função dessas comemorações e que de repente a gente pode né trazer outras referências outros debates para dizer olha a gente até pode falar sobre isso mas vamos significar a partir da escola também como que a gente trabalha essas datas ou como que isso vai entrar no nosso currículo né então eu eu eu vou voltar pra ideia do negociado do Diálogo pra gente entender que não é alguma coisa que a escola determina que é importante porque também pode acontecer desse jeito não olha a a
minha escola entende que essa data é muito importante não pode sair essa data é muito importante essa mas o que que a comunidade entende o que que os pais entendem como é que a escola dialoga e como é que a escola traz essas referências como fundamento desse curul eu acho que um outro ponto também que a gente precisa pensar é se essa Em algum momento se essas datas que a gente tá comemorando ela exclui alguém se ela exclui um a gente precisa rever né então é Eh vou dar um exemplo aqui né a gente tem
lá a gente eh historicamente se faz a comemoração do dia dos pais todos TM pais se tá excluindo um a gente precisa rever por exemplo eu já tive numa escola que a gente falou assim gente mas Natal quem não comemora Natal um monte de gente O Judeu por exemplo não comemora o Natal E aí a gente entende aquilo como uma data comum que todo mundo celebra da mesma forma então por isso que eu acho que é importante criar sentido para aquilo que a gente deseja comemorar de que forma como é que a gente dialoga com
isso e gente a gente pode comemorar por exemplo um dente que caiu a escrita de um livro não precisa ser uma data comercial é o que que faz sentido nessa estrutura nessa construção curricular nesse currículo que a gente entende que é acontecimento que é imprevisibilidade então a gente as crianças vêm pra gente né assim com com com as questões mais mirabolantes mais legais e aí a gente como é que a gente dialoga com isso a gente lá na lá na escola a gente tem um pátio e com uma árvore tinha um passarinho que ele ficava
rodando aquela árvore né E aí alguém vai se identificar com isso que as crianças começaram a ficar preocupadas que o passarinho não tinha casa que ele ficava cansado de voar porque não tinha pouso Então as crianças quiseram construir a casa do passarinho para que ele tivesse um lugar para pousar né E essa construção deu sentido a uma comemoração a um momento de inauguração da casa do passarinho isso é data comemorativa Então acho que a gente tem que tomar cuidado para não localizar isso nas datas comerciais em que o mercado entende que precisa porque a gente
sabe tem data que é os Comerciantes dizem né Essa é uma das datas mais lucrativas pro comércio e a gente vai fazendo dessa experiência uma experiência dentro da da escola quando não faz sentido tá lá dentro né então acho que é um pouco isso assim perfeito mais alguém é e dentro disso que a gente tá conversando aqui de pensar no sentido dessa data é importante também pensar nessas polarizações que a gente no dia a dia faz tanto a polarização de agora é desse jeito Agora não é mais desse jeito Agora vai ser assim agora eu
comemoro agora eu não comemoro você fala falando sobre comemorar o dente que caiu ou comemorar sobre a casa do passarinho eu lembrei de uma comemoração que a gente fez e na creche que as crianças brincavam com uma boneca a boneca foi batizada com o nome da porta bandeira a da da esquel E aí as crianças brincando todo dia com a esquel esquel ia tomar café esquel ia pro refeitório esquel ia nas outras salas e a esquel tinha a bebê esquel tinha que ter um aniversário Então essa comemoração do aniversário da bebê esquel que surgiu numa
turma de maternal do ampliou pras outras turmas Então se vai ter festa de aniversário a gente vai fazer o bolo berçário vai poder fazer o quê ai o berçário vai fazer o suco e o outro Maternal um ai a gente vai fazer biscoitinho amanteigado Então essa a construção da receita a o convite escrever o convite né queremos convidar todas as crianças da creche para participar então toda essa construção que começou da brincadeira com a boneca que foi batizada que ganhou o nome que virou a bebê esquel e ela precisava ela fazia parte ali do do
nosso cotidiano Então ela precisava de uma festa então a gente na época pensou muito isso assim né que quando a gente começou a construir os os projetos na creche tinha muito essa necessidade de Tá mas a gente não vai mais comemorar n Vamos a gente vai comemorar o aniversário da bebê esquel então a gente teve a união das turmas a esquel port Bandeira foi lá para dançar Então essas parcerias essas negociações como você colocou é importante pra gente pensar né e eu queria também perguntar para você sobre esse processo de construção da criança que é
protagonista que constrói currículo é a parte do registro do registro desse currículo construído com as crianças que é uma coisa que no dia a dia a gente tem esse tá mas eu tô construindo aqui essa narrativa Mas como que a gente registra como que a gente apresenta né esse esse trabalho pensando né nessa nessa ideia que você traz de registro né Eh essa é uma prática que eu não consigo abrir mão primeiro porque eu acho que conforme os anos T passado eu tô ficando muito esquecida mas no não é só por isso né é pela
importância que o registro tem nessa construção né E aí porque assim o que que é fazer um relatório de educação infantil né e eu vejo na escola é o momento do desespero meu Deus eu tenho que escrever porque mas por que que é o momento do desespero porque a gente não se organiza e eh registra ao longo do tempo e aí parar num determinado momento e ter que registrar né É muito mais difícil então por exemplo quando eu faço meu planejamento eu tenho lá as minhas intenções eu tenho os meus objetivos e aí passou aquela
semana eu retomo aquele planejamento e eu digo assim isso aqui a gente conseguiu isso aqui a gente não conseguiu aí eu pego o planejamento da semana seguinte eu começo meu planejamento com uma contextualização que é o seguinte tínhamos planejado isso isso isso isso mas a partir das nossas relações dos nossos diálogos da nossas construções desviamos algumas rotas mudamos alguns caminhos e para essa semana a nossa intenção é essa essa essa e essa Posso falar uma coisa para vocês com tranquilidade eu nunca consegui chegar ao fim de uma semana tendo cumprido o meu planejamento mas ele
tava lá e eu tava em diálogo com ele agora eu estava aberta para que as crianças estavam trazendo Então esse sentido que precisa fazer parte também E aí por exemplo resgatando a a coisa do relatório né Por que que o relatório ele precisa ser processual porque o relatório conta uma história o relatório ele não não é construído pra gente dizer assim meu meu fulaninho ali não faz Ou já faz consegue ou não consegue atingiu ou não atingiu eu acho que a gente precisa acreditar que essa visão tá superada embora a gente ainda veja isso de
forma muito recorrente mas esse é o nosso desejo e aí compartilhando mais uma história eu tava sentada no computador digitando um relatório que era um compêndio de todos os registros que eu tinha isso eu tava fazendo na escola num tempo que eu não estava em regência chega uma criança perto de mim e diz assim Maria Clara O que que você está fazendo aí eu falei assim estou escrevendo um relatório E por incrível que pareça era sobre a criança que tinha acabado de me perguntar sobre você aí ela diz assim para mim o que que é
um relatório aí eu comecei a conversar com ela um relatório é um que traz coisas importantes sobre o que você viveu e aí ela diz assim Pode ler para mim aí naquele momento eu falei caramba Será que essa linguagem tá adequada para essa criança vou ler e aí eu comecei a ler o relatório fulano de tal aí numa determinada parte do relatório tava assim seus melhores amigos são E aí eu li três nomes Aí ela disse assim pode parar tá tudo errado não são esses os meus melhores amigos eu queria que você reescrevi foi muito
interessante que a gente começou a pensar também no relatório como parte desse currículo e o que que a gente fez gente foi um exercício super difícil mas foi possível a gente sentava com cada criança e Lia para ela o relatório e aí ela diz assim concordo com essa parte não concordo com essa não entendi o que você disse e agora eu quero dizer o que eu quero que que entre aí e aí tinham coisas mirabolantes assim né mas tava lá no relatório o meu olhar sobre elas porque isso também faz parte porque eu também sou
protagonista dessa história mas tinha a visão das Crianças sobre o que eu tava dizendo então em alguns relatórios tinha as crianças dizendo assim eh a Maria Clara disse isso mas eu queria falar isso assim assim assim e quando a gente entrega isso pros pais a gente diz olha vocês podem estranhar determinada fala mas isso é uma construção Nossa então dá protagonismo paraa criança gente não é d só na hora que a gente quer porque é muito provocativo uma criança chegar e dizer assim o que que é um relatório o que que você faz com isso
E aí eu dizer assim eu tô escrevendo uma coisa que fala sobre você e não falo para você o que que é não é um exercício fácil gente não é E aí a gente pensa por exemplo nas classes numerosas mas minimamente a gente quando a gente faz pesquisa né mestrado doutorado a gente fala sempre sobre a devolutiva da pesquisa Ah eu tenho que devolver pro campo e por que que a gente não devolve pras crianças né então acho que é importante a gente est sempre nesse lugar de se repensar né não perfeito assim eu vou
até adorao a gente gente Eu e Você Nós somos boas contadoras de História porque a gente tem bastantes histórias para contar né eu também ainda enquanto PA de uma unidade que eu estava eh pensando nessa nessa escrita que é tão tumultuada ainda para esse professor desse relatório e de como esse professor coloca quem são essas crianças nesse nesse nesse relatório né do não conseguiu ele não tem autonomia ele não não não não não e aí pode parar vamos junto eu me conta como é que é esse aluno seu porque quando você vai contar sobre o
outro você não vem dizendo que ele não consegue que ele não diz que ele não não se desenvolveu você fala o contrário ele é assim ele faz isso você trabalha com as potências das crianças né E essa história de poder conversar com as crianças sobre o rel incrível vai o Alace profundamente tocado todas essas as falas de vocês me tocam profundamente Ah eu acho que é muito difícil a gente falar de currículo sem contar história fazer currículo é é escrever histórias é compor histórias com as crianças histórias das relações das construções de saberes dessas crianças
Ah você traz eh e Os relatos que vocês trazem me tocam muito porque assim eu já tenho eu tenho as minhas histórias e elas vê elas vê né eu sou eu sou apaixonado por escutar crianças eu sou apaixonado por brincar com crianças sabe E aí eu tenho essa coleção de de de histórias com elas também sabe e me toca muito sabe Maria Clara quando a gente fala de registros e relatórios porque a gente precisa eh a gente precisa pensar que quando a gente fala de criança a gente fala de um grupo que é minorizado socialmente
né E quando se trata de registros e relatórios Eu acho que um são as ferramentas que nós educadores que temos uma responsabilidade política social com essas infâncias de tornar elas existirem socialmente sabe de a gente dar visibilidade pras potencialidades delas né da capacidade imensa que elas têm de renovar a história da humanidade eu acho que essa que é a é a questão e quando toca a questão dos registros e dos relatórios eu acho que essa é uma das nossas grandes ferramentas sabe de tirar as crianças de um certo Anonimato que a gente ainda vê né
em termos de de invenção de potência de capacidade de reescrita dessa história eh eu tô tô profundamente tocado pela fala de todos vocês assim tô pensando numa forma de contribuir Eu acho que eu acho que é esse lugar que a gente precisa retomar de ser coautor dessa história desse currículo com as crianças eh e você toca também a questão do planejamento eu fico com algumas perguntas na cabeça sabe eh sobre esse planejamento que a questão é a gente quando a gente discute as questões do planejamento o que a gente mais fala de um planejamento que
é flexível mas eu fico me perguntando quem é que tem que ser flexível o planejamento quem escreve o planejamento quem pensa o planejamento né eu penso que a mim enquanto Professor cabe o papel de aquele que tá na relação que vive a experiência de uma docência eh de uma docência como é que eu posso dizer de uma docência relacional mesmo de uma docência que é a criança que também me ensina como essa docência ela vai se dar né e ao passo que e a passo que é muito importante também eu olhar para esse planejamento como
um abrangente eu preciso ser flexível e esse planejamento abrangente a ponto de poder caber nele o infinito sabe caber o infinito que trazem as crianças as infinitas possibilidades que elas trazem com os saberes do território com os saberes com as suas com as suas culturas né Eh esse jogo que elas fazem com a nossa cultura adulta que é pegar brincar e transformar né pela cultura de pares de que a sociologia da infância fala tanto eu fico com essa questão assim quem precisa ser é flexível planejamento ou eu adulto que projeta que se pretende sonhador de
currículo com essa criança é eu acho que os dois a gente precisa ser flexível e a gente precisa entender que esse planejamento se faz de maneira flexível eu vou voltar pra provocação que eu fiz lá no início em diálogo com derd que é sobre a hospitalidade né E aí eu fico sempre perguntando se esse currículo ele hospeda ou ele estrangeira o que que é chegar num lugar que você não conhece né O que que a gente por exemplo viajar para um outro país que a gente não domina a língua como é que a gente é
recebido E aí o derd ele vai dizer o seguinte eh é impossível ele trabalha com uma ideia de aporia porque ele vai dizer sobre possibilidade e impossibilidade então ele diz que ao mesmo tempo que é impossível você acolher esse outro de uma maneira assim sem exigir minimamente saber quem é esse outro ou seja de uma de com uma hospitalidade Incondicional ele vai dizer é impossível você não recebe ninguém sem minimamente perguntar da onde ele vem quem ele é mas ao mesmo tempo que é impossível é perseguí Ou seja é necessário que a gente embora reconheça
impossibilidade de receber esse outro de uma maneira absolutamente eh aberta a esse outro a gente persiga esse desejo a gente persiga essa vontade então o derd me ajuda muito a pensar nesse sentido assim o que que a gente tem feito com as crianças que chegam pra gente a gente a gente nessa escola é hóspede ou é estrangeiro essas crianças nas escolas São hóspedes ou são estrangeiros e essa fala e isso me provoca uma aluna uma vez vi uma professora chegando nova na escola uma criança 5 anos e aí ela disse assim pra professora Você é
nova aqui já tem aí uma condicionalidade porque ela tá perguntando quem é ela né aí ela disz ou ela falou fica calma você vai ser bem recebida todo mundo aqui é legal então embora ela coloque uma condição ali ela se abre para essa escola que é hospitaleira essa mesma criança Entra na sala e diz assim essa sala não tá legal eu preciso renovar essa sala com flores e borboletas O que que você faz com uma criança que quer renovar um espaço com flores e borboletas você diz assim não tem nada a ver isso com o
que a gente está fazendo ou renovar com flores e borboletas então é essa escola que estrangeirização vindo aqui conversar com a gente agradecer aos participantes dessa roda que fizeram Esse círculo girar essa roda girar muito obrigada também a todo mundo a gente quer fazer um agradecimento especial ao subsecretário Adriano Giglio ao secretário Renan Ferreirinha a equipe da seip que tá aqui com a gente da de toda a Coordenadoria um agradecimento mais uma vez especial para você um agradecimento à equipe da multirio que tá com a gente aqui A gente deixa eles enlouquecidos e a gente
quer agradecer também ao Capiberibe 27 que nos acolheu nesse espaço incrível aqui que vocês estão vendo muito obrigada E agora com vocês continuem essas discussões dentro das unidades escolares não esqueçam de sinalizar a gente com as hashtags né JP 15 anos da J da JP são coisas que vocês já estão acostumados a fazer vamos fazer essa roda deai na escola muito [Música] [Aplausos] obrigada k [Música] [Aplausos]