Tomemos, por exemplo, o cloreto de sódio. O cloreto de sódio apresenta uma solubilidade em água a zero graus C° de 357g de cloreto de sódio por 1000g de água. Então, se em 1000g de água, nós colocarmos 200g de cloreto de sódio, nós colocamos uma quantidade inferior à solubilidade, que é a quantidade máxima possível de solubilizar nessa temperatura.
Então, todo o cloreto de sódio vai solubilizar e a nossa solução será insaturada, ou seja, uma solução na qual ainda é possível colocarmos mais soluto. Se nós colocarmos exatamente 357g de cloreto de sódio nos mesmos 1000g de água na mesma temperatura de 0 C°, nós colocamos a quantidade máxima que seria possível de solubilizar de cloreto de sódio nesta quantidade de água nesta temperatura. Temos então uma solução saturada.
Colocamos o limite máximo possível de soluto que seria possível de se solubilizar nesta quantidade de solvente. Se nesses mesmos 1000g de água a 0 C°, nós colocarmos 400g de cloreto de sódio, ou seja, uma quantidade superior à solubilidade, nós solubilizaremos a quantidade possível (357g) e o excesso vai se depositar no fundo constituindo um corpo de fundo. Esta mistura heterogênia, se for filtrada, vai resultar em um excesso de sólido que ficará retido no filtro e o nosso filtrado vai consistir em uma solução saturada de cloreto de sódio em água nesta temperatura.
A solubilização do cloreto de sódio em água é um processo endotérmico: ele é favorecido pelo aumento da temperatura. Então, a solubilidade do cloreto de sódio em água a 25 C° é 420g de cloreto de sódio por 1000g de água. Se nós pegarmos a situação anterior que tínhamos 1000g de água a 0 C°, nos quais havíamos adicionado 400g de cloreto de sódio, nós tínhamos uma solução saturada com corpo de fundo.
Se esta solução saturada com corpo de fundo for aquecida a 25 C°, temperatura na qual a solubilidade do cloreto de sódio é 420g nos mesmos 1000g de água, o que temos? Uma solução insaturada na nova temperatura. Esta solução poderia conter 420g de cloreto de sódio, nós adicionamos somente 400g.
Esta solução é insaturada na nova temperatura. Entretanto, se esta solução for resfriada lentamente, nós poderemos ter o que chamamos de uma solução super saturada. É uma solução que é termodinamicamente instável.
Termodinamicamente, ela deveria precipitar o excesso de cloreto de sódio. Com o tempo, isto vai acontecer, mas pode levar um certo tempo. Então, esta solução é termodinamicamente instável porque termodinamicamente ela tende a precipitar o excesso de cloreto de sódio que está solubilizado nela nesta temperatura.
Questão 2: Tem-se 500g de uma solução aquosa de sacarose (C12 H22 O11) saturada a 50° C, qual a massa de cristais que se separam da solução, quando ela é resfriada até 30° C? Dados: coeficiente de solubilidade da sacarose em água: 220g em 100g de água. Coeficiente de solubilidade a 50°C: 260g em 100g de água.
Resposta: Se 260g de sacarose se dissolvem em 100g de água a 50 C°, temos uma massa total de 360g de solução. Daí 360g de solução, temos 260g de sacarose, em 500g de solução, teremos 361,1g de sacarose, ou seja, em 500g de solução a 50 C°, teremos 361,1g de sacarose. Logo, em 500g da solução, teremos 138,9g de água, pois 500 menos 361,1 é igual a 138,9g de água.
Em seguida, utilizando-se do dado de solubilidade a 30°C, que é 220g em 100g de água, e como já sabemos que somente existem 138,9g de água, façamos uma regra de 3. 220g de sacarose se dissolvem em 100g de água. "X"g se dissolvem em 138,9g de água.
Num total, então, 305,55g de sacarose se dissolvem em 138,9g de água. Fazendo a diferença entre a sacarose inicial - que era 361,1 - e a sacarose final - 305,55 - temos a massa de cristais precipitada que é de 55,55g.