É só trabalho ou é só trabalho? Onde começa e onde termina o trabalho? E essa eu sei que é uma resposta que pode doer.
E dói porque a gente se perde em trabalho, né? O trabalho vai corroendo a gente e a gente se perde dentro da gente. Mas o trabalho sempre volta a nos encontrar e a gente vai caminhando aí com essa coisa meio incômoda.
Pedra no sapato. E aí pessoa de boa? Meu nome é Eric Gato e pode chegar porque toda troca criativa é raridade.
Como vocês perceberam, esse episódio é sobre trabalho. E se você responde com o que você trabalha, com quem você é, eu sinto lhe informar, mas você é mais uma das pessoas perdidas pelo caminho. Mas ó, bora virar todos esses sapatos, catar todas essas pedras, sair jogando elas na nossa frente e tentar não se perder mais dessa vez, pelo menos.
Eu queria muito entrar numa dualidade que é o trabalho ser um transformador de vida e o trabalho se transformar na sua vida toda. Eu tô ligada que essa conversa pode ser um pouco baixo astral assim, mas ó, não se engana não, tá? Que eu sou entusiasta do trabalho por necessidade, óbvio, e barra ou por um tipo de obsessão aí.
E essa troca que eu trago hoje tá nessa meiúca. O espaço que o trabalho ocupa na minha vida, assim como na vida de quem não nasceu no luxo, convenhamos que não deixa sobrar muita coisa, né? E aí, nichando mais ainda esse assunto, eu entendo que esse seja o dilema em comum na vida de toda pessoa criativa, artista, que trabalha com criatividade, enfim, que é quase tudo ser sobre trabalho sempre.
E eu trago, levanto algumas hipóteses que são: o trabalho tem potencial tangibilizador das nossas ideias. Então ele transforma as nossas ideias em realidade. O trabalho também transforma as nossas ideias em valor.
Ó, dinheiro, bufunfa, money, cachê. O trabalho traz conexão e aí seja essa conexão consigo ou com o outro ou e com o outro. E o trabalho é inevitável, não é mesmo?
Porque o capitalismo está aí ainda. Vivemos com ele, infelizmente para ele. Mas eu também entendo que, né, tem vários dilemas, vários problemas quando o assunto é trabalho, principalmente para pessoas do ramo criativo, problemas em comum, né?
Por quê? Porque a arte trabalho geralmente não tão na mesma frase, mas para artistas muitas das vezes tem que tá. E muitas das vezes as pessoas não enxergam e fazem com que a gente também não enxergue como sendo trabalho de verdade esse que a gente faz, né?
Tipo, sei lá, e você insira aqui com o que você trampa, mas tipo criar um design de um post, editar um livro, fazer um filme, eh trabalhar como videomaker, as pessoas não vem como trabalho, nossa, digno, trabalho de verdade, não sei o quê, não sei o que lá. Hoje isso tem mudado, é lógico, né? as coisas estão avançando e esse pensamento tem mudado assim, mas aí também depende da bolha e tem muito mais pano pra manga em relação a esse assunto específico.
Inclusive eu já fiz um conteúdo falando sobre isso, eu vou deixar aqui no link do episódio. Um dos fatos é pra gente a linha entre o que o trabalho é de verdade e o que a gente gostaria que o trabalho fosse é muito tênue, é muito bamba, mano. E aí eu venho com mais um contraponto.
Não deveria ser só trabalho. Essa tem sido para mim uma questão muito atual e que entrelaça assim com várias outras coisas na minha cabeça, mas que tem ganhado um protagonismo, porque beleza, o trabalho é sim o que possibilita a maioria de nós vencer e fazer muitas coisas e tudo mais, mas se você não tiver minimamente bem da cabeça, disposta alhe apta a trabalhar, o que é que sobra? Como que você faz para trabalhar com um corpo extremamente exausto, tanto do trabalho do dia a dia, quanto das redes sociais, quanto do mundo que a gente vive hoje, que é só informação, informação, informação, informação.
Como que a gente trabalha? Como que a gente acha um meio termo, uma balança, um equilíbrio de uma forma positiva, saudável. Criatividade é sobre espaço para fazer, né, criar conexões.
Se tudo tiver entupido só de trabalho, nem o trabalho vai ter espaço para ser continuado, sabe? Um dos meus principais objetivos de uns tempos para cá tem sido cuidar muito bem desse lugar que sobra, ninar ele, cuidar de verdade. E eu venho por meio deste aqui te propor a fazer o mesmo, pelo menos tentar fazer o mesmo.
O primeiro exercício que eu penso que a gente poderia fazer é como responder de outra forma as fatídicas perguntas do dia a dia. I, como que você tá? E ai, acabou de conhecer alguém.
Aí te perguntam: "Ah, tudo bem, prazer. Quem que é você? Quem é você?
" Aí a Lela Brandão, que vem questionando isso no podcast dela, gostosas também choram e tem causado grandes questões à minha existência que a gente pode começar a pensar em como responder isso, tipo comecei um novo projeto, os meus gatos estão bem, eu ouvi uma playlist ou um álbum esses dias, muito bom. Ou você viu aquela notícia lá sobre tal coisa? E aí sim, de resto, só trabalho.
E é nesse ponto que eu queria chegar quando eu falei da questão sobre ser só trabalho. E a conclusão de estudo é inexistente. Não tem, né?
Não tem conclusão, infelizmente. Eu sinto que essa questão, esse assunto vai permear a vida de todo artista, a pessoa que trabalha com criatividade, enfim, por toda a vida, né? outras pessoas também, mas eu sinto que essas questões que eu trouxe hoje podem estar muito ligadas a esse nicho criativo.
Essa aqui é uma faísca, um amontoado de pensamento sobre esse tema, esse assunto. E a gente tá aqui olhando para um corredor com um monte de porta e quem sabe a gente não vai abrindo cada uma especificamente, trocando sobre, discutindo sobre o que a gente viviu, sobre o que a gente viveu, sobre o que a gente trabalhou. De qualquer forma, chegamos até aqui.
Eu vou voltar, recolher todas essas pedrinhas e trabalhar em cima delas. E gente, a partir desse segundo episódio, eu queria muito tentar trazer algumas coisas no final deles, fazer uma espécie de curadoria de raridades. E eu quero que isso aqui seja bem aberto.
Eu não vou tentar padronizar o que trazer nesses finais, mas trazer, deixar aqui coisas que para mim de alguma forma raras e que possa fazer sentido no aspecto criativo por aí também. Para hoje temos manhãs silenciosas. Mano, a diferença que isso tá fazendo nos meus dias, na minha rotina é palhaçada.
Eu ouvi recentemente um episódio do podcast da Emma Chamberlin que tem o mesmo nome, se eu não me engano. Tava perdendo muito tempo esse negócio de acordar e já ir direto pro celular também. Eu quero trazer isso num próximo papo assim, mas isso é outro assunto, né, sobre vício, mas ter esse espaço liberado antes de enfiar a cabeça em trabalho ou em outra coisa, nesse tempo de informação e tal, é uma virada de chave e pode ser uma coisa besta, pode ser que você já que isso já faça parte do seu dia a dia, mas para mim esse vácuo de manhã especificamente tem sido assim outra parada.
Eu sei, tá, que as realidades são muito diferentes, né? Falar sobre tempo é muito difícil. É uma questão.
Mas, por exemplo, eu não sabia que eu tinha esse tempo. Eu descobri ele e, enfim, substituí por algumas outras coisas que eu tava fazendo nesse nesse período e tem sido maravilhoso, mano. Sério, assim, 20, 30 minutinhos para fazer seu café, tomar, prestar atenção tomando café ali, escrever os meus sonhos num caderno.
Eu tô voltando com essa prática. escrever no papel, né, também tira as coisas da cabeça, limpa a cabeça de uma outra forma. E sonho é isso, né?
Você acorda e vai passando, cada minuto, você já vai perdendo tudo. Então, tem que ser de manhã ou sentar, quando você vai trabalhar, sentar no computador com tempo para abrir o e-mail, ler as as newsletters, outras ideias. Outra coisa muito bom.
Segunda coisa que eu trago aqui é uma leitura sobre design, feminismo e amizade da Briar Levi. Que leitura, pô, muito diferente de tudo que eu tava lendo recentemente. É um livro que já tava na minha lista, há uma cotinha.
O clube do liv do Design me mandou e eu fiquei muito, muito feliz e tô mais ainda lendo. Eu ia resumir ele aqui para vocês, mas depois que eu vi o resumo no site deles, eu achei melhor ler, porque realmente resume perfeitamente. Entrevistado por Nina Pen, explora a intersecção entre a carreira gráfica, ativismo e conexões pessoais.
A obra destaca como rotas não planejadas e colaborações femininas moldam o trabalho, a educação e o design com uma perspectiva feminista e colaborativa. Gente, incrível assim, eh, em formato de entrevista, né, e vai mostrando ali a história da Briá, não só relatando, tem as referências visuais também. Fica aí de indicação.
Por último, Junkboard. Gente, nunca consegui criar, ter um junk journal em caderno assim. sempre foi uma coisa que eu vi a galera fazendo, achei muito legal, porque, pô, referência visual, física, né, que é uma coisa que a gente tá tem precisado muito nos dias de hoje, uma coisa muito legal assim de se fazer, se ter, mas eu nunca consegui começar, mano.
Eu sempre enrolava e tal o negócio do caderno. E aí vendo algumas referências no Pinterest, em alguns lugares, eu tive essa ideia de criar o mural mesmo. E aí é uma coisa que, nossa, funcionou demais para mim.
Tá sendo muito divertido de fazer. Ele fica aqui no meu escritório, que é meu quarto. Minha casa é bem pequenininha, mas todo dia que eu levanto, é a primeira coisa, né?
Uma das primeiras coisas que eu vejo é isso, ter referência física, né? A a hora de separar ali o que você vai colocar e as memórias, as lembranças das coisas e o porqu, né? Aquelas referências visuais.
Fica aí a dica de uma coisa muito muito legal. Pode servir para você também. E é isso.
Valeu demais e até o próximo papo. Falou.