E aí, as Narrativas Compartilhadas tem o prazer de continuar ouvindo Márcio Esquitini, que agora vai contar um pouco da experiência dele, né? No curso de Letras, macho, você está com a palavra. Então, é.
. . o curso de Letras foi muito enriquecedor.
A senhora, eu acredito que, para quem quer ser professora, né, precisa passar por essas experiências, sobretudo assim, experiências com o sarau. Eu acredito que o sarau seja, assim, um ponto culminante para que você possa cativar seu aluno. Nós fazemos muitas apresentações, isso, na verdade, foi fantástico.
Até hoje, tem algumas músicas que eu toco para os meus alunos. Se lembra de alguma? Eu lembro até hoje: uma é "A Cor do Toque" e a outra, "Peça Aqui," foi uma apresentação que nós fizemos aqui na Biblioteca.
Sumiu, não me recordo bem. . .
Lá no quarto andar, até porque o salão vermelho, na época, estava sendo utilizado por outras atividades, então nós usamos o quarto andar da biblioteca. É isso daí. Lembra qual disciplina?
Literatura Brasileira. Literatura Brasileira era com o José, né? E agora, José?
A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou. . .
E agora, José? [Música] E agora, você. .
. Você quer sem nome de Jesus, uma dos outros. .
. Você que faz versos, que ama, protesta. .
. E agora, José? É uma riscar mais uma não?
(risos) Coisa boa, então essa é, por exemplo, esta é uma música. Tinha um LP com várias adaptações, várias músicas do Drmmond. .
. Só do Drmmond, né? E essa.
. . É, e aí ela que ela é, pior.
. . Ele, ele, o bolachão, né?
Eu lembro que eu consegui uma gravação, então essas músicas, até hoje, eu toco. Eu tinha os alunos, eu levei o lixo lá, né? Você acha que até eu copiei de você lá na época?
Gravei, e até hoje eu uso. Eu acho assim, para quem toca um instrumento, é um desperdício não levar para a sala de aula, né? Eu acabei incentivando muitos colegas de trabalho, não porque eu acho que eu incentive alguém falando que a pessoa faça isso, faça aquilo, mas quando a pessoa percebe que isso dá um resultado, quando ela vê que você usa, os alunos aceitam e gostam.
Elas acabam, de repente, eu vejo lá um amigo entrando com um violãozinho e eu falei: "Nossa, não sabia que tocava! ". Então, isso é de verdade incentivar demais, né, o profissional a colocar isso em prática, porque a música, né.
. . Vamos de barreiras.
Ela me olha, me alegro em Ti, Deus. A sala de aula tem que me chamar. Aí também, segunda-feira de manhã, aquele sono, né?
Aí a gente também, às vezes, faz algum poema, um poema, né? Musicado. E antes de você fazer a aplicação, a análise interpretativa dele.
. . E assim, bom, eu acho que vou falar isso depois, senão vou perder a história da faculdade.
Porque, senão, a gente não consegue contar tudo. E aí, então, em todas as atividades: em inglês, português, literatura estrangeira, brasileira, todas essas atividades, elas ficam na minha mente até hoje, né? Assim, que eu tinha alguém fazendo esse tipo de atividade lá dentro, não é?
O professor. . .
Às vezes tinha a professora de literatura, e agora literatura inglesa, era com a Fernanda, né? Porque acho que era velha mesmo, bem velha. A Vera fazia assim, fazia, mas eu não me recordo exatamente.
Mas eu sei que isso me trouxe e despertou aquele. . .
né? Aquele gosto musical que eu sempre tive pela música, pelas letras. Então, aos poucos, fui entendendo que ali era mesmo o curso que eu queria fazer.
Porque eu, de verdade, quando entrei, assim, tomei um choque. Eu falei: "Será que aqui que deve estar? ".
Mas isso tudo, na verdade, né, somando essas todas essas habilidades que eu tinha, acabou me deixando mais cismado com o curso. E aí eu vi um momento que eu me envolvi com o teatro, né? No teatro, com cartazes.
Na verdade, foi. . .
eu confesso para você que era um pouco tímido, você sabe, né? Aí percebi que eu era um pouco muito. .
. Chegou o convite. Como foi?
Então, aí você me convidou, né? Você não. .
. Você não convidou, você me convocou para fazer um papel. Eu gostava de teatro, assim, mas eu tinha um pouco de dificuldade de ensaiar, de me expor às vezes na frente das pessoas.
Era uma dificuldade, né? Hoje, hoje, eu não sou tímido assim, eu acredito que não, mas eu era bastante. Então, assim, foi um projeto muito grande, na verdade, de caras.
Era "O Encontro no Bar," né? O Encontro Poderoso, Braúlió Pedroso. O Encontro no Bar era uma peça maravilhosa.
Eu sempre fui muito expressivo. Às vezes, tem essa. .
. esse abre, fazer caras e bocas e o papel foi perfeito, porque eu usava uma maquiagem toda branca. Como é que chamava aquilo?
Que é uma pasta d'água. Enchi! Até hoje!
Vou mostrar repassado. A água. .
. Usava uma pasta d'água. Só que eu tinha cabelo, né?
A terra passará. Aí, tinha batom, né? Passei batom.
Era muito caricato mesmo. O personagem era caricato. Muitas vezes, era a fera, o garçom, garçom no bar, onde ia ter uma limpeza.
Tô bem lembrada. A gente intermediava um encontro entre dois idosos que estavam buscando novas aventuras, novas paixões, e eles se encontraram ali. E eu intermediava esse encontro, né?
Então, eu motivava sempre. Às vezes, tinha até algumas músicas, eu não vou me lembrar agora, mas eu acabei nenhuma. .
. Bom, então, tem um textinho, mas a letra eu não consigo me lembrar. A verdade foi adaptada, não era nem música, né?
Eu acho que não. É a música, não era porque nós que envolvemos o violão na história. E você encontra o como você sabia tocar exato.
Nós fizemos uma adaptação e, aí, acho que nós pegamos trechos do texto, é uma alguma coisa assim, os deuses aviso. Daí, como para mim, eu sempre gostei muito disso. Neve, além dos desafios de tocar violão, eu falei "se ele é maravilhoso", aí eu estaria atuando, né?
Sim, e tocando. E aí tem uma música que eu não vou me lembrar, eu levo um trechinho, mas era mais ou eu fiz algo bem caricatural mesmo porque ela tinha uma pausa. E aí eu fazia "posso me levantar um forró".
Então, fazia aquela cara assim, olhando, né? Ou, para baixo aqui, é o Léo. Mas acho que dá, né?
Daí, acho que eles esperam, né? Não é, mas não dá. Sempre muito caricato, né?
E a música é mais ou menos assim: quando esse com segurar. Então, peguei uma pausa, era uma música bem pousadinha, né? A planta pequena olhando a mãe arvore alta, pensava em um dia também.
Também uma lembra mais. Aí, se acende uma pausinha, sinta bem, era bem caricata, né? Então, os movimentos eram bem marcados.
Então, isso era no momento da cena em que os do casal congelava a cena. Faz isso. Foi muito bom, na verdade, né?
Congelava a cena, e aí tinha um poema aqui na frente, foi musicado, que era filosófico mesmo, né? Ele discutia ali a questão que estava acontecendo naquele momento na peça. Então, foi uma peça que me marcou demais porque não tinha mais nenhuma música que você tocava na pecinha.
Mas eu não lembro. Um dia eu vou me lembrar, e com certeza vou colocar. Vou trocar para você, a gente grava.
Você foi, porque tinha duas, acho que duas ou três músicas, que ele não é uma música cantando poemas por uma música antiga. Música que eu musiquei. Aí, deixou a peça mais dinâmica, porque a peça tinha.
. . não faz muito tempo, né?
Quanto tempo vai? Ah, não sei, eu não me lembro muito bem. O que eu lembro é que.
. . 93/94.
É para ele assim, 93. . .
vão falar de 19, 26 anos. É, olha só, mas menos. É isso mesmo, perto, né?
Aí, bom, e essa peça nós tivemos uma feliz ideia de levar isso para o projeto dos velhinhos. Nega, Vila dos Velhinhos. Aí, nós somos a vida das velhinhas e a outra instituição também, né?
Vamos lá no mundo o sistema, situação na Terra. Na verdade, era trazer essa reflexão para os idosos, né? Porque, na verdade, ela encontrava o que envolvia os idosos e que trazia essa beleza dessa ideia de que o amor não tem idade, né?
Sim, eu não tenho idade. Então, ela não foi uma peça que me marcou demais. E eu acho que o teatro me trouxe dois benefícios muito, muito grandes.
Assim, primeiro, eu acho que eu consegui me libertar do povo da minha timidez. Aquela coisa de você se expor, pode estar ali na frente das pessoas. E para minha profissão, fico pensando, professora, que é essencial.
E, sem contar, eu acho que todo ganho também de conhecimento, né? De poder levar o teatro também para a sala de aula, porque todo ano tem sempre um livro paradidático, tem que ter uma peça teatral. A gente sempre faz questão de colocar uma juntamente.
E a linguagem do teatro, que é uma linguagem completamente diferente da linguagem dos contos da literatura em geral. Então, eu acredito que esses dois ganhos, assim, eles não têm preço. Não é um valor, assim, que me ajudava na minha profissão, né?
Sensacional. E, para terminar, a gente pode falar um pouquinho também que eu conheci a minha esposa na faculdade, né? Olha, é isso.
Na verdade, não acho que foi no último ano de faculdade, é o segundo. Não tenho muito bem, porque não era semestre, né? Acho que era nessa área.
Você me assim, né? Na verdade, naquele momento, já era. Não era a Ciência, a Silvia, minha esposa, estudava na mesma sala que eu.
Em um dia, né? Eu estava em uma aula de teologia, alguma coisa religiosa, introdução à sociologia, introdução à teologia. Era uma sexta-feira, as duas últimas aulas, né?
Imagina! Ah, tá, todo mundo já assim, havendo estrelas. De repente, alguma coisa me puxa, né?
Olhar assim para outro lado da sala. E foi estranho porque eu nunca tinha olhado para cima daquele jeito. E aí ela… eu olhei, ela ligou para mim.
Sabe quando, né? Parece que veio a voz, além do falar. A senhora para ela, rapaz, essa mulher é especial.
E aí, começou assim o namoro, né? Foi tal, e aí a gente acabou se apaixonando. Aí tivemos a Marcela, que aliás vai ser mãe, que ou seja, nós vamos ser avós.
Que coisa de louca! E tem o Mateus, agora com 22 também. Então, nós estamos há 26 anos juntos já.
26 é para 27, né? E tudo assim caminhou muito bem, na verdade, né? Nós, domingos, aos corações ali.
Tenho muita coisa que aconteceu, é muita coisa boa, não? Depois a que mudou minha vida, né? Para sempre.
Enfim, lá, sempre foi o teatro, sem dúvida, fazer a parte disso, né? Não tinha como deixar de lado. E tudo que, na verdade, sumou na minha vida dentro da faculdade.
E eu levo para a sala de aula até hoje. Então, a sala de aula é um lugar onde eu consegui colocar os meus talentos, as minhas habilidades lá de trás. Quando ela foi interrompido no Senai, não é?
Os cursos técnicos. E eu trouxe de. .
. Volta aí, olha só! A vegetação é quase da mesma idade que eu; tenho 25, 26 anos.
É interessante que vocês caminharam juntos profissionalmente, né? Ela não seguiu; na verdade, ela não dava aula de português, mas sempre foi professora. Não tinha como ficar assim.
E depois, nós temos uma outra história para contar, que seria o momento mais atual da nossa vida. Então, você vai andar porque não pode sair da música. Daí, mais um logo, vamos responder a respeito disso.
Perfeito! Então, vamos dar uma pequena pausa e, daqui a pouco, estaremos voltando, contando da fase atual das vidas profissional e artística. Até já!