“Todo conhecimento depende da tranquilidade da mente”. - Avadhuta Gita. A Luz Divina interior se encontra obscurecida na maioria das pessoas.
É como uma lâmpada em um barril de ferro: nenhum brilho o pode atravessar. Aos poucos, pela prática da pureza e do não-egoísmo, podemos tornar o ambiente obscuro cada vez menos denso, até que, afinal, se torne transparente como um vidro. Livremo-nos, primeiramente, da ilusão de que “eu sou o corpo”, só então, sentiremos necessidade do conhecimento real.
O universo interno é real e infinitamente maior do que o externo, que é apenas uma sombria projeção do verdadeiro. Este mundo não é nem verdadeiro nem ilusório, é a sombra da verdade. A vedanta diz que, por trás da mente, se acha o EU real.
Dominem a mente, anulem os sentidos e então serão yogis: atrás disto, virá todo o resto. Recusem-se a ouvir, falar, cheirar, saborear; separem o poder mental dos órgãos externos. Os órgãos externos são extensões do poder da mente.
Não permitam que os sentidos se voltem para fora, e então poderão livrar-se do corpo e do mundo externo. Limpemos a mente; nisto consiste toda a religião, e até que nós mesmos limpemos todas as manchas, não poderemos ver a Realidade tal qual ela é. Identificar o sol com as manchas que possa haver na lente do telescópio, é o erro fundamental.
Saibam que tanto o Sol como o EU, nunca são afetados por coisa alguma, e dediquem-se a limpar as manchas. Somos o Imutável. Não há necessidade de palavras.
Permanecendo tranquilos, deixamos que tudo se desvaneça, pois são apenas sonhos. Não há diferença, não há distinção; tudo é superstição; portanto, permanecendo em silêncio, saberemos quem somos. Em silêncio.
. . Mergulhe nas Profundezas de Si Mesmo.
Swami Vivekananda. “O aspirante espiritual dotado de tranquilidade, autocontrole, equilíbrio mental e paciência devota-se à prática da contemplação e medita sobre o Atman que habita no seu ser como o Atman que habita em todos os seres. Desse modo, ele aniquila completamente a consciência de separação, que brota das trevas da ignorância, e se regozija na identificação com Brahman, livre dos pensamentos perturbadores e das ocupações egoístas”.
- Shankara. Livrem-se da superstição fundamental, de que somos obrigados a trabalhar através do corpo. Não é assim.
Encerre-se na sua própria morada e extraiam os conhecimentos dos Upanishads do seu próprio EU. Vocês são os maiores livros de todos os que existiram, existem ou existirão, os depositários infinitos de tudo quanto existe. Até que o Mestre Interno se abra, todo ensinamento será vão.
Insensato, não podes ouvir? Em teu próprio coração, dia e noite, está sendo tocada aquela Eterna Canção: Satchitananda, Soham, Soham “Existência-Conhecimento-Bem-Aventurança, Eu Sou Isto, Eu Sou Isto! ”.
A única fonte de sabedoria está em nosso interior e só lá a podemos encontrar. Quando nos elevamos e vamos além, e encontramos algo mais alto, temos que nos afastar da mente, do corpo e da imaginação e deixar este mundo. Nem a mente nem o corpo são o nosso Ser Real; ambos pertencem à natureza, porém, eventualmente, poderemos conhecer “a coisa em si”.
Assim, transcendendo corpo e mente, tudo o que eles representam desaparece. Quando vocês anularem, inteiramente o que sabem sobre o mundo, então, realizarão o Atman. Tudo o que precisamos é anular o conhecimento relativo.
“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”. - Salmos 40:10 Todas as coisas que vemos, fazemos, sentimos e sabemos; todos os nossos pensamentos e ações não fazem nada além de dançar seguindo os ditames da natureza. Em tudo isso não há liberdade, porque nada disso se refere ao nosso verdadeiro Ser, o Espírito.
Quando a natureza me limita com nome e forma, tempo espaço e causalidade, não sei quem realmente sou. Mas, apesar dessa limitação, meu Espírito não está completamente perdido. Eu puxo os laços, eles se rompem um por um e me dou conta da minha grandeza inata.
O triunfo final, quando toda a escravidão desaparece, é chamado de salvação, nirvana, liberdade. Então eu alcanço a liberação. Chego à mais clara e plena consciência de mim mesmo: sei que sou o Espírito Infinito, o dono da natureza, não seu escravo.
Além de toda a diferenciação e combinação, além do espaço, do tempo e da causa, Eu sou o que sou.