quando minha mãe dizia que a dor nos ensina ela esquecia de avisar que algumas dores cavam raízes tão profundas que você deixa de saber onde termina e onde começa foi o que senti quando Marcos o alfa da minha matilha me rejeitou diante de todos não importava o quanto eu tivesse lutado ao lado deles nem quantas cicatrizes eu tivesse acumulado para eles eu era apenas uma peça quebrada de um jogo que não me queria mais a cerimônia da escolha aconteceu no grande salão de pedra da cordilheira de Artion o fogo creptava nas piras ancestrais lançando sombras
tremeluzes sobre os rostos de todos que eu considerei minha família quando Marcos se aproximou cada passo seu parecia uma sentença e quando ele olhou para mim com desprezo nos olhos dourados já soube antes mesmo de suas palavras me atingirem como lâminas você não é digna Luna Santoro seu sangue é fraco sua alma partida não será minha companheira nem será aceita por esta matilha um murmúrio de choque percorreu a multidão senti as pernas amolecerem mas me mantive de pé cada fibra do meu corpo gritando para não ceder não diante deles não diante dele no momento seguinte
viraram os rostos cada rosto amigo cada olhar que já havia me acolhido agora me condenava o silêncio que caiu foi mais cruel do que qualquer palavra saí dali sem olhar para trás e quando alcancei a floresta a loba dentro de mim chorou um ivo que partiu à noite em dois durante semanas vaguei pela cordilheira sobrevivi como pude caçando dormindo sob pedras molhadas pela chuva cada batida do meu coração era um lembrete amargo de que eu era uma loba sem alcateia a solidão me moldou mas também me fortaleceu algo dentro de mim algo que eu nunca
soube existir acordava lentamente como uma fera antiga espreguiçando-se no escuro uma noite a tempestade caiu sobre Artion como um castigo dos céus relâmpagos rasgavam a floresta e eu corria tentando encontrar abrigo quando tropecei em algo inesperado um lobo negro enorme desacordado na lama seu corpo estava coberto de feridas abertas sangue escorrendo de cortes profundos o cheiro dele era diferente antigo selvagem a loba dentro de mim rugiu em reconhecimento aproximei-me hesitante e toquei sua cabeça seus olhos dourados como fogo líquido se abriram por um segundo encarando os meus não entendi porquê mas senti a necessidade de
salvá-lo havia algo nele que gritava perigo ao mesmo tempo esperança com dificuldade arrastei aquele corpo enorme para uma caverna nas encostas baixas da montanha passei a noite cuidando dele limpando suas feridas com a água da chuva usando pedaços da minha própria roupa para estancar o sangue quando finalmente adormeci exausta foi ao som de sua respiração pesada sem saber que ao cuidar dele eu havia amarrado nossos destinos de uma forma que nem o tempo conseguiria desfazer na manhã seguinte acordei com a sensação de ser observada quando abriu os olhos ele estava de pé nu seu corpo
era uma tapeçaria de cicatrizes e músculos a força bruta que ele emanava era quase palpável mas seus olhos seus olhos me encaravam com algo mais "você me salvou" disse ele a voz rouca como o trovão "por que?" "Não sei" respondi a voz saindo mais firme do que me sentia talvez porque ninguém me salvou quando precisei um meio sorriso se formou em seu rosto perigoso fascinante meu nome é Dante Vega dante um nome que soava como ferro quente sendo moldado um nome que eu jamais esqueceria durante dias ficamos na caverna ele se recuperando eu tentando ignorar
a ligação feroz que nascia entre nós cada toque cada olhar trocado era como uma faísca jogada em barris de pólvora dante me contou pouco sobre si mesmo apenas que vinha de longe de uma terra onde as matilhas não se organizavam em torno da força mas da lealdade verdadeira ele fugia de algo ou de alguém e eu não estava em posição de julgá-lo afinal eu também era uma fugitiva de minha própria história no quarto dia os caçadores de Marcos nos encontraram eles não aceitariam que eu uma rejeitada trouxesse sangue estranho para o território e queria um
Dante morto a luta foi brutal lâminas rasgando carne garras cortando o vento eu lutei ao lado dele como nunca havia lutado antes dante era uma tempestade em forma de homem cada golpe seu era uma sinfonia de destruição mas eram muitos quando um deles me atingiu nas costas derrubando-me na lama senti a raiva subir como uma maré vermelha minha loba rompeu as correntes e pela primeira vez me transformei completamente não apenas no corpo mas na alma fui pura fúria puro instinto rasguei mordi destrui quando a poeira assentou os caçadores estavam mortos e Dante me olhava como
se estivesse vendo um milagre "você não é como eles disseram" ele murmurou se aproximando "você é muito mais caí de joelhos exausta tremendo da cabeça aos pés dante me envolveu em seus braços sussurrando palavras antigas que eu não entendia mas que minha alma reconhecia a ligação entre nós era innegável agora mas eu sabia que aceitar isso significaria guerra não só contra Marcos mas contra tudo que eu havia sido ensinada a temer dante me levou de volta para a caverna cuidou de meus ferimentos e quando a lua cheia iluminou a entrada da caverna ele fez a
pergunta que mudaria tudo venha comigo vamos criar nossa própria alcateia livre sem correntes sem mentiras meu coração bateu tão forte que pensei que fosse me matar o medo ainda me prendia mas o desejo de liberdade de ser mais do que a rejeitada era mais forte segurei sua mão pela primeira vez em muito tempo sorri de verdade sim Dante eu irei com você celamos nossa promessa sobre o luar nossos corpos entrelaçados nossas almas cantando uma música que só os antigos lobos entenderiam mas no fundo ambos sabíamos que a batalha estava apenas começando porque Marcos não deixaria
uma ameaça crescer em seu território e por em breve descobriríamos que Dante carregava algo dentro dele muito mais perigoso do que podíamos imaginar algo que poderia não apenas nos destruir mas todo o mundo dos lobos e assim sob o rugido da tempestade começou nossa verdadeira história deixar Artion para trás não foi apenas abandonar uma terra foi cortar as últimas amarras que me prendiam a uma vida de rejeição e humilhação dante e eu descemos as montanhas antes do nascer do sol quando o mundo ainda parecia suspenso entre o sonho e o pesadelo cada passo para longe
daquela matilha era como arrancar uma lasca enferrujada do meu coração era livre pela primeira vez verdadeiramente livre e mesmo assim a liberdade tinha um gosto amargo de incerteza dante liderava o caminho seus sentidos aguçados atentos a cada som da floresta em silêncio eu o seguia lutando contra a enchurrada de emoções que ameaçava me derrubar por dias viajamos em direção ao sul cruzando terras que nunca pensei conhecer florestas tão densas que o sol mal tocava o solo rios impetuosos que quase nos levaram aldeias esquecidas onde os humanos mal ousavam olhar em nossos olhos a cada noite
armávamos um pequeno acampamento sobre as estrelas a cada noite eu sentia o laço entre nós se fortalecer como raízes se entrelaçando sobre a terra mas também havia algo crescendo dentro de Dante algo que ele tentava esconder de mim uma fúria silenciosa uma tensão sobre sua pele que às vezes o fazia recuar como se tivesse medo de si mesmo numa dessas noites enquanto o fogo creptava baixo Dante se afastou do acampamento senti a ausência dele como uma ausência dentro de mim e fui atrás movida por uma preocupação que queimava mais do que o fogo o encontrei
ajoelhado perto de um lago o corpo no refletido na água negra como obsidiana seus ombros estremeciam sob uma força invisível seus olhos cerrados com força dante chamei a voz tremendo ele ergueu o rosto para mim e o que vi me gelou à espinha seus olhos não eram mais dourados estavam vermelhos brilhando como brasas não se aproxim Luna sua voz saiu mais áspera mais profunda como se outra entidade falasse através dele ignorei o aviso aproximei-me lentamente sentindo a loba dentro de mim se agitar entre o medo e o desejo o que está acontecendo com você perguntei
ajoelhando-me a poucos metros dele eu não sou apenas um lobo disse ele as palavras arrastadas carrega o espírito de Fenris o lobo primordial um espírito antigo selvagem banido pelas próprias matilhas meu coração acelerou histórias sobre Foi Ris eram contadas como lendas sombrias entre os nossos um ser tão poderoso e indomável que nem mesmo a lua ousava governá-lo "então foi por isso que você foi caçado?" Sussurrei sentindo o peso da revelação dante assentiu lutando contra o que quer que estivesse tentando tomar o controle se eu perder o controle Luna não haverá como me deter mas mesmo
diante daquele perigo eu não recuei algo dentro de mim algo mais forte do que o medo dizia que eu era a única capaz de ajudá-lo estendi a mão e toquei seu rosto quente ele estremeceu sob meu toque mas não se afastou você não vai perder o controle" prometi as palavras saindo do fundo da minha alma não enquanto eu estiver aqui dante soltou um grunhido baixo e por um momento achei que ele fosse se transformar ali mesmo que a fera dentro dele nos consumiria mas então lentamente os olhos vermelhos começaram a perder o brilho incandescente a
respiração dele se acalmou e por fim ele caiu nos meus braços exausto mas humano ficamos ali à beira do lago por horas abraçados respirando existindo foi naquela noite que percebi que amar Dante seria a coisa mais linda e mais perigosa que eu faria nos dias seguintes continuamos nossa jornada mas agora havia uma urgência em cada passo marcos não desistiria facilmente de sua caçada e eu não podia ignorar a sensação crescente de que algo se aproximava algo sombrio e implacável quando alcançamos o Vale de Heldra uma terra antiga esquecida pelos mapas modernos Dante parou e declarou:
"Aqui construiremos nosso lar nossa alcateia" olhei ao redor o vale era cercado por montanhas negras e a vegetação parecia crescer em formas selvagens indomadas "você acha que estaremos seguros aqui?" perguntei mesmo sabendo a resposta "não" disse ele um sorriso sombrio curvando seus lábios mas estaremos prontos começamos a erguer nossa nova vida ali no meio do nada caçando construindo treinando e aos poucos outros começaram a aparecer lobos errantes rejeitados perdidos atraídos pelo chamado de Dante em pouco tempo éramos mais do que dois éramos uma alcateia nascente pequena mas feroz ligados não por sangue mas por escolha
e eu eu me tornava algo novo a cada dia mais forte mais feroz mais minha dante me ensinava a dominar minha loba interior a controlar a fúria que às vezes ameaçava me consumir e nas noites em que a lua cheia surgia nos entregávamos à selvageria do nosso amor sob o céu aberto nossos corpos entrelaçados nossas almas rugindo em uníssono mas a tempestade se formava no horizonte e sabíamos disso o primeiro ataque aconteceu numa madrugada chuvosa sentinelas foram mortas em silêncio cabines incendiadas filhotes arrastados para fora de seus abrigos marcos havia nos encontrado levantei-me do chão
coberta de sangue e lama o rugido da minha loba ecoando pelo vale dante estava ao meu lado seu corpo iluminado pela fúria da batalha seus olhos agora dourados e vermelhos ao mesmo tempo lutamos como guerreiros nascidos do próprio caos cada golpe cada mordida era uma promessa de resistência mas Marcos veio até nós pessoalmente não mandou Lacaios dessa vez ele queria ver com seus próprios olhos o que havia nascido das cinzas de sua rejeição quando o vi o passado quase me derrubou mas então olhei para Dante e senti a força que havia em mim agora Marcos
nos lançou um ultimato entreguem-se ou morram dante soltou um sorriso frio nós já morremos uma vez agora somos imortais na tempestade e com um rugido que partiu o vale ao meio nos lançamos na batalha final daquela noite sabíamos que não venceríamos sem cicatrizes mas também sabíamos que nossas cicatrizes eram a prova de que sobrevivemos sob o rugido da tempestade nós escolhemos lutar escolhemos ser livres escolhemos ser nós a manhã seguinte nasceu em volta em fumaça e silêncio o cheiro de sangue ainda pairava pesado no ar misturado ao aroma amargo de terra molhada e carne queimada
caminhei entre os destroços cada passo afundando na lama enegrecida pela batalha da noite anterior meu corpo doía em lugares que eu nem sabia que existiam mas o que realmente me esmagava era o vazio havíamos vencido mas a que custo quase metade da nossa pequena alcateia havia caído amizades forjadas na dor e na esperança foram desfeitas em poucos minutos de brutalidade encontrei Dante perto do riacho ajoelhado lavando o sangue das mãos ele não chorava mas seus ombros curvados contavam a história do peso que carregava me aproximei em silêncio e toquei sua nuca sentindo atenção sobre sua
pele ele virou o rosto para mim e ali nos olhos dourados vi a tempestade que ainda não havia se dissipado "iso ainda não acabou" ele disse a voz rouca eu sabia marcos havia recuado mas não desistiria agora porém ele sabia do que éramos capazes ele sabia que nós não nos dobraríamos dante se levantou e juntos convocamos os sobreviventes era hora de decidir nosso próximo passo fugir e nos esconder novamente ou encarar de vez a fúria que se aproximava a votação foi rápida ninguém queria correr ninguém queria ser caça outra vez então lutaremos disse eu minha
voz firme ecoando entre os rostos manchados de sangue e lágrimas mas não como eles esperam seremos sombra seremos tempestade nas semanas que se seguiram nos preparamos como jamais havíamos feito treinamos até nossos corpos desabarem traçamos estratégias estudamos o terreno dante revelou tudo o que sabia sobre a antiga ordem que Marcos seguia uma irmandade de sangue guiada por tradições tão velhas quanto o primeiro ivo da lua não estávamos apenas lutando contra Marcos estávamos lutando contra séculos de tirania escondida sob peles de lobo durante uma dessas noites deitada ao lado de Dante olhei para o céu e
sussurrei: "Será que venceremos?" Ele me puxou para perto seus lábios tocando minha testa "não importa dde que lutemos juntos" as palavras dele se cravaram em meu peito como garras eu sabia sem sombra de dúvida que preferiria morrer ao lado dele do que viver sem ele quando a próxima lua cheia surgiu Marcos atacou novamente mas dessa vez não trouxe apenas lobos seres das trevas criaturas corrompidas pela magia antiga marcharam ao lado dele uma visão tão horrenda que alguns dos nossos quase fugiram mas Dante ficou firme e eu também a batalha foi brutal não houve tempo para
pensar apenas reagir sangue espirrava como chuva uivos de dor e guerra misturavam-se no ar pesado eu me perdi na fúria deixei a loba dentro de mim assumir e naquele estado selvagem descobri algo novo havia mais dentro de mim do que simples força havia luz havia fogo um poder antigo adormecido agora rugindo para despertar marcos me encontrou no campo de batalha ele sorriu aquele sorriso frio que tantas vezes me assombrou em sonhos vejo que finalmente despertou pequena loba zombou ele e você finalmente subestimou quem eu sou?" respondi avançando a luta foi terrível ele era rápido forte
e cruel mas eu era mais cada golpe dele me fortalecia cada tentativa de me destruir me fazia mais letal quando ele tentou me derrubar senti a energia dentro de mim explodir uma luz branca pura que lançou Marcos a met ele caiu de joelhos atordoado e pela primeira vez vi medo nos olhos dele dante chegou ao meu lado ferido mas ainda de pé acabe com isso Luna" disse ele marcos olhou para nós o orgulho quebrado e soltou um rosnado rouco "vocês não entendem o que estão desafiando?" "Entendemos respondi e não temos medo." Dei um passo à
frente e cravei as garras na terra encharcada invocando todo o poder que agora corria em minhas veias a luz explodiu novamente consumindo marcos em uma tempestade de energia primal quando a luz se dissipou ele não era nada além de pó carregado pelo vento silêncio um silêncio absoluto quebrado apenas pelo som dos sobreviventes que se reuniam em torno de nós havíamos vencido mas também havíamos mudado para sempre dante me puxou para seus braços e ali cercados pelos destroços da guerra selamos com um beijo o início de algo novo nas semanas seguintes reconstruímos o que havia sido
destruído novo sangue se juntou a nós velhos rancores foram enterrados sob a minha liderança e a força de Dante a nova Alcateia floresceu eu deixei de ser apenas uma loba rejeitada tornei-me a primeira alfa de luz guiando uma geração que não conhecia medo nem tirania mas o poder traz responsabilidades e segredos uma noite enquanto admirava a lua cheia Dante se aproximou em silêncio "ainda há muito que precisamos enfrentar" disse ele olhando para o horizonte distante "eu sei" respondi "mas desta vez estaremos prontos" ele sorriu aquele sorriso que sempre me fazia lembrar porque apesar de tudo
escolheria essa vida novamente nosso amor forjado no caos era inquebrável nossa força nascida do sacrifício era eterna e sob o rugido da tempestade nós éramos imortais a história da loba rejeitada e do lobo amaldiçoado tornará-se a lenda da Alcateia livre e enquanto a lua iluminava nosso caminho sabíamos que nenhum futuro seria escuro demais para nós anos se passaram desde a noite em que vencemos a guerra que ameaçava nos destruir a floresta que antes sangrava agora florescia sob o cuidado da nova Alcateia onde havia ruínas ergueram-se casas de pedra e madeira fortes como o espírito daqueles
que as habitaram onde havia medo agora havia riso vida e esperança dante e eu nos tornamos mais do que líderes nos tornamos símbolo um lembrete de que até mesmo as almas mais feridas podiam renascer sob a luz da lua nossos filhos sim filhos pois a vida foi generosa cresceram entre histórias de coragem e amor cada um carregava em si a chama da resistência que um dia incendiou a nossa batalha dante continuava tão imponente quanto na primeira vez em que o vi mas seus olhos carregavam uma paz que eu jamais havia presenciado antes a cada lua
cheia reuníamos todos ao redor da antiga pedra do juramento onde contávamos as histórias da velha guerra não para alimentar a dor mas para nunca esquecermos de onde viemos às vezes ainda caminhava sozinha pela floresta sentindo o sussurro das árvores o farfalhar das folhas o chamado ancestral que agora era parte de mim eu era alfa não apenas da nossa matilha mas também da lenda viva que atravessaria séculos uma noite sob uma lua mais dourada do que nunca Dante me encontrou sentada na beira do riacho onde havíamos selado nossa aliança de sangue ele se ajoelhou à minha
frente segurou minhas mãos já marcadas pelo tempo e sorriu com a mesma intensidade que sempre incendiava meu peito estamos envelhecendo minha loba feroz ele brincou seus olhos dourados cintilando eu ri um som rouco cheio de vida apenas nossos corpos amor nossas almas ainda correm como lobos livres ele me puxou para um abraço apertado e juntos observamos o reflexo da lua tremulando na água "você acha que eles lembrarão de nós?" perguntei "minha voz tão baixa quanto o vento." Dante não hesitou eles já lembram você é a história que contarão as gerações que virão fechei os olhos
sentindo a batida do seu coração contra o meu um lembrete de que mesmo diante do fim inevitável nosso amor era algo que o tempo não poderia apagar em uma clareira próxima nossos filhos ensinavam aos mais jovens a arte da caçada da honra e da irmandade seus risos enchiam o ar como música eu sorri sabendo que a semente que plantamos germinou em algo que nem mesmo a morte poderia arrancar dante me beijou a testa e ali sob o céu eterno eu jurei a mim mesma: quando meu tempo chegasse eu partiria sem arrependimentos porque amei lutei e
vivi intensamente naquela noite antes que o sol tocasse o horizonte reunimos a Alcateia inteira para um último ritual uma celebração à vida a lua a eternidade cada membro velho ou jovem uivou junto conosco seus eco se misturando no ar frio e cristalino um uivo ivo que era um hino um grito de liberdade um lembrete de que mesmo o mais profundo sofrimento pode florescer em amor eterno eu e Dante lado a lado erguemos as cabeças para a lua cheia e deixamos nossos espíritos se fundirem ao vento e assim sob a luz da eternidade nossa história foi
gravada nas estrelas m