Na série, o personagem que seria o Walter Mendes, ele é o aquele o o >> Joass, >> é o é ele. >> Quais são as Porque ali ele ele ele vai com a esposa no aniversário do pai, acaba ficando. Tem alguma semelhança com sua história?
>> Tem sim, tem uma semelhança e eh com a história. Sim. Eu cheguei a Goiânia, né, na época eu tava em São Paulo, eu morava em Goiânia, mas eu cheguei em Goiânia, ô ô Danilo, um dia antes da ocorrência de dia 28 de setembro.
e um amigo que eh da Fundação estadual do Meio Ambiente chamado Femago, eh eu já tinha onde eu tinha prestado algum trabalho para ir de levantamento radiométrico e mineração, ele me ligou casualmente na casa da minha sogra, né? Sogra, né? >> Sim.
>> E aí é eh ele me relatou o seguinte, que tava numa reunião social numa noite anterior, né? e que nessa reunião social havia um alguns médicos e um deles eh que trabalhavam no hospital de referência de Goiânia, Hospital Doenças Tropicais, HDT, que existe até hoje em Goiânia, é hospital de referência ainda. Ele tinha 11 pessoas internadas com alguma com algumas comobidades que ele não sabia fazer o diagnóstico.
Ele não sabia qual era a combidade tropical, a doença tropical que isso que era tinha vômo, febre, diarreia e epilação, que era perda de cabelo mesmo. >> Estavam envenenados com >> É isso. Praticamente isso são sintomas, né?
É gravíssimo de pessoas que são radiadas com altas taxas de dose, né? E ele me perguntou se seria possível. A primeira resposta que eu dei para ele, Danil, eu falei que não teria o menor sentido.
Eu achava que Goiás não tinha nenhum material para fazer isso, né? Isso é uma isso são doses provocadas por muito altas, né? Aí ele falou: "Olha, eu vou desligar o telefone e vou pedir pro médico te ligar.
Dr Alonso Monteiro, né? E ele me ligou e relatou a mesma coisa". Olha, e tem uma senhora que tá internada aqui que ela cou ela cou uma peça, eles chamavam de peça, que ela levou até a vigilância sanitária, né, um cilindro com um dos ajudantes dela.
E ela tá falando que esse material é que tá causando intoxicação na família, né? Eh, esse material porradioativo, aí eu expliquei para ele que é o seguinte, material radioativo você tem uma forma de detectar que você tem que ter um instrumento adequado, que é um detetor. Falei: "Eu não tenho isso aqui".
Eu falou, mas existe aqui na em Goiânia um escritório da Nuclebassá, porque hoje a indústria nuclear do Brasil e lá a gente pode encontrar algum detetor. Se a gente conseguir algum detetor, você faz a medida para verificar? Falei: "Tudo bem".
espontaneamente em virtude do ami que eu conhecia. Nós fomos até a vigilância sanitária com dois sanitaristas, né? Eles assumiram a responsabilidade pelo o detetor.
Era um cintilômetro muito sensível, muito robusto. E ele é muit é realmente é uma é um é um instrumento extremamente assim e confiável, né? >> É igual na série que você vai apertando >> exatamente.
A série representativa perfeita. E aí quando eu cheguei aproximadamente uns 60, 70 m, o detetor não conseguia fazer medida mais. Isso significava duas coisas.
Tecnicamente para nós técnico, ou o detetor estava com defeito. >> Sim, >> eu achava, eu achei que ele tava com defeito >> e eu tô eu estava numa presença de um campo de radiação muito intenso que ele saturava a medida. Evidentemente que eu achei que ele tava com com defeito.
Voltei ao seg ao novamente ao Núc Clasa e perguntei ao geólogo que era o diretor lá da empresa que e falei para ele que eu achei que o defeito, ele tava com defeito. Falei: "Olha, você é muito novo, você que não sabe medir". Falei: "Medir, eu sei, sou detetor que tá com defeito.
" Ele me emprestou um detetor, um novo detetor, o mesmo, um outro detetor, mas da mesma marca, do cintilador. Eu testei ele novamente, tava funcionando normalmente, a gente testa como a fonte mesmo, né? E eu voltei.
Quando eu voltei, é, no mesmo ponto, ele ele apresentou a mesma medida anormal, completamente anormal. Nesse momento, alguém da vigilância sanitária, eh, a série mostra, né, alguém ligou pro corpo de bombeiro dizendo que era para retirar esse material, que esse material era quem pus ser descartado de lá. Eu cheguei exatamente na na no momento que o soldado tava saindo com esse cilindro dentro de um saco plástico e eu me recordo perfeitamente que ele disse o seguinte: "Não se preocupa que eu vou jogar no rio Capimpúba".
>> Nossa, [risadas] meu Deus. É, isso tá na série. É o relato que eu tô falando para você, Danil, é o relato que tá na agência internacional de Ele ia jogar realmente.
>> Você sabe, Walter, quando a gente assiste a série, parece que ah, o roteiro deve ter dado uma, ele ele para criar uma tensão, o roteiro, o roteiro inventou que o o o personagem chegou bem na hora que apurriu. Mas é verdade, >> é verdade, >> é verdade. >> Esse cilindro tinha que tamanho?
>> Como >> esse cilindro? Na época se falava muito no cilindro de sésio, tal, mas era um cilindro enorme, era um cilindro, >> não era um era um cilindro metálico, né, de alumínio de 23 kg, tava dentro de um saco plástico, né, dentro desse cilindro que fica dentro do cabeçote onde tá a parte coméssio. Mas ele contém uma, ele continha ainda, depois a gente chegou pro cálculo praticamente 8% da fonte.
Essa fonte tinha 20 g, é, quase 20 g de clorido de césio, gerou 6. 000 1000 toneladas de rejeito. >> Nossa, >> é menos que um scoop de é pouquinho assim.
>> É, é, é um sal, né? O clorito é um salão é igualia. Igual sal.
É exatamente, né? Então ele, eu pedi para ele deixar esse cilindro, né? Falei: "Olha, esse material é radioativo, eu não sei o que que é que eu não, eu não sabia quantificar, né?
Eu não tinha como medir, hoje eu teria instrumento que eu imediatamente poderia identificar que era sésio, né? " Mas, ô Walter, você é um jovem, você é um peixe fora d'água lá. Você era um jovem.
E é e >> eu caí de paraqueda no meio de uma pandemia. Você paraquedas, né? Ninguém sabia o que tava acontecendo.
Era um corpo estranho lá. Um forasteiro.