Será que a versão do despertar espiritual que te contaram nunca foi a história completa? A maior parte do que nos dizem sobre despertar soa como uma propaganda de iluminação. E quando nós embarcamos nisso, nós embarcamos contando com experiências lindas, positivas.
E sim, elas existem, mas são apenas uma seleção dos melhores momentos. Ninguém te prepara para o que vem depois. a confusão, os colapsos, os relacionamentos que vão se dissolvendo, a sensação de que existe algo de errado com você, mesmo que no fundo você sente que tem algo certo, é aquela coisa de algo de errado não está certo, mas hoje, em alguns minutos, eu vou organizar com você esse quebra-cabeça e te ajudar a entender o que que acontece por trás nos bastidores, nos bastidores dessa edição de pura luz.
E eu quero te ajudar como atravessar esse período sem amplificar essa dor e também se abandonar. Mas primeiro deixa eu te contar de uma fase que eu lembro de que eu estava fazendo tudo certo, meditando livros espiritualizados, práticas espirituais. Contudo, em contrapartida, eu estava mais ansiosa, estava me sentindo mais desconectada e a sensação era louca.
desconcertante, porque parecia que eu era a única pessoa no mundo inteiro dentro dessa jornada do despertar espiritual, em que o meu despertar não era lindo, bonito, maravilhoso, iluminado. Só depois de atravessar isso e também de ajudar pessoas a atravessarem esse período, é que algo foi ficando muito nítido. O que acontece é que a maioria não quer e nem nunca vai admitir que está sentindo que está piorando em um caminho que teoricamente era para estar melhorando tudo.
Parece que existe um acordo invisível nesse meio espiritual, ó. Só vamos falar das partes de expansão, não das quedas. Se fala muito da consciência expandida, elevada, e eu também falo aqui nesse canal sobre isso, mas eu procuro trazer o outro lado também da história, quando a identidade começa a ruir, quando você começa a sentir essa desorganização.
Mas se você estudar a fundo, vai ver que em vários caminhos espirituais ancestrais, esse momento ele já é esperado ou até induzido. Mas hoje em dia, principalmente aqui no Ocidente, isso não ganha holofote. Contudo, eu quero trazer holofot porque esse momento ele não pode ser encarado como uma falha.
E para quem está vivendo isso, quem entra em sofrimento durante esse processo é encarado como uma falha. Porque o que acontece é quem está trilhando essa jornada e se depara com dor, com vazio, com sofrimento, pode encarar como falha. Mas esse momento é parte do processo, porém é varrido para debaixo do tapete.
Ele não ganha, não está na vitrine do despertar espiritual. O meu amigo Carry Jung, que estudou a fundo, mergulhou na psiquê humana, ele explica que quando você começa a ter um olhar expandido, ou seja, expandir a tua consciência, tudo aquilo que está aqui escondido não some, começa a emergir. Emoções antigas, conflitos não resolvidos, questões não perdoadas, partes suas nunca ganharam voz.
Então, ao contrário do que a propaganda do despertado espiritual oferece, nem sempre o movimento é se sentir melhor. Geralmente costuma ser outra coisa, costuma ser sentir mais. E u, isso é delicado.
Sentir mais é delicado para quem, como nós, a maioria de nós, passou a vida aprendendo a ser funcional, aprendendo a ser produtivo, aprendendo a ser racional, abafando o sentir. Então, quando nos deparamos com um momento assim, parece sim falha, retrocesso. E a nossa mente, ela tenta organizar isso rapidamente e pensa: "Eu estou fazendo algo de errado.
Eu me perdi ou está faltando fazer algo ou eu não deveria estar sentindo isso". Só que essa leitura mental, ela não consegue analisar algo que é essencial. Você não está sendo desconstruído, despido para viver quebrado.
Você está é deixando para trás versões suas que já não acompanham mais aquilo que está se abrindo, o caminho que está se abrindo para você. Cyung chama isso de o confronto com a sombra, mas não no sentido ruim, como eu já expliquei em alguns vídeos, como aquele torne-se quem você tem medo de ser, mas no sentido de tudo aquilo que ficou fora da luz que ficou ali escondido debaixo do tapete, enquanto você tentava sobreviver emocionalmente, tentava agradar, tentava pertencer, tentava ser aceito. E aqui tem um ponto importante que também não entra na vitrine do despertar espiritual.
Esse processo todo, ele não acontece apenas em espírito e na mente, mas também no corpo. Pode vir mais ansiedade, como aconteceu lá atrás comigo, ou você pode sentir uma tristeza sem causa aparente ou cansaço ou lentidão, ou essa sensibilidade emocional que acabamos de conversar. E também você observa uma sensação de não caber mais em espaços, em lugares que antes estava OK para você.
E por isso acontece da gente questionar e interpretar que está falhando, que está fazendo algo errado. Mas o ponto aqui é que o teu sistema inteiro está se reorganizando. Muitas vezes acontece com quem está querendo atravessar isso sozinho, é que diante de ver essa falha que acha que está falhando porque não está compatível com aquilo que falam do despertar espiritual, a pessoa aqui ela pode procurar uma saída fake, tentando voltar para aquilo que era ou então apressar as coisas, se forçando a vibrar alto quando o corpo, a alma está pedindo escuta.
E esse período aqui ele é precioso, porém a gente acha desastroso, porque não fomos avisados que seria assim. A gente não sabia que não ia ter uma placa, uma referência, um apoio. Então isso tudo parece desastroso.
Até aproveita e conta aqui nos comentários se você está passando por isso ou já passou por isso, esse também achava que seria um caminho de luz, ou se você já estava consciente que teria essa desconstrução, essa morte do ego, todo esse processo desafiador. Eu quero reforçar nesse vídeo a importância de sabermos, de estarmos conscientes de que o caminho do despertar espiritual não consiste em sentir emoções positivas. A expansão da consciência, ela pode não ser fácil e nem positiva.
Gente, não é fácil se desapegar das ilusões que a gente carregou a vida inteira. Não é fácil se desapegar de todas as percepções inconscientes que estão enraizadas aqui no nosso subsolo mental e podemos até encontrar grande dificuldade de reconhecer essas ilusões. Não é fácil tudo isso, porque além de ser difícil pra gente perceber, encarar as ilusões, se desapegar delas, ainda tem tudo isso que estamos conversando aqui, que a gente não foi avisado, mas tudo aquilo que está ruim pode piorar.
Eu vou trazer aqui uma reflexão, um questionamento que não vai ser nada confortável para você. Até curte esse vídeo antes de eu trazer essa reflexão, porque depois pode ser que você corra alegas, mas se você gosta desses assuntos, gosta de se observar, se questionar, refletir, se inscreve no canal, que aqui as nossas conversas elas abrem abas para novas perguntas, novos questionamentos, novas reflexões para seguirmos pela vida com mais lucidez, mais consciência. Então chega aqui comigo.
Será que quando escolhemos trilhar esse caminho de despertar espiritual, queríamos realmente despertar ou apenas queríamos nos sentir melhor? Porque essa caminhada, ela pode não ser um processo em que vamos nos sentindo melhor, está muito mais para um caminho em que temos que olhar para dentro de nós, honestamente. Então, continuando o questionamento, você já se perguntou se o teu chamado para se despertar vem de um lugar profundo que prefere enxergar a si mesmo e a vida com honestidade?
ou vem de um lugar que está buscando exclusivamente o bem-estar. Talvez essa é uma das perguntas mais desconfortáveis que eu poderia te fazer ou que você poderia se fazer, mas confia, fica aqui comigo. Não precisa trazer essas respostas já de forma imediata, mas carregue ela no seu coração.
Jung, ele dizia que quando a consciência se amplia, a psiquê, ela não responde com ordem imediata, nem de forma totalmente clara, mas ela responde com material que estava fora da luz, ou seja, as sombras, todo aquele conjunto de emoções antigas que não tiveram permissão para serem sentidas, todas essas partes de nós que funcionaram até agora no modo automático, porém agora elas começam a perder o comando. E por isso é tão desconcertante quando se está nesse caminho e é natural achar que se está regredindo. A motivação ela some, como nós conversamos no vídeo anterior, porque você perde a motivação durante esse despertar espiritual.
Se você não assistiu, vou deixar o link que lá conversamos justamente sobre isso, quando estamos em uma fase que é sem motivação, sem objetivos, sem desejos, sem sonhos, sem propósitos, sem vontade de fazer nada. Então esse todo esse entusiasmo cai, aquilo que antes te movia já não te empurra mais. Só que do ponto de vista da individuação, que é esse processo que Jung chamava de se tornar inteiro, sombra e luz, isso aqui, esse momento, não é queda, é a perda de um eixo antigo antes que um novo eixo se organize, esse eixo aqui mais da tua essência.
E durante muito tempo a tua energia, ela estava focada, organizada para sustentar papéis, expectativas, uma forma aqui específica de se mover no mundo, sustentada por aquelas engrenagens que geralmente ficam mais escondidas debaixo do tapete. E quando tudo isso começa a ser desconstruído, o corpo sente de uma forma assustadora e ele pode facilmente te levar de volta. Mais à frente nós vamos conversar sobre esse detalhe que é forte, potente, mas tem também a mente aqui que ela não vai entender, ela entra em pânico sem entender o que que está acontecendo, porque todas aquelas nossas narrativas e histórias vão derretendo junto.
Ai, isso dói. E essa dor, ela aumenta ainda mais se nós fizermos algo que geralmente a gente tende a fazer. E eu também vou falar mais à frente no detalhe sobre isso.
Mas voltando àquela questão de da onde vem o chamado, se é para se sentir melhor ou realmente para olhar para si mesmo com honestidade, também não é de toda forma que a gente vai entrar nisso para olhar pra gente com honestidade, porque é natural de nós humanos buscar prazer, mais prazer e menos dor. Isso é algo que faz parte da nossa estrutura humana, mas também dentro de você existe algo mais profundo que eu entendo como um impulso do despertar. E esse impulso é que nos dá coragem de continuar e também de escutar.
E esse impulso, ele pode ficar um pouco enfraquecido quando a gente fica diante de toda essa propaganda do despertar que faz a gente entender como se a gente fosse ganhar algo mais luz, mais paz, mais clareza, mais amor. Mas ao invés de ganhar, você pode observar que você vai começar a perder, perder tudo aquilo que não é essência. E de novo, isso é fica muito estranho e difícil, porque não se parece com a ascensão.
E ali no meio do caminho, você começa a perceber que muitas das coisas que você carrega e até as certezas que você sustenta tem mais a ver com acordos, coisas que você acordou, acreditou que precisava para você conseguir se encaixar, para você se sentir mais seguro, mais amado, mais reconhecido. Quando essa percepção aparece, não tem como desver, é como se uma cortina caísse. Por isso que falam que cai o vel das ilusões.
Ilusões não no sentido de loucura, é principalmente no sentido de histórias internas que a gente repete pra gente continuar funcionando. A minha personalidade é essa. Eu sou assim, eu sou esse tipo de pessoa?
ou aquela pessoa que fala: "Eu sou diabético, eu sou cardíaco ou eu tenho esse tipo de doença ou esse tipo de problema. Até mesmo eu gosto disso e eu não gosto daquilo, tudo carimbado, porque é como se você entendesse de alguma forma inconsciente até que se você for você mesmo na essência, o risco é muito alto. E quando todos esses rótulos, essas narrativas, essas historinhas, elas começam a derreter, a sensação pode ser muito desagradável, para não dizer terrível, porque elas tiram a estrutura, a tua estrutura, aquela que você manteve até então.
E isso impacta também no nosso corpo, como eu mencionei antes. E mais à frente a gente vai aprofundar isso porque é assustador como o nosso corpo reage nesse momento e acaba, veja bem decidindo por nós. Afinal a gente está nesse limbo sem estrutura, porque não é só uma crença que cai, cai toda aquela versão de você mesmo, aquela versão que se esforçava para tornar tudo estável, a versão que chamava de normal o mundo, a vida, a sua própria existência, porque aquilo era o que estava acostumado.
E a versão nossa que segura, abafa a nossa própria essência para não bagunçar a nossa vida. E aqui vem uma outra parte que o despertar espiritual, a propaganda, a vitrine do despertar não comunica. Quando as ilusões caem, você não sabe o que que fica.
E aí parece na real que o que que fica é um vazio, porque você só percebe o que não dá mais para sustentar quando você já está lúcido no processo, senão você ainda está tentando se agarrar ali ao que está indo. Mas quando você está mais lúcido, você percebe o que que não dá mais para sustentar. E isso explica muita coisa, como você não conseguir mais se encaixar com certos ambientes ou relações que começam a ficar estranhas.
Você percebe que fica mais sensível emocionalmente. Você também percebe que aquilo que a gente conversou há pouco, que te motivava já não te move mais. Mas isso tudo aqui que parece um desânimo é mais lucidez.
Quando você começa a perceber isso, lucidez vendo toda aquela programação automática através da qual você funcionava. E agora eu quero te entregar uma chave simples. Presta atenção.
Se o que está doendo é devido àquilo que está indo, que está caindo, você não está regredindo, você não está falhando. Você só está ficando incapaz de continuar se enganando daquele jeito antigo. E uau, isso muda completamente o jeito de você enxergar o que está acontecendo com você.
Entende isso? Porque se a gente olha com honestidade, acaba percebendo que o que está acontecendo é que você está vendo demais para continuar se enganando. E isso não costuma ser gostosinho.
E aqui a mente ela tenta usar um único parâmetro que é resultado rápido. Então ela olha esse desconforto e rotula. Piorou.
tem que sair disso. Só que tem uma diferença enorme entre piorar e perder as ilusões que sustentavam a versão antiga. Então, eu quero te trazer palavras que sejam um bálsamo para você e sejam até um divisor de águas dentro desse processo.
Não há nada de errado com você. Não há nada de errado com o que você está sentindo. Não é fraqueza espiritual, não é falta de luz.
E pegue isso aqui. Você não está atrasado. É apenas que você entrou em uma caminhada achando que ia ser tudo lindo e de luz, como é falado, oferecido, sugerido.
Mas essa é a parte da caminhada que a consciência está atravessando sem aquelas máscaras que ela usava. Então sim, você pode sentir a chuva, o frio, à noite sem iluminação, mas aos poucos você vai tendo essa visão. Por isso que o despertar lindo, iluminado, que prometem, que falam, que sugerem, pode não ser o que parece.
Mas essa caminhada é preciosa, porém tem um ponto delicado aqui. Lembra que eu comentei que essa dor ela pode ser amplificada por nós mesmos? Então, presta atenção, porque se você entender isso aqui, você pode economizar semanas, meses ou até anos de sofrimento.
E essa coisa que a gente tem a tendência de fazer e que amplifica o sofrimento, não é uma falta de alguma prática espiritual, não é falta de disciplina, não é falta de fé, é resistência. resistência que eu trago como a vida está te atravessando e você está rígido, tentando sentir. É quando algo está indo, caindo, indo embora de nós e ao invés da gente deixar ir, nós tentamos segurar, controlar e muitas vezes sem nem perceber.
Oxum traz nesse livro aqui algumas verdades até incômodas, mas muito lúcidas. Ele diz que a dor existe, ela faz parte da vida, mas o sofrimento, pega isso aqui, o sofrimento é a nossa briga com a dor. A dor ela pode ser esse vazio que a gente conversou, essa perda de sentido, essa perda de motivação, perda de objetivos.
Pode ser a identidade se desfazendo, pode ser o coração sentindo coisas que a mente ainda não dá conta de compreender. Mas o sofrimento entra aqui quando uma parte de nós diz: "Hum, hum, isso aqui não era para estar acontecendo. Eu preciso sair disso logo, eu preciso voltar ao normal".
E aí a mente ela cria fuga, ela pode fugir ocupando, fazendo você ocupar cada segundo com estímulos, com distrações. Pode fugir se anestesiando. E hoje o mundo convenhamos.
Ele está oferecendo o tempo todo opções para você se anestesiar e pode fugir também tentando você aumentar exageradamente práticas espirituais, forçando a barra. Mas quanto mais você foge desse trecho aqui, você resiste a ele, mais ele se amplifica. Como Jung dizia, tudo aquilo que você resiste persiste, porque aquilo que a gente não se permite sentir, adivinha?
Some? Não, não some. Só fica esperando lá debaixo do tapete.
E aqui vem uma parte importante da nossa conversa. Permitir. Se permitir sentir não é se afundar na dor.
Permitir é parar de forçar, de se violentar, de fugir ou de usar um chicote espiritualizado. É parar de exigir de si um estado elevado quando o teu corpo, a tua alma está pedindo acolhimento. permitir é você estar em estado de presença e ok, estou aqui, me permito sentir, mesmo sem entender, mesmo sem querer controlar, mesmo sem conseguir traduzir isso em palavras.
E então você permite sentir tudo isso que está se passando nesse momento, mas também sem se apegar a isso. E é até meio mágico, porque quando você para de brigar, de resistir ao que está acontecendo, de não se permitir sentir, a coisa meio que começa a se reorganizar sozinha. Você tira o peso daquela guerra interna.
E aí também vem outro ponto. Você vai me perguntar: "Mas Aline, ok, qual que é o sentido disso? " E aqui eu quero chamar um cara que trouxe ensinamentos profundos pra humanidade, Víctor Franklin.
Ele foi um psiquiatra que atravessou um dos cenários mais perturbadores da história da humanidade, os campos de concentração nazistas. E ali no limite do ser humano, ele percebeu e ele conta aqui nesse livro que acredito que todo ser humano poderia se presentear lendo. Ele conta que ele observou algo que mudou a história dele e acabou impactando muitas outras pessoas no mundo inteiro até hoje.
as pessoas que conseguiam se manter vivas diante de toda aquela situação onde tudo ao redor não não vinha mais um porquê, um motivo de continuar, porque essas pessoas muitas vezes elas ficavam sabendo de seus familiares que tinham morrido, ouviam seus familiares morrendo e as situações eram extremas, como provavelmente você já ouviu falar. E várias dessas pessoas chegavam a um ponto de tirarem a própria vida. Então ele percebeu que as pessoas que conseguiam se manter vivas, pelo menos por dentro, eram as que encontravam um sentido, às vezes pequeno, singelo, mas um sentido para continuar existindo, apesar de tudo aquilo, apesar de perderem pessoas que amavam.
E foi dessa experiência extrema que nasceu esse livro aqui e também dessa experiência que nasceu a logoterapia, que trabalha na gente a visão de que quando não podemos mudar o que está fora, ainda assim, pega isso aqui, ainda assim podemos escolher a postura com que atravessamos o que acontece dentro. Uau! Víctor, ele não romantiza a dor, ele não transforma a dor, o sofrimento em troféu.
Ele só observa uma coisa profundamente humana. Quando a gente está na dor, atravessando um processo e não encontra sentido, a dor ela vira desespero. Já quando algum sentido começa a nascer, a dor ela continua sendo dor, mas ela não destrói a gente.
E sentido aqui não é uma explicação espiritual para todo. Sentido é uma direção interna. é a diferença entre isso está me quebrando e aí a gente entra naquele loop de reclamação de lamúrias para isso está me atravessando e eu posso atravessar com um sentido de algo maior, maior que eu mesmo, maior do que a minha mente analítica consegue entender.
Entende que é diferente? Vamos supor você perceber como eu perdi tudo ou perceber eu perdi a versão minha que não se encaixa mais nessa nova caminhada, no novo que está se desabrochando. E isso aqui muda a forma como você se trata, sabe?
Porque quando você entende que esse período aqui, diferente daquilo que você achou que era, que foi falado que era, mas ele não é regresso, não é fracasso, não é falha, quando você entende isso, se permite sentir, você para de se abandonar, você começa a se acompanhar com lucidez e com gentileza. E talvez esse seja um dos movimentos mais espirituais que existem, não correr atrás de uma luz forçada, mas ficar com você. no escuro, no escuro mesmo, com presença suficiente para que as luzinhas surjam, para que a visão se ajuste.
Mas agora eu quero te falar do que que vai acontecer com o teu corpo, mesmo quando você estiver lúcido e consciente do teu processo, estando em estado de presença. Ainda assim, algo assustador acontece com o nosso corpo. Quando a nossa identidade antiga começa a cair, o corpo ele reage quicamente porque, uau, o corpo está dependente quimicamente dos estados antigos como você funcionava.
Sabe, a ansiedade que você repetiu por anos, isso é química no corpo, a tristeza, a urgência, a culpa, autocrítica e até o sofrimento. Esses estados eles são um coquel químico conhecido para o corpo. Mesmo sendo desagradáveis e te levando a sofrimento, ainda assim é aquilo que é familiar para o teu corpo.
É desse jeito que ele está acostumado a sentir, a operar. E pasmem, o corpo ele se sente seguro quando está operando com esse coquetel químico. Então quando você começa a sair daquele automático, quando para de sustentar aquele teu personagem, quando a consciência se amplia, o corpo ele entra em abstinência.
E eu não estou falando aqui no sentido simbólico, é visceral. O meu amigo Dr Joy Spenza, que é neurocientista e estuda tudo isso há anos, ele explica que o corpo ele sente falta dessa química antiga e você nem percebe, porque do nada pode acontecer de você sentir medo, ansiedade, sem um motivo aparente. vontade de voltar atrás, vontade de desistir de tudo ou te leva a pensamentos antigos, coisas que você pode remoer, te trazendo dor para o teu corpo sentir aquilo de novo, aquilo que ele está habituado.
Nesse livro aqui, fantástico, quebrando o hábito de ser você mesmo, o Dr dispensa. Ele traz isso de forma bem esmiuçada, que você, o teu corpo, ele está acostumado em ser quem você foi. Ele está habituado em operar daquela forma, mesmo que aquela forma te machuque.
Tem um vídeo que eu fiz exclusivo sobre esse livro aqui, que eu considero genial. Se você não assistiu, eu vou deixar o link para você aprender ajudar ao teu corpo a habitar essa tua nova versão, esse novo você que você está se tornando. Quando se fala de despertar espiritual sem mencionar sobre tudo isso que acontece, é natural que a gente entre nessa jornada e pense que algo de errado está acontecendo, porque é ao contrário daquilo que a gente imaginou que iria ganhar mais paz, mais luz, mais amor, mas a gente vai perdendo todas essas ilusões, essa identidade.
Mas entenda que atirando todas essas camadas que você chega a luz que na real esteve. ali. E falando nisso de que sempre esteve ali, existe uma grande ilusão do despertar espiritual que essa não tem como eu largar aqui, falar aqui, depois te deixar solto.
Eu explico no programa de autocuidado vibracional, onde você tem apoio, você tem suporte, você está já em um estado ampliado de consciência, uma elevação vibracional e tem todo um acompanhamento para você estar de frente com certas questões sem se perder. Isso é libertador se for feito dessa forma, com cuidado, com consciência. Já jogando aqui no ar, você pode entrar em colapso e nós não queremos isso, certo?
E agora que já costuramos tudo sobre a mentira do despertar espiritual, mentira acaba sendo uma palavra dura, mas essa esse recorte do que que é o despertar espiritual que muitas vezes nos engana, eu não vejo isso como algo ruim, até porque eu não costumo rotular as coisas como bom ou ruim, porque para mim são polos diferentes da mesma energia. E pensa aqui comigo, se a gente soubesse que seria tão desafiador assim, será que a gente teria embarcado? Então, que bom que embarcamos, que bom que estamos aqui, que bom que estamos conversando sobre assuntos assim profundos, que bom que você deixa teu comentário, que você escreve a tua história, porque isso também cura quando a gente lê o comentário de alguém ou quando a gente escreve sobre o que a gente já passou, o que a gente está passando, essa troca, essa energia, essa egrégora, ela nos dá muita força.
Então, seguimos juntos. Beijos de luz e até as próximas conversas mágicas.