O mar da China meridional abriga atualmente 1/3 de todo o comércio mundial. O estimado é que anualmente as cargas que são transportadas por este mar alcancem a quantia de 3,4 trilhões de dólares. Devido a esse valor elevado e à grande dimensão desta região, há uma briga intensa sobre qualém soberania sob este mar?
A China alega que a maior parte a pertence, mas os outros países ao redor não pensam assim e as tensões nunca foram tão elevadas. Nesse vídeo você vai acompanhar quais são os desdobramentos mais recentes que envolvem essa região. Você irá conferir também porque os Estados Unidos vêm realizando exercícios marítimos ao lado das Filipinas.
E o que faz deste mar tão importante não apenas para os países ao seu redor, mas também para o mundo inteiro. O mar da China meridional está localizado no Oceano Pacífico Ocidental, ao sul da China, apresentando uma área de aproximadamente 3. 500.
000 km². Trata-se de uma importante região no transporte marítimo mundial, sendo que em 2016 cerca de 3,4 dos 16 trilhões de mercadorias de transporte marítimos passaram por esse mapa. Além de se consagrar como uma importante rota de comércio mundial, o mar da China meridional também abriga uma reserva de 11 bilhões de barris de petróleo, 5,38 trilhões de m cb de gás natural e é considerado como uma das áreas mais ricas do mundo em biodiversidade marinha.
A pesca nessa região é responsável direta pela alimentação de países como Vietnã e Filipinas. E tudo isso faz com que os países próximos entrem. Em uma disputa pela região que já dura anos.
Países como China, Filipinas, Malásia, Brunei, Vietnã e Taiwán reividicam territórios no mar da China meridional. A China alega possuir a maior parte dos territórios disputados com base em interpretações históricas que afavorecem o que é contestado por outras nações e até mesmo por decisões legais internacionais. Em 2011, os países chegaram a um acordo sobre a região.
Contudo, não demorou muito para que tal acordo fosse deixado de lado e cada nação focasse na defesa daquela que ela considerava como sendo sua região. Na Indonésia, por exemplo, em 2015, o presidente Joko Widodo instituiu uma política de que caso qualquer barco de pesca estrangeiro fosse encontrado em águas Indonésias, ele seria prontamente destruído. Suas palavras não foram apenas ameaças em vão.
Estima-se que até 2019 a Indonésia tenha afundado um total de 556 navios que entraram em seu território, sendo navios pesqueiros ou de qualquer outro tipo. Deste total, 312 eram do Vietnã, 90 das Filipinas, 87 da Malásia e três da China. Essa atitude fez com que autoridades da China se vissem obrigadas a interferir principalmente, pois algumas das regiões que a Indonésia considerava como sua, a China alega ser dela.
Esse sempre foi o principal fator de instabilidade no local. As regiões não estão devidamente demarcadas, sendo que cada país alega possuir esta ou aquela área. A China é quem vai mais além, reivindicando soberania de 90% da região.
As autoridades chinesas traçaram uma linha em forma de U com nove traços, alegando que todos lhe pertencem. O problema é que esse traçado, além de não ser reconhecido mundialmente, acaba entrando na zona econômica exclusiva ou zee de outros países. Imagine uma faixa invisível se estendendo por quilômetros da costa de um país.
É nessa faixa que o país pode pescar ou explorar o petróleo e gás do fundo do oceano. Essa é a chamada zona econômica exclusiva. AE no mar meridional da China.
Apenas China, Vietnã, Malásia, Filipinas e Brunei possuem Z, dos quais podem explorar com a maior parcela pertencendo à China. Incomodado com essa alegação da China, que demarcou a maior parte da região como sendo sua, em 2016, as Filipinas levaram o caso ao Tribunal Permanente de Arbitragem em Aia. Após conferir o caso, o tribunal decidiu que as alegações chinesas não tinham base legal, segundo a convenção da ONU sobre direito do mar.
Apesar disso, a China não reconhece a decisão do tribunal como legítima e permanece explorando as regiões como se elas fossem suas. Em 2021, a China deslocou 200 barcos pesqueiros a uma região das Filipinas. Ainda não se sabe se os barcos realmente abrigavam apenas pescadores ou militares chineses disfarçados.
O que se sabe é que as autoridades filipinas não puderam tomar nenhum tipo de atitude contra isso. Na época, o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, chegou a dizer que se eu enviar meus fusileiros navais para expulsar os pescadores chineses, garanto que nenhum deles voltará vivo para casa. Uma ação desse tipo, por parte do governo filipino, poderia servir como um pretexto perfeito para a China iniciar uma guerra entre as nações.
Isso apenas demonstra como a China vem utilizando sua influência para atuar da maneira que quiser pela região, desconsiderando tratados e limites. E não somente isso, mas há anos a China vem militarizando a região, construindo diversas ilhas artificiais. Conforme documentos do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, a China possui mais de 20 postos avançados em ilhas da região.
Constantemente, a China tem enviado para estes postos recursos militares, incluindo mísseis antiaéreos e antinavio, além de patrulhas de combate. Ao se estabelecer na região e dominá-la praticamente por completo, a China não apenas controla uma importante rota de comércio marítimo, como também impede que outras nações consigam crescer com os recursos naturais. Um exemplo foi o que ocorreu em 2020, quando o Vietnã cancelou o contrato com duas empresas petrolíferas devido à pressão da China.
Além disso, há também relatos de confronto direto entre embarcações chinesas com navios de pesquisas do Vietnã, Malásia e Filipinas, os obrigando a interromper suas tentativas de explorar os recursos marítimos. Para a China, há inúmeras vantagens em controlar o mar da China meridional, pois além de dominar uma importante rota comercial e melhorar sua segurança energética, também seria possível negar acesso a forças militares estrangeiras na região, tal como os Estados Unidos. E no dia 24 de abril deste ano, logo após porta-aviões chineses serem avistados em uma região próxima às Filipinas, a Marinha das Filipinas realizou exercícios marítimos em conjunto com forças marinhas dos Estados Unidos.
Ao todo, mais de 14. 000 soldados filipinos e americanos se juntaram este ano para realizarem esses exercícios para o que eles estão chamando de um teste de batalha completo entre dois aliados. A China realizou declarações afirmando que os exercícios são provocativos e ainda mais recente, no dia 28 de abril, China e Filipinas protagonizaram um momento de tensão.
Os dois exibiram fotos em Sandy, uma ilha do mar da China meridional. O local é reivindicado por ambas as nações. A China já se pronunciou sobre o ocorrido, dizendo que a presença dos filipinos no local é considerada ilegal, afirmando que o governo chinês possui soberania incontestável sobre a ilha.
Em resposta, o comodoro J. Terriela, porta-voz da Guarda Costeira Filipina, diz que esta operação reflete a dedicação inabalável e o compromisso do governo filipino em defender a soberania do país. Direitos soberanos e jurisdição no Mar ocidental filipino.
No momento, ainda não é possível saber se algum dos dois países irá abrir mão da região ou se até mesmo eles serão capazes de chegar a um acordo. Uma possibilidade muito menos provável. A China segue espalhando sua influência pela área, reclamando regiões que, conforme ditam suas próprias leis, as pertencem, sendo que ela não se mostra disposta a enxergar a situação sobre outros olhos.
O que os demais países podem fazer é escolher se adaptar, resistir da maneira que for possível por conta própria ou se aliando a outras poderosas nações. E tudo isso para que eles consigam explorar os recursos da região ou simplesmente serem capazes de pescar em segurança. Até a próxima.
M.