Olá pessoal estamos aqui mais uma vez né com o nosso podcast fale com a gente sejam muito bem-vindos né meu nome é Rafael sou agente comunitário de saúde meu nome é Maria Carvalho eu sou agente comunitário de saúde estamos aqui para mais um podcast né Fale com a gente [Música] hoje estamos aqui com a nossa amiga cin que vai falar um pouquinho conosco né prazer né participar hoje do outro lado eh mas contribuir com esse projeto maravilhoso que eu falo com a gente se você não curte vai lá e Curta a página né E vai
no canal do YouTube é então vamos começar ca quem é ca bom né Eu sou C fanda mais Eu sempre gosto de ser chamada por Cíntia Fernanda eh Cíntia Fernanda de Lima Eu sou moradora da Vila de Ponta Negra eu não sou Nativa como as pessoas lá costumam dizer né eu cheguei em Natal com 6 anos eu sou natural de São Paulo eh eu sou técnica G Comunidade de saúde sou servidora 25 anos né Eh fiz o ano passado em novembro e a sim eh eu acho que é mais ou menos um resumo do que
sou ativista social porque tô né Sempre envolvida nas as atividades sociais na eh buscando efetivação de políticas públicas para minha comunidade pro meu território né que eu falo que é mita ân a gente tá territorializar né quando a gente tá num ambiente é preciso a gente conhecer aquele espaço para ver quais são as dificuldades e quais são as alidade daquele local muito bem hoje vamos falar um pouquinho né dos trabalhadores do SUS né Ca como a Luta pelos direitos das mulheres se relaciona com sua vida profissional e pessoal bom eu não sou muito boa com
números né de e datas mas quando eu comecei a me relacionar com essas atividades né como profissional de saúde Mas também como presidenta do Conselho unitário Na época eu fui convidada a participar de um coletivo chamado coletivo na verdade na realidade não tinha nome ainda a gente se reuniu os sábados à tarde para discutir eh as as questões femininas né O que fazia bem o que dividia um chá dividi uma conversa um biscoitinho só que aquilo tomou uma proporção que a gente não imaginava que ia chegar o ponto que chegou e aí a gente começou
a se reunir periodicamente né E era e a gente nomeou esse coletivo coletivo das 10 mulheres que era 10 que fazem 10 né e assim por diante E aí a primeira luta foi com relação à educação infantil né que eu acho que é a base de qualquer coisa a base é educação a gente sabe disso a gente que é profissional de saúde sabe que as duas coisas caminham lado a lado e a gente eh resolveu usar um espaço que estava lá abandonado que até então era do mês mas foi uma luta e a conversa vai
ser a comprirar se eu for falar né então assim foi essa primeira primeira demanda que a gente teve né a gente se reunia com as mães conversava com elas por causa da falta de vaga de creche e aí depois disso a gente se reuniu já num num outro paradoxo que é era com mulheres Senhoras que estavam sendo alfab iada num projeto que tinha acho que era até do no Sesc esse projeto e elas nos nos relataram a dificuldade do acesso à unidade de saúde isso me incomodou profundamente porque eu sou uma eu era não eu
sou uma profissional de saúde né eu era não eu sou uma profissional de saúde e aquilo mexeu com a gente no primeiro momento a gente fez um uma conversa chamada um papo saudável E aí a gente achou que não ficou legal esse nome que precisava ter uma outra cara E aí a gente foi juntando pessoas e quando a gente viu a gente estava botando uma sala com 50 pessoas para discutir tudo que era S saneamento a falta de vaga de creche a luta do campo do Botafogo a questão climática a questão de ambiental então assim
é uma um trabalho feito para efetivar políticas públicas né a gente não é uma Prefeitura né não é a prefeitura muitas vezes as pessoas confundem a gente quando a gente trabalha assim mas a gente tentava dar uma visibilidade ao nosso território e aí foi quando a gente montou o fó Vila e movimento quem quiser conhecer o trabalho também pode ir lá na é um tem uma página de nome Vila em movimento você já acha Lá é bem rapidinho de de de achar no Instagram no Instagram Pois é a trabalhadora né do SUS não é só
no postinho de saúde né é na comunidade no geral na cidade como um todo né porque queira ou não queira os problemas relacionad à nossa comunidade vist tamb bem a nossa cidade exatamente E aí S você já falou um dos pontos mas assim Quais as principais Barreiras né que as mulheres encontram no Sistema Único de Saúde eu fiz uma como tipo uma colinha sabe porque pra gente dar um Pode ficar à vontade né É a gente sabe que a força do trabalho no SUS é 75% feminina né mas isso ainda é uma coisa falando sobre
a trabalhadora Mulher trabalhadora do SUS Quais as nossas dificuldades e quando a dificuldade vem paraa trabalhadora ela também vai paraa usuário né porque se a gente é um num profissional que não está eh se sentindo bem no que tá fazendo a gente não vai render muita coisa no trabalho né então assim eh a questão de ganhar menos eh Pouca pouco vista para cargos de chefia as jornadas exaustivas né A gente trabalha mulher que sempre dá conta do Trabalho em si e também do da sua casa muitas vezes a cuidadora né cuida de um pai cuida
de uma mãe cuida de um filho doente então assim eu acho que vendo como a como trabalhadora do SUS eu acho que Essas são as grandes dificuldades que a gente tem mas como eu como eu coloquei no início essa dificuldade também pode fazer com que a gente não renda o trabalho né da forma adequada Então acho que isso é o é o nosso grande desafio né melhorar essas condições de trabalho que a gente tem cinta quais os impactos emocional psicológico de ser mulher e trabalhar no SUS Especialmente na crise do covid né da pandemia e
do covid-19 Além de a sobrecarga emocional né que a gente todo mundo que passou pelo covid a gente eh a gente tem que agradecer gente tá aqui todo dia a gente fecha os olhos e abre ele pela manhã e estando né bem fisicamente e a gente agradecer por est vivo agradecer está feliz né porque a gente também outras vidas a gente ajudou estar aqui aí assim junto com essa sobrecarga emocional né o aumento significativo de pessoas com distúrbios de ansiedade de de depressão a síndrome de Borno né as unidades em condições assim a gente vendo
que as unidades não tinham condições as condições eram precárias em particular eu acho que uma coisa que nos afetou como trabalhadora né que eu tô falando eu trabalho na unidade na Zona Sul e a nossa unidade na época da pandemia houve um roubo de vacina e foi na nossa unidade sim isso causou um transtorno tão grande entre nós profissionais eu não estava na unidade na hora estava em visita mas as pessoas que estavam dentro da unidade elas ficaram traumatizadas até hoje quando eu escuta o barulho de uma porta bater eh a pessoa tem um gatilho
de uma crise de ansiedade e o que assim o que a gente sentiu mais foi os gestores né as pessoas que eram para cuidar de nós a gente não teve apoio né não tivemos o apoio adequado tanto emocional porque foi um eh você imagine passar por uma situação uma pessoa armada dentro da unidade querendo de todo jeito que você entregasse uma vacina que eram pouquíssimas na época eh a violência que foi E ainda por cima uma pessoa depois ir à redes sociais e dizer que poderiam ter sido nós que tínhamos Roubados essas vacinas meu Deus
fomos acusados quer dizer são várias violências fora a carga emocional que a gente tem tá passando por um momento daquele que já estava já se dissipando porque tava chegando a vacina e aí você chega num num num alto nível de estresse né que eu acho que assim aos poucos aqueles que procuraram né fazer alguma coisa por si mesmo né porque não teve eu acho que quem passou aqui pela pandemia sabe que não teve apoio psicológico pra gente a gente teve que trabalhar no desbravando né tentando desbravar para descobrir né para descobrir que era a doença
como ela se comportava acho que tudo isso acho que todos os profissionais de saúde passaram por isso Fora as perdas né A gente trabalha em comunidade a gente conhece as pessoas elas não são meros números eu cheguei a dizer isso uma enfermeira quando ela estava falando S de situação não mas eu preciso desses números eu disse eu não conheço eu conheço essas pessoas essas pessoas elas não são números elas são pessoas que eu conheço elas são pessoas do meu dia a dia né então assim a gente precisa eh eu acredito que essa questão dos das
das as cargas emocionais foram pior desafio que a gente passou acho que em todos os tempos né e ainda passa né porque assim eh Outro dia eu tava até falando com uma colega a gente trabalha também na saúde e a gente é para cuidar do paciente e para quem é que cuida da gente né porque muitas vezes a gente não tem nem esse tempo nem esse acesso a gente tem como marcar uma consulta marcar um exame quando é pra gente enquanto profissional né tipo assim a gente fica sobrecarregado e e quando a gente está doente
que vai dizer estou passando por uma crise emocional Seja lá o que seja doença aí diz assim não você não pode como se a gente fosse uma máquina né E não é a gente é humano igual qualquer e a gente é paciente acima de tudo exatamente né quem cuida de quem cuida dos outros né É É muito triste né euv isso de que você uma situação bem atípica né no momento atípico você ainda ser suspeito de algo que você não fez né É muito triste isso aqueles que deveriam nos acolher e nos proteger né se
realmente se importassem conosco mas cítia vamos pra próxima pergunta o que que você acha que a interseccionalidade impacta nas vidas das mulheres que quero dizer com isso por exemplo a Mulher trabalhadora do SUS que lamenta né A Mulher trabalhadora do SUS Negra A Mulher trabalhadora do SUS com deficiência né A Mulher trabalhadora LGBT né De que forma todas essas particularidades influenciam né impactam na vida e no trabalho das mulheres e a outra pergunta que são duas perguntas e uma só você acha que as mulheres né em todas as suas especificidades sofrem mais assédios duas perguntas
bem bem interessantes eu eu eu acredito e Né tava até conversando com minha filha com relação a isso eh eu acho que as relações interpessoais dentro das nossos serviços eu eh a questão de né dessas a das inequidades né você ser mulher você imagine eu mulher preta gorda né quantos quantas a eh são as os próprios colegas às vezes fazerem brincadeiras eh aquela coisa velada mas que você sabe que se você eh vestir essa eu falo sempre que questão de vestir a camisa e você colocar isso como impecilho na sua vida eh ser Maise solo
né não ter uma rede de apoio eh você não vê tantas mulheres negras em cargos né cargos dentro da secretaria eh São pouquíssimos eu eu pelo menos eu não conheço nenhuma então assim eh ver poucas médicas né negras eh as pessoas não terem direito de de falar de da da questão de gênero nós nós estamos vivendo uma onda de conservadorismo que as pessoas têm medo de serem elas mesmas porque elas vão ser condenadas agora você imagine isso dentro de um serviço isso né que às vezes são 50 40 às vezes até mais pessoas são muitos
olhos e muitos julgamentos né E aí eu falo quando você não tem a empatia a empatia com seu próprio colega de trabalho como é que você vai ter empatia com o usuário pelo usuário como é que você vai fazer o serviço pelo usuário sem ver a pessoa como como né como ela ela se apresenta talvez ela nem se apresente porque ela tem medo do seu julgamento das suas palavras do que você vai dizer com relação à religião dela com relação a ela ser negra a ela ser homossexual Então se ela ser trans né então assim
são muitas dificuldades que eu acho que essa relação a nossas relações interpessoais são a maior dificuldade nessa coisa da dessa questão da Inter calidade porque a gente não na realidade a gente vela muito as coisas a gente não conversa a gente não senta para falar sobre isso né nas unidades não há conversa sobre isso a gente fala de Equidade a gente tá falando de Equidade conhecendo Equidade agora né tantas coisas né Quantas coisas a gente já já não passou para poder est aqui e discutir se a gente já tá vendo que tem barreiras para isso
que são os próprios nossos próprios colegas nossos próprios colegas de profissão por causa da questão do conservadorismo com relação a essas da de mulher eu acredito que as mulheres Sim sofrem mais assédios tanto dentro da dos serviços como do próprio usuário com relação a a a mulher eh tá mais suscetível não eu eu acredito que seja essa questão mesmo de dessa relação patriarcal machista né de achar que a mulher tá ali à disposição e que se você for solteira for mãe solo e se você não for casada e você tá ali como se você fosse
um objeto e é eu acho que é muito em cima é muito mais ela é muito mais assediada mulher verdade como a gente falou há pouco tempo né conversando ali esse curso fale com a gente e tá abrindo muitos caminhos né pra gente enquanto profissional do SUS profissional da Saúde mas ctia como o SUS pode melhorar as condições de trabalho para as mulheres e promover um ambiente mais incluso diverso e respeitoso vou tornar a falar M que eu falei agora no finalzinho precisamos sentar e conversar precisamos eh conversar com os gestores qualificar qualificar essa é
a palavra qualificar profissionais para que eles recebam as mul né A Mulher trabalhadora que a mulher não seja julgada aquo como Rafael falou a mãe que vai lá que vai precisar amamentar muitas vezes a mulher é julgada por isso a gente sabe porque inclusive existe estudos eu tava lendo esses dias que tem mulheres que diminuem o seu salário porque diminui a carga de trabalho diminui por exemplo Nós Somos 40 horas tem profissionais que pedem para ser 30 horas às vezes moram longe do seu serviço né moram longe do serviço e aí tem que amamentar tem
que ter vínculo com o seu filho muitas vezes a mãe vira uma mãe da creche Men passa o dia inteiro na creche e à noite só a criança só ver amanhã à noite então acho que esse é uma das coisas que a gente precisa precisa conversar para qualificar qualificar a nossa fala o gestor precisa estar sensibilizado para receber mulher negra mulher trans o que tiver de vir né E que o que a gente puder impedir a questão das iniquidad dentro dos nossos serviços mas eh é um trabalho árduo e duro que a gente sabe mas
que precisa ser conversado precisa ser colocado naqueles ambientes a mulher precisa ser valorizada a mulher a gente sabe não né Rafael eh a gente a gente sabe que no serviço de saúde como a maioria de Nós somos mulheres e na pandemia a gente viu o quanto a força motora da mulher né a gente viu aí cientistas disputando descobrindo coisas em menos de 4 horas e as vezes essas pessoas são essas as mulheres são menos valorizadas né menos valorizadas porque a gente vive na sociedade patriarcal e que ela faz isso com a gente então assim para
a gente ter um bom serviço precisa qualificar os gestores não tô falando só de gestor local não tô falando de gestor distrital na secretaria né que a gente precisa de uma forma em geral exatamente ambiente que a gente tá o ambiente onde a gente está trabalhando ambientes mofados portas quebradas insegurança né isso isso também precisa ser trabalhado como você trabalha num lugar você vai se sentir segura se a sua porta tá quebrada se você a qualquer momento po levar um choque na hora de acender a luz is tá digitando e de repente apaga tudo e
você perdeu tudo que você fez então assim nós precisamos mas eu acho que o principal é qualificar a a gestão sim eh ninguém solta a mão de ninguém foi uma frase né que nos últimos anos repercutiu bastante né precisamos saber se estamos segurando um n uns dos outros né mas assim qual o papel das redes de Apoio às mulheres dentro e fora dos serviços né Qual o papel dessas redes de apoio e de que forma essas redes de apoio podem eh melhorar ou lutar por melhores condições de trabalho para as mulheres trabalhadoras do SUS o
que eu acabei de n eu falei aqui sobre territorialização a territorialização é um serviço primordial do agente comunitário de saúde nessa territorialização a gente descobre e parceiros né os parceiros eh você tem biodança na sua comunidade faça biodança nós precisamos cuidar da gente né Nós precisamos nos cuidar se você tem práticas integrativas e faça as práticas integrativas interessante mas também tem serviços o ceste né O ceste que é o nosso serviço local que né que é o de referência do trabalhador que tá lá não somente para oferecer quando a gente está doente gente né porque
a gente sabe que boa parte da gente já estão Estamos tomando medicamentos né para poder dormir para poder não ficar ansioso mas existe técnicas que podem ser feitas que a gente não precisa tomar essa medicação exatamente e o serest ele não faz somente esse trabalho de de quando você tá adoecido né ele faz também uma uma atividade preventiva e eu tenho serpic também eu acho que esses esses serviços precisam ser valorizados e conhecidos porque muitas vezes a gente não sabe nem a rede que a gente tem de apoio a rede de apoio do território maravilhosa
a gente pode ter o né os Us usuários a nosso ao nosso favor a gente pode ter o Centro Comunitário que tá lá fazendo suas atividades a igreja as igrejas em si o centro né de de de umbanda todas as coisas que tiverem dentro da comunidade que puderem nos ajudar pra gente ter um um sair daquela ambiência do da unidade de saúde que só com quem ainda tem essa coisa de ser só só tratar saúde né ausência de de de saúde mas a gente precisa se cuidar também e a gente como servidor né como trabalhador
também temos direito de participar dessas atividades né e não é e não deixa de ser trabalho e não deixa de ser trabalho ten um grupo de 30 pessoas que caminha como Maria caler faz que a gente conhece o trabalho dela isso é qualidade de vida você tá dando qualidade a você e qualidade à pessoas que estão acompanhando então assim não é somente a visita domiciliar não é somente atendendo consultório não é somente a enfermeira né fic lá dentro do consultório todos nós precisamos de cuidados dos próprios colegas né enquanto eh unidade de saúde que eu
digo muito eh eu trabalho na unidade Mas eu também preciso da ajuda de Rafael lá na unidade dele e Lá é outra unidade mas ele pode me ajudar com ideias exemplos que ele faz na unidade dele então isso é importante Pois é é isso que eu tô falando são diversos serviços muitas vezes Rafael não sabe o que eu faço nem eu sei o que Rafael faz não sei o que Maria Carvalho faz e e são serviços que são essenciais para o que a gente pode imitar né O que é bom copia Cia para que a
gente possa as qualidad a né a a nossos trabalhadores a nossos usuários também eu acho que isso é de extrema importância Pois é Nossa amiga cint infelizmente Estamos chegando ao fim mas assim desde já agradecer né Em Nome do fale com a gente a sua participação aqui você quer deixar algum recado alguma coisa aí como eu falei no início né é importante que a gente divulgue esse trabalho do fale com a gente para que para que a própria comunidade os próprios territórios eles conheçam o trabalho do agente de endemis e o trabalho do agente comunitário
de saúde muitas vezes as pessoas eu lembro quando quando eu comecei a a trabalhar e uma vez uma pessoa chegou e falou assim você sabe aquela menina que fica na rua né que fica na rua então assim as pessoas nem sabem o nome da gente da profissão então assim importante que as pessoas tenham acesso a essa informação e vão lá curtam fal com a gente e aí Rafael Então é isso pessoal nos segue nas redes E não esqueça fale com a gente [Música]