estamos na Ilha Grande dos Marinheiros mais precisamente na latitude 29,59 sul e longitude 51 g 13 minutos Oeste localizada no Bairro Arquipélago do município de Porto Alegre um arquipélago é um conjunto de ilhas Ilhas são pedaços de terra totalmente cercados por água além da Ilha Grande dos Marinheiros fazem parte do Bairro Arquipélago do município de Porto Alegre outras Ilhas como a ilha do pavão e a ilha das Garças que são nomes de aves e a mais conhecida delas A Ilha das Flores Ilha das Flores também é o nome de um documentário feito por seres humanos
nativos de Porto Alegre porém de fora do Bairro Arquipélago seres humanos Assim como as aves são bípedes porém mamíferos e dotados de telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor isso lhes permite realizar uma infinidade de ações de precisão Como registrar sequências de imagens em películas fotossensíveis o documentário Ilha das Flores ganhou fama no mundo inteiro por registrar em película fotossensível cenas de seres humanos que retiravam seu alimento do lixo recusado pelos porcos Apesar do nome Ilha das Flores as cenas do documentário foram registradas na Ilha Grande dos Marinheiros 22 anos depois o filme é considerado um
Marco no cinema Mundial por retratar a realidade utilizando-se de uma linguagem inovadora os moradores do Bairro Arquipélago de Porto Alegre porém tem uma outra definição para a realidade [Aplausos] A Ilha Grande dos Marinheiros é a segunda maior ilha de Porto Alegre com 39 km qu há 20 anos não havia água nem Luz elétrica na maior parte das casas o lixo era ainda mais numeroso os serviços públicos não chegavam até os moradores e a ajuda dependia da própria comunidade tá mal na tua casa e que o outro vizinho fica sabendo aquele vizinho Ah como é que
se diz ajuda o outro por isso que a gente diz aqui é o paraíso o pobre ajuda pobre pobre dá apoio para pobre uma das poucas ajudas vindas de fora era uma doação de comida feita pela hoje extinta rede de supermercados do Sul os alimentos com embalagens defeituosas e verduras que não poderiam ser expostas nas prateleiras eram levados à ilha por um representante da empresa o camião despejava o lixo quando o camião passava nós ia lá pro fundo buscar ele deixava e fazia a fila das pessoas que necessitava juntava as verduras boa o que não
dava para aproveitar eles botava pros porcos quando ele trazia para cá a comunidade Já esperava que era uma comunidade que tinha muito menos gente extremamente carente para ajudar ele então o que que o pessoal fazia tirava toda a comida dos porcos ajudava ele a tirar ele dava PR os porcos tirava toda outra comida e e a comunidade fazia fila e pegava então era uma coisa assim ó ele era como se fosse assim o salvador da pátria esta ajuda acabou no fim dos anos 80 quando a vigilância sanitária vetou as doações a história chegou aos ouvidos
da casa de cinema de Porto Alegre na época uma recém-criada cooperativa de cineastas o grupo tinha recebido da Universidade Federal do Rio Grande do Sul a missão de fazer um documentário sobre a temática do lixo Jorge Furtado na época com 30 anos foi o diretor o trabalho marcaria a história do cinema Gaúcho do Bairro Arquipélago para sempre embora de formas bem diferentes Eu acho que o Ilha das Flores é um Marco importante assim no cinema gago mas de alguma maneira também eu diria Caria dizer até no cinema Mundial assim ele faz essa brincadeira entre a
ficção e documentário né assim mistura as linguagens tem uma narrativa muito dinâmica muito Atrativa muito eh que comunica também com o espectador né ao mesmo tempo traz uma temática importante né que é essa relação da Fome que eu acho que é uma temática digamos assim clássica do cinema brasileiro com o roteiro em mãos Furtado passou a buscar apoio junto à população uma das pessoas que participou das filmagens foi a mãe de Maria Solange ela e os filhos apareceram à frente das câmeras dividindo comida com os porcos na cena mais polêmica do curtam metragem a minha
mãe aí no caso como aqui a gente é família grande né então ela pegou eles pediram para colocar ali né botar os filhos dela como que eles faziam lá aí eles fizeram essa montagem todo o filme daí ela ficou na frente né que era principal artista lá do filme daí botava nós tudo junto ali daí eles pediam pra gente entrar e pegando as as frutas que na verdade não era aquelas podre que nós pegava né era as boa e ele até tinha prometido para nós de ter de dar o filme para nós né Mas até
hoje se a gente viu o filme foi por outras pessoas né que a gente viu rosimery Motta 64 anos nasceu na Ilha dos Marinheiros mas mudou-se ainda criança para o centro da capital ela voltou à ilha no início da década de 90 mesma época em que a prefeitura implantava um programa de geração de renda com o objetivo de retirar os porcos do local pela proximidade dos temas roser exibiu para o coletivo de trabalho o curta metragem em Ilha das Flores foi a primeira vez que Maria soland e a maioria dos habitantes da Ilha assistiram ao
filme Quando o pessoal viu o filme da flores o pessoal chorou muito se revoltou E aí eu que tinha a história maravilhosa do filme L das flores que eu achava que cresceu para ir e que eu não estava aqui eu descobri o outro lado né do filme Ira das Flores eu juntei a minha família na época e no antigo Cine Avenida na João Pessoa estava passando nós fomos lá assistir quando assisti eu tive um choque porque eu vi que nós Inclusive eu participo do filme A minha ex-esposa também participa falecida minha sogra a maioria dos
meus parentes estão ali porque Pensou que seria uma vantagem paraa Ilha participar daquilo imaginando que teria benefício mas na verdade foi prejudicial porque as pessoas já eram discriminadas e foram inclusas da sociedade apontadas na rua como comedores de lixo de porcos eles trouxeram caminhão de tomate caminhão de verduras largaram no meio dos porcos e pagaram as pessoas para as pessoas ir colher Aquele lixo e dizer que era que comia lixo eles Prometeram de ajudar o pessoal da Ilha toos se era assim que fazia assim uma um colégio um dinheiro pras mãe que mais que necessitava
das mãe que catava nunca vimos esse dinheiro nunca vimos tinha um roteiro ele tinha um roteiro ele tinha um off ele tinha um texto né Não foi nada espontâneo ele ele marcava os atores eu acho que foi tudo bem consciente assim ele quis misturar o documentário com a ficção e e e fazer um filme que extrapolasse essa questão de gênero talvez talvez o documentário tenha mais um compromisso de se vincular aos movimentos da realidade do cotidiano do que a ficção mas fora isso eu não vejo muita muita diferença na verdade eu não acredito nessa diferença
depois do acontecimento desse filme tá quando as pessoas iam trabalhar na cidade e nós não sabíamos né que a gente chama a cidade tá que é Porto Alegre né mas saiu da Ilha aou pra cidade quem conseguia um emprego fora ah mas tu mora na Ilha Grande tu mora na ilha demitiu as pessoas e as pessoas não sabiam porquê porque ninguém queria trabalhar com quem comia a comida dos povos quem vivia no meio do lixo e aí as Ilhas foram sendo excluídas excluídas e a pessoal começou a ter medo de sair da ilha e ao
mesmo tempo de tão excluídas que foram o povo daqui começou a se excluir de Fora para que não para não sentir a exclusão E aí nós paramos no tempo quando o filme foi trazido aqui para eles verem que a ideia Horrorosa que não deveria at aí o pessoal se revoltou ficou louco queria processar o Jorge Furtado tá entende ficou desesperado né E aí ele já era grande né ros não nega que a população da Ilha até hoje consuma alimentos descartados por outras pessoas explica que isso é bem diferente de dividir comida com animais como retrata
o filme então as pessoas elas separam vem no lixo vem na carroça que traz o lixo tá o lixo que é lixo e o lixo que não é lixo Então todo mundo diz assim come do lixo não é comer do lixo porque vem separada se é num bar num restaurante eles mandam a comida que é para dar pros animais pros cavalos e veio o que sobra das Cuba eles botam separado eles não podem chegar e fazer uma propaganda que estão andando aquelas comidas que isso aí é proibido por lei Mas não é lixo é uma
comida boa essa diferença não é comer do lixo o povo da ilha não é um bando de relaxado ninguém vai botar a mão num lixo sair e sair comendo entende mas da maneira que falam parece que aqui a gente um bando de ignorante um bando de relaxados que não que não D valor para nada a gente sabe que muitas pessoas D elas reciclam o seu lixo e geralmente quando é alimentação elas botam em em saquinhos separados aquela coisa ali ela é reaproveitada em 2004 Furtado foi convidado pelo Banco do Brasil a voltar a Ilha Grande
dos Marinheiros para produzir um vídeo da campanha valores do Brasil ele resolveu usar parte dos R 700.000 da verba destinada ao filme para construir uma quadra poliesportiva para a comunidade a obra estada em vídeo e dá origem ao curtam metragem Fraternidade os moradores da Ilha contam uma versão diferente desse Episódio aí ele se aproveitou para se retratar por quê Porque a mídia jornais etc grande parte da mídia tava publicando esse descontentamento dos moradores da Grand dos Marinheiros alguns anos depois agora faz uns 5 anos apareceu o pessoal foi no jornal entrou no Ministério Público do
gneu E aí eles vieram e Prometeram e queriam Iam dar uma uma quadra de esporte que é Aquela quadra de esporte que tá lá no galpão né um Cala boca nós não temos uma praça nós temos um campo que é lá então quando eles ofereceram Aquela quadra era como se tivesse oferecido o mundo eu Não condeno meu povo por ter se calado mas eu sou uma das raras pessoas que entende que aquilo foi um Cala boca né E que eles podiam ter ganhado muito mais não são todos os Ilheus que condenam o filme alguns reconhecem
que a obra tem pontos positivos principalmente por denunciar a criação de porcos em áreas verdes e é uma questão de compreensão por causa que o filme ele sim ele trouxe ele teve a sua contribuição ele mostra um contexto dos porcos mas a comunidade não vê isso ela se sentiu prejudicada porque era o meio de ela de renda dela que era a questão dos porcos né que criava os porcos vendia a carne a partir de do filme que vem toda a denúncia e o o Estado vem para cima ele passa a focar a reciclagem ele começa
dizendo esse não é um filme de ficção E aí no fim ele acaba dizendo nos créditos né Essa pessoa na verdade é Fulano essa pessoa na verdade é ful um ator né o motorista na verdade é o Fulano a ilha nem a Ilha das Flores era verdade a Ilha das Flores na verdade é é um foi gravado em tal lugar a 2 Km E aí depois no fim ele diz assim o resto é verdade daí eu fiquei pensando que resto né qu dizer nada nada sobra porque todos os atores são pesso outras pessoas na verdade
o local que ele filmou não é o local que ele diz ser Ilha das Flores e o resto é verdade mas o resto não é mais nada quer dizer nada é verdade né O que que é verdade ali é verdade uma situação que existe até hoje Pode não ter existido ali com aquelas pessoas naquele momento mas pessoas catando lixo né ã pessoas que não tem que moram em condições péssimas ã que Talvez tenham menos direito que os bichos Em alguns momentos eu acho que uma discussão muito mais é essa entendeu Não interessa se aquela menino
morava ali se aquele motorista dirigia aquela combi que aquele lixo foi realmente daquela outra casa não não interessa então eu acredito que o filme das Flores foi um marco pra história Global entende de referência Ah vamos dizer de exemplo né e para nós foi uma destruição como numa guerra entende existe quem morre por um ideal que nem sabe qual é o ideal que morreu nós fomos ass fomos mortos nos matamos por um ideal que nós nem conhecíamos [Música] [Aplausos] [Música] [Aplausos] [Música] k [Música] [Música] [Música] k n [Música]