O brasão da Casa de El, que vai estar no traje do novo Superman do David Corenswet, foi acidentalmente revelado. E as implicações dessa revelação são enormes, porque elas apontam para a possível adaptação de elementos de uma das histórias mais emblemáticas do Homem de Aço em todos os tempos. A gente vai falar sobre isso agora mesmo, então se liga aí!
Oi, eu sou Gustavo Cunha, e pra marcar o primeiro dia de trabalho no filme do Superman, a atriz Isabela Merced, que vai interpretar a Mulher Gavião, e a Sara Sampaio, que vai interpretar a senhorita Teschmacher, postaram imagens no Instagram dos cartões de visita delas durante a primeira mesa de leitura do filme. Uma mesa de leitura, ou leitura de mesa, é quando todos os atores do filme, junto com o diretor, os roteiristas, diretores de fotografia, etc, se reúnem, literalmente ao redor de uma grande mesa, pra ler o roteiro com cada ator dizendo as suas falas. Isso serve para que a equipe tenha uma primeira ideia de como o texto vai fluir, de como vai ser a interação entre os personagens, já começar a fazer algumas anotações para começar a trabalhar na interpretação e tudo mais.
O James Gunn postou até uma foto com todo mundo depois da primeira leitura para comemorar esse primeiro dia de trabalho. A grande ausência nesse caso foi a Milly Alcock, que vai interpretar a Supergirl, e que não estava nessa primeira leitura. O grande lance é que na postagem das duas moças, além dos nomes delas com os nomes das personagens, estava nada menos do que o emblema da Casa de El, o “S” característico que adorna aquele escudo no peito do Superman.
Até aí tudo bem, afinal de contas eles estavam lendo o roteiro do filme do Super Homem, é óbvio que o logotipo do personagem vai aparecer em toda parte no material referente ao filme. O que fez o burburinho começar, a roda dos rumores girar e os boatos circularem pela Medina foi o fato de que esse logotipo é exatamente o mesmo logotipo do uniforme do Superman dessa minissérie aqui, chamada Reino do Amanhã, lançada em 1996, escrita pelo Mark Waid com os desenhos do Alex Ross, que é nada menos do que uma obra prima da nona arte, o meu quadrinho favorito de todos os tempos. Isso fez as pessoas como eu começarem a se perguntar se poderia haver algum tipo de influência dessa história que eu considero uma das melhores, senão a melhor história do Superman, no roteiro do filme do James Gunn.
Eu sei que Superman Legacy vai tratar dos primeiros anos do Clark Kent como Superman, não vai ser uma história de origem propriamente dita, mas vai ser uma espécie de Ano Um do Azulão. Enquanto que a história de Reino do Amanhã mostra um Superman velho, desiludido, que se afastou do mundo até ser trazido de volta para ser mais uma vez um símbolo de esperança para as pessoas comuns. Então, é claro que não vai ser a história de Reino do Amanhã que vai ser adaptada.
Mas sendo o James Gunn um sujeito inteligente como ele é, eu não me surpreenderia se ele, de alguma forma, adaptasse elementos dessa história fantástica para fazer com que, tanto os fãs que não conhecem Reino do Amanhã, quanto aqueles que conhecem, sejam imediatamente cativados pela história. E dois segundos e meio depois que essas imagens com o novo logotipo começaram a circular, a internet já estava cheia de teorias sobre a provável história do filme. E uma delas, Gafanhoto, que não é uma teoria minha, embora eu quisesse que ela fosse, faz todo o sentido do mundo.
Mas, vamos começar colocando todas as peças na mesa pra você entender porque essa teoria faz tanto sentido. Como eu tinha dito, o James Gunn compartilhou uma foto dos bastidores dessa mesa de leitura com uma parte do elenco de Superman Legacy. O David Corenswet como Clark Kent, ao lado de Rachel Brosnahan como Lois Lane.
Outros personagens incluem Isabela Merced como a Mulher Gavião, a Sara Sampaio como Senhorita Teschmacher, Nicholas Hoult como Lex Luthor, Anthony Carrigan como Metamorpho, Skyler Gisondo como Jimmy Olsen e o Nathan Fillion como Guy Gardner, um Lanterna Verde. Além deles, nós vamos ter também o Edi Gathegi como o Michael Holt, também conhecido como Mister Terrific ou Senhor Incrível. Você deve se lembrar dele em X-Men: Primeira Classe como Darwin.
A atriz María Gabriela De Faría vai interpretar a Engenheira e o ator Terence Rosemore vai ser o Otis, um dos capangas recorrentes do Lex Luthor que apareceu pela primeira vez no icônico primeiro filme Superman do Christopher Reeves. Como você pode ver, é uma pá de gente importante aparecendo num filme só. Tem dois personagens, porém, que eu gostaria de destacar.
Em primeiro lugar, o Guy Gardner, interpretado pelo Nathan Fillion. Velho, como um fã de carteirinha dos Lanternas Verdes, eu não poderia ficar mais feliz com a aparição de um desses policiais espaciais no filme. Se você não é um leitor de quadrinhos, você talvez não saiba quem é o Guy Gardner.
O personagem foi criado pelo escritor John Broome e pelo artista Gil Kane, e apareceu pela primeira vez em "Lanterna Verde" número 59 de 1968. Originalmente, ele foi apresentado como um Lanterna Verde reserva do Hal Jordan, que era o principal Lanterna Verde da Terra. https://readcomiconline.
li/Comic/Green-Lantern-1960/Issue-59? id=28277 Sim, cara, nessa história em que ele foi apresentado, nós descobrimos que quando o Abin Sur caiu na Terra, mortalmente ferido, o anel de poder dele identificou não apenas um, mas dois candidatos a substitutos, ambos com o mesmo grau de merecimento - Hal Jordan e Guy Gardner. Na dúvida sobre o que fazer, o anel acabou escolhendo o candidato que estava mais próximo, o Hal Jordan.
Nessa história de origem, os Guardiões do Universo revelam que se o Guy tivesse sido escolhido no lugar do Hal, ele teria tido uma morte precoce. Então, foi uma sorte ele não ser o candidato mais próximo. Mas ele acabou ganhando o seu próprio anel algum tempo depois, porque pra um lugar tão cheio de problemas como a Terra, quanto mais Lanternas Verdes, melhor.
O Guy Gardner sempre foi um personagem mais esquentado e impulsivo, principalmente quando comparado ao Hal Jordan e ao John Stewart. Justamente por conta dessa tendência a ser mais "faca na bota", ele seguidamente entra em conflito até mesmo com os colegas super-heróis. Mesmo assim, ele fez parte da Liga da Justiça entre as décadas de oitenta e noventa.
O grande lance é que toda essa fúria que o personagem carrega no coração também fez com que ele acabasse sucumbindo ao chamado da tropa dos Lanternas Vermelhos, que usa o poder da cor vermelha do espectro emocional, associada ao ódio. Esse é um personagem muito legal, que pode ser muito bem explorado pelo James Gunn no filme. A outra personagem que chamou bastante atenção quando foi anunciada, foi a Engenheira, da Maria Gabriela de Faria.
Isso porque a presença dessa personagem pode ter a ver com aquela teoria da qual eu falei antes. O que acontece é que a Engenheira faz parte de um time de anti-heróis conhecido como The Authority, que também vai ganhar um filme nesse novo universo cinematográfico da DC. O grande lance é que esses personagens são uma espécie de versão ultra brutal e totalmente cínica da Liga da Justiça.
https://readallcomics. com/stormwatch-v2-002-1997/ Veja bem, cara, The Authority era um grupo tão violento e diferente que eles nem sequer pertenciam à DC Comics. Eles foram criados pelo Jim Lee quando ele estava na Image Comics nos anos noventa, e faziam parte daquela onda de heróis brutais e sanguinários que entraram na moda naquela época.
Esse grupo era conhecido como Stormwatch e eles cumpriam missões clandestinas para a Organização das Nações Unidas, aquele tipo de missão que ninguém se orgulha de aprovar. Eram roteiros bastante sombrios e violentos, que traziam uma visão de mundo bem pouco esperançosa - que é totalmente o contrário do tom que o James Gunn quer dar para o novo Superman. Esses personagens não hesitavam em destruir cidades inteiras ou matar inocentes para derrotar os vilões.
Arrancar a espinha dos bandidos era uma das coisas mais leves que eles costumavam fazer. Quando a Organização das Nações Unidas resolveu encerrar o projeto, os membros do grupo continuaram patrulhando o mundo, agora com o nome de A Autoridade, porque eles se achavam acima de qualquer tipo de lei, acima do bem e do mal. Eles eram a única e verdadeira Autoridade.
No início dos anos 2000 o Jim Lee vendeu os direitos desses personagens para a DC, mas eles só passaram a fazer parte da continuidade do Superman e do Batman a partir de 2011 com a reformulação dos novos 52. E é justamente por isso que ter essa personagem, a Engenheira, no filme do Superman como uma das heroínas, ou anti-heroínas, é tão interessante e nos joga novamente para Reino do Amanhã. Agora que todas as peças estão na mesa, é hora de falar da teoria que está correndo pela Medina.
Ela é de um usuário do Twitter, chamado Mradtastic. A teoria desse cara é a seguinte. O mundo no qual esse jovem Superman começa a fazer as suas primeiras aparições já é um mundo povoado por outros super-heróis, que vieram antes dele e que seguem na ativa.
Infelizmente, esses super-heróis não são exatamente o que se pode chamar de símbolos de honra e de esperança. Eles são cínicos, individualistas e brutais. A própria natureza dos superpoderes faz com que eles sejam assim, tenham dificuldade de estabelecer empatia com as pessoas que eles tentam proteger.
Essa é uma visão de mundo que bate de frente com tudo o que o Kal-El aprendeu, tanto com os hologramas do pai kryptoniano dele, Jor-El, quanto com o pai terráqueo dele, o Jonathan Kent. O coração do Clark diz que não é assim que as coisas deveriam ser e que o mundo precisa de um novo tipo de Super-Herói. Alguém que possa personificar não apenas a justiça, mas também a bondade, a gentileza e a esperança.
Esses super-seres que andam por aí não estão transformando o mundo num lugar necessariamente melhor. A Autoridade, que provavelmente vai ser o grupo de super-heróis que vai iniciar o filme como os guardiões da justiça, são violentos, indiferentes e arrogantes. Eles só não são piores do que os super-vilões que eles enfrentam.
Então, quando o James Gunn diz que o filme dele vai se chamar Superman Legacy, esse legado é justamente aquilo que o Jor-El e o Jonathan Kent ensinaram para o filho deles como o que é correto. O legado do Superman é o exemplo que ele vai criar, a partir do qual o conceito de super-herói vai ganhar um novo significado. E é esse o elemento que vai ser adaptado de Reino do Amanhã, que tem o Superman com aquele emblema característico.
Em Reino do Amanhã, a Liga da Justiça, liderada pelo Homem de Aço, teve que sair da aposentadoria quando a geração seguinte de heróis aparentemente se perdeu. Esses novos heróis eram violentos e usavam métodos extremos que colocavam as pessoas inocentes em perigo. Da mesma forma, em Superman Legacy o Kal-El vai entrar em rota de colisão com esses super-heróis já estabelecidos, questionando a legitimidade deles.
Quem eles pensam que são pra usarem esses poderes de forma tão irresponsável. Isso é brilhante, porque uma coisa é colocar o Superman lutando contra um perigo que ameaça o mundo. O conceito de heroísmo não chega a ser colocado em xeque numa situação assim.
Mas colocar heróis lutando uns contra os outros por conta de uma noção mais complexa de moralidade, essa é a forma perfeita pra começar a construir esse novo Superman, partindo do elemento que é essencial pra ele. Esse roteiro seria uma forma mais elaborada de abordar a discussão sobre os fins justificarem os meios, que é sempre uma questão tão interessante. E vai ser a partir desse novo paradigma de herói que o Superman vai trazer que a ideia de uma Liga da Justiça vai começar a se formar, com os personagens da Mulher-Gavião, do Senhor Incrível e do Lanterna Verde sendo atraídos por essa nova noção de heroísmo.
Isso não significa que a Liga da Justiça já vai ser formada nesse filme, mas sim que a ideia da criação de um grupo assim, reunindo os melhores entre os melhores, vai se tornar uma possibilidade concreta. E eu digo isso porque um dos locais em que as filmagens vão acontecer vai ser o estado de Ohio, no qual fica a galante cidade de Cincinnati. E é justamente em Cincinnati que fica o prédio da estação de trens Union Terminal.
Ah, sim, se você não sabe porque isso é relevante, fique sabendo que o prédio é esse aqui, que originalmente serviu de modelo para nada menos do que a Sala de Justiça clássica, do filme dos Super-Amigos. E se você quer criar um universo baseado em um Superman que represente a bondade, a gentileza e a esperança, esse é o lugar por onde você precisa começar. Diz aí, cara, o que você acha de tudo isso?
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Uma vez mais, muito obrigado e até a próxima!