E aí e a gente pode pensar que a educação infantil hoje está voltada está focada na uma noção de infância que é sempre bom que a gente lembre que é historicamente localizada na essa é a nossa noção de infância e e essa nossa noção de Infância é algo que tem se desenvolvido paralelamente exatamente a educação escolar então quando a gente diz que ela é historicamente localizada a gente quer dizer que ela nem sempre foi assim na nossa própria história mas o significa também que ela nem sempre é assim em outros lugares então em outras culturas
em outras sociedades em outros lugares do mundo e não só nos outros momentos históricos mas também né se nosso momento contemporâneo a outros modos de ser criança e de aprender inclusive Se a gente pudesse talvez pegar uma outra cultura específica e comparar com a cultura que a gente tá aqui no Brasil é a grande diferença professora eu gosto de pensar um pouco antes até do que você tava me perguntando que é quando a gente fala de concepção de Infância a concepção de criança tudo o que que a gente tá falando exatamente né porque essa é
uma das grandes diferenças O que significa ser criança pode ser muito diferente assim como já foi muito diferente aqui no Brasil ou na história desse que a gente poderia chamar de mundo ocidental enfim de próprio na falta de melhor melhor termo né porque você também é uma localização um pouco um pouco difícil de fazer mas enfim é o que a gente chama de criança o que a gente o que a gente delimita como a infância é algo muito muito específico muito particular em outros lugares inclusive se poderia dizer que não há uma noção de infância
é porque a gente pega uma tese que eu gosto muito que até de um explorador francês que é o Felipe ahi se escreve Ares é ele des ele mostra como na França no que ele chama de regime da né o regime antigo é como na França foi mudando a própria concepção de Infância ele não sugere que tem um momento em que um sentimento de Infância surgem que que significa o sentimento de Infância significa como ele mesmo diz não significa que as pessoas se afeiçoam mais as crianças não é uma questão emotiva afetiva significa que a
ideia de Infância se diz prega da em relação as idades da vida esse esse contrata com a ideia de adulto e é com sentimento da infância que a vida adulta EA vida infantil se distingue e se delimitam isso quer dizer que a gente só pode falar de uma noção de Infância efetivamente quando houver essa distinção entre o que é a infância EA idade adulta A escola é uma instituição que fez muito isso né ao desenvolvimento da da escola é paralelo a esse desenvolvimento de uma noção de infância e quando a gente lê que a criança
deve ir à escola e não pode ser explorada também é pela pelo mercado de trabalho Pois aqui tem tenho certeza que todos nós concordamos mas a gente também diz uma outra coisa disse que a criança não pode trabalhar então É como se você restringe-se a a experiência infantil ao que é lúdico e é o que é formativo e Educacional sem você imaginar a possibilidade em algumas algumas algumas atividades é que que são produtivas podem ser também lúdicas de aprendizagem ele formação só segunda coisa é uma das Pistas que a gente pode começou a seguir quando
a gente pensa em outros modos de ser criança mesmo no Brasil porque no Brasil muito grande região agrícola Acho que até as crianças indígenas essa esse conceito de trabalho é bem diferente também tem muito diversificado claro então por exemplo um filho do pescador sem não pode acompanhar o pai na pesca ele terá muitas dificuldades em aprender a própria atividade relativa a pescaria normalmente isso é vedado para seus filhos de pescadores hoje primeiro porque ele tem que acordar cedo para estar na escola né então eles não podem pegar um barco pesqueiro e passar a noite no
mar com como seria necessário na para que Ele pudesse de fato acompanhar tem que acordar cedo para ir para escola já complica essa essa convivência a fazer filhos uma atividade Pesqueira né agora e depois porque a gente costuma e a gente tentei transportado é muito muito diretamente Eu acho essa ideia de que a criança não pode explorar a ser explorada no trabalho é óbvio que a gente não quer que crianças exploradas por multinacionais por indústrias brasileiras ou seja lá o que for mas a gente tem é expandido imagino demais e de um jeito um pouco
refletido isso para toda e qualquer atividade produtiva o mesmo para criança Campesina como você lembrava ir para roça ajudar os pais na roça pode não ser terrível para essas crianças e podem ser muito importante para que elas se insiram nas atividades produtivas assim mas também é uma formação de uma condição de um corpo né de conhecimentos e aprendizagem de relação de constituir um relações que são importantes agora quando a gente pensa a criança hein se você tem uma grande experiências estudo tá faltando muito em cima disso também é que a criança indígena na vista que
concepção que se tenha o próprio pai relação ao filho que tem de grande dedo assim a grande diferença entre que nós vemos as crianças na cultura ocidental por exemplo errar a é muito difícil responder isso para conversar porque culturas indígenas e não-indígenas são muitas as culturas indígenas são muitas mas eu acho que a gente tem concordado um pouco em pensar a quem tem se dedicado a isso em pensar que para começar a gente não pode atribuir a essas crianças indígenas dessa condição de Infância né se tem essa que a gente tava falando aqui nós temos
ou seja essa ideia de que há um espaço e atividades e um modo de se relacionar com o mundo que específico das crianças né Então essas crianças estão normalmente em Convívio com as várias outras gerações quem tá participando muito mais plenamente das várias atividades desenvolvidas na pelas pelos seus parentes pelos seus colegas pelos seus amigos enfim indo para roça voltando pegando uma canoa indo pescar e voltando e etc então em geral nessas nessas lugares não a esse tipo de domínio específico que é um domínio da criança o outro o outro lado dessa mesma moeda é
a de que acho que não há é de que elas podem participar elas não são empregadas um domínio específico né então assim a gente teria que ver os dois lados da moeda assim não há coisas que são especificamente das crianças por outro lado delas também não não tem vetada a participação em grande parte das coisas são importantes para as pessoas com quem elas estão vivendo né uma outra coisa que a essas culturas indígenas têm muito marcada é uma é muito maior percepção é muito maior reconhecimento da Autonomia das suas crianças da da capacidade das suas
crianças de escolher o que vai fazer de escolher o seu destino e etc enfim por exemplo xikrin que é a população com quem é o trabalho com quem tem trabalhado que estão no Pará é uma população indígena de língua G eles é pautam muito aprendizado e aprendizagem das Crianças suas crianças pelo interesse demonstrado por essas crianças então eu por exemplo quando eu cheguei para trabalhar com eles eu buscava achar os lugares né só quero saber qual é o lugar de aprendizagem quem é que ensina quem é que aprendi Quais são os métodos usados para isso
e ficava procurando isso em qualquer lugar e de foto eu tive que perceber Em algum momento que não há lugares específicos de aprendizagem nem relações específicas a mask se dá a essas crianças e aos jovens a possibilidade de que eles aprendam né então ao fato o ciclismo e sempre me disseram assim as crianças tudo salão porque elas tudo bem Oi e eu demorei muito tempo para entender isso né e eu que eu fui perceber que o que elas dizem é essa pessoas me diziam elas estão aí e Se ela souber em ver se elas puderem
ver elas poderão aprender sobre todas as coisas que elas podem vivenciar e e observar o que não quer dizer e essa outra coisa que eu tive que aprender o que não quer dizer que eles não perceberam a diferença entre ser criança ser adulto e que também não se diferencie o conhecimento da criança conhecimento do Minho né da criança de técnicas e conhecimentos e o de adultos então isso também sempre me falaram Ah mas as crianças nada sabem porque elas são crianças que eu faço como é que eu posso lidar com elas Todos sabem porque são
crianças e nada sabe porque são crianças e Era exatamente isso cedo elas todos podem saber porque nós não assim encerramos em lugar nenhum não as vê tamos conhecimentos e aprendizagens e experiências e pensas Mas elas também poderão saber aquilo que é possível saber naquele momento e com aquele Aquela quantidade de vivência e experiência me parece uma um modo muito respeitoso né de lidar com a participação das crianças no mundo e com a e com a sua capacidade de lidar com essas experiências e aprender com elas pode ser é possível traçar um perfil da criança Brasileira
hoje quem é essa criança Ela mudou no decorrer da história o que a gente pensava dela mas a gente for olhar para essa criança hoje quem é essa criança e eu acho que eu acho que eu não seria capaz de fazer isso a gente de traçar o perfil da criança Brasileira hoje exatamente por causa daquilo que a gente falava crianças indígenas em diversas condições espalhadas pelo Brasil afora vivendo concepções de infância de aprendizagem muito diferentes as crianças campesinas a crianças pobres a crianças ricas a crianças que moram na metrópole a crianças de uma diversidade de
experiências e vivências né agora por outro lado eu acho que a gente pode dizer que a criança tem ganhado sim uma o que uma participação uma uma o Brasil tem olhado mais para criança e para o seu direitos né isso isso quer-me parecer que isso é verdade o tanto que a gente pode perceber uma uma melhoria né nas suas condições de saúde e na sua atenção básica de saúde é o que se tem garantido no Brasil né agora Talvez o Brasil ainda Precisa Reconhecer mais adversidade da experiência da infância nesse vastíssimo território exatamente sobre o
que a gente tava falando Talvez seja algo que a gente ainda possa ver acontecer que eu possa que a gente possa esperar ver acontecer no futuro quem sabe o futuro próximo em que o Brasil seja capaz de exatamente não quer saber que o perfil da criança brasileira é um perfil múltiplo diverso e que merece ser reconhecido em sua diversidade e