O telescópio espacial James Web é classificado pela NASA como o principal observatório da próxima década. Lançado em dezembro de 2021, o telescópio tem servido a milhares de astrônomos ao redor de todo o mundo. Ele estuda todas as fases da história do nosso universo, desde os primeiros brilhos luminosos após o Big Bang, passando pela formação de sistemas solares capazes de sustentar vida em planetas com a Terra até a evolução do sistema solar.
Seu diferencial é que ele não orbita a Terra, mas sim o Sol, há 1 milhão e meio de quilômetros do nosso planeta, no que é chamado de segundo ponto de Lagrange ou L2. Com toda sua tecnologia, o telescópio James Web conseguiu fazer uma importante descoberta na astronomia nos últimos dias, fotografando o núcleo do cometa TR e Atlas. O 13 Atlas, a gente já sabe, é um visitante interestelar muito estranho, tá sempre mudando, que está atravessando o nosso sistema solar e intrigando os astrônomos.
Diferente dos cometas comuns, ele se originou fora do nosso sistema solar e percorre uma trajetória hiperbólica, ou seja, não está gravitacionalmente ligado ao sol e deve passar por ele apenas uma única vez, como já o fez. Com as observações de James Web, foi possível estimar o tamanho do núcleo do cometa. O relatório do telescópio inclui uma detecção sucessiva do núcleo do TR atlas, baseada em dados coletados entre os meses de dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
A partir dessas observações, o diâmetro do núcleo foi estimado em cerca de 2. 6 km, com uma margem de erro de aproximadamente 0. 4 km.
Isso significa que ele pode ter até 3 km de diâmetro ou ser tão pequeno quanto 2. 2 km. Como a massa é proporcional ao cubo do diâmetro, isso indica que o três e atlas é cerca de 40 vezes mais massivo do que o 2i Borisov, o primeiro cometa errante observado.
E isso é ainda mais relevante quando lembramos que até dezembro de 2025 a maioria dos astrônomos estimava que o três e atlas tivesse apenas cerca de 1 km de diâmetro. [música] Essas novas observações mostram que ele é aproximadamente 27 vezes mais massivo do que essas estimativas recentes. Comparado à tendência de aumento do brilho antes do periério, que é o ponto da órbita de um corpo celeste em que ele está mais próximo do Sol, o 13 Atlas perdeu o brilho muito mais rapidamente depois da sua maior aproximação do Sol em outubro de 2025.
Essa simetria na atividade é reforçada por um perfil de brilho superficial pós periélio significativamente mais fraco do que observado antes do periélio, o que indica que o cometa perdeu bastante brilho após passar pelo sol. Esse novo tamanho estimado do núcleo foi publicado num artigo revisado por pares. O trabalho é assinado por astrônomos extremamente respeitados internacionalmente.
São eles que apresentam essa estimativa geral de tamanho, que novamente difere de forma significativa das estimativas feitas por outros pesquisadores nos meses anteriores. Agora que sabemos o quão grande o Atlas realmente é, fica claro como essa é uma descoberta extremamente importante. Por quê?
Antes disso, eu preciso explicar a composição do objeto. Após o periélio, ou seja, depois da sua maior aproximação com Sol, o três e Atlas passou a liberar materiais e elementos que simplesmente não estavam sendo detectados antes. Entre eles, surge um novo componente, claro, que não deveria estar presente.
O novo artigo baseado em observações do telescópio espacial James Web apresenta a primeira caracterização espectroscópica do Atlas pós periélio. Vale lembrar que o James Web é um telescópio infravermelho, o que significa que ele consegue extrair muito mais informações sobre a composição química do que telescópios óticos tradicionais. As observações foram feitas quando o objeto estava a distâncias heliocêntricas de 2.
2 e 2. 54 unidades astronômicas. Bom, nessas medições, a água começou a aparecer em quantidades muito maiores do que antes, enquanto o dióxido de carbono apresentou uma leve queda.
Isso é um contraste direto com o que víamos antes do periério, quando havia grandes quantidades de dióxido de carbono e pouquíssima água. Os dados divulgados também revelam que a quantidade de dióxido de carbono liberada é várias vezes maior do que a água, sugerindo que o três e atlas pode ter se formado num ambiente muito diferente dos cometas do nosso sistema solar. No entanto, o níquel continua presente em quantidades enormes, o que para muitos profissionais astrônomos é uma situação extremamente estranha, mais uma estranheza do 13 Atlas.
O ferro que não aparecia antes, agora começou a surgir. E quando analisamos a proporção entre níquel e ferro, ela está muito acima do padrão observado em qualquer outro cometa do sistema solar. Até hoje, os únicos casos em que o níquel aparecia nessas quantidades estavam associados a processos industriais, não naturais.
Até existem teorias naturais que poderiam, em tese, explicar isso. E na prática não é impossível, mas é fato que algo com essas características nunca havia sido observado antes. Mas as análises apresentaram um problema ainda maior.
Quantidades de metano foram registradas pela primeira vez e em grandes proporções. Contudo, isso não deveria estar acontecendo. O metano é extremamente volátil e reativo.
Esse é exatamente o tipo de substância que deveria ter sido detectada desde o início em níveis muito mais altos do que o dióxido de carbono ou a água, por exemplo. Durante as duas observações realizadas, os níveis de produção das moléculas de metano corresponderam a cerca de 13. 7 7 a 27% da produção de água, respectivamente.
Ou seja, quanto mais o objeto se afasta do sol, mais metano começa a aparecer. Bem, do ponto de vista científico, isso não faz sentido. Um composto tão volátil deveria ser abundante perto do sol e diminuir à medida que o objeto se afasta.
Todavia, estamos vendo exatamente o contrário. O metano possui uma temperatura de sublimação, ou seja, uma temperatura de transformação da fase do estado sólido diretamente para o gasoso, sem passar pelo líquido, muito menor até mesmo do que a do dióxido de carbono. Assim, quando as primeiras análises do três e Atlas perto do Sol mostraram dióxido de carbono, o metano também deveria estar presente.
e em grandes quantidades. Uma explicação natural possível seria que o metano estivesse esgotado nas camadas externas do três e atlas, mas ainda preservado ali no núcleo, sendo liberado apenas depois que camadas mais profundas foram [música] expostas. Tá?
Nesse cenário, a detecção precoce de monóxido de carbono, que é ainda mais volátil que o metano, também não deveria ter acontecido. O que vimos inicialmente foi dióxido de carbono, monóxido de carbono e um pouco de água nas primeiras análises. [música] Agora, os novos registros revelam muita água, ainda com a presença de monóxido de carbono e surpreendentemente grandes quantidades de metano, aquelas loucuras que só aparecem no 13 e atras, né?
Não existe uma explicação natural convincente para esse fenômeno. Sua composição química sugere que o cometa se formou num ambiente muito mais frio e distante que o nosso. Outro indicador de sua natureza peculiar é a emissão de radicais de hidroxila a uma distância de 450 milhões de quilômetros do Sol.
Essa atividade aponta para um núcleo geologicamente antigo, com a idade estimada em mais de 7 bilhões de anos. Em outras palavras, ele é mais velho que o nosso próprio sistema [música] solar. Entre as revelações feitas temos o tamanho do três iatras e a sua composição nada convencional.
Assim, é necessário correlacionar e entender os motivos pelo qual o seu tamanho observado é tão importante. O fato do cometa ser muito maior do que a maioria dos astrônomos estimava tem implicações diretas na aceleração não gravitacional observada, nas mudanças de trajetória e na variação de velocidade, especialmente durante o periério. Um objeto tão grande torna essas mudanças muito mais difíceis de serem explicadas.
De acordo com o artigo intitulado O tamanho do 13 atlas e sua aceleração não gravitacional, publicado por John Forbes e Harvey Butler da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia. O terceiro objeto interestelar macroscópico detectado no sistema solar, que recentemente passou pelo periélio, apresenta evidências claras de aceleração não gravitacional. Os autores estimam quanta massa seria necessária para produzir acelerações não gravitacionais plausíveis e comparam isso com modelos de perda de massa.
Eles concluem que os dados seriam consistentes apenas se o núcleo do três tivesse cerca de 1 km de diâmetro. Em soluções mais recentes, os valores variam entre 820 m e pouco mais de 1 km. Em resumo, a aceleração observada só faz sentido se o objeto for muito menor do que agora sabemos que ele realmente é.
Algo cerca de 27 vezes mais massivo, se torna extremamente difícil de acelerar dessa forma, apenas por processos naturais de liberação de material. Sempre soubemos que o TR e Atlas desviou de sua trajetória original. Parte disso pode ser explicada por efeitos gravitacionais.
especialmente a influência do Sol durante a passagem pelo periélio. Mas o restante só pode ser explicado por aceleração não gravitacional. Para gerar a quantidade de aceleração observada, os modelos exigem um núcleo pequeno.
Um cometa com cerca de 3 km de diâmetro simplesmente não deveria ser capaz de mudar a sua trajetória dessa forma, por desgazeificação convencional. Talvez uma área de superfície muito exposta ao Sol pudesse explicar isso parcialmente, mas ainda assim isso permanece como mais uma anomalia desconhecida. [música] É fato que com o passar das semanas de estudos, o 13 Atlas continua surpreendendo conforme se distancia do sistema solar.
Até mesmo a sua aparência vem sendo destaque. Enquanto as nuvens de gás ao redor do núcleo permaneceram relativamente simétricas, a nuvem de poeira assumiu uma forma de pera com a região mais estreita direcionada para o Sol. O 13 Atlas é muito maior do que o Omam Mua e o 2i Borissov, os únicos outros objetos interestelares confirmados já observados.
Essa característica levanta uma pergunta importante. Se é possível ver algo tão grande, por não são detectadas dezenas de cometas menores ao mesmo tempo? Essa ausência de objetos menores, somada a todas as outras anomalias torna o 13 atlas ainda mais intrigante.
Quando nós reunimos todas essas evidências, o três e Atlas deixa de ser apenas mais um objeto interestelar curioso e passa a representar um verdadeiro desafio para astronomia moderna. o seu tamanho inesperadamente grande, a composição química fora do padrão e a aceleração não gravitacional incompatível com a sua massa forma um conjunto de características que não se encaixa em nenhum modelo conhecido. Cada uma dessas anomalias isoladamente poderia ser tratada como um caso raro.
No entanto, quando todas aparecem simultaneamente num único objeto, a explicação se torna ainda muito mais complexa. O 13 Atlas força os cientistas a reconsiderar hipóteses sobre a formação de cometas fora do nosso sistema solar, sobre a diversidade de ambientes interestelares e até sobre os limites dos processos físicos que conhecemos. Mais do que respostas, ele levanta [música] novas perguntas e algumas delas ainda não sabemos sequer como formular.
Bem, diante de tudo isso, a pergunta final não é apenas o que o 13 atlas realmente é, mas até onde estamos dispostos a chamar de coincidência um objeto que desafia tamanho, composição química e até as leis físicas conhecidas. E o pior, que não dá para confiar no que a NASA ou outras instituições espaciais dizem. Afinal, estamos vendo um cometa extremo ou os limites do nosso próprio entendimento?
O que você acha? Escreva pra gente. E muito obrigado pela sua companhia especial.
A gente se vê num próximo vídeo.