[Música] olá hoje vou conversar com o eduardo giannetti escritor e economista não falar sobre grandes mudanças e grandes problemas grandes soluções doc estamos vivendo num mundo de tumulto confusão mudanças e abertura de caminhos né você tem esperança nesse processo de mudança eu tenho muita esperança é uma época de mudança como toda a época de mudança e isso traz muita angústia porque não se sabe para onde vamos a minha esperança não é visionário nos não não se pode ter convicção absoluta em relação ao caminho das coisas o futuro está completamente aberto e dependendo do que nós
escolhemos fazer dele mas as possibilidades são muitas e eu eu acredito muito sério em ampliar os nossos horizontes e imaginativos eu acho que houve um estreitamento um comportamento da faculdade imagético em relação ao futuro um país como o brasil curiosamente investiu muito na construção de uma identidade retrospectiva todos os nossos clássicos do pensamento fizeram interpretações muito belas e muito generosa do brasil mas sempre buscando uma identidade retrospectiva a nossa formação às nossas raízes os nossos males e bênçãos de origem olhando para trás nós exercitamos muito pouco a faculdade de construir uma identidade prospectiva existe um
sonho que nos une como brasileiros existem valores que nos diferenciam do padrão ocidental que nos é oferecido acho que é uma pergunta que vale a pena fazer você está falando que a gente seja longa olhar e olhar para além do horizonte que tem uma perspectiva quase que é atemporal do que nós seremos no futuro não é que a gente quer ser quando crescer como como país né por outro lado quer dizer é essa mudança é global todos os países vivem dilemas hoje associados a essas transformações trazidas pela globalização pela mudança sentido tecnológica pela sociedade digital
e por essas incertezas todas ah mas você não acha que também tem um aspecto é nosso nós vivemos tanto tempo em crises de curto prazo que nós nos tornamos especialistas e olhar só para o curto prazo olhamos para frente então a economia como a saúde tem o péssimo hábito de tiranizar os que abusam dela se você abusar muito da saúde iasaúde tiraniza porque você vai ter que passar o tempo todo restabelecendo se conseguir fazê-lo economia a mesma coisa com o brasil abusa muito dos limites da racionalidade económica a economia tiraniza em tão curto prazo volta
a cimpor ea comandar as nossas atenções a nossa geração que viveu a hiperinflação é que a inflação crônica sabe exatamente o que é isso você vivia com horizonte de um dia de uma semana e cada poema estabilização é uma emergência nacional nós superamos isso parecíamos que estávamos conseguindo ampliar a nossa perspectiva de prazo mas de repente esse retrocesso nesse caso na área fiscal nos levou de novo a um comportamento muito ruim porque o país é pequena quando fica muito preso às questões imediatas que se impõe a gente tá vendo hoje no mundo vários para fazer
várias regiões com problemas de retrocesso tipos diferentes mas isso aí é um efeito da transição ou você acha que nós estamos numa onda de retrocessos aqui e acolá um fenômeno de uma complexidade sérgio é muito difícil você de compor todas as forças que estão subjacentes a este movimento tem um processo mais longo de um horizonte maior de mudanças estruturais da tecnologia das relações internacionais da geopolítica e tem questões mais conjunturais talvez como a crise de 2008 que minou muito a legitimidade do sistema econômico e dos representantes eleitos eu acho que esses dois fatos são são
muito fortes na na experiência eu faço um paralelo com a década de 30 que também foi um período de grande retrocesso inicialmente a quer dizer pelo menos como causa imediata como sequela da crise de 29 da grande depressão e o que eu me pergunto é porque extrema direita consegue nesses momentos capturar o descontentamento ea raiva da população porque a direita tem sido muito mais há a fazer uso e capitalizar e instrumentalizar esse sentimento de raiva e de indignação que toma conta das pessoas eu a minha hipótese é porque eles trabalham essencialmente com o sentimento do
medo e isso quanto mais medo mais eles cresce cresce aí o medo nos estados unidos na europa o meio do imigrante o medo da crise financeira o medo da mudança climática o medo do desemprego o medo do crash financeiro quanto mais medo mais à direita cresce quem torce e trabalha para que o mundo não tem esse retrocesso eu acho que tem que buscar como responder a essa exploração do sentimento de um medo que tem a sua razão de ser para não repetir entre os anos 30 e vão trágicos humanidade terminou como nós sabemos foi intensa
que você mencionou o caso do hitler porque é o medo do fantasma faz crescer os fantasmas não quer dizer os à direita oferece segurança e à direita oferece ó tesouro passou na página vamos fazer a américa grande outra vez essa mudança por sua vez ela tem ela tem embutida nela uma série de limitações que nos forçam a buscar soluções diferentes mencionou a mudança climática é uma delas quer dizer é evidentemente que a gente não consegue manter o mesmo padrão ainda que ele fosse viável que a gente conseguir forçar a máquina ela funcionar além da sua
capacidade ela não vai porque as condições externas não vão dar não vão deixar mais tem políticos que acreditam nisso na negação do problema é é uma absoluta negação da realidade do problema recentemente estava lendo vários estudos é amor falando do mesmo fenômeno que é o seguinte quando você é contemporâneo dessas transformações muito fortes muito radicais você como o colapso da república de weimar né o contemporâneo não tem muita clareza não consegue de transferência não tem lançamento para saber o que vem pela frente não é porque ele está criando ali naquele naquele caldeirão um uso muito
bom falar isso na tese de doutorado deles que elas o movimento operário na na na inglaterra na época da revolução industrial e às vezes não tinha a noção que a revolução só estava acontecendo ele estava ali no meio fábio você acha que a gente tem um pouco essa é esse não distanciamento suficiente pra a gente não conseguir perceber o que a hora de soar o alarme que eu eu concordo integralmente que você não sobrevivendo como a segunda revolução tecnológica foi essa que precedeu o crédito 29 o momento de euforia de exuberância mercados valorizando furiosamente por
um colapso houve uma grande depressão nós estamos vivendo um momento de revolução tecnológica pode ser a terceira ou a quarta e depende da contagem vivemos um colapso de grandes proporções em 2008 2009 que mostrou que tem algo profundamente errado na financeirização da economia a dimensão do lado financeiro da economia ficou completamente desproporcional em relação à realidade da economia ea economia real e só não virou uma grande depressão porque os bancos centrais especialmente americana inovaram e absorveram essa massa de papéis e de finanças que não tinha mais realidade porque esse contexto se deixar no mercado e
isso é deflacionar ia ser zerado ea quebrar tudo ia ter uma grande depressão então nós evitamos uma grande depressão mas as sequelas estão aí ficou uma desproporcionalidade intratável não tem riqueza no mundo se todo mundo tentará exercer os direitos sobre a riqueza que possui é muito proporcionalidade brutal e começou nos anos 80 e isso não está resolvido foi uma solução paliativa ela dá um alívio impediu uma grande depressão que é muito bom mas não resolveu o problema e nem as conseqüências né você não acha que o esse descolamento também tem a ver com o fato
de que a maior parte dessa economia real está se tornando obsoleta e o sistema financeiro como se dizer digitalizou etc trilho e ele começou a crescer desproporcionalmente por falta de base também na economia real e só vai se resolver isso quando a economia mudar prever quando as novas modelos de negócios novos tipos de empresas foi surgindo nessa lista nesse turbilhão de mudança então há uma tensão econômica nós estamos em meio a uma grande mudança tecnológica novas atividades vão aparecer outras estão morrendo e tentam resistir à mudança indústria do carvão indústria siderúrgica americana querendo mas no
fundo o problema emprego e renda e bem estar humano olha que coisa interessante como americano com a renda mediana já entre os 5% mais ricos do planeta ele está exatamente na metade da distribuição de renda americano metade está pra baixo pra cima ele está entre os 5% mais ricos do planeta aos olhos da sociedade em que ele vive aos seus próprios olhos ele é um lusa ele é um derrotado ele é um mediano é um medíocre e está entre os 5% mais ricos do planeta ele provavelmente senti que faltou mais coisas materiais do que os
95 por cento da humanidade estão muito abaixo ele tem alguma coisa profundamente errada numa sociedade de um modo de vida uma forma de vida em que uma pessoa super à frente dentro do padrão mundial da humanidade se sente um completo derrotado na sociedade em que vive e não não não tolera viver assim e fica ressentido e aposta numa aventura como essa os americanos estão também e por outro lado é o que nós estamos falando aqui é que nós temos a possibilidade a esperança de que essa transformação econômica na verdade mude de tal forma e se
essa ordenação econômica e social que que permita que mais pessoas se sintam vencedoras na casa elas têm mais oportunidades do que esse mediano é eu acho que você pode resposta certa não é toda resposta valores vão ter que montar lá as formas de vida o que qual é a métrica de uma vida bem sucedida individual e coletivo quais são os valores de uma vida bem vivida da melhor vida ao alcance do humano não pode ser o consumo né não dá não dá crescer nunca vão dar porque é uma corrida armamentista que não tem fim são
os bens posicionais você vai estar sempre para trás e sempre achando que falta e vai usando mal seu tempo vai ficando neurótico a questão dos distúrbios mentais hoje no mundo no mundo rico é uma questão os números são impressionantes transtornos mentais hoje tinham mais anos de vida produtiva e de vida saudável do que cardiovascular do que câncer do que todas as doenças do corpo é uma doença da alma eu gosto muito de uma forma do papa francisco naquela encíclica laudato simples e os desenhava palavras textuais dele na encíclica os desertos externos estão aumentando no mundo
porque os desertos internos se tornaram tão vastos eu acho que ele matou a charada uma coisa que realmente me agradou muito a ligação profunda entre o que está acontecendo com a natureza externa os desertos externos e o que está acontecendo com a natureza interna desses povos altamente civilizados desenvolvidos que vão perdendo uma certa disposição de felicidade de integridade diante da vida e vão ficando neurotizar dados e sujeito a transtornos mentais pelo hiper materialismo na competitividade o calculismo nenhum horizonte de transcendência do que há de mais num dano imediato certo isso tudo vai machucando muito psiquismo
profundo do ser humano e tem evidências consumo de drogas depressão suicídio as estatísticas são muito impressionantes esse país que tinham tudo pra estar em um nível de bem estar e de felicidade e de realização ele está fundando uma crise da ecologia psíquica eu formulei essa esse ponto seis da crise e da ecologia psíquica que está junto com a crise da ecologia com a tecnologia própria exatamente brigada eduardo e aí eu só que nós precisamos mudar valores e ver o mundo ea vida de forma diferente se você gostou desse episódio que rever o que é ver
outro acesso e futura play é mais [Música] [Música]