Qual a diferença do uso do laser na cirurgia de hemorroides comparado com a cirurgia tradicional? Vamos falar também de fissuras, fístulas, qual a diferença do uso do laser e do eletrocalutério que a gente usa na cirurgia tradicional. Vamos lá, vamos dar uma olhada nisso.
Olá, me chamo Marcelo Vernex, sou colorroctologista em São Paulo e Belo Horizonte. Se é sua primeira vez aqui, lembra de se inscrever no canal. E, gente, muitos de vocês não tm dado joinha.
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Cirurgia convencional, a gente vai utilizar um instrumento que se chama eletrocalutério. Bem, na cirurgia tradicional de hemorroidas, a gente vai usar um instrumento que se chama eletrocalutério, que ele vai ser igual uma caneta mesmo, que tem um fio. Qual é o princípio de utilização desse instrumento?
O eletrocalutério ele transmite energia elétrica que vai passar através do corpo. Então a gente tem a caneta que tem um fio ligado a uma geradora e nós temos uma placa em outra parte do paciente que vai sair fechando o ciclo, fechando o circuito elétrico. Então, com aquela caneta, a gente vai encostar naquele local, vai concentrar a corrente e vai cauterizar, vai queimar e a corrente elétrica passa no corpo todo saindo por aquela placa.
Por que que isso é importante? Porque a gente sabe que tem passagem de energia elétrica e essa energia vai se concentrar muito num local específico do corpo, gerando calor, carbonização e cauterização. Bem, essa passagem de energia elétrica pode ter algumas consequências pro corpo.
Por exemplo, numa pessoa que tem um marca-passo ou tem arritmias, a passagem de corrente elétrica, ela não está restrita àele onde a gente aplicou. por mais que pareça que só está atuando ali, ela passa pelo nosso corpo. Então, a gente tem que tomar certos cuidados.
O elétrico é muito seguro, desde que a gente tome esses cuidados de saber com que tipo de paciente a gente tá lidando. Fora isso, a concentração da energia elétrica ali gera, como eu falei, calutterização e carbonização. O que que isso significa?
Que a gente vai ter um grande aumento de temperatura naquele local. E como a gente tem a passagem de corrente não só por ali, esse calor também vai dispersar nos tecidos em volta. Então o eletrocalutério, por mais que ele atue naquele local que a gente tá vendo, ele causa dano aos tecidos em volta.
E é por isso que a gente deve tentar sempre que possível usar o mínimo de energia possível. Então, quando a gente fala em cauterização, muita gente vai pensar nisso aqui, num metal incandescente que a gente vai cauterizar, vai queimar aquele tecido, que pode ser muito útil em situações que a gente vai parar sangramento, a gente vai esterilizar aquele tecido, mas também vai causar dano. Agora, no caso do laser, qual que é a diferença e qual seria a vantagem do uso do laser?
O laser ele vai atuar de forma totalmente diferente. O laser ele vai emitir energia através da luz. Só que não é uma luz comum, é uma luz que tem algumas características.
É uma luz de alta intensidade. Ela é monocromática, ou seja, somente numa frequência de onda. E ela também tem outras propriedades, como todos vão se movimentar na mesma direção, de forma que a gente vai ter muita precisão.
Que diferença que isso faz? Então a gente primeiro não tem a passagem de corrente elétrica pelo corpo. Então a gente não tem aquelas preocupações, por exemplo, né, de marca-passo, de arritmias, tudo isso.
Fora isso, a gente tem a precisão de onde o laser vai atuar e ele não dispersa a corrente elétrica. o calor que ele emite vai ser superficial naquela região que a gente tá atuando. Então, quando a gente usa, por exemplo, o laser de CO2, que vai ter um feixe de laser, a gente sabe que ele vai atuar naquele local que a gente tá atingindo.
Só que a gente tem que saber como utilizar esse laser. É claro que se a gente ficar ativando o laser continuamente no local, ele vai gerar muito calor e vai lesar tecidos em volta. E é por isso que o laser tem muitos modos de utilização pra gente gerar o mínimo de calor possível.
Então, em vez de a gente apertar e continuamente emitir um raio laser ali, a gente vai apertar ciclado. São modos pulsados, pequenos pulsos, às vezes tão rápidos que a gente não consegue perceber que são pequenos pulsos, mas não chega a gerar muito calor naquele tecido. Então, a gente pode atuar naquele local sem lesar tecidos em volta.
a gente consegue ter um corte preciso e sem lesar outros tecidos. Agora, qual que é a vantagem disso? Então, vamos falar aí numa cirurgia de hemorroidas, de fissura, de fístula, logo abaixo do tecido hemorroidário, logo abaixo da fissura, ao lado das fístulas, que que a gente vai ter?
tecido muscular e um músculo muito importante chamado esfíncter anal, que a gente tem o esfíncter interno e esfínter externo. Esses músculos são essenciais paraa continência fecal. Que que é isso?
Continência é a nossa capacidade de segurar as feeses. Tá vendo onde essa história vai? Se a gente lesar o esfinnter, o que que vai causar?
Perda de fezes. A pessoa não vai conseguir segurar. Isso acontece com frequência na cirurgia com o cautério?
Claro que não, né, gente? Se a cirurgia fosse tão arriscada assim, a gente nem indicar, desde que a gente use com cuidado, o cauté é uma ferramenta muito boa. Agora, qual que é a vantagem do laser?
Que a gente vai ter muito menos emissão de energia e muito menos chance de lesão do esfinter. E isso é especialmente importante nas cirurgias de fístula, porque uma das consequências de uma cirurgia de fístola em que se faz abertura do caminho da fístola é o risco de incontinência. E esse risco não é tão baixo, dependendo do tipo de fístola.
Então, se a gente usa a tecnologia do laser, seja ele emitindo dentro da fístola ou até cortando o tecido, a gente tá agredindo muito menos outros tecidos, incluindo o esfíncter. Então, quando a gente coloca assim, dá para entender bem a diferença. O laser, a gente tem uma energia muito controlada, com menor dispersão e o eletrocalter a gente tem mais chance de lesão de outros tecidos.
E isso se reflete também no pós-operatório, porque se a gente tem mais agressão tecidual, o que que a gente vai gerar? Mais inflamação e mais dor. Uma das características de tecido inflamado é ele ficar hipersensível.
Então a gente tem as características de inflamação. Nós temos a vermelhidão, a dor, o inchaço, um aumento de fluxo de sangue. Tudo isso vai refletir também num pós-operatório muitas vezes mais doloroso.
Então se a gente quer dor, quanto menos agressão tecidual a gente tiver, melhor. Então o laser tem essas vantagens, propiciando uma recuperação em geral menos dolorosa e mais rápida da cirurgia. Nossa, falei demais, né, gente?
Fica até confuso assim, mas é importante a gente entender que quando a gente está lidando com energia elétrica, no caso do elétrico altério monopolar e o laser, são tecnologias diferentes que vão usar princípios físicos diferentes. É claro que os resultados acabam sendo diferentes também. Se deu para entender, lembra, deixa o joinha, não custa nada e vocês me ajudam a fazer mais vídeos para vocês.
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Você merece tudo de bom e até a próxima.