Olá meus amigos sejam todos muito bem-vindos de volta a este canal meu nome é César e e chal leituras do César o livro de hoje é ópera dos mortos de Autran Dourado publicado em 1967 Pois é meus amigos estou falando sobre um autor brasileiro mais de um ano deste canal e esse é o primeiro autor brasileiro que eu trago então eu não vou deixar de prestigiar um pouco da nossa literatura também trouxe esse livro aqui não é um autor que eu vejo sendo muito comentado aqui no Brasil E como eu cheguei a ele foi uma
coisa bastante curiosa porque faz mais de 20 anos Olha só eu tava fazendo um curso na minha primeira graduação em letras e um dos cursos era de poesia contemporânea e eu fiz como um trabalho final um trabalho sobre a poesia de Jorge de Lima que é um poeta que eu gosto muito então tava comentando com a professora como eu gostava daquele poeta e a professora começou a me fazer umas recomendações de livros e entre esses livros ela recomendou justamente ópera dos Mortos aquela coisa meio Netflix né se você gostou de Jorge de Lima você também
vai gostar do altran dourado e eu comprei esse livro justamente ópera dos mortos eoi na minha instante nunca ali então né quase como um pedido de desculpas à minha professora né Finalmente eu resolvi me colocar a ler esta recomendação que ela me deu e antes tarde do que mais tarde porém né foi uma leitura que eu acho que fez bastante sentido para mim hoje talvez não tivesse feito sentido no passado Então vou colocar essa desculpa do tempo aí falando que aquela época eu era muito imaturo eu não poderia ler uma obra como essa entendê-la corretamente
mas hoje eu consigo hoje eu tenho mais vivência para poder ler uma obra como essa e apreciar mais ã então eu vou colocar essa desculpa e vamos vamos seguir em frente Autran Dourado é um autor como eu já disse que eu não vejo sendo muito comentado e isso me deixa um tanto quanto ressabiado não porque eu ache que isso faça dele um autor menor ou menos importante mas depois de ter lido esse livro eu me pergunto por que esse autor não é mais lido porque eu realmente gostei demais desse livro ele me lembra um pouco
o estilo de um dos meus escritores preferidos do qual eu já falei neste canal que é o William faulkner eh ele lembra um pouco o estilo dele no sentido de que a é uma escrita que mistura eh uma linguagem um pouco mais elevada com inserções de de um falar mais popular e vejam esse livro aqui ele não tem não sei se vocês conseguem ver aqui ele não tem diálogos ele é apenas narrativa é uma narrativa em terceira pessoa mas que tem de discurso indireto livre Ou seja aquele discurso em que a voz do narrador e
a voz dos personagens são fundidas a gente não consegue ver muito bem Onde tá a separação de quando o narrador tá falando e de como o quando o personagem está falando e no meio disso ele também coloca alguns trechos em que ele se usa mais de um discurso que se assemelha a ao fluxo de consciência a me lembrou bastante o William faulkner porque também ele tem como cenário um cenário mais ruralizada mais de famílias proeminentes de cidades pequenas perdidas no meio do Brasil então é mais ou menos como aquele cenário em que se desenvolve a
as narrativas do William faulkner que se dão justamente naqueles escombros de uma sociedade escravista e aqui a gente vê mais ou menos a mesma coisa então me lembrou bastante Willan faulkner Eu acho que isso já fez com que eu gostasse bastante desse autor mas eu acho que esse livro aqui me impressionou bastante pela escrita bastante agradável e como eu falei mistura uma linguagem um pouco mais elevada mas com um falar Popular que não parece nada desconectado então ele consegue conectar essas duas linguagens muito bem não fica parecendo que ele é uma pessoa de Fora que
tá narrando a história de uma pessoa Talvez mais simples Eu acho que ele consegue fundir muito bem as duas linguagens e faz uma uma linguagem que é bastante fluida e agradável de ser lida e que retrata muito bem com grandes personagens como ele investiga esses personagens que ele tem ali diante de si que são poucos personagens não são muitos não é um livro bastante curtinho até mas eu acho que é um livro que vale a pena ser lido deve ter alguma edição contemporânea aí para vocês lerem acho que é um autor que ainda deve ser
publicado né se não for publicado talvez vocês consigam achar em Mas é uma leitura que eu recomendo bastante a história se passa no pequeno vilarejo de Minas Gerais em que nós temos um coronel que é o Lucas Procópio que tem uma casa nesse Vilarejo uma casa bastante grande espaçosa é o homem mais influente mais rico daquele Vilarejo e que exerce a sua influência social e política sobre aquela sociedade das maneiras que a gente sabe bem como é que funciona Nessas cidades pequenas é um homem muito temido com uma personalidade muito destemida H até mesmo Talvez
tirânica as pessoas ali naquela Vila tem muito medo e receio dele não somente pelo pela influência que ele tem mas pela sua personalidade bastante dura e que governa sempre com mãos de Ferro Lucas Procópio tem um filho que é o Honório cota esse esse rapaz que depois vai se tornar um adulto homem vai ocupar a posição que o pai dele ocupava naquela sociedade é um homem já de uma personalidade mais branda e que tido como um homem muito sério porém muito respeitado pela Vila e Diferentemente do pai dele que era temido ele é respeitado Então
são duas facetas diferentes de dois homens muito diferentes e que exercem sua influência de maneiras muito diversas o Honório vai em algum momento tentar entrar na carreira política vai tentar se eleger pelo partido do conservador se eu não me engano acho ou aquilo que seria representação do partido conservador já no período da república e ele acaba sendo passado para trás por forças políticas daquela região né era tudo um grande conchavo os partidos políticos eles eram rivais apenas no papel porém no jogo político eles eram Aliados então eles tinham sempre os acertos internos dele e o
Honório cota que era um um era um outsider alguém que não conhecia a dinâmica daquele jogo político acaba sendo enganado por todos eles e isso faz com que ele se Se chateie muito com isso que se magoe e que passa a virar as costas para aquela cidade ele se sente muito magoado e essa mágoa vai viver com ele até o final da vida dele né isso aqui gente é só o comecinho do livro tá porque a nossa grande protagonista é a filha do Honório cota que é a Rosalina Veja a Rosalina cresceu basicamente sozinha porque
tanto o pai como a mãe morreram muito cedo então ela foi criada basicamente sozinha pela única empregada da casa que é a kikina eh o Lucas Procópio ele construiu a Casa naquele Vilarejo né no centro da cidade na verdade ele era fazendeiro ele tinha uma casa que era casa da fazenda mas ele resolveu construir construir também uma casa na cidade ele construiu o primeiro andar daquela casa e o Honório cota resolveu construir um sobrado então nós temos o primeiro e segundo andar que são grandes representações das personalidades tanto do Pai quanto do avô né o
avô que construiu o térreo da casa aquela é o térreo mais assim eh que que tem essa personalidade mais mais fria mais dura e o sobrado que já tem uma personalidade mais Mena mais talvez analítica ou melancólica e a filha dele é como se fosse a herdeira dessas duas pessoas essas duas maneiras de ver o mundo de se portar no mundo porém a Rosalina vai herdar um pouco dessa melancolia do pai e ela vai crescer naquele sobrado naquele Casarão sozinha ela não sai de casa ela vive só dentro de casa ela vive num isolamento Total
ela vive sem nenhum tipo de contato com o mundo externo ele ela perdeu o contato com o mundo externo ela só tem contato com a sua empregada né uma negra chamada kikina que é praticamente como se fosse a mãe dela é uma mulher que é muda que só se comunica por meio de gestos e que basicamente tem como objetivo de vida cuidar da Rosalina e segunda pessoa com quem a Rosalina tem contato é o Emanuel que é aquele que administra a fazenda e portanto administra todos os negócios da Rosalina então a Rosalina não é uma
pessoa que de fato precisa trabalhar ela não cuida da Fazenda quem cuida da fazenda é o Emanuel Então ela passa o dia inteiro ali no ósseo na casa dela no isolamento dela fazendo flores de papel que são vendidas pela própria kikina e à noite ela ler os ela lê os livros dela e ela gosta também ali de tem um vício ela chama isso de vício né um vício que ela alimenta todas as noites que ela é basicamente uma alcoólatra ela bebe bastante Assim ela bebe ela gosta de beber vinho ela bebe várias coisas então todas
as noites ela fica meio ã bêbada ali sozinha aproveitando o seu próprio isolamento então é essa a vida desse personagem E aí a gente pega um pouco do título que é essa ópera dos mortos em que ela tá vivendo sobre essa sinfon que foi construída pelos pais dela né o pai que é o Honório e o avô que é o Lucas Procópio ela vive nessa ópera dessas pessoas que morreram e deixaram esse legado para ela deixaram legado talvez de bens materiais mas também esse legado dessa da da da tristeza da melancolia do pai e desse
caráter um tanto quanto duro e E restritivo do avô é a partir desses dois elementos que a gente vai construir uma história para esse para essa personagem a calma a tranquilidade a paz desse Casarão vai ser um momento quebrada por um personagem que vai vir de fora é um Forasteiro não é alguém que mora naquele Vilarejo que é o Juca passarinho ele tem vários nomes na verdade né mas um dos nomes dele é Juca passarinho que é um homem é um um homem que vive por aí bandeando cada hora ele tá num lugar diferente ele
é visto ali como um caçador e curiosamente o fato de ele ser um caçador ele tem apenas um olho funcional O outro olho tem alguma doença ali que eu não sei exatamente o que que é mas o olho dele um dos olhos dele é totalmente um dos olhos dele é totalmente branco e ele mal enxerga de um olho então ele é um caçador com um olho só ã que não deixa de ser algo bastante curioso é um homem bastante Alegre é um homem bastante dado a a a comunicação ele é aquela pessoa que entra em
qualquer lugar ele se sente à vontade onde est e ele sabe abrir caminho para ele mesmo usando aí os seus encantos o seu charme a sua maneira de ser ele vai fazendo amigos por onde ele passa o que é um grande contraste com a vida naquela casa onde é tudo parado é tudo sem vida sem cor aquela coisa meio caindo aos pedaços né n eh é muito bonito como ele vai fazendo essas reflexões como ele vai colocando essas imagens do do mundo real do dos locais onde essas pessoas convivem com aquilo que manifesta o o
o pensamento ou sentimentos e as intuições das pessoas dos dos próprios personagens em algum momento um próprio Juca passarinho passando por uma estrada vai falar sobre uma Vossoroca que são aquelas grandes aqueles grandes buracos que às vezes abrem na terra né que a coisa vai acontecendo muito aos poucos mas ele mostra o poder da terra consumir tudo aquilo ao seu redor mas de uma maneira muito lenta e muito contínua e eu acho que isso vai se colocar em alguns momentos como um reflexo dessa passagem do tempo e de como o tempo vai consumindo as coisas
de que o tempo vai alterando as nossas percepções os nossos sentimentos e isso é constante no livro ele faz sempre esse tipo de reflexão e ele coloca isso de uma maneira extremamente Bela eu acho que seria até assim é primoroso como o alter Dourado escreve muito bem e coloca esses sentimentos assim à tona para vocês poderem ver quão maravilhoso e bonito é eu quero ler um trecho aqui que tá falando do todo o isolamento que é vivido pelo Casarão pelo sobrado e como aquilo era visto pelas pessoas que habitavam aquela comunidade aquele Vilarejo kikina kikina
no caso é a empregada da Rosalina a a sua única companhia ali dentro do Casarão dizia que a kikina era a ponte o barco que nos levava aquela ilha a ponte que Contudo não podíamos atravessar o barco sem patrão vagando no mar silencioso dos Sonhos de impossível travessia porque a gente indagava de kikina sobre a vida no sobrado se pediam notícias de Rosalina ela ficava mais muda do que era sem nenhum gesto a fábrica de sua fala emudeci ela baixava os olhos e presto se retirava a gente sabia que era inútil não mais perguntavam temíamos
com as nossas perguntas perder também o convívio de kikina aquela ponte que ainda não usada havia Aquele barco que mesmo vazio levava um pouco do nosso cheiro do sal das nossas lágrimas veja que bonito que é isso aqui é muito bem escrito mesmo eh figuras como essas vão aparecendo ao longo de todo o livro e torna essa leitura algo extremamente lírico né H essa esse isolamento vai ser um pouco rompido pelo nosso amigo Juca passarinho esse Juca passarinho vai entrar ali nesse Casarão como uma pessoa que vai quebrar essa paz essa Tranquilidade e essa imobilidade
trazendo uma espécie de Nova vida se isso vai ser uma coisa boa ou não aí é uma coisa que vocês vão precisar ler para saber mas o final desse livro também é muito bastante poético ele tem um um certo nível de ambiguidade que eu gosto bastante a maneira como a coisa se dá no final ela deixa bastante aberta a interpretação eu tenho certeza que pessoas vão ler esta obra de uma maneira um tanto quanto diferente mas ela faz uma essa grande reflexão sobre a passagem do tempo e como nós acabamos sendo uma um produto mesmo
daquilo que os nossos antepassados nós continuamos a a história de vida deles a gente carrega Muitas vezes os traumas que eles carregam a a as percepções né isso molda a nossa maneira de ser a gente não é um ser isolado no universo que nasceu ali como algo único que nunca se repete mas a gente vive um pouco nessa a gente é um personagem no final das contas nessa grande ópera dos mortos que é essa história de todas as pessoas que vieram antes da gente e que falam por meio da gente né a gente às vezes
repete muito as coisas que os nossos pais fariam A gente se pega repetindo muito disso e no final das contas o que a gente tá fazendo é continuar essa grande corrente da da dos seres viventes e eu acho que essa é um pouco da reflexão que esse livro faz de uma maneira extremamente poética e com uma linguagem que é primorosa eu acho que esse é o grande ponto dele é o grande assim é o grande valor dessa obra é o seu é sua linguagem a sua linguagem bastante fluida um domínio absoluto das palavras um domínio
da da forma de escrita e da da expressão de uma expressão extremamente rica e assim eu não tenho muito que dizer Além disso para falar a verdade mas falo eu falo com toda segurança Leiam esse livro eu tenho certeza que vocês vão gostar bastante depois vocês voltem aqui e falem se vocês gostaram ou não mas eu sei que eu vou querer ler outros livros desse autor e eu espero que vocês tenam gostado deste vídeo Se vocês gostaram por favor deixem aí o like de vocês e a gente continua se falando deixem o like de vocês
e a gente se vê no próximo vídeo até a próxima boas leituras [Música]