Caião, quero compartilhar com você algo que tem acontecido em minha família há anos. Uhum, meu pai traiu minha mãe, contraiu uma outra família. Uhum, teve um filho.
Enfim, na família do meu pai, era comum essa prática de traição. A mãe dele, minha avó, falava que homem, para ser homem, tinha que ter duas mulheres. Hum, então a própria vó, que já era uma traída, já falou sobre poder legalizar a traição dela, porque tem muita mulher, hum, para legalizar a sua dor.
Nenhuma mulher gosta de ser traída, nenhuma. Só uma mulher que detesta o cara, não quer nada com ele, mas é uma espertalhona e diz "daqui eu não saio, daqui ninguém me tira, porque a grana é boa". Bessa, e quanto mais mulher tiver fora, melhor para mim, não me encher o saco.
Também tem muita mulher assim. Agora, uma mulher que goste minimamente do seu marido, nenhuma mulher quer ser traída. Agora, eu conheço aquelas que fingem que não estão nem aí com esse argumento.
Não, a mulher que sou eu, eu sou a esposa. Agora, ele é um homem. Quem é que vai segurar o pinto de homem?
Homem é tudo igual, tudo igual. Não pode ver um buraco e já bota dentro. Não sei o que.
Aí vai, cria esse clima que é para dizer para as amigas não encherem o saco, para não chegarem para ela: "Ah, fulano de vir. " Não, se não, ela já diz logo que é para todo mundo dizer "fulana é desencanada", sabe? Não está nem afim.
Aí, ela vai levando um SRO, né? É, mas vai sofrendo, vai ficando amargurada aqui dentro. Mas em casa, para que os filhos também não digam "Poxa, o que papai está fazendo com a mamãe?
" ou "A mamãe é uma boba, tolera isso. " Ela já dá uma de rainha do lar e diz: "Ó, seu pai pensando que eu não sei, todo homem é igual, meninos, se enganem. Não é, a vida é assim.
Vocês são iguaizinhos aos pais. O seu pai um dia vão casar, vão fazer a mesma coisa. " Mas já está plantando, já está semeando, botando X nas filhas, já está dizendo: "Olha, se acontecer, segurem a onda, porque homem é assim mesmo.
" Aí vem a próxima geração e os meninos vão levando as namoradas e companheiras para dentro da casa da mãe. A mãe vai logo fazendo essa catequese de modo que quem ficar no pacote, de algum modo, não ficou inocente, já está sabendo que o Netinho da vovó é assim, que os filhinhos da vovó são assim, e por aí vai. E se vai criando uma cultura, uma maldição, um monobloco, e as pessoas vão repetindo esse processo.
E uma sabendo da outra ou esperando isso da outra, reforça a energia praticante do negócio, porque essa já é uma expectativa, ainda que não confessada. Já é um olhar expectante, já é uma energia de receptividade. Isso vai acontecer, é só questão de tempo.
E aí, ele fala para você ter noção: minha avó aceitava meu avô ter outras mulheres. Aham, isso entrou de alguma forma, sabe, Cai. Pois tentei me livrar disso no meu primeiro casamento e não consegui.
Traí minha esposa e me separei. Hoje, vivo me atormentando, pois meu desejo de trair minha atual esposa, que amo muito, chega a ser atormentador. Uhum, sonho.
Olha as mulheres na rua, nos ônibus, no trabalho, até na igreja. Eh, tenho que muitas das vezes, brigar comigo, Cai. Uhum, mesmo comigo mesmo, para resistir a isso.
Isso está em minha mente 24 horas. Graças a Deus, eu não tenho muitas oportunidades para isso, apesar de, uma vez ou outra, ter a oportunidade de trair minha esposa. Aí, eu consigo me livrar de alguma forma.
Leio a palavra todos os dias, oro a todo instante. Será que isso é uma maldição? Cai, me ajude a vencer essa situação, eu não suporto mais.
Isso é uma cultura de vespa, cultura de vespa. É neto de vespa, é filho de vespa, né? Vai vespar.
Então disseram isso para ele: "Homem que é homem tem que ter a sua avidez. " Então, isso está instalado em um nível tão profundo no seu coração que se misturou até com a sua identidade masculina, que faz parte da sua cultura familiar latente aí dentro. "Homem que é homem é assim, todos os homens da família são assim.
" Agora, é óbvio que isso não é só e tão somente psicológico. A dimensão psicológica e cultural tem uma importância, nesse caso, eu diria assim, de natureza fundamental. É o grande layer, é a grande camada dessa história.
Está aí no condicionamento cultural e psicológico que vai formando uma configuração de olhar. Mas, depois de duas, três, quatro gerações, às vezes, o que vai acontecendo é que isso também se transforma em memória celular. Isso vai se transformando em energias sutis.
Isso vai se transformando em emanações energéticas, não faladas, que são contagiosas. Isso vai se transformando em troca, muitas trocas. Hoje, eu postei até uma foto.
Eu não tive muito tempo hoje de postar coisas lá no meu Facebook. Nós estávamos sem internet aqui, mas quando abriu a internet, eu postei uma fotinho lá. Eu não sei se Fernando tem acesso fácil a isso.
Que é um homem e uma mulher se beijando, assim, transparentemente. Uma foto artisticamente bela. Ele é transparente, ela é transparente.
Aí, eles se beijam e, na transparência deles, a gente vê a troca de conteúdos de um para o outro. E eu botei lá porque é uma coisa na qual eu acredito. Você não encontra, especialmente no nível afetivo, muito menos ainda impelido em sexualidade ou no encontro que implique em família, em consanguinidade.
Essas trocas são sempre transferências, sempre transferências. Em qualquer nível, você vive bebendo do outro e que bebe de você, que bebe de você nas diversas trocas da vida. Então, ninguém.
. . Passa assim não!
Eu só bebo de mim mesmo. E quanto mais você foi desavisado e promíscuo ou ávido e objetivo nas suas muitas trocas, você se torna um poço de um suco que não dá nem mais para saber de que essência seja. Vai ficando dentro do cara.
Então, por que que eu tô dizendo isso? É porque a essa altura do campeonato a lei da cultura da configuração da educação do padrão masculino já tem outras coisas em ação. Entraram outras trocas, outras energias.
Tá aí a imagem que eu falei há pouco, né? Da troca, que linda! É uma troca quando é pro bem, é pro bem.
Quando é pro mal, é pro mal, mas tem uma troca. Não é só entre homem e mulher, não é só via sexo. É também na família, é através do que a gente come juntos, do que a gente bebe juntos.
Em família, a gente come cultura familiar juntos, a gente bebe cultura familiar juntos. A gente come e bebe as energias de todo mundo na família. E quando uma família como a sua é uma família que diz: "Todo homem tem que trair", vai trair.
Porque desde o avô, para validar a voz, ela diz que todo homem que é homem na casa tem que trair. Isso já cria uma troca, meu querido, que é mais forte do que às vezes o cara consegue identificar. Vira uma pulsão que a maioria não designa.
Aí começa a culpar os hormônios. Às vezes os hormônios estão no processo, mas é por causa da exacerbação psicológica. Já é a exacerbação psicológica que diz: "Homem da minha família, pegador é garanhão.
" E você sai andando pela rua, mesmo que você não fale isso com a boca. Essa pulsão do homem que galopa nessa família: garanhão é garanhão. Tem uma pulsão de garanhão lá dentro.
Aí você bate nela, você bate: "Para com isso, para com isso! " Essa pulsão psicológica que tá aí dentro de você gera um certo padrão mental, um padrão mental que altera no seu cérebro, produções químicas. Produções químicas essas que são todas de estímulo sexual.
Na mesma medida em que você diz não, não, não, você as reforça, reforça, reforça. Aí você fica todo acessado. Não apenas a sua alma tá com essa fixação, mas agora até o seu cérebro faz sinapses.
Vai fazendo foco disso. Depois, as neurais vão ficando viciadas. Então, bunda tem que ver, peito tem que ver, tudo tem que ver.
E tem que repreender. O cara vai se viciando nesse jogo, nessa guerra interior que é exatamente o estado no qual você está. Nesse jogo, nessa guerra, nessa angústia enorme.
Como se você fosse uma vespa fadada a ter que ferroar! E você não é! Em nome de Jesus, você não é!
Não é. Isso acaba aqui e agora. Se você quiser, começa com você, tranquilizando o coração, sabendo que em Jesus você não é filho de nenhum karma.
Sabendo que assim como você foi educado para essa tara masculina, pegadora, polígama, você pode ser educado na justiça para amar como desde o princípio um homem amava uma mulher, com foco nela. Você pode, em Jesus, entendendo esse processo, não brigar mais com ele. Porque o que esse processo quer é a sua ignorância.
Quanto mais ignorante acerca dele, mais você vai brigar nas cegas. Pai, pai, "P" bate, não sabe nem onde tá batendo. Agora não!
Você já enxergou. Então, cara, na ponta da "P", dá só um. .
. sabe? Ponta da "P", pai.
. . noei, o bicho já viu onde é.
Acendeu a luz. Então, o que que você vai fazer? Como é que a gente vence essa briga interior?
É desistindo dela! É deixando o bicho ficar rouco dentro da gente. Sabe, ele fala, fala, cai, cai.
E eu não tô nem aí. Eu já compreendi qual é a tua cara, já te compreendi. Quando eu olho e dou conversa, eu alimento.
Quando eu não dou conversa, ele não aguenta falar sozinho. Depois de um tempo, quando eu não dou a mínima, porque eu não sinto culpa do que ele me acusa, não sinto necessidade de explicar nada para ele, não sinto a menor obrigação de esclarecer qualquer coisa. Não sinto nem necessidade de orar sobre isso, porque o meu Pai Celeste me conhece.
Aí eu paro até de orar por isso, porque eu confio que o Pai sabe. Eu não alimento mais neurose nenhuma nisso. Não vou alimentar o processo neurótico da maldição em mim.
Claro, e ele não aguenta a solidão! Ele vai! Você não responde, não responde!
Ele vai gritando de vez em quando. Aí ele vai parando, de vez em quando ele dá um gritinho, cada vez menor. Aí, se você não olhar, ele vai perdendo a força, um dia ele silencia dentro de você.
Quem tá falando isso sabe o que tá falando, meu amigo. Basta lhe dizer isso: eu sei o que eu estou lhe falando, e sei que é assim que a gente vence. Porque eu também fui criado para ser o garanhão dos garanhões, e tudo em mim clamava por isso.
E, durante anos, eu provei para mim mesmo que eu era daquela natureza. Mas a graça de Deus me fez enxergar que o lado de mim que eu alimentasse esse fortalecia. E eu decidi, com base, enxergando em Romanos 7 como um ser ambíguo e dividido, me vi em Cristo Jesus.
Em Romanos 8, como aquele acerca de quem já não há mais nenhuma condenação em Cristo Jesus. E decidi que o meu pendor na vida é uma escolha agora de fé, que o meu pendor era para vida e paz, e que eu iria me alimentar do Espírito Santo e da palavra da verdade do evangelho. E que qualquer outra inclinação natural do meu ser ia morrer de rouquidão, clamando e gritando, mas que eu não iria alimentar.
Aí você segue assim, sem dar ouvidos ao clamor, sem se explicar pro clamor, sem dialogar com a pulsão sexual desvairada, sem nada disso, dizendo: "Eu sei que você tá aí, vai morrer. Aí acabou, cara! Eu mando em mim.
" E se não houver culpa, por que a culpa que faz o cara ficar querendo se justificar diante de Deus, brigando com a sombra dele? Quando a culpa é retirada, e você sabe que o Pai sabe tudo, e que ele é amor, e que você já está justificado, isso vai morrendo e vai prevalecendo a nova tendência. Para entender isso com clareza total, eu peço que você leia o meu livro: "Sem Barganhas com Deus".