BLOW UP: DEPOIS DAQUELE BEIJO (1966) A gente se vê depois. Dinheiro de verdade! Azul 439.
- Azul 439, câmbio. - Azul 439, prossiga, por favor. Ligue para Weston, 0219.
Avise que estou a caminho. Positivo, Wilco. Aguarde.
- Olá, amor. - Olá. - Comece a revelar isso.
- Sim. Agora. Aqui estou.
Pronta? - Estou pronta há quase uma hora. - Que bom.
Vou pegar um avião pra Paris às 11:00, então não posso. . .
- Não pode o quê? - Não importa. E com quem você estava ontem?
Reg. Reg, ponha algum barulho. Certo.
Assim está bom, fique assim. Reg! Mostre pra mim, vamos.
Agache-se mais. Isso. Isso.
Jogue o cabelo pra trás. Está ótimo, maravilhoso! Vamos, faça mais!
Me dá, me entrega tudo. Dê o melhor que puder. Vamos, mais pra frente.
Ótimo. Deste lado agora. Chegue mais perto.
A mão pra cima. Está ótimo. Só toque o rosto.
Muito bom. Deste lado agora. Vire pra cá.
Ótimo. O cabelo, agora. Maravilhoso.
Isso, o cabelo. . .
muito mais, muito mais. Bom, está ótimo. Ótimo.
De novo, de novo! Fique assim. Com o cabelo assim.
De novo. Bom. Certo, Reg, a 50.
Deite-se de costas. De costas, vamos. Isso, agora se entregue mesmo.
Vamos, se esforce, se esforce! Ótimo. De novo.
Volte, volte. Braços pra cima. Estique-se, menina!
Ótimo. De novo, vamos, vamos! Ótimo.
Isso, entregue-se! Lindo! Isso, deixa vir.
Ótimo! Não, não. A cabeça pra cima.
Demonstre amor por mim. Amor, sim! Sim!
Sim! Alô! Um momento.
É pro senhor. Sim. Sim.
Sim, está aqui em algum lugar. Espere. Reg, anote o endereço dessa porcaria de antiquário.
Estão fabulosas! Vire. Sim.
Sim. Ótimo. Tome, pode queimar.
Reg! - Traga as meninas pra cá. - Certo.
Nada de chiclete. Jogue isso fora. Não no meu chão.
Você. Abaixe esse braço. Certo.
Seis milímetros. Horrível. Que tal a perna um pouco mais pra frente?
Levante a cabeça. Vamos, de boca aberta. Isso.
Não, tudo errado. Comecem de novo. Repensem tudo.
Deixe o vestido cair. Deixe cair mesmo, mantenha esticado. Apenas levante e abaixe os braços.
Sim, delicioso! Gostei, continue. Sim.
Certo, mudem de posição. Sim. Acordem!
Agradeçam â boa estrela de vocês por estarem trabalhando comigo. Vamos, mais uma. Vamos sorrir agora.
Sorriam. Sorriam! Meu Deus.
Pedi que sorrissem. O que foi? Esqueceram o que é um sorriso?
Tudo bem, vocês estão cansadas. Relaxem. Não estou mais vendo os olhos de vocês, só umas fendas.
Vamos, fechem os olhos. Fechem os olhos. E fiquem assim.
Faz bem pra vocês. Feche os olhos. Deve ter uns cinco ou seis anos.
Não significam nada quando as pinto. São só borrões. Depois, consigo achar algo pra seguir.
. . como esta perna.
E aí tudo se resolve sozinho e se soma. É como achar uma pista num romance policial. Não me pergunte sobre esta, ainda não sei.
- Posso comprá-la? - Não. Você me dá, então?
- Tome. - Obrigado. Que cara de pau.
Não quis me dar um desses lixos de telas! Vou chegar de mansinho e roubá-la. Não pare, é ótimo.
Você parece cansado. Passei a noite numa pensão. Elas disseram que alguém pediu que viessem.
- Não fui eu. - Bem. .
. não foi exatamente um pedido. Lamento, estou ocupado.
Estão ampliando umas fotos, vá pegar. - Não pode nos dar alguns minutos? - Alguns minutos?
Não arranjo alguns minutos nem pra operar o apêndice. - Quando podemos voltar, então? - Não voltem.
- Ainda esperam de olhos fechados? - Esperam, mas abriram os olhos. Ótimo.
Mande que fechem de novo. Livre-se dessa bolsa, é diabólica. Podemos voltar hoje â tarde?
! ANTIGUIDADES - O que você quer? - Só estou dando uma olhada.
Não há pechinchas aqui. Está perdendo o seu tempo. Só vou dar uma olhada.
- O que está procurando? - Fotografias. Não temos fotografias.
Que tipo de fotografias? - Paisagens. - Lamento, não temos paisagens.
Vendida. Está tudo vendido. - E o proprietário?
É o senhor? - Não. Saiu.
Está esperando por ele? O que está fazendo? Pare!
Pare! Dê-me essas fotos. Não pode fotografar as pessoas assim.
Quem disse que não posso? Só estou fazendo o meu trabalho. Alguns sujeitos são.
. . toureiros, outros, políticos.
Eu sou fotógrafo. Este é um lugar público. Todos têm direito a um pouco de paz.
Não é culpa minha se não há paz. A maioria das garotas pagaria para ser fotografada por mim. Eu pago.
Eu cobro caro. Há outras coisas que quero no negativo. O que vamos fazer, então?
- Eu te mando as fotos. - Não, eu quero agora. Não!
Por que a pressa? Não vamos estragar tudo. Acabamos de nos conhecer.
Não, não nos conhecemos. Você nunca me viu. - Olá.
- Olá. - Meu empresário perguntou da loja. - É mesmo?
É um homem que fuma charuto. Joga cinzas pra todo lado. Acho que me lembro dele.
Devo ter pedido um preço alto demais. O dinheiro é sempre um problema, não? Peça que ele volte.
Por que quer vendê-la? Quero tentar algo diferente, ir a algum lugar. Estou farta de antiguidades.
- Ir para onde? - Para o Nepal. - O Nepal só tem antiguidades.
- É mesmo? Talvez eu devesse tentar. .
. Marrocos. - Quanto ê?
- O quê? A hélice. - Pode levá-la por.
. . oito libras.
- Negócio fechado. Tem um furgão? - Não pode levá-la agora!
- Eu preciso. - Preciso! Não posso viver sem ela!
- Azar seu. Assim aprende a não se apaixonar por coisas pesadas no sábado de manhã. - Só isso?
- Só. Não pode tratar seu carro assim. Não é um furgão de entregas!
- Quem se importa? - Deixe-a comigo, eu dou um jeito. Tudo bem, mas trate de dar um jeito hoje.
Azul 439, câmbio. 439, prossiga, por favor. Câmbio.
Alô, aqui ê. . .
quero falar com Flaxton, 2249. Sr. Walker, Peter Walker.
Diga que vi o antiquário, está caro, mas acho que ela baixará o preço. Peça-lhe que ligue pra ela já, assim ninguém mais vai comprar. Positivo, Wilco.
Aguarde. Azul 439,câmbio. Azul 439.
Prossiga, Eco. Azul 439,o recado foi dado. Ele não gostou.
Diga que ele se ferre. E todos aqueles prédios sendo construídos? Já tem até bichas e poodles lá.
Vi um casal nos poucos minutos que fiquei ali. Será um sucesso. Câmbio.
Azul 439,o que viu lá? Câmbio. - Esqueça.
Câmbio. - Positivo. Aguardando.
Quer usar todas? - Não gosta delas? - São ótimas.
Vamos usar três ou quatro. - Espalhadas pelo livro? - Não, todas juntas.
Sim. - E uma cerveja. - Sim, senhor.
- E a última foto? - Nenhuma destas. Tenho uma fabulosa.
Tirei de manhã num parque, você vai recebê-la mais tarde. É muito. .
. pacífica, imóvel. O resto do livro é bem violento, então é melhor concluí-lo assim.
Sim. É melhor. Fica mais verdadeiro.
- Vou sair de Londres esta semana. - Por quê? Ela não me ajuda em nada.
- Já bolei algumas legendas. - É? Estou de saco cheio dessas vacas.
Queria ter montes de dinheiro. - Aí eu seria livre. - Livre pra fazer o quê?
Livre como ele? Alguém que conhecemos? VÃO EMBORA ISTO NÃO PAZ, NÃO GUERRA NOSSOS RAPAZES NÃO Pode deixar.
Por favor, ligue-me com Frobershire, 3229. Só tenho seis pence. Park, 1296.
Alô, sou eu. Você não ia viajar para Hurley? Escute, fique aí e me ligue em casa.
Vim. . .
vim pegar as fotografias. Como conseguiu me achar? Você mora aqui?
Quer beber? O que essas drogas de fotos têm de tão importante? Isso é da minha conta.
A luz estava bonita no parque hoje. As fotos devem ter ficado boas. E eu preciso delas.
Minha vida particular já está uma bagunça. Seria um desastre se. .
. E daí? Nada como um desastrezinho pra ajeitar as coisas.
Já trabalhou como modelo? De moda, quero dizer. Você leva jeito.
Fique assim. Poucas garotas têm uma postura tão boa. Não, obrigada.
Estou com pressa. Vai receber suas fotos. Prometo.
Sou um homem de palavra. Venha cá. Mostre-me como se senta.
Quem é? ! Ah, é.
Espere. É pra mim? É minha esposa.
Por que eu deveria falar com ela? Lamento, amor. A gatinha com quem estou não quer falar com você.
Ela não é minha esposa, na verdade. Só tivemos alguns filhos. Não.
Nenhum filho. Nem filhos. Mas às vezes parece que tivemos.
Ela não é linda, é. . .
fácil conviver com ela. Não, não é. Por isso não moro com ela.
Mas mesmo as garotas lindas. . .
você olha pra elas, e é só. Por isso elas sempre acabam vindo. .
. e tenho de aguentá-las o dia todo. É a mesma coisa com homens.
Escute isto. Não, fique parada. Escute, fique parada.
Pode fumar, se quiser. Devagar, devagar! Fora do ritmo.
Isso. Não aguento. Já estou nervosa o suficiente.
Pode me trazer um pouco d'água? E eu não sou bobo, amor. Pode me dar as fotos?
Claro. Mais tarde. Seu namorado é meio coroa.
Por que não disse logo o que queria? Vista-se. Vou entregar os negativos que você quer.
Eles vão embora. Não estão indo. Não vá.
- Comprou uma hélice? - Quê? Comprou uma hélice hoje de manhã, certo?
- Sim. - Precisa me ajudar a carregá-la. - Certo?
- Certo. - Pra que serve? - Pra nada.
É linda. Se eu tivesse um salão enorme assim, ia usá-la como ventilador de teto. - Você mora sozinha?
- Não. Talvez eu a ponha aqui, como uma escultura. Vai ficar bom.
Vai quebrar as linhas retas. - Está indo embora? - É tarde.
Vou ver você de novo? Diga-me ao menos seu nome, seu telefone. Obrigada.
Alô? Knightsbridge, 1239? Quê?
Não, desculpe. Ron? Aconteceu algo fantástico.
Aquelas fotos no parque. . .
Fantástico! Alguém estava tentando matar um cara. Salvei a vida dele.
Escute, Ron, havia uma garota. . .
Ron, quer me ouvir? O que é fantástico. .
. Um momento, estão tocando a campainha. Não estava nos esperando, certo?
Não. - Vocês sabem fazer café? - Sei fazer irish coffee, quer?
Certo, vamos. - Ela é sempre assim? - Assim como?
Não fala. Qual o seu nome? Esqueça.
Pra que serve um nome? Do que te chamam na cama? Eu só vou pra cama pra dormir.
Alô? Alô? Vem ver quanta roupa!
Não. - E este? - Vista.
E você? Sirva-se. O café!
Pare! - O que foi? - O corpo dela é mais bonito!
Não é verdade! Isso, acabe com ela. Dê um gancho de esquerda.
Vou pôr vocês no ringue. Segure as pernas dela! Segure as pernas!
Me soltem! - Bem, mexam-se. Fora.
- Você não tirou nenhuma foto. Não, estou acabado. A culpa é de vocês mesmo.
Amanhã. Amanhã! Estava procurando alguma coisa, agora há pouco?
Não. - Já pensou em se separar dele? - Acho que não.
Vi um homem assassinado esta manhã. - Onde? - Levou um tiro.
Num parque. - Tem certeza? - Ele ainda está lá.
Quem era? Alguém. Como aconteceu?
Não sei, não vi. Não viu? Não.
Não deveria avisar a polícia? Esse é o corpo. Parece uma das telas de Bill.
Sim. Você me ajuda? Não sei o que fazer.
O que é? Por que será que atiraram nele? Não perguntei.
Alô, Ron? Ron está aí? Só quero levá-lo a um lugar.
Onde ele está? Tudo bem, vou pegá-lo lá. Tchau.
Toque essa de novo! - Mas você quer? - Sim.
Ron. Fale comigo, por favor. Ron.
Alguém foi assassinado. Tudo bem. Tudo bem.
Escute, aquelas fotos que tirei no parque. . .
- Pensei que já estivesse em Paris. - Eu estou em Paris. Tome, dê um tapa.
Quero que você veja o cadáver. Precisamos fotografá-lo! Eu não sou fotógrafo.
Eu sou. O que há com ele? O que você viu naquele parque?
Nada. Ron.