เฮ [Música] Olá, pessoal, tudo bem? Eu sou a professora Daniela Ortolani, professora aqui do curso de especialização em neurociências. E hoje, ainda no módulo de psicofarmacologia, abordaremos sobre a farmacologia do álcool e seus impactos sistêmicos.
Os principais tópicos a serem abordados são farmacocinética e a farmacodinâmica do álcooletílico e os sinais clínicos e os principais marcadores laboratoriais do alcoolismo. Bom, aqui falando um pouquinho, né, sobre o histórico antropológico, né, do álcool, o álcool ele era muito utilizado desde an desde a antiguidade, né, a primeiras evidências, né, na China, por volta de 7. 000 1 anos antes de Cristo, né, com relação à fermentação, depois o uso ritualístico do álcool no Egito, na Mesopotâmia.
posteriormente o desenvolvimento da destilação no século VI, né, pelos alquimistas árabes e, né, posteriormente aí a a um tópico muito abordado, né, sobre a lei seca nos Estados Unidos, onde o álcool ficou foi proibido, né, na época de 1920 até 1933 e trouxe aí alguns impactos sociais, principalmente para este país. Bom, pra gente poder diferenciar, né, e falar um pouquinho mais do álcool, coloquei aqui as principais diferenç o etanol e o metanol. Então, a gente vai falar um pouquinho sobre a estrutura química, sobre a origem de cada um deles e sobre a toxicidade, tá?
Então, coloquei ali a respeito da estrutura química, né? Então, o etanol, ele possui dois átomos de carbono na sua molécula, né, que é o C2H5OH. E o metanol, ele possui apenas um átomo de carbono, CH3.
OH. A origem também é diferente, né? O etanol ele é produzido principalmente a partir da fermentação de açúcares, né?
Como milho, beterraba, cançúcar. E o metanol ele é produzido industrialmente a partir de gás natural, metano ou da madeira por destilação seca. E aí com relação à toxicidade também tem aí algumas eh diferenças, né?
O etanol, ele é relativamente seguro pro consumo humano, presente então nas bebidas alcoólicas, mas em excesso a gente vai ver que ele traz alguns sinais e sintomas, né, de embriaguez e danos, principalmente em órgãos alvos. Já o metanol, ele altamente tóxico, mesmo em pequenas quantidades, eles podem trazer efeitos drásticos, né, danos neurológicos, cegueira e até a morte. falando um pouquinho a respeito de algumas terminologias, explicando a diferença entre binge drink e alcoolismo, né?
O binge drink não necessariamente aí frequente, não é um indivíduo que bebe frequentemente, mas episódios de consumo exagerado. Então a literatura mostra aí, né, eh, para homens em torno de cinco ou mais doses, tá? E dentro de um período de 2 horas tem uma dose, equivale mais ou menos uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de destilado.
E para mulheres um pouquinho menos, em torno de quatro ou mais doses durante aí aproximadamente 2 horas. Então isso seria o consumo para homens e mulheres que que estariam categorizado nessa terminologia de binge drink. Agora, o alcoolismo, né, a gente precisa ter aí um consumo crônico e uma dependência gerada a partir, né, da ingestão desse etanol.
Sobre a farmacocinética, né? Então, o álcool ele traz aí uma uma caloria que gira em torno de 7,1 kilcal para cada grama. Ele é absorvido uma parte em torno de 20% no estômago e em torno de 80%, ou seja, maior parte no intestino delgado.
90% dele é metabolizado no fígado e 10% é excretado por órgãos escretores. Então, como por exemplo os rins, né, os pulmões através da expiração e a pele através do suor. Ele tem alta solubilidade em água, né?
há uma maior absorção do álcool com o aumento do esvaziamento gástrico e ele também é capaz de atravessar as membranas hematoencefálica e a placentária. Bom, vamos falar um pouquinho a respeito, né, do metabolismo primário do álcool. Ele pode ser dividido aí em três etapas.
A primeira etapa seria a transformação do etanol em acetoaldeído, tá? E existe aí uma enzima que é a enzima álcool deshidrogená, a ATH. Então essa enzima ela vai, né, converter o etanol e em aceto o aceto aldeído, ele é um componente, né, um composto altamente tóxico, tá?
Essa metabolização acontece no principal órgão metabolizador que é o fígado, mas também pode acometer, pode acometer, não, pode acontecer no estômago e no cérebro, que a gente também tem a presença dessas dessa enzima. E quais seriam os efeitos do acetaído? Então a gente tem aí efeitos como, por exemplo, rubor facial, náuseas, taquicardia e parte dos sintomas da ressaca são devido à presença desse composto tóxico.
E também ele é carcinogênico, né? Então, há relatos na literatura, principalmente com uma incidência aumentada de câncer de esôfago e também de fígado. Uma segunda etapa do metabolismo do álcool seria, né, a conversão do acetaldeído em acetato.
Então, existe também uma outra enzima que é aldeído deshidrogenase, Aldh2, né, que vai fazer essa conversão. O acetato é o álcool, é, perdão, é o ácido acético, que é um componente, mas que tem uma toxicidade menor do que o aceto aldeído. O acetato depois vai ser convertido em CO2, água e vai e vão ser eliminados, tá?
Pessoas que apresentam aí uma deficiência dessa enzima, adeído, deshidrogenase, como por exemplo algumas populações asiáticas, elas vão acumular o aceto aldeído, porque a gente não vai ter essa conversão. E aí esses essas pessoas vão sofrer reações mais intensas ao álcool, porque o aceto aldeído ele é mais tóxico. É o que a gente chama de ASion flush.
Uma terceira etapa do metabolismo primário do álcool é a conversão do acetato em energia. Então o acetato ele vai ser metabolizado em acetil comenzima A e aí ele vai entrar no ciclo de creves produzindo energia ou, né, será usada como precursora na síntese de ácido grcho, né? E aí a gente vai ter a produção de gordura, contribuindo principalmente pro quê?
Para casos de esteatose hepática, existe também uma via alternativa de metabolismo. Então, quando o consumo do álcool ele é crônico e excessivo, o fígado acaba ativando uma via secundária. Então, a enzima CPP2 E1, que tá presente aí, entra celularmente no retículo endoplasmático, ela também metaboliza o etanol e em acetao, mas ela gera radicais livres, né, que vão causar aí um stress, um dano oxidativo, principalmente no tecido hepático, que é onde isso está acontecendo.
Essa via, ela é menos eficiente e aumenta risco de desenvolvimentos de doença hepática alcoólica, então a esteatose, hepatite, cirrose e uma evolução paraa insuficiência hepática. e também aumenta o risco de tolerância ao álcool, onde o indivíduo tem uma necessidade de doses maiores para o mesmo efeito. Aqui eu coloquei para vocês alguns fatores que influenciam então esse metabolismo, né?
seja aí esse metabolismo com as três fases ou essa última forma que eu comentei. Então, a literatura mostra que a genética, né, determina a velocidade de processamento e o acúmulo de toxina intracelular, né? O próprio gênero, as mulheres, elas metabolizam mais devagar do que os homens.
A idade, a gente sabe que essa eficiência na metabolização do álcool, ela também se reduz com o envelhecimento. O uso crônico, né, ele pode eh ocasionar danos hepáticos e aumentar também a tolerância. E alguns medicamentos, né, existem medicamentos que acabam sobrecarregando o fígado, né, e potencializando esse efeito tóxico do álcool.
A literatura mostra que também alguns antidepressivos, principalmente os inibidores de recaptação de serotonina, podem ser prejudiciais quando associado o álcool, porque eles aumentam a sedação. E o metronidazol, que é um antibiótico também eh utilizado para tratamento antiprotozoário, né? O metronidazol ele inibe a enzima ALDH H2, né?
E aí a gente vai ter o acúmulo do aceto aldeído. E isso pode causar causar uma reação que a gente chama eh tipo de sulfíram, onde o indivíduo vai ter aqueles casos, né, de náusea, vômito e e hipotensão associados. Algumas curiosidades, né, sobre o álcool.
Então, em altas da em altas doses, o aldeído deshidrogenado pode produzir a estamina. A estamina é o mediadora, inflamatório, é que pode acabar diminuindo, reduzindo os níveis pressóricos e também induzir nusea e vômitos. Além do etanol, são encontradas outras substâncias na bebida alcoólica, né?
Produtos que são essenciais aí para maturação ou para fermentação. Então, podem ser encontrados metanol, butanol, aldeídos, ésteres, estaminas, ferro e até mesmo metais pesados. O álcool, como eu mencionei, ele fornece calorias, calorias essas vazias, né?
Ele é uma fonte de energia diferente de todas as outras, pois ele não pode ser estocado no organismo, né? A prioridade dele é o quê? é metabolização.
Existem alguns marcadores laboratoriais que são utilizados eh para verificar a presença do álcool no organismo. Em geral, isso é feito através de coleta de sangue. Então, a gente tem aí alguns marcadores diretos, né, onde a gente vai quantificar os metabólitos do álcool.
Então, a gente tem uma proteína que é a CDT, é a transferrina deficiente em carboidratos. Ela é mais específica, principalmente pro indivíduo que faz um consumo do álcool crônico, né? Ou seja, mais do que 50, 60 g de álcool por dia por mais de duas semanas.
e ela se encontra alterado, mesmo se o paciente, essa enzima vai, essa, perdão, essa proteína vai eh encontrar-se alterada no sangue, mesmo se o paciente parar de beber por dois ou três dias antes da realização do exame. Existe aqui também duas outras, dois outros compostos, o ETG, que é o etil, glucoronídio e o sulfato de etils. Eles são detectáveis tanto em sangue quanto em urina até 80 horas pós consumo de bebida alcoólica.
São geralmente utilizados para exames toxicológicos. Existe também o fosfatidil etanol que a gente consegue também dosar. Ele é um marcador extremamente sensível e detecta o consumo do álcool mesmo semanas depois da ingestão dele.
Outros marcadores laboratoriais, né, e aí são marcadores indiretos que também podem ser feitos através, né, da coleta de sangue. Então, nós temos e mostram, né, e mostram danos a órgãos, né? Então, a gente tem o TGO e o TGP, que são transaminases hepáticas, tá?
Eh, quando ela apresenta-se aí mais ou aumentada, né, do que duas vezes, sugerem lesões hepáticas devido a a ao álcool. O gama glutamil transferase GGT também pode se apresentar em levada em 70% dos pacientes que são consumidores crônicos do álcool. Através do hemograma, a gente consegue verificar uma grandeza que é o VCM, o volume corpuscular médico médio.
Ele se encontra aumentado e isso pode determinar aí uma anemia macrocítica, né, muito vista em pacientes alcólatras crônicos, né, porque essa essa anemia ela é dada por uma deficiência na vitamina B12 e no folato, né? Aí a gente sabe que os pacientes com que apresentam alcoolismo crônico, eles têm uma dificuldade de absorver essas vitaminas e acabam desenvolvendo uma anemia macrocítica, né? Porque a vitamina B12 e o folato, eles são importantes para a maturação da hemácia, são importantes no processo de eritropoe.
Além disso, pode se verificar bilirubina e albumina também em exames de sangue, né? E isso vai nos mostrar eh danos mais com relação ao fígado, né? Então, a bilirubina, que é uma das escretas presente na bil, pode se encontrar aumentada no sangue no paciente que já tem alguma lesão hepática, associada aí à albumina.
Sinais clínicos e sintomas, né? Então, os sintomas ou sinais eh físicos incluem, né, o rubor facial, né, a face mais avermelhada, telangiectasias, ou seja, pequenos vasinhos na pele e o álcool etílico. Além disso, né, a hepatomegalia, então o aumento, né, do fígado e aerícia também podem ser observados, né, a nível de exames diagnóstico, como ultrassom, por exemplo.
Problemas neurológicos, então tremores, neuropatia periférica, né, então dormência em extremidades, pés e mãos podem estar presentes no paciente alcólatra, além, né, de sinais e sintomas comportamentais. Então, uma tolerância aumentada, ou seja, ele precisa de mais álcool para ter o mesmo efeito. E os sintomas de abstinência, né, em geral, sintomas aí somáticos, como, por exemplo, a sudorese, ansiedade e até mesmo convulsões.
Marcadores de danos orgânicos, né? Então, a gente comentei com vocês que o dano hepático, né, ele pode acontecer no alcool atracônico e a gente pode observar então o aumento do tamanho desse desse fígado, então a hepatomegalia associado à esteatose ou acúmulos de gordura que podem ser identificados através da técnica de ultrassom, pancreatite crônica, então o paciente que apresenta aí uma diarreia, principalmente esteatorreia, dores abdominais, né? E a pancreatite também é uma uma patologia que pode ser identificada através de exames como ultrassom abdominal e a cardiomeopatia alcoólica, né?
Então, esses pacientes acabam desenvolvendo uma cardiomiopatia, principalmente aí uma cardiomiopatia dilatada e isso pode ter consequências mais graves. Essas foram as referências utilizadas na nossa aula de hoje. Muito obrigada.