Módulo 5 Aula 2 Vamos falar sobre o primeiro efeito nas operações motivadoras. Esse primeiro efeito, ele diz respeito aos reforçadores. E esse primeiro efeito pode ser de dois tipos.
Pode ser operação estabelecedora ou operação abolidora. Uma operação estabelecedora torna um determinado estímulo, objeto ou evento um reforçador mais eficaz. Então, ele aumenta a eficácia de um estímulo, objeto ou evento como um reforçador.
Isso, lembrando, ocorre momentaneamente. Esse efeito não é duradouro, ele pode não ser duradouro e ele pode ter uma duração muito limitada. Uma operação abolidora torna um determinado estímulo, objeto ou evento um reforçador menos eficaz.
Então, enquanto a operação estabelecedora aumenta o valor reforçador de alguma coisa, seja essa coisa um estímulo, objeto ou evento, uma operação abolidora reduz o efeito reforçador de um determinado estímulo, objeto ou evento. Quando falamos de operações estabelecedoras, geralmente trabalhamos com dois conceitos: privação e saciação. A privação se refere à restrição de um determinado estímulo reforçador e essa restrição aumenta a eficácia desse estímulo como um reforçador.
Em geral, quanto maior for a privação, o período de privação, o tempo que eu não tenho acesso àquele estímulo, mais eficaz aquele estímulo será como um reforçador. Então, quando nós falamos de operações motivadoras, de fato, nós estamos falando que o valor reforçador de um item depende de operações como privação e saciação, entre outras coisas, mas, principalmente, a gente trabalha com esses dois conceitos que são privação e saciação. O valor reforçador de um item, estímulo, objeto, evento, atividade, não é intrínseco ao item.
Algo não é reforçador em si mesmo. Esse item, objeto, estímulo, se torna um reforçador, tem propriedades reforçadoras a depender de outras variáveis que envolvem o acesso ou a restrição a esse item. Um exemplo de privação seria a privação de comida.
A comida é mais reforçadora quando nós estamos privados de comida. que é o que a gente diz, ah, alguém está com fome. Essa fome é resultado, essa sensação é resultado da privação do acesso a esse estímulo.
Atenção também pode funcionar como um reforçador, desde que eu esteja privado de atenção. Receber atenção tem um grande valor quando nós estamos há muito tempo sem receber atenção de alguém ou de pessoas, de modo geral. Um brinquedo pode funcionar como um reforçador muito poderoso, ou mais poderoso, se essa criança está alguns dias sem brincar com esse item.
Logo, nós precisamos ficar atentos ao acesso que o nosso cliente tem às interações, aos itens, aos objetos. E se nós estivermos atentos a isso, nós podemos utilizar esses estímulos de maneira mais eficiente como reforçadores. Na outra ponta, quando nós estávamos falando de privação, tem a saciação.
Então a saciação ocorre quando o indivíduo tem o acesso contínuo a um determinado estímulo reforçador e esse acesso contínuo acaba diminuindo a eficácia desse estímulo como um reforçador. A saciação então, ela produz essa redução no interesse ou no poder que esse estímulo tem para reforçar comportamentos. Alguns exemplos de saciação são acesso à comida, se eu acabo de comer uma refeição provavelmente eu estarei saciado de comida e eu não vou querer, se alguém me oferecer provavelmente eu não vou querer, eu não vou ter comportamentos que tenham como resultado produzir alimento, ir a uma geladeira, abrir um armário onde podem ter alimentos porque eu acabei de fazer uma refeição.
Então qualquer alimento tem pouco valor reforçador imediatamente depois que eu fiz uma refeição. Um brinquedo pode se tornar menos reforçador depois que a criança brincou com ele por muito tempo. Ele vai perdendo valor reforçador à medida que essa criança vai brincando.
Isso deve afetar as nossas decisões durante as intervenções porque se eu dou acesso a um brinquedo que é um reforçador por muito tempo, provavelmente ele vai perdendo seu valor reforçador pouco a pouco. Se eu limito o acesso e dou acesso durante curtos períodos, eu mantenho esse item como um reforçador por mais tempo que eu possa usá-lo como um reforçador ao longo da sessão, durante algumas horas, por exemplo. Alguém que se mude para uma casa com uma piscina, por exemplo, pode achar que banhos de piscina são cada vez menos reforçadores ao longo do tempo, porque essa pessoa tem acesso ilimitado a esse reforçador, ela poderia nadar ali a qualquer momento, Mas uma pessoa que não mora em uma casa com piscina, talvez considere que ter uma piscina, tomar um banho de piscina é muito reforçador porque o acesso a essa estimulação, no caso aqui um banho de piscina, é mais reforçador.