Olá tudo bem sou Alfredo Oliva eu quero começar a fazer uma série então hoje sobre arte e psicanálise a partir de um livro de Ruan Davi Inácio cujo título é 9 lições sobre arte e psicanálise eu vou explorar quase todos os capítulos desse livro um livro interessantíssimo que eu recomendo muito muito bem então vamos começar aí dizendo né que Ruan Davi nasce é um psiquiatra e psicanalista nascido na Argentina né que hoje tem 80 anos de idade mas que foi viver na França a partir do final da década de 60 do século passado chegou a
acompanhar um dos seminários de jaca Lacan e foi professor na sorbone por mais de 30 anos então é um argentino bastante aculturado né bastante ligado a cultura francesa psicanálise francesa esse gênio né E que tem muitos livros traduzidos para o nosso idioma no caso aqui o livro chamado nova lições sobre arte psicanálise é um livro publicado em 2014 na França e traduzido aqui no Brasil em 2017 pela Jorge zaac vou então falar um pouquinho sobre o capítulo 1 cujo título é Maria caiaz vírgula aí abre aspas né essa voz do coração que só ao coração
chega então vamos lá ele começa fazendo uma consideração psicanalítica sobre a arte né então ele fala da experiência dele e um amigo que vão assistir Uma ópera e diz que ele se sentem emocionados e ele vai dizer que essa emoção que eles sentem enquanto a interpretação né Para uma determinada artista ou um conjunto de artistas mexe com as emoções dele e do amigo e ele disse que é uma razão para isso acontecer e a razão é que aquele artista quando está no palco dá um tom emocional mas essa emoção ela só pode ser reconhecida pelo
espectador espectador se ele já tiver uma experiência emocional né Ou seja a arte não cria do nada é emoção ela apenas mobiliza emoções que nós já experimentamos e que a música consegue Então vamos dizer assim nos Fazer Lembrar no caso aqui a música que estamos falando de música né então vamos ó ele diz assim com efeito vivo como espectador o que já vivi real ou imaginariamente quando criança ou adolescente insisto só posso sentir a emoção do personagem a espera fervorosa e ingênua da jovem Butterfly por exemplo porque um dia essa emoção foi minha eu já
conheço mas eu ah esqueci ou seja ele não inventa a emoção né o artista sente e expressa essa emoção e nós nos emocionamos com o que está sendo dito pelo artista Porque nós já temos também uma experiência já experimentamos de forma real ou imaginária e essa essa experiência do presente de ver um artista mobiliza essa experiência que já existia no passado dentro de cada um de nós né É legal isso é bonito isso né ou ele diz assim ó então ele o amigo né Saímos da ópera sorridentes e tranquilos felizes assistido ao espetáculo de nossas
próprias emoções né quer dizer que emoção você assiste né quer dizer em tese você diz olha o artista era emocionante o artista era brilhante o artista era isso era aquilo né e mas na verdade o artista só consegue mobilizar o que já existe dentro de mim né por isso ele faz trocadilho dizendo que ele tá feliz por ter assistido o espetáculo da sua própria emoção né é a mesma coisa quando você olha um quadro e diz esse quadro me emociona muito o fato desse quadro emocionar muito significa que ele foi pintado de forma Bela significa
que o artista era sensível significa que você é sensível o que que é que acontece que faz com que você se emocione né eu tenho uma experiência que eu gosto bastante de de contar já devo ter contado em algum dos meus vídeos e eventualmente quando também em sala de aula que é quando um dia que eu fui ao Masp Já faz alguns anos né o Museu de Arte de São Paulo que fica na Avenida Paulista Eu gosto muito de lá né a principal a razão é porque tem 4 quadros de Van Gogh lá então eu
sempre vou para ver os quadros do Van Gogh porque sou fã do Van Gogh mas claro tem tem vários artistas brilhantes e na época nessa época específica que me refiro agora tava tendo uma exposição de Cândido Portinari eu nunca tinha visto Cândido Portinari na minha vida ao vivo e tinha uma exposição com dezenas de quadros do Portinari e estavam lá aqueles painéis gigantes né que tem uma menina morta numa rede uma família de retirantes carregando essa menina morta na rede e um outro quadro que também traz uma cena de retirantes né e eu esse esse
painel na verdade eu falo quadro mas era um painel né quer dizer uma tela gigante que era do tamanho quase de uma dessas paredes que eu tenho aqui na sala da minha casa e eu olhava aquele quadro e eu chorava e eu não sabia porque que eu chorava eu não sabia se era a beleza do quadro eu não sabia se era o elemento trágico retratado pelo artista eu não sabia se era a emoção de tá vendo um Portinari ao vivo ou se existia algum fator subjetivo algum fator né alguma emoção algum elemento trágico da minha
história de vida que de certo modo via retratado ali né O que aconteceu o que acontece numa situação como essa existe uma comunicação do inconsciente no artista com o inconsciente da pessoa que viu o quarto e claro existem emoções que foram experimentadas pelo artistas no caso cantor ou cantora de ópera ou pintor ou pintor e a pessoa que assiste o espetáculo ver a tela né eu acho que esse é um ponto de vista que parece agora bastante obra mas é bastante interessante depois na sequência o que ele faz é explorar um pouco a história de
vida de Maria caia para poder procurar compreender talvez explicar porque que ela era tão brilhante como cantora e ele então vai fazer uma interpretação psicanalítica da história da biografia de Maria caia né Ele disse que ela muito jovem ainda menina descobriu que só sentia admirada e feliz quando cantava né quer dizer essa é uma história bastante interessante comum né é a criança que descobre alguma coisa que ela faz e ao fazer isso ela consegue captar admiração das pessoas ela então começa a se dedicar a perfeição nessa tarefa né eu me sinto por exemplo bastante identificado
com isso né E isso claro tem a ver com o meu minha projeção na vida acadêmica Né desde criança eu gostava de estudar eu não sei se eu gostava de estudar porque isso gerava admiração nos meus pais ou vice-versa tanto faz o fato é que eu tô na vida acadêmica Até hoje me dediquei a isso né e procurei ser excelente e certamente isso tem a ver com o aspectos da minha infância e na citação ainda diz compreendeu muito cedo que seu trunfo mais precioso para ser amada seu poderoso imo sedutor Não era nem a sua
aparência nem a sua inteligência mas o Feitiço da voz né então isso é muito interessante né a gente precisa procurar razões psicanalíticas para a gente compreender o porquê que a gente executa alguma atividade com perfeição né no caso a Maria cais foi uma cantora excepcional uma cantora brilhante né se você olhar algumas fotos dela você vai ver que ela era uma mulher bonita certamente era uma mulher inteligente mas o que ele tá dizendo é não foi nem a beleza e nem a inteligência que se tornou o seu imã sedutor o seu foco de atração mas
o Feitiço da sua voz pelo fato dela ser uma artista tão perfeita com capacidade de cantar de forma tão bela me parece que é isso que acontece né a criança começa a fazer algo esse algo que ela faz atrai a atenção a respeito admiração das demais pessoas a criança então entende que essa é uma pista para continuar naquilo e ela vai então trilhando esse caminho até atingir a perfeição Pode ser que com isso a gente explique não é claro que isso não explica tudo mas é possível que essa seja uma boa forma de explicar o
porquê que algumas pessoas desde cedo começam a se dedicar com tanto afinco e conseguem Claro tendo começado cedo numa determinada atividade a chance de quando se tornarem adultas e sobretudo quando se tornarem pessoas maduras em função de décadas de trem ela sejam simplesmente brilhantes naquilo que fazem e ele diz ainda porque geralmente as crianças ao se tornarem adultas são ingratas com seus pais e professores mais ainda com pais que eles deram tudo pois tem necessidade de sentir que existem por si mesmas de achar que evoluíram sem a ajuda de ninguém né quer dizer a gente
é aquilo que a gente é na atualidade tem a ver com a nossa história pessoal com a nossa história familiar Tem a ver com com reforços mas tem a ver também com rejeições tem a ver com com ingerência dos nossos pais nas nossas vidas embora a gente para poder se afirmar como ser humano Maduro e autônomo a gente muitas vezes Negue a contribuição que recebeu sobretudo dos nossos pais para que a gente não fique se sentindo muito conectado a eles no sentido de devedor de não ser autônomo né e ele tá O Juan é Davi
nasce tá se referindo aqui a história familiar dela né e da dificuldade que ela tinha para se relacionar com os pais E aí ele vai acrescentar que essas questões vão aparecer também na escolha do parceiro né E ela diz ó quando uma mulher escolhe seu homem geralmente encontramos a mãe na profundeza no pulsional e o pai na superfície no Imaginário né tá se referindo aqui a busca dos parceiros a dificuldade que ela tinha para permanecer com o mesmo parceiro e ele tá discutindo o quanto isso tem a ver com a história de vida familiar né
o que isso tem a ver com a relação com o pai com a mãe e claro esse drama da relação com o pai com a mãe e esse drama que ela vai viver na relação com seus parceiros isso é matéria-prima para Que ela possa produzir uma série de emoções a partir da sua voz do seu canto né então é bastante interessante análise a interpretação que ele faz aqui ele termina em incontestavelmente o templo do Sucesso exige Quatro Pilares Olha que legal falando sobre sucesso talento quer dizer você precisa ou nascer ou muito cedo começar a
desenvolver uma habilidade né desenvolver o seu talento para que você possa ser excelente trabalho né quer dizer você precisa gastar tempo né então lembre-se por exemplo quando você vê um pianista por exemplo uma pianista talentosa que essa pessoa toca piano por horas ao longo do dia mesmo depois que já se tornou uma pianista competente habilidosa ela precisa exercitar isso diariamente Então existe um trabalho né vamos pensar uma pessoa que é brilhante na vida acadêmica que é o que eu tenho um pouco mais de familiaridade para falar né ninguém é brilhante no sentido de que simplesmente
nasceu talentoso para a vida acadêmica né a gente precisa trabalhar né por isso que é necessário gostar daquilo que faz porque por exemplo para ser brilhante na vida acadêmica é necessário ler e você só vai conseguir ler bastante se gostar de ler né Se for uma uma atividade que provoca aversão dor irritação você não vai conseguir ler bastante se você não ler bastante difícil mas você vai ser brilhante Oi é impossível que você seja brilhante na vida acadêmica então demanda trabalho um talento somado a um trabalho ao tempo que você gasta nessa atividade precisa ter
sorte né quer dizer no sentido de que você faz a sua parte mas existem elementos externos que podem potencializar ou limitar aquilo que você vai fazer pensa que há uma número infinito talvez de artistas talentosos que não se tornam famosos e ricos né Vamos pensar por exemplo caso de vir sempre móvel meu pintor Favorito né morreu quase sem ter muito reconhecimento morreu sem conseguir ganhar muito dinheiro com a sua arte né então faltou sorte Claro ele ele tava começando a ser reconhecido quando morreu ele provavelmente se não tivesse morrido tão jovem com 37 anos teria
conhecido fama e riqueza mas não foi isso que aconteceu Ele morreu de forma prematura né então e a gente não sabe o que que aconteceu para ele morrer tão cedo né hoje a possibilidade é que tenha acontecido um acidente né então no caso de Van Gogh uma série de fatores nos levam acreditar que faltou sorte né quer dizer os fatores externos não colaboraram para que Ele pudesse ter sido um artista de sucesso né Na pior das hipóteses o fato dele ter morrido cedo não contribuiu para aquele que vai ser do rico isso acontece com diversos
diversas áreas na atualidade há muita gente talentosa né a gente que não é talentosa fazendo muito sucesso e o inverso gente que é muito talentosa e que é pouco conhecido totalmente desconhecido e é necessário ter bom senso né bom senso então ele diz assim ó o talento e o trabalho realizado por Maria caia são como vimos e negaveis né então ela tinha uma voz né um aparelho vamos dizer assim local Fantástico ela trabalhou treinava bastante né a exaustão para poder executar da melhor maneira possível as obras né que chegava até ela diz sua sorte foi
encontrar Mestres eminentes né então ela teve sorte de encontrar pessoas que poderão ensinar técnica para ela e se o bom senso constitu jamais se deixar embriagar Pelo sucesso Olha que legal isso né além de tudo isso ela ainda teve bom senso né de de não se sentir satisfeita com o sucesso né Às vezes o fato de você se sentir satisfeito realizado realizada com algo pode levar você assim embriagar né se encher é de sucesso e não querer mais sucesso ou deixar que o próprio sucesso estrague a sua própria carreira a gente conhece muitas histórias assim
né pessoas que morreram ou de pessoas que que brigaram que que tiveram uma série de problemas em decorrência do Sucesso então é legal isso né Vamos guardar essas quatro palavras aí que funcionam bem como síntese né talento trabalho sorte e bom senso tá bom Espero que tenha ajudado então a elucidar um pouco essa relação entre arte e psicanálise coisa ainda para ser Dita eu vou explorar isso nos próximos vídeos eu espero que a gente se encontre novamente de forma rápida e próxima um abraço e até lá