Olá, meus queridos irmãos, minhas queridas irmãs, uma grande alegria estarmos juntos mais uma vez no nosso programa “Testemunho de Fé”. Aqui quem fala é o Padre Paulo Ricardo e é uma grande alegria receber você nesse programa e convidá-lo a refletirmos juntos a respeito do Evangelho que a Igreja nos propõe nesse domingo, que é o 6. º Domingo da Páscoa.
O Evangelho desse domingo é a continuação do Evangelho de domingo passado, o capítulo 15 de São João. No domingo passado Jesus nos falou da videira: “Eu sou a videira, vós sois os ramos”, e nós refletimos a respeito do mistério da Igreja. Nesse domingo, a gente vai refletir um pouco a respeito daquilo que é o amor.
Ou seja, qual é a forma mais sublime de amor, qual é a forma mais elevada de amor? Claro, porque você vê, existem várias formas de amor, níveis de amor. Por exemplo, quando o seu cachorrinho gosta da ração, do osso ou do bife que você dá pra ele, ele está amando aquilo, só que você há de convir que isso é uma forma muito pouco elevada de amar as coisas.
Quando um animal sente atração sexual pela fêmea, isso também pode ser chamado de amor, mas é um amor muito pouco elevado, é aquilo que nós chamamos de amor de concupiscência. Essa é a forma mais banal, menos elevada do amor, um amor em que, no fundo, no fundo, eu não gosto da outra pessoa, eu gosto do que a outra pessoa me dá. Essa é, infelizmente, a forma como a maior parte das pessoas reagem no mundo, ou seja, com um amor animal.
Eu posso gostar de uma pessoa, por exemplo, por causa do prazer que ela me dá. Dona Joaninha faz doces muito gostosos, então eu gosto dos doces; eu amo dona Joaninha porque ela me dá prazer. Ou então eu posso ter, digamos assim, amor por uma pessoa porque ela tem dinheiro: “Ó, o Dr Fulano, que vem com um carrão aqui, tem um anelão no dedo, ele é meu amigão, ele paga pra mim almoços em restaurante caro, a gente viaja, sai pra pescaria, eu amo o doutor”.
Sim, mas não é que você gosta dele; você, no fundo, no fundo, gosta do que ele lhe dá. Então você pode amar uma pessoa pelo prazer, amar uma pessoa pelo dinheiro. .
. mas tem uma terceira razão pela qual você pode amar uma pessoa de amor de concupiscência, que é o amor que você tem simplesmente por vaidade. Uma pessoa massageia o seu ego.
Joãozinho é o meu bajulador, ele sempre fala bem de mim, sempre está me elevando, me exaltando, fazendo propaganda de mim, então eu gosto muito dele. Mas vejam: todos esses amores são amores de concupiscência que, no fundo, no fundo, terminam sendo amores pecaminosos, porque o nome disso não é amor. No fundo, no fundo, é egoísmo.
Você não ama a pessoa, você está simplesmente amando o que a pessoa pode dar pra você. Então, esses amores de concupiscência não são aquilo que Deus quer para nós. Deus é amor, mas não é esse tipo de coisa que Deus é, ou seja, nós não estamos falando desse tipo de amor.
Essa é a forma de amor mais baixa que a gente poderia ter. Mas existe um outro amor, um amor de benevolência, ou seja, quando você quer o bem da pessoa, e você quer o bem da pessoa. .
. pode ser que você queira isso de forma natural. Nós estamos celebrando fora da Igreja, ou seja, no mundo secular, esse domingo é dia das mães.
O amor que uma mãe tem pelo seu filho, o chamado amor natural, aquele amor que qualquer — me desculpem a comparação, mas é para ficar bem claro o que eu estou dizendo — é o amor que qualquer fêmea tem pela sua cria, esse amor aí não é nem um amor pecaminoso, como esses amores que eu falei — amor de concupiscência, amor por causa do prazer, amor por causa do dinheiro, amor por causa da vaidade —, mas também não é um amor virtuoso. Veja, nesse dia das mães a gente vê frases assim, pessoal põe até na boca dos santos. .
. esses dias veio um padre me perguntar, trouxe uma frase: “A coisa mais sublime que Deus fez no mundo foi o amor de uma mãe”, e tinha lá assinado: Santa Fulana de Tal. Ele perguntava: “Mas, escuta, essa santa disse isso mesmo?
” “Olha, eu não sei se ela disse, mas, se disse, ela está errada”. Por quê? Porque, gente, o amor de mãe, enquanto simplesmente amor de mãe, ele não é sublime e muito menos a coisa mais sublime; é uma coisa neutra, porque é um amor natural, não tem virtude nenhuma.
Ou seja, me desculpem dizer, mas uma fêmea que sente amor para com a sua prole, quer protegê-la, ela está simplesmente seguindo os seus instintos naturais. Agora, quando uma mãe ama seu filho de forma mais elevada, aí sim nós estamos falando de amor virtuoso, mas não é esse amor neutro que qualquer fêmea tem pela sua prole. E qual é esse amor sublime?
Ah, aí nós entramos num outro âmbito, no âmbito daquele amor caridade, onde eu não somente quero o bem da pessoa, mas eu quero o sumo bem da pessoa. Uma mãe ama o seu filho de verdade quando ela quer a salvação do seu filho, e quando ela está disposta a derramar o sangue dela para que o seu filho vá para o céu. É aquilo que Jesus está dizendo aqui no Evangelho: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos”, ou seja, esse querer o bem do outro a tal ponto que eu estou disposto a dar a minha vida.
Mas que bem é esse que você quer para o outro que vale a pena você dar a vida? Para pra pensar, sei lá: seu filho quer comer um iogurte; você está disposto a dar a sua vida para o seu filho comer iogurte? Não, né, por quê?
Porque o iogurte é um bem banal. Pra você dar a sua vida para o seu filho é necessário que você queira não somente o bem de seu filho, quando, sei lá, o meu filho está lá jogando futebol e eu estou querendo que ele ganhe a partida de futebol, eu estou querendo o bem dele… mas o ganhar a partida de futebol é uma realidade banal. Você não está disposto a derramar o seu sangue para o seu filho ganhar uma partida de futebol.
É amor de benevolência, mas não é isso que Jesus está falando. Jesus está falando de um amor mais sublime, mais elevado, muito mais espiritualmente virtuoso porque você quer o bem da outra pessoa, mas você não quer simplesmente o bem da outra pessoa, você quer o sumo bem para a outra pessoa. E sabe o que é o sumo bem?
Você quer que essa pessoa esteja unida a Deus para sempre no céu. Isso é querer o bem de uma pessoa. Muitas vezes as pessoas vêm no confessionário falando da dificuldade que elas tem de perdoar os outros etc.
Dizem: “Olha, padre, eu não sei se eu perdoei, se eu não perdoei”. Eu pergunto: “Primeiro, você quer o céu para essa pessoa? Você quer que essa pessoa realmente seja feliz no céu com Deus?
Então, se você quer isso, você já está querendo aquilo que importa, você já está querendo o sumo bem dessa pessoa. Então é sinal de que você perdoou. ” Pode ser que tenha ali uma mágoa, um ressentimento por alguma coisa, mas quando você reza e pede a Deus realmente para a salvação daquela pessoa, você quer o bem daquela pessoa.
Isso é querer o bem, isso é amar. E aqui, meus queridos, é importantíssimo nós recordarmos que este tipo de amor para nós, cristãos, é bem claro, é um amor universal, sabe por quê? Porque o céu é uma realidade tão sublime que, se você deseja para todo o mundo, você alcançará; mas, se tiver alguém na face dessa terra que você deseja o inferno, você perdeu o céu.
É interessante isso: você só vai para o céu se você deseja o céu para os outros. E tem que querer para todo o mundo, hein! Você tem que querer o céu para todos os habitantes, todos aqueles que estão vivos aqui na face da terra — os que morreram, não dá pra gente saber nada do destino dos mortos, mas quem está vivo aqui e que ainda tem tempo para se converter, que ainda tem possibilidade de mudar, você tem que desejar o céu para todos.
Pode ser o criminoso mais terrível da face da terra: você tem que desejar que ele se converta nem que seja no último momento, como o bom ladrão, e ganhe o céu. Se você deseja que uma pessoa vá para o inferno, se você quer isso, se você diz isso não da boca pra fora… Às vezes, infelizmente, tem gente que tem esse vício horroroso, isso é um vício horroroso de dizer: “Ah, vá para o inferno”. Gente, pelo amor de Deus, não diga isso, não pronuncie uma palavra dessa.
Essa é uma palavra horrorosa, é uma das coisas mais terríveis que você pode dizer para uma pessoa, porque você está desejando para ela o sumo mal, o mal supremo, o mal eterno. Então, mesmo que você diga isso só da boca pra fora, não diga isso, se livre desse mau hábito, dessa mania, desse mau vezo. Mas veja, se você de coração deseja o inferno para uma pessoa, meu irmão, me desculpe, você acaba de perder o céu.
Por quê? Porque só é possível ganhar o céu quando a gente deseja o céu para todos, esse amor é universal, nós temos que querer o céu para todo o mundo. Agora, veja, eu estava dizendo que é dia das mães, então, como é que nós deveríamos ver, nós, cristãos, católicos, deveríamos ver a realidade desta mãe?
Nós estamos na novena de Nossa Senhora de Fátima; dia 13 de maio nós vamos celebrar nossa Mãe Santíssima que apareceu em 1917, no dia 13 de maio, na Cova da Iria, em Portugal, a três pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta. Ela apareceu como uma mãe querida, uma mãe bondosa, que mostrou a grande virtude de um verdadeiro amor de mãe, ou seja, ela veio desejando o céu para nós, ela veio para levar-nos para o céu, mas, exatamente por causa disso, Nossa Senhora mostrou aos três pastorinhos que um número incontável dos seus filhos estavam se precipitando no inferno. Nossa Senhora, em Fátima, nunca sorriu, em todas as aparições o rosto dela era sempre um rosto sereno ou tristonho, mas não era um rosto alegre de quem sorria.
Nossa Senhora sorriu em Lourdes, mas em Fátima não, por quê? Porque ela mostrou o seu rosto de mãe que verdadeiramente ama e que está vendo a situação dos seus filhos, que muito a ofendem. Gente, o quarto mandamento diz que nós devemos honrar pai e mãe, e por que nós devemos honrar pai e mãe?
Porque nós deles recebemos a vida, e por que nós devemos honrar Nossa Senhora mais do que a nossa mãe aqui da terra? Porque dela nós recebemos a vida eterna, recebemos Jesus. Agora, você imagine que coisa horrorosa é nós ofendermos a nossa Mãe bendita do céu.
É dia das mães, pensa que coisa medonha você ofender a sua mãe e cuspir no rosto dela. Nossa, dá até um negócio, assim, um mal estar só de imaginar, é o tipo da coisa que, você imaginou, a imaginação já bloqueia porque você fica transtornado só de pensar numa loucura dessas. Pois bem, mas quando nós pecamos, é isso que nós fazemos com nossa Mãe do céu.
Veja, se a sua mãe aqui da terra é boa, a nossa Mãe do céu é de uma bondade que não dá pra medir, é de uma bondade que a gente poderia dizer, de uma certa forma, de uma certa forma, infinita, por quê? Porque ela é reflexo da bondade infinita de Deus, ela é espelho perfeito dessa bondade infinita. Agora, você tem lá o reflexo do amor, da caridade, do amor do céu que vem até a terra, Nossa Senhora, com o seu rosto luminoso de mãe bondosa, e ela mostra para nós o seu coração, o coração dela cravado de espinhos.
É importante que você entenda o que isso significa: na mensagem de Fátima, Nossa Senhora veio mostrar a alma dela. Sim, sim, porque o coração é isso, o coração não é outra coisa, é uma representação material de uma realidade invisível que ela não podia mostrar para nós, que é a sua alma, o centro do seu ser. Nossa Senhora mostrou o seu coração, a sua alma, para mostrar o quanto aquele coração de amor que nos amou com a ternura incomensurável de uma mãe que quer o nosso bem, que quer o nosso sumo bem, que quer a nossa salvação eterna e só recebe, em troca, desprezos, blasfêmias, indiferenças, ofensas.
Meus irmãos, nesse dia das mães, claro, se você tem a sua mãe viva, manifeste seu amor e sua gratidão pela sua mãe aqui da terra; e se ela está viva, veja, manifeste o seu amor sobretudo rezando por ela para que ela receba de Deus o sumo bem, que é o céu, que é a salvação eterna. Se a sua mãe já é falecida, reze por ela, por quê? Porque, se ela ainda não está no céu, mas está no purgatório, para que ela o quanto antes possa contemplar Deus face a face, queira o sumo bem para a sua mãe.
Agora, além de manifestar este amor pela mãe da terra, eu quero convidar você, nesse domingo, 2. º domingo de maio, dia das mães, a recordar da sua Mãe do céu, da sua Mãe bondosa, da sua Mãe bendita. Ame, ame esta Mãe, de forma sublime, sabendo que esse amor que nós devemos ter por ela é um amor caridade sim, mas é um amor que Jesus dá o nome de amizade.
Sim, sabe por quê? Porque é um amor mútuo. Quando a caridade, o amor de Deus, o amor que é Deus, é manifestado na direção de uma pessoa, o nome disso a gente chama de caridade.
Veja só, vamos supor, Deus, Jesus olha para Judas, Judas está lá em pecado mortal, Jesus olha para Judas e o nome desse amor é caridade, podemos dar o nome melhor ainda para ele, porque a caridade quando vem de cima para baixo recebe o nome específico que é misericórdia. A caridade infinita de Cristo olhando para Judas é amor de misericórdia, mas quando Jesus lá do alto da Cruz olha para Nossa Senhora, aquele amor que é amor de misericórdia, claro, porque Jesus é Deus e Nossa Senhora é somente uma criatura, aquele amor não é somente amor caridade, amor misericórdia, ali existe um mistério sublime, por quê? Porque Nossa Senhora é diferente de Judas.
Ela está em estado de amizade com Jesus, ela está na graça, ela é cheia de graça, então ela tem amor para dar de volta a Jesus, isso chama-se amizade. Quando a caridade vem e volta, quando a caridade é mútua, quando Deus me ama e eu amo Deus de volta, nós estamos, nós somos introduzidos no grande mistério de amor chamado amizade, e é isso que Jesus está revelando nesse Evangelho desse domingo: que nós somos amigos. Nós não somos somente servos, nós somos amigos porque somos amados e, se estamos em estado de graça, precisamos amar de volta, precisamos amar de volta a esse Deus bondoso, esse Deus bendito.
A mesma coisa podemos dizer com relação a Nossa Senhora: eu sei que pode parecer estranho usar a palavra amizade para o relacionamento que você tem com a sua mãe, mas Jesus usou essa palavra, usou essa palavra para dizer que existe ali a caridade de Deus que vai e volta. A Virgem Santíssima me ama com a caridade divina e eu, então, que estou em estado de graça, posso amá-la de volta com a caridade divina. Em Fátima, Nossa Senhora apareceu para nos convidar a esta amizade, amizade com Jesus, amizade com Maria.
A amizade com Jesus consiste em nós vermos o quanto Ele nos ama. Nossa Senhora falou em Fátima, o Anjo de Portugal falou em Fátima, Nossa Senhora falou em Fátima do Sagrado Coração de Jesus, do quanto o Filho dela é ofendido, ou seja, o quanto o Filho dela, amoroso, que morreu na cruz para nos salvar, nos ama, mas Ele não está sendo amado de volta, então ela veio para nos convidar a entrar em estado de amizade, a confessar, comungar, amar a Jesus, entrar, um dos atos maiores de amizade que nós podemos ter para com Jesus é comungar bem, em estado de graça, amá-lo de volta. Ele vem na Comunhão para me amar, eu posso amá-lo de volta.
Nossa Senhora em Fátima veio para nos dizer que ela também quer ser nossa amiga. E como nós vamos reagir com ingratidão diante de uma Mãe tão boa? Diga para ela nesse domingo, se você por acaso está em estado de pecado mortal, diga para ela, olhe para a Mãe e diga: “Mãe, eu vejo o vosso coração cravejado de espinhos e quero vos dizer, Mãe bendita: nunca mais, nunca mais eu quero voltar a vos ofender, nunca mais, nunca mais eu quero voltar a cravar espinhos, espadas lancinantes no vosso coração bondoso, ô, minha Mãe”.
Nossa Senhora em Fátima nos ensina a entrar no mistério da amizade, e essa amizade inicia, para os pecadores, como contrição perfeita, como propósito de nunca mais pecar e arrependimento motivado pela bondade do amor do coração de Nossa Senhora, pela bondade do amor do coração de Jesus. Então, vamos lá, vamos amar a Mãe Santíssima, vamos viver esta amizade com ela, com Jesus, amizade com Deus. É para isso que Jesus nos convida.
E que esse dia das mães seja para nós ocasião de nós vivermos essa amizade verdadeira com os santos do céu, mas não somente, com aqueles que aqui na terra querem o nosso bem, o nosso sumo bem, desejando a nossa salvação eterna. E nós podemos e devemos desejar para eles também o sumo bem, a salvação eterna. A todas as mães que ouvem esse programa, uma bênção especial: que Deus lhes dê esse amor sublime para com os seus filhos, para com o mundo inteiro, mas, sobretudo, amor sublime para com a Virgem Santíssima e para com Jesus.
Deus abençoe você. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.