[Música] ha [Música] no começo do Grande Sertão Veredas Guimarães Rosa faz um convite ao leitor Sertão estes seus vazios o senhor vá alguma coisa ainda encontra o Caminhos da reportagem veio ao Cerrado buscar as paisagens que inspiraram o escritor para descobrir se o Grande Sertão as Veredas e os sertanejos ainda estão por aqui [Música] [Música] prepare o seu coração pra história que eu vou contar eu venho lado do Sertão eu venho lado do Sertão e não é do Sertão das secas do Nordeste que vamos falar mas do Sertão de dentro Mineiro conhecido como Campos Gerais
com pastos e muita água e esse Sertão é a tradução da palavra criada pelos portugueses quando chegaram aqui Terra afastada da Costa que cobre a região central do país o serrado brasileiro o rubaldo fala você vai para o Sertão achando que não vai encontrar nada mas enca tudo quando ele fala o sertão é do tamanho do mundo Sertão está em toda parte O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro ocupa 25% do território nacional com 2 milhões de quilômetros quadros a beleza dessa paisagem está na diversidade Savana mata Campo serradão Vereda sertão por isso a
flora e a fauna Encantam tanto são mais de 7.000 espécies de plantas e mais de 10000 espécies de animais entre aves mamíferos anfíbios repteis insetos o sertão aceita todos os nomes aqui é Gerais lá é o Chapadão lá e acolá é a catinga ele sendo esse bioma de interligação ele tem elementos tanto da fauna quanto da flora de desses outros biomas e obviamente tem eh espécies né de de animais e vegetais que só correm no serrado ele tem uma característica muito importante que é eh o que a gente chama de caixa d'água do Brasil as
principais Nascentes das bacias brasileiras estão no serrado esses Gerais em Serras planas beleza por ser tudo tão grande repondo agente Pequenino Há também um outro Sertão quase esquecido embaixo da terra o serrado pré-histórico as descobertas de fósseis de animais do final do período pleistoceno mais conhecido como A Era do Gelo mostram que a diversidade da fauna 12.000 anos atrás também era impressionante o museu de ciências naturais da PUC Minas abriga uma das principais coleções de mamíferos fósseis que existiram no serrado brasileiro estão expostos esqueletos com de animais como tat gigante mastodonte gliptodonte entre elão famos
Tig SA o primeiro macaco fóssil Yama urso cachorro a pequena preguiça de a preguiça gigante foi em 1839 que o dinamarquês Peter William L descobriu esse Sertão pré-histórico ele visitou 800 nas da região de Lagoa Santa Minas Gerais onde encontrou mais de 12.000 fósseis resultado descreveu 30 espécies extintas de mamíferos entre tantas outras E hoje é considerado pai da paleontologia brasileira ele é um daqueles Viajantes tão comuns no final do século início do século xci hum etc e inventa Grande Viagem Pelo serrado para coletar plantas e até go na Gruta de Sumidouro Lund descobriu ossos
do homem pré-histórico brasileiro de 11000 anos que ficou conhecido como homem de Lagoa Santa a primeira escavação dele precisamente no lugar mágico não é ecob os seus Prime fseis grutas e cavernas exploradas por Lund nenhuma foi tão marcante como a Gruta de Maquiné localizada 15 minutos da cidade de Cordisburgo Minas Gerais em suas anotações destaca a beleza do lugar quanto a mim confesso que nunca meus olhos viram nada de mais belo e magnífico nos domínios da natureza e da arte e o Lund fala o seguinte que jamais poeta algum saberia descrever com tanta precisão a
beleza da Gruta de Maquiné o Lund descobre que 1875 quase 100 anos depois nasce justamente em Cordisburgo Guimarães Rosa que faz uma descrição maravilhosa da Gruta e no conto do Recado do Morro ele fala A Gruta de Maquiné com seus sete salões mais bonito do que uma igreja mais bonito do que uma capela mais bonito do que uma catedral então acho que el vai descrevendo a gruta de uma maneira brilhante uma maneira assim [Música] mágica mas tão de repente bonito lá se deser a gruta doé mil maravilha a das Fadas Peter L descobriu o pont
Bras rosa não apenas descreveu a gruta mas todo o sertão Mineiro e é hoje um dos maiores escritores da Língua Portuguesa que mexe com nosso coração Cordisburgo era pequenina Terra Sertaneja traz montanhas no meio de Minas Gerais só quase lugar o lugar se chamou Vista Alegre que o Padre João de Santo Antônio lá fosse levantar ao Sagrado Coração de Jesus um templo naquele mistério geográfico e fez se o arraial a o fundador chamou Burgo do coração só quase coração quando se chega na pequenina cburg a 130 km de Belo Horizonte Capital Mineira a sensação é
de que aqui o tempo passa mais devagar na rua principal encontramos a casa onde Guimarães Rosa nasceu em 1908 e viveu parte de sua infância hoje é um museu que leva o seu nome nesse cômodo da casa conhecido como alcova nós fizemos uma reconstituição do escritório do Guimarães Rosa no Rio de Janeiro como destaque nós temos sua máquina de escrever eu me lembro muito dele atrás da máquina escrevendo e escrevendo horas em seguida uma Continental pequena e ele escrevia a máquina com um dedo só fazia e com o outro dedo ele dava maiúscula só isso
é uma coisa que ficou na imagem ele sentado escrevendo com dedo na máquina em cadao objetos do escritor Mineiro livros e até mesmo sua coleção de gravatas [Música] borboleta US gravato borboleta porque nunca aprendi a dar laços nas gravatas comuns acho essa mais fácil gosto muito das pessoas mas tem horror a vida social não gosto de frequentar a vida social pois se not alguma coisa tenho log a loja do pai de Guimarães Rosa também faz parte do museu preservada nos mínimos detalhes é uma típica venda do começo do século XX nós fizemos né uma reconstituição
da venda do seu flodoardo mas conhecida como venda do seu Fô então Imagine você n o Guimarães Rosa criança convivendo nesse ambiente mee com o nosso coração deitar no chão imaginar histórias poemas romances botando todo mundo conhecido como personagem da Infância em Cordisburgo Guimarães foi para a capital Belo Horizonte onde estudou medicina ele conhecia mais de 20 idiomas mas falava fluentemente Alemão inglês francês e italiano e espanhol depois se tornou Diplomata em 1938 assumiu o primeiro cargo como cônsul adjunto em Hamburgo na Alemanha ao lado de sua segunda esposa ara de Carvalho que era chefe
da são de passaportes concedeu vistos a diversos judeus durante a segunda guerra mundial ele ajudou agora o o processo vamos dizer de ajuda mais direto era minha mãe era sua mãe é e o visto era excepcionalmente ele como substituto do csul jural quem dava o visto era csul geral e o csul geral que não era muito simpático a causa Judaica e havia uma instrução do Itamarati uma circular eu não me lembro agora do número eh vedando pelo menos criando muitos hes a visto emitas até oá fala emitas você vê o visto preenchido o visto com
a letra da minha mãe que era muito característica e ele assinando e quer dizer concedendo o visto mas foi através da literatura que Guimarães Rosa ganhou o Brasil e o mundo sua obra é composta por nove livros publicados em diversas línguas entre eles Sagarana e Grande Sertão Veredas além de manuelzão e miguilim ele se inspirou nele mesmo para fazer a história Então ela é autobiográfica miguelin é um personagem onde Guimarães zosa se descreve na infância como miguelin sempre em cburg todas as crianças querem se tornar melins e Melin que mexe com nosso coração correu outra
vez nem soluçava mais só sem querer dava aqueles suspiros Fundos drelina branca como Pedra de Sal vinha saindo melim o Ditinho morreu um pouco antes de sua morte Guimarães Rosa disse as pessoas não morrem ficam Encantadas e é na voz desses pequenos melins que o escritor continua Encantado e o senhor tirava os óculos e punhas do miguelin com todo jeito olha agora migin olhou nem não podia acreditar tudo era uma claridade de tudo novo e lindo diferente as coisas as árvores as caras das pessoas vi os grãozinhos de Areia a pele da Terra as Pedrinhas
menores as formiguinhas passeando no chão de uma distância e tonteava que me com nosso coração vestir a camisa do miguelin nesse jovem era como o doutor lá na história do miguelin colocar o óculos no miguilim Para quê Para Abrir os horizontes o grupo de contadores de histórias miguilim prepara jovens de Cordisburgo para encenar trechos das obras do escritor a gente tá na oitava geração do grupo né a gente começou em 96 com a turminha de 12 pessoas e já passaram mais de 100 crianças pelo projeto né que é o Projeto abriga são jovens né de
10 até os 18 anos de idade então eu falei olha os bois também com saudade dos pastos lá da fazenda para que que eu fui dizer isto Ele abriu ainda mais no bué e começou a chorar ai seu mocinho bom Ai seu mocinho bom me deixa eu ir S embora para trás me deixa eu ir S embora para trás Eu gosto da maneira como ele coloca as frases assim no meio da de um texto literário de como ele centra uma frase no meio de um texto e que você pode tirar para toda sua vida amigo
é que a gente deve ser sem saber por que é ele fala bastante de cords burgo ele uma vez ele diz cords Burgo quando ele escreve ele sempre se sente transportado para cords Burgo além disso em Minas Gerais Sou mineiro Isto sim é importante pois quando escrevo sempre me sinto transportado para este mundo Cordisburgo e este Pequenino mundo Sertão este mundo original e cheio de contrastes é para mim o símbolo diria mesmo o modelo de meu universo todo os escritores que viveram a beira mar escreveram sobre o mar ele nunca escreveu sobre o mar embora
da janela dele enxergava então realmente ele estava virado para dentro para Minas para pro sertão Então eu acho que assim ele se sentiu emocionalmente e intelectualmente ligado ao Sertão Guimarães dizia que era um homem do Sertão e que isso seria o ponto de partida para sua obra o primeiro livro publicado Sagarana de 1936 abre caminho para o Sertão universo sempre presente em suas histórias o decorar se torna fácil por isso porque depois de ler muitas vezes o texto né já vai gravando na memória assim aquela coisa aí por isso que fica mais fácil decorar o
difícil é só interpretar porque cada vez que a gente conta pode ser o mesmo texto Mas cada vez que a gente conta é uma experiência diferente então assim o que eu fico o que eu acho que é mais gratificante pra gente é isso é você narrar e receber aquele elogio das pessoas falarem nó quando você fala fica muito mais fácil de [Música] visualizar eu acho que Guimarães ainda vive aqui em cords Burgo Sim e também Cordisburgo vive em função de Guimarães Rosa né a literatura de Guimarães Rosa está espalhada pela cidade seja nos nomes de
loj restaurantes e até na alma de seus moradores seu brazinha é mais um apaixonado por esse universo se Guimarães tivesse conhecido esse sertanejo com certeza iria fazer dele um personagem é ali na sua loja Museu que Brasinha gosta de vozear expressão usada pelos sertanejos para falar do universo do escritor e que que tem de Guimarães aqui olha aí as pessoas trazem os objetos e aquele objeto conta uma história sabe conta várias histórias e tem muitos objetos que me lembram lá dos livros do guimarais Rosa tem essas varas de ferrão aqui que é as varas que
o pessoal toca Boiada a vara tem na ponta ela tem um um ferro um ferrão mesmo né então eles cutucava o boi né em Sagarana tem um conto que chama conversa de bois que eles falam que o homem do pau Comprido com marimbondo na ponta o Guimarães defina a vara de ferrão com isso é um pau Comprido com marimbondo na ponta que é o o que ferrou o boi essa obra me ajuda a viver me ajuda a fazer essa travessia de vida com a minha família com a meus filhos com meus amigos com vocês que
vem do sertal lá de fora eu eu essas bordadeiras também se inspiram nas obras de Guimarães é uma maneira muito gostosa de entrar na obra dele porque normalmente as pessoas acham difícil né de de ler Guimarães Rosa mas é difícil não é porque ele tem vários caminhos pra gente chegar até a obra dele igual no caso através dos Bordados elas conhecem a obra toda deles elas são as estrelas do Sertão o que mais me encanta no trabalho é é ver assim que você vê aquele pano mais ou menos solto lá com aquelas linhas o desenho
e depois você olha você você nem acredita que foi feito assim com a própria mão sabe você você fica sem acreditar naquilo que você tá vendo de tão lindo que fica quase não dá para acreditar que Dona Aurora aos 90 anos continua abordando essas histórias Eu adoro fazer as coisas que é bom até distrair eu bordo faço tricô faço crochê bordo qualquer coisa aqui qualquer ponto Sabe tem muito poucos que eu não volto Guimarães dizia que seus livros eram sua maior Aventura uma entrevista ele fala que o importante o escritor não é importante importante são
os livros né os livos ficam aí para para testemunhar né tudo tudo que você deu conta de fazer quando eu ouço os migin narrando história eu falo muito que eles são os zalos do Guimarães a palavra é encantadora e ele queria isso esses meninos mostram na palavra que mundo é esse que Sertão é esse que que que lugar é esse sabe isso é que eu chamo de uma leitura da alma do sertanejo alegrinho sem ve chames quase nunca fechava a boca não tinha vergonha de nada até ria logo então passa pelo Mutum uns tropeiros dias
que demoraram porque os burros deles quase todos estavam mancos quando tornaram a seguir pai de miguelin deu a eles a cachorra que puxava amarrada numa [Música] corda o senhor Mir Veja o mais importante bonito do mundo é isto que as pessoas não estão sempre iguais ainda não foram terminadas mas que elas vão sempre mudando no próximo bloco você vai conhecer de perto os sertanejos da Chapada [Música] Gaúcha devagarzinho fui forjando a becca me lembrei de minha terra para eu me di e descansei Mas não pense que sou covarde eu carrego um Bacamarte quando quero atiro
o escritor Guimarães Rosa era um homem do Sertão toda sua obra fala desse universo seu ponto detida sempre foi a alma do sertanejo e esses vastos Campos Gerais Eu acho que o Guimarães Claro tinha muita consciência do que ele tava fazendo sabe ele veio pegar eu falo muito ele pega esse Cerrado essa paisagem Nossa aqui do serrado dos Campos das Veredas e veste isso no sertanejo e pega o sertanejo e veste no serrado é uma troca que acaba aquilo vai pra Literatura e com uma magia quase que Sagrada né envolve a gente de uma maneira
grandiosa você começa a ler e não quer parar ao viável eu tinha de atravessar as tantas terras e municípios jogamos uma viagem por este Norte meia geral e se os livros são retrato do Sertão não é à toa ele realizou intensa pesquisa de campo enquanto escrevia ele já adulto ele já é escritor ele vai ter uma correspondência muito grande com seu pai e nessas cartas ele pedia ao pai informações e casos e causos que tanto ele tinha ouvido e sobre pessoas que conviveram aqui nesse ambiente em 1952 Guimarães Rosa fez a famosa expedição rumo ao
Sertão acompanhado de sertanejos Ele conheceu em detalhes a fauna a flora os costumes e as tradições desse mundo um exercício de convivência com os Vaqueiros no Truco na cantoria nos versos nas quadras nas brincadeiras na percepção intensa daquela natureza ali do serrado Mineiro com bicho planta água Vereda o vento durante 10 dias o escritor percorreu 240 km no lombo de uma mula e anotou em sete cadernetas tudo que via e ouvia sobre o serrado e a Vida Sertaneja Fiquei conhecendo os Vaqueiros que viajaram com Guimarães e Grand amiz com Zito com manuelzão com eles todos
e eles me Contagem o Guimar tinha caderneta de pendurada assim e anão se diz o Senor querendo proc Nuna não encontra de repente por si quando não espera o sertão vem tudo era motivo de anotação e as anotações retratam como que cultura e natureza não estão desvencilhado pelo contrário andam de mãos da desse ponto de vista o Guimarães Rosa é um guia sim ele ele você pode Verê ele como um inventário do serrado na década de 50 né de fauna Flora dos rios você da qualidade desse Rio porque ele escreve a água dos [Música] rios
você lendo as cardenetas você vê assim o colei das Serras transcrito no coleo da letra depois ele A fazia essas anotações quando ele chegava quando ele retornou ao Rio de Janeiro ele datilografo todo esse material e index todo esse material fazendo um índice por temas por né é boi cor de boi berro de boi rastro de boi cheiro de boi ele era um um perfeccionista perfecionista nunca satisfeito com aquilo que escreveu o exemplo é realmente esse rascunha temos primeiro Este é o primeiro rascunho e o resultado dessa viagem é a obra prima do escritor O
Grande Sertão Veredas e é com esse livro que nós vamos conhecer a vida a grandeza e a beleza do serrado brasileiro ele dá voz ao Sertão ele dá voz ao Vaqueiro ele dá letra a esses Vaqueiros que na sua grande maioria é analfabeta tanto assim que o a situação narrativa no Grande Sertão Veredas é a de um eh sertanejo que fala o tempo todo eh e o let escuta em 1956 Guimarães Rosa publicou Grande Sertão Veredas onde o jagunço riobaldo protagonista narrador conta sua Saga ao lado de diadorim seu amor impossível é uma história de
guerra entre bandos de jagunços mas também uma história de amor um guia da natureza do Cerrado e uma viagem pelas crenças que norteavam e assombravam sertanejos jagunço é o Sertão e o Grande Sertão para mim é onde mais chega perto a definição do que é o amor aquela história do Raldo do diadorim e a e a o amor a tudo o amor à natureza o amor às paisagens amor a Deus amor às criações do do do do Sertão é maravilhoso ali no no Grande Sertão igel que mexe com o nosso coração mas havendo ele querer
que só eu soubesse que só eu aquele nome verdadeiro pronunciasse entendia aquele valor porque amizade Nossa ele não queria acontecida simples no comum sem encalço a amizade dele ele me dava e a amizade dada é amor isso tudo ros conseguiu condensar num romance de uma de uma forma que fica na memória coletiva virtualmente de todos por causa de sua qualidade estética por causa de sua Ousadia e capacidade de invenção a obra de Guimarães Rosa despertou a curiosidade de muitos leitores brasileiros na década de 60 o então estudante alemão de literatura Wily veio ao Brasil em
busca do Grande Sertão Veredas nós na minha cidade de orem em Berlim na universidade de Berlim em 1966 um curso de um professor visitante da USP Ant Augusto suares amorae P romance e vim no mesmo ano em agosto de 66 e o primeiro cafezinho no Brasil tomei com ros quer dizer isso foi um ritual muito bonito de boas n a paixão P livros de Guimarães Rosa e pelo Brasil fez com que el ficasse porer de Belo Horizonte a Pirapora passando por cburg e la e olhando para a Serra do Cabral e o trem atravessando esses
riachos que dão no Rio das Velhas E pensei bom isso é familiar para mim é como se já como um dej algo que que você já já viu em sonho o desejo eu me senti em casa levo o sertão dentro de mim e o mundo no qual Vivo e também o [Música] sertão eu comecei a ler as outras histórias de Sagarana e fui achando pessoas lugares histórias e várias coisas reais que o Guimarães inspirou para fazer essa ficção então daí para frente eu comecei a procurar o real o que tem dentro da literatura do Guimarães
foi de incerta feita o evento quem pode esperar coisa tão sem pés nem cabeça eu estava em casa o arraial sendo de todo tranquilo parou me aposta o tropel cheguei à janela um grupo de cavaleiros Isto é vendo melhor um cavaleiro rente frente à minha porta equiparado exato aquele homem para proceder da forma só POD ser um bravo sertanejo jagunça até na escuma do bof e foi por conta desse Sertão às vezes real às vezes Imaginário que o Caminhos da reportagem fez a travessia em busca de paisagens e sertanejos que tanto inspiraram Guimarães Rosa destino
Parque Nacional Grande Sertão Veredas no noroeste de Minas Gerais e no meio do caminho um encontro Estamos aqui no vão doss buracos um lugar Centenário histórico que Guimar Rosa registrou no seu livro também que nem o vão do buraco Ah não é isso Coisa diversa por diante da contra do preto e do Pardo v a o conhecimento profundo que Guimarães Rosa tinha da região que ele fala além da parte cultural ele fala de botânica fala até do subsolo né ele tá falando que aqui onde nós estamos tem duas nascentes a do do Rio Pardo que
a gente se for descer ali vamos conhecer e a do Rio Preto que tá do Parque Nacional atrás da gente aqui uns 20 km mas em outras condições ali a gente rói rampa dificuldade para subir isso aqui pela obra de Guimarães Rosa Este Lugar era onde se encontravam bandos de jagunços era onde que havia combate da polícia mineira com os jagunços da época do bando de Antônio dó e outros bandos e os jagunços vinham para cá porque esse lugar era de difícil acesso não tinha estrada não tinha transporte então para chegar aqui só quem conhecia
mesmo o acesso ao vão dos buracos continua muito difícil mas jagunço não se vê mais por aqui hoje o sertanejo é pacato o homem da roça como seu João Grilo homem de Mansa lei coração tão branco e grosso de bom Seja bem-vinda licença todas Vamos sentar seu João o senhor mor aqui há muito tempo eu moro aqui há 45 anos que eu moro aqui nessa comunidade eu mudei para aqui eu era um garoto de 16 anos eu tô com 61 anos eu tenho 45 anos que eu moro aqui nessa comunidade e tenho 35 anos de
casal Eu sou filho de um Sertanejo e Sou sertanejo e a minha família toda é sertanejao e eu não não me acostumo na cidade não me acostumo tô nessa idade mas eu não acostumo na cidade Eu gosto da roça a roça mais um Sil é Mais Uma tranquilidade pra gente a gente pode criar uma crizin e tudo todo boi enquanto vivo pasta razão e feijão todo dia dão de renovar quando tá colhendo sabe que colheta é barriga cheia falando em barriga cheia Dona Maria de Lourdes mulher de seu João Grilo Estava cozinhando quando chegamos feijão
abbora Carrão fe um pira há do anos a luz chegou no vão dos buracos mesmo com a energia e a televisão pouca coisa mudou nos costumes sertanejos seu João o que que é isso aqui isso aqui é cabaça nós cham de cabaça tem muito lugar que o pessoal conhece por purungo purungo isso aqui né mas a gente aqui naão noss conheç ela por cabaça cabaça Marimba quando sai com a boiada você coloca água aqui para levar é isso coloca a gente coloca mesmo em casa para usar em casa ela é boa que ela é fri
é meio que tá na geladeira água perto de muita água tudo é feliz onde tem curso de água Vereda tem Bur o é conhecido como a palmeira de Deus pelos sertanejos Ela dá tudo sertanejo n uma palir Sagrada f20 chamo Bela larga Vereda a mais bela com Buritis grandes e meninos verde amarelo oiro neles o vento zumbe as folhas altas erectas se dedei ele não falou que as folhas se tocam ele falou se dedei como fosse uns dedos ele tá ressignificando esse Buriti e ao ressignificar ele vê o Buriti como um outro um outro sujeito
do a gente aproveita tudo né a palha dele a gente cobre a casa com ela o fruto que ele dá é um grande alimento bom demais faz estanato butic é todo azul e não se aparta de sua água carece de espelho minha mãe aprendeu com a mãe dela e minha avó que é a mãe minha mãe aprendeu com com a avó dela também né que já fal que é ind porque já de velha né não foi ninguém queou é de mãe filho faz parte de uma família de artistas na comunidade Ribeirão de Areia ela é
artesã seu marido Sebastião é músico e também constrói rabecas instrumento de cordas que parece um violino o filho Tiago Segue o mesmo caminho do pai foi fácil fazer ou foi difícil foi difícil foi difícil foi quanto tempo você levou fazendo eu acho que uns dois meses porque na escola não era todo dia era é uma vez por semana aí demorou não é muito fácil não por quê é muito trabalhosa é muito detalhe né isso exige muito cuidado muita atenção no serviço seu Sebastião aprendeu a fazer rabeca com o avô o meu avô quando ele veio
para aqui HS 57 anos que ele já mora nessa região ele já trouxe a Rebeca e chegou aqui já tinha também né passou um um fião aqui de fora né com a Rebequinha feita na roça pequeninha também dessa aí eu interessei achei muito bonito aí Inventei de fazer falei eu vou fazer aí fui voltei no no no meu avô pedi a informação para ele como que era aí foi me deu umas dica bem detalhada Aí eu inventei de fazer e consegui fiz uma e depois eu fui fui continuando e sempre fui aperfeiçoando mais né que
que mais encanta nesse instrumento é o som é um som diferente de outro instrumento apesar de ser de corda n tem vários instrumentos de ca mas não tem um com som igual [Música] né o senhor havia de gostar de ver aquela junta de povo cois que fal EAM o jeito como podiam se rir só Folia mesmo assim que seja uma fora de época mas que seja uma brincadeira com Folia envolvendo a folia e tem nos preparativos da festa Dona pedrelina e dona Antonina guardiãs dessa tradição falam de suas danças preferidas danço batuque danço lundu danço
roda O que que a senhora sente quando a senhora tá [Aplausos] [Música] dançando a comunidade Ribeirão de Areia é muito Festiva para eles todo dia é dia de folias de Reis eles se reúnem cantam e dançam a noite inteira danças como batuque roda canário lundu tradições muito antigas que surgiram com os escravos e portugueses e aos poucos foram entrando as raízes sertanejas e ficou assim essa dança da mulher aí tá dançando veio da África é dos africanos né trouxe essa cultura aí se misturar tudo criar folia de re quando libertou o Brasília saiu fazendo essa
fol achava bonito todo mundo ajudava né Patrocinar E aí continua até [Aplausos] [Música] hoje Guimarães diz o sertão está por toda parte mais difícil do que sobreviver no sertão é garantir a existência do próprio Sertão no próximo bloco você vai conhecer o maior parque do serrado brasileiro [Música] Rio uma travessia não é à toa que em Grande Sertão vered o personagem vai chamar Rio obal a gente quer passar o Rio anado e passa mas vai dar na outra banda e num ponto bem diverso do que primeiro se pensou o rio comia muitos bois Antigamente era
muito uc e o gado até hoje um gado que cai aí dentro dificilmente ele sai Depende do lugar que ele cai aí passaram a chamar Rio dos Boi isso há muitos anos atrás Seu Manuel mora com a esposa na comunidade Rio dos Bois na beira do rio de águas cristalinas Mas a vida ali pede força e coragem um céu azul no repintado com as nu não se Rem o homem sane é aquele homem resistente ele ele ele tem ele tem uma resistência parece diferenciada por ser mais forte por ser mais aguerrido San é uma mulher
guerreira que sempre luta para ter as coisas dia da manhã né que é muito importante uma aventura decer DEC imagem que está aí como imagem de uma uma procura de conhecer a si mesmo conhecer o outro através do amor veja essa figura enigmática de diadorim é é o relato do amor por diadorim que sustenta a fala de Rio Baldo e é todo esse Universo em volta porque os dois não estão sós no Sertão um pouco como diadorim rio Baldo em Grande Sertão Veredas Seu Manoel e acia vivem o sertão no processo da rapadura eles trabalham
lado a lado em todos os momentos sempre jun dois para cortar cana carregar para Moer tirar os ta sempre eu est junto mexer com as formas tirar rapadura da forma sempre eu t no meio ele nunca mexe sozinho é sempre mais eu [Música] das 6 às 11 horas da manhã trabalham sem parar o primeiro tacho de rapadura fica pronto ele coa o caldo de cana com uma espumadeira sujeira dela mesmo Por mais que você tira até na raspagem se você raspar a cana mesmo assim ainda contém a sujeira senão a rapadura não fica Clarinha ela
passa o café Tom CAF cafezin rpido a [Música] fendo como eu sou seu homem sempre bom teão [Música] ura continuamos Nossa travessia para a Serra das Araras mas a água mesma azul de um azul que haja que roxo logo mudava tiro Estronda muito no meio do Cerrado se diz que é estampo que é rimbombo antigamente esses eram os jagunços reais ou imaginários descritos por Guimarães Rosa que andavam por aqui hoje já é diferente eles não saem mais para guerrear para ir pra guerra ele saem para ir para [Música] festa muitos amigos se encontram aqui e
a parte religiosa Eu gosto bastante participo sempre participo da missa todos os anos eu gosto bastante é a festa de Santa Cruz na Serra das Araras onde mais 700 cavaleiros de comunidades da redondeza marcham até a cidade para a cerimônia religiosa queremos Recordar quando eles vinham de carro de boi trazia o toucinho trazia o frango nãoé trazia os alimentos e partilhavam e faziam as barracas e rezavam AS Novenas mas o espetáculo Fica por conta da cavalgada pelo Sertão [Música] ess sertanejo é manter as raízes é é mostrar aquele Brasil primitivo Brasil Caboco que não pode
ser esquecido [Música] né demiti meu cavalo na água os outros me acompanharam assim atravessamos certão não é só o espaço geográfico é o espaço metafísico então ele é aquilo que eu te falei ele te põe para que conhecimento é esse sabe você é tão bonito a natureza Por que que a gente tá [Música] destruindo travessia da minha vida as grandes coisas antes de acontecerem agora o mundo quer ficar sem Sertão passados 50 anos completamente IMP n esse Cerrado hoje em Minas grande parte foi transformado em carvão vegetal que alimentou Siderúrgicas em volta do Parque Nacional
Grande Sertão Veredas o que se vê são justamente as plantações de soja e as pastagens eu não gostaria que o serrado existisse só na obra do Guimarães Rosa nosso destino final par Grande Sertão Veredas ases baixando menorzinhas arregaçam saia no chão a gente olhava para trás um gavião andor foi o fim de pássaro que a gente divulgou é num lugar como esse que fica Claro porque Guimarães Rosa escolheu o nome Grande Sertão Veredas para sua obra prima lado a lado duas vegetações completamente distintas vive em harmonia do meu lado esquerdo a vegetação típica do Cerrado
arbustos árvores retorcidas que dão a ideia de pouca água Grande Sertão do meu lado direito as Veredas Fartura d'água Oasis do serrado não é só Vereda e a água que é vital que a gente fala o tempo todo ela vem tá ali do olho da água que junta com o outro com outro com outro que forma um rexim que forma que junta com outro que vai né Essas Águas Emendadas são fundamentais pra vida nesse planeta você não vê nenhum lugar do mundo Vereda é um bioma tipicamente nosso [Música] né mas o Sertão e as Veredas
de Guimarães não eram apenas lugares reais o fantástico e o Místico também faziam parte desse universo Sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar viver é muito perigoso para os sertanejos que vivem à margem do Rio Urucuia retratados no documentário Urucuia da diretora Angélica Del Rei o caboclo d'água é uma criatura mítica defensora do Rio que assombra pescadores e Navegantes o tempo que eu pescava aqui tinha dia que eu ia pescar de noite eles passava assim juntinho de mim passava para baixo passava para cima eu pedia
eles peixe per eles um fumo P Rad er na mesma hora que peix ol ros trabalha isso no grande cão Veredas e uma dessas é o o maligno o maligno é o diabo desassombrado eu desombre eu pensei que mau assombro fosse maior do que eu desassombrado eu desombre eu pensei que mau assombro fosse maior do que eu quem é que era o demo o sempre sério o pai da mentira ele não tinha carnes de comida da terra não possuí sangue derram então ali tá o o Deus e o Diabo né tá o inferno e tá
o céu que o Guimarães tanto Põe esse questionamento entre o bem e o mal dentro do Grand setão Lúcifer [Música] Satanás só outro silêncio e o senhor sabe o que silêncio é é a gente mesmo demais e foi aí que ele não apareceu e não respondeu no livro Grande Sertão Veredas o jagunço riobaldo tenta fazer um pacto com o diabo mas não é atendido para o professor de Literatura Willy b o pacto teria um sentido histórico e sociológico seria um pacto social o pacto é uma um compromisso dos membros de uma sociedade para o bem
de todos agora pode absolutamente afirmar que o país onde se passa ação do Grande Sertão Veredas seja eh um um país onde o bem é de todos o Grande Sertão ensina pra gente essa travessia de vida que a gente faz para onde a gente vai e no final lá ele fala não existe demônio existe homem humano Travessia nada o diabo não há é o que eu digo se for existe é homem humano [Música] Travessia k h [Música] h