Olá, estudantes do curso técnico de auxiliar de docência de educação infantil. Sejam bem-vindos a mais uma live da nossa formação, essa agora da disciplina desenvolvimento humano, que foi concebida pela professora Carla Malini. A professora Carla é pedagoga, mestre em educação, é professora aposentada de Belo Horizonte e além de diversas ações de formação, integra o programa Pro Lei.
Ela é professora do curso de pedagogia da Universidade do Estado de Minas Gerais, a UMG, nas disciplinas de educação infantil. Então, pro nosso momento formativo de hoje, a gente convida para ela, a professora Carla Malini, que vai conversar com a gente, dizer um pouco dessa disciplina que vai começar agora eh [roncando] no Professor, seja bem-vinda ao nosso curso de docência de de auxiliar de docência de educação infantil. Eu passo a palavra uma boa formação para todos aí.
Obrigada, Gustavo. Obrigada, Adson, que também se encontra aí na nossa no nosso suporte. Eu vou me apresentar.
Eu sou uma mulher branca de cabelos louros, abaixo do ombro. Hoje eu estou usando um batom. Eh, tem os olhos azuis.
Estou usando uma blusa vermelha e branca. Estou falando de Belo Horizonte, tá? É [roncando] uma alegria para mim estar aqui com vocês, né?
Nós estarmos juntos aqui para mais um encontro do nosso curso de auxiliares de docência de educação infantil. Esse curso que é tão importante para nós, que tá sendo construído com muito carinho, com muita responsabilidade por muitas pessoas e para muitas pessoas, né? para atender esse direito dos profissionais da educação à formação e, por sua vez, atender ao direito das crianças de terem profissionais qualificados, que compreendam o que que significa cuidar e educar de bebês e crianças de até 5 para 6 anos, né?
nós vamos a eh apresentar, né, aqui o nosso na apresentação aqui dos nossos slides, né, eh, a gente pode verificar o percurso que a gente já teve até agora, né, vejam, há pouco tempo vocês começavam a trabalhar no eixo um, né, estudaram sobre as abordagens da educação infantil. sobre os direitos das crianças, inclusive tratando até de informações bem recentes, bem bem novas, né? tão realizando as atividades das práticas pedagógicas supervisionadas e, enfim, estamos chegando aqui com a última disciplina dessa primeira parte, do primeiro eixo do curso, disciplina desenvolvimento humano.
Nós temos então quatro unidades, né, [roncando] como as demaisci disciplinas têm. o desenvolvimento humano e primeira infância, a introdução da disciplina, vem nos dizer do que que nós estamos falando mesmo, né? Que que é isso de desenvolvimento humano na educação infantil?
Depois passamos para algumas das muitas teorias sobre o desenvolvimento, né? Algumas, né? Das teorias.
>> [roncando] >> Na unidade três, a gente fala das relações das crianças com as outras crianças e as demais pessoas na educação infantil, com a linguagem, com a cultura, com os conhecimentos do mundo. E na unidade quatro, finalmente, nosso assunto é a diversidade, a inclusão e o compromisso dos adultos com estudo. Apesar de organizados em quatro unidades, é claro, né?
Os temas relacionam-se entre si, se relacionam com os temas que já foram desenvolvidos em outras disciplinas e também com os que virão, né? Eh, nós estaremos sempre falando do papel dos adultos também na aprendizagem e no desenvolvimento das crianças. Nesse encontro de hoje, nós vamos falar mais sobre as duas primeiras unidades e na próxima semana a gente se encontra, né, no próximo dia 18 a gente se encontra para tratar das unidades três e quatro.
trataremos eh do começo, né? A gente lembrando que na educação infantil a gente a gente aqui eh tem considerado em geral os bebês como sendo os sujeitos de zero a 2 anos e as crianças as demais crianças de 3 a 5 anos. Nós gostamos de reforçar que nós temos bebês porque eh os bebês muito tempo eles ficaram relegados a um um segundo plano quando a gente dizia do conjunto de crianças.
Então nós gostamos de dizer bebês e crianças, né? pensando que os bebês e as crianças de z0 a 3 anos são aí a primeiríssima infância dentro da primeira infância que é o 0 a6, né? Nós gostamos de trazer o bebê para esse lugar de centralidade como um sujeito também competente e importante aqui do nosso estudo.
Porém, na Base Nacional Comum Curricular, vocês sabem que existe lá uma outra divisão, né, uma outra nomenclatura para falar dos bebês das crianças bem pequenas e das crianças pequenas, né? Geralmente a gente tem usado aqui mais essa primeira, esse primeiro jeito de nomear, tá? Eh, é importante a gente lembrar disso, né, de desse lugar dos bebês.
E eu então espero que a gente que vocês estejam, né, gostando lá e do do que vocês estão vendo e que aproveitem o nosso material. Bom, para continuar, então, para entrar de vez na nossa prosa aí de falar das crianças, eu vou convidar vocês a compartilhar comigo a leitura desse livro, um livro que eu gosto muito. Eu gostaria que vocês, enquanto a gente lê, observem e pensem o lugar dessa criança que tá retratada.
Quem é essa criança que tá retratada na história, né? [roncando] Eu preciso dizer antes da leitura algo muito importante, que nós não recomendamos a reprodução de livros para leitura com as crianças ou paraa leitura no dia a dia na escola. Esse livro ele está em slides aqui sendo reproduzido somente porque é a única forma que nós temos de trabalhar o livro, visto que nosso encontro é virtual.
Eh, isso é uma questão de direitos autorais. Há toda uma um trabalho, né, feito por diversas mãos e que precisa ser remunerado. E o que remunera esse trabalho é a compra dos livros, né?
Então, o que a gente sugere é que as que as instituições, as escolas, as pessoas adquiram os livros, né? Bom, então vamos lá. Enquanto lemos, observe e pense sobre o lugar desse bebê na história.
Tanto tanto escrito por Trish Cook, ilustrado por Helen Oxenbury. Eles não estavam fazendo nada, mamãe e o bebê, nada mesmo. E então, trim, trim, olá.
Mamãe olhou para a porta e o bebê olhou para a mamãe e era a titia. Tia Tia entrou com os braços bem bem bem abertos e com um sorriso grande grande. Olá, ela disse, eu quero apertar essa gracinha.
Eu quero apertar esse bebê. Eu quero apertar essa coisinha tanto, tanto. E ela sentou o bebê no colo para ele bater palminha e balançar os pés.
E ela mostrou para ele um livro cheio de figuras. Hum. E eles não estavam fazendo nada.
Mamãe, o bebê, tia, nada mesmo. E então, tr, lá de casa. Mamãe olhou para a porta, tia olhou para o bebê, o bebê olhou para a mamãe e era o titio.
Tio Didi. Tio Didi entrou erguendo as sobrancelhas bem bem alto e formando com a boca um bico bem bem bem apertadinho. Oi, oi ele disse.
Eu quero beijar essa gracinha. Eu quero beijar esse bebê. Eu quero beijar essa coisinha tanto, tanto.
E ele pôs o bebê nos ombros, curvou as costas e bê balançou de cima para baixo. E ele fez o bebê dar uma cambalhota por cima de sua cabeça. Balalão.
E o bebê quase foi parar no chão. Oba! E eles não estavam fazendo nada.
Mamãe, o bebê, tia Bib Didi. Nada mesmo. E então, trem, trem, uhu, uhu.
Mamãe olhou para a porta, tia Didi olhou para a tia tia olhou para o bebê, o bebê olhou para a mamãe e era a Nana. Nana e vovó. Nana e vovó entraram de bolsa, sombrinha, chapéu, colar, anel e brincos.
Uhu! Uhu, disseram as duas. Eu quero comer essa gracinha.
Eu quero comer esse bebê. Eu quero comer essa coisinha tanto, tanto. E elas deram nele um abraço tão apertado, fizeram tanto carinho, que o bebê achou tudo tão gostoso, que cantou e dançou junto com elas até cansar.
Eles não estavam fazendo nada. Mamãe, o bebê e tia e tio Didi e Nana e vovó. Nada mesmo.
E então, trem, trem. É, turma. Mamãe olhou paraa porta, Nana olhou para a vovó.
Vovó olhou para o tio Didi. Tio Didi olhou para a tia Tia olhou para o bebê e o bebê olhou para a mamãe. E era o primo.
Primo Kiko. E Tonio, o primo grandão. Primo Kiko entrou girando o seu boné no dedo.
Zup zup zup. E pulou tal qual um cavalinho. Opa, opa.
E turma, ele disse, eu quero lutar com essa gracinha. Eu quero lutar com esse bebê. Eu quero lutar com essa coisinha tanto, tanto.
E eles lutaram e lutaram. Primeiro ele empurrou o bebê e o bebê então deu um golpe nele. Depois ele deu um apertão no bebê e o bebê deu um tapa nele e eles riram e riram e riram e a casa estava cheia, cheia de gente.
E todos ficaram ali sentados esperando o próximo. Trim, trim. Esperaram, esperaram e nada.
Mamãe disse: "Tudo bem com vocês? " E o bebê e o primo começaram a lutar de novo. Nana e vovó pegaram baralho dominó.
Tio Didi começou a espalhar os jogos na mesa. Tia ligou o rádio bem alto. Mamãe disse: "Que loucura virou essa casa".
E aí eles não estavam fazendo nada. Mamãe, bebê, tia tio Didi, Nana e vovó e os primos Kiko e Tonio Grandão. Nada mesmo.
Então, trim trim. Oi, cheguei. A turma parou e ficou olhando.
Mamãe pegou no colo e todos foram para a porta. "Surpresa! ", eles gritaram.
E mamãe disse: "Feliz aniversário, papai". E todos deram abraços e parabéns. Então, papai esfregou o rosto do bebê na barba de seu queixo.
Mamãe trouxe o lanche preparado por ela. Todo mundo se divertiu na festa e quando chegou a hora de cada um ir para a sua casa e todo mundo já estava cansado, hum, o bebê ainda queria brincar mais. Mamãe disse não.
E pôs o bebê na cama para dormir. Mas o bebê brincou de pula-pula com seu ursinho, de pula-pula em seu bercinho e ficou se lembrando de todos, todos dizendo como queriam apertar o bebê e beijar o bebê e comer o bebê e lutar com ele, porque todos gostavam dele tanto, tanto. Então esse é o nosso bebê, né?
Essa criança aí que é tratada com carinho, brincadeira, interação dos adultos e tá aí representando as nossas crianças para nos ajudar a pensar no seu desenvolvimento, né? Eh, essa eu gosto muito desse livro porque ele retrata o cotidiano de muitas das nossas famílias, mesmo que elas não tenham um pai e uma mãe que sejam famílias em outras configurações, eh, em geral, as famílias interagem com o bebê dessa forma lúdica, ao mesmo tempo, com com rotina, com uma organização E esse bebê, é, né, muitas vezes se torna o centro e é alguém ali que vai se desenvolvendo junto com o desenrolar da vida cotidiana na família, né? Então aqui junto com isso, eu convido vocês a gente a pensar então gente, que que é uma criança?
Então, o que ela quer? O que que ela precisa para se desenvolver, para se tornar humano, não é? A professora Solange Jobim vai nos nos ajudar aqui para nos dizer que esse bebê ele é um sujeito de ação, de movimento, de relação, de linguagem e de cultura.
Olha como que a linguagem, né, é importante pra gente viver nesse nosso mundo humano. E aí ela vai dizer que o infante não é simplesmente aquele que não fala, né, que é a origem da palavra infância, né, mas sim aquele que luta para criar sua própria palavra, instituindo-se a si mesmo e ao mundo que o cerca, né? Então aquela criança tá lutando no mundo para aprender, tá interagindo e tá sendo inserida nesse mundo, né?
E vai se desenvolvendo a ponto de compreender a si mesmo e compreender, né, como que é esse mundo que que o cerca, né? Então, para falar dessa criança, dessa nessa infância, nessa etapa tão singular da vida, né, nós estamos falando então eh nesse desenvolvimento, por esse desenvolvimento humano que começa na primeiríssima infância e vai até a velice, né, eh, que passa por diversas fases da vida, eh, no desenvolvimento infantil, Em geral, nós classificamos por essas dimensões aqui, né? Nós vamos então refletir sobre essas perguntas, compreendendo a infância como essa etapa singular que é marcada por intensas aprendizagens, intensas transformações, né?
E que esse desenvolvimento ele vai acontecer de uma forma integrada, né? Quando a criança brinca, ela fala, se movimenta, se relaciona, ela está se desenvolvendo por inteiro, né? Quando a gente fala no desenvolvimento físico, a gente destaca o crescimento, a motricidade, né, o desenvolvimento corporal.
Quando nós, eh, nos referimos à dimensão cognitiva, nós estamos dizendo dos processos mentais, da aprendizagem, da linguagem. E quando nós nos referimos à dimensões sócioafetiva, nós dizemos das emoções, as relações sociais, da identidade, da personalidade da criança. lá no início do da nossa unidade um, nós temos, né, uma parte que comenta sobre as neurociências, né, e que a neurociência ela estuda, né, o sistema nervoso, especialmente o cérebro, buscando compreender como que ocorre o desenvolvimento, como ocorre a aprendizagem, a memória, as emoções, os comportamentos humanos em geral e A neurociência vai nos mostrar por meio das pesquisas que o grande pico do desenvolvimento cerebral humano, ele acontece nos primeiros anos de vida, né?
Essa ilustração vai mostrar pra gente aqui, ó, neste desenho, né, nessa nessas linhas, né, do desenvolvimento, [roncando] do nascimento, os meses e os anos, né, da das crianças. quando ele tem 5 anos, olha lá o o, né, que é um pico, é a formação da sinapses, né, os picos de desenvolvimento, nós podemos chamar sinapses como elas fossem como se elas fossem, grosso modo, eh, ligações, né, neuronais que são estabelecidas aí nessa grande rede neuronal que é acessada e que e que que se desenvolve, né, no decurso aí da vida humana. Então [roncando] isso não quer dizer que durante o resto da vida não tenhamos um bom desenvolvimento neuronal.
Mas o que a neurociência nos alerta é que nos primeiros anos as os bebês e as crianças precisam estar expostos a muitas interações e de diversas maneiras, de diversas ordens, né? Eh, vocês vão ver aí no material inclusive o esse conceito de plasticidade cerebral que é ligado a esse modo de funcionamento que favorece grande desenvolvimento em tão curto tempo de espaço aí para esses bebês e crianças, que a neurologia até fala, a neurociência até chama de janela de oportunidade pro desenvolvimento, né? Porém, além dos aspectos biológicos, né?
a gente, o ser humano. E aí na nossa na nossa teoria, nas teorias que a gente vai estudando aí no no material, eh nós compartilhamos da psicologia histórico-cultural e a psicologia histórico-cultural, principalmente vigotes que valon vão nos ajudar nessa compreensão, vai nos dizer que nós nós temos sim eh que ter esse bom um desenvolvimento biológico, né, que que acontece nos sujeitos e que a neurociência explica e organiza, mas que o desenvolvimento humano ele se dá na interação, ele se dá na interação, nas relações com as pessoas, na relação com o mundo, ou seja, é na cultura que os bebês, as crianças, os sujeitos, eles vão se tornando humanos. O que diferencia, né, a gente dos outros animais é a interação pela cultura.
Se não fosse a cultura, o modo de ver, o modo de viver, as experiências que a gente vive no nosso ambiente, talvez nós pudéssemos ser apenas como outros animais. Mas quando eu estou dizendo de cultura, eu preciso eh chamar atenção para que o o termo cultura aqui ele é usado não como acúmulo de conhecimento, mas como um jeito de viver e de dar significado à nossas experiências. Então, eh, nós estamos nos referindo ao modo de pensar, a como a gente age, como a gente se relaciona e que isso é construído nas relações, construído socialmente.
A gente não usa assim aquele termo: "Ah, fulano é muito culto porque ele lê muito. " Não, não é esse sentido, tá? A gente vai tratar também em outras disciplinas sobre essa questão da cultura, mas entendendo a cultura como um modo de viver de algum povo, né?
E aí no slide, olha, a professora Rita Ribes vai nos dizer que desde os primeiros instantes da existência dos sujeitos, muitos mecanismos culturais entram em ação, dando pro movimento do bebê um caráter cada vez menos automático e cada vez mais imitativo e deliberativo, ou seja, [roncando] cada vez menos eh no início o bebê nasce como um outro bebê de outra espécie animal. Mas a cada interação que a gente vai fazendo, vai tendo com esse bebê, aquilo vai sendo menos automático como algo da da, né, como algo da espécie humana, animal e cada vez mais imitativo e intencional, né? Então, os primeiros choros, os primeiros sorrisos, os primeiros movimentos, os primeiros movimentos eles não são intencionais, mas à medida que o adulto interpreta, né, diz: "Olha, você tá chorando, será que você tá com fome?
Mamãe vai te dar mamá". Quando o adulto interpreta e vai gerando essa comunicação, é isso que a gente considera que seria, né? nascimento cultural do bebê quando ele tá inserido nisso.
[roncando] Então, a gente nasce da espécie humana, mas precisamos da nossa cultura, do nosso jeito de viver, né? Do jeito de viver da espécie humana e da nossa comunidade, onde a gente vive para que a gente se desenvolva, né, de um modo saudável. OK?
Então é isso, né? a gente tem um nascimento biológico ligado a essas funções psíquicas elementares, né? reflexos como o bebê recém-nascido, que às vezes, eh, né, se mexe de alguma determinada maneira, memória sensorial, né, sensações principalmente táis e por meio das narrativas, das experiências, das vivências, a gente tem o o que a gente chama de nascimento cultural, que vão gerar as funções psicológicas superiores, né, né, que é a atenção, a memória, a intenção, o pensamento, a fala e por aí nós vamos, né?
A gente precisa sempre se lembrar da indissociabilidade também do cuidar e educar, que é fundamental para esse desenvolvimento, né, dessas funções superiores, né, e que a gente o tem inclusive um trecho lá no nosso material, né, falando da importância do afeto, né, que perpassa as relações e que tem que ter uma implicação pessoal do adulto quando a gente tá no ambiente com as crianças lá na creche, no bersário, na escola, né, que apesar de talvez o bebê eh eh de ainda o bebê não falar, né, nós precisamos falar com ele, nós precisamos interagir com ele. Então, as ações que a gente realiza com os bebês, elas precisam que a gente esteja implicado ali com ele o tempo todo, interagindo. E isso não pode estar separado dos bons afetos, né, dos afetos que vão ajudar a criança a compreender inclusive as suas necessidades, né?
Aí agora eu gostaria de mostrar para vocês esse videozinho de um bebê recém-nascido prestando atenção na conversa da mãe. Ele, a mãe tá conversando com ele. Aí a gente tem uma pergunta, né?
Se o bebê não fala, para que que eu preciso conversar com ele, né? Então, por que que eu vou considerar esse sujeito competente? ou alguém com quem eu tenha que conversar, né?
Vamos pensar nisso. Vamos pensar nisso vendo esse bebê. Ei, mamãe!
[música][canto] Ei, querido, meu amor. [música] [canto] Você tanto olha pra mamãe mamãe. [canto] Uma câmera.
[música] É uma câmera, mamãe. Querido, tá cansado? [música] [canto] Sono, mãe.
Soninho. Soninho, [música] mamãe. Ei, que que [música][canto] você tá querendo olhando aí pra câmera, hein?
>> [canto] >> Gente, [música] que olhão, gente, que olhão. [música] >> Bom, eh, eu espero que, deixa eu só voltar a apresentação aqui. Isso.
Espero que vendo esse vídeo, né, a gente pense em como que a gente lida com isso no ambiente do trabalho, né? A gente tá vendo aí, ó, essa mãe, ela coloca em palavras as necessidades do bebê para ajudá-lo a entender as suas necessidades. Então, ela tá dizendo: "Você tá olhando?
Que que você quer? Você tá com soninho? As crianças vão aprendendo a pensar, as crianças vão aprendendo a sobre as suas necessidades por meio dessa interação.
É muito claro que um bebê muito recém-nascido, se eu estiver dizendo para ele ali, você tá com fome? Eu vou te dar a comida daqui a pouco, não é agora? Talvez, né?
Talvez não. Eh, com certeza ele não sabe que é aquilo que ele tá sendo dito, mas ele tá interagindo ali com a voz melódica da mãe, com o tom e com a memória que ele tem de quando estava na barriga da mãe, porque a gente já sabe também que ele tem memória da voz da mãe, de quando a mãe fala com ele, né, ainda no útero. A medida que a gente vai fazendo isso com as crianças, eh, ao longo da vida, a gente vai ajudando, ajudando as crianças a entenderem as suas necessidades, a ter independência e ter autonomia, né?
Então, a gente precisa muito pensar como lidar com isso e com esses afetos na escola, na creche, né? E [roncando] a gente tem muito mito para vencer. a gente tem eh, por exemplo, aquele mito de que a gente não pode carregar as crianças na escola, não pode dar colo, né?
Ah, não pode dar colo demais porque senão ele vai ficar mimado, vai ficar mal acostumado. Ou depois você, outros vão querer e você não vai poder dar colo para todos ao mesmo tempo. E aí a gente pergunta, eh, qual é, de onde que veio isso, né?
De onde que de onde que que a gente tirou, né, essa de onde que a gente tirou essa ideia, né, de que não pode isso ou não pode aquilo, quando na verdade a gente sabe que as que os sujeitos precisam ser cuidados, né? Eh, ah, Carla, é claro, eu tenho muitas crianças, porém, gente, se a criança eh recebe o colo quando ela tem necessidade, a gente pode também ir ensinando aos outros que a gente vai distribuindo o nosso colo, né, que a gente vai acolhendo a todos. E ao mesmo tempo tem as outras crianças elas vão ter outros interesses com os materiais que eu estou oferecendo.
Não vão ser todas que vão querer colo ao mesmo tempo, né? E as crianças que recebem muito colo, elas não ficam mimadas, elas crescem sujeitos mais seguros e vão eh com pouco tempo se desvinculando daquela necessidade de muito colo. Então eu convido vocês a pensar mais nas necessidades individuais das crianças [roncando] para considerar, né, essas questões da interação.
E aí, eh, eu trago esse outro slide aqui, né, que é algo que a professora Maria Emília Lopes, eh, vai nos ajudar a pensar, né, e que é o que eu disse, o que eu acabei de dizer, né, e ela vai dizer, né, a gente vai pensando aqui sobre o o adulto que dialoga com o bebê. O adulto que dialoga com o bebê, ele lê e coloca em palavras as necessidades do bebê para ajudá-lo, né? Então vai dizer, ela vai nos dizer que a melodia que a voz da mãe, do pai, da professora, da auxiliar ou outro adulto que dá a criança, funciona como uma envoltura sonora que protege de medos, né, e indica possibilidades das crianças se integrarem em si mesmas.
né? E aí, eh, essa capacidade do bebê, inclusive, de pensar, né, ela é consequência de pensar, de agir, né, ela é consequência de cuidados, de afeto, de vínculo, que é uma tarefa sim do nosso trabalho na educação infantil, né? Muitas vezes a gente eh a educação infantil tem muita dificuldade pela história da educação infantil e pela história dos cuidados.
Tem muita dificuldade em pensar eh qual é o papel da professora e da auxiliar com as crianças bem pequenas, né? E a gente precisa pensar nisso. Existe um papel aí que é muito importante paraa vida inteira, para o desenvolvimento, para a personalidade.
E esse papel que que é desempenhado pela auxiliar na interação, pela professora na interação, pelos adultos da creche da escola na interação, [roncando] ele é um é algo que precisa ser pensado, planejado, né? Eh, aqui, né, quando eu acho muito bonito esse trecho que fala quando o adulto traduz em palavras as sensações do bebê, como vocês viram lá no no videozinho, né, e gesticula, oferece seu rosto, seu olhar, seu sorriso ou até sua né, a criança constrói a partir do rosto do adulto signos vitais para sobreviver, aprender a se acalmar, a esperar, sentir-se querida, reconfortada, né? Saber que aceita, perceber a preocupação, o carinho e quando é nada apresenta uma série de feições ligadas ao afeto.
Isso vocês vem todo dia lá no trabalho, né? quem trabalha com os bebês, mas também quem trabalha com as crianças maiores vê isso num outro modo de interação corporal, porque às vezes as crianças vão verbalizar para vocês esses sentimentos, né? Mas vocês percebem muito isso, né?
Agora vejam que importante isso que a gente eh tem que considerar, né? que a capacidade de pensar é consequência do diálogo, da interação. E essa necessidade que tá desde que o bebê chegar ao mundo, ela vai ajudar a desenvolver essa personalidade.
Então, é uma pergunta, é uma reflexão, é algo para vocês pensarem lá no ambiente de trabalho. na sua prática, você conversa com os bebês, você conversa com as crianças no momento de uma troca de fralda, eu estou ali eh conversando com a minha colega sobre um assunto externo ao trabalho ou eu estou dizendo pro bebê o que que a gente tá fazendo, que eu tô trocando a fralda e que ele vai ficar mais fresquinho. mais confortável.
Como que é isso, né, gente? Como que é isso do ambiente profissional? Convido vocês a pensar, né, sobre essa questão, eh, inclusive com esse exemplo aqui que é das notas de campo de uma pesquisa de uma amiga, da importância, né, desse diálogo.
E ela eh isso aqui é um trecho de quando ela eh observava auxiliar na interação com as crianças. Então, ela convidando o Artur para tomar banho. Eh, e aí, gente, eu vou ler do jeito que minha colega, né, eh, conta para nós que aconteceu.
Vamos, Artur, tomar banho. Elisa já tomou. Vamos ficar cheiroso.
Já peguei sua mochila. E aí é um convite pro Artur, né? Eh, e o Artur entende então que é a hora dele, que é o momento dele e que tem algo aí na nossa cultura, né, que diz que ele vai ficar mais confortável, né?
O outro trecho, auxiliar diz: "Pronto, Rafael bagunceiro, você é o Nelevado. " Hum. Abraço.
Ah, que delícia. Vamos pra sala agora. Vamos.
Cheiroso, limpinho. E aí o Rafael tinha acabado de tomar seu banho, fazer suas gracinhas no banho, né? E já era um uma criança de um ano e pouco, todas as crianças desse grupo aí.
[roncando] Eh, isso é importante, que auxiliar tá trabalhando ali com a higiene dessa criança, né? com essa autopercepção dele sobre o próprio corpo, né? E ele tá compreendendo aí o que que é agradável para ele, o que que é agradável pros outros, né, nessa inserção dele, na nessas aprendizagens dele de como na nossa cultura a gente funciona, a gente toma banhos diários, né?
E quando eu estou lá o dia todo escola ou na creche, isso é uma tarefa, né, que geralmente os auxiliares realizam a maioria das vezes, e que tem um papel aí, né? Tem um papel aí que não é só mecânico, né? Não é só colocar a criança e e realizar um banho, mas esse banho tem muito mais.
ele tem olhar, ele tem posturas, ele tem os contatos corporais, né, que fazem muita diferença aí no desenvolvimento. Um um outro aspecto do desenvolvimento que a gente precisa considerar também é a imitação, né? A criança vai imitar o que faz sentido para ela, né?
Então é, ela vai interpretar, né? E essa capacidade de imitar, ela é muito importante no processo de criar sentidos pro mundo, estab estabelecer relações, saber seu lugar no mundo, saber como funciona nessa nossa cultura, né? Então o ato de imitar, por iniciativa própria, ela a criança não imita qualquer ato em qualquer tempo, né?
Ele imita ao mesmo tempo em que se apoia no outro. Isso significa para nós que tem uma atenção e participação na realidade. Então, paraa criança imitar, ela tem uma potência, ela tem uma autoria aí, né?
E vai gerando um outro sentido para ela. Vou convidar vocês agora para ver esse bebê que já tá deixando de ser bebê, porque ele já tá com 2 anos, que é o João, né? compreendendo a vida dele no entorno, né?
E ele havia ganhado uma irmãzinha e também um boneco. E aí ele >> conversa com ela, rápido, eu vou voltar um pouco. >> Conversa com ela.
Fala, ei, [limpando a garganta] fala. Não chora, não. >> Fica bonitinha.
Será que o pezinho dela? a mão, o rosto, o ouvido. Então, esse é o João.
Ele ele é um bebê que vai tá em diálogo com, nesse caso aí a avó, né? Por isso que fala muito. [risadas] É avó.
Aó tá ajudando ele a nomear, né? Então João tá ali compreendendo a vida, seu entorno, né? Mas aí eu pergunto a vocês, né?
No caso do João ali, ele tá brincando, né? Tá brincando e tem uma intenção da avó com aquela brincadeira que tá ligada ao ambiente doméstico. Mas eu pergunto para vocês, na creche, na escola, né, existe uma intenção no brincar com as crianças, né?
se brincar, ele vai ser intencional, né? O brincar, que é um dos direitos da criança, mas também, né, é uma é uma linguagem por meio da qual a criança se manifesta, né? Ele é uma linguagem que tem que ser desenvolvida.
Então, a criança nasce com, em geral, com um potencial brincante aí, digamos assim, mas eh brincar também se aprende. E mais uma vez nós vamos dizer, né, que a criança constrói cultura nesse brincar. E sobre a criança construir cultura é algo mais complexo.
Nós temos uma disciplina depois em que nós vamos trabalhar no eixo dois sobre as culturas da infância, as culturas infantis, que é uma disciplina deliciosa que eu vou estar junto com vocês nessa disciplina também. Eh, é uma disciplina que a gente também, como todas as outras, a gente tá fazendo com muito carinho, mas enfim. Eh, desde os bebês a gente brinca com eles e eles brincam entre si, né?
E o brincar ele vai ser para para o bebê e para as crianças um espaço de desenvolvimento da fantasia, da imaginação, da criatividade, né? O João ali no vídeo ele brinca de imitar quase um, ele tá entrando no nível do faz de conta, né? Ele ainda vai ser uma criança que vai construir o faz de conta ali.
Ele tá um pouco ainda que imitando mais diretamente, como a gente disse anteriormente, essa imitação vai se transformando, né? Vai ficando mais sofisticada, vai, né? O faz de conta vai ajudando a tornar isso mais rico e com mais elementos, né?
Mas aí como direito das crianças e papel dos adultos, eu pergunto para você, né, na sua prática, o brincar é intencional? Alguém planeja o brincar? Alguém brinca com as crianças?
É algo pra gente pensar também, né? E aí, focando ainda nos bebês, mas não só neles, né? as crianças menores que estão aí, né, no nesse brincar muito corporal, muitas vezes é, a gente tem as brincadeiras que a gente chama de brincadeiras corpóreoliterárias, né?
A gente fala que pros pras crianças muito pequenas, o corpo do adulto também é um brinquedo, né? Então, as brincadeiras corpório literárias, elas ajudam muito nesse diálogo corporal, nos afetos, na linguagem, na verbalização, no pensamento, por exemplo, no desenvolvimento físico, inclusive, né? Por exemplo, quando a gente brinca serra, serra, serrador, serra o papo do vovô, né?
E a gente balança, segura a criança e balança aquela criança e aquela criança vai aprendiando, né, aprendendo a confiar naquele gesto do adulto que a a joga mais te mais atrás de volta, né, a coloca de volta para junto de si. Tem muita coisa aí, né? muita emoção aí envolvida para além da brincadeira, além da gostosura da brincadeira, né?
Outras coisas, né? Janela, janelinha, porta, campainha, pé, né? Quantas vezes a gente já brincou na família, a gente brincou eventualmente com uma criança ou outra, mas aí está a pergunta.
Isso está intencionalmente organizado como tarefa importante no trabalho da educação infantil, que é organizado pela professora, orientado pela professora, mas que tá lá junto com os vínculos, né, da auxiliar também. E aí aqui no nosso slide nós temos muitas outras sugestões, né? As cantigas que a gente canta, as parlendas, cadê o toucinho que estava aqui, gato comeu, cadê o gato?
Foi pro mato. E as crianças vão brincando com aquela sonoridade, entrando naquele clima, né? Os acalantos, né?
As cantigas, os brincos, os poemas, né? Aí a gente canta paraas crianças o boi da cara preta, outras cantigas para para niná, né? A gente tem muitos materiais hoje em dia muito acessíveis eh sobre este brincar com as palavras e o corpo, né?
Eu deveria ter colocado aqui brincar com as palavras e os e o corpo, né? Nós temos muito material, eh, que tem de fácil acesso, muitas playlists de muita qualidade, né, pra gente trabalhar com as crianças. E essa, esses acalantos, essas parlendas, cantigas, poemas, essas brincadeiras, elas não estão só pros bem pequenos, né?
Elas estão também para as demais crianças da educação infantil. Eu estou quase finalizando o nosso encontro de hoje e eu preciso chamar atenção também para um outro aspecto aí, né, que contribui muito no desenvolvimento humano. E aí vocês estão vendo como que a gente tá trazendo o a afetividade, o vínculo e a linguagem, né, nesse encontro de hoje como centrais aí paraa nossa para o para pensar o desenvolvimento humano de quem tem zero a 5 para 6 anos.
É a questão eh dos vínculos também com a literatura escrita, né? A gente, quando a gente brinca aqui com as palavras, a gente tá dizendo uma possível literatura oral, né? Aqui quando a gente traz essa imagem, né, de uma mulher bem aconchegada com o bebê, lendo junto, né, a gente lembra o conceito de mediação que vai estar lá no nosso material, que é trazido por Vigotsk, né?
E ele diz que o caminho entre a criança e o objeto vai passar sempre por outra pessoa, por outra pessoa que seja ou um adulto ou um outro outra criança mais experiente, né, que vai ajudar a fazer a mediação, a compreensão, essa interação. E no caso da leitura literária, né, eh há uma construção de significados compartilhados. Que significados seriam esses?
Vocês já cons já pensaram no momento que eu estou aconchegada com as crianças, né, numa situação de leitura de uma história? Tem afeto, tem vínculo, tem aprendizagem, tem leitura de mundo, né? E aí eu trago um momento, eu sigo essa pessoa, ela ela é a Flávia Sherner do canal do YouTube e da do Instagram.
Ela é Fafá conta ou Flávia Sherner. Ela é uma estudiosa do do desse da literatura, né, de contar histórias para as crianças. E aí a gente vai ver ela numa interação, né, eh explorando uma interação com o bebê, uma interação de literatura com o bebê, que nesse caso aí era da família dela.
Vamos lá. Lagarta muito comilona. Uma lagarta muito comilona.
Uma lagarta muito comilona. >> Uma lagarta muito comilona. A luz da lua, um pequeno ovo descansava numa folha.
Olha o ovinho e a folha. Ah, num domingo de manhã, o sol quente chegou e ploque, ploque, ploque. Então, logo ela começou a procurar comida.
Quatro morangos. Nham, nham nham nham nham nham nham nham nham nham. Mas ela ainda continuou com fome.
[choro] Você ficou com fome também que nem a lagarta. Quer comer também? Vamos parar aqui então.
>> Aí ela mesma coloca no final, né, esse fom fom fom fom para para dizer que, né, para para mostrar que não é não é sempre que funciona do jeito que o adulto pensa, mas é isso. a gente segue a criança, né? A gente não segue um uma lista de atividades por si só.
A gente interpreta o que as crianças estão trazendo pra gente, constrói algumas possibilidades e às vezes elas vão muito bem até certo ponto. Depois a gente tem que reorganizar, né? Não é isso que a gente faz o tempo inteiro na educação infantil?
Bom, eh, a gente tá ficando por aqui hoje. Eu espero que vocês tenham as reflexões, né, eh, para levar para o ambiente de trabalho, que vocês tenham, né, se inspirado em algumas das questões que foram trazidas aqui. vocês têm lá o nosso material.
Eu gostaria também, depois eu vou ler o que vocês colocaram aqui nos eh no chat e nós vamos nos encontrar para conversar um pouquinho mais sobre as outras questões da nossa do nosso material. Vocês podem ver que isso aqui é um recorte a partir de questões do material, que o material tem muitas outras coisas. E a gente então tem nosso outro encontro da disciplina em breve.
Ficamos por aqui. Eu desejo bons estudos para todas e agradeço muito por nós estarmos juntas nesse momento. Grande abraço e até a próxima.
>> Professora Carla, a gente agradece muito pelas palavras, pelos ensinamentos. Tenho certeza que nossos estudantes poderão aproveitar muitos conhecimentos divididos aqui nesse hoje. A gente lembra pros nossos estudantes de que todo o material disponível lá no Moodle da nossa plataforma oficial e que mais informações eles podem conseguir lá no próprio Moodle construtores, seguindo o Instagram oficial do curso, enfim, a gente tá disponível aí para ajudá-los nessa caminhada.
Eh, a gente se despede da professora Carla, um até breve, que daqui a pouco ela tá voltando com mais conhecimentos. Agradecemos a todos que participaram desse momento formativo aqui e até um próximo encontro, professora Carla. Obrigado e até mais.
>> Obrigado e até mais. Até a próxima, estudantes.