Dando continuidade a seu discurso acerca do bem, Sócrates começa falando acerca dos nossos sentidos, mais especificamente da visão. Ele diz que algumas coisas são percebidas pela visão mas não pelo nosso pensamento e, que da mesma forma, as ideias são concebidas pelo pensamento mas não podem ser vistas fisicamente. Ele também fala que a visão precisa, obrigatoriamente, de um terceiro elemento para se efetivar: a luz.
Para Sócrates, o sol é a causa da visão, é o que proporciona a luz, possibilitando, consequentemente, a visão do mundo. Para ele, o sol é no mundo sensível o que possibilita nosso entendimento de mundo. Do mesmo modo que o bem é no mundo inteligível o mundo das ideias, a fonte da nossa iluminação intelectual.
Quando a vista se fixa em algo iluminado pelo bem e pela verdade, ela compreende a verdadeira essência das coisas. Mas quando se foca no que está mesclado com obscuridade, a visão fica comprometida, ela fica turva, só sendo capaz de expressar opiniões e parece privada de inteligência. Portanto, o que possibilita que conheçamos as coisas e que enxerguemos a verdade, é a ideia de bem.
O bem fornece a verdade ao sujeito que contempla as ideias, tal como o sol fornece luz para que o sujeito enxergue os objetos no plano visível, ou seja, o que transmite a verdade às coisas é a essência do bem. O bem não é algo solar, mas o próprio sol. Por fim, Sócrates começa a simplificar essa divisão do mundo entre sensível e inteligível, usando o exemplo da linha dividida que veremos no próximo vídeo.